quarta-feira, 3 de março de 2010

EUA - Se Obama o ouve, arrisca morrer.

Do blog TIJOLAÇO, do Brizola Neto.

Presidente, menos. Se Obama o ouve, arrisca morrer

Mesmo sem tocar no altar dos lucros, Obama já é acusado de "comunista".

É muito curiosa a materia que O Globo publica hoje sobre o discurso de Lula, ontem em São Paulo. Vou reproduzir um trechinho:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem ter sugerido a seu colega americano, Barack Obama, que tivesse bancos públicos para induzir o crescimento. Segundo Lula, no Brasil, os bancos públicos ajudaram o país a vencer a crise:

- Liguei para o presidente Obama e falei: Obama, é importante olhar como funciona o Banco do Brasil. Vocês não têm um banco nos Estados Unidos como no Brasil. E todos nós sabemos que foram esses bancos públicos que nos ajudaram a vencer a crise.

O presidente afirmou que, se tivesse mais um banco à venda no mercado, iria comprá-lo para juntar ao Banco do Brasil (BB) e “transformá-lo no banco mais importante do país, para financiar o crédito”.

- Não vacilei, e o grupo Fiat sabe que eu comprei o banco do Serra (José Serra, governador de São Paulo, referindo-se à Nossa Caixa). Se tivesse mais banco para vender, eu iria comprar – afirmou Lula, durante inauguração de uma fábrica da Case New Holland, empresa do grupo Fiat em Sorocaba, interior de São Paulo.

Não é que o conselho seja esdrúxulo, presidente. O mesmo foi dito, dias atrás, e o eu publiquei aqui, pelo megainvestidor George Soros, ao afirmar que Obama deveria, com o dinheiro que injetou para salvar os bancos, ter assumido o controle de seus negócios. Nada de esquerdismo na proposta, defendida também pelo Nobel de Economia Paul Krugman.

Mas Obama, presidente, já deixou claro que não cometerá o “pecado mortal” de intervir na propriedade privada e nos ganhos escandalosos de seus dirigente, mesmo quando propriedade e ganhos só existem com dinheiro público.

É que Obama, mesmo tendo se tornado um presidente á imagem e semelhança de todos os outros que ocuparam a Casa Branca nos últimos tempos, já é estigmatizado como esquerdista, socialista, comunista e outros istas, não por ser revolucionário, o que já mostrou que está loge de ser, mas por ser negro.

Até o maior símbolo do progresso americano, o Presidente Franklin Roosevelt, ao criar o New deal e intervir na economia americana afundada pela crise de 29, foi acusado de “socialista” e de “traidor de sua classe”, porque era branco, um rico aristocrata, educado em Harvard.

Se Obama estivesse disposto a ser levemente como Roosevelt ia ter de começar a se preocupar rapidamente com coisas como um colete a prova de balas. No estilo “não faz marola” que vem governando, já é feia a coisa. Procurem “Obama Communist” no Google e vejam quantos milhões de citações vão achar.

Que ele ia enfrentar isso, todo mundo sabia. Só não sabia que ia ser como aqueles irônicos versos do Ascenso Ferreira sobre meus conterrâneos, que meu avô adorava e contava, rindo: Riscando os cavalos./Tinindo as esporas/ Través das coxilhas/ Sai de meus pagos em louca arrancada/ Para que? Pra nada.

O nosso querido Obama, presidente Lula, até agora deu chabú. E quietinho. Nas gauchadas, pelo menos, barulho a gente faz.

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