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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

EUA - Obama afastou-se dos progressistas: culpa de quem?!

Obama afastou-se dos progressistas: culpa de quem?!



Os que acompanham a blogosfera política sabem, sem dúvida, dos muitos ataques que sofreram vozes tradicionalmente muito respeitadas do campo da esquerda norte-americana, que concluíram que, afinal, é hora de votar em “outros” partidos. Fartos de, mais uma vez, como aconteceu em 1996, 2000 e 2004, serem forçados a votar “no mal menor” cansaram-se, de vez, da “velha lenga-lenga”. E que é velha, é.

Por Robert E. Prasch, no Translation Exercises


Alguns leitores lembrarão dos bottons que nos mandavam votar no neoliberal e pró-guerra do Iraque, John Kerry, contra o neoliberal e pró-guerra do Iraque, George W. Bush, em que se lia: “Kerry é menos merda”.

Mas queria falar de outra questão, relacionada a essa. O que, exatamente, diziam esses novamente muito falantes apoiadores de Obama, no final de 2008 e início de 2009, quando o governo estava montando e alocando seu pessoal, para implantar as políticas e as decisões que prepararam o campo para o que se vê hoje e para a disputa que eles mesmos enfrentam hoje? Não se perguntam, sequer, como é possível que um presidente que mobilizou entusiasmo tão apaixonado e tanta esperança há apenas poucos anos, esteja hoje a um passo de perder as eleições?

Afinal de contas, Obama compete contra sujeito que passou praticamente toda a sua vida adulta agindo como o mais rematado, o mais consumado predador capitalista. E está acontecendo, apesar de a maioria dos norte-americanos excluídos do topo, que não são a elite que paga 10-20% de impostos, continuarem a viver os piores tempos da economia de toda a vida de todos os norte-americanos hoje vivos. Será que todos concordam, pelo menos, com que – exceto Richard Nixon – a queda vertiginosa na popularidade de Obama, apesar dos golpes de mão que a tem disfarçado, representa um dos mais completos fracassos na história dos líderes políticos nos EUA de toda a história do pós-guerra?

Não é difícil encontrar a causa subjacente desse fracasso monumental. Obama-presidente-eleito e seu círculo íntimo de conselheiros erraram completamente na avaliação do momento político. A nação realmente queria mudanças significativas – e a tal ponto queria, que o país dispôs-se a eleger um presidente “não regular”, um negro (o que é evento notável, se se considera a ininterrupta história de racismo nos EUA).

Então, não se sabe como, Obama e seu círculo mais próximo deram jeito de convencerem-se, eles mesmos, de que bastaria dar uma reciclada na desgastada ideia de fazer uma “triangulação” [2] a partir do primeiro mandato de Clinton, e tudo daria certo. A partir desse exato momento, Barack Obama e seus principais conselheiros nada fizeram, além de se distanciar de sua principal base de apoio. Duas semanas depois da eleição, o governo anunciou que Lawrence Summers e Timothy Geithner – indivíduos cujo currículo recente, individual e coletivamente, já bastava para assegurar que ambos seriam fracasso gigantesco como servidores públicos – foram nomeados para conduzir a recuperação econômica.

A nomeação da dupla mostrava e o desempenho da dupla confirmou amplamente que “esperança e mudança” nunca haviam passado de slogan e que não, de modo algum, haveria nem qualquer mudança nem qualquer esperança nas políticas econômicas de Obama. A dupla, sem dúvida possível, cuidou de recuperar as fortunas de Wall Street e só. Não deram sequer um passo na direção de recuperar a riqueza de mais ninguém nos EUA.

Dia 1º de dezembro de 2008, o governo Obama anunciou que Robert Gates permaneceria como Secretário de Defesa. Gates, caso alguém tenha esquecido, é mais que o homem que George W. Bush nomeou para dar rumo às guerras imorais, infindáveis e absolutamente sem rumo de Bush, com a missão extra de estendê-las para o resto do planeta, via o (então nascente) programa dos aviões-robôs armados, os drones. É mais que isso. Como ex-vice-diretor da CIA, Gates escapou por um fio de ser julgado e condenado por sua atuação no escândalo dos “contra” iranianos. Ainda que se conceda que as investigações, em 1991, sobre sua atuação tivessem sido excessivas (e talvez não tenham sido), Gates sempre foi muito intimamente associado à criminalidade rampante durante o governo Reagan, para ser nomeado até recolhedor de cachorro sem dono, muito menos, é claro, poderia ter sido nomeado para o cargo de Secretário da Defesa. Que homem daqueles jamais poderia participar de governo do Partido Democrata, nem é preciso dizer.

E quanto à reforma financeira? A indicação de ex-gerentões de Goldman Sachs e Citibank para inumeráveis cargos na Commodity Futures Trading Commission (CFTC) ou na Securities & Exchange Commission (SEC) e por todos os cantos, sugere a qualquer dos mais resistentes e obcecados seguidores de Obama que “esperança e mudança” teria papel decisivo na agenda governamental? Se sugere, ainda falta explicarem como conseguiram chegar àquela conclusão.

Para não perdermos o foco: alguém aí, entre os obamistas, realmente pensa que Rahm Emanuel liderará mudança à esquerda, dentro do Partido Democrata? Não há quem não saiba que Emanuel consumiu a vida inteira como pau mandado, na era Clinton, para combater a ala mais progressista dentro do Partido Democrata. Alguém esperava que mudasse radicalmente, só porque foi nomeado braço direito do Presidente? É? Alguém acredita nisso? E nem vou começar a falar sobre o empenho apaixonado com que Obama deu andamento à agenda de “livre comércio” de Bush ou aos planos (afinal, nunca foram tão secretos assim!) de cortar os benefícios da Seguridade Social e do Medicare.

Repetindo: todas as nomeações listadas acima foram anunciadas depois da eleição e antes da posse. Foram anunciadas antes de Obama revelar que não tinha qualquer intenção de cumprir o núcleo duro das promessas de campanha. Antes de Obama começar a perseguir os valentes “vazadores” de informação correta que distribuíram a verdade sobre os crimes de guerra da era Bush e os sistemas e programas ilegais de vigilância sobre os cidadãos. Antes de Obama silenciar as acusações contra os que realmente cometeram aqueles crimes. Essas violências, como hoje se sabe, faziam pleno sentido, porque, em seguida, o próprio governo Obama se poria a cometer os mesmos crimes, em versão ainda pior – de fato, em modalidade grotesca – do que o país algum dia conheceu, em matéria de violentar a Constituição dos EUA, durante a era Bush.

Sejamos claros: nenhum presidente dos EUA reclamou para si mesmo, em tempo algum, o direito de assassinar cidadãos norte-americanos, selecionados de uma lista de alvos, das quais o presidente pode escolher quem bem entenda, sem ter de informar a quem quer que seja e sem que nenhuma outra instância possa revisar a decisão presidencial de matar norte-americanos.

Meu ponto é bem simples: os norte-americanos já foram traídos. A traição não foi instigada por Glenn Greenwald, Matt Stoller, pelo blog Black Agenda Report, ou por qualquer outra voz do campo progressista ou da esquerda. O que esses autores fazem é expor as traições, para que os eleitores as vejam.

O pessoal que traiu a antes vibrante e esperançosa coalizão que, em 2008, elegeu Barack Obama à presidência está lá, abrigada na Casa Branca. Aquela traição não é coisa de acaso ou das circunstâncias. Já estava em processo inevitavelmente, modelando as decisões que foram tomadas antes de 20 de janeiro de 2009. O que escrevi aqui apenas amplifica um pouco o que Barack Obama e seus principais assessores e conselheiros já sabiam no momento em que tomaram posse: que suas prioridades e agendas seriam em grande parte, se não totalmente ou principalmente, opostas às agendas e prioridades de seus eleitores e apoiadores. Sempre seria, naquele momento e depois, um copo “meio cheio” ou, mesmo, só ¼ cheio. Se ouvirem coisa diferente, mandem que lhe mostrem o copo. [3]

O fato é que o governo Obama, como, antes dele, o governo Clinton, entraram, sabendo onde entravam, num movimento cínico. Apostaram que conseguiriam impor uma corte de desatinos, políticas fundamentalmente odiosas do ponto de vista dos seus eleitores e, apesar disso, seriam reeleitos. O cálculo baseou-se sempre na premissa de que Democratas “de partido” jamais teriam alternativa. [4] Não surpreendentemente, o governo Obama e seus prepostos investiram considerável tempo e energia para convencer os apoiadores de que não há alternativa.

Qualquer um que algum dia tenha comprado sabe que o poder de barganha depende, em última instância, da disposição do comprador para não comprar. A capacidade de dar as costas ao mau fornecedor explica por que obtemos bons serviços da lavanderia da esquina e péssimos serviços do nosso provedor de televisão a cabo. Quando se tem alternativa, o consumidor ganha poder como consumidor (e devo dizer que a regra vale para o mercado de trabalho, o que explica por que a maioria dos empregadores gosta muito mais de altas taxas de desemprego, que os seus empregados).

Nesse momento, campanha eleitoral profundamente cínica está apostando que os progressistas e a esquerda em geral terá tanto medo de um governo de Romney, que nem tentará mobilizar o poder que tem. Essa, vale relembrar, já foi a estratégia adotada por Comissões Nacionais Democratas cada vez mais de direita, ao longo de, já, quase 30 anos. A cada quatro anos, nos convocam a votar pelo mal menor. Em algumas semanas saberemos se a jogada deu certo, para eles, mais uma vez.

A pergunta é: e teremos aprendido? Teremos aprendido a barganhar contra uma liderança desencantada, sem fé, do Partido Democrata? Se não aprendermos agora... aprenderemos quando?

Mas sejamos bem claros. Vençam ou percam, Rahm Emanuel, Robert Gibbs, David Axelrod, David Plouffe, Bill Clinton e Barack Obama estarão com a vida ganha. Eles sempre ganham, com ou sem os votos. Há magníficos empregos em agências de lobbying, em bancos, como conselheiros, todos com excelentes salários. Convites para “Conferências”, que venderão a peso de ouro, choverão sobre eles. A grana conhece seus caminhos e tudo continuará a prosperar. Quanto a isso, que ninguém se preocupe. E quanto à vida da vasta maioria do povo dos EUA? Os que apoiaram Obama. Os que votaram em Obama. Os desempregados. Os que tiveram as casas alagadas e destruídas? Os sem casa? As vítimas das ações fraudulentas de despejo?

Bem, há novidades: somos adultos. Eles não podem nos enganar sempre. Não se deixe enganar mais. Caia fora do velho golpe. Você nada deve a Obama, porque Obama nada fez por você e nada planeja fazer por você, nem fará – a menos que você veja alguma vantagem em perder o benefício da Segurança Social e em ser coadjuvante da farsa da Parceria Trans-Pacífico. Se votar em Obama o deixa menos desanimado, OK, vote. Mas não há dúvida de que já há muita gente que começa a pensar de outro modo.

Notas de tradução
[1] 27/10/2012, “The progressive case against Obama” [O que os progressistas têm contra Obama], Matt Stoller, Salon.

[2] Orig. Triangulation: é o nome dado ao que faz o candidato, em disputa política, que se apresente como “acima” e “entre” a esquerda e a direita do espectro político tradicional nos EUA e na Grã-Bretanha. Implica adotar parte das ideias de algum adversário (quase sempre adversário apenas aparente). A lógica desse tipo de movimento é que os dois lados recebem créditos pelas ideias do oponente e o “triangulador” fica protegido contra ataques mais virulentos relacionados ao tema “triangulado”.

[3] Ver 27/12/2011, “Where is My Half Glass?” [Onde está a minha metade do copo”, Robert E. Prasch, Translation Exercises.

[4] Ver 30/7/2012, “On Voting Strategically in 2012: The Ultimatum Game” [Sobre votar estrategicamente em 2012: o jogo do ultimatum”] Robert E. Prasch, Translation Exercises.

Fonte Redecastorphoto. Traduzido pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu

POLÍTICA - Valério pede delação premiada.

Nonato Amorim

Off topic, Nassif & Amigos: olhem o golpe em gestação. Vem mais "domínio dos fatos..."

VALERIO PEDE DELAÇÃO PREMIADA AO STF

Pedido de Valério pode ser estratégia para tirá-lo da cadeia, dizem ministros

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) avaliaram nesta terça-feira (30), em caráter reservado, que o fax com pedido de delação premiada enviado por Marcos Valério à Corte pode fazer parte de uma nova estratégia do empresário que, se bem sucedida, o deixaria fora da cadeia. 

FELIPE SELIGMAN

MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

Valério foi condenado pelo Supremo, após ser considerado o operador do esquema do mensalão. Na semana passada, os ministros definiram a ele uma pena superior a 40 anos de prisão, que ainda poderá ser revista até o final do julgamento. O caso será retomado pelo tribunal no dia 7 de novembro.
Ayres Britto diz que fax com pedido de delação a Valério é 'hiperlacônico'
STF recebe fax com pedido de delação premiada para Marcos Valério
Condenado no mensalão, Tolentino entrega passaporte ao Supremo
No final de setembro, num sábado, a defesa de Valério enviou uma mensagem, por fax, à presidência do STF, dizendo que gostaria de ser ouvido e alegando correr risco de vida.
Integrantes do tribunal ouvidos pela reportagem avaliam que um depoimento neste momento não poderá ter qualquer influência sobre o caso em julgamento. Caso ele resolva falar aquilo que diz saber, no entanto, novas investigações poderiam surgir, assim como o conteúdo do depoimento influenciaria casos já abertos e que correm na primeira instância.
Ministros disseram à Folha que estão sendo informados, a todo o momento, que Valério está realmente preocupado com possíveis atentados contra sua vida, além de que ele está disposto a fazer de tudo para não voltar à prisão, onde já passou alguns meses de sua vida.
Para eles, portanto, a estratégia do empresário pode ser a seguinte: Ele falaria ao Ministério Público tudo o que diz saber, esperando convencer a acusação de que suas informações podem ser relevantes para esclarecer fatos ainda não revelados do esquema do mensalão.
Ao prestar um depoimento completo sobre o que vivenciou entre os anos de 2002 e 2005, ou até sobre anos anteriores, quando trabalhou para o PSDB de Minas Gerais, ele poderia pleitear a inclusão de seu nome ao Sistema Nacional de Assistência à Vítimas e a Testemunhas Ameaçadas, garantindo a proteção estatal, sendo enviado a algum local não identificado.
Isso depende da concordância da Procuradoria e não anularia sua condenação do Supremo, mas, na prática tirá-lo da cadeia já que estaria no programa a testemunha.
Hoje, o presidente Carlos Ayres Britto não quis revelar o conteúdo completo do recado enviado por Valério, por estar sob segredo de Justiça, e desconversou sobre seus efeitos. Ele se limitou a dizer que o conteúdo da mensagem foi "hiperlacônico". Esse sigilo foi decretado pelo próprio Britto, ao receber a mensagem, que no mesmo dia foi enviada ao relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa

terça-feira, 30 de outubro de 2012

MÍDIA - A retórica do ódio na mídia.

Artigo Jaime Amparo Alves: A retórica do ódio na mídia


29/10/2012 |
Por Jaime Amparo Alves*
Portal Vermelho / Brasil de Fato


A verdade é que o “mensalão” surge como a oportunidade histórica para que se faça o que a oposição – que nas palavras de um dos colunistas da Veja “se recusa a fazer o seu papel” – não conseguiu até aqui: destruir a biografia do presidente metalúrgico, inviabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff e reconduzir o projeto da elite ‘sudestina’ ao Palácio do Planalto.






Os brasileiros no exterior que acompanham o noticiário brasileiro pela internet têm a impressão de que o país nunca esteve tão mal. Explodem os casos de corrupção, a crise ronda a economia, a inflação está de volta, e o país vive imerso no caos moral. Isso é o que querem nos fazer crer as redações jornalísticas do eixo Rio - São Paulo. Com seus gatekeepers escolhidos a dedo, Folha de S. Paulo, Estadão, Veja e O Globo investem pesadamente no caos com duas intenções: inviabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff e destruir a imagem pública do ex-presidente Lula da Silva. Até aí nada novo.

Tanto Lula quanto Dilma sabem que a mídia não lhes dará trégua, embora não tenham – nem terão – a coragem de uma Cristina Kirchner de levar a cabo uma nova legislação que democratize os meios de comunicação e redistribua as verbas para o setor. Pelo contrário, a Polícia Federal segue perseguindo as rádios comunitárias e os conglomerados de mídia Globo/Veja celebram os recordes de cotas de publicidade governamentais. O PT sofre da síndrome de Estocolmo (aquela na qual o sequestrado se apaixona pelo sequestrador) e o exemplo mais emblemático disso é a posição de Marta Suplicy como colunista de um jornal cuja marca tem sido o linchamento e a inviabilização política das duas administrações petistas em São Paulo.

O que chama a atenção na nova onda conservadora é o time de intelectuais e artistas com uma retórica que amedronta. Que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso use a gramática sociológica para confundir os menos atentos já era de se esperar, como é o caso das análises de Demétrio Magnoli, especialista sênior da imprensa em todas as áreas do conhecimento. Nunca alguém assumiu com tanta maestria e com tanta desenvoltura papel tão medíocre quanto Magnoli: especialista em políticas públicas, cotas raciais, sindicalismo, movimentos sociais, comunicação, direitos humanos, política internacional… Demétrio Magnoli é o porta-voz maior do que a direita brasileira tem de pior, ainda que seus artigos não resistam a uma análise crítica.

Agora, a nova cruzada moral recebe, além dos já conhecidos defensores dos “valores civilizatórios”, nomes como Ferreira Gullar e João Ubaldo Ribeiro. A raiva com que escrevem poderia ser canalizada para causas bem mais nobres se ambos não se deixassem cativar pelo canto da sereia. Eles assumiram a construção midiática do escândalo, e do que chamam de degenerecência moral, com o fato. E, porque estão convencidos de que o país está em perigo, de que o ex-presidente Lula é a encarnação do mal, e de que o PT deve ser extinguido para que o país sobreviva, reproduzem a retórica dos conglomerados de mídia com uma ingenuidade inconcebível para quem tanto nos inspirou com sua imaginação literária.

Ferreira Gullar e João Ubaldo Ribeiro fazem parte agora daquela intelligentsia nacional que dá legitimidade científica a uma insidiosa prática jornalística que tem na Veja sua maior expressão. Para além das divergências ideológicas com o projeto político do PT – as quais eu também tenho -, o discurso político que emana dos colunistas dos jornalões paulistanos/cariocas impressiona pela brutalidade. Os mais sofisticados sugerem que a exemplo de Getúlio Vargas, o ex-presidente Lula cometa suicídio; os menos cínicos celebraram o “câncer” como a única forma de imobilizá-lo. Os leitores de tais jornais, claro, celebram seus argumentos com comentários irreproduzíveis aqui.

Quais os limites da retórica de ódio contra o ex-presidente metalúrgico? Seria o ódio contra o seu papel político, a sua condição nordestina, o lugar que ocupa no imaginário das elites? Como figuras públicas tão preparadas para a leitura social do mundo se juntam ao coro de um discurso tão cruel e tão covarde já fartamente reproduzido pelos colunistas de sempre? Se a morte biológica do inimigo político já é celebrada abertamente – e a morte simbólica ritualizada cotidianamente nos discursos desumanizadores – estaríamos inaugurando uma nova etapa no jornalismo lombrosiano?

Para além da nossa condenação aos crimes cometidos por dirigentes dos partidos políticos na era Lula, os textos de Demétrio Magnoli , Marco Antonio Villa, Ricardo Noblat , Merval Pereira, Dora Kramer, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Eliane Catanhede, além dos que agora se somam a eles, são fontes preciosas para as futuras gerações de jornalistas e estudiosos da comunicação entenderem o que Perseu Abramo chamou apropriadamente de “padrões de manipulação” na mídia brasileira. Seus textos serão utilizados nas disciplinas de ontologia jornalística não apenas com o exemplos concretos da falência ética do jornalismo tal qual entendíamos até aqui, mas também como sintoma dos novos desafios para uma profissão cada vez mais dominada por uma economia da moralidade que confere legitimidade a práticas corporativas inquisitoriais vendidas como de interesse público.

O chamado “mensalão” tem recebido a projeção de uma bomba de Hiroshima não porque os barões da mídia e os seus gatekeepers estejam ultrajados em sua sensibilidade humana. Bobagem! Tamanha diligência não se viu em relação à série de assaltos à nação empreendidos no governo do presidente sociólogo! A verdade é que o “mensalão” surge como a oportunidade histórica para que se faça o que a oposição – que nas palavras de um dos colunistas da Veja “se recusa a fazer o seu papel” – não conseguiu até aqui: destruir a biografia do presidente metalúrgico, inviabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff e reconduzir o projeto da elite ‘sudestina’ ao Palácio do Planalto.

Minha esperança ingênua e utópica é que o Partido dos Trabalhadores aprenda a lição e leve adiante as propostas de refundação do país abandonadas com o acordo tácito para uma trégua da mídia. Não haverá trégua, ainda que a nova ministra da Cultura se sinta tentada a corroborar com o lobby da Folha de S. Paulo pela lei dos direitos autorais, ou que o governo Dilma continue derramando milhões de reais nos cofres das organizações Globo e Abril via publicidade oficial. Não é o PT, o Congresso Nacional ou o governo federal que estão nas mãos da mídia.

Somos todos reféns da meia dúzia de jornais que definem o que é notícia, as práticas de corrupção que merecem ser condenadas, e, incrivelmente, quais e como devem ser julgadas pela mais alta corte de Justiça do país. Na última sessão do julgamento da ação penal 470, por exemplo, um furioso ministro-relator exigia a distribuição antecipada do voto do ministro-revisor para agilizar o trabalho da imprensa (!). O STF se transformou na nova arena midiática onde o enredo jornalístico do espetáculo da punição exemplar vai sendo sancionado.

Depois de cinco anos morando fora do país, estou menos convencido por que diabos tenho um diploma de jornalismo em minhas mãos. Por outro lado, estou mais convencido de que estou melhor informado sobre o Brasil assistindo à imprensa internacional. Foi pelas agências de notícias internacionais que informei aos meus amigos no Brasil de que a política externa do ex-presidente metalúrgico se transformou em tema padrão na cobertura jornalística por aqui. Informei-lhes que o protagonismo político do Brasil na mediação de um acordo nuclear entre Irã e Turquia recebeu atenção muito mais generosa da mídia estadunidense, ainda que boicotado na mídia nacional. Informei-lhes que acompanhei daqui o presidente analfabeto receber o título de doutor honoris causa em instituições européias, e avisei-lhes que por causa da política soberana do governo do presidente metalúrgico, ser brasileiro no exterior passou a ter uma outra conotação. O Brasil finalmente recebeu um status de respeitabilidade e o presidente nordestino projetou para o mundo nossa estratégia de uma America Latina soberana.

Meus amigos no Brasil são privados do direito à informação e continuarão a ser porque nem o governo federal nem o Congresso Nacional estão dispostos a pagar o preço por uma “reforma” em área tão estratégica e tão fundamental para o exercício da cidadania. Com 70% de aprovação popular, e com os movimentos sociais nas ruas, Lula da Silva não teve coragem de enfrentar o monstro e agora paga caro por sua covardia.Terá a Dilma coragem com aprovação semelhante, ou nossa meia dúzia de Murdochs seguirão intocáveis sob o manto da liberdade de e(i)mprensa?

* Jaime Amparo Alves é jornalista, doutor em Antropologia Social, Universidade do Texas em Austin.

Fonte: Brasil de Fato

A corrida estrangeira pela terra brasileira. Entrevista especial com Maíra Martins

A corrida estrangeira pela terra brasileira. Entrevista especial com Maíra Martins
“Apesar de pequenos agricultores produzirem quase a metade dos alimentos no mundo, eles constituem a população mais fragilizada, em situação de miséria e fome, cuja ausência de titularidade ou posse da terra os torna mais vulneráveis”, constata a socióloga.

Confira a entrevista.


A compra de terras por empresas estrangeiras está aumentando em “países cuja governança sobre a terra é frágil, as negociações são pouco transparentes e, em muitos casos, sem consulta prévia às populações envolvidas ou potencialmente atingidas pelos empreendimentos”, informa Maíra Martins, pesquisadora da ActionAid Brasil à IHU On-Line. Segundo ela, os dados do relatório “Situação da Terra”, realizado pela ONG, indicam que, diante da crise econômica internacional, “a garantia do direito à terra, acesso aos territórios e meios de vida das comunidades e populações pobres no meio rural é crucial para o combate à fome e para a redução das desigualdades no mundo”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Maíra esclarece que a aquisição das terras aumentou após a crise econômica de 2007 e 2008. “No contexto da crise financeira e econômica, muitos investidores voltaram-se para o mercado de terras. A chamada ‘corrida por terras’ se deve também à demanda por biocombustíveis e matérias primas, com destaque para algumas commodities como milho, soja, cana-de-açúcar, dendê e florestas plantadas (eucalipto), cultivos estes voltados para exportação”. E acrescenta: “Estima-se que as transações com terras, cuja média era de 4 milhões de hectares por ano até 2008, saltaram para 45 milhões de hectares somente entre outubro de 2008 e agosto de 2009, sendo grande parte dessas negociações, em torno de 75%, no continente africano”.

O processo de estrangeirização das terras brasileiras ocorre desde os anos 1970, mas a partir de 2008, “também houve a intensificação da participação de estrangeiros em investimentos agropecuários, bem como na aquisição de terras no Brasil, acompanhando a tendência global”, informa. De acordo com a pesquisadora da ActionAid, o continente Africano é o principal alvo de interesse das empresas. “Em 2010, o Banco Mundial estimou que cerca de 46 milhões de hectares de terra agricultáveis haviam sido negociados no continente. Grande parte dessas aquisições ocorre em países com altos índices de fome e pobreza, cuja legislação e governança sobre a terra são frágeis, bem como os meios para proteger os direitos das populações afetadas”.

Maíra Martins é assessora de pesquisa e políticas da ActionAid Brasil, socióloga e mestre em Ciências Sociais com foco em Desenvolvimento Agricultura e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ.
Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são os dados mais preocupantes do relatório “Situação da Terra” em relação à compra de terras tradicionais por empresas estrangeiras e a crise alimentar?

Maíra Martins
– O relatório trata do problema das aquisições de terra em larga escala em países em desenvolvimento. Dividido em duas partes, na primeira apresenta os impactos da corrida por terras para as comunidades rurais e, em especial, para as mulheres. Na segunda parte analisa a situação de 24 países no que concerne a sua situação fundiária e sua capacidade (política, legal e jurídica) para proteger os direitos territoriais das populações e comunidades, cujo meio de vida depende da terra e dos recursos naturais.

Chama atenção para o fato de que grande parte dos investimentos em compras de terras tem se dado em países cuja governança sobre a terra é frágil, as negociações são pouco transparentes e, em muitos casos, sem consulta prévia às populações envolvidas ou potencialmente atingidas pelos empreendimentos.

Apesar de pequenos agricultores produzirem quase a metade dos alimentos no mundo, eles constituem a população mais fragilizada, em situação de miséria e fome, cuja ausência de titularidade ou posse da terra os torna mais vulneráveis. No caso das mulheres a situação é mais grave: embora tenham papel crucial na agricultura e reprodução dos modos de vida, possuem apenas 2% de toda a terra globalmente. Assim, no contexto de crise dos preços dos alimentos e fome no mundo, a mensagem central do relatório é de que a garantia do direito à terra, acesso aos territórios e meios de vida das comunidades e populações pobres no meio rural é crucial para o combate à fome e para a redução das desigualdades no mundo.

IHU On-Line – Desde quando está em curso a estrangeirização de terras no Brasil e nos demais países da África e da Ásia?

Maíra Martins
– Após a crise dos preços dos alimentos em 2007-2008, identifica-se o aumento expressivo da aquisição de terras em larga escala. No contexto da crise financeira e econômica, muitos investidores se voltaram para o mercado de terras. A chamada “corrida por terras” se deve também à demanda por biocombustíveis e matérias primas, com destaque para algumas commodities como milho, soja, cana-de-açúcar, dendê e florestas plantadas (eucalipto), cultivos estes voltados para exportação. Estima-se que as transações com terras, cuja média era de 4 milhões de hectares por ano até 2008, saltaram para 45 milhões de hectares somente entre outubro de 2008 e agosto de 2009, sendo grande parte dessas negociações, em torno de 75%, no continente africano.

No caso do Brasil, o processo de estrangeirização das terras não é necessariamente novo: a cooperação nipo-brasileira para o desenvolvimento da agricultura nos Cerrados, na década de 1970, é considerada um importante marco desse processo por pesquisadores. Contudo, tem sido verificado que, a partir de 2008, também houve a intensificação da participação de estrangeiros em investimentos agropecuários, bem como na aquisição de terras no Brasil, acompanhando a tendência global.

IHU On-Line – Entre os países da América Latina, África e Ásia, é possível apontar em qual dos continentes há maior disputa pelos territórios e onde as empresas estrangeiras mais compram terras? Quais os interesses das empresas nesses países?

Maíra Martins
– O continente africano tem sido o principal alvo dos interesses das empresas em aquisições e terras. Em 2010, o Banco mundial estimou que cerca de 46 milhões de hectares de terra agricultáveis haviam sido negociados no continente. Grande parte dessas aquisições ocorre em países com altos índices de fome e pobreza, cuja legislação e governança sobre a terra são frágeis, bem como os meios para proteger os direitos das populações afetadas. As empresas, por outro lado, buscam boas oportunidades de investimento, nesse sentido, encontram facilidades para compra de terras ou contratos de arrendamento, incentivos fiscais, preços de terra mais baratos, bem como populações fragilizadas por não possuírem garantias legais.

IHU On-Line – Que empresas participam desse comércio de terras? Quais as implicações dessas negociações?

Maíra Martins
– Diversos setores participam das negociações por terras, desde fundos de investimento e especuladores – cujo interesse é a valorização da terra, como empresas nacionais e multinacionais de produção de etanol, eucalipto, milho, soja – até setores da mineração e outras indústrias extrativas.

IHU On-Line – O que muda em relação à produção agrícola uma vez que as empresas estrangeiras são donas dos territórios?

Maíra Martins
– Territórios que antes eram habitados ou produzidos por uma comunidade, bem como seus recursos naturais (água, solo, fauna, etc.), são monopolizados nas mãos de poucos, geralmente convertidos em regiões de monocultivos para exportação, com alto uso de agrotóxicos, intenso consumo dos recursos hídricos e poluição do ar ou do subsolo. Dependendo do setor, emprega-se pouca mão de obra, não contribuindo muito para o desenvolvimento local.

IHU On-Line – Qual o posicionamento dos governos desses países em relação à compra de terras nacionais?

Maíra Martins
– Para muitos governos a entrada de investimentos estrangeiros no país é tida como oportunidade de geração de renda e emprego para as comunidades, além de ser uma oportunidade de transferência de tecnologia. Sabemos que não é esse processo que tem sido noticiado e denunciado por muitas organizações ao redor do mundo. Nesse sentido, há discussões em âmbito internacional e em muitos países sobre maneiras de fortalecer os mecanismos de governança sobre a terra e regular os investimentos das empresas, cobrando mais responsabilidades dos investidores estrangeiros. Mais de cem países do Comitê Global de Segurança Alimentar endossaram as diretrizes globais voluntárias sobre a gestão responsável da posse da terra e os direitos de acesso à terra, à pesca e aos recursos florestais. No entanto, por serem voluntárias, é necessário que os países adaptem aos seus contextos nacionais e incorporem os princípios e recomendações em formato de legislação.

IHU On-Line – Qual a situação específica do Brasil? É possível estimar que percentual do território brasileiro já pertencente a empresas estrangeiras?

Maíra Martins
– O Brasil possui uma estrutura fundiária extremamente concentrada, resultado de nosso processo histórico, da maneira como a terra tornou-se propriedade privada e também reserva de valor. Como demonstra os dados do último censo agropecuário, as pequenas propriedades rurais, com menos de dez hectares, ocupam apenas 2,7% da área total dos estabelecimentos rurais, algo torno de 7,8 milhões de hectares, um terço do que, por exemplo, é hoje ocupado somente com a soja. Ao mesmo tempo em que assistimos a expansão das fronteiras agrícolas para as monoculturas de exportação, com forte investimento estrangeiro, os processos de reforma agrária, de demarcação de territórios indígenas e quilombolas estão quase parados.

Há também fragilidades nos cadastros dos imóveis, revelando o fraco controle do estado sobre a governança da propriedade da terra no Brasil. Isso afeta uma identificação precisa das aquisições de terras por estrangeiros. Dos 850 milhões de hectares em terras no Brasil, apenas a metade está cadastrada como imóvel rural no sistema nacional de cadastro rural do Incra. Desse modo, é difícil definir percentuais sobre o território. Segundo estudos do Nead, baseado nas fontes do Sistema Nacional de Cadastro Rural SNCR do Incra, em 2008 existiam 34.632 registros de imóveis em mãos de estrangeiros, equivalente a uma área total de 4 milhões de hectares, parte significativa desses imóveis classificados como grandes propriedades rurais.

IHU On-Line – O comércio de terras em larga escala tem estimulado o aumento do preço dos alimentos e a produção dos biocombustíveis. Quais as razões dessas consequências?

Maíra Martins
– O interesse por terra para atender à demanda por commodities agrícolas ou para especulação tem provocado o aumento do preço da terra e a substituição de cultivos essenciais para segurança alimentar por produtos voltados para exportação. Esse processo reforça a tendência para concentração fundiária e monopólio, contribui para o encarecimento dos preços dos alimentos devido ao aumento dos custos de produção (preço da terra, distância e transporte etc.) e redução de oferta de alimentos.

IHU On-Line – Como esse comércio tem prejudicado as comunidades tradicionais e pequenos agricultores em todo o mundo? Quais os riscos de acirrar ainda mais a crise alimentar?

Maíra Martins
– A pressão sobre as terras tem provocado o deslocamento de muitas comunidades – às vezes por processos violentos e conflituosos – inviabilizando seus modos de vida e formas de reprodução de sua cultura. Por não terem a propriedade ou posse da terra, as populações rurais mais pobres são facilmente deslocadas e expropriadas e, para aqueles que possuem a titulação, a pressão inflacionária do preço da terra e a chegada de investimento ao redor inviabilizam a permanência em suas terras, levando-os à venda ou arrendamento. Por exemplo, podemos imaginar uma família de pequenos agricultores que estão cercados por fazendas de cana de açúcar, com intenso uso de agrotóxicos, ocorrências de queimadas, e assoreamento dos rios, frequentemente assediadas para vender ou arrendar suas terras.

Muitos são os riscos para a crise alimentar. Esse processo recente de aquisições de terras vai na contramão do que se considera necessário para garantir a produção de alimentos, reduzir os impactos das crises dos preços e inflação. Essa busca por terras contribui para agravar a concentração de terra, renda e investimentos em alguns setores, sobretudo na distribuição, pressionando os preços e contribuindo para inflação.

Como dito acima, os agricultores familiares são aqueles que produzem grande parte dos alimentos consumidos no mundo. É preciso políticas que fortaleçam pequenos agricultores, comunidades tradicionais, dando-lhes acesso à terra e meios de produzir alimentos e reproduzir seus modos de vida com dignidade.

ELEIÇÕES - O poder econômico ganha eleições.

Oito milionários conquistam a prefeitura de capitais

Riqueza e poder político vão andar de mãos dadas em oito capitais brasileiras a partir de 1º de janeiro de 2013, quando tomam posse os vitoriosos nas eleições municipais deste ano. Dos 26 prefeitos eleitos nas capitais, oito são milionários, ou seja, ostentam um patrimônio superior a R$ 1 milhão.

No grupo dos oito, há representantes de todas as regiões. O protagonismo é do Centro-Oeste. Cuiabá tem o prefeito eleito mais rico do país nas capitais, Mauro Mendes (PSB), cujos bens alcançam R$ 116,859 milhões. Também no grupo dos milionários está o Alcides Bernal (PP), de Campo Grande, embora com um patrimônio bem menor, de R$ 1,3 milhão. Somando a fortuna de Mendes com o pouco mais de R$ 1 milhão de Bernal e os R$ 152.756,35 declarados por Paulo Garcia (PT), de Goiânia, chega-se a um patrimônio conjunto de R$ 118,31 milhões. Isso faz do Centro-Oeste a região com maior riqueza nas mãos dos prefeitos de capitais.
A reportagem é de Antonio Perez e publicada pelo jornal Valor, 30-10-2012.


O Sudeste, com quatro capitais, aparece em segundo, com R$ 60 milhões. Como no Centro-Oeste, um único político tem a maior parte do bolo. É o prefeito reeleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), cujos bens somam R$ 58,86 milhões, o que o coloca na posição de segundo prefeito mais abastado entre as capitais.

A região Norte tem dois representantes no grupo dos milionários. O bolso mais cheio é de Carlos Amastha (PP), terceiro mais rico de todos. Eleito prefeito de Palmas no primeiro turno, ele declarou bens no valor de R$ 18,15 milhões. O outro milionário da região é Mauro Nazif (PSB), de Porto Velho. Com R$ 1,048 milhão, é o lanterninha do grupo dos oito endinheirados. Ao todo, os sete prefeitos das capitais da região Norte tem em conjunto R$ 21,8 milhões.

Os milionários do Nordeste são ACM Neto (DEM), de Salvador, e Carlos Eduardo (PDT), de Natal. Quarto prefeito eleito de capital mais rico, ACM Neto tem um patrimônio de R$ 13,32 milhões. Logo em seguida, na quinta posição no grupo dos oito, aparece Carlos Eduardo, com R$ 2,605 milhões. Já a região Sul tem apenas um milionário. É Gustavo Fruet (PDT), prefeito eleito de Curitiba, com bens no valor de R$ 2,26 milhões.

Do grupo de oito milionários, seis são empresários. E eles são justamente os seis mais ricos - uma informação que parece confirmar a máxima de que, com raras exceções, ninguém constrói uma fortuna trabalhando para os outros - ou seja, como empregado.

Da fortuna de R$ 116,8 milhões de Mauro Mendes, mais de 90% referem-se à participação em empresas, a maior delas a Bipar Investimentos e Participações (R$ 105,718 milhões). Como investidor, Mendes tem R$ 45,49 mil em ações, R$ 21,67 mil em títulos de capitalização, R$ 2,45 mil em um fundo DI e R$ 30,22 na caderneta de poupança. Nas aplicações financeiras, a maioria fatia está em dois planos de previdência privada, cujas aplicações somam R$ 383 mil.

ACM Neto é outro cuja riqueza se deve à atividade empresarial. Dos R$ 13,32 milhões que declarou, R$ 9,384 milhões referem-se a quotas da TV Bahia adquiridas pelo prefeito eleito em 2012. Outros R$ 368,5 mil representam cotas em uma empresa chamada Anre Participações Ltda. Na seara dos investimentos, o herdeiro do "carlismo" é conservador. Tem R$ 1,183 em aplicações de renda fixa no BB e no Bradesco e R$ 879 em um plano de previdência privada do BB.

Os três menos ricos na lista dos oito milionários (Gustavo Fruet, Alcides Bernal e Mauro Nazif) são justamente os que não tem participações em empresas. Fruet revela-se, contudo, um investidor sofisticado. Seguindo os ensinamentos do papa da diversificação, o economista americano e prêmio Nobel Harry Markowitz, ele evita colocar "todos os ovos na mesma cesta". O prefeito eleito de Curitiba tem dinheiro em fundo DI (R$ 473,5 mil), fundos multimercados (R$ 245 mil), ações (R$ 35,3 mil), planos de previdência (R$ 100 mil) e em imóveis comerciais (R$ 298 mil).

SÍRIA - Defende-se da agressão imperialista.

A Síria defende-se da agressão imperialista

por John Catalinotto
. NOVA YORK – Durante os últimos 19 meses de guerra civil caótica na Síria, com rebeldes da oposição armados pelos EUA, pela NATO e pelas monarquias do Golfo através da Turquia, já alguma vez ouviu representantes do governo sírio a defenderem a posição do seu governo a respeito do combate no seu país?

Se vive nos EUA imperialista ou na Europa, a sua resposta provavelmente é "nunca". Por que? As estações da televisão síria estão proibidas por sanções e as televisões de propriedade corporativa dificilmente alguma vez oferecem declarações do "inimigo". Mesmo em outros países de língua árabe, a posição síria tem sido abafada pela propaganda anti-síria do Qatar e da Arábia Saudita.

Durante umas poucas horas, numa igreja no Upper West Side de Manhattan, em 21 de Outubro, houve uma oportunidade de ouvir a posição síria expressa por um porta-voz oficial sírio. A audiência também ouviu outros internacionalistas que apoiam a defesa da Síria daquilo que pode ser descrito como um ataque imperialista.

A reunião contou com o conselheiro Dr. Mazen Adi, da Missão Síria junto às Nações Unidas, bem como com o activista internacional de direitos humanos Ramsey Clark e a jornalista britânica Lizzie Phelan, conhecida pela sua corajosa reportagem da Líbia durante o assalto imperialista de 2011 àquele país.

Adi explicou que o movimento de oposição na Síria era complexo e à princípio o povo apresentou pedidos para que o governo o ouvisse. O governo ofereceu um "cabaz de reformas". Alguns na oposição aceitaram as reformas e novas discussões, mas outros "queriam implementar a sua própria agenda... destruir a Síria".

"O governo queria vir para a mesa [de conversações], mas foi recebido com bombistas suicidas", observou Adi. "Pessoas a combaterem o governo acreditavam estar a faz jihad". Ele explicou que há na Síria milhares de combatentes de países muito diferentes em dúzias de diferentes grupos com diferentes programas, tornando negociações quase impossíveis.

Adi enfatizou o papel desempenhado pela Síria ao receber no seu país quaisquer refugiados árabes, especialmente os mais de um milhão de pessoas forçadas a fugir do Iraque durante a guerra ali conduzida pelos EUA. Também notou que a Síria é um país muito diverso, com dúzias de diferentes religiões, seitas e grupos étnicos.

Além disso, explicou as dificuldades que a Síria enfrenta em apresentar o seuj lado da história. "O meu país não tem os petrodólares" que o Qatar tem para a Al-Jazeera e Arábia Saudita tem para a Al-Arabia, duas estações de TV por satélite. "Portanto nós não podemos sequer apresentar a nossa posição em árabe. As emissões das nossas três estações nacionais estão bloqueadas da Europa devido a sanções".

A Press-TV, a Peoples Video Network e a Truth for a Change gravaram a reunião para futura emissão ou difusão na Internet e a CPRMetro.org difundiu a discussão em tempo real. Serão os movimentos progressistas e anti-guerra aqui a publicar a reunião e acessá-la a fim de contrapor-se ao monopólio dos media corporativos.

Lizzie Phelan também tratou do monopólio ocidental dos media. Nas mais recentes intervenções os media imperialistas foram ajudados pela Al-Jazeera e Al-Arabia. Phelan foi um dos poucos repórteres internacionais na Líbia no ano passado que descreveu a batalha do país contra a NATO de modo diferente da "estória oficial" relatada pelos media corporativos na Europa e nos EUA.

Finalmente, depois de Kadafi ter sido assassinado e o seu governo derrubado, os media ocidentais começaram a deixar surgir algo da verdade, disse Phelan. Agora o que se vê na Líbia é caos e uma forte presença de forças como a al-Qaeda, com um "ricochete" que resultou na morte do embaixador dos EUA.

Larry Hales, representante do International Action Center, mirou o próprio sistema capitalista e a actual crise económica irresolúvel como a força condutora por trás da tentativa imperialistas de reconquistar países como a Líbia, Síria, Iraque e Afeganistão.

Outros oradores na reunião, além de Clark, incluíram Ardeshir Omani, do Comité de Amizade Americano-Iraniano, e Ben Becker, da Answer Coalition. Estes grupos, o IAC e o Conselho da Paz de Nova York patrocinaram a reunião. Omani e Clark centraram seus comentários nas ameaças contra o Irão. Ellie Omani da AIFC e Sara Flounders do IAC presidiram o evento.

Houve mensagens de solidariedade dos Círculos Bolivarianos, Veterans for Peace-Chapter 21, International League of People's Struggles, Solidarity with Iran e de um grupo equatoriano.
26/Outubro/2012

Ver também:
  • http://www.infosyrie.fr/
  • http://www.presstv.ir/

    O original encontra-se em www.workers.org/2012/10/26/syria-defends-itself-from-imperialist-onslaught/


  • Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .
  • MÍDIA - Outra vez a opinião pública derrotou a opinião publicada


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    Cada um irá ler e analisar o resultado da eleição com suas razões. Ou, com o fígado. Mais com o fígado do que com razões, muitos apostaram que Lula seria derrotado em São Paulo. Lula bancou sua maior aposta. E ganhou com Fernando Haddad na maior e mais poderosa cidade do Brasil.
    Toneladas de papel, centenas de horas e horas nas rádios e TVs, bits e mais bits foram gastos para explicar como e porque Lula seria inexoravelmente derrotado. Se tivesse perdido, choveriam manchetes sobre a "estrondosa derrota", análises infindas brotariam com erros que teriam levado à "derrota monumental".
    Já os números são inequívocos: o PT e o PSB saem da eleição com mais prefeituras e mais eleitores. Juntos, conquistaram 31% dos eleitores e 1.076 das prefeituras do Brasil. O PMDB, que encolheu, mesmo assim venceu em 1.026 cidades. Somente estes três partidos da base da presidente Dilma, PT, PMDB e PSB, governarão 2.102 das 5.556 cidades. E governarão 48% dos eleitores do Brasil.
    Eduardo Campos (PSB) sai forte, fortíssimo das urnas. Pode seguir com mais espaço no governo Dilma, e pode começar a ensaiar seu voo solo. Não faltará quem queira o governador de Pernambuco em duetos, tercetos…
    Aécio Neves (PSDB), no primeiro turno, também venceu. É paradoxal, como costuma ser a política, mas Aécio ganha espaço com a derrota de José Serra. Não há quem não saiba que os dois tucanos não se bicam.
    José Serra perdeu para um conjunto de fatores: fadiga de material, má avaliação do prefeito Kassab, erros na campanha… mas Serra perdeu também para si mesmo.
    Serra perdeu porque costuma subestimar os demais. Porque imagina, quase sempre, que "o outro" é um inimigo, seja o "outro" quem for. E essa é uma equação que não fecha. Menos ainda na política, onde a conta sempre chega.
    Lula, Dilma e o PT perderam batalhas. Em Salvador, Campinas, Fortaleza, Porto Alegre, Recife… e outros tantos cantos. Como também perderam Eduardo Campos e Aécio Neves. Mas, é fato, eles venceram suas batalhas simbólicas.
    Kassab e seu PSD ganharam 497 prefeituras… mas perderam a poderosa São Paulo, um símbolo com 6% do eleitorado do país.
    Perderam os que superestimaram e apostaram em efeitos imediatos do julgamento no Supremo Tribunal Federal.
    O chamado "mensalão" é um conjunto de fatos objetivos. De fatos graves, ou gravíssimos.
    Mas não funcionou magnificar o “mensalão” ainda mais. Não funcionou fazer de conta que o "mensalão" é caso único e isolado na vida político-partidária brasileira.
    O Brasil tem hoje 80 milhões de usuários na internet e 50 milhões usam redes sociais no cotidiano. Portanto, milhões e milhões de pessoas ouvem falar de outros escândalos, alguns monumentais. Esses escândalos não chegam às manchetes. Muitas vezes mal são noticiados, ou, nem são noticiados na chamada grande mídia. É como se tais escândalos não existissem.
    Talvez por isso, mesmo com a gravidade do caso "mensalão", 20% dos eleitores do Brasil se abstiveram; em São Paulo, incluídos os nulos, o número bate nos 30%.
    É muito, pode ser mesmo significativo de algo, mas quem é do ramo, como José Roberto de Toledo, de O Estado de S.Paulo, recomenda cautela: tais números precisam ser revistos à luz de uma atualização de cadastros; entre mortos e etc., a conta pode não ser exatamente esta.
    Mas, fato objetivo, o “mensalão” não deu a vitória para quem se valeu do julgamento como arma e discurso principal na campanha.
    O porque desse descompasso entre uma causa, “o mensalão”, e o que tantos buscaram, os efeitos imediatos, para esta eleição, é coisa para pesquisadores, sociólogos e demais "ólogos". Mas cabem alguns raciocínios mais simples.
    Por exemplo: das 5.556 cidades do Brasil, 70% têm menos de 20 mil habitantes (com 17% do eleitorado). Seus moradores, portanto, conhecem, sabem “quem leva" e "quem não leva". E sabem que o "levar" é, infelizmente, multipartidário.
    O mesmo sabem moradores de milhares de cidades com dimensões que ainda permitem saber quem é quem. Ou, “quem leva” e “quem não leva”. Talvez por isso o ex-governador de São Paulo Claudio Lembo (PSD) – que não é um perigoso esquerdista – tenha feito uma importante, intrigante pergunta depois da eleição:
    - Os brasileiros estão afastados dos valores éticos, ou os eleitores se consideraram manipulados pelos mecanismos (os meios) de informação?
    Diante do que se viu, se leu e se ouviu antes e durante as eleições, cabe uma constatação: em muitas porções do Brasil, e mais uma vez, a opinião pública derrotou a opinião publicada.

    POLÍTICA - Possíveis candidatos em 2014.


    Há muitas flancos possíveis para se analisar o resultado das eleições municipais recém-encerradas. Os analistas da mídia tradicional como não podem dizer que a oposição foi a grande derrotada enaltecem o crescimento (real, diga-se) do PSB. É mais ou menos como aquele torcedor que comemora a vitória de um terceiro time sobre o seu principal rival. Porque no pau a pau perde todas.
    O fato é que a oposição diminuiu ainda mais de tamanho em 2012. E isso aconteceu mesmo em meio ao julgamento do mensalão e de toda a cobertura midiática tentando vincular aquele acontecimento ao momento eleitoral.
    Outro fato é que o PT cresceu muito em São Paulo e passa a governar quase metade da população do Estado. Manteve o domínio da região metropolitana e ainda levou São Paulo e boa parte do Vale do Paraíba, incluindo a cidade de São José dos Campos.
    O PSB também sai maior deste processo eleitoral. Conquistou Recife e Fortaleza, além de várias cidades importantes do Nordeste. E ainda reelegeu seu prefeito de BH e ganhou Campinas. Em BH e Campinas, porém, os eleitos são muito mais tucanos que socialistas.
    O PSOL elege seu primeiro prefeito de capital, no Macapá, e entra no jogo real da governabilidade. Isso vai levar a muitas reflexões internas no partido e provavelmente vai fazer com que alguns grupos deixem a legenda. Ou vai levar o prefeito eleito a deixar o partido. A tese da governança e as teses de alguns setores do PSOL são incompátiveis.
    O fato de o PSDB não ter conseguido eleger um prefeito de capital nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste também é um fato importante. Como também merece registro que nenhum senador eleito em 2010 conseguiu sucesso nas disputas de 2012. O povo parece já ter se cansado dessa história de o político se eleger para um cargo executivo e depois de um ano e meio disputar outro.
    Outro ponto que não pode ser desprezado e que talvez seja o mais importante para pensar 2014 é que Dilma tem de cara três possíveis adversários relativamente fortes: Marina Silva, Aécio Neves e Eduardo Campos. Sem contar a provável candidatura do senador Randolfe, padrinho político do prefeito eleito em Macapá.
    Marina e Aécio já tem quase como certas as suas candidaturas. Eduardo Campos ainda vai ter que fazer contas e provar para o próprio partido que um voo solo pode ser melhor do que uma aliança com Dilma. Afinal, se vier a sair candidato sem Lula e Dilma o PSB terá de enfrentar o PT em muitos lugares. Nesta eleição das capitais, venceu. Mas nada garante que isso venha a se repetir em 2014.
    De qualquer forma, se todos os citados vierem a disputar a presidência, Dilma poderá ter que enfrentar um segundo turno aberto. Essa é uma péssima notícia para a presidenta, que não pode pensar em mudar a composição de sua chapa, até porque o PMDB foi o partido que elegeu mais prefeitos no Brasil.
    Se o PT quiser ajudar Dilma a ficar mais forte para 2014, deveria tratar com carinho duas situações. Os recados das urnas no Rio Grande do Sul e na Bahia. A derrota para ACM Neto em Salvador e a pífia campanha do PT em Porto Alegre, por mais que se queira tapar o sol com a peneira, fragilizam os governos Tarso e Wagner. Ambos precisam repensar politicamente o tipo de gestão que estão fazendo porque senão o partido corre o risco de perder as eleições nestes dois estados.
    A oposição na Bahia vai se assanhar com esta vitória de ACMinho e no Rio Grande do Sul nunca um governador foi reeleito. Isso pode vir a acontecer com Tarso se sua administração continuar, por exemplo, brigando com os professores. Aliás, professores que foram fundamentais para a derrota de Pelegrino na Bahia

    POLÍTICA - Eduardo Campos não tem pressa.

     

    Para onde vai Eduardo Campos, pivô de 2014?

     
    dilma eduardo Para onde vai Eduardo Campos, pivô de 2014?
    Dilma Rousseff estava reunida em audiência no Palácio do Planalto com o vice Michel Temer quando Eduardo Campos ligou para a presidente na segunda-feira, antes de conceder uma entrevista coletiva em Olinda, na sede provisória do governo pernambucano (o Palácio do Campo das Princesas está em reforma), para celebrar os bons resultados do seu PSB nas eleições de domingo.
    No meio da entrevista, Dilma retornou a ligação. O governador pediu licença aos jornalistas para atender à presidente e, na volta, informou que Dilma o convidou para ir a Brasília. Na versão do Palácio do Planalto, foi Campos quem propôs um encontro com Dilma na próxima semana.
    Pode parecer irrelevante saber quem ligou para quem primeiro e quem tomou a iniciativa de propor um encontro, mas o fato é que o protagonismo federal conquistado por Campos, ao levar o PSB a importantes conquistas nas eleições municipais, com um crescimento de mais de 50% em número de votos na comparação com 2008, e elegendo os prefeitos de cinco capitais, o colocou como pivô do jogo da sucessão presidencial de 2014, que já começou.
    Bobagem perguntar ao governador agora para onde vai porque não vai responder e, possivelmente, ele mesmo ainda não saiba a resposta. Se souber, não vai dizer a ninguém. Eduardo Campos não tem pressa.
    Ao pedir, durante a entrevista, a votação ainda este ano de um novo rateio do Fundo de Participação dos Estados, o governador pernambucano desconversou sobre a sucessão presidencial: "Isto é parte de uma pauta muito mais importante do que ficar discutindo como é que vai ficar 2014, porque 2014 só se vai saber em 2014. Não tem quem saiba antes".
    O problema é que a presidente Dilma e o PT querem definir logo com quem podem contar na base aliada para a disputa sucessória, antes de promover a reforma ministerial que vai contemplar o novo quadro partidário saído das eleições de domingo. Dilma e Lula ainda não se manifestaram sobre o resultado das eleições.
    Todo mundo agora quer mais espaço no governo, a começar pelo PMDB, e é grande a lista de aliados insatisfeitos, que nas eleições municipais já apoiaram ou foram apoiados por partidos de oposição, como aconteceu com o próprio PSB.
    E ainda precisa sobrar uma vaga para o recém-criado PSD do prefeito Gilberto Kassab, derrotado em São Paulo, mas que cresceu no plano nacional, conquistando quase 500 prefeituras em sua primeira eleição. Kassab, como se sabe, joga em todas, e já andou namorando com o PSB.
    Enquanto Dilma e Campos não acertam as agendas, o ex-presidente Lula entra em campo e já tem agendada para esta terça-feira (30) uma reunião com Roberto Amaral, seu ex-ministro de Ciência e Tecnologia, secretário-geral do PSB e principal articulador político do partido de Eduardo Campos.
    Do lado da oposição, com o eterno candidato José Serra fora de combate depois de mais uma derrota para Lula e o PT, desta vez no seu quintal paulistano, o espaço se abriu para o mineiro Aécio Neves, agora candidato natural do PSDB à presidência, que gostaria muito de ter Eduardo Campos na sua chapa.
    É o sonho de uma noite de verão dos tucanos, que agora já admitem até abrir mão da cabeça de chapa. "Meu time dos sonhos reuniria Aécio e Eduardo Campos, sem importar em qual posição na chapa", admitiu, em entrevista à Folha, o prefeito eleito de Manaus, ex-senador Artur Virgílio, certamente porque o governador pernambucano já avisou que não nasceu para ser vice de ninguém.
    Por conhecer bem os dois netos, o de Tancredo Neves e o de Miguel Arraes, previ essa possibilidade semanas atrás aqui no Balaio.
    A tendência no momento é Campos deixar o barco, correr para ver o que acontece, com um pé em cada canoa, até porque Aécio anda meio escondido no Senado e ainda não conseguiu ganhar a confiança da mídia e do grande empresariado paulista, que ficaram órfãos com a derrota de Serra em São Paulo. Sem opções, podem investir no PSB de Campos que surge como uma terceira via entre o PT e o PSDB.
    As vitórias do PT na capital, na área metropolitana e em importantes cidades do interior paulista são um grande reforço para a campanha da reeleição de Dilma, tornando mais difícil a vida do governador Geraldo Alckmin, que agora não pode nem pensar em sair candidato a presidente, como em 2006, simplesmente porque o PSDB ficou sem ninguém para disputar o governo paulista no lugar dele. Além disso, não terá tempo para apoiar o candidato presidencial tucano, às voltas com sua própria campanha de reeleição.
    Em Minas, já se fala até na possibilidade de Aécio Neves voltar a disputar o governo do Estado, indicando o atual governador, Antonio Anastasia, para uma possível chapa de Eduardo Campos.
    Se Aécio não emplacar e o governador pernambucano adiar seus planos presidenciais para 2018, a reeleição pode se tornar um passeio para Dilma, a depender dos ventos da economia que hoje garantem seus altos índices de aprovação.
    Caso contrário, o cenário se torna imprevisível, apesar do atual favoritismo da presidente. Em dois anos, tudo pode acontecer. E é nisso que Eduardo Campos aposta, sem pressa.

    Historiadora holandesa sobrepõe imagens da Segunda Guerra a fotos atuais

    Historiadora holandesa sobrepõe imagens da Segunda Guerra a fotos atuais





    Historiadora holandesa Jo Teeuwisse quer que o projeto vire um livro ou uma exposição

    Visitar um local histórico e tentar imaginar o cenário da época é um exercício de criatividade. Às vezes é difícil crer que aquela rua limpa e arborizada já foi um enorme campo de batalha. Foi pensando nisso que a historiadora holandesa Jo Teeuwisse montou o projeto “Ghosts of History” (Fantasmas da História), mostrando que o passado pode estar mais perto do que muita gente imagina.

    Teeuwisse fez montagens de fotos antigas tiradas na Europa, geralmente durante a Segunda Guerra Mundial, sobrepondo os personagens em fotos atuais nos mesmo locais em que eles apareciam. O efeito transparente dá a impressão de que fantasmas do passado continuam nas ruas.


    Objetivo do projeto é fazer com que as pessoas conheçam a história do local onde vivem e pensem sobre as guerras

    “Fiz as fotos por curiosidade e por causa da minha paixão por história, mas também para fazer as pessoas perceberem o contexto histórico de onde vivem. É importante pensarmos sobre a guerra”, explicou Teeuwisse em entrevista ao Opera Mundi.

    Tudo começou quando a historiadora encontrou cerca de 300 fotografias antigas de Amsterdã em um mercado de pulgas da capital holandesa. Ela decidiu fazer montagens só para ver como ficava, já que conhecia bem a cidade e podia reconhecer as ruas. Satisfeira com o resultado, procurou fotos de outros países para continuar o trabalho. Ela pediu ajuda na internet para reconhecer cada local e algumas pessoas mandaram fotos atuais das localizações. Aos poucos Teeuwisse foi montando um grande portifólio que pode ser visto em sua página do Flickr.

    A historiadora ficou surpresa com a repercussão de seu trabalho: “Estou sobrecarregada com toda essa atenção - ando muito, muito, muito ocupada!”, disse Teeuwise. “Fico bastante feliz com isso, claro, pois significa que muitas pessoas tiraram um momento de seu dia para pensar na guerra e em toda a história que os cerca”, concluiu.

    Teeuwise tem planos de continuar com as montagens para um dia publicá-las em um livro ou fazer uma exposição.


    segunda-feira, 29 de outubro de 2012

    ENERGIA - Fósseis e renováveis na disputa pela Casa Branca

    Fósseis e renováveis na disputa pela Casa Branca


    Por Renato Queiroz
    A imprevisibilidade da disputa presidencial americana vem mexendo com os analistas em política energética e os consultores dos portfólios da indústria mundial de energia, sobretudo com a possibilidade da volta de um governo republicano. Está no ar a seguinte questão no ambiente energético global: quais energéticos vencerão as eleições americanas?
    As discussões sobre os programas de governo e os discursos e as entrevistas dos candidatos Obama e Romney são analisados nos seus pormenores pela “comunidade energética mundial” na busca de sinais sobre que energéticos poderão ter prioridades em seus usos indicando, assim, os negócios promissores da indústria energética que movimenta centenas de milhões de dólares pelo mundo.
    A crescente demanda mundial por energia, em conjunto com as políticas dos governos para diversificar as fontes de energia – seja por razões de redução de emissões de gases de efeito estufa, seja pela busca de uma maior segurança energética ou na estratégia de alavancar as economias em tempos de crise – têm impulsionado a demanda de energéticos não convencionais.
    Nesse bojo não se encontram somente os renováveis, mas também o gás natural como um representante de respeito entre o time dos fósseis. Afinal, o peso do gás natural na agenda energética dos Estados Unidos vem crescendo em ritmo acelerado nos últimos 10 anos, e o gás não convencional vem puxando esse movimento.
    O candidato Mitt Romney usa o termo de independência americana em sua agenda de governo para defender uma maior produção de petróleo no país. Esse jargão “projeto de independência americana” foi usado pelos políticos americanos nas crises do petróleo nas décadas de 70. Parece, a princípio, uma gíria um pouco fora de moda, já que desde a era Nixon os americanos a escutavam frequentemente de vários políticos. Mas uma coisa é certa: os Estados Unidos não gostariam de depender de uma unidade de energia, sequer, de regiões politicamente instáveis, como o Norte de África e/ou Médio Oriente.
    Os americanos importam 56% do petróleo que consomem, sendo que 22% do Canadá, 12% do México e 22% do Iraque. O candidato Romney, de posse desses números, sinaliza na sua plataforma que a indústria de petróleo e gás será a base de sua política energética. O republicano declarou que, se eleito, vai aprovar imediatamente o polêmico projeto do oleoduto “Keystone XL Pipeline” que vem gerando muitas discussões entre ambientalistas, políticos e jornalistas, entre outros. Esse projeto é uma espécie de Belo Monte brasileiro. Frequentemente novas polêmicas surgem.[1] Esse projeto que traria o óleo extraído das areias betuminosas de Alberta possui um forte apelo popular, pois traz expectativas de criação de muitos postos de trabalho. Vários analistas estimam que as reservas canadenses de areias betuminosas (Oil Sands) e petróleo pesado (crude – heavy) sejam bem superiores às reservas da Arábia Saudita e estão localizadas praticamente na província de Alberta.
    Esse projeto é defendido pelos republicanos que acrescentam que o oleoduto provocará a queda do preço da gasolina. Romney já declarou, em seus discursos, que vai reduzir o preço da gasolina para US$ 2,50 dólares o galão (3,78 litros) que hoje ultrapassa US$ 4 o galão em certos estados.
    Mas nem tudo parece negro e sem um tom de verde na plataforma republicana. O documento intitulado “Agricultural Prosperity-Mitt Romney’s Vision for a Vibrant Rural America” aponta que serão mantidos os padrões de combustíveis renováveis, trazendo a perspectiva aos produtores de biocombustíveis e refinadores de que eles devem continuar a investir em tecnologias inovadoras e promissoras, pois o governo federal vai manter os compromissos definidos no documento.
    O que se depreende das análises de articulistas de várias mídias é que a vitória republicana pode representar a vitória das “majors” do petróleo. E há ainda um entendimento de que, no cenário energético de Romney, haverá cortes nos subsídios das chamadas “energias da economia verde”. No primeiro debate entre os 2 candidatos, o republicano atacou o investimento do pacote de estímulo para a pesquisa sobre painéis solares e carros elétricos, lançado por Obama em 2009.
    Analisando o que o democrata Obama vem afirmando no campo da energia, o entusiasmo não parece ser o mesmo de 2008, em se tratando de renováveis. De fato, Obama naquela época anunciava grandes conquistas econômicas com o desenvolvimento da indústria verde. Os objetivos de Obama eram audaciosos, visando eliminar a dependência do petróleo importado e combater o aquecimento global. A meta era clara: reduzir o uso de combustíveis fósseis, base da matriz energética americana. No entanto, seu programa “verde” que empolgava os ambientalistas, quando da sua chegada à Casa Branca, necessitou de um freio. Afinal seus anseios não estavam no mesmo nível que o dos congressistas americanos.
    Mas deve ser reconhecido que os Estados Unidos dobraram a produção de energia solar e eólica nos últimos anos. Contudo a promessa de que essa indústria traria abundância para a economia americana, como foi anunciada, é contestada por analistas econômicos. Já se escuta do atual presidente que o mix energético é a solução. Ou seja, a energia renovável terá de conviver com o petróleo e o gás americano.
    Vale lembrar que o presidente Obama, em maio de 2011, propôs a realização de leilões anuais para a exploração de novos lotes na Reserva Nacional Petrolífera do Alasca e ainda acelerar os estudos sismológicos e de impacto ambiental à perfuração na costa Sul e Central do Atlântico.
    Quanto ao polêmico projeto Keystone XL o presidente, no entanto, vem alegando que há grandes problemas ambientais em sua rota tendo, inclusive, confrontado com republicanos no Congresso sobre o assunto. O projeto total exige autorização presidencial por se tratar de uma construção entre Canadá e EUA. Mas há também que se destacar a pressão do governo do Canadá para a viabilização desta obra, pois as empresas canadenses necessitam de alternativas para distribuir ao mercado americano seus bilhões de barris das reservas de petróleo do litoral de Alberta. E se considerarmos os avanços na tecnologia, essas reservas podem se multiplicar. Adicionando a essas expectativas do país vizinho, há também pressões do Congresso americano, para que o país dependa cada vez menos do Oriente Médio. Tais fatos podem mudar o pensamento de Obama, se eleito, em relação ao oleoduto.
    No governo democrata atual, houve avanços no setor de transporte voltados à redução de emissões de gases causadores do efeito estufa. Foram estabelecidas medidas definindo que os novos modelos de veículos devem ser menos poluentes e com menor consumo de combustível.
    A indústria do carvão recebeu, também, um ânimo na atual disputa à Casa Branca. Como as atividades dessa indústria estão concentradas em estados onde a disputa eleitoral é acirrada, os candidatos buscam o tema nos discursos nesses locais. A queda de geração térmica a carvão caiu na administração Obama, repercutindo na oferta de empregos. Nessa busca de votos surgem os compromissos e as promessas dos candidatos. Obama, nessa reta final, já admite desenvolver tecnologias limpas para uso de carvão (OPEU 2012b).
    Um energético importante é o gás não convencional que deve continuar a ser um ator importante na segurança dos Estados Unidos e em seu planejamento energético e econômico em qualquer administração. Os Estados Unidos correram na frente e dominam as técnicas de sua exploração e certamente têm uma grande quantidade de patentes. Isso traz certa dependência econômica de outros países aos EUA, pois as reservas mundiais desse energético são grandes. Neste contexto os candidatos não vão agir contra essa indústria. O republicano, inclusive, já declarou que vai incentivar o uso de terras do Estado para a exploração desse energético.
    Nesse sentido uma sinalização evidente, no caso do retorno de um governo republicano, é um maior fortalecimento para a indústria de fósseis. Mitt Romney tem afirmado que estimularia a produção doméstica de combustíveis fósseis e diminuiria as regulações ambientais (OPEU 2012a). Percebe-se que a Casa Branca daria aos estados mais liberdade para perfurar e explorar óleo em novos territórios norte-americanos como o Alasca; retomaria, ainda, a exploração ao longo da costa Leste, na Flórida, Carolina do Norte e Virgínia e Golfo do México. A perda de espaço das renováveis com cortes dos subsídios também é uma sinalização evidente, quando se analisam os discursos e debates de Mitt Romney.
    Em uma continuidade do governo democrata, o programa energético deve ser diferente do primeiro governo, com mais pragmatismo do que em 2008. As ações para que os americanos vivam sob uma economia energética de baixo-carbono seriam menos emocionais. As metas para uma matriz “verde” deverão ser desenvolvidas gradualmente sob um prazo mais longo. Obama parece ter entendido que a sociedade americana não muda seus hábitos culturais de viver com abundância e fartura em 4 anos de governo. E, ainda, que há um jogo de negócios entre as indústrias energéticas. Um verdadeiro cabo de guerra. Afinal são milhões de dólares em jogo.
    A plantação de “sementes energéticas verdes” deve continuar se Obama for eleito. Mas os frutos serão colhidos com mais lentidão, até que novos hábitos sejam incorporados pelas gerações. Isto é, em um governo democrata não deve haver um plano de substituições de energéticos por outros. Todas as oportunidades para desenvolvimento de uso de fósseis e de renováveis poderão estar no campo do jogo energético americano sob o comando de Barack Obama e seu time.
    A resposta final sobre quais energéticos vencerão as eleições americanas será dada agora em Novembro, quando ocorrerá a 57ª eleição presidencial dos Estados Unidos.
    Referência Bibliográfica
    LESNES, Corine. Pétrole contre énergies vertes: une bataille au cœur de la présidentielle américaine. Le Monde. Disponível em < file:///I:/Infopetro%20Artigo%2015/Artigo/petrole-contre-energies-vertes-une-bataille-au-c-ur-des-presidentielles-americaines_1776035_3210.html> Acessado em 16 de outubro de 2012.
    OPEU [2012a]- Observatório Político dos Estados Unidos de 29/02/2012 – A Casa Branca apóia a construção parcial do oleoduto Keystone XL. Disponível em <http://www.opeu.org.br/>. Acessado em 15 de outubro de 2012.
    OPEU [2012b] Observatório Político dos Estados Unidos de 22/10/2012-Carvão ganha importância em corrida presidencial. Acessado em 25 de outubro de 2012. Disponível em http://www.opeu.org.br/
    ROSENTHAL, Elisabeth. Canadá procura alternativas para transportar reservas de petróleo. The New York Times. Disponível em <http://nytsyn.br.msn.com/negocios>. Acessado em 15 de outubro de 2012.
    ROMNEY, M; RYAN, P. Agricultural Prosperity: Mitt Romney’s Vision For A Vibrant Rural America. Disponível em: < http://www.mittromney.com/blog/agricultural-prosperity-mitt-romneys-vision-vibrant-rural-america>. Acessado em 15 de outubro de 2012.

    [1] A rede de dutos Keystone transporta petróleo do Canadá para os Estados Unidos. Existem vários ramais existentes do oleoduto, que se estendem ao sul de Alberta, no Canadá e em toda a fronteira EUA e Canadá para terminais em Illinois, Nebraska e Oklahoma.

    ECONOMIA - Desnacionalização e revolução


    Desnacionalização e revolução

                                   
    Adriano Benayon * – 22.10.2012
    Desde há séculos o Brasil carece de governo autônomo, capaz de promover o progresso econômico e social. A independência proclamada em 1822 não se traduziu em autonomia real, pois o País atravessou o Império e os primeiros anos da República sob tutela financeira e política da Inglaterra, até o final da Primeira Guerra Mundial, e do império anglo-americano desde então.
    2. Os lampejos de autonomia duraram pouco, logo apagados por intervenções da oligarquia mundial. Assim, nos anos 1840 com a tarifa Alves Branco, uma tentativa de viabilizar o surgimento de indústrias nacionais. Também, com os empreendimentos abrangentes do Barão de Mauá, dos anos 1850 aos 1880, e com iniciativas limitadas, como a fábrica de linhas de Delmiro Gouveia em Alagoas, 1912-1917.
    3. Os avanços na redução da dependência econômica foram contidos ou anulados pela dependência política. E esta decorreu da subordinação da economia agrária e exportadora de bens primários aos interesses comerciais e industriais de potências estrangeiras.
    4. Quando Getúlio Vargas, promoveu maior grau de autonomia nacional - de 1934 a 1945 e de 1951 a 1953 - as potências hegemônicas - coadjuvadas pelas “classes conservadoras” locais e pela mídia venal – montaram complôs para desestabilizar e derrubar o governo.
    5. Como Vargas antes, João Goulart, em 1962-1963, não se precaveu diante das maquinações imperiais, tarefa difícil em regime “democrático” no qual o poder financeiro determina o processo político.
    6. Mesmo sendo escassa a proteção tarifária e a não-tarifária, e operassem no Brasil vários carteis e grandes empresas estrangeiras, surgiram numerosas indústrias de capital nacional substituidoras de importações na segunda metade do Século XIX e na primeira do Século XX.
    7. Cito quatro livros que o demonstram: Warren Dean, A Industrialização de São Paulo (1880-1945); Edgard Carone, O Centro Industrial do Rio de Janeiro e sua Importante Participação na Economia Nacional (1827-1977), ed. Cátedra, Rio 1978; Delso Renault, 1850-1939 O Desenvolvimento da Indústria Brasileira, SESI; Eli Diniz, Empresário, Estado e Capitalismo no Brasil 1930-1945, ed. Paz e Terra, SP 1978.
    8. O próprio Vargas só restringiu investimentos estrangeiros em poucos setores e demorou a notar o volume das remessas de lucros ao exterior, o que está longe de ser único dos prejuízos que eles causam à economia.
    9. As potências imperiais realizaram seus objetivos a partir de Café Filho, fantoche dos entreguistas civis e militares (1954). JK, eleito em 1955, pelos votos getulistas, ampliou os benefícios ao capital estrangeiro.
    10. Daí não terminou mais a escalada de desnacionalização, não obstante se terem criado estatais na área produtiva –privatizadas de forma vergonhosa a partir de 1990 - tendo o Estado feito também investimentos nas infra-estruturas econômica e social.
    11. O poder público subsidiou as transnacionais, e esmagou empresas nacionais.
    12. Resultado: em 1971 o capital estrangeiro já controlava setores importantes: mercado de capitais 40%; comércio externo 62%; serviços públicos 28%; transportes marítimos 82%; transporte aéreo externo 77%; seguros 26%; construção 40%; alimentos e bebidas 35%; fumo 93,7%; papel e celulose 33%; farmacêutica 86%; química 48%; siderurgia 17%; máquinas 59%; autopeças 62%; veículos a motor 100%; mineração 20%; alumínio 48%; vidro 90%.
    13. Em 1971 o estoque de investimentos diretos estrangeiros (IDEs) não chegava a US$ 3 bilhões. Em 2011 atingiu US$ 669,5 bilhões.
    14. O montante de 2011 é 40 vezes maior que o de 1971 atualizado para US$ 16, 6 bilhões. No período, o PIB, em dólares corrigidos, só se multiplicou por 6.
    15. Os IDEs referem-se só às empresas com maioria de capital estrangeiro, não aos “investimentos estrangeiros em carteira” (participações no capital de empresas e aplicações em títulos públicos e privados). Esses acumularam US$ 597 bilhões até 2011. Os empréstimos, US$ 190 bilhões. A soma dá quase US$ 1,5 trilhão.
    16. É fácil emitir dólares do nada e com eles comprar ativos. Mais: grande parte dos IDEs é reinvestimento de lucros, e quantia muitíssimo maior que a dos ingressos foi remetida ao exterior a título de lucros, dividendos, juros, afora os ganhos camuflados em outras contas do balanço de transações correntes. Disso originou-se a dívida pública, fator de empobrecimento e de dependência.
    17. A desnacionalização prossegue galopante. Conforme a “Pesquisa de Fusões e Aquisições” da consultoria KPMG, 247 empresas foram adquiridas por transnacionais de janeiro a setembro de 2012. Em todo 2011 haviam sido 208. De 2004 para cá foram 1.247.
    18. Em 2012 destacam-se: tecnologia da informação (33); serviços para empresas (20); empresas de internet (19); supermercados, açúcar e álcool (35); publicidade e editoras (10); alimentos, bebidas e fumo (10); mineração (9); óleo e gás (8); educação (7); shopping centers (7); imobiliário (7).
    19. Ainda mais estarrecedora que a avassaladora ocupação da economia brasileira é a persistência na mentalidade de que os investimentos estrangeiros beneficiam a economia.
    20. Não houve evolução, desde os anos 50 e 60, no entendimento da realidade. Continuam sendo escamoteadas as causas do enorme atraso tecnológico do País e disto tudo: pobreza, insegurança, infra-estrutura lastimável, desagregação social, desaparelhamento da defesa e cessão de territórios a pretexto de proteção ao ambiente e a indígenas.
    21. O impasse da economia brasileira, prestes a desembocar em dificuldades ainda maiores, sob o impacto da depressão nos países centrais, decorre das percepções errôneas, subjacentes às recomendações da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina da ONU) e à política “desenvolvimentista” de JK.
    22. Estas foram as falsas premissas, ainda não atiradas ao lixo, como deveriam ter sido há muito tempo: 1) a industrialização como meta em si mesma, independente da composição nacional ou estrangeira e do grau de concentração do capital; 2) o capital estrangeiro tido por necessário para suprir pretensa insuficiência local de recursos.
    23. As políticas decorrentes dessas ideias redundaram na desindustrialização e na descapitalização do País. Ignora-se a experiência histórica – sempre confirmada - de nunca ter existido real desenvolvimento em países nos quais predominem os investimentos estrangeiros.
    24. Recorde-se que, de 1890 a 1917, ano da débâcle na guerra e da revolução, o volume de investimentos estrangeiros na Rússia foi cerca de três vezes superior ao do capital nacional.
    * - Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, editora Escrituras, SP.

    CHINA - O ataque chinês aos produtos de tecnologia "made in USA"

    Na década de 1970, os produtos de tecnologia ‘made in USA’ eram considerados os melhores do mundo, enquanto os fabricados na Europa eram os mais acessíveis. Na década seguinte, os fabricantes europeus (Philips, Grundig) aumentaram seus preços a um nível alto, enquanto os japoneses tornaram-se acessíveis.


    Por Lee Wong, no “Monitor Mercantil”

    Isso foi alterado na década de 1990, quando os fabricantes japoneses (Sony, Panasonic, Toshiba e outros) foram considerados os maiores e melhores, com os sul-coreanos ostentando a fama de "baratos". Mas, desde a primeira década do século XXI, os fabricantes sul-coreanos (Samsung e LG) são aqueles que detêm a primazia, com os fabricantes chineses sendo aqueles que fabricam produtos acessíveis e baratos. Mas, ao que tudo indica, agora chegou a hora e a vez de os fabricantes chineses assumirem a liderança mundial no mercado de tecnologia.

    Há alguns dias, a conhecida empresa norte-americana de pesquisas Gartner anunciou que, no terceiro trimestre deste ano, a fábrica chinesa Lenovo liderou as vendas mundiais de computadores pessoais com 15,7%, contra a 15,5% da norte-americana HP. Outra empresa de pesquisas norte-americana, a IDC, atribuiu a liderança mundial de vendas à norte-americana HP com 15,9% e a vice-liderança à Lenovo, com 15,7%, mas todas as previsões indicam que, neste último trimestre, a chinesa Lenovo passará a HP.

    A Lenovo emergiu tornando-se conhecida internacionalmente em 2005, quando adquiriu o setor de computadores pessoais da IBM. Na ocasião, já era o maior fabricante de PCs na China, mas buscava expandir-se internacionalmente. E, ao que tudo indica, conseguiu.

    BARREIRAS PROTECIONISTAS

    Entretanto, a Lenovo não é a única fabricante chinesa de tecnologia que se encontra entre as maiores do mundo. A Huawei, que desde 2005 começou a ter sua presença sentida nos mercados internacionais, é o segundo maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo - atrás apenas do grupo sueco Ericson - e, além disso, integra o grupo dos dez maiores fabricantes de telefones celulares.

    Anotem que a Huawei não é campeã de encomendas somente por causa de seus preços baixos, mas também pelo fato de seus produtos serem líderes em termos de excelência tecnológica. E há, ainda, uma terceira fabricante chinesa de produtos de alta tecnologia, a ZTE, a qual ocupa o quinto lugar mundial no setor de telefones celulares, assim como de equipamentos de telecomunicações.

    Os chineses já mostram ter conseguido integrar seus superiores ‘bonds’ no setor mundial de tecnologia e têm aproveitado ao máximo as possibilidades do mercado interno. A Lenovo ocupa o quarto lugar no mercado norte-americano e o quinto na Europa. Mas, indiscutivelmente, ocupa o primeiro lugar internacionalmente, porque, simplesmente, a China é o maior mercado de PCs e continua registrando ritmos elevados de crescimento.

    Obviamente, os fabricantes chineses de tecnologia - particularmente a Huawei e a ZTE - têm sido acusados por suas "estreitas relações" com o governo central de Pequim. O caso da Comissão de Informações da Câmara de Representantes dos EUA, que recomendou aos fornecedores norte-americanos de equipamentos a não encomendarem mais compras a esses dois fabricantes chineses, "por motivos de segurança nacional", não é o primeiro que foi ouvido com este tipo de acusações ridículas.

    A questão é que, pela primeira vez, os fabricantes chineses de produtos de tecnologia encontram pela frente barricadas tão sérias contra seu rápido crescimento. E a forma com a qual enfrentarão o problema provará se dispõem do necessário fôlego para manter-se por muitos anos no topo.”

    FONTE: escrito por Lee Wong, no “Monitor Mercantil” e transcrito no portal “Vermelho”