A principal questão colocada para próxima eleição presidencial deixou de ser se o PSDB sairá com Aécio ou Serra. E também não é, apesar de uma certa insistência da mídia, se Aécio aceita ou não ser vice de Serra. Dúvido que o governador mineiro vá para o sacrifício para ajudar alguém por quem não nutre nenhuma admiração.
Além disso, para Aécio, a disputa ao Senado é muito mais interessante em qualquer sentido. Se vier a ganhar Dilma, ele se torna no dia seguinte a referência da oposição. Se vencer Serra, será eleito presidente da Casa. Para o Senado, Aécio está eleito. Como vice de Serra, corre grande risco de perder. Se isso vier a acontecer o PSDB fica sem um plano B para o futuro. Afinal, Serra e Aécio, juntos, teriam perdido para uma candidata que nunca disputou uma eleição. Para quem joga truco, seria gritar 12 sem ter o zap na mão. Loucura.
Em resumo, Aécio não vai ser vice de Serra. E aposto dois pães de queijo e um pingado que a tal chapa café com leite não vai ser servida no próximo pleito.
O que ainda não está definido para que o quadro fique mais claro é se Ciro Gomes sai ou não. Até porque não se sabe se isso é bom ou não para o governo. A resposta não é tão fácil de responder como alguns imaginam. Só por isso, o presidente Lula pediu a que Ciro segure a onda até março.
Por que a candidatura do agora político paulista pode ser interessante? Em primeiro lugar porque ninguém combate melhor o PSDB e Serra do que Ciro. Depois porque sem ele Dilma vai se tornar o algo na campanha e pode ficar prensada entre Serra e Marina.
O risco é que Ciro, ao fazer o bom combate com os tucanos, pode passar a impressão de que Dilma não tem tanta energia como deveria ter uma presidente da República. E de que é melhor candidato do que ela. E nesse caso, a disputa aconteça pelo segundo lugar, entre ele e ela, e não pelo primeiro. Por que isso pode acontecer? Principalmente porque a base principal do governo Lula é o Nordeste, onde o discurso de Ciro é muito mais encaixado do que o de Dilma.
De qualquer forma, na avaliação atual deste blogueiro ter o atual deputado paulista Ciro Gomes na disputa presidencial é a melhor opção para o governo. Ele tornaria a eleição seria mais política e menos técnica. E isso é melhor para o governo do que para oposição.
Além disso, acho que com Ciro na disputa, Serra nem chegaria em 35% dos votos num primeiro turno. E isso o colocaria numa condição de empate técnico com Dilma. Ou mesmo com Ciro.
Num cenário mais otimista, arrisco dizer que Serra poderia terminar a disputa no primeiro turno até em segundo lugar. O que tornaria o segundo turno um passeio para o governo.
Encerrar a fatura no primeiro turno se tornou quase impossível com a candidatura Marina. Se Ciro não vier a ser candidato ele pode chegar até a 12% dos votos. Será o voto dos insatisfeitos com PT e PSDB. E isso garante o segundo turno.
Lula não pediu pra Ciro esperar até março à toa. Lula não tem certeza de que a eleição é mais fácil para Dilma sem Ciro. E tem razão de pensar assim. A questão é mais complicada do que parece.
Carlos Augusto de Araujo Dória, 72 anos, economista, socialista, nacionalista, petista, lulista, espírita, tricolor, anistiado político, empregado da Petrobrás, blogueiro. Um lutador em favor da justiça social e da preservação do meio ambiente.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
POLÍTICA - A candidatura Ciro, riscos e vantagens.
Copiado do "Blog do Rovái"
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