Rose Nogueira
Conheci Dilma Roussef num dos mais profundos momentos da minha vida e da dela, além de umas 60 companheiras. Algumas chegaram, outras sairam e muitas continuaram presas. O momento era grave. Estávamos no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Ali conheci as pessoas mais extraordinárias da minha vida. Foi no ano de 1970. Jamais esqueci ou poderei esquecer-me delas.
PARA A COMPANHEIRA DILMA
Era mais jovem e ensinava a cantar.
Era mais moça e encantava com tanta lógica,
Como se fosse lógico encantar.
Era menina e enxergava lá longe.
(Tinha a vantagem de ser mais alta, é verdade)
Mas sabia olhar, sabia pra onde.
Essa Dilma boa, a Dilma nossa
É a mesma garota do bordado colorido
onde a professora dona Ivone ensinava que cada mágoa se amarra em cada nó.
Assim fazem as mulheres.
Dilma continua seu trabalho delicado
Vai fazer tudo em ponto alto e caseado
Pra não deixar aquele pano desfiar
Põe verde de esperança aqui, vermelho de tijolo lá
Cria ponte, une caminho, bota o Brasil pra funcionar.
E eu, aqui, que sou só mãe, poeta e jornalista,
Por profissão olhando o mundo e registrando,
Sei que essa vida foi, sim, uma conquista
ponto por ponto, do país de tantos nós,
que não será como antes depois dela.
Rose Nogueira é jornalista e membro do grupo Tortura Nunca Mais.
2 comentários:
Lindo e emocionante.
Infelizmente a juventude de hoje desconhece esses tempos e não imagina o quanto foi sofrido para quem, naquela época, ser presa, por simplesmente querer liberdade de pensamentos e lutou tão bravamente pela nossa - hoje - democracia. Muitos dos mais velhos, parecem ter se esquecido também. Como o
caso do holocausto, nunca deveremos esquecer da ditadura.
A propaganda do Serra soa assim na rádio e TV, "ele é o candidato do Dem". Bem que eu desconfiava. O PSDB já o abandonou.
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