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segunda-feira, 22 de maio de 2017

BRASIL DE JOESLEYS

Brasil de Joesleys mostra a cara na rua Augusta


Rua Augusta, cinco da tarde de sábado.
Na esquina com a rua Oscar Freire, no coração dos nobres Jardins, o casal de idosos empurrando um carrinho de bebê tenta atravessar a rua com todo cuidado.
Espera o farol fechar e coloca os pés na faixa de pedestres.
À sua frente, avança com pressa um carrão desses off-road do asfalto, e acelera na curva para entrar na Augusta.
O avô ainda tenta acenar para o motorista, que finge que não vê, faz cara feia e segue em frente.
A família pedestre que se dane.
Por acaso, o avô era eu, e a criança no carrinho de bebê, minha neta caçula, que nem reparou no perigo.
No Brasil dos Joesleys, manda quem tem dinheiro, a vida dos outros vale muito pouco, quase nada.
Enquanto o PSDB e os comentaristas políticos ainda decidem se Temer cai ou fica, uma pequena tragédia familiar a mais ou a menos na vida real das ruas não vai fazer a menor diferença.
Os transeuntes em volta seguiram em frente no seu passeio sabático como se aquilo apenas fizesse parte da paisagem.
Aconteça o que acontecer, os Joesleys venceram.
Livres, leves e soltos, curtem agora sua fortuna, amealhada com dinheiro público, na Quinta Avenida em Nova York, rindo da nossa cara.
Mas por aqui deixaram uma legião de seguidores que continuam mandando no pedaço, decidindo quem vai ser o inquilino de plantão Palácio do Planalto para manter seus privilégios.
Neste país em que as faixas de pedestres valem tanto quanto as leis, meros enfeites que separam quem pode de quem não pode, só nos resta soltar um palavrão, que ninguém vai ouvir.
Não foi a primeira vez que isso aconteceu com a gente.
Tempos atrás, estava junto também minha sogra nonagenária e se repetiu exatamente a mesma cena num cruzamento próximo.
Soltei o mesmo palavrão, apontei para a faixa de pedestres, mas daquela vez o motorista ouviu, parou o carro e desceu, me ameaçando:
"Que foi, seu f.d.p.? Quer morrer? Tá pensando que está em Londres?"
Não, infelizmente ainda estou aqui na terra da Lava Jato dos Joesleys, Temers e companhia bela.
Só de uma coisa tenho certeza: não corremos o menor risco de que as coisas possam mudar para melhor tão cedo.
Talvez minha neta no futuro consiga atravessar a rua sem riscos, mas não estarei mais aqui para ver.
E vamos que vamos.
Vida que segue.

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