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sexta-feira, 31 de julho de 2015

POLÍTICA - O que estaria por trás da prisão de Othon Pinheiro.

Segredos militares estariam por trás da prisão de Othon Pinheiro da Silva
Da Redação
Angra 3: segredos militares
Angra 3: segredos militares
O Wikileaks havia cantado a pedra em 2011. Na ocasião, a preocupação latente do governo americano com o trabalho desenvolvido por cientistas brasileiros no campo da energia nuclear, que culminaria com a entrada em operação, em 2025, de um submarino de propulsão nuclear, produzido em conjunto com a França, já havia sido tornada pública. Desta forma há de se questionar: qual o papel que a Polícia Federal, sob o mando (e desmando) do ministro Sérgio Moro assume agora? Por que ela invade a área da Segurança Nacional e decide investigar o nosso principal representante no campo estratégico da segurança de estado e da energia? Veja a reportagem publicada pela Gazeta do Povo em 2011.

WikiLeaks revela disputa entre Defesa e Itamaraty nos bastidores da corrida nuclear

Nas correspondências, a diplomacia americana constata que há um único "quase-consenso" em Brasília, que é a resistência em aderir ao Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação (TNP).

Os bastidores da política nuclear do Brasil ocuparam os Estados Unidos tanto quanto o monitoramento de possíveis acordos de cooperação com potências nucleares como a Índia, ou a aproximação com o Irã. A disputa de poder e influência entre o Ministério da Defesa e o Itamaraty sobre a política nuclear vem à tona em telegramas diplomáticos americanos sobre não proliferação, revelados ao O Globo pelo WikiLeaks. Nas correspondências, a diplomacia americana constata que há um único "quase-consenso" em Brasília - a resistência em aderir ao Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação (TNP).

As fissuras dentro do governo
brasileiro aparecem na descrição de um encontro do então embaixador Clifford M. Sobel com o presidente da Eletrobras, Othon Pinheiro, apontado pelos americanos como "o czar da energia nuclear do Brasil". Diante da constante pressão dos EUA pela adesão brasileira ao Protocolo Adicional do TNP - que autoriza a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a inspecionar instalações nucleares com um curtíssimo aviso prévio - Pinheiro sugere uma medida menos intrusiva: a instalação de sensores capazes de identificar material nuclear, uma vez que elementos físseis são facilmente detectados. O projeto fora apresentado ao Itamaraty e recebido sem grande entusiasmo. Sobel, então, levou a ideia ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, e questionou quem mais poderia participar do debate.

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Por que o ministro Sérgio Moro mandou prender Othon Pinheiro?

"Jobim respondeu que qualquer discussão sobre esses tópicos deve passar por ele, exclusivamente, e não pelo Ministério das Relações Exteriores", relatou um trecho do telegrama enviado a Washington em 17 de fevereiro de 2009.

Outro episódio que expôs irritação do ministro da Defesa foi o pedido da AIEA para entrevistar um cientista brasileiro após a publicação de uma tese sobre como produzir a bomba atômica. Jobim disse ter "ficado perturbado" ao descobrir que o Ministério das Relações Exteriores estava cooperando com a AIEA.

"Ele declarou estar engajado em pôr um fim a qualquer permissão para que a AIEA interrogue o cientista", descreve a embaixada, na mesma mensagem.

O ministro se referia à controvérsia acerca do físico Dalton Barroso, um doutorando do Instituto Militar de Engenharia (IME) que, baseado em sua tese, publicou em livro a fórmula para se chegar à W-87, uma das mais poderosas ogivas americanas - o que explica o alarmismo dos EUA diante da informação.

Três meses depois, a vice-chefe da missão americana em Brasília, Lisa Kubiske, reuniu-se com funcionários do governo brasileiro e observou que Nelson Jobim estava ciente de que sua recusa em cooperar com a AIEA causou desconforto. Segundo o informe da embaixada, "ele está agora buscando uma maneira de cooperar sem minar o que vê como responsabilidade dele em temas nucleares". Na mesma série de reuniões, diante da recusa definitiva do Brasil em aderir ao Protocolo Adicional do TNP na Conferência de Revisão de 2010, os americanos advertiram que o governo do presidente Lula "sempre apoiou com relutância medidas de não proliferação e permanece desconfiado de propostas novas, uma situação que provavelmente só será alterada com a entrada de um novo governo em 2011".

"Embora o Ministério das Relações Exteriores insista que conduz a questão do Protocolo Adicional, na nossa visão, depois do presidente Lula, é o ministro Jobim que tem mais influência em temas nucleares", avaliou o telegrama de 11 de maio de 2009.

O Protocolo Adicional, aliás, era apontado como o único consenso em Brasília. Ou quase, devido à posição do diretor da Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis do Itamaraty, Santiago Mourão, único funcionário brasileiro favorável à adesão. Os americanos também observaram divergências de abordagem entre civis e militares brasileiros quanto aos temas nucleares.

Na correspondência de 26 de janeiro de 2009, pouco depois de uma visita da representante oficial da Presidência dos EUA para Não Proliferação, embaixadora Susan Burk, é relatado um encontro dela com o diretor do Departamento Internacional do Ministério da Defesa, general Marcelo Mario de Holanda Coutinho. E numa indicação de que havia percepções distintas entre o ministro e funcionários do ministério, dele, a americana ouviu que "apesar de o Ministério da Defesa ser parte do grupo que cuida de questões nucleares, é o Ministério das Relações Exteriores quem comanda e fala em nome do Brasil".

O general aproveitou, ainda, para minimizar uma declaração recente do então vice-presidente, José Alencar, segundo a qual "o Brasil estaria melhor se tivesse armas nucleares".

"Ele enfatizou que as declarações devem ser ignoradas e certamente contrariam a política do governo brasileiro. Ele deu de ombros à declaração, como coisa de políticos, que às vezes dizem o que vem à cabeça", informou o texto.

POLÍTICA - A prisão do Almirante Othon Luiz




PGR encontrou-se nos EUA com ex-sócia de concorrentes da Eletronuclear



Com o devido cuidado para não embarcar em teorias conspiratórias, vamos a alguma coincidências ligadas ao suposto escândalo na Eletronuclear envolvendo o Almirante Othon Luiz Pereira da Silva.
Ao longo de sua carreira, Othon acumulou um conhecimento único sobre um mercado que, no comércio mundial, equivale a US$ 100 bilhões/ano. Como consultor, teria condições de levantar valores dezenas de vezes superiores aos R$ 4,5 milhões – que teria recebido ao longo de seis ano, conforme despacho do juiz Sérgio Moro, acolhendo denúncia dos procuradores do Ministério Público Federal.
É possível que seja culpado, é possível que não.  O fato objetivo é que sua detenção afeta profundamente o programa nuclear brasileiro, um dos maiores feitos tecnológicos do país.
A gravidade do fato chama mais a atenção sobre a maneira como a força tarefa da Lava Jato chegou a ele.
Seu nome surgiu em uma segunda delação do presidente da Andrade Gutierrez Dalton Avancini. Procuradores exigiram que Dalton apresentasse fatos novos, já que seu depoimento não acrescentava muito ao que já se sabia sobre a Petrobras. A partir da reformulação de sua delação, deflagrou-se a Operação Radioatividade, para investigar suspeitas na área nuclear.
Segundo o repórter Fausto Macedo, do Estadão, “Avancini disse que “ouviu dizer” que havia uma promessa de propina para o militar” (http://migre.me/qZRVL). Segundo o Jornal Nacional, Avancini disse “não saber de efetivamente houve algum repasse de propina a alguém” (http://migre.me/qZSdt).
No seu despacho, o juiz Moro relaciona uma série de pagamentos a empresas de propriedades das filhas de Othon.
Há enorme desproporção entre as supostas propinas e os contratos que teriam beneficiado as empreiteiras. Para contratos que ascendem a mais de um bilhão de reais, o inquérito apura R$ 109 mil pagos pela Camargo Corrêa, R$ 371 mil pela Techint, e R$ 504 mil pela OAS a um escritório de propriedade das filhas de Othon. E constata que a OAS não fez nenhum dos negócios apontados nas investigações (http://migre.me/qZSox).
Uma dos supostos benefícios teria sido a retomada das obras de Angra 3 – uma decisão exclusiva da Presidência da República, do Ministério da Defesa e do Estado Maior das Forças Armadas.
Moro reconhece que os pagamentos podem ter causa lícita, “pela prestação de serviços reais de assessoria ou consultoria ou por eventuais direitos de patentes, pelo menos considerando as conhecidas qualificações técnicas de Othon Luiz”.
Procuradores atestaram que o escritório presta serviços de tradução. Traduções técnicas, ainda mais em áreas da complexidade da nuclear, custam caro.
No entanto, alega “um possível conflito de interesses que coloca em suspeita esses pagamentos." (http://migre.me/qZS64) Por conta desse possível conflito de interesses, coloca na cadeia o mais relevante cientista militar brasileiro, desde o Almirante Álvaro Alberto e compromete uma tecnologia crítica para o país.

Os caminhos que levaram a Othon

Como se chegou a Othon?
Há uma disputa histórica de autoridades norte-americanas contra o programa nuclear brasileiro. A tecnologia de enriquecimento de urânio foi uma conquista histórica, que envolveu muito sigilo, inclusive a existência de fundos secretos, para possibilitar adquirir equipamentos e peças passando ao pargo do controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Nos primeiros dias de fevereiro passado, o Procurador Geral da República Rodrigo Janot seguiu para os Estados Unidos acompanhando procuradores da Lava Jato.
A ida de Janot e da força tarefa da Lava Jato causou estranheza, expressa por nosso articulista André Araújo, um profundo conhecedor do jogo político internacional e dos mecanismos internos da real politik norte-americana
“O que vai fazer nos EUA a Procuradoria-Geral da República do Brasil? Vai ajudar os americanos na acusação contra a Petrobras? Mas a Petrobras é parte do Estado que lhes paga os salários, está sendo atacada no estrangeiro, eles vão lá ajudar os autores das ações?
Quem deveria ir para os EUA é a Advocacia-Geral da União, orgão que funciona como defensora dos interesses do Estado brasileiro. A AGU poderia ir aos EUA para ser auxiliar da defesa dos advogados da Petrobras porque, salvo melhor juizo, um Estado não vai ao estrangeiro acusar a si mesmo ou ajudar outro Estado a lhe fazer acusações. Quem processa a Petrobras indiretamente está processando o Estado brasileiro.
Fora do Brasil só há um ente que representa o Brasil, o Estado brasileiro, representado pelo Poder Executivo (art.84 da Constituição). Só o Poder Executivo representa o Brasil no exterior, a PGR não é um Estado separado do Brasil.
Quem representa o Brasil em Washington é a Embaixada do Brasil, a quem cabe os contatos com o Governo americano e suas dependências, a Embaixada deveria estar atenta para proteger a Petrobras nos EUA” (http://migre.me/qZSB1).
Em resposta, a Secretaria de Comunicação Social da PGR informou que “o PGR Rodrigo Janot tem agenda separada, não relacionada a esse processo, e manterá encontros no FBI, no Banco Mundial e na OEA" (http://migre.me/qZSEG)
Apesar da nota da Secom, uma das pessoas visitadas foi Leslie Caldwell, procuradora-adjunta encarregada da Divisão Criminal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (http://migre.me/qZSvO).
Leslie tem ampla experiência em apurações criminais, tendo participado dos trabalhos que terminaram na denúncia da Enron e da Arthur Andersen. Debita-se a ela a destruição de 85 mil empregos por seu estilo implacável, de não saber punir pessoas preservando empresas.
Obama a indicou para o cargo no dia 15  de maio de 2014.
Ocorre que desde 2004 ela era sócia do escritório Morgan Lewis de Nova York, atuando na área de contenciosos (http://migre.me/qZT2S).
Uma das especialidades do escritório é justamente o setor de energia (http://migre.me/qZT62), especificamente nas relações entre setor privado e governo. O sócio Brad Fagg é apresentado como advogado principal para a maioria das instalações comerciais norte-americanas. Sob a liderança de Brad – diz o site do escritório – os clientes ganharam mais de US$ 2 bilhões em decisões na área pública.
O mercado nuclear experimentou um renascimento, a ponto do escritório ter aberto uma filial em Londres para orientar os investidores interessados no setor, depois da desregulamentação do setor de energia no Reino Unido em 2004 (http://migre.me/qZU4M).
O escritório se apresentava como representante de um grade número de empresas que ocupam praticamente todos os segmentos de combustível nuclear, desde a mineração de urânio e enriquecimento para a fabricação de combustíveis.
Não é crível supor que Janot tenha participado de uma conspiração internacional. É mais certo que o açodamento e a desinformação tenham feito Janot tornar-se inadvertidamente um instrumento de um jogo geopolítico internacional, no qual o interesse do país foi jogado para terceiro plano.

POLÍTICA - O ódio das bombas foi precedido pelo ódio das palavras.


O ataque ao Instituto Lula: o ódio das bombas foi precedido pelo ódio das palavras em revistas e blogs de dementes



por Rodrigo Vianna
Na história da humanidade foi sempre assim: o ódio das bombas é precedido pelo ódio das palavras.
O Instituto Lula, em São Paulo, acaba de ser atacado por uma bomba caseira, lançada durante a noite. Percebam a gravidade da situação. Imaginem um Instituto Clinton, ou Instituto Chirac, ou ainda o Instituto FHC atacado de forma violenta. Um escândalo. Um ataque à democracia.
No entanto, é preciso colocar o guizo no gato: a bomba demente foi precedida pelo ódio disseminado há anos e anos, por blogueiros, colunistas e revistas que se transformaram em panfletos do ódio e da mentira.
A polícia precisa dizer quem lançou a bomba no prédio, no bairro do Ipiranga. Não sabemos a identidade do criminoso. Mas sabemos bem quem disseminou o ódio que produziu o demente do Ipiranga. São as pessoas sentadas atrás dos teclados, em redações, bem pagas para propagar um clima de confronto e de extermínio de toda uma comunidade política.
Você não precisa gostar do Lula e do PT para entender que algo está errado. Estamos em meio a uma escalada autoritária. Que pode virar, sim, um surto fascista.
O demente que lançou a bomba contra o Instituto Lula foi precedido por colunistas, blogueiros e pelo bando de dementes que – nas redes e nas ruas – espalham o ódio, tratam os adversários como “facção criminosa” e alinham-se com o que o mundo produziu de pior no século XX: o fascismo.
Nas manifestações de março de 2015, alguns jovens kataguris chegaram a pedir abertamente que o PT seja cassado, proscrito, proibido. Claro, a lógica é essa: se do outro lado estamos lidando com “uma quadrilha” ( como dizem parlamentares tucanos, como o tresloucado Carlos Sampaio ), não é mais preciso disputar politicamente. A lógica é destruir o adversário, apagá-lo, exterminá-lo.
O ataque ao Instituto Lula é terrível. Mas deve servir para trazer os tucanos e conservadores mais lúcidos á razão. É preciso frear essa escalada que os serras ajudaram a criar, insuflando blogueiros e jornalistas de longa carreira a disseminar o ódio nas redes sociais.
Pronto, chegamos até aqui. O ódio deu as caras definitivamente.
É preciso dizer: os democratas, a turma da esquerda, dos sindicatos, universidades e organizações populares não vai assistir a isso impassível. Se insistirem na tática do ódio, vai sobrar pra todo mundo.
É preciso isolar a direita fanática, é preciso trazer os centristas para o combate em defesa da democracia.
Colunistas e blogueiros dementes, ligados à revista da marginal ( Veja ) e a organizações de comunicação que floresceram na ditadura ( Globo ), produziram gente suficientemente demente para lançar bombas de madrugada.
Chegamos até aqui. Agora está na hora de traçar uma linha no chão.
Quem está do lado de cá vai se defender. Prioritariamente, com palavras, com argumentos e política. Mas, se preciso, também com atos e capacidade de luta.
Não brinquem com a democracia no Brasil!

POL´TICA - O atentado ao Instituto Lula.


O atentado terrorista contra o Instituto Lula é filho da permissividade com que manifestações de ódio vem sendo tratadas no Brasil. Por Paulo Nogueira


Marcello Reis, do Revoltados Online, é um dos propagadores do ódio e da violência
Marcello Reis, do Revoltados Online, é um dos propagadores do ódio e da violência
O atentado terrorista contra o Instituto Lula é filho da permissividade com que manifestações de ódio vem sendo tratadas no Brasil.
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A impunidade leva a novos degraus.
Primeiro você xinga, calunia, massacra nas redes sociais. Depois, começa a jogar bombas.
O Brasil tem que adotar uma política de tolerância zero com o ódio.
Em Nova York, nos anos 1990, o então prefeito Michael Bloomberg revolucionou o combate à criminalidade com a adoção da tolerância zero.
O sujeito que fazia xixi em área pública, se não coibido, depois estava cometendo pequenos furtos, e depois sabe-se lá o que ele faria.
O papel da extrema direita na disseminação do ódio impune, em geral pela mídia, é central.
Veja o que algumas pessoas falaram a respeito do atentado.
No Twitter, Danilo Gentili escreveu que Lula forjou o ataque, e que o máximo que ele conseguiu foi as pessoas lamentarem que ele não estivesse lá na hora.
Piada?
Na verdade, crime. Gentili acha que pode fazer uma acusação grave dessas sem nenhuma consequência.
E não dá para culpá-lo. Ele foi processado por racismo por um negro depois de mandá-lo comer bananas.
O juiz disse que não havia ofensa.
Felipe Moura Brasil, blogueiro da Veja que ultrapassou qualquer limite da sanidade, também disse que Lula inventou a bomba.
“A melhor defesa para o PT é se atacar”, escreveu ele no Twitter.
Lobão fez o que se espera de Lobão.
Numa sociedade civilizada, você não pode fazer uma acusação tão grave, e com tamanha dose de ódio irracional, e não responder por isso criminalmente.
Mas é o que acontece no Brasil de hoje.
A Justiça é o que é, mas mesmo assim os promotores do ódio e os assassinos de reputação têm que ser processados.
No mínimo, eles enfrentarão aborrecimentos. E terão que arcar com despesas de advogados.
O que não pode acontecer é nada.
Neste sentido, Lula merece aplausos por decidir processar o diretor de redação da Veja e os repórteres que assinaram a matéria sobre a delação que não existiu.
Romário deveria fazer o mesmo.
Talvez a perspectiva de um passivo jurídico elevado leve as empresas jornalísticas a refrear seus aloprados.
O Brasil não haverá de ser para sempre a terra do valetudo jornalístico. Uma hora a opinião pública exigirá penas duras para assassinos de reputação homiziados na mídia.
Aconteceu em países avançados, e acontecerá também no Brasil.
Agora mesmo, nestes dias, a revista americana Rolling Stone enfrenta uma ação de indenização de 7,5 milhões de dólares por haver relatado um estupro numa universidade com uma série de erros factuais.
No plano das coisas previsíveis, até o momento em que escrevo não aparecera nenhuma manifestação de solidariedade a Lula de FHC, de Aécio e do PSDB.
Mas o que importa agora é reprimir os agentes do ódio. Tolerância zero com eles.
Ou o Brasil acaba com o ódio ou o ódio acaba com o Brasil.
É tempo de fazermos a escolha.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

MÍDIA - Coitada dessa repórter.

Repórter da Veja que pagou mico com Padura “fez o que o Augusto mandou”, diz editora do escritor



Do Facebook de Ivana Jenkins, editora do escritor cubano Leonardo Padura:
 
VAI PRA CUBA!
cena do ótimo roda-viva com leonardo padura, exibido na última quinta-feira. o programa deveria ter girado em torno de seu livro ‘o homem que amava os cachorros’ (
Boitempo Editorial), mas a bancada (com a honrosa exceção de Maringoni Gilberto e a surpresa que foi josé neumane), preferiu exibir seu parco conhecimentos da realidade cubana.
ao final da entrevista, ainda nas dependências da tv cultura, a jornalista da veja contou – para o entrevistado, seus acompanhantes e demais jornalistas — que apenas cumpriu ordens, fez “as perguntas que o augusto [o apresentador] mandou”. liberdade de imprensa é isso aí…

POLÍTICA - Lula, Odebrecht, a toalha e o marmitex.

Lula, Odebrecht, a toalha e o marmitex

Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

No andar de cima, toalhas de linho e finas iguarias. Para o andar de baixo, marmitex.

Na perfeita imagem criada pelo jornalista Elio Gaspari, temos um resumo das divisões da sociedade brasileira, bem estampado num e-mail no qual o empreiteiro Marcelo Odebrecht comunica à mulher, Isabela, que uma sindicalista participaria de um jantar na casa deles. Em resposta, escreve Isabela, segundo o Painel da Folha desta quarta-feira, que reproduziu mensagem encontrada pela Polícia Federal no celular do empresário:

"Se sujar minha toalha de linho ou pedir marmitex... vou pirar. Saudações sindicais? Não mereço".
Muito antes da Operação Lava-Jato, em maio de 2012, Marcelo organizou este jantar, reunindo sindicalistas e grandes empresários em torno do ex-presidente Lula, para discutir a conjuntura econômica. A sindicalista a que os Odebrecht se referem é Juvandia Moreira Leite, presidente dos bancários de São Paulo.

Entre os 15 convidados, segundo documento vazado nas investigações da Lava Jato e reproduzido no blog do jornalista Renato Rovai, também estavam presentes João Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo, Abílio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, Eike Batista, do então Grupo EBX, Jorge Gerdau, Emilio Odebrecht, Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco, e Sergio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Em seus oito anos de mandato, como sabemos, Lula procurou aproximar os andares da sociedade brasileira, governando para todos, mas uma parte da elite brasileira jamais aceitou o ex-metalúrgico na Presidência da República e seus companheiros reunidos na mesma mesa.

Esta resistência persiste até hoje, como se pode mais uma vez constatar neste e-mail tratando do jantar de 2012 e todos os dias nas crescentes manifestações de intolerância e preconceito contra pretos, pobres, petistas e nordestinos. Boa parcela do andar de cima ainda divide o mundo entre quem manda e quem obedece, cada um no seu lugar.

MÍDIA - Tio Rei na berlinda.

Reinaldo Azevedo e os ‘pixulecos’ da Odebrecht. Por Paulo Nogueira


Petralha?
Petralha?
Que é engraçado ver Reinaldo Azevedo, sempre tão acusatório, se defendendo estrepitosamente, ninguém pode negar.
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Ele está sendo atacado por um público que sempre o idolatrou: a direita.
Um leitor do site arquiconservador Antagonista fez a seguinte pergunta: “Teria RA recebido uns pixulecos da Odebrecht?”
A celeuma está em torno das iniciais RA colhidas pela PF no celular de Marcelo Odebrecht.
Há muitos RAs no universo, mas só um ligado tão fortemente à Veja. E depois de RA, no celular de Odebrecht, aparece a palavra Veja.
O que ajudou nas suspeitas contra RA é que, estranhamente para seus leitores e para seu padrão, ele vinha atacando Moro e a Lava Jato desde a prisão de Odebrecht.
Antes que surgissem suas iniciais, o desconforto de seus leitores já era patente.
Você só não vê isso nos comentários de seu blog na Veja porque RA deleta qualquer coisa que não signifique apoio e aplausos.
Mas os insatisfeitos encontraram outros lugares para expressar sua desconfiança. Um deles é o site Antagonista. Outro é o site Ceticismo Político, CP, ainda mais de direita que o Antagonista.
“Por que Reinaldo Azevedo está tão estranho?”, perguntou o editor do CP. Em outro texto, ele afirmou que RA escolheu, no caso Odebrecht, “o lado errado”.
Tudo isso posto, para voltar à pergunta de um leitor do Antagonista, teria RA recebido uns “pixulecos” da Odebrecht para defender seu dono?
Não acredito.
RA tem uma série de defeitos, mas não parece ser um sujeito que escreve por encomenda expressa de um plutocrata.
Ele defende a plutocracia, no geral e não no particular. Assim, é mais fácil crer que ele tenha realmente se condoído com a sorte de Marcelo Odebrecht.
Para além deste caso, fica uma constatação.
Estrelas da direita só servem, para seus seguidores, se fizerem o que se espera deles.
Caso contrário, adeus.
Joaquim Barbosa, o Batman dos fanáticos de direita, foi duramente criticado no Twitter depois que se colocou contra a redução da maioridade penal.
Um internauta chegou a mandá-lo calar a boca.
De Reinaldo Azevedo os leitores esperam o que ele sempre lhes deu: ódio infinito contra o PT.
Isso significa apoiar Moro em quaisquer circunstâncias. A não ser, é claro, que Moro deixe de parecer o maior inimigo do PT em todo o mundo.
Na prática, pessoas como JB ou RA não influenciam ninguém. São antes usados — e implacavelmente fiscalizados – pela direita punk.
Se saírem da trilha, são descartados.
Nos dois sites citados anteriormente, muitos internautas, em comentários, dizem que deixaram de ler RA.
Para ele, e para tantos outros, não existe escolha.
Ou agem como os desvairados desejam ou são crucificados como as pessoas que eles perseguiram tão selvagemente.

terça-feira, 21 de julho de 2015

POLITICA - "Não me deixem só".

 

O “não me deixem só” de Cunha, segundo Janio de Freitas

  Autor: Fernando Brito
TODOS
As décadas de janela na política permitem a Janio de Freitas ver o obvio que a muitos escapa.
Em seu artigo hoje, na Folha, resume a ópera: “Tudo que se passou na política desde a segunda posse de Dilma Rousseff esteve, e está, condicionado pelo retorno ao poder do grupo Collor, ocupante das presidências de Senado e Câmara com Renan Calheiros e Eduardo Cunha”.
A ele acumpliciaram-se a oposição tucana e a mídia, prontos a confraternizar com tudo o que pudesse abalar o resultado eleitoral.
As semelhanças que a leitura de Janio nos provoca, porém, vai mais adiante: a reação patética de Eduardo Cunha nos remete àqueles tempos do “não me deixem só” das bravatas sem sustentação política do ex-presidente, algo que a gente já sabe como termina.
Efeitos de um processo de degradação da política que vem de longe, desde o tempo de Sarney, quando os partidos começaram a ser degradados, até que o quadro parlamentar viesse a se tornar a mixórdia de hoje – e já de muitos anos – com o qual, porém, tem-se de conviver.
A incapacidade dos governos petistas de promover uma reforma política – incapacidade, porém, derivada em parte das reações do conservadorismo, a quem sempre interessa um parlamento corrupto e cúmplice dos interesses do dinheiro, tinham e teriam ainda mais se osp assos para implementá-la fossem para valer.

Na moda de collorir

Janio de Freitas
A direção mudou. Mas não muda o peso de verdade dado a umas poucas palavras acusatórias vindas, sem provas ou indícios, de pessoa com idoneidade inatestável.
E as instituições políticas se abalam, jornalistas falam de futuras retaliações e derrubadas entre Câmara e Presidência, políticos espertalhões pensam em um acordo de compensações com impeachment de Eduardo Cunha e impeachment de Dilma. Claro, Estado de Direito e democracia à brasileira.
Tudo que se passou na política desde a segunda posse de Dilma Rousseff esteve, e está, condicionado pelo retorno ao poder do grupo Collor, ocupante das presidências de Senado e Câmara com Renan Calheiros e Eduardo Cunha, discípulo que encantou PC Farias.
É apenas lógica a volta do próprio Fernando Collor à projeção, acompanhado, entre outros, de Pedro Paulo Leoni Ramos, que foi o seu encarregado de neutralizar a rede de informações e negócios do SNI, para maior tranquilidade das transações colloridas.
Deputados e senadores, com exceções exíguas, outra vez aceitaram bem o domínio e as práticas do collorismo. Associação, e em muitos casos sujeição, bem ilustrada no silêncio de Aécio Neves e do PSDB, capazes de pedir na Justiça a cassação do mandato presidencial com base em uma frase de delação premiada, mas emudecidos quando a mais grave das acusações a políticos cai sobre Eduardo Cunha.
Essa situação de Câmara e Senado não precisará esperar a comprovação ou negação da culpa de Eduardo Cunha para receber efeitos políticos importantes.
Tanto mais que ele sentiu o golpe. Sua resposta de superioridade quando esteve na expectativa de uma visita policial substituiu-se, em apenas 24 horas, por um jorro de agressões patéticas, evidência de tombo e descontrole.
Eduardo Cunha não imaginaria, a sério, que o governo dirija o procurador-geral da República, nem Rodrigo Janot obrigou delator algum a difamar Eduardo Cunha. Nem o juiz Sergio Moro detém indevidamente o inquérito em que Eduardo Cunha é acusado da extorsão de US$ 5 milhões.
O enfraquecimento de Eduardo Cunha é imediato, embora parcial. Se a acusação não for eliminada no recesso parlamentar, a iniciar-se amanhã, os projetos induzidos na Câmara por seu presidente já serão recebidos, no Senado, sem a complacência interesseira ou temerosa dada a Cunha. O PSDB, por exemplo, não será o mesmo da semana passada.
Citar Eduardo Cunha já é meia lembrança de Renan Calheiros. O enfraquecimento de um alcança o outro.
Mas na Câmara é que a provável permanência da acusação tem o maior campo de influência. Cunha adiou para agosto a votação final de alguns projetos, convencido de que os deputados voltarão radicalizados pelos eleitores.
Mas as aprovações obtidas por Eduardo o foram acima de tudo por suas manobras e articulações. No caso de seu enfraquecimento, a esperteza encontrará, no mínimo, um ambiente incerto.
Para completar, a situação de Eduardo Cunha é muito mais complicada do que o enfrentamento a uma afirmação breve de delator bem premiado. Ele o prova, descontrolado a ponto, por exemplo, de desmentir-se em apenas horas. Mal acabara de repetir que passar à oposição -na qual, de fato, sempre esteve- não influiria na conduta de presidente da Câmara, correu a aprovar duas CPIs contra o governo.
Na porta do recesso. Desespero raivoso é isso aí.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

POLÍTICA - Lula, a caça que de fato importa.

Lula, a caça que de fato importa

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

O enredo que vem sendo rabiscado desde 2003 agora começa a tomar forma. No epílogo desejado por seus autores, o ex-presidente Lula sai da História, do lugar assegurado por sua trajetória e por oito anos de governo que mudaram o Brasil, tomba como réu em um processo desonroso, torna-se inelegível e o povo brasileiro não repete a ousadia de colocar na Presidência alguém saído de onde ele saiu: da pobreza, do Nordeste, da classe operária, do compromisso com os mais pobres e com um Brasil de todos.
Sua vitória em 2002 foi engolida como sinal de que a democracia brasileira é para valer mas os refluxos de uma certa elite – uma certa elite não necessariamente econômica, mas essencialmente ideológica – nunca mais cessaram. Estes segmentos regurgitaram ao longo de seu governo por qualquer palavra mal posta e por todas as políticas que, sem tomar nada dos ricos, buscaram promover um pouquinho mais de igualdade. O Bolsa-Família foi chamado de bolsa-esmola, as cotas raciais foram esconjuradas, o Pro-Uni acusado de levar despreparados para a Universidade e por aí afora. 

Quando se viu que apesar do desgaste com o mensalão de 2005 ele se reelegeria, fizeram o diabo para evitar seu novo mandato. Perderam de novo e o mandato foi exitoso. O Brasil cresceu para todos e ganhou uma nova projeção internacional. A inclusão neste período, que hoje se tenta minimizar diante das dificuldades econômicas do governo Dilma, foi tão importante que ainda faz de Lula a maior ameaça eleitoral ao bloco conservador em 2018. Sim, houve pesquisa com Aécio na liderança, mas na conjuntura febril de hoje, em que o próprio Lula se disse abaixo do volume morto. Até 2018, muitas águas rolarão e ele precisa estar fora do páreo.

Poucos presidentes puderam, como o pouco letrado e monoglota Lula, promover em tão pouco tempo tão grande transformação no papel internacional de seu país, escreveu o jornalista americano David Rothkopf, na The New Foreign Policy Review, nos idos de 2009. Para isso Lula contou com os bons ventos no cenário externo, é verdade, com o desempenho formidável de Celso Amorim como chanceler, articulando os BRICS, o G20 Comercial e outras iniciativas, e com sua determinação em ser um “mascate do Brasil”. Vender o Brasil significou sempre, para Lula, fazer diplomacia bilateral, multilateral e também abrir oportunidades para as empresas e produtos brasileiros no mercado internacional. 

Em 2003, primeiro ano de seu governo, cobri sua primeira viagem oficial a Cuba, e com ele viajaram dezenas de empresários do setor sucro-alcooleiro em busca de oportunidades na ilha. A produção de açúcar declinara, após a perda do grande comprador que era a extinta URSS. As usinas paradas poderiam ser direcionadas para a produção de álcool. Foi lobby? Não, foi diplomacia presidencial eficiente. Alguns negócios surgiram destes primeiros contatos. Na viagem à China, levou 500 empresários. À Índia, outros tantos. Seus dois ministros do MDIC, Furlan e Miguel Jorge, também foram “lobistas” das empresas nacionais no exterior.

Fora da Presidência, Lula criou seu instituto, através do qual continua atuando em favor das agendas novas que criou, como a cooperação com a África e o combate à fome no mundo. Fez palestras, colecionou honrarias lá fora e pontificou em favor de empresas brasileiras nos eventos internacionais de que participou. Num deles, em Lisboa, comentou com o primeiro-ministro Paulo Portas que a Odebrecht tinha interesse na compra de uma empresa que estava sendo privatizada. Poderia ter dito isso recentemente em relação ao interesse da Azul na compra da TAP, que acabou sendo efetivada. Foi crime? Para O Globo, sim. Foi prova de que fez lobby para a empreiteira. Assim como o fato de ter participado do evento do BNDES com autoridades africanas, inclusive o embaixador do Zimbabwe. A forma como O Globo omitiu trechos das explicações dadas pelo Instituto Lula revela exatamente a ansiedade para concluir o enredo, o “pega Lula”.

Quando começou o procedimento do Ministério Público sobre suas ações internacionais, que agora virou inquérito, Lula declarou-me em rápida entrevista ao 247:

“Tenho orgulho de ter sido o presidente que mais trabalhou para abrir mercados para as empresas brasileiras no mundo. Quero ser lembrado como o presidente que mais levou comitivas de empresários, dos mais diversos setores, em suas viagens. Levei centenas de empresários comigo à China, à Índia, à África, aos quatro cantos do mundo. Cada empresa brasileira que conquistava mercado lá fora para nós era uma bandeira do Brasil fincada num outro país. Eu dizia ao Furlan e ao Miguel Jorge: vocês têm que ser verdadeiros mascates do Brasil. E eles também saíram pelo mundo fazendo isso.”

Por estas bandeiras fincadas, Lula está sendo investigado. É apontado como “suspeito” em manchetes que exalam a satisfação dos caçadores com a proximidade do momento esperado: o de tirar Lula da História, incriminá-lo e suprimi-lo da disputa presidencial de 2018.

Tirá-lo do páreo significa estancar as mudanças em favor de uma democracia de fato, de uma democracia de oportunidades, não apenas de voto, através de um sistema destinado a nada mudar. Tirar Lula do páreo é estratégia para barrar o assanhamento do povo, que passou a frequentar faculdades, andar de avião e até infestar o Facebook com suas páginas vulgares. É barrar o impulso por mudanças, assim como em 1964 foram barradas as reformas de base de Goulart.

A luta social é como a vida, na definição de Guimarães Rosa: “A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” Neste momento, ela aperta as consciências democráticas e justas sobre o sentido da caçada a Lula. O PT, se entendeu isso, ainda não se moveu com a gravidade que a ofensiva exige. E sem Lula, haverá PT?

Mas se “pegarem Lula”, tudo vai se aquietar: a ferocidade de Moro e da Lava Jato, as denúncias contra outros políticos, a devassa das empreiteiras, as apostas contra o mandato de Dilma. Tudo isso voltará a ser irrelevante se o objetivo maior for alcançado.

domingo, 19 de julho de 2015

POLÍTICA - A maior ameaça a Dilma.

Desemprego é a maior ameaça a Dilma



Por Altamiro Borges

O Ministério do Trabalho divulgou na sexta-feira (17) os dados sobre o desemprego no país. Eles são bem preocupantes para a presidenta Dilma Rousseff, que enfrenta violento tiroteio político em várias frentes – mas que pode ser alvejada exatamente pela piora das expectativas entre os trabalhadores. O levantamento aponta que o emprego formal perdeu 345,4 mil vagas no primeiro semestre deste ano. Somente em junho, foram fechados 111,2 mil postos com carteira assinada, o pior resultado para o mês em 23 anos. A agricultura foi o único setor da economia que gerou empregos no mês passado.

Conforme aponta a Folha tucana, que não esconde sua torcida pela piora do cenário econômico, "esse foi o terceiro mês consecutivo de redução de vagas com carteira assinada, o que ressalta o momento frágil da economia brasileira. A taxa de desemprego, medida pela Pnad Contínua, do IBGE, alcançou 8,1% no trimestre encerrado em maio. O fechamento de vagas formais em junho é semelhante ao observado em maio, quando a redução foi de 112,4 mil empregos celetistas... Dentre os principais setores nos quais houve perda de vagas estão a indústria da transformação (que diminuiu 64.228 postos), serviços (retração de 39.130) e o comércio (menos 25.585)".

O jornal evita dar destaque para um fato curioso. O Estado de São Paulo, administrado pelos tucanos há mais de 20 anos, foi o que teve a maior perda de vagas com carteira assinada. "A redução chegou a 52.286 postos, a mais acentuada do país", registra de forma tímida a Folha. "Rio Grande do Sul aparece em seguida, com o fechamento de 14.013 vagas. Depois vêm o Paraná, que perdeu 8.893, e Santa Catarina, com 7.922. Destaques positivos para Minas Gerais, que criou 9.746 vagas, Mato Grosso, com 3.602 novas oportunidades com carteira assinada, o Maranhão, com 2.001, e Goiás, com 3.602".

Além do aumento do desemprego, o Cadastro-Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, também apontou a preocupante queda do rendimento dos assalariados. Os salários médios de admissão sofreram retração real de 1,63% em relação ao mesmo semestre de 2014. O valor médio inicial para contratação foi de R$ 1.271, em 2014, para R$ 1.250, em 2015. A soma destes dois fatores negativos, alta do desemprego e queda da renda, tende a se refletir nas próximas pesquisas. Dilma Rousseff já está com a sua popularidade em baixa, inclusive entre os trabalhadores. Caso não ocorram mudanças nos rumos da economia, o quadro tende a piorar ainda mais.

Em 5 de julho, a mesma Folha publicou mais uma das suas fofocas com o título "Levy na geladeira". Segundo a jornalista Natuza Nery, "ele tem recebido pouca atenção da presidente. Recentemente, um funcionário notou que nem os incontáveis e-mails diários ela anda respondendo. Nas reuniões internas de governo, o ministro da Fazenda passou a ser constantemente questionado pelos colegas e pela própria chefe. A discordância aumentou à medida que a crise econômica acelerou a queda na popularidade de Dilma Rousseff. Auxiliares definem o 'climão'. Há apenas seis meses no cargo, Levy foi parar na 'geladeira'". Pode ser pura especulação do jornalão, que sempre apostou na cizânia para implodir o governo. Mas que o ortodoxo Joaquim Levy merecia uma geladeira, isto é fato!

POLÍTICA - O fim da vergonhosa era Eduardo Cunha.

O fim da vergonhosa era Eduardo Cunha

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

O fim da saga de Eduardo Cunha coloca um ponto final em um dos mais constrangedores episódios políticos da história da República, desde a redemocratização.

O vácuo político produzido pelos erros da presidente Dilma Rousseff promoveram uma abertura inédita da porteira e abriram espaço para oportunistas da pior espécie.

A crise colocou Cunha no papel de touro conduzindo o estouro da boiada. E, atrás dele, a malta do congresso, o universo dos pequenos políticos sem expressão, o chamado baixo clero, cuja atuação, em outros tempos, era moderada por lideranças de maior fôlego.

A cada eleição, os grandes políticos - à esquerda e à direita - foram se afastando do Congresso, permitindo que políticos de grande habilidade e nenhum escrúpulo - como Cunha - assumissem a liderança, bancados por contribuições milionárias de campanha garantidas pelo negocismo amplo que se implantou no Congresso.

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A queda de Cunha era questão de tempo. Figuras como ele são eficientes para agir nas sombras, não na linha de frente. Ainda mais com a megalomania que sempre o acompanhou, acima de qualquer limite de prudência.

Em ambiente democrático, não há espaço para os superpoderosos. Tanto assim, que um dos truques históricos da mídia, quando quer marcar um inimigo, é superestimar seus poderes. O sujeito entra na marca de tiro, torna-se alvo não só de jornais como de outros poderes.

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No início adulado pela mídia, Cunha não precisou de nenhum empurrão para expor sua falta de limites. As demonstrações inúteis e abusivas de músculos incumbiram-se de quebrar a blindagem e transformá-lo em uma ameaça às instituições, ainda mais liderando um exército de parlamentares que parecia emergia das profundezas do preconceito.

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Com o fim de Cunha, o PMDB volta às mãos de figuras moderadas e responsáveis, como o vice presidente Michel Temer, e de figuras polêmicas mas cautelosas, como Renan Calheiros, até que seja colhido pela Lava Jato. Pacifica-se, assim, uma das frentes que impedia a volta à normalidade política.

No plano Jurídico, com a parte mais relevante da Lava Jato sendo assumida pelo STF (Supremo Tribunal Federal), e com os conflitos internos na Polícia Federal, haverá menos espaço para o show midiático.

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Na outra ponta, caiu a ficha do PSDB quanto à irresponsabilidade política de Aécio e a loucura que seria o impeachment da presidente. Não interessa nem a José Serra nem a Geraldo Alckmin, em suas pretensões presidenciais, nem a quem tem um mínimo de vislumbre do caos que se instalaria no país, caso o golpe fosse bem sucedido.

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Para retomar a normalidade, falta Dilma começar a governar.

Nos últimos dias, a Fazenda passou a desovar projetos mais consistentes, de simplificação tributária. Há boas iniciativas na Agricultura e no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Ainda há o risco de um Banco Central descontrolado, praticando uma taxa de juros que poderá criar uma dinâmica insustentável na dívida pública. E Dilma, que ainda não pegou a batuta de maestrina para articular um plano de ação integrado do segundo governo.

POLÍTICA - O desespero do achacador.



O desespero do achacador Eduardo Cunha

Por Altamiro Borges

Eduardo Cunha – o “achacador”, segundo o apelido carinhoso dado por alguns dos seus pares - não dormirá tranquilo nos próximos dias. Ele que se achava o novo “imperador” da Câmara Federal viu seu império sofrer rachaduras. A “delação premiada” do executivo Júlio Camargo, que garantiu ter repassado US$ 5 milhões ao lobista –, acabou estragando sua performance no programa exibido em cadeia de rádio e tevê nessa sexta-feira (17). Para complicar ainda mais as suas ambições, em várias capitais ocorreram buzinaços e protestos durante sua exibição midiática. Ele até tentou usar a velha tática de que a melhor defesa é o ataque. Afirmou, no seu estilo de valentão, que vai “explodir o governo Dilma” e autorizou duas CPIs para infernizar a presidenta. Mas o desespero não é bom conselheiro. Nem o PMDB, seu partido-ônibus, apoiou o gesto tresloucado. E até o juiz-carrasco Sérgio Moro, seu antigo aliado, deu-lhe umas caneladas.
Ao anunciar o “rompimento com o governo” – como se em algum dia, desde sua posse em fevereiro, ele tivesse sido aliado do Palácio do Planalto –, Eduardo Cunha começou a trilhar o caminho do isolamento político. “Estou oficialmente rompido com o governo a partir de hoje. Teremos a seriedade que o cargo ocupa. Porém, o presidente da Câmara é oposição ao governo”, afirmou ainda na manhã de sexta-feira. Minutos depois da sua entrevista-bomba, o próprio PMDB divulgou nota oficial para reafirmar que continua na base governista e para informar que a posição de Eduardo Cunha “é a expressão de uma posição pessoal, que se respeita pela tradição democrática do partido”. As frituras peemedebistas costumam ser cruéis e ardilosas, sem maiores estardalhaços.

Na sua valentia, ele não conseguiu sequer o apoio dos demotucanos, que temem sair chamuscados com as recentes acusações contra o lobista. “A oposição, que tem andado de mãos dadas com Cunha desde que ele derrotou o PT e o governo e conquistou a presidência da Câmara, em fevereiro, também não saiu em defesa do peemedebista. Líderes oposicionistas classificaram como grave o anúncio do rompimento, afirmando temer uma crise institucional no país. ‘Há uma instabilidade institucional agravada’, afirmou o líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE). O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), não se manifestou. Até a noite desta sexta-feira, Cunha havia obtido o apoio oficial apenas do Solidariedade”, relata, amargurada, a Folha tucana.

Acuado e desesperado, Eduardo Cunha ainda comprou briga com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com o juiz da midiática Operação Lava-Jato, Sérgio Moro, e com os delegados da Polícia Federal. Afirmou que é alvo de um complô. De quem menos se esperava, veio a resposta mais dura. Sérgio Moro, seu aliado na campanha de desgaste permanente do governo Dilma, afirmou em nota que não pode silenciar “testemunhas ou acusados”, justificando o vazamento da “delação premiada” de Júlio Camargo. “A 13ª Vara de Curitiba conduz ações penais contra acusados sem foro privilegiado em investigações e processos desmembrados pelo Supremo Tribunal Federal. Não cabe ao juízo silenciar testemunhas ou acusados na condução do processo”, afirma a nota.

Diante de tanta bordoada, a tendência é que Eduardo Cunha – que não consegue conter seus instintos mais primitivos – radicalize as suas posições. Ele já anunciou que pretende amparar os pedidos de impeachment de Dilma. Ele fará de tudo para desviar a atenção da sociedade – principalmente dos famosos “coxinhas”, os setores médios envenenados diariamente pela mídia oposicionista. O Palácio do Planalto tentará evitar que os ânimos se acirrem. Em nota divulgada nesta sexta-feira, o governo afirmou esperar que a posição hidrófoba de Eduardo Cunha “não se reflita nas decisões e nas ações” da presidência da Câmara Federal. Mas é bom ficar em estado de alerta. O “achacador”, temendo seu isolamento e “morte política”, ainda vai dar muito trabalho. Ele não pode ser subestimado.

ECONOMIA - BRICs.





(Marcelo Zero)


Quando o economista do Goldman Sachs, Jim O´Neill, cunhou, em 2001, o acrônimo BRIC, referindo-se aos megapaíses emergentes Brasil, Rússia, Índia e China, o termo não passava de uma expressão vazia, um mero exercício intelectual que pretendia denotar a crescente importância desses países para os investidores das nações mais desenvolvidas e seu potencial de gerar bons negócios para as firmas das grandes nações industrializadas. Os BRICs eram apenas uma nova fronteira de investimentos que se abria, no quadro de uma geoeconomia rigorosamente dominada pelos mesmos players de sempre.

Mal sabia ele que, 14 anos depois, em Ufá, Rússia, os BRICs, agora transformados em BRICS, com a adição da África do Sul, já seriam um importantíssimo e atuante bloco, que vem transformando a velha geoeconomia mundial e revolucionando a arquitetura financeira internacional.
Com efeito, na recente cúpula realizada na cidade fundada por Ivã, o Terrível, os BRICS fizeram algo que era impensável há uma década. Eles concretizaram seu próprio banco de investimentos, o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS (NDB), e seu próprio Arranjo de Contingente de Reservas (CRA) para ajudar países em dificuldades. Criados na Reunião de Fortaleza, eles agora passam a operar. Os BRICS são, hoje, um bloco institucionalizado, que atua com desembaraço sobre a ordem mundial.
Esses dois arranjos financeiros não surgiram por acaso. Eles sugiram de uma necessidade: as velhas instituições multilaterais surgidas no longínquo ano de 1944, em Bretton Woods, o FMI e o Banco Mundial, já não conseguem lidar com os desafios postos pela nova geoeconomia mundial. A UNCTAD, agência especializada da ONU para o comércio e o desenvolvimento, estima que os países em desenvolvimento precisariam de US$ 1 trilhão para aprimorar a sua infraestrutura. FMI e Banco mundial são incapazes de responder a esse desafio.
Afinal, trata-se de instituições esclerosadas, cuja governança não incorpora os interesses e os anseios dos novos atores globais. Elas continuam nas velhas mãos das antigas potências, agora fortemente atingidas pela crise mundial. Para se ter uma ideia, a China, segunda economia mundial, tem menos votos no FMI que o Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). Além disso, são organismos dominados por obsoletas ideias paleoliberais, e exigem condicionalidades draconianas para fazer empréstimos.
A tentativa de abrir mais espaço para os países emergentes nessas instituições multilaterais esbarrou no Congresso dos EUA, o qual até hoje não aprovou a modificação nas cotas e no sistema de votação do FMI e do Banco Mundial. Os EUA e a Europa continuam a ser seus mandantes privilegiados.
É uma situação absurda. Afinal, os BRICS têm 42% da população mundial e 26% do território do planeta. São responsáveis por 23% da economia mundial e 15% do comércio internacional. Não bastasse, eles detêm 75% das reservas monetárias internacionais. Além disso, os BRICS foram responsáveis por 36% do crescimento da economia mundial, na primeira década deste século. Com a recessão nos países mais desenvolvidos, esse número pulou para cerca de 50%, mesmo com a desaceleração recente do crescimento desse bloco.
Em outras palavras, a importância dos BRICS não é só avassaladora, como vem crescendo ano a ano, mesmo com a crise tendo se abatido recentemente sobre seus membros.
Enganam-se, contudo, aqueles que consideram os BRICS somente uma associação de caráter econômico. Na realidade, com a nova geoeconomia, na qual os BRICS são grandes atores em ascensão, cria-se também, inexoravelmente, uma nova geopolítica e uma nova geoestratégia.
É aí que a coisa se complica e surgem as resistências e as críticas ao bloco.
Por trás da nova geoeconomia, há uma surda luta geopolítica e geoestratégica.
A China está passando por um processo de transição econômica que inclui uma calculada desaceleração. A economia chinesa, baseada em investimentos volumosos e em exportações de manufaturados, tem atualmente excesso de capacidade instalada em muitos segmentos econômicos (construção civil, energia, etc.) e precisa refazer a sua estratégia econômica, face à desaceleração do comércio mundial.
Nesse sentido, a China vem fazendo um duplo movimento. Primeiro, aumentar o consumo doméstico, de modo a compensar o baixo dinamismo do comercio mundial.
Segundo, e mais importante, reduzir a sua dependência em relação ao dólar e sua exposição às crises norte-americanas, face às suas gigantescas reservas nessa moeda, diminuindo a hegemonia do dólar norte-americano como grande meio de troca mundial e como reserva internacional de valor.
A criação do NDB e do CRA e a expansão do banco da China, bem como os maciços investimentos desse país no exterior são parte de um processo que troca investimentos em títulos do tesouro americano (reservas) por investimentos em infraestrutura em países em desenvolvimento. Com isso, a China não apenas assegura o afluxo de commodities e influência geopolítica, como prepara as condições para que o renmimbi seja uma moeda mundial, competindo com o dólar.
Outra disputa surda, mas intensa, que envolve o BRICS tange ao domínio da Eurásia.
Em 1997, Zbigniew Brzezinski, scholar extremamente influente, que fora assessor presidencial para assuntos de segurança nacional no período de 1977 a 1981, publicou, na Foreign Affairs, um artigo intitulado Uma Geoestratégia para a Eurásia, que já antecipava algumas teses de seu livro O Grande Tabuleiro de Xadrez.
Nesse artigo, ele argumenta, com razão, que a Eurásia é o eixo geoestratégico do mundo, já que esse supercontinente, além concentrar boa parte do território e dos recursos naturais do planeta, conecta os dois grandes polos econômicos do mundo além dos EUA, a União Europeia e o Leste da Ásia. Para Brzezinski, é vital que os EUA tenham o controle desse supercontinente, caso queiram permanecer como a única e inconteste superpotência.
Pois bem, a geoestratégia concebida por Brzezinski implicava várias ações de longo prazo concomitantes. Em primeiro lugar, o fortalecimento da Europa unida, sob a liderança dos EUA. Para tanto, Brzezinski já sugeria, inclusive, a celebração de um tratado de livre comércio transatlântico, como o anunciado recentemente. Em segundo, o fortalecimento das novas nações independentes da Ásia Central e do Leste Europeu, que surgiram após o colapso da União Soviética, e a consequente expansão da OTAN até a Ucrânia. Em terceiro lugar, e mais importante, a geoestratégia de Brzezinski previa o enfraquecimento da Rússia e o enquadramento de sua política externa nos imperativos geopolíticos dos EUA e seus aliados.
Essa geoestratégia colidiu, obviamente, com o fortalecimento da Rússia sob Putin e a formação do BRICS. A crise da Ucrânia nada mais é que a expressão visível e aguda desse choque geoestratégico.
Para fazer frente a esses novos desafios, os EUA reordenaram sua geoestratégia, que antes estava centrada na luta contra o terrorismo e no Oriente Médio. A nova geoestratégia norte-americana, explicitada em 2012 com o documento “Sustentando a liderança global dos EUA: Prioridades para a Defesa do Século 21″, pretende se contrapor à crescente erosão de poder econômico e geopolítico dos EUA e aliados europeus e realizar movimentos de contenção da ascensão de países emergentes, notadamente os reunidos no BRICS.
Fazem parte dessa contraofensiva a TPP, a Trasn-Pacific Partnership, que inclui países asiáticos próximos à China, mas que exclui Beijing, e a Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP), que pretende reforçar os laços econômicos entre os EUA e a União Europeia.
Essa contraofensiva também implica o abandono parcial da política unilateralista de confrontação no Oriente Médio, que não funciona e consome volumosos recursos militares e estratégicos. Os investimentos no shale oil, mesmo com todos os problemas ambientais que geram, se inserem nessa tentativa de diminuir a importância do Oriente Médio, na nova geoestratégia norte-americana.
E o Brasil, como se insere, nesse tabuleiro geoestratégico?
Em primeiro lugar, é preciso considerar que o Brasil também é alvo da contraofensiva norte-americana.
A recente distensão das relações entre os EUA e Cuba, por exemplo, faz parte de um movimento de reaproximação da única superpotência do planeta à América Latina e ao Brasil. O conflito com Cuba sempre significou um entrave desnecessário e obsoleto para uma relação mais fluida com os EUA. A eliminação desse entrave, do ponto de vista dos EUA, ajuda a abrir caminhos para uma retomada de sua histórica influência na região.
A Aliança do Pacífico, um factoide do ponto de vista econômico e comercial, representa, na realidade, uma ofensiva geopolítica direcionada contra a integração regional, sob o disfarce de um regionalismo aberto voltado à integração assimétrica com os EUA e outras potências tradicionais. O alvo é o Mercosul e sua união aduaneira.
A contraofensiva geoestratégica dos EUA passa, na América Latina, pela tentativa de desarticulação da integração regional liderada pelo Brasil e pela limitação da influência da China e da Rússia na região.
Entretanto, essa contraofensiva não é necessariamente ruim para o país. Ao contrário, o Brasil pode se aproveitar dessas disputas para se projetar ainda mais no cenário mundial.
Essa possibilidade esbarra, contudo, na total cegueira estratégica das nossas elites.
Com o arrefecimento (não o fim) do ciclo das commodities e a crise que agora também afeta países emergentes e em desenvolvimento, ressurgiu com plena força o mito de que a recente política externa brasileira é equivocada e precisa se reorientar em direção ao seu “leito natural”, isto é, os EUA e demais potências tradicionais. Critica-se o Mercosul, a integração regional, a cooperação Sul-Sul, a parceria com os países emergentes e, é claro, também os BRICS, grande foro que o Brasil utiliza para se consolidar como liderança mundial.
Para os que padecem dessa irremediável cegueira estratégica, o Brasil deve renunciar ao Mercosul e sua união aduaneira, à cooperação Sul-Sul e a um BRICS politicamente mais atuante e investir em acordos de livre comércio com os EUA e a União Europeia, de modo a se inserir celeremente nas cadeias internacionais de produção. Com a crise e a baixa das commodities, que demanda esforços para se aumentar as exportações, principalmente as exportações de manufaturados, em razão da óbvia contração da demanda interna acarretada pelo ajuste, essas teses ganharam contornos preocupantes de urgência.
Ora, isso seria um erro gravíssimo. A integração regional absorve mais produtos manufaturados brasileiros que todos os países desenvolvidos somados. A competitividade dos nossos produtos manufaturados em nosso entorno regional está relacionada justamente à união aduaneira. Sem ela, nossos produtos não poderiam competir com bens chineses, norte-americanos, europeus, etc. O mesmo ocorre com os outros vetores da nossa política externa, como a cooperação Sul-Sul e as parcerias estratégicas com países emergentes. Foram esses vetores que nos permitiram expandir nossa participação no comércio mundial, de 0,88%, em 2000, para 1,43%, em 2011, e elevaram substancialmente o protagonismo internacional do Brasil.
É claro que o Brasil, em sua condição de global player, tem de se aproximar mais dos EUA, da União Europeia e qualquer país ou bloco que queria, nesse momento de baixo crescimento do comércio mundial, estreitar seus laços de cooperação conosco. Mas o país tem de fazer isso a partir da posição de relevo e de alto protagonismo que conquistou justamente com esses vetores da política externa ativa e altiva, que nos livrou da antiga dependência e fragilidade dos tempos paleoliberais. Como membro do Mercosul e do BRICS, o Brasil pode muito mais.
A celebração açodada de acordos de livre comércio assimétricos com potências tradicionais, somada a uma desarticulação da integração regional e a um baixo investimento no BRICS e nas demais parcerias estratégicas com países emergentes, acabaria transformando o Brasil num grande México, o país da América Latina, que nos últimos 12 anos, apresentou o menor crescimento do PIB per capita na América Latina, à exceção da Guatemala. O país que tem 51% da sua população abaixo da linha da pobreza.
Na recente viagem de Dilma aos EUA, Obama declarou, em alto e bom som, que seu país considera o Brasil não somente uma potência regional, mas também uma potência mundial. Não foi mera retórica diplomática. Foi constatação da verdade.
Contudo, o Brasil só adquiriu esse status perante os EUA e os demais países do mundo porque fez aposta geoestratégica correta de investir na integração regional, na cooperação Sul-Sul e nas parcerias com os demais BRICS. O Brasil se converteu em grande ator mundial porque, em essência, investiu em seus próprios interesses.
O grande risco do Brasil no atual cenário mundial não vem, portanto, do arrefecimento do ciclo das commodities e da crise internacional, que afeta todo o mundo. Na realidade, o grande risco do país provém de sua situação política interna e da cegueira estratégica de uma elite neocolonial que aposta obtusamente na volta a um passado de dependência e fragilidade.
O centro da política externa brasileira tem de continuar a ser a integração regional a cooperação Sul-Sul e as parcerias estratégicas com emergentes, particularmente com o BRICS, que se tornou, de fato, um novo polo político que contribui para o multilateralismo e uma ordem mundial menos assimétrica. É isso que nos cacifa para termos uma relação mais proveitosa com os EUA. É isso que nos faz potência.
Entretanto, se os interesses retrógrados internos preponderarem, talvez na próxima viagem aos EUA o Brasil não seja saudado nem como potência mundial, nem como potência regional. Seremos, de novo, apenas o quintal.