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quarta-feira, 5 de abril de 2017

POLÍTICA - Vai ser um micaço!


Rosival, vai ser um micaço!

Vem aí a Idade das Trevas

Gramsci_Streeck.jpg
Gramsci e Streeck: o novo ainda não nasceu!
O ansioso blogueiro pegou o táxi do Rosival, o único que não é coxinha no ponto em frente de casa.
(Porque os motoristas de táxi de São Paulo trafegam entre o Maluf, o Santo, da lista de alcunhas da Odebrecht, e agora o Prefeito caviar, aquele que levou uma entubada – com elegância – do André Singer).
Rosival está triste:
- Paulo Henrique, eu passei a vida inteira aqui no táxi. Construí uma família, comprei casa própria, eduquei os filhos… Sempre fui muito econômico, tudo comigo é na ponta do lápis. Era apertado, mas dava. Agora, não dá mais! Eu continuo econômico. As despesas eu controlo do mesmo jeito e não deixo aumentar. Mas o dinheiro não entra. Não tem freguês. E ainda tem a Uber. Não sei como esse pessoal da Uber aguenta, com uma tarifa mais baixa e ainda tem os 25% da Uber. A conta não fecha… Se a minha não fecha mais, imagina a deles…
Eu sugeri ao Rosival pegar uma luneta.Pegar uma luneta, Rosival, e olhar pra daqui a dez anos, quinze anos.
Pra quando os netos dele entrarem na faculdade.
O que você vai ver na luneta, Rosival, é a uberização de tudo.
Salários miseráveis.
Patrões invisíveis.
Transações misteriosas na sombra do espaço digital.

Nenhum direito trabalhista.
E 1% da humanidade – os mega-ricos – terá mais dinheiro que 2/3 da população do mundo.
Rosival, é claro que isso não dá certo.
Como é que uma economia pode funcionar se não tem comprador?
Até aí, acho que deu para me fazer entender.
Cheguei ao destino e deixei o Rosival triste.

Mas, a luneta enxerga mais longe, amigo navegante.
Como disse o professor Belluzzo, na magnifica entrevista à TV Afiada.
- Os bancos no mundo inteiro pegaram a gororoba dos créditos podres e botaram pra dentro do balanço;
- os Estados nacionais fizeram uma troca suicida: eu deixo de te cobrar imposto e você me empresta dinheiro pra eu pagar a gasolina da Melania Trump;
- os Estados estão mega-endividados e não tem como pagar as dívidas;
- aí, pra segurar o sistema, o FED, banco central americano e o Banco Central Europeu engoliram 14 trilhões de dólares de gororoba!
- o PIB americano é de 16 trilhões de dólares!
- ou seja, tem um Estados Unidos de mico nos bancos centrais mais poderosos do mundo!
- a dívida das empresas japoneses está toda no Banco Central Japonês: ou seja, a economia japonesa é TODA estatal!

- A DÍVIDA GLOBAL É QUATRO VEZES MAIOR QUE O PIB GLOBAL!!!


- o Vasco, que não quer nem ver uma nota de dólar por perto, chamou a atenção para o PiG cheiroso de ontem, 4/IV:

- “a dívida global de todos os setores da economia – famílias, governos, instituições financeiras e não financeiras – chegou ao fim de 2016 no nível record de US$ 215 trilhões de dólares, ou seja, 325% do PIB MUNDIAL, segundo o Institute of International Finance".
- isso significa que existe mais liquidez (dinheiro na mão dos bancos) do que atividade econômica que justifique pegar dinheiro em banco.

O resultado disso – se o neto do Rosival usar a luneta direitinho – será um grande mico.

UM MICAÇO!


É por isso que a China destinou um trilhão de dólares de suas reservas – ela tem US$ 4 trilhões e em boa parte em títulos do Tesouro americano – a investimentos em ativos não financeiros.

A China está fugindo do dólar – sem provocar tumulto, porque ela é a MAIOR CREDORA DOS ESTADOS UNIDOS.
E o Brasil?
O Brasil, na mão desses golpistas, vai limpar o … do mico.

Em tempo: como diz o magistral sociólogo alemão Wolfgang Streeck, autor do imperdível “Como o capitalismo vai acabar":
- Antes de ir para o inferno, o Capitalismo vai ficar pendurado no limbo, morto ou moribundo, vitima de uma overdose de si mesmo, mas persistente, porque não há força que tire do caminho o cadáver exposto… Vamos viver um longo período de desintegração sistêmica… A ordem social do Capitalismo não vai gerar uma nova ordem social, mas desordem social e entropia, por um período histórico de duração incerta. Como diz Antonio Gramsci, 'o velho já morreu mas o novo ainda não nasceu'. Isso vai provocar um interregnum em que fenômenos patológicos dos mais diversos tipos nascerão numa sociedade desprovida de instituições minimamente coerentes e estáveis… Isso tudo lembra o longo interregnum que começou século V da Era Cristã e se chamou de Idade das Trevas."

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