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sexta-feira, 31 de maio de 2013

PETRÓLEO - Cooperação ou entreguismo?

Cooperação ou entreguismo? A visita do Sr. Joe Biden.

Pravda - 31.05.2013
 


Cooperação ou entreguismo? A visita do Sr. Joe Biden. 18293.jpeg
Em 1947 o presidente Eurico Dutra enviou ao Congresso Nacional o projeto do Estatuto do Petróleo. A proposta presidencial previa a compra de petroleiros e criação de refinarias nacionais.
Wladmir Coelho
A exploração petrolífera, propriamente dita, continuaria liberada às empresas internacionais amparada esta decisão no temor, ou "iminência", de uma guerra entre os Estados Unidos e União Soviética. 
O general Juarez Távora chegou a elaborar uma tese denominada "Segurança Continental". Segundo o general o Brasil deveria garantir o abastecimento de petróleo aos Estados Unidos tendo em vista o papel desta nação na defesa do continente contra os soviéticos.
Deste modo defender a exploração petrolífera nacional através de uma empresa estatal, conforme exigiam amplos setores da sociedade brasileira, seria uma grave ameaça à segurança dos Estados Unidos facilitando, por consequência, a dominação do continente por tropas soviéticas.
Passados 66 anos desde a criação da tese do General Távora encontramos a mesma disposição de nossas autoridades em colaborar com a segurança continental.
A visita do vice-presidente estadunidense, Joe Biden, indica a ressurreição da tese da Guerra Fria. Biden, durante as previas do Partido Democrata, apresentou como principal bandeira de sua candidatura à presidência o tema segurança energética.
Derrotado por Obama nas prévias acabou candidato à vice-presidente. No governo preocupa-se diariamente em garantir os meios necessários para diminuir a dependência petrolífera de seu país do Oriente Médio.
A segurança energética dos Estados Unidos pressupõe o controle de todas as áreas com potencial produtivo incluindo o Ártico e América Latina. No primeiro caso o Sr. Joe Biden - em discurso aos formandos da Guarda Costeira pouco antes de viajar ao Brasil - lembrava do compromisso destes militares na ocupação de áreas anteriormente congeladas afirmando: (...) "Os senhores estão preparados para o futuro do Ártico que inclui operações complicadas que nunca foram exercidas pela Guarda Costeira."
O futuro neste caso significa garantir a segurança e acesso das empresas estadunidenses para a exploração dos recursos minerais incluindo o petróleo. A estratégia para efetivação deste projeto não é novidade. Chegam juntos o canhão e o capital.
No Brasil é retomado o velho discurso da cooperação. Aliás, o tema da visita do vice-presidente dos Estados Unidos é exatamente este. Joe Biden chega ao país para tratar da cooperação energética entre Brasil e EUA.
Podemos entender esta "cooperação" através das palavras do Sr. Paulo Sotero, diretor do Brazil Institute do Wilson Center a respeito dos objetivos da visita do vice-presidente dos EUA: "A cooperação energética é, provavelmente, um fator chave nessa relação tendo em vista que os Estados Unidos buscam superar a dependência do petróleo do Oriente Médio".
Pronto. O Brasil segue fornecedor de matéria prima entregando às empresas de sempre - vide resultado dos leilões - o petróleo necessário a segurança energética dos Estados Unidos.
Os entreguistas vibram: Welcome Mr. Biden!

POLÍTICA - Verdadeira fixação de se ver Zé Dirceu na cadeia.


Para Eliana Calmon, STF não tem coragem de absolver Dirceu


Em nenhum país democrático, em lugar algum onde os direitos fundamentais das pessoas sejam respeitados, se admite que alguém seja submetido a um único julgamento, sem direito a recurso/apelação. Quando alguém é julgado em última instância, é por já ter passado por instância anterior/ inferior na hierarquia da Justiça.


No Brasil, para condenar com toda a pressa, pressa, pressa, cometeu-se a aberração de levar réus da Ação Penal 470 sem direito ao foro privilegiado a serem julgados no STF. Veio então a alegação de que, isso era legal e não feria esse direito básico dos réus, por terem eles direito a apresentar embargos, e até a um novo julgamento quando obtivessem 4 votos pela sua absolvição. Alguns réus obtiveram os tais votos, foram condenados por 5 X 4 numa votação apertada e que evidenciou a divisão do STF.

Isso posto, fica claro que os embargos, são legais, são justos e podem sim mudar o resultado de algumas condenações, o que parece assustar a Ministra Eliana Calmon - ex-CNJ e atual STJ. Em matéria publicada em O Globo - 25/05 - pág. 08 - a Ministra se declara 'cética' quanto à possibilidade de os condenados à prisão no processo do mensalão irem efetivamente para a cadeia. Segundo o jornal, depois dos recursos dos condenados à decisão do plenário do STF, ela considera que a decisão ficou incerta.

É o caso de se perguntar, se de fato tais condenações, tais votos, tais decisões foram justas e acertadas, qual o motivo de agora os recursos terem essa capacidade de mudar o resultado? Ora, venderam a versão de que haviam provas para condenar, e condenar com severidade, mas, parece que não foi bem assim, tanto é que a ministra do STF Eliana Calmon entende que "as coisas ficaram muito "tumultuadas", após os recursos..

A ministra diz que não está sendo fácil para O STF, e que é "um pouco preocupante" o fato de que os recursos sejam apreciados. Termina ainda dizendo que 'será muito decepcionante para a sociedade brasileira, que acreditou muito nele (no STF e no julgamento), dando a entender que, tem que manter a condenação para não desmoralizar o STF e a Justiça.

Decepcionante é ver que existe uma pressão para que, mesmo que se entenda que algumas condenações e tempo de pena devam ou possam ser revistos, autoridades do Judiciário se manifestem preocupadas com fato de que a justiça esteja sendo feita, pelo simples respeitar dos direitos fundamentais de apresentação de recursos.

Se a opinião pública não fosse manipulada pela grande mídia, e se não houvesse essa verdadeira fixação de se ver Dirceu na cadeia, o STF que se deixou levar pelos holofotes, invertendo o ônus da prova e aplicando a teoria do 'só podia saber', não estaria nessa suprema sinuca de bico.


Fonte: Blog do Saraiva

MÍDIA - A torcida do PIG contra o Brasil.



Luciano Martins Costa: Jornalões festejam o “desastre” na economia



JORNALISMO ECONÔMICO

O copo sobre a mesa
Por Luciano Martins Costa em 30/05/2013 na edição 748
Os três principais jornais genéricos de circulação nacional saíram na quinta-feira (30/5) com a mesma manchete, todos eles induzindo o leitor a acreditar que o Brasil se encontra à beira do abismo.
“PIB decepciona, mas BC eleva juros para conter a inflação”, diz o Estado de S.Paulo.
“PIB decepciona, mas BC aumenta juros ainda mais”, ecoa a Folha de S.Paulo.
Numa linguagem mais popular, o Globo anuncia: “Nem Pibinho segura juros, que vão a 8%”.

Em todos eles, o viés é o do desastre iminente.
O ponto de partida para a interpretação catastrofista é mais um resultado frustrante do Produto Interno Bruto, que cresceu 0,6% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2012. O contraponto é a decisão do Banco Central de elevar a taxa de juros em 0,5 ponto porcentual, surpreendendo previsões da maioria dos analistas credenciados pela imprensa, que esperavam uma taxa de 0,25 ponto porcentual.
Mas há algumas interpretações conflitantes e nem todas sustentam o viés catastrofista indicado pelas manchetes. Por exemplo, a melhoria da produtividade da agropecuária fez o setor crescer 9,7% no período, o melhor resultado em cinco anos. O resultado aponta para menos pressão sobre os preços de alimentos nos próximos meses, segundo algumas análises.
As safras dos principais produtos superaram expectativas: a soja, que tem grande peso na cesta da produção rural, tem uma safra 23,3% maior que a do mesmo trimestre de 2012, sem que tenha sido necessário expandir na mesma proporção a área cultivada, o mesmo acontecendo com o arroz e o milho, gerando uma produção recorde de 185 milhões de toneladas de grãos em 2013. A produção de cana deve crescer mais de 100% no período até junho.
Há um claro descompasso entre a interpretação induzida pelas manchetes e algumas reportagens e análises apresentadas internamente pelos jornais. Interessante observar que o viés negativo é mais acentuado nos comentários de jornalistas não especializados, principalmente colunistas que normalmente se dedicam a temas políticos. Em alguns casos, como no da Folha de S.Paulo, o tom chega a ser triunfalista em seu negativismo, como se fosse o caso, em qualquer circunstância, de comemorar as dificuldades da economia nacional.
Festejando o desastre
Esse descompasso fica mais claro quando se lê com atenção as reportagens internas, entre as quais se registra, por exemplo, um aumento de 4,6% nos investimentos totais na economia, no primeiro trimestre deste ano, em relação ao último trimestre de 2012, o que pode apontar a possibilidade de interrupção da série negativa de desempenho da indústria.
Quanto ao PIB, os gráficos que têm como ponto comparativo inicial o ano de 2011, quando houve uma queda acentuada na produção de riqueza, mostram que o ponto mais baixo do “vale” ficou no terceiro trimestre daquele ano, quando o PIB ficou negativo em 0,1%.
Nos gráficos que abrangem um período maior de tempo, o olhar sobre esse indicador mostra o desenho de uma curva segundo a qual a economia brasileira vem se recuperando gradualmente desde meados de 2012, após um período de estagnação no começo daquele ano.
Embora lenta, há uma retomada neste começo de 2013, e as comparações lineares entre o final do ano anterior e os três meses iniciais deste ano não podem ser consideradas a sério se não levarem em conta as variações sazonais do consumo e o costumeiro desaquecimento do primeiro trimestre.
Finalmente, o gráfico comparativo entre as economias de outros países mostra o Brasil no grupo daqueles com melhor resultado, com um desempenho semelhante ao dos Estados Unidos, inferior à evolução da Coreia do Sul e Japão e superior ao crescimento do México, Inglaterra, Alemanha, França e resto da Europa.
Portanto, há muitas maneiras de interpretar os dados disponíveis.
A oscilação do nível de geração de riqueza se deve, em grande parte, ao esfriamento do consumo, que pode ser atribuído a muitas causas, entre as quais se deve incluir o estado ânimo dos consumidores, algumas altas de preços pontuais, os juros e a sazonalidade de alguns produtos que vinham puxando a economia.
Toda interpretação de dados econômicos e sociais é feita a partir de um recorte específico, e os jornalistas sabem, de antemão, que cada analista vai estar olhando apenas uma fatia do bolo. A escolha de manchetes equilibradas ou catastrofistas é uma decisão editorial, que não contempla necessariamente a realidade objetiva.
Não há como fugir à evidência de que, diante de um copo sobre a mesa, a imprensa tem a tendência de enxergá-lo mais vazio do que cheio.
PS do Viomundo: Os jornalões fazem campanha pela alta dos juros. Quando os juros sobem, denunciam.

MÍDIA - Jornal do Brasil denuncia sabotagem da economia.


Jornal do Brasil denuncia sabotagem da economia

publicado em 31 de maio de 2013 às 10:24

CONSPIRAÇÃO CONTRA A PÁTRIA
O Jornal do Brasil mantém a confiança nachefia do estado Democrático
Jornal do Brasil, sugerido por Neide Pacheco
30/05 às 16h15 – Atualizada em 30/05 às 16h29
O mundo inteiro passa por uma crise econômica e social, decorrente da ganância dos banqueiros, que controlam o valor das moedas, o fluxo de crédito, o preço internacional das commodities. Diante deles, os governos se sentem amedrontados, ou cúmplices, conforme o caso e poucos resistem.
A União Europeia desmantela-se: o fim do estado de bem-estar, o corte nos orçamentos sociais, a desconfiança entre os países associados, a indignação dos cidadãos e a incapacidade dos governantes em controlar politicamente a crise, que tem a sua expressão maior no desemprego e na pauperização de povos. Se não forem adotadas medidas corajosas contra os grandes bancos, podemos esperar o caos planetário, que a irresponsabilidade arquiteta.
A China, exposta como modelo de crescimento, é o caso mais desolador de crescente desigualdade social no mundo, com a ostentação de seus bilionários em uma região industrializada e centenas de milhões de pessoas na miséria no resto do país.
Isso sem falar nas condições semiescravas de seus trabalhadores – já denunciadas como sendo inerentes ao “Sistema Asiático de Produção”. Os Estados Unidos, pátria do capitalismo liberal e neoliberal, foram obrigados a intervir pesadamente no mercado financeiro a fim de salvar e reestruturar bancos e agências de seguro, além de evitar a falência da General Motors.
Neste mundo sombrio, o Brasil se destaca com sua política social. Está eliminando, passo a passo , a pobreza absoluta, ampliando a formação universitária de jovens de origem modesta, abrindo novas fronteiras agrícolas e obtendo os menores níveis de desemprego de sua história.
Não obstante esses êxitos nacionais, o governo está sob ataque histérico dos grandes meios político-financeiros. Na falta de motivo, o pretexto agora é a inflação. Ora, todas as fontes demonstram que a inflação do governo anterior a Lula foi muito maior que nos últimos 10 anos.
O Jornal do Brasil, fiel a sua tradição secular, mantém a confiança na chefia do Estado Democrático e denúncia, como de lesa-pátria, porque sabota a economia, a campanha orquestrada contra o Governo – que lembra outros momentos de nossa história, alguns deles com desfecho trágico e o sofrimento de toda a nação.

POLÍTICA - O PT em estado de rebelião.


O PT em estado de rebelião


Carlos Chagas
O bate cabeça entre PT e PMDB vem de muito tempo, mas agora piorou. Entre os companheiros, a maioria sustenta que os aliados devem ser levados a definir-se de imediato: ou ficam e votam com o governo, no Congresso, ou saltam de banda, entregando seus ministérios. O que não dá é para o PMDB ficar exigindo o sacrifício de candidatos do PT aos governos estaduais sem a óbvia correspondência numa série de estados.
Os problemas da presidente Dilma não se limitam ao  mau relacionamento dos dois maiores partidos de sua base. Os reclamos contra o governo avolumam-se no próprio PT, com boa parte de seus parlamentares culpando ministros e a própria presidente pela falta de unidade de comando político. Sendo 2014 ano de eleições gerais, a previsão é de que a temperatura vai subir ainda mais. Os petistas estão percebendo a possibilidade de eleger menores bancadas que as atuais, caso não disponham de um entrosamento perfeito com o palácio do  Planalto.
Indaga-se da possibilidade de um refluxo da crise, duvidando-se de que  o ex-presidente Lula disponha de condições para dar ordem unida no seu partido. No caso, apenas a presidente Dilma seria capaz de restabelecer a paz, na hipótese de arregaçar as mangas e dedicar-se a aparar as arestas. Como?
Primeiro dispensando a ministra da Coordenação Política, Ideli Salvatti. Depois, limitando a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a tratar de assuntos administrativos, sem ingerência nos assuntos políticos. Em seguida, pedindo às suas bancadas  a indicação de um nome para exercer ao mesmo tempo o ministério da Coordenação Política e a liderança na Câmara, em  linha direta com a presidente.
A pergunta é se Dilma estaria  disposta a  dividir seu tempo entre a administração e a política. Parece que não. Nunca foi de seu estilo receber e dialogar com deputados e senadores, enfrentando pedidos e reivindicações de toda ordem. Por isso estimula  a intermediação das duas ministras.

ECONOMIA - O "CORPUS CHRISTI" DO BANCO CENTRAL.


Por Fernando Brito

“O papa Urbano IV, no século 13, percebeu a necessidade de incorporar o sentido milagroso nos objetos reais e, por isso, criou o dia de Corpus Christi, para que o pão e o vinho usados na Eucaristia fossem reconhecidos como o corpo e o sangue de Jesus.

Numa metáfora profana, bem que se podia dizer que a decisão – decisão ou concessão? – do Banco Central, na noite de quarta-feira, de elevar os juros, foi uma espécie de corpus christi da nossa política econômica.

Uma reafirmação de nossa crença de que “o mercado financeiro reina sobre todas as coisas” na economia e em seu nome é necessário sacrificar o povo brasileiro e as aspirações do país a se desenvolver.

Porque só como simbolismo sectário se pode receber o que, além de contrariar o bom-senso, vai de encontro até mesmo das regras mais ortodoxas de política econômica.

Não há, em nenhum dos manuais ortodoxos de política econômica, qualquer caso em que se responda a uma baixo crescimento, a um quadro recessivo e a uma queda no consumo com elevação de juros.

Poder-se-ia argumentar que há um quadro de alta da inflação. Mas como, se a taxa acumulada em setembro de 2011, quando o BC contrariou o mercado e iniciou a baixa dos juros públicos era de 7,2% em 12 meses, então a maior dos últimos seis anos.

Agora, é de 6,4%, dentro e não acima, como então, da meta traçada pela própria instituição.

O resultado modestíssimo da expansão do PIB – com destaque para a redução brutal do crescimento do consumo das famílias – indicaria, no mínimo, a persistência de uma taxa que, pelos padrões mundiais, ainda é altíssima. Idem a baixa perspectiva da economia mundial. Até o Federal Reserve, um templo da ortodoxia, é cauteloso e não se mexeu mesmo ante sinais positivos na economia dos EUA, a única, entre os países desenvolvidos, além da Alemanha, que dá mostras de recuperação.

E mais: a China, principal parceiro comercial do Brasil, hoje, apresenta uma consistente redução no ritmo de crescimento de sua atividade econômica, embora este continue seguindo em números elevados.

O que o Banco Central fezquarta-feira, ao elevar a taxa de juros, foi, portanto, antes de tudo, um ato de fé e submissão ao mercado financeiro.

Consagrou os juros como objeto sagrado, que deve ser adorado e o único capaz de salvar nossa economia.

Mas os juros não são pão e vinho. Não salvam, matam o crescimento econômico, este sim, capaz de mudar permanentemente a realidade brasileira.

Não podia ser mais bem definido que o foi pelo economista Paulo Nogueira Batista Jr, uma das poucas cabeças que sobrevivem lúcidas em meio ao credo neoliberal:

“Políticas sociais, de cunho distributivo, são indispensáveis. Muito pode ser alcançado em desenvolvimento social com políticas desse cunho, como mostra a experiência brasileira nos últimos dez anos. Mas não se pode ter ilusões: no longo prazo, o que realmente faz diferença é o crescimento. E crescimento de longo prazo implica aumento do investimento e da produtividade.

Com crescimento medíocre tudo fica mais complicado. Sofre a geração de empregos e renda. O ajustamento das contas públicas se torna mais difícil. Os conflitos se intensificam. O horizonte se estreita.

O crescimento não é solução para tudo, mas sem crescimento não há solução para nada.”


FONTE: escrito por Fernando Brito em seu blog “Tijolaço”

DO PGR PARA O LIXO DA HISTÓRIA.

Esse Toffoli também poderia ir junto.

Roberto Gurgel poderá sair da PGR direto para o lixo da história

Leandro Fortes, Carta Capital
Mudança suspeita

Às vésperas da aposentadoria, Roberto Gurgel, em parceria com a mulher, altera de forma inexplicável um parecer e aceita acusações falsas contra o deputado Protógenes Queiroz

Em boa medida, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, caminhava para uma aposentadoria tranquila. Desde a sua recondução ao cargo, em 2011, havia se tornado símbolo de um moralismo seletivo e, por consequência, ídolo da mídia. O desempenho no julgamento do “mensalão” petista o blindou de variados lapsos e tropeços, digamos assim, entre eles o arquivamento das denúncias contra o senador goiano Demóstenes Torres, dileto serviçal do bicheiro Carlos Cachoeira, como viria a demonstrar a Operação Monte Carlo.

A três meses de se aposentar, Gurgel decidiu, porém, unir-se à frente de apoio ao banqueiro Daniel Dantas. E corre o risco de se dar muito mal. Em uma decisão inusual no Ministério Público Federal, ele e sua mulher, a subprocuradora-geral da República Claudia Sampaio, alteraram totalmente um parecer redigido por eles mesmos um ano e três meses antes. Não é só a simples mudança de posição a despertar dúvidas no episódio. Há uma diferença considerável entre os estilos do primeiro e do segundo texto. E são totalmente distintas a primeira e a segunda assinatura da subprocuradora-geral nos pareceres.

O alvo principal da ação é o deputado federal Protógenes Queiroz, delegado federal responsável pela Operação Satiagraha, investigação que levou à condenação em primeira instância de Dantas a dez anos de prisão. Há duas semanas, Gurgel e Claudia Sampaio solicitaram a José Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, o prosseguimento de um inquérito contra o parlamentar que a própria dupla havia recomendado o arquivamento. Pior: basearam sua nova opinião em informações falsas provavelmente enxertadas no processo a pedido de um advogado do banqueiro, o influente ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira.

É interessante entender a reviravolta do casal de procuradores. Em 20 de outubro de 2011, documento assinado pela dupla foi enviado ao STF para tratar de questões pendentes do Inquérito nº 3.152, instaurado pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A ação contra Queiroz, iniciada pelo notório juiz Ali Mazloum, referia-se a pedidos de quebra de sigilo telefônico do então delegado federal, de Luís Roberto Demarco, desafeto de Dantas, e do jornalista Paulo Henrique Amorim, alvo de inúmeros processos judiciais do dono do Opportunity. O parecer foi encaminhado ao Supremo por causa do foro privilegiado assegurado ao delegado após sua eleição a deputado federal em 2010.

Nesse primeiro texto, Gurgel e Claudia Sampaio anotam: “O Ministério Público requereu a declaração de incompetência do citado juízo para processo e julgamento do feito (...); a declaração de nulidade da prova colhida de ofício pelo magistrado na fase pré-processual, bem como o desentranhamento e inutilização”.

O segundo parecer é completamente diferente. Em 12 de março deste ano, o casal solicita a Toffoli vistas dos autos. Alegam, no documento, que um representante de Dantas os procurou “diretamente” na PGR com “documentos novos”. O representante era Junqueira, e os “documentos novos”, informações sobre uma suposta apreensão de dinheiro na casa de Queiroz e dados acerca de bens patrimoniais do delegado. Tudo falso ou maldosamente distorcido.

Apenas seis dias depois, em 18 de março, Gurgel e sua mulher encaminharam a Toffoli outro documento. Tratava-se do encadeamento minucioso de todas as demandas de Dantas transcritas para o papel, ao que parece, pelo casal de procuradores. Ao que parece, pois o estilo do segundo texto destoa de forma inegável da redação do primeiro. Em 11 páginas nas quais consideram “fatos novos trazidos pela defesa de Daniel Dantas”, o procurador-geral e a esposa afirmam ter cometido um equívoco ao solicitar o arquivamento do inquérito em 2011.

O novo parecer acolhe velhas teses de Dantas para explicar seus crimes. Segundo o banqueiro, a Satiagraha foi uma operação montada por desafetos e concorrentes interessados em tirá-lo do mercado de telefonia do Brasil. O Opportunity era um dos acionistas da Brasil Telecom e há quase uma década vivia em litígio com os demais sócios, a Telecom Italia e os maiores fundos de pensão do País.

A mentira incluída pelos procuradores no pedido de reabertura do caso diz respeito à apreensão de 280 mil reais em dinheiro na casa de Queiroz durante uma busca e apreensão determinada pela 7ª Vara Federal de São Paulo em 2010. Segundo Gurgel e Claudia Sampaio, “haveria registro até mesmo de conta no exterior”, e insinuam, com base em “indícios amplamente noticiados na imprensa”, que o deputado do PCdoB teria um patrimônio “absolutamente incompatível” com as rendas de funcionário público. Citam, na lista de suspeitas, dois imóveis doados ao hoje parlamentar por um delegado aposentado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, José Zelman.

“É incrível, mas o procurador-geral da República plantou provas falsas em um processo do STF a pedido do banqueiro bandido Daniel Dantas”, afirma Queiroz. E Toffoli não só acatou o pedido da Procuradoria Geral como, na sequência, autorizou a quebra do sigilo bancário do deputado e o sigilo telefônico de Demarco. Postas sob segredo de Justiça, as medidas tomadas pelo ministro do STF só foram informadas ao deputado há 15 dias. Sua primeira providência foi exigir do STF uma certidão dos autos de apreensão e busca citados pelo Ministério Público. O parlamentar foi à sala de Toffoli. Recebido pela chefe de gabinete Daiane Lira, saiu de mãos vazias.

Queiroz solicitou a mesma certidão a Mazloum, que o condenou em 2010 a três anos de prisão por vazamentos de informações da Satiagraha. Uma fonte acima de qualquer suspeita, portanto. Segundo o parecer enviado a Toffoli por Gurgel e senhora, Mazloum ordenara a busca que resultou na apreensão dos tais 280 mil reais. O juiz enviou a certidão ao STF, mas não sem antes declarar publicamente a inexistência de qualquer apreensão de dinheiro na residência do delegado. “Isso é fantasia. Em nenhum momento apareceu qualquer apreensão de dinheiro. Acho grave uma acusação baseada em informações falsas”, afirmou o juiz na quarta-feira 29 ao blog do jornalista Luis Nassif.

O deputado encaminhou uma representação contra o procurador-geral no Conselho Nacional do Ministério Público. Na queixa, anexou diversas informações, entre elas escrituras de seus imóveis. Os documentos provam que seu patrimônio atual foi erguido na década de 1990, quando atuava como advogado e antes de ingressar na Polícia Federal. Zelman, padrinho de batismo de Queiroz, doou ao afilhado dois imóveis em 2006, bem antes da Satiagraha, portanto.

Os procuradores também miraram em Demarco, ex-sócio do Opportunity que travou uma longa batalha judicial contra Dantas.

Com base em notícias publicadas pelo site Consultor Jurídico, de propriedade de Márcio Chaer, dono de uma assessoria de imprensa e um grande amigo do ministro Gilmar Mendes, Gurgel e Claudia Sampaio voltam a uma espécie de bode na sala, um artifício batido recorrentemente evocado pelos advogados do banqueiro: a investigação em Milão de crimes de espionagem cometidos por dirigentes da Telecom Italia. A tese de Dantas, sem respaldo na verdade, diga-se, é que os italianos financiavam seus desafetos no Brasil, inclusive aqueles infiltrados no governo federal e na polícia, para persegui-lo.

Procurado por CartaCapital, Demarco preferiu não comentar o caso, mas repassou três certidões da Procuradoria da República de Milão que informam não existir nenhum tipo de investigação contra ele em território italiano.

Dantas costumava alardear, segundo o conteúdo de escutas telefônicas da Operação Satiagraha, que pouco se importava com decisões de juízes de primeira instância por ter “facilidades” nos tribunais superiores. De fato, logo após ser preso e algemado por Queiroz em 2008, conseguiu dois habeas corpus concedidos pelo ministro Gilmar Mendes em menos de 48 horas. Um recorde. As motivações de Toffoli ao atender o pedido de Gurgel e Claudia Sampaio sem checar a veracidade das informações continuam um mistério. A assessoria do ministro informou que ele não vai se manifestar sobre o assunto por se tratar de processo sob segredo de Justiça.


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ECONOMIA - A atualidade dos textos de Marx



Do O Diário.info

Marxismo, uma filosofia da praxis para a revolução

Jean Salem*

Nos nossos dias a atmosfera de mercantilização generalizada dos objectos e dos seres humanos facilita-nos mais uma vez a compreensão imediata do texto do Manifesto. Definitivamente, há muitas coisas que poderemos encontrar em Marx adaptando-as, claro está, à nossa própria época. Por isso é que o marxismo se mantém, como filosofia, inultrapassável do nosso tempo.
Marx, mais actual que nunca
1. Marx não é apenas um «clássico» do pensamento filosófico. Estou convencido que Marx é hoje mais contemporâneo para nós do que era há trinta ou quarenta anos! Tomemos, por exemplo, o Manifesto do Partido Comunista. Lembro-me de, quando o lia pela primeira vez, ir perguntar ao meu pai: que significa essa «concorrência» entre operários que os autores falam em várias ocasiões? A concorrência entre capitalistas, a concorrência mesmo no seio da burguesia, isso era na verdade evidente; mas a possibilidade de que existisse uma concorrência entre trabalhadores não parecia tão evidente, numa época em que os sindicatos eram fortes, em que a classe operária estava poderosamente organizada, numa época de pleno emprego (ou quase) e de políticas «keynesianas». Hoje em dia, pelo contrário, qualquer pessoa remetida para empregos cada vez mais precários e menos frequentes compreenderia isto desde a primeira leitura: efectivamente, o sistema repete-lhe constantemente «se não estás contente, e mais ainda se protestares, há mais dez que estão dispostos a ocupar o teu lugar!». Penso também naquele trecho em que Marx e Engels falam da prostituição, na altura muito alargada entre a classe operária inglesa: não era um fenómeno de massas na década de 1960. Mas, nos nossos dias, depois da grande «libertação» de 1989-1991, há mais de 4 milhões de mulheres que foram – literalmente – vendidas: e esta atmosfera de mercantilização generalizada dos objectos e dos seres humanos, a nossa, facilita-nos, mais uma vez a compreensão imediata do texto do Manifesto. Definitivamente, há muitas coisas que poderemos encontrar em Marx adaptando-as, claro está, à nossa própria época. Por isso é que continuo a acreditar que o marxismo se mantém, como filosofia, inultrapassável do nosso tempo.
Em primeiro lugar não se pode falar, a não ser por graça, de desaparecimento da classe operária, visto que a China e a Índia, que têm quase metade da população humana, se converteram nas duas principais manufactureiras do mundo que alimentam o comércio mundial. Além disso, subsistem alguns operários ainda noutros lugares, não acham? Isto, sem contar com todos esses imigrantes que trabalham na Europa ou nos Estados Unidos, amiúde clandestinamente e, mais amiúde ainda, invisíveis ou quase. Isto parece-me dificilmente contestável… Na realidade, estas considerações relativas à pretensa extinção da classe operária parecem-me euro – ou «ocidental»-centrica. Em grande parte nascem sobre o húmus da antiga exploração colonial; germinam num mundo em que a classe operária ocidental pôde e pode continuar (ainda que em menor medida) a beneficiar, embora mais exiguamente, de migalhas provenientes da pilhagem de países pobres. Noutros tempos esta realidade contribuiu para prevenir a explosão de uma verdadeira revolução na Europa, e as estruturas capitalistas puderam assim manter-se, embora muito contestadas por correntes políticas poderosamente organizadas. Desindustrializai à toa; devastai regiões inteiras fechando os locais de produção em que antes se concentravam muito visivelmente operários qualificados. Não apanheis nunca o metro antes das 7H30 da manhã; olhai fixamente para a televisão, que não vos dá quase nunca a palavra; e sobretudo, não viajeis: tereis então suficientes razões para não ver a classe operária e até mesmo para imaginar que está morta…
Para isso, e em muitas ocasiões como foi o caso de 1981, a social-democracia serviu de «salva-vidas» do sistema e de amortecedor extremamente eficaz para deitar por terra qualquer tentativa de alteração social. Mas a crise está aí. Aí mesmo. Rir-se-iam na nossa cara se na década de 1960 algum de nós tivesse o atrevimento de defender a tese da pauperização absoluta da classe operária nos países capitalistas desenvolvidos: então, nos EUA uma família operária podia, sem dificuldades de maior, ter dois carros… Daí para cá não acabámos de acordar das ilusões de um passado muito recente (o da época que o pensamento único decidiu baptizar de «Os Trinta Gloriosos Anos»). Estamos confrontados com um mundo preenchido de insuportáveis desequilíbrios, um mundo em que o poder aquisitivo dos que trabalham (e dos que estão impedidos de o fazer) se reduz à sua expressão mais simples.
Em suma, apesar da destruição da escola pública, da saúde pública, de tudo aquilo que foi conquistado graças à luta, subsistem ainda, sem margem para dúvidas, possibilidades de concentrações, de alianças, não só de operários franceses e operários italianos, europeus, mas também de operários europeus e trabalhadores «extracomunitários», como acontece no vosso país. Todos têm, fundamentalmente, interesses convergentes, sejam quais forem as diferenças existentes entre os seus percursos, as suas crenças privadas, os seus ritos, os seus hábitos alimentares. Sejam quais forem os mexericos do fascismo vindouro, ou que poderá, pelo menos, voltar. Toda aquela gente é, com efeito, mercadoria humana. Uma mercadoria cada dia tratada com menos consideração.
A crise
2. Não é segredo para ninguém: o sentimento de declínio invadiu a maior parte da Europa. Nos nossos países evoca-se hoje incessantemente, com uma nostalgia não desprovida de amnésia, os «30 gloriosos» (que não eram gloriosos para toda a gente!), isto é, os 30 anos de expansão económica, de pleno emprego e de crescimento industrial que se seguiram ao fim da segunda guerra mundial. Até ao fim da década de 1970, inclusive aos olhos de muitos comunistas, a ideia de que nos países da OCDE a classe operária pudesse um dia empobrecer parecia uma ilusão. O capitalismo ocidental parecia destinado a puxar indefinidamente para «cima» o conjunto das rendas.
Com a crise surgida em 1973, estas utopias começaram a perder todo o crédito. Dezenas de milhares de pessoas começaram a dormir nas ruas. O desemprego começou a respeitar a mais de 26 milhões de pessoas na Europa: na Grécia, na Irlanda ou em Portugal a história repete-se e verdadeiros fluxos migratórios começam a formar-se em direcção ao Canadá ou à Austrália. Por falta de meios, os sectores públicos deterioram-se: os transportes urbanos, mas também o sector da saúde, o da educação, etc.. Os salários são cortados, comprimidos, ao ponto de quase um francês em cada seis viver actualmente sobre a «linha de pobreza». As camadas médias estão confrontadas com dificuldades que, há 20 anos, pareciam impensáveis. Em resumo, a afirmação do jovem Engels segundo a qual a sociedade capitalista tende a dividir o mundo em milionários e pobres (…bis die Welt in Millionäre und Paupers geteilt ist) [1] não poderá surpreender ninguém.
Do ponto de vista ideológico é preciso constatar que, como noutras épocas de crise, a mobilização dos trabalhadores (ou dos não trabalhadores!) em luta pela sua sobrevivência económica e social depara com redobradas dificuldades. O fim da União Soviética e a forma como esta foi apresentada pela propaganda oficial formataram muitos dos que tinham 15 ou 20 anos em 1968 nas suas viagens e na sua adesão, mais ou menos total, ao sistema vigente. O oportunismo afluiu aos partidos comunistas oeste-europeus que pareciam considerar como dados intangíveis o estado da muito relativa «democracia» e da ainda mais relativa prosperidade que prevalecia ainda na Europa até à década de 80, mesmo quando esta prosperidade começava a marcar passo, e esta «democracia» estava prestes a ser sistematicamente destroçada (votações espezinhadas, guerra permanente contra as liberdades públicas e os direitos sindicais, crescimento exponencial das medidas de controlo social e da confusão burocrática neoliberal, etc.).
E é assim que a Europa, em meados dos anos 1980, pôde contar com 17 governos conduzidos por social-democratas, com os resultados que se conhecem: financeirização da economia em demasia, crescente descomprometimento do Estado salvo no que respeita à «vigilância nocturna» (exército, polícia) perfeita confusão entre da «direita» e «esquerda», que se revezam desde esta época na imposição aos povos de um plano de austeridade após outro (lembremos a propósito o que disse um dia Gianni Agnelli, o patrão da FIAT: «quando as coisas se complicam a tal ponto, a esquerda faz melhor o trabalho que a direita»). Tal como em França onde no espaço de trinta anos, a parte da riqueza produzida que passou da remuneração do trabalho, isto é dos salários, para a remuneração do capital, isto é, sobretudo dividendos, corresponde a 10 pontos do Produto Interno Bruto (PIB)…
O nosso seminário “Marx no século XXI” (na Sorbonne)
3. Foi neste contexto em que as actuais lutas operárias são, infelizmente e por enquanto, essencialmente defensivas, neste clima de anticomunismo generalizado com um perfume de pré-guerra, que lançámos em 2005 com alguns colegas um seminário semanal chamado «Marx no século XXI». Na Sorbonne. Para mostrar, ali, a presença do marxismo que alguns diziam estar «morto» desde há muito tempo. Por vezes este seminário junta 200 pessoas, nunca menos de 100. Vinde ver! Tomai nota deste endereço: http://chspm.univ-paris1.fr/spip.php?article271.
Aí vereis que filmámos mais de 150 comunicações feitas por quase outros tantas/os convidadas/os. Dezenas de milhares de pessoas acompanham semanalmente na internet as nossas conferências e outras jornadas de estudo.
Guardadas as distâncias (!), a ideia que presidiu ao lançamento deste seminário foi um pouco análoga à que, noutros tempos, levou Lenine a fundar o seu jornal Iskra, um jornal destinado, dizia, a reunir, a federar mil energias até então dispersas na Rússia dos czares. Para nós, tratava-se de convidar, uma após outra, todas aquelas e todos aqueles que, até aqui, trabalhavam ou julgavam trabalhar «no seu recanto», isoladamente, nas condições actuais de pesquisa em França e fora: pois em França particularmente as pesquisas marxistas foram marginalizadas desde há muito tempo, quando não foram mesmo censuradas.
É claro que a vinda de Domenico Losurdo, Enrique Dussel, David Harvey ou de George Labica, André Tossel, Daniel Bensaïd, Michael Löwy, Slavoj Zizek, etc., constituíram grandes momentos do seminário! E é também claro que, do ponto de vista político, sentimo-nos muito próximos de pessoas como Losurdo ou Labica (este último infelizmente já desaparecido). Quanto a alguns outros dos nossas/os amigas/os e convidadas/os, pesar da estima que tenho por eles, tenho vários desacordos com eles, particularmente no que respeita à sua maneira de abordar a questão do muito necessário balanço da experiência do «socialismo real».
Dito de outra maneira, vemo-nos reduzidos neste momento a adaptar-nos ao que Immanuel Wallerstein chamou os «mil marxismos»: aí está o efeito de uma situação tão apaixonante como inquietante, de uma situação que é a nossa, e que se caracteriza, como dizem, por uma cruel falta de organização revolucionária na Europa, no momento em que o sistema vacila nas suas bases.
O trabalho humano e o sistema do dinheiro
4. Como não é possível falar de tudo, falarei agora do jovem Marx, o que não significa (acaso será útil que o precise?) que esqueça o Manifesto do Partido Comunista ou o Capital! Começarei por lembrar um belo texto de Cícero (Dos Deveres, II, IV, 14-15) que me parece, além dos séculos, susceptível de esclarecer o presente trecho: «Pensa ainda nos aquedutos, no desvio dos cursos de água, na irrigação dos campos, nos diques contra as inundações, nos portos construídos pelas nossas mãos; como seria possível isso tudo sem o trabalho dos homens? Através destes exemplos, entre muitos outros, fica claro que o benefício e a utilidade que retiramos de coisas inanimadas não poderiam ser alcançados de nenhum outro modo, a não ser pelos braços e o trabalho dos homens. Quanto aos benefícios e as vantagens que obtemos dos animais, como poderíamos obtê-los se os homens não viessem ajudar-nos? Uma vez que os primeiros que descobriram o jeito de empregar cada espécie de animais foram certamente os homens; desde essa época, não poderíamos sem o trabalho dos homens nem apascentar os animais, nem domesticá-los nem abrigá-los, nem tirar proveito útil, nem especialmente exterminar os animais daninhos, nem apropriar aqueles que podem servir para nosso uso. […] É só por isso que a civilização humana se distingue da maneira de viver dos animais».
Então, para o jovem Marx, para o Marx dos Manuscritos de 1844, a via de acesso ao estudo do trabalho é a análise dos sintomas da sua perversão. Para Marx trata-se de descrever a alienação nas suas formas ideológicas para regressar às suas formas concretas, à sua origem: àquilo que se chama o trabalho alienado.
A alienação económica é claramente designada, em 1844 como a da vida real. A miséria resulta da essência do trabalho actual. Do mesmo modo que noutro tempo se opuseram amo e escravo, mais tarde patrício e plebeu, depois soberano e vassalo, vemos hoje oporem-se o que não trabalha e o trabalhador, escrevera Gans, um professor hegeliano a cujos cursos Marx assistira em Berlim (reconhece-se aqui uma frase que se encontrará no Manifesto). Assim, o que se opõe à emancipação da humanidade é a desigualdade social que levanta os homens uns contra os outros.
A realidade é esta: se é bem verdade que o trabalho produz maravilhas para os ricos, ele é a miséria para o operário. Adam Smith, o fundador da economia política clássica, afirma que, na origem, «o produto inteiro do trabalho pertence ao operário» [1]. Mas reconhece ao mesmo tempo que é a parte mais pequena e estritamente indispensável que lhe cabe. A economia política burguesa explica assim ao mesmo tempo que tudo se compra com o trabalho, e que os proletários estão obrigados a venderem-se todos os dias. Por um mesmo movimento do pensamento proporcionaram-se os meios para não reconhecer a alienação do trabalho. A sua objectividade de fachada ratifica, consagra a alienação dos homens. Não se preocupa com a vida do homem, e é essa a sua infâmia.
Quando considera o proletário somente como um operário, quando vê no homem apenas uma máquina de consumir e produzir, um «burro de carga», quando considera a vida humana como um capital, quando abandona o homem no tempo em que o médico não trabalha, o juiz e o coveiro e o preboste de mendigos, dizem ao operário: se por acaso não tiveres trabalho, portanto nem salário – como não existes para mim como homem mas apenas como operário, podes morrer de fome e ser enterrado. A categoria de salário assume assim para o economista a de mínimo vital para o operário e a sua família, - mínimo para que a raça dos operários não desapareça. E esta é indiferença dos teóricos a respeito dos homens encontra uma simbologia perfeita no modelo da lotaria proposto por Smith: «Numa lotaria perfeitamente igual, os que tiram os bilhetes premiados devem ganhar tudo o que perdem os que tiram os bilhetes sem prémio. Numa profissão em que vinte fracassam por cada uma que tem sucesso, este último tem de ganhar tudo o que poderia ter sido ganho pelos vinte que fracassaram» (that one ought to gain all that should have been gained by the unsuccessful twenty) [2]. E o reino do dinheiro manifesta-se, evidentemente, pela proliferação anárquica das necessidades, sem qualquer relação com as exigências naturais do homem.
Então, se o trabalho só aparece no discurso dos economistas sob a forma da actividade que proporciona um ganho, isso quer dizer que o operário no «estádio da economia» (é assim que Marx chama então ao capitalismo), já não pode ter mais actividade do que para adquirir os meios de subsistir. Por isso, o objecto do trabalho é indiferente para o operário, pois este vê-se espoliado por outro homem, pelo capitalismo que o domina como deus domina o seu servidor, no preciso momento em que os milagres dos deuses se tornam supérfluos devido ao trabalho humano. O que conta para o trabalhador é quase exclusivamente a remuneração em dinheiro que o capitalista aceitará dar-lhe depois da operação de produção.
E a alienação do objecto do trabalho (o facto de ter que o ceder a um outro) mais não é do que o resumo da alienação, do desapossamento na actividade de trabalho própria. O operário, ao depender cada vez mais de um trabalho penoso unilateral, mecânico, somente trabalha para manter a sua vida, debilita-se com esse trabalho, que perdeu para ele a aparência de manifestação de si-próprio. Todo o seu penoso trabalho é exterior, estranho ao operário, já que não realiza a sua essência, mas pelo contrário encontra nele a sua negação. Definitivamente, o trabalho deveria ser gozo da vida, prazer e o operário não se sente bem com ele próprio mais do que fora do trabalho.
A necessidade social e a necessidade humana não têm mais nada de comum, o individuo é, em terceiro lugar, totalmente separado do que Marx, depois de Feuerbach, chama a vida genérica, o género (die Gattung). Algo assim como a «essência» do homem. Marx abandonará mais tarde esta categoria, no fim de contas muito abstracta. Mas o essencial do que afirma ainda é actual: o trabalho lucrativo aliena, destrói a natureza do homem, isto é, o seu ser-sociável. O trabalho, a vida foram conduzidos a um mero meio de sobrevivência. A «essência» do homem tornou-se assim o meio da sua existência.
A indústria constitui o «livro aberto» das forças humanas essenciais. Quase não encontramos hoje objectos puramente naturais: a actividade humana é «a base de todo o mundo sensível tal e como existe nos nossos dias [3]. E no entanto, como se tornou alheio ao produto do seu trabalho, para a actividade vital e para o ser genérico, o homem tornou-se estranho para o outro homem. O outro é um poder hostil ou, no máximo, um objecto que se pode utilizar para satisfazer interesses egoístas. O capitalismo leva assim até o fim o que Marx chamará mais tarde no Capital a reificação das relações sociais, isto é, a dominação da matéria inerte sobre os homens. Leva ao paroxismo o que Georgy Lukács chamará ainda mais claramente, em História e consciência de classe (1923) a «dominação da economia sobre a sociedade».
Por isso, depois de indicar desde 1843, as insuficiências do que se chamava o «partido político histórico», Marx nesses manuscritos redigidos em 1844, parece abraçar a ideia de que «não é a crítica, mas o proletariado a força motriz da revolução». Esta ideia, o Manifesto, tal como toda a actividade prática, dar-lhe-ão vida, fá-la-ão passar aos factos.
Lenine, depois de Marx
5. Como sabeis, Marx declara na 11ª das suas Teses sobre Feuerbach que até àquele momento os filósofos não fizeram mais do que interpretar o mundo, mas que a partir desse momento trata-se de o transformar. Na sua própria biografia, podemos ver que colaborou na Gazeta Renana, proibida em 1843. Viu-se então obrigado a exilar-se em Paris. Em 1845 foi expulso de França a petição de Humboldt, o embaixador da Prússia, e vai então para Bruxelas. A seguir, depois do sismo das revoluções de 1848, a reacção triunfa em toda a Europa. De Junho a Agosto de 1849, Marx tem de se refugiar de novo em Paris (de onde é de novo expulso), e depois em Londres, onde ficará quase todo o tempo. Conheceu grandes dificuldades materiais, uma miséria extrema, a ponto de a sua mulher e ele perderem quatro dos seus sete filhos. Definitivamente, Marx teve a vida de um militante revolucionário, de um homem comprometido, assediado, e não a de um filósofo de gabinete. Foi também em Londres que em 28 de Setembro de 1864 participou na fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores; e é em nome do Conselho Geral desta 1ª Internacional que redigirá, em 1871, três «discursos» em que exalta a obra dos communards parisienses e analisa as causas da sua derrota. («sabes, escreve em Junho ao seu amigo Kugelmann, que durante o tempo todo da última revolução parisiense fui denunciado como o grande chefe da Internacional pelos papéis de Versalhes e pela repercussão entre os jornalistas daqui. […] E agora, além disso, o Discurso […] Provoca um ruído infernal e tenho a honra neste momento, de ser o homem mais caluniado e mais ameaçado de Londres»).
As seis teses que resumem o essencial daquilo que Lenine disse mais tarde a respeito da ideia de revolução, e também da acção própria que Lenine conduziu na Rússia no início do século passado, parecem assim, muito logicamente, prolongar a postura e a inspiração fundamental de Marx. Para acabar permitam-me referir uma vez mais estas seis teses:
As seis teses que para mim resumem o essencial daquilo que Lenine disse, mais tarde, a respeito da ideia de revolução, e também da própria acção que Lenine leva avante na Rússia no início do século passado, parecem assim prolongar muito logicamente a postura e a inspiração fundamental de Marx. Para acabar, permiti-me referir, mais uma vez, estas seis teses:
1) A revolução é uma guerra. Lenine compara a política com a arte militar e sublinha a necessidade da existência de partidos revolucionários organizados disciplinados, pois um partido não é um clube de reflexão (dirigentes do Partido Socialista: obrigado pelo espectáculo!).
2) Para Lenine, tal como para Marx uma revolução política é também, e sobretudo, social, isto é uma mudança na situação das classes em que a sociedade se divide. Isto significa que é sempre conveniente perguntar qual a natureza real do Estado, da «República». Assim, a crise do Outono de 2008 mostrou, com evidência, como nas metrópoles do capitalismo o Estado e o dinheiro público podem estar ao serviço dos interesses dos bancos e de um punhado de privilegiados. Dito de outro modo, o Estado não está, em absoluto, acima das classes.
3) Uma revolução faz-se de uma série de batalhas, e cabe ao partido de vanguarda, em cada etapa da luta, escolher a palavra de ordem adaptada à situação e às possibilidades. Sem isso, o movimento esgota-se e desanimam os que esperaram em vão que se lhes indicasse a natureza precisa dos objectivos a atingir e o sentido geral da marcha…
4) Os grandes problemas da vida dos povos sempre se resolveram pela força, também sublinha Lenine. «Força» não significa, longe disso, violência aberta ou repressão sangrenta contra os outros! Quando milhões de pessoas decidem convergir num lugar, por exemplo na Praça Tarr no centro do Cairo, e fazem saber que nada os fará recuar frente a um poder detestado, estamos já, e em pleno, no registo da força. Segundo Lenine, trata-se de atacar as ilusões de um certo cretinismo parlamentar ou eleitoral que conduz, por exemplo, á situação em que estamos agora: uma «esquerda» concentrada quase exclusivamente nos prazos de que uma imensa massa de cidadãos não espera, e com razão…, quase nada.
5) Os revolucionários não devem desprezar a luta pelas reformas. Lenine estava consciente de que em determinados momentos uma dada reforma pode representar uma concessão temporária, ou mesmo um rebuçado, concedido pela classe dominante para melhor adormecer os que resistem. No entanto, considera que uma reforma constitui uma base nova para a luta revolucionária.
6) Depois do início do século XX, a política começa onde estão os milhões ou mesmo dezenas de milhões de homens. Ao formular esta sexta tese Lenine pressente que os lares da revolução tendiam a deslocar-se cada vez mais para os países dominados, coloniais ou semicoloniais. De facto, desde revolução chinesa de 1949 até ao período das independências, na década de 60 do século passado, a História confirmou plenamente este clarividente prognóstico.
Definitivamente, há que ler Lenine, depois do dilúvio e do fim do «socialismo real». Lê-lo e relê-lo. Há que ler Marx. Ou relê-lo. Há que estudar os seus escritos sempre tão actuais. Para preparar o futuro.
Notas:
[1] SMITH (A.), Recherches sur la nature et les causes de la richesse des nations [1776], I, VIII ; trad. G. Garnier [revue par A. Blanqui], Paris, GF Flammarion, 1991, t. I, p. 135.
[2] Ibid., I, X, 1ª secção : “Des inégalités qui procédent de la nature même des emplois” ; ob. cit., t. I, p. 180.a Ideologia alemã.

Compostela, Galiza, 20 de Abril de
[3] Marx e Engels escreveram isto em 1845 n 2013


ECONOMIA - Conhecendo o método marxista.

Conhecendo o Método Marxista

Por ANTONIO ATEU
 
O Professor José Paulo Netto ministrou, em 2002, o Curso O Método em Marx na pós-graduação em Serviço Social da UFPE. O Curso foi gravado originalmente em Fitas VHS. A versão para DVD, dos 5 dias de aula (manhã e tarde), resultou em 2 DVDs por aula, num total de 10 DVDs.
retirado do site: http://www.cristinapaniago.com/jos%C3%A9_p_netto_-_curso_o_m%C3%A9todo_em_marx_-

ECONOMIA - Os "rentistas" mais uma vez venceram.



Oposição comemora gol contra de Tombini

Brasil 24/7

Jornal O Globo, que tem feito campanha permanente pela alta dos juros, mas refreou o lobby diante dos sinais contraditórios da economia, mal conseguiu disfarçar o entusiasmo com a inexplicável decisão do Banco Central. Em letras garrafais, estampou: "Nem Pibinho segura juros, que vão a 8%". E avisou ainda que resultado ruim será usado na campanha presidencial de 2014. Na mesma toada, Folha destacou números do crescimento de Dilma, para mostrar que são inferiores aos de Lula e FHC

247 - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, conseguiu afirmar sua autoridade. Se era isso o que pretendia, ao elevar, em conjunto com os diretores do Comitê de Política Monetária, a taxa de juros em meio ponto percentual, não há mais dúvida do seu poder. O problema é Tombini desafiou a lógica. Decidiu impor um garrote à economia brasileira no mesmo dia em que se anunciaram: (1) IGPM zero, (2) PIB parando, (3) vendas em queda nos supermercados e (4) aumento do desemprego nas capitais. Ou seja, Tombini mostrou que é capaz até mesmo de  contrariar a lógica econômica para provar que tem peito.

A oposição, que tem como trincheiras alguns dos principais jornais do País, pintou e bordou. Exemplo maior é o do Globo, que vinha fazendo campanha sistemática pela elevação das taxas de juros, mas até atenuou seu discurso diante dos "sinais contraditórios" da economia, como apontou a colunista Miriam Leitão. Nesta quinta-feira, em letras garrafais e em negrito, o grupo de mídia que liderou o "lobby do tomate" estampou: "Nem Pibinho segura juros, que vão a 8%". No subtítulo, o recado, quase brindado com champanhe: "País poderá crescer somente 2% este ano, o que será explorado na eleição de 2014".

O Globo sabe perfeitamente que Alexandre Tombini e sua equipe marcaram um tremendo gol contra. Com a alta de juros, são grandes as chances de reversão das expectativas empresariais e da confiança dos trabalhadores, justamente no momento em que o governo destacava que o bom dado do PIB era justamente a recuperação dos investimentos. E se isso levar a um aumento do desemprego, a presidente Dilma perderá seu maior trunfo eleitoral, que é justamente o pleno emprego – daí a euforia do Globo.

A Folha também enviou seu recado ao governo e à oposição. Na capa, comparou a média de crescimento do governo Dilma às do governo Lula e de FHC. E este é um dado que vem sendo explorado pela oposição, para evitar a comparação entre PT e PSDB. No primeiro mandato de FHC, a média de crescimento foi de 2,4%. No segundo, de 2,1%. Até agora, a média de Dilma é de 1,8% e o Banco Central acaba de contribuir para que o terceiro ano do mandato não seja propriamente brilhante.

Alexandre Tombini errou feio – e foi acompanhado por seus diretores no erro. E se faltava um dado para comprovar que era de prudência e moderação nas decisões econômicas, ele veio do Japão. Nesta madrugada, as ações no país asiático caíram mais de 5%, sinalizando que a crise internacional é bem mais aguda do que se supõe.

Enquanto isso, quem comemora é a oposição, que encontra, no PIB, um discurso para enfrentar a presidente Dilma em 2014.

POLÍTICA - Extrema direita em ação.

Extrema-direita usa Faroeste Caboclo contra ex-presidente Lula

Jornal Correio do Brasil

O filme veiculado no Youtube com a paródia a Faroeste Caboclo é realizado com técnicas aprimoradas de edição e design
Em uma nova ação orquestrada de setores articulados da extrema-direita brasileira, a estreia do filme Faroeste Caboclo, que chegou às telas dos cinemas nesta quinta-feira sob a direção de René Sampaio, em seu filme de début na carreira, foi bombardeada nas redes sociais por um vídeo que parodia a música do legionário urbano Renato Russo.
A peça publicitária, com traços de uma produção em estúdio e evidente esmero na edição, ainda que apócrifo, não chega a ser um hit de público e contava, até o fechamento desta matéria, com 3,6 mil acessos em 20 dias de exposição, na média de apenas 180 visitas por dia.
“Não podemos negar, nota 10!!… para criatividade, capacidade artística e até senso de humor! É uma grande pena que o senso crítico e político seja inversamente proporcional. Realmente, é triste ver pessoas tão capazes, talentosas, bem nutridas, altamente escolarizadas se deixando ser manipuladas pelo Grupo 1º de Abril e Rede Globo! Tem que ler muita Veja e assistir muito Bom(?) Dia Brasil para adquirir esse conteúdo!”, afirmou o internauta João Naleto, em um dos pouco mais de 20 comentários publicados na página do YouTube, na maioria que segue nessa mesma linha.
Ainda assim, o filho do autor, Giuliano Manfredini, ingressou com um pedido na Justiça para que a peça publicitária da extrema-direita fosse retirada do ar, o que deverá ampliar os níveis de acesso ao vídeo e aumentar a pressão para que mais pessoas o assistam e, dessa forma, pressionem para que siga veiculado. Assim, poderá servir como argumento para a defesa da liberdade de expressão no país.
Manfredini alega como motivo para a ação judicial a necessidade de preservar a memória e a obra artística do pai, como o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo publicou em uma de suas colunas, nesta quinta-feira. A intenção, no entanto, segundo consultor jurídico ouvido pelo Correio do Brasil, que prefere a condição do anonimato, pode seguir em rumos diametralmente opostos.
– Não creio que uma ação desse tipo siga além da primeira instância, com ganho de causa para oYouTube, no sentido de permitir que o vídeo permaneça acessível. Não é preciso ser ministro do Supremo Tribunal Federal para perceber que cairá no vazio um pedido desses para impedir a transmissão de uma peça publicitária, evidentemente de extrema-direita, sim, mas nada além do que uma obra de ficção e opinativa. Um processo em torno disso tem apenas o poder de divulgar ainda mais o vídeo que querem tirar do ar – afirmou.
Nos cinemas
Mas o filme de verdade, sobre a canção escrita por Renato Russo na qual a saga pessoal de João de Santo Cristo (vivido por Fabrício Boliveira) serve como pano de fundo para a paródia contra o nordestino Luiz Inácio Lula da Silva, no canal de vídeos da internet, segue em uma linha mais inteligente e sensível à obra do autor. Absorve elementos importantes da composição para deixar de lado o faroeste calango e focar em uma história de amor.
O roteiro percorre os caminhos conhecidos por todos aqueles que, na década de 80, ouviram a música sobre a história do João que decide reiniciar sua vida na cidade de Brasília. Entre oportunidades que aparecem à sua frente com a ajuda do primo bastardo Pablo (César Troncoso), seu destino cruza o da jovem Maria Lúcia (Ísis Valverde, em seu primeiro longa metragem), por quem se apaixona e que será a responsável pelas reviravoltas a partir de então.
A decisão do diretor foi trazer a moça o quanto antes para a trama, e aumentar sensivelmente a presença dela na fita. Os dramas sociais que João de Santo Cristo vive, porém, distanciam o casal e as cenas amorosas acabam em segundo plano por diversas vezes. Até mesmo as complicações pessoais de Maria Lúcia parecem pouco trabalhadas no roteiro.
A atuação de Felipe Abib no papel do traficante Jeremias, por sua afetação, ganha destaque no filme, com o seu desejo desenfreado por quilos de cocaína. René Sampaio, em recente entrevista, disse que seu desejo nunca foi “criar um videoclipe para a canção”, o que abre uma nova perspectiva sobre um dos raros faroestes legitimamente brasileiros.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

PETRÓLEO - O leilão do pré-sal e as contradições de Dilma.


 
Adital


ANP e Dilma anunciam o maior leilão de petróleo do mundo, antecipando para outubro o primeiro leilão do pré-sal. Alinhada com o programa neoliberal e apoiada pela mídia burguesa, a presidenta conta com os dividendos eleitorais. Em 2012, Dilma pregava o contrário nos palanques. O assunto será pauta da próxima plenária da campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso, em 5 de junho, às 18h, na Avenida Passos, 34, no Rio: participe!
Por Fátima Lacerda*
O campo de Libra, na Bacia de Santos, a 180 quilômetros da costa fluminense, pode ter reservas de 42 bilhões de barris: o triplo das reservas que estavam comprovadas no Brasil até 2012, é anunciado num único campo! Algo que a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Magda Chambriand, considera "singular e inimaginável”.
Foi a grandeza da recente descoberta que levou a ANP e uma comitiva de ministros a convencer a presidenta da República a antecipar o leilão do pré-sal para outubro, invertendo as prioridades: o leilão dos blocos de gás em terra ficará para novembro.
Libra será leiloado em Brasília e com a presença da presidenta. Será a primeira licitação pelo sistema de partilha de produção, legislação específica criada para o pré-sal. Não se pode descartar a hipótese de que a presidenta está de olho nos dividendos eleitorais do grande espetáculo em que deverá se transformar o próximo leilão, aplaudido e ovacionado pela mídia burguesa.
De acordo com a Revista Exame, em abril a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, afirmava que "Libra teria volumes menores, entre 4 e 5 bilhões de barris recuperáveis”. Mas uma nova sísmica na região, realizada em maio com dados mais avançados, aumentou as estimativas da ANP para "12 bilhões de barris recuperáveis”.
As reservas in situ do campo de Libra, são estimadas pela ANP entre 26 e 42 bilhões de barris. Chambriard explicou que a cifra de reservas recuperáveis (12 bilhões) é calculada com base "em um número razoável de 30%" de recuperação das reservas in situ”. A diretora-geral da ANP disse mais: "Com os dados que temos atualmente, percebemos que estamos mais perto de 42 bilhões do que de 26 bilhões de barris”.
O Globo de domingo (26) escancarava a manchete, em letras garrafais: "Brasil fará em outubro o maior leilão de petróleo do mundo”. Veja, o Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo também saudavam a decisão da ANP, avançando na crítica ao modelo de partilha e no percentual de lucro que deve ser destinado à nação, algo em torno de 73%, diga-se de passagem, bem abaixo da média mundial.
A expectativa é que o leilão de Libra atraia petrolíferas do mundo inteiro, estatais e privadas. Outro atrativo é o óleo leve produzido por Libra, considerado de alta qualidade. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) publicou hoje no Diário Oficial da União (DOU) a autorização para a realização do leilão indicando a rodada somente com a área de Libra.
DILMA ERA CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO PRÉ-SAL
Mais perplexidade do que a grandeza do pré-sal é a grande contradição da presidenta Dilma. Durante a campanha eleitoral, em debate com o candidato do PSDB, José Serra, ela acusava o seu adversário de querer privatizar o pré-sal, "uma riqueza que pertence ao povo brasileiro”. Acusava o seu adversário de querer "entregar a empresas privadas internacionais uma riqueza que deve gerar dividendos a ser aplicados em saúde, educação, cultura, meio ambiente e que pode representar um passaporte para o futuro do Brasil”.
As palavras são da atual presidenta. Confira aqui.
Aliás, quando candidata, foi sua defesa do papel do estado no desenvolvimento do país e da destinação de mais recursos para a área social que fez a diferença, revertendo votos a seu favor na reta final da campanha eleitoral. A mesma presidenta que chamava Fernando Henrique de "o homem das mil caras” mudou de opinião? Pode agora descartar os votos da esquerda e dos nacionalistas? A presidenta parece blindada pela grande mídia. Dos três anunciados candidatos das elites, talvez seja a mais adequada. Mas a história ainda vai cobrar essa conta.
Lembrando que toda a unanimidade é burra e que a luta dos trabalhadores contra os opressores é permanente, a campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso convoca todas e todos a comparecem no dia 5 de junho à próxima plenária estadual, na Avenida Passos, 34, no Sindipetro-RJ, às 18h, no Rio.
[* Fátima Lacerda é jornalista da Agência Petroleira de Notícias].

POLÍTICA - Cabral ameaça voltar aos braços de FHC.

Cabral ameaça virar as costas a Lula e voltar aos braços de FHC

política

por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 27/05/2013 13:39, última modificação 27/05/2013 14:53
Pezão, Dilma, Paes, Cabral
Pezão, Dilma, Paes e Cabral: manutenção forçada da aliança PT/PMDB no pode custar caro para o atual governador do Rio
O governador  do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB-RJ) ameaça fazer a pior escolha que um político poderia fazer neste momento: trocar a companhia de Lula e Dilma em seu palanque pelo deputado mais caro do Rio (leia abaixo), Eduardo Cunha (PMDB-RJ), junto com Aécio Neves (PSDB-MG) e FHC.
Escolha tão desastrosa quanto o governador Eduardo Campos (PSB-PE) trocar a companhia de Lula  pela de Jorge Bornhausen (ex-DEM-SC) e José Serra (PSDB-SP).
Em reunião  com o  PMDB na sexta feira (24), Cabral ameaçou apoiar Aécio Neves (PSDB-MG) em 2014, se o PT mantiver a candidatura do senador petista Lindbergh Farias a governador.
Talvez, por ter sido descoberto na traição,  depois que vazou o conteúdo da reunião,   Cabral negou à imprensa,  afirmando não ter feito declaração pública nestes termos, mas... confirmou que disse na reunião do PMDB que era muito amigo de Aécio e até seu filho tem Neves no nome.
Lindbergh era o pré-candidato do PT a governador em 2010. Já cedeu a vez a Cabral naquele ano, para o PT apoiar a reeleição do atual governador e saiu candidato ao Senado. Foi campeão de votos em 2010. Agora o candidato natural ao governo do Rio da coligação PT-PMDB obviamente é Lindbergh.
O PT também apoiou a reeleição do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que também é do PMDB. Agora, não tem cabimento o PT ceder a vez em todas as eleições, principalmente em 2014, quando o PMDB não tem um candidato forte e natural no Rio, e o PT tem.
Cabral quer impor o vice-governador Pezão, do PMDB, como candidato. O PT do Rio não briga com o direito de o governador insistir em uma candidatura. tirada da cartola. que corre o sério risco de perder, em vez de apoiar a candidatura que seria a natural da coligação: a de Lindbergh. Mas também o PT do Rio não tem motivo para abrir mão de seu candidato, que é forte e, inclusive, dá um palanque forte à Dilma, apenas por projeto de poder do PMDB fluminense.
Nesse quadro, o bom-senso político recomendaria Sérgio Cabral trabalhar por seu candidato, e conviver com a candidatura de Lindbergh. Ambos se posicionando no mesmo palanque de Dilma e Lula, com neutralidade da presidenta e do ex-presidente, pelo menos até que a eleição fique polarizada entre um dos dois candidatos a governador e outro da oposição.
O gesto do governador de querer impedir a candidatura de Lindbergh, expõe a fragilidade de Pezão e a força de Lindbergh. Cabral está passando o recado para as bases do PMDB de que seu candidato perde se tiver adversário. O problema é que sem Lindbergh, Pezão terá adversários do mesmo jeito. E tende a perder para Garotinho (PR-RJ).
Para piorar, as relações de Cabral com Dilma azedaram quando ele articulou o problemático deputado Eduardo Cunha, seu colega de partido e da bancada do Rio, como líder do PMDB. Cunha tem um estilo peculiar de fazer política, que, para atingir seus objetivos, cria dificuldades nas votações no Congresso, atrapalhando a governabilidade mais do que a oposição.
Não é só na MP do Portos que Cunha teve uma atuação contra o governo. No período Lula, Cunha atrasou tanto a relatar a renovação da CPMF, que a oposição ganhou força e venceu no Senado. Os meios políticos apontam a "greve" de Cunha na tramitação do relatório à exigência de nomeações em Furnas.
Lula e Dilma ajudaram naquilo que puderam Cabral a fazer um bom governo. Cabral, através de Cunha, está traindo essa boa relação, ao atrapalhar Lula e Dilma a governar. Óbvio que também surge a suspeita da atuação  “chantagista” de Cunha esteja sendo usada para pressionar a retirado da candidatura própria do PT do caminho. A promessa de mais uma vez uma  CPI da Petrobras mostra bem  a pressão ao  Palácio do Planalto
Só que Cabral pode estar dando tiro no pé, porque não é só ele que sabe fazer jogo político. Os outros também sabem. Dilma, se estiver bem informada, sabe que se a candidatura de Pezão está complicada sendo uma candidatura aliada ao governo dela bem avaliada no Rio, se for para oposição tendo no palanque FHC-Aécio e Eduardo Cunha, aí que irá para o precipício de vez. Além disso quanto mais oposição (mesmo que disfarçada) o PMDB do Rio fizer, mais Dilma e Lula terão que apoiar candidatos de outros partidos da base governista no estado, para eleger uma bancada mais consistente em 2014.
Como se vê, Cabral está blefando sem ter cartas boas na mão. Mas numa coisa Cabral tem razão. Desde o segundo turno de 2006 ele se aproximou de Lula e comportou-se como um regenerado, pelo menos nas diretrizes políticas. Mas como ex-tucano, se ele não tiver força de vontade em resistir aos antigos vícios, pode ter uma recaída...
Quem é Eduardo Cunha? Ele teve a campanha a deputado federal mais cara do Rio de Janeiro em 2010, e é ardoroso defensor do financiamento privado de campanha, obstruindo colocar em votação a reforma política na câmara que previa o financiamento exclusivamente público.