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segunda-feira, 30 de junho de 2008

PRESSÃO AMERICANA-ISRAELENSE CONTRA O IRÃ

por Sara Flounders
O Primeiro-ministro israelense Ehud Olmert foi a Washington exigir que se pare o programa nuclear iraniano "através de todos os meios possíveis". Olmert e uma delegação de políticos americanos dirigiram-se a uma plateia de elementos do American Israel Public Affairs Committee (AIPAC). Os concorrentes à presidência dos dois partidos imperialistas, bem como senadores pertencentes às principais comissões do Congresso, repetiram a mesma lenga-lenga em uníssono. Democratas e republicanos pareciam unidos ao alinhar-se para expressar o seu apoio inequívoco a Israel e, para ameaçar o Irão. Eles apresentaram o seu programa de desenvolvimento de energia nuclear, que é totalmente legal, como uma ameaça terrível para a "paz mundial".

Esta ameaça sabiamente orquestrada foi ainda mais reforçada depois do regresso de Olmert a Israel após a convenção. Passadas algumas horas depois do seu regresso, o vice-primeiro ministro, Shaul Mofaz, qualificava de "inevitável" a guerra contra o Irão. Mofaz, antigo chefe militar e antigo ministro da Defesa, foi o representante israelense num diálogo estratégico sobre o Irão com os oficiais americanos. Ele declarou que se o Irão continuar com o seu programa nuclear, Israel passará ao ataque pois não há escolha num período em que "as opções estão a desaparecer e as sanções já provaram ser ineficazes".

Os meios de comunicação internacionais desencadearam uma onda de contestação por causa destas declarações provocatórias e ameaçadoras. O preço do petróleo disparou para 138 dólares por barril, o que é sem precedentes. O primeiro-ministro Olmert atiçou ainda mais as chamas ao recusar descartar a hipótese de uma ofensiva militar contra o Irão. "Todas as opções, incluindo a militar, devem permanecer sobre a mesa", disse ele, fazendo eco das políticas de Bush.

Este episódio só reforçou a ideia de que Israel é um instrumento da política americana, quando as administrações americanas não estão em condições de agir directamente.

Por diversas vezes, Washington deu o seu pleno apoio político, económico e militar aos crimes israelenses: nos anos 60 e 70, as guerras repetidas de Israel para afastar a crescente onda do nacionalismo árabe; em 1981, quando Israel bombardeou o reactor nuclear iraquiano; nos anos 80, quando Israel levou esquadrões da morte para a América Central; quando Israel apoiou o apartheid sul-africano; quando bombardeou o Líbano em 2006 e no caso das recentes investidas contra a Síria.

O AIPAC serve o poder das grandes empresas americanas

O AIPAC transformou-se num poderoso lobby porque sempre seguiu uma linha política propícia aos interesses financeiros da secção mais poderosa das grandes empresas americanas – as indústrias militares e petrolíferas. O AIPAC opera em regime de tandem com estas. Frequentemente, os gigantes da indústria militar americana recorreram aos serviços do AIPAC para influenciar a política mesmo no interior dos Estados Unidos. O grupo sionista foi uma das principais forças de uma constelação de instituições que incitaram os Estados Unidos a invadir o Iraque e o Afeganistão.

Israel está totalmente ligado ao Pentágono e depende dele em todos os aspectos. Durante 60 anos, milhares de dólares de ajuda americana foram para Israel – geralmente para comprar sistemas de armamento americano, aviões a jacto, tanques, etc. Esta situação, por sua vez, alimenta e justifica novas aquisições de armamento por parte dos regimes árabes dependentes dos Estados Unidos.

Empresas como Lockheed Martin, General Electric Co., Northrop Grumman e Boeing estão mais do que dispostas a dar milhões de dólares aos lobbyistas militares e ao AIPAC. Por sua vez, estes oferecem generosas doações aos políticos, republicanos e democratas, para que eles garantam contratos de milhares de milhões de dólares em armamento e para que mobilizem os espíritos em favor de ofensivas militares, do desenvolvimento de mais bases americanas no estrangeiro e de guerras intermináveis.

A divisão no seio da classe dominante americana

Confrontados com o desaire da ocupação do Iraque e do Afeganistão, assiste-se a uma profunda divisão no seio dos círculos dirigentes americanos, inclusive entre a elite do Pentágono, quanto ao fundamento de um ataque contra o Irão e ao modo de o encetar. Esta oposição não se baseia em preocupações humanitárias com o povo iraniano, nem com as tropas ou os trabalhadores americanos. Não, a questão é mais prosaica, e assenta no receio de uma explosão política na região.

A indecisão e as rivalidades crescentes estão na ordem do dia. Os dois últimos anos foram marcados por fugas de informação, por revelações extensas e detalhadas de Seymour Hersh na revista New Yorker e por demissões de altos funcionários civis e militares. O almirante William J. Fallon, chefe do comando central americano para o Médio Oriente, a Ásia do Sul e a Ásia Central, foi forçado a demitir-se depois de a revista Esquire ter exposto as suas profundas reservas quanto a um possível ataque contra o Irão.

Há cerca de um ano atrás, um jornal londrino anunciava que alguns dos altos responsáveis militares do Pentágono estavam preparados para se demitirem no caso de a Casa Branca ordenar ataques militares contra o Irão. ( Sunday Times, 25/Fevereiro/2007)

O ímpeto de guerra contra o Irão foi adiado quando, em Dezembro passado, veio a público um relatório dos Serviços Nacionais de Informação americanos no qual se defendia que o Irão não dispunha de armas nucleares nem desenvolvia nenhum programa nuclear há mais de cinco anos, pelo menos.

O abalo mais recente nas altas instâncias traduziu-se nas demissões forçadas do secretário da Força Aérea Michael Wayne e do Chefe de Estado-maior, general Michael Mosley, alegadamente devido a uma "série de falhas" na manipulação de armas nucleares americanas por parte da Força Aérea. Conta-se que quatro componentes cruciais de armas nucleares terão sido enviadas "por engano" para Taiwan. Para além disso, diz-se também que um bombardeiro B-52 armado "por engano" com seis mísseis de cruzeiro constituídos por ogivas nucleares terá atravessado os Estados Unidos. Estes dois enganos já eram conhecidos há mais de um ano. Será que o abalo tem alguma ligação com o esclarecimento sobre o Irão?

Relatórios dizendo que a administração Bush prevê lançar um ataque aéreo contra o Irão nos próximos dois meses foram também apresentados, no dia 28 de Maio, no Asia Times On-Line.

De acordo com o artigo, dois importantes senadores americanos falaram sobre o ataque: Dianne Feinstein, democrata da Califórnia, e Richard Lugar, republicano de Indiana, têm a intenção de tornar pública a sua oposição a estes planos. No entanto, o editorial destinado a sair no New York Times ainda se faz esperar.

Entretanto, o antigo ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Joschka Fischer escreveu no quotidiano israelense Haaretz do dia 1 de Junho que Bush e Olmert parecem ter a intenção de pôr um termo ao programa nuclear iraniano "mais através de meios militares do que diplomáticos". Fischer teme que o Médio Oriente embarque num novo e perigoso conflito militar.

O direito do Irão à energia nuclear

O enviado do Irão às Nações Unidas, Mohammad Khazaee, apresentou um protesto junto do secretário-geral Ban Ki-moon e do Conselho de Segurança a propósito das ameaças israelenses. Khazaee insiste no facto de uma ameaça tão perigosa contra um Estado soberano e membro das Nações Unidas constituir uma violação das leis internacionais e de ir contra os princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas, carecendo assim de uma resposta resoluta e clara, particularmente da parte do Conselho de Segurança.

O Irão tem o direito, em conformidade com o direito internacional, de desenvolver um programa de energia nuclear. Ele é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear. A Agência Internacional de Energia Atómica já inspeccionou diversas vezes as instalações nucleares do Irão.

Israel, todavia, nunca assinou o tratado de não proliferação, e recusou o mínimo controlo sobre o seu bem conhecido programa de armamento nuclear que engloba mais de 200 ogivas nucleares.

O governo americano desenvolveu uma nova geração de armas nucleares tácticas que violam igualmente os acordos e tratados que visam limitar e restringir as armas nucleares.

Actualmente, a classe dirigente americana compreende, num estado de pânico crescente, que é incapaz de controlar os acontecimentos. São os acontecimentos que a controlam – desde a crise económica que se agrava e escapa a toda e qualquer solução até a uma guerra na qual a vitória será impossível. Tudo isto torna estes predadores planetários tendencialmente mais desesperados, sujeitos a divisões e dispostos a aventuras militares ainda mais precipitadas.

A única verdadeira oposição ao perigo crescente de uma nova guerra virá dos cidadãos comuns e não do mundo político. Espera-se que tais forças, numa escala mundial, comecem a preocupar-se seriamente com esta propensão para a guerra e a mobilizar-se.

Fonte: Blog Resistir.

PETRÓLEO - Maior mentira.

A notícia abaixo publicada pela BBC nos induz a pensar que os iraquianos exercem sua soberania. É a maior mentira, quem manda são os EUA que impuseram aos iraquianos, contratos draconianos para a exploração do petróleo. Saddam Hussein, quando subiu ao poder, nacionalizou a atividade petrolífera iraquiana e expulsou todas as empresas estrangeiras que atuavam no país. Agora, com a invasão e ocupação americana, as empresas expulsas estão de volta.
Carlos Dória.
Setor petroleiro no Iraque
O governo quer elevar a receita do principal produto do país
O governo iraquiano anunciou a abertura do setor petroleiro a investimentos estrangeiros, em um esforço para elevar a receita do país com seu principal produto.

Companhias americanas e européias serão autorizadas a prover serviços e know-how com a finalidade de elevar a produção de petróleo em meio milhão de barris até o final de 2009.

O Iraque também quer ajuda externa para desenvolver campos de petróleo no longo prazo.

A extração de petróleo está no seu ápice desde a invasão americana de 2003, mas disputas políticas evitaram que até agora se chegasse a um acordo em relação a quem cabe fechar acordos petroleiros e como a renda será dividida.

Política

O Iraque tem a terceira maior reserva de petróleo do mundo, estimada em 115 bilhões de barris. Por isso, o desenvolvimento de infra-estrutura para o setor petroleiro é essencial para ajudar a financiar a reconstrução do país a longo prazo.

No entanto, é necessário um investimento significativo para modernizar a estrutura e o Parlamento iraquiano ainda não conseguiu chegar a um consenso legal sobre quem será responsável pelos contratos e como será feita a divisão do lucro entre os diferentes grupos étnicos e regiões do país.

Atualmente a produção de petróleo atinge 2,5 milhões de barris por dia. Com a ajuda de empresas estrangeiras, o governo do Iraque pretende aumentar a produção para 2,9 milhões até o final de 2009.

Nesta segunda-feira, o governo iraquiano anunciou que está em busca de investimento externo para desenvolver seis dos seus principais campos de petróleo – Rumaila, Kirkuk, Zubair, West Qurna, Bai Hassan e Maysan.

As autoridades também disseram que 35 empresas estrangeiras estão no páreo pelos contratos.

As empresas que conquistarem as licenças precisam de um parceiro iraquiano e repassar 25% do valor dos contratos - estimados em US$ 500 milhões - a empresas locais.

Investimento

O processo de abertura da indústria petroleira do Iraque a investimentos estrangeiros ainda está no princípio e a questão dos contratos lucrativos para direitos de exploração, um pouco distante.

No entanto, o anúncio desta segunda-feira é importante porque prepara o caminho para que grandes empresas estrangeiras entrem novamente em um mercado do qual estavam banidas desde que Saddam Hussein nacionalizou a principal empresa de petróleo do país, em 1972.

"O setor petroleiro não pode ser desenvolvido apenas com gente do Iraque", disse à BBC o ex-ministro da Energia, Mohammad Bahr Al-Uloom.

"Mas, ao mesmo tempo, precisamos de um sistema de operações que preserve os interesses do povo iraquiano", afirmou.

Estabilidade

A redução da violência, observada no último ano em grande parte do país, ajudou o setor petroleiro a alcançar um nível maior de estabilidade.

Com o petróleo atingindo preços recordes e com previsão de aumentos ainda maiores, a possibilidade de um aumento na produção iraquiana representaria uma boa notícia em meio às preocupações sobre a capacidade da oferta global em suprir a demanda por petróleo a longo prazo.

No sábado, o Iraque anunciou a criação de uma terceira empresa de petróleo estatal para expandir a produção da região Maysan, no leste do país.

De acordo com o correspondente da BBC em Bagdá Nicholas Witchell, as autoridades esperam que a presença de empresas desse porte possam, além de ajudar a tornar a indústria mais produtiva, incentivar o investimento de outras empresas estrangeiras no Iraque.

SAÚDE - Lei anti-fumo na Inglaterra.


Proibição de fumo 'levou 400 mil britânicos a largar cigarro'

Cigarros

Especialistas acreditam que muitas vidas serão salvas

A lei que proíbe o fumo em lugares públicos na Grã-Bretanha, introduzida há um ano, aumentou de forma dramática o número de pessoas que abandonaram o cigarro no país, segundo uma pesquisa.

O estudo, financiado pela entidade beneficente Cancer Research UK, de fomento à pesquisa sobre o câncer, estimou que cerca de 400 mil pessoas deixaram de fumar após a lei ter entrado em vigor.

Os pesquisadores calculam que isto poderia ajudar a salvar por volta de 40 mil vidas nos próximos dez anos.

Foram pesquisadas 32 mil pessoas. De acordo com o trabalho, desse grupo 5,5% das pessoas pararam de fumar nos nove meses que se seguiram à proibição. Nos nove meses anteriores à proibição, do grupo pesquisado 1,6% pararam de fumar.

Os pesquisadores concluíram que o aumento de pessoas que pararam de fumar se deu principalmente por causa da proibição do fumo em locais públicos e projetaram os números para a população total do país, chegando aos 400 mil.

Segundo o Departamento de Saúde britânico, o período de 12 meses posterior à entrada em vigor da legislação foi um sucesso, com quase 100% de obediência à lei pela população.

Mais Leis

O especialista da Cancer Research UK Robert West, autor da pesquisa, disse que não esperava tamanho impacto.

"Esses números mostram a maior queda no número de fumantes já registrada", disse. "O efeito tem sido o mesmo em todos os grupos sociais, pobres e ricos."

Jean King, diretor de controle de tabaco da organização, disse: "Os resultados mostram que as leis anti-fumo animaram os fumantes a deixar (o hábito)".

"Essas leis estão salvando vidas e não devemos esquecer que a metade de todos os fumantes morre de doenças relacionadas ao (consumo de) tabaco".

Outros estudos sugeriram que as vendas de cigarros caíram bruscamente no último ano, com 1,93 bilhão a menos de cigarros vendidos na Inglaterra e 220 mil a menos vendidos na Escócia.

Segundo o grupo que faz pressão para controle sobre o tabaco ASH, uma pesquisa feita pela entidade revelou que a maioria da população é hoje favorável a mais leis anti-fumo.

Entre as medidas estariam, por exemplo, uma proibição do fumo em carros com crianças e a abolição das máquinas que vendem cigarros.

A proibição do fumo em lugares públicos no País de Gales entrou em vigor alguns meses antes da lei inglesa.

Dados publicados pela administração local indicam que o número de ataques cardíacos entre outubro e dezembro de 2007 caiu 13% em relação ao mesmo período no ano anterior.


Proibição de fumo 'levou 400 mil britânicos a largar cigarro'

Cigarros

Especialistas acreditam que muitas vidas serão salvas

A lei que proíbe o fumo em lugares públicos na Grã-Bretanha, introduzida há um ano, aumentou de forma dramática o número de pessoas que abandonaram o cigarro no país, segundo uma pesquisa.

O estudo, financiado pela entidade beneficente Cancer Research UK, de fomento à pesquisa sobre o câncer, estimou que cerca de 400 mil pessoas deixaram de fumar após a lei ter entrado em vigor.

Os pesquisadores calculam que isto poderia ajudar a salvar por volta de 40 mil vidas nos próximos dez anos.

Foram pesquisadas 32 mil pessoas. De acordo com o trabalho, desse grupo 5,5% das pessoas pararam de fumar nos nove meses que se seguiram à proibição. Nos nove meses anteriores à proibição, do grupo pesquisado 1,6% pararam de fumar.

Os pesquisadores concluíram que o aumento de pessoas que pararam de fumar se deu principalmente por causa da proibição do fumo em locais públicos e projetaram os números para a população total do país, chegando aos 400 mil.

Segundo o Departamento de Saúde britânico, o período de 12 meses posterior à entrada em vigor da legislação foi um sucesso, com quase 100% de obediência à lei pela população.

Mais Leis

O especialista da Cancer Research UK Robert West, autor da pesquisa, disse que não esperava tamanho impacto.

"Esses números mostram a maior queda no número de fumantes já registrada", disse. "O efeito tem sido o mesmo em todos os grupos sociais, pobres e ricos."

Jean King, diretor de controle de tabaco da organização, disse: "Os resultados mostram que as leis anti-fumo animaram os fumantes a deixar (o hábito)".

"Essas leis estão salvando vidas e não devemos esquecer que a metade de todos os fumantes morre de doenças relacionadas ao (consumo de) tabaco".

Outros estudos sugeriram que as vendas de cigarros caíram bruscamente no último ano, com 1,93 bilhão a menos de cigarros vendidos na Inglaterra e 220 mil a menos vendidos na Escócia.

Segundo o grupo que faz pressão para controle sobre o tabaco ASH, uma pesquisa feita pela entidade revelou que a maioria da população é hoje favorável a mais leis anti-fumo.

Entre as medidas estariam, por exemplo, uma proibição do fumo em carros com crianças e a abolição das máquinas que vendem cigarros.

A proibição do fumo em lugares públicos no País de Gales entrou em vigor alguns meses antes da lei inglesa.

Dados publicados pela administração local indicam que o número de ataques cardíacos entre outubro e dezembro de 2007 caiu 13% em relação ao mesmo período no ano anterior

PETRÓLEO - Pressões contra mudança do marco regulatório.

Financial Times publicou matéria em que diz que a indefinição sobre o marco regulatório, é "risco" para as petroleiras no Brasil. Ao contrário do que diz o FT, não é por causa do seu enorme potencial que o governo estuda como manter as novas descobertas sob controle do Estado. É porque a Petrobrás sozinha, durante 30 anos, realizou pesquisas e investimentos vultosos e correu todos os riscos,que redundaram nas referidas descobertas. Dessa forma, não faz o menor sentido entregar um verdadeiro "bilhete premiado" às multinacionais. Além do mais, as reservas se mantêm como propriedade do Estado brasileiro, em função do que está disposto nos artigos terceiro e vigésimo primeiro da lei 9478/97. Nos artigos citados está dito que "as jazidas e produtos pertencem à União.
Enfim, como já era esperado, as pressões vão aumentar cada vez mais, com a ajuda dos entreguistas de sempre e sua imprensa colonizada.
Carlos Dória.

Plataforma de petróleo (arquivo)

Especialistas e Petrobras querem reservas em poder do Estado.

A indefinição sobre as regras de exploração de petróleo na camada pré-sal representa um "risco" para a atuação de empresas petroleiras no Brasil, afirma nesta segunda-feira uma reportagem do diário financeiro britânico Financial Times.

O artigo, parte de um caderno especial do jornal sobre o setor de energia em diversos países do mundo, aborda a atual discussão sobre o modelo que o Brasil adotará para explorar reservas recém-descobertas em campos como Tupi e Carioca.

Por causa do seu enorme potencial, o governo estuda como manter as novas descobertas sob controle do Estado.

Sob o atual modelo, as petroleiras, muitas vezes em parceria com a Petrobras, são responsáveis por procurar petróleo em blocos geográficos arrebatados em leilões de concessão da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Especialistas em favor de uma mudança na legislação argumentam, entretanto, que incluir as reservas pré-sal nesse tipo de modelo seria como permitir às companhias "comprar um bilhete de loteria premiado", como definiu o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Para o jornal britânico, a indefinição sobre as regras de exploração representa um risco maior para a atuação das empresas no Brasil que as dificuldades naturais de explorar óleo e gás natural em campos tão profundos e submetidos a condições adversas de pressão e temperatura.

"Apesar de essas condições apresentarem obstáculos consideráveis, podem certamente ser superadas, especialmente com os preços mundiais do petróleo nos atuais níveis", analisa o FT.

"Um risco maior para as empresas petroleiras com planos de trabalhar nos campos pré-sal é a incerteza em relação à regulamentação da indústria."

O jornal lança dúvidas sobre a adoção de esquemas de "produção compartilhada" de petróleo, nos quais as reservas se mantêm como propriedade do Estado e as companhias recebem permissão para manter parte do óleo que trazem à superfície.

"O que preocupa muitos analistas sobre esse modelo é que o governo deve basear suas decisões de produção em considerações não-comerciais, como o efeito da produção na inflação, a taxa de câmbio e o preço do petróleo em si."

Para o FT, "nenhuma decisão sobre um novo regime (de exploração) até pelo menos o fim deste ano".Fonte: BBC BRASIL.

ANOS DE CHUMBO XVIII - ABI chilena pede punição.

Mario Augusto Jacobskind.

PUNIÇÃO PARA JORNALISTAS DESONESTOS .

Apesar do silêncio e muitas vezes da parcialidade da mídia conservadora, vários fatos estão ocorrendo nesta América Latina que mereceriam no mínimo algum destaque nas páginas internacionais.

É o caso, por exemplo, do Chile, onde o Colégio de Jornalistas, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) daquelas bandas, está pedindo desculpas aos familiares de vítimas da ditadura Pinochet pela participação "culposa e antiprofissional" que tiveram os responsáveis pelos principais jornais e televisões na edição de notícias sobre falsos enfrentamentos entre integrantes de um grupo de esquerda, que resultaram na morte de mais de 100 opositores.

As investigações feitas pela Comissão de Ética do Colégio de Jornalistas confirmaram a culpa dos profissionais de imprensa Roberto Araya Silva, expulso da entidade, e de Julio López Blanco, Vicente Pérez Zurita, Manfredo Mayol, todos eles na época do Canal 7, e Claudio Sánchez, do Canal 13. Estes quatro jornalistas foram suspensos e criticados publicamente pela conduta antiética que tiveram nos casos da Operação Colombo e Rinconada de Maipú.

Também foram suspensos e repreendidos publicamente Fernando Díaz Palma (então diretor do jornal As Últimas Notícias), Alberto Guerrero Espinoza (diretor do La Tercera) e Beatriz Undurraga Gómez, do El Mercúrio, jornal que na época do golpe que derrubou o presidente constitucional Salvador Allende recebeu mais de um milhão e meio de dólares da CIA.

O serviço de inteligência da ditadura de Pinochet, então sob a responsabilidade do general assassino Manuel Contreras, pagou a edição de publicações na Argentina e no Brasil para a divulgação de falsas notícias sobre os enfrentamentos entre militantes esquerdistas. Com base nesta “informação”, os jornalistas punidos divulgaram a noticia como se fosse verdade, exatamente para retirar a culpa da própria ditadura. Os proprietários dos veículos de comunicação, claro, estavam acumpliciados com a ditadura.

Enquanto isso, na Bolívia, dirigentes “autonomistas” da “Meia Lua” - Departamentos (Estados) de Beni, Pando, Santa Cruz e Tarija – em uma medida decididamente golpista, decidiram não se submeter ao referendo de 10 de agosto próximo, aprovado pelo Congresso para confirmar ou revogar o mandato do Presidente Evo Morales. Os governos destes departamentos realizaram plebiscitos, considerados ilegais, que apoiaram a “autonomia”, embora com as abstenções dos eleitores os números favoráveis às autonomias se reduziram, o que não foi quase divulgado.

O Conselho Nacional Democrático - que reúne os dirigentes mencionados, além de empresários, e de democrático só tem mesmo o nome - quer que sejam realizadas eleições presidenciais. Na verdade, os democratas desde criancinha, herdeiros de tradicionais grupos que historicamente sempre abominaram a democracia e até mesmo davam proteção a notórios criminosos de guerra nazistas, entre os quais o matador Klaus Barbie, querem mesmo derrubar Evo Morales. Como estão sem condições de realizar a empreitada golpista como faziam no passado, ou seja, acionando as Forças Armadas, adotaram uma outra estratégia, contando com o apoio incondicional da Embaixada estadunidense na Bolívia.

Em outros países da América Latina ocorrem fatos, quase não divulgados, que confirmam as transformações porque passa o continente considerado por europeus progressistas, entre os quais o cientista político alemão Thomas Mitschein, o jornalista e cientista político alemão Ingo Niebel e o espanhol Ignácio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique, como o “continente da esperança”, porque por aqui se confirma na prática que um outro mundo é possível.

Os referidos participaram recentemente, em Belém do Pará, do seminário Futuro da Democracia na América Latina – movimentos social e político, importante evento que faz parte do calendário que precede o Fórum Social Mundial a ser realizado no próximo mês de janeiro na mesma Belém.
Não é à toa que o governo estadunidense resolveu reativar a IV Frota, desativada desde 1950. Ou será que alguém ainda tem dúvida a respeito?
Fonte: Direto da Redação.

CURIOSIDADES - Relação entre QIs altos e baixa religiosidade.

A conclusão é baseada na compilação de pesquisas anteriores que mostram uma relação entre QIs altos e baixa religiosidade e em dois estudos originais.

Em um desses estudos, os autores compararam a média de QI com religiosidade entre países.

No outro estudo, eles cruzaram os resultados de jovens americanos em um teste alternativo de habilidade intelectual (fator g) com o grau de religiosidade deles.

Na pesquisa entre países, os pesquisadores analisaram média de QI com o de religiosidade em 137 países. Os dados foram coletados em levantamentos anteriores.

Os autores concluíram que em apenas 23 dos 137 países a porcentagem da população que não acredita em Deus passa dos 20% e que esses países são, na maioria, os que apresentam índices de QI altos.

Exceções

Os pesquisadores dividiram os países em dois grupos.

No primeiro grupo, foram colocados os países cujas médias de QI são mais baixos, variando de 64 a 86 pontos. Nesse grupo, uma média de apenas 1,95% da população não acredita em Deus.

No segundo grupo, onde a média de QI era de 87 a 108, uma média de 16,99% da população não acredita em Deus.

Os autores argumentam que há algumas exceções para a conclusão de que QI alto equivale a altas taxas de ateísmo.

Eles citam, por exemplo, os casos de Cuba (QI de 85 e cerca de 40% de descrentes) e Vietnã (QI de 94 e taxa de ateísmo de 81%), onde há uma porcentagem de pessoas que não acreditam em Deus maior do que a de países com QI médio semelhante.

Uma possível explicação estaria, segundo os autores, no fato de que "esses países são comunistas nos quais houve uma forte propaganda ateísta contra a crença religiosa".

Outra exceção seriam os Estados Unidos, onde a média de QI é considerada alta (98), mas apenas 10,5% dizem não acreditar em Deus, uma taxa bem mais baixa do que a registrada no noroeste e na região central da Europa – onde há altos índices médios de QI e de ateísmo.

Lynn diz que uma explicação para o quadro verificado nos Estados Unidos pode estar no fato de que "há um grande influxo de imigrantes de países católicos, como México, o que ajuda a manter índices altos de religiosidade".

Mas ele reconhece que mesmo grupos que emigraram para os Estados Unidos há muito tempo tendem a ter crenças religiosas fortes e diz que, simplesmente, não consegue explicar a realidade americana.

Generalização

Os autores argumentam que essa relação entre QI e descrença religiosa vem sendo demonstrada em várias pesquisas na Europa e nos Estados Unidos desde a primeira metade do século passado.

Eles citam, também, uma pesquisa de 1998 que mostrou que apenas 7% dos integrantes da Academia Nacional Americana de Ciências acreditavam em Deus, comparados com 90% da população em geral.

Lynn admitiu à BBC Brasil que os resultados apontam para uma "generalização" e que há pessoas com QI alto que têm crenças religiosas fortes.

Segundo ele, há vários fatores, como influência familiar ou pressão social, que influenciam a religiosidade das pessoas.

"Nós temos que diferenciar a situação hoje com outros períodos da história. As pessoas tendem a adotar uma atitude de acordo com a sociedade em que vivem. Hoje em dia, na Grã-Bretanha e em outros países europeus, não há tanta pressão da sociedade para que você acredite em Deus", afirma.

Uma das hipóteses que o estudo levanta para tentar explicar a correlação entre QI e religiosidade é a teoria de que pessoas mais inteligentes são mais propensas a questionar dogmas religiosos "irracionais".

Dúvidas

O professor de psicologia da London School of Economics, Andy Wells, porém, levanta questões sobre a tese.

"A conclusão do professor Lynn é de que um QI alto leva à falta de religiosidade, mas eu acredito que é muito difícil ter certeza disso", afirma.

De acordo com Wells, vários estudos já demonstraram que pessoas com níveis de QI altos tendem a ter níveis de educação mais altos.

"E quanto mais educação as pessoas têm, é mais provável que elas tenham acesso a teorias alternativas de criação do mundo, por exemplo", afirma Wells.

O jornal de psicologia Intelligence, publicado na Grã-Bretanha, traz pesquisas originais, estudos teóricos e críticas de estudos que "contribuam para o entendimento da inteligência". Acadêmicos de universidades de vários países fazem parte da diretoria editorial.

Fonte: BBC BRASIL.

domingo, 29 de junho de 2008

OLIMPÍADAS - Estádio Olímpico é dado como pronto.




Estádio Olímpico de Pequim é declarado pronto
O Estádio Olímpico de Pequim, envolto em uma nuvem de poluição
O Estádio Olímpico de Pequim, envolto em uma nuvem de poluição
O governo da China declarou seu principal estádio para as Olimpíadas de Pequim, o Estádio Olímpico, completo e pronto para o uso.

O anúncio marca a finalização de todos os 37 locais dos eventos construídos para as Olimpíadas de Pequim, que começam em agosto.

''O 'Ninho' é o último local de competições olímpicas a ser finalizado, mas é o melhor'', afirmou o gerente de projeto do estádio, Tan Xiaochun.

Uma rede de vigas de aço dá ao estádio a aparência de um gigantesco ninho de aves, daí o apelido.

O Estádio Olímpico de Pequim - ou Estádio Nacional - tem 91 mil lugares e será o palco para as cerimônias de abertura e encerramento dos jogos, além das competições de atletismo.

O anúncio de sua finalização ocorreu depois de uma série de testes envolvendo centenas de atletas e milhares de espectadores.

Custo

O estádio foi projetado pela companhia suíça Herzog and Meuron e pelo arquiteto chinês Li Xinggang.

''Você pode se imaginar, como um atleta, no centro do estádio atraindo milhares de olhares. (...) Você se sentirá no centro do palco'', disse o arquiteto chinês.

O projeto do estádio custou US$ 500 milhões. Ao todo, o governo chinês gastou US$ 40 bilhões em obras de infra-estrutura para receber os jogos olímpicos.

Além de instalações esportivas de última geração a China também ganhou novas ferrovias e um novo terminal no aeroporto de Pequim.

Segundo Steve Jackson jornalista da BBC para o setor do leste da Ásia, ao contrário do que aconteceu nas Olimpíadas de Atenas em 2004, desta vez não há obras de última hora para completar a estrutura dos jogos.

Mas os elogios que o governo chinês recebeu do Comitê Olímpico Internacional pelos preparativos dos jogos foram marcados também pelo temor causado pela poluição atmosférica de Pequim e pela polêmica passagem da tocha olímpica, marcada por protestos em vários países.

SAÚDE - Analgésicos podem piorar a dor após a cirurgia.

Anestesista
Alguns anestésicos têm efeitos colaterais nocivos
Alguns anestésicos podem piorar a dor após a cirurgia, diz um estudo publicado nos Estados Unidos.

Segundo a pesquisa, feita por especialistas do Georgetown University Medical Center, em Washington DC, algumas drogas anestésicas usadas mundialmente possuem efeito irritante, estimulando os nervos e causando desconforto muito tempo após a operação.

O estudo, incluído na mais recente edição da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, pode levar profissionais da área a optar por outros tipos de anestésicos.

Um especialista britânico disse que resolver o problema da dor pós-operatória é hoje uma prioridade entre anestesistas.

Alho e pimenta malagueta

Os cientistas sabem há algum tempo que certas drogas, como o gás isoflurano, são eficientes em levar o paciente ao estado de inconsciência e mantê-lo nessas condições, mas também são agentes químicos irritantes.

Alguns anestesistas usam drogas analgésicas para minimizar esse efeito antes mesmo de ministrar o anestésico.

O novo estudo, no entanto, sugere que a ação irritante dos anestésicos não é passageira, e permanece durante muito tempo após os efeitos do analgésico e da anestesia terem passado.

Segundo os cientistas, essas drogas agem nos mesmos receptores das células nervosas que são ativados quando em contato com substâncias como alho, mostarda e pimenta malagueta.

Se estimulados de forma muito intensa, os receptores podem não apenas produzir uma sensação imediata de dor, mas também podem levar a uma supersensibilização a longo prazo dos sensores da dor no sistema nervoso.

No paciente, a conseqüência pode ser um aumento significativo da dor após a cirurgia.

Experiência

Como parte do estudo, os pesquisadores manipularam o DNA de ratos, retirando dos animais dois receptores nervosos específicos.

Eles verificaram que os animais não apresentaram sinais de dor após ser expostos aos gases anestésicos.

O responsável pelo estudo, Gerard Ahern, disse: "Não há um reconhecimento de que essas drogas resultem na liberação de substâncias químicas que recrutam células do sistema imunológico para os nervos, o que causa mais dor de inflamação".

"A escolha do anestésico parece ser um determinante importante na dor pós-operatória".

Ahern disse que embora esse efeito possa ser reduzido pelo uso de outros tipos de anestésicos, as alternativas disponíveis podem não ser tão eficientes em outros aspectos.

Comentando o estudo, Ian Power, um especialista da University of Edinburgh, na Escócia, disse que a dor pós-operatória continua a ser um problema sério, apesar de avanços no campo da anestesia nas últimas décadas.

"Estamos muito conscientes de que a dor aguda pós-operatória pode persistir e tornar-se crônica e duradoura, e temos procurado as razões para isso - talvez essa pesquisa possa esclarecê-las."

Outro especialista, Richard Langford, do Bart's e The London NHS Trust, disse que os resultados são interessantes, mas ressaltou que vários fatores se combinam para produzir a sensação de dor, como as proporções da cirurgia, a disposição mental e o grau de ansiedade do paciente.

PETRÓLEO - Criação de um "Fundo" com os recursos advindos da exploração das reservas.

Não deixa de ser uma boa idéia seguir o exemplo da Noruega, que criou um fundo com os recursos obtidos com a exploração petrolífera. Ainda mais que as reservas do pré-sal, considerado o preço do barril em torno de U$ 140, estariam valendo hoje uns U$ 14 trilhões. Os novos poços só entrarão em produção no próximo governo, e caberá ao novo presidente, manter ou não o fundo, caso ele venha mesmo a ser contituído. O Presidente Lula e a Ministra Dilma estão interessadas na materialização do fundo, que poderia ser uma grande fonte de recursos para aplicação na saúde, educação, ciência e tecnologia, infra-estrutura, etc.
Carlos Dória

ARTIGO - A CSS é justa e necessária.

Todo mundo sabe quem são, na maioria dos casos, contrários à CSS: são os grandes empresários, sonegadores e quem "lava dinheiro".
Carlos Dória

Por David Nogueira.

Um pequeno empresário de Rondônia, seguindo o coro de alguns outros Brasil a fora, deu-se ao luxo de externar muitos equívocos sobre a criação da CSS, Contribuição Social para a Saúde, que passarei, dentro de minha visão, a contestar. Acho que faltou bom senso nas afirmações. Raupista de primeira hora (não há crime nisso), Cassolista por conveniência (magnetizado pelo Poder), falta com a verdade quando defende seu ponto de vista de maneira agressiva.

Para iniciar, vamos a um fato: uma das maiores bandeiras dos micro e pequenos empresários (SIMPI) era a sanção da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Um grande avanço preciso e necessário que só foi possível ser dado NESTE governo. Entretanto, para o dirigente do SIMPI, a criação da CSS seria a gota d’água em copo cheio de insanidades praticadas por um Governo quase criminoso. Mas se o tema é delinqüência, vamos falar do assunto!

Crime nefasto foi votar pelo fim da CPMF, com o argumento de que isso tornaria mais baratos os produtos no Brasil. De fato, tornaram-se, porém esse dinheiro não retornou para o trabalhador, pois não houve um só produto que tenha reduzido 0,38% com o fim da CPMF. Como o imposto era em cascata, segundo apregoavam, a redução deveria ter sido maior. Não ocorreu. O Brasil perdeu recursos da saúde e um poderoso instrumento de luta contra os sonegadores. Foram 40 bilhões que seriam destinados à Saúde dos mais pobres e que, por picuinhas de alguns senadores e má fé de outros, acabaram nos cofres dos grandes, médios e pequenos empresários, bem como da alta classe média detentora de aplicações em banco, enfim, dos mais privilegiados da sociedade.

A grande massa de trabalhadores, construtora da riqueza deste país, solidária por essência, não se furtará em voltar a contribuir com essa “mixaria”, onde os grandes serão chamados a contribuir mais, como de fato deve ser. Um trabalhador informal que ganha, por exemplo, R$ 4.000,00 por mês, com esse novo tributo para a saúde, contribuirá com exatos R$ 4,00. É muito pouco para o benefício que a sociedade merece. Para os trabalhadores formais, esse desconto se dará a partir do que ganhar acima de R$ 3.038,00. Ou seja, a grande maioria dos assalariados do Brasil não contribuirá com nada.

Não me venham falar que se poderia retirar de outras fontes. As outras fontes já têm destino... os minimamente informados sabem disso. A infra-estrutura do país precisa de investimentos para a economia crescer mais (portos, aeroportos, ferrovias, rodovias urbanização, transporte, saneamento etc). Estamos construindo o Brasil das futuras gerações, mas isso não é visão para os cegos por opção.

Excedente de arrecadação é fruto de um governo que mudou a economia e a fez crescer como há muito não se via. Pelo menos aqui, há um reconhecimento dessa pujança pela oposição, apesar de, por diversas vezes, apresentar tal constatação com algo negativo. Mas, indiscutivelmente, a saúde precisa de adicionais e de perenidade. Necessitamos de mais dinheiro e de melhor aplicação... o setor ainda urge por ajustes. Isso sim é pensar grande, pensar nação.

Só para lembrar, este governo, que tanto é criticado pela oposição, há muito tenta colocar na pauta do Congresso a discussão da reforma tributária. Desonerando a produção e folha, distribuindo melhor a carga tributária, ampliando-a sem enfraquecer o Estado. Não obstante, os maiores críticos desse novo tributo também são os maiores empecilhos ao avanço da reforma tributária.

Todos possuem o direito de questionar um melhor uso dos recursos públicos. Concordamos plenamente. Intolerável é dizer que o Brasil tem dinheiro suficiente para suprir as necessidades de sua gente. Fazemos essa insanidade ao abrir mão de arrecadação, com base nesse tipo de argumento, desconectado de um contexto maior. Ainda somos uma nação de desiguais nas oportunidades, na formação, nos direitos, nos acessos, nos empregos e o Estado precisa ser forte, a fim de mudar tal realidade e levar a democracia a todos. O Governo Lula, a duras penas e apesar de uma oposição equivocada e atrasada, tem feito isso com competência. Só para lembrar, vejamos algumas ações deste novo Governo:

- 11,1 milhões de famílias no Programa Bolsa Família (mai/08) Isto é cidadania básica.

- 7,9 milhões de pessoas atendidas pelo Luz Para Todos (abr/08).Inclusão.

- R$ 8,4 bi contratados no Pronaf (ano agrícola 2006/2007). Contra pouco mais de R$ 1 bi em 2002.

- R$ 403 mi no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) em 2007. Fixação do Homem no campo.

- 448,9 mil famílias assentadas em 38 milhões de ha (2003-2007). Aquém do que precisamos, mas um marco histórico para o país.

- Conta Caixa Fácil da CEF: maior programa de inclusão bancária do país, com 4,8 milhões de contas ativas e saldo de R$ 210 mi em crédito.

- 236 mil jovens no ProJovem (fev/08), 385 mil alunos no Prouni (abr/08) e 229 mil vagas/ano no Reuni (abr/08). Oportunidades para todos.

- 10 novas universidades federais, 2 consolidadas e 3 em tramitação; 48 extensões universitárias até 2006, 13 em 2007, 2 em 2008 e 25 consolidadas. Quantas o “doutor” realizou em 8 anos de Governo (1994 a 2002)??

- 214 novas escolas técnicas (64 em 2003-2007, destas, 50 em funcionamento, e 150 na expansão 2007-2010, destas, 33 com licitações de obras concluídas, 22 licitações em andamento e 95 a serem iniciadas). Formação de qualidade.

- Brasil pela primeira vez entre os países de alto IDH1.

- País já ultrapassou a meta de reduzir à metade extrema pobreza até 2015 (ODM2).

- 9,7 milhões de brasileiros saíram da miséria (2003-2006). Dignidade.

- 20 milhões migraram das classes D e E para a classe C (2002-2007). Cidadania.

- 11 milhões de ocupações criadas, 8,9 milhões formais (jan/03-abr/08).

- Exportações: US$ 172,6 bi (+16,4%). Maior valor histórico. Resultado de governo.

- Importações: US$ 140,7 bi (+39,9%). Recorde histórico. Muitas destas importações são Bens de Capital que ajudam na consolidação do parque industrial nacional. Resultado de governo.

- US$ 198 bi (28mai/08) em reservas de moeda estrangeira. Pela primeira vez, Brasil é credor externo. Soberania.

- 133,1 milhões de toneladas de grãos em 2007 (IBGE). Recorde histórico. Nação forte.

Sem demagogia, é em cima disto que a discussão deverá se pautar. A palavra chave nesse processo é RESULTADO. Que números o Brasil apresentava e quais ele possui hoje? Com essa visão, não há constrangimento em dizer que precisamos avançar mais, porém sem mudança de rota.

Para concluir, temos que reconhecer a existência de um antagonismo ideológico básico, cuja essência nos diferencia muito. Eles acreditam na competência do mercado em resolver tudo. Nós consideramos que o Estado tem papel preponderante na superação de desequilíbrios.

Parece que o povo acredita mais na nossa proposta. Os brasileiros e brasileiras sentem na pele a mudança da política no país. A popularidade de Lula é um ótimo medidor externo dessa percepção.Quanto aos políticos em si, concordo. As urnas saberão dar a resposta, assim como deram em 2002 e em 2006.

COLÔMBIA - Ele teria imitado o FHC?

Isto não vai sair no JN.
Demorou mas a crise colombiana chegou ao seu limite. A Corte Suprema acusa o presidente Álvaro Uribe de ter conseguido a aprovação da reeleição comprando votos e com dinheiro do narcotráfico. Uribe reage acusando a corte de ser seletiva nas suas investigações e decisões e de favorecer as FARCs e, mais grave, acusa os juízes de ligação com os paramilitares e com os narcotraficantes.

Como podemos ver, e usando uma linguagem popular, é tudo farinha do mesmo saco. Álvaro Uribe, no entanto, que foi promovido a democrata pela nossa mídia, quer mais. Ele propôs um referendo para confirmar as eleições de 2006. A oposição reagiu e agora acusa o presidente de querer se perpetuar no poder. O problema é que o mandato de Uribe não tem mais nenhuma legitimidade, está sujo com o dinheiro do narcotráfico e dos paramilitares. A questão vai além da gravidade da situação das FARCs -- que exige um governo que negocie a paz e não manipule a guerrilha para se manter popular e conquistar um terceiro mandato – e tem um nome: golpe.

ARTIGO - O novo nome da oposição é inflação.

Basta ver o noticiário da TV, ouvir as rádios e ler os jornais. Nossos articulistas de plantão e os comentaristas chapa-amarela, não cansam de repetir que a inflação está subindo e vai subir mais. Com grande satisfação gritam a plenos pulmões que os pobres são os mais prejudicados. Repentinamente todos se converteram a social democracia, sem trocadilho, e estão do lado do povo contra o dragão da maldade, que se chama inflação.

A Folha ganha disparada o troféu ao anunciar, em letras garrafais, que o bolsa família não tira o povo da miséria e da pobreza, esquecendo que o país criou, nos últimos cinco anos, sete milhões de empregos com carteira assinada, uma revolução social de fato. Parte da inflação que vivemos já é produto da remarcação, efeito da histeria produzida pelo noticiário dirigido, que só agrava os efeitos da inflação importada pelas altas do petróleo, alimentos e matéria-prima, e pelos efeitos naturais e esperados do recente crescimento de nossa economia, que produz tensões e elevação de preços de fatores de produção escassos. Nada que os aumentos do investimento e ou a importação não possam resolver, como de fato vinha resolvendo, até o BC decidir, de forma precipitada, aumentar os juros com o claro e direto propósito de diminuir o crescimento econômico, sem nenhuma segurança que impedirá o aumento da inflação, irrisório e dentro da banda da meta de 4,5%.

A inflação dos alimentos tem que ser combatida com mais produção, já que o emprego, a renda e a massa salarial crescem, mas a produtividade cresce mais, pressionando a demanda, mas também estimulando a oferta, sem esquecer que o aumento dos preços dos alimentos aumentará a renda da agropecuária e do agronegócio, estimulando também o consumo e a renda em todo país. Só espero que o dinamismo de nossa economia real se sobreponha ao irrealismo dos gabinetes refrigerados do COPOM e aos interesses que não deixam os juros brasileiros caírem a níveis internacionais.
Fonte: Blog do Zé Dirceu.

CUBA - Já se passaram 8 anos do retorno do menino.


Cuba recorda retorno de menino seqüestrado nos EUA

Havana, 28 jun (Prensa Latina) Elián González, o menino cubano que permaneceu seqüestrado por parentes muito longínquos nos Estados Unidos durante mais de sete meses, retornou ao seu país há oito anos em um dia como hoje do ano 2000 após intensa batalha.

Tudo começou quando o menor foi tirado ilegalmente da ilha, em 22 de novembro de 1999, numa lancha junto a sua mãe sem o conhecimento nem consentimento de seu pai, Juan Miguel González, com quem compartilhava a custódia do infante.

Três dias depois de sua partida, depois do naufrágio da embarcação, Elián e outras duas pessoas foram resgatadas por pescadores em águas próximas à Flórida, convertendo-se assim nos únicos sobreviventes das 14 pessoas que iniciaram a viagem.

Depois de receber atenções médicas, o menor foi posto ao cuidado de seu tio-avô paterno Lázaro González, que residia em Miami e que pouco tempo depois, em franca cumplicidade com a máfia anticubana, opôs-se a toda tentativa de devolver Elián ao seu país de origem.

Enquanto Lázaro González iniciava o que mais tarde viraria seqüestro, o pai de Elián solicitou imediatamente sua repatriação, ato que foi respaldado pelo governo e povo cubanos.

Ante o silêncio das autoridades dos Estados Unidos, em 5 de dezembro de 1999 jovens das Brigadas Técnicas Juvenis protestaram em frente ao Escritório de Interesses desse país em Havana (SINA), contra a retenção do menino, iniciando assim uma intensa luta por seu retorno.

Pese à oposição dos parentes longínquos de Elián para que ele voltasse à ilha, o Serviço de Imigração e Naturalização (INS) dos Estados Unidos reconheceu, em 5 de janeiro de 2000, o direito de pátria potestade de Juan Miguel sobre seu filho.

Enquanto isso, acrescentavam-se as multitudinárias manifestações em toda a nação caribenha para reclamar a volta do pequeno de Cárdenas, enquanto na Flórida se recorria a manobras rábulas para impedi-lo.

Finalmente, a rejeição definitiva do Tribunal Supremo dos Estados Unidos de analisar um novo pedido de asilo político dos seqüestradores, abriu o caminho final, depois de sete meses de intensas batalhas, ao retorno de Elián à terra que o viu nascer.
Fonte: Prensa Latina.

sábado, 28 de junho de 2008

AGRICULTURA FAMILIAR - O tempo e o horizonte da agricultura familiar.

Paul Singer compara o modo como o agronegócio empresarial e a agricultura familiar se relacionam com o tempo: para o primeiro, a relação com o tempo é medida pelos prazos de envios dos relatórios à bolsa de valores a cada três meses. Já para a agricultura familiar, o horizonte são as gerações, os filhos e os netos. Essa diferença diz muito sobe os conceitos de desenvolvimento e progresso em debate hoje.

Falando sobre agricultura familiar e economia no campo brasileiro, Paul Singer, Secretário Nacional de Economia Solidária fez uma platéia de quase mil pessoas poder refletir sobre tempo, natureza humana e temporalidade das ações, na relação com o meio ambiente. O fôlego e a densidade do debate aberto pelo professor titular em macroeconomia da USP, contudo, não assustaram os participantes desta I Conferência Nacional. Nem poderiam. Com a simplicidade que lhe é característica, o professor analisou alguns dos problemas que têm contribuído para que a relação entre a humanidade e o planeta tenha tomado a forma de uma contradição manifesta. E a aparência de um destino.

Um desses problemas é o modo como as atividades econômicas produtivas e lucrativas se relacionam com o tempo. Para o agronegócio empresarial que transformou a agricultura num dos braços do mercado de commodities, a relação com o tempo é medida pelos prazos de envios dos relatórios e balanços financeiros à bolsa de valores, em regra, a cada três meses. Já para a agricultura familiar, anotou Paul Singer, “o horizonte são as gerações, dos seus filhos, dos seus netos”.

Um horizonte mais largo é por si só uma diferença importante? A destruição da natureza pelo homem é medida somente pelo tempo? Não, mas a qualidade das mudanças provocadas pelas atividades econômicas determinam, pelo menos ao longo dos últimos séculos, a temporalidade da vida na sociedade e, por conseguinte, da relação dos homens com a exploração, dominação e uso dos recursos da natureza. E é nessa qualidade que reside a diferença entre o potencial predatório do mercado de commodities em relação, por exemplo, à atividade econômica da agricultura familiar.

Porque essa diferença evidencia que a qualidade das mudanças nos preços de commodities não depende de contrapartidas ou referências reais para se constituir, de modo que pode nunca deixar de ser uma mera arbitrariedade, não à toa chamada por Marx de fetiche. No reino da troca absoluta, nada se mede na realidade e a mudança deixa de ser categoria determinante da inteligibilidade dos fenômenos sociais.

E é assim, despedindo-se da realidade, que a lógica capitalista se permite destruir recursos naturais como fosse uma conseqüência, se assim se pode dizer, natural. Em contrapartida, marcar o tempo na duração de gerações constitui uma qualidade completamente distinta de mudança na natureza, sobretudo na atual quadra histórica. Entender essa diferença, contudo, não requer compromissos com versões finalistas da história: não é o progresso versus o atraso o que explica a diferença entre a temporalidade do mercado de commodities e a temporalidade marcada nos rostos e na carne das pessoas que vivem de, com e através dos recursos naturais, como é o caso da agricultura familiar, exemplarmente.

Disso se segue que não se trata de julgar a velocidade do mercado de commodities em oposição, puramente ideológica, à atividade produtiva das populações que produzem alimentos, segundo padrões sustentáveis, mas de levar o tempo a sério, como uma das características que determinam o estado das coisas no mundo, entre elas, a da atual crise de alimentos.

Pode parecer evidente que a velocidade de uma colheita não é comparável à avaliação de preços numa tarde da Bolsa de Mercadorias Futuras. Então, o que é mesmo que torna essa velocidade um problema sério, inclusive quanto ao meio ambiente? Paul Singer responde a essa pergunta possível com um olhar prudente sobre a construção de modelos de sociedades, sobretudo a partir de “postulados” a respeito da natureza humana, isto é, a partir de abstrações; um olhar, vale dizer, que vê no diagnóstico das teorias neoclássicas da natureza humana um problema: se a medida do tempo não é única, quando tomada com referência às coisas que mudam e que são mudadas na natureza, faz sentido referir-se aos homens como indivíduos prontos e acabados?

Com que autoridade se deduz e pretende legitimar um sistema econômico e político a partir de postulações sobre a natureza humana? Não estaria ela, a própria natureza humana, submetida ao tempo? Ou seria um conceito estático, caído no planeta recentemente, vindo sabe-se lá de onde? Para Singer, nós não apenas não conhecemos a natureza humana e não podemos pensá-la a despeito do fato de que ela está sempre mudando.

Qual ou quais as contrapartidas às marchas do tempo de que se fazem as histórias, do capitalismo e das suas resistências? Qual o pressuposto metodológico que autoriza o marxismo a, desde sempre, sustentar a sua crítica à economia política em todas as suas variantes? O pressuposto é uma unidade entre pensamento e experiência, entre sujeito e objeto, entre intenção e extensão, que tornou a história e o pensamento do tempo histórico elementos centrais para o entendimento e a superação das contradições incontornáveis do capitalismo, que hoje ganham a dimensão de ameaça climática e alimentar, no planeta.

É um pressuposto de que a prática ensina, à medida que a intenção organiza, e que autorizou Marx a ratificar a tese de que o conceito sem a intuição é vazio e de que a intuição sem o conceito é cega. É assim que as idéias e o exemplo de Paul Singer ganham, devidamente, força. Com a defesa de que o papel dos que pensam é observar, entender, examinar e experimentar, e não postular sociedades e homens fictícios.

“Portanto”, disse enfaticamente o professor, “não temos modelo, e eu gostaria de afirmar isso com muita convicção a vocês”. Na autocrítica ao método, se assim se pode dizer, socialista, de que Singer se disse herdeiro, ele acrescenta o compromisso de tentar fazer empiricamente, segundo o velho método da tentativa e erro. Assim não se corre o risco, hoje mais evidente que nunca, de destruir, devastar e matar de fome. Assim não se perde a medida real do tempo, para se submeter ao espaço e ao poder que o delírio fetichista tem imposto às economias e estômagos do mundo, sobretudo do mundo pobre e já faminto.

A medida real do tempo se faz de quê, afinal? Da vida das pessoas, de gente e do Planeta. Pode-se considerar a economia solidária como uma utopia; ou uma das iniciativas ingênuas e evasivas que caracterizaram a história da resistência moral à miséria que o avanço do capitalismo deixa como rastro. O problema dessa acusação não é tampouco só de natureza moral – ainda que também o seja -; nem é o preço que ela tem a pagar – que já está pagando; o problema dessa acusação é o destino de Baixio das Bestas, para o campo e as cidades brasileiras.

Na abertura do mais vigoroso e bem dirigido filme brasileiro dos últimos anos, Baixio das Bestas, de Cláudio Assis, pode-se ler uma referência que talvez esclareça esse lembrete: “O tempo vai consumir os engenhos, a usina, a mim e a você”, porque, ao contrário do delírio das variantes da economia política do século XIX, cada vez mais capengas e autoritárias, nem o mercado, nem a natureza humana são eternos. Talvez seja isso, afinal, o que a atual crise global de preços e de abastecimento deixe como evidência, empiricamente verificável: a contradição entre humanidade e planeta não é destino.
Fonte: Agência Carta Maior.

ECONOMIA - Banco do Sul terá capital de U$ 20 bilhões.




Banco do Sul 'terá capital autorizado de US$ 20 billhões'

Dólares
Banco deve começar a funcionar em 2009 com US$ 10 bi no caixa
O Banco do Sul terá capital autorizado de US$ 20 bilhões, segundo um comunicado conjunto divulgado por ministros e vice-ministros da área econômica de Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela reunidos nesta sexta-feira, em Buenos Aires.

De acordo com a nota, o Banco do Sul deverá começar a funcionar a partir de 2009 com US$ 10 bilhões no caixa – US$ 3 bilhões a mais que o valor inicialmente anunciado, quando a idéia foi lançada, no ano passado.

A expectativa, segundo assessores das autoridades que participaram do encontro, é de que outros países da região, como Chile e Peru, financiem os recursos que completariam os US$ 10 bilhões.

A previsão de se alcançar os US$ 20 bilhões é feita a partir da possível participação de outros países da região.

"O Banco do Sul entrou numa etapa final de definições relacionadas ao seu convênio constitutivo", diz o comunicado.

O texto diz ainda que este capital corresponde aos países membros da União das Nações Sul-americanas (Unasul).

Uma nova reunião deverá ser realizada no próximo mês em Assunção, no Paraguai, e outra em La Paz, na Bolívia.

Desenvolvimento

O Banco do Sul partiu de uma iniciativa da Venezuela, como uma alternativa a instituições como o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A nova entidade é definida como um braço para o "desenvolvimento" e não pretende ter, de acordo com assessores, um perfil como o do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na prática, Brasil, Venezuela e Argentina vão participar com US$ 2,9 bilhões. Equador e Uruguai com US$ 400 milhões, e Paraguai e Bolívia com US$ 100 milhões cada.

No entanto, cada país ainda depende de aprovação de seus parlamentos para a liberação destes recursos.

Em visita à capital argentina, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, evitou declarações aos jornalistas brasileiros. Numa recepção na embaixada do Brasil, conversou sobre inflação com o ministro argentino da Economia, Carlos Fernández, mas não foram revelados maiores detalhes.

O governo argentino tem sido acusado por diferentes setores de maquiar os dados da inflação que, de acordo com consultorias econômicas, estaria em torno de 25% acumulados nos últimos 12 meses, e não em 8% como afirmam as cifras oficiais.

IMIGRAÇÃO - A Europa direitista mostra suas garras.



Na liberal Inglaterra, quase dois terços da população (64%, pesquisa da IPSOS-MORI,de novembro de 2007) querem leis muito mais duras para a imigração do que as existentes.

Esta idéia é compartilhada pela maioria dos países da Europa Ocidental. E vem sendo a principal bandeira dos partidos de direita europeus na conquista dos corações e mentes dos eleitores.

Na Itália, o premier Berlusconi contou com a aprovação de 58% da população (vide Angus Reid) ao propor medidas repressivas tão violentas que poderiam ser consideradas fascistas: tornar a imigração ilegal crime, passível de 18 meses de prisão; penas 1/3 maiores a imigrantes do que para italianos; condenar quem aluga residências a imigrantes ilegais a 4 anos de prisão, 50 mil euros de multa e confisco do imóvel.

Não admira que o combate sem tréguas a esses "estrangeiros indesejáveis", por ele acusados de criminosos, tenha sido um dos principais temas da campanha vitoriosa de Berlusconi nas últimas eleições.

Sarkozy adotou a mesma atitude, consagrada pelos franceses nas urnas. Uma vez eleito, pôs mão à obra e em julho de 2007 decretou que os patrões deveriam denunciar seus empregados sem-documentos, sob pena de multa de 15 mil euros e cinco anos de prisão.

A aversão da população européia pelos imigrantes se explica em parte pelo racismo, nem sempre expresso, mas em geral latente, herdado dos tempos coloniais, quando os africanos eram acoimados de selvagens e os asiáticos de bárbaros que os europeus condescendiam em "civilizar". Outra razão, talvez mais importante, é o temor de que esses intrusos venham tomar postos de trabalho da população local. De fato, embora nos empregos de maior nível seja nítida a preferência pelos europeus, naqueles de baixa ou nenhuma qualificação africanos e latino-americanos não-regularizados competem com vantagem. Isso porque aceitam salários menores e mais horas de trabalho (chegam a 60 por semana). Gerard Filoche, inspetor do trabalho francês, relata outras condições abusivas às quais os imigrantes se submetem com medo de serem denunciados à polícia: horas não pagas, demissões injustas, ausência de indenizações e trabalho noturno e no fim de semana.

A nova lei contra imigrantes ilegais, aprovada por larga margem no parlamento do velho continente, por pressão dos governos conservadores da França, Alemanha, Itália e Inglaterra (trabalhista só no nome), os países líderes da comunidade européia, representa uma ameaça violenta contra aqueles que buscaram a Europa em busca de uma vida mais digna.

Somente os deputados socialistas, comunistas e verdes se manifestaram contra, criticando especialmente certos aspectos, como o confinamento dos imigrantes sem documentos (mesmo meninos nascidos no país) em casas de detenção por até 18 meses até serem deportados e a proibição de voltarem à Europa durante um período de 5 anos, mesmo por vias regulamentares, para casos de força maior.

Especialmente porque estas duras penas desconsideram o tempo que os migrantes estão no país, se tem famílias, filhos, negócios, casas de moradia, empregos registrados – se estão integrados nas comunidades locais, pagam impostos –, se vão separar pais estrangeiros de filhos franceses.

A Anistia Internacional condenou a lei, entre outros motivos por não garantir a volta dos emigrados em condições seguras e dignas, pois serão arrancados de seus lares e empregos no país onde se encontram para serem lançados sem recursos nos países de origem.

Para a Obra Católica Portuguesa de Migração, "o direito das pessoas lutarem pela sobrevivência não pode ser criminalizado".

Em artigo publicado no Guardian de Londres, Evo Morales lembrou que a América Latina recebeu, em 2006, 68 bilhões de dólares dos emigrantes oriundos de seus países, mais do que o total dos investimentos estrangeiros na região. "Meu país, a Bolívia, recebeu um total correspondente a 10% do seu PIB", acrescentou. Com isso, a lei discriminatória do Parlamento de Estrasburgo tende a causar ponderáveis prejuízos justamente em nações onde a pobreza, que os países ricos da Europa dizem combater, constitui um problema particularmente grave.

Como se viu acima, antes mesmo da aprovação da lei, França e Itália já estavam empenhadas na expulsão dos seus estrangeiros indesejáveis. Outros países deverão seguir seus exemplos. O resultado é que uma torrente de 8 milhões de africanos, latino-americanos e asiáticos sem documentos, que é o calculado existir na Europa, voltarão para os países pobres dos quais se originam, onde o desemprego e as condições de vida costumam ser muitas vezes piores do que no bloco das 27 nações da Comunidade. Os problemas sociais e econômicos decorrentes serão incalculáveis, levando em conta inclusive a fragilidade das estruturas desses países.

Depois de séculos, primeiro escravizando e depois explorando impiedosamente a África, a América Latina e parte da Ásia, a Europa parece não ter esgotado seu arsenal de desgraças.

Alguns líderes latino-americanos lembraram que ela deve gratidão aos países do Sul, que nos séculos 19 e 20 receberam milhões de cidadãos italianos, portugueses, franceses, alemães, espanhóis, ingleses e de outras nacionalidades, que para cá vieram em busca de melhores oportunidades que seus países não ofereciam.

Mas, na Europa de Berlusconi, Sarkozy, Ângela Merkel e Gordon Brown, "gratidão" não é um argumento que merece ser levado em conta.

Fonte: Correio da Cidadania.

CRISE FINANCEIRA - Especulação sem restrições.


por Alejandro Nadal

. A pior crise financeira dos Estados Unidos desde 1929 confirma aquilo que já se sabia, pelo menos desde Keynes. As expectativas dos mercados financeiros tendem a super reagir frente a boas ou más notícias, ampliando os sinais e conduzindo a uma volatilidade excessiva nos preços dos activos. Por isso os mercados financeiros são sistemas dinâmicos altamente instáveis nos quais a valorização de títulos é altamente irracional.

Essa volatilidade é um monstro que se alimenta de si próprio: é o motor da especulação, gerando ciclos de bolhas em expansão ou em contracção súbita quando rebentam. Mas a partir de 1973 a teia reguladora que mantinha o sector financeiro sob controle foi sistematicamente desmantelada.

Bancos, corretoras, seguradoras, avalistas e toda a gama de agentes que vivem nas entranhas dos mercados bursáteis cantaram a mesma canção: a "desregulamentação" foi promovida ao abrigo da hipótese dos mercados eficientes. Algumas vozes no meio académico e nas agências reguladoras aconselharam prudência, mas as necessidades do capital financeiro impuseram-se e saíram vitoriosas. Hoje todo o mundo (literalmente) está a pagar as consequências.

A eliminação das regras aumentou a opacidade e assistiu ao surgimento de novos participantes e produtos em operações de alavancagem muito forte: fundos de cobertura de risco, produtos derivados e sintéticos altamente complexos, os chamados veículos de investimento estruturado (SIV), as obrigações de dívida colaterizadas (CDO), etc. Estas inovações nos mercados financeiros são difíceis de apreciar correctamente. Em muitos casos, as operações sobre estes instrumentos são "especiais" e colocam-se fora das declarações financeiras dos bancos e das corretoras. Além disso, muitas das companhias classificadoras têm investimentos neste tipo de instrumentos, pelo que se encontram num claro conflito de interesses. Tudo isso contribui para uma situação de falta de transparência e torna muito difícil a supervisão pelas agências reguladoras que ainda subsistem, apesar de reduzidas à sua expressão mínima.

Enquanto os promotores da desregulamentação financeira pediam menos intervenção do Estado alegando o funcionamento eficiente do mercado, a eliminação de regras conduzia a maior instabilidade. Um exemplo claro disto é a derrocada e resgate do falido Bear and Stearns, conglomerado que era ao mesmo tempo banco de investimentos, corretora e agente no mercado bursátil.

Um dos factores que converteu a crise do mercado hipotecário numa enfermidade contagiosa foi a colocação de títulos em bolsa. Em processo coloca barreiras entre os possuidores de títulos e os devedores, tornando difícil a correcta avaliação do risco creditício. Exemplo: na crise do mercado hipotecário intervieram múltiplos agentes, desde o corretor de bens imobiliários, o avaliador, o banco hipotecário, o banco de investimentos que reempacotava os créditos hipotecários como dívida colaterizada, até as agências classificadoras que concediam um triplo A para esse tipo de investimentos. Todos esses degraus estiveram a cobrar um prémio e transferiam o risco para o degrau seguinte da cadeia, que cada vez tinha menor capacidade e vocação para apreciar correctamente a solvência do devedor. O resultado final: produtos financeiros tóxicos que se distribuíram por todo o sistema financeiro, bancário e não bancário.

A crise financeira também é provocada pelos métodos de compensação e retribuição dos funcionários dos bancos e corretoras. Este sistema de compensações está baseado em bónus pelo bom desempenho definido em termos de lucros a curto prazo. Isto aumenta o chamado risco moral ao premiar a especulação e o comportamento irresponsável. Sem esquema de penalização, os altos quadros de corretoras e bancos têm fortes incentivos para aceitar riscos altíssimos que normalmente teriam sido recusados.

A necessidade de estabelecer uma nova regulamentação sobre o sistema financeiro deveria ser atendida imediatamente. Mas a realidade é que a nível nacional e internacional continua-se a favorecer o esquema da "auto-regulamentação", onde a chamada disciplina do mercado e uma série (mínima) de princípios básicos é tudo o que se precisa para assegurar o bom desempenho do sistema financeiro. Isso é o que está por trás dos acordos de Basileia II. Parece que na economia capitalista mundial o poderio do sector financeiro conseguiu impor o fraco esquema regulamentar que convém aos seus interesses.

Fonte: Blog Resistir.

ARTIGO - Brasil ganha 63 milionários por dia.


By André

O número de milionários no Brasil cresceu 19,1% no ano passado, o terceiro maior avanço no mundo, superado apenas por Índia e China. O país contava, em 2007, com 143 mil pessoas com ativos de pelo menos US$ 1 milhão (23 mil a mais do que em 2006), de acordo com estudo anual do Merrill Lynch e da Capgemini. O aumento superou ainda o PIB (Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas produzidas no país), que cresceu 5,4% em 2007.

Foi o maior crescimento no número de milionários do país nos últimos cinco anos desse estudo (quando os dados dos países ficaram mais detalhados). No período, a maior expansão tinha sido a de 2005, de 11,3%, quando o Brasil teve o décimo maior avanço mundial.

O estudo aponta o avanço do PIB, o crescimento da Bovespa (a Bolsa subiu 79,61% no ano passado, segundo a Standard & Poor’s, alta inferior à de apenas 3 dos 52 mercados pesquisados) e o aumento dos preços das commodities como os principais motivos para a expansão no número de milionários.

Benefícios

"Com setores bem desenvolvidos de agricultura, mineração, indústria e serviços e sendo um grande exportador de matérias-primas, produtos de energia e outras commodities, o Brasil colheu os benefícios dos aumentos expressivos nos preços de alimentos e de energia durante o ano passado", afirma o levantamento, que lembra ainda da desvalorização do dólar em relação ao real.

Como ocorreu nos dois estudos anteriores, o avanço brasileiro superou a média mundial em 2007 (6%), ano que foi marcado por turbulência nos mercados financeiros, especialmente no segundo semestre.

Para burlar a crise

A pesquisa afirma que uma das conseqüências da crise (que teve como estopim os problemas no mercado imobiliário norte-americano) foi uma mudança no perfil dos investimentos dos milionários do início de 2007 para o segundo semestre. Eles começaram o ano apostando em investimentos mais arriscados e, com o aumento das incertezas econômicas e das turbulências, passaram a optar por ativos mais seguros. Segundo o estudo, investimentos vistos como menos arriscados, como dinheiro e aplicações de renda fixa, representavam 44% dos ativos dos milionários, nove pontos percentuais a mais do que em 2006.

Estudos recentes

A consultoria americana The Boston Consulting Group (BCG) disse que, no ano passado, havia 190 mil milionários no Brasil, 46,1% a mais do que em 2006. Na lista de bilionários deste ano da revista Forbes, o Brasil tem 18 representantes, que possuem uma fortuna média de US$ 3,6 bilhões – o mais rico é o empresário Antônio Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, com US$ 10 bilhões. Ele aparece na 77ª colocação geral.

Levantamento da Barclays Wealth e da Economist Intelligence Unit, divulgado no mês passado, estima que o Brasil terá, em 2017, 675 mil domicílios com fortuna de pelo menos US$ 1 milhão e será o país emergente com o maior número de milionários.
Fonte: Blog Consciência Política.

INTERNET - Brasil superou 40 milhões de pessoas com acesso à web.

Notícia deveras importante já que, através principalmente da Internet, a grande imprensa vem tendo suas "verdades" desmascaradas. Quanto mais Internet menor influência dos "formadores de opinião" do PIG.
Carlos Dória

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil registrou no mês passado número recorde de 41,565 milhões de pessoas com acesso à Internet, ultrapassando a barreira dos 40 milhões de internautas pela primeira vez, segundo pesquisa realizada pelo IBOPE//NetRatings.

A empresa, que mede a Internet brasileira desde setembro de 2000, informou ainda que o número de internautas com acesso à Web em casa também foi o maior já registrado, chegando a 35,5 milhões de pessoas.

Segundo o coordenador do estudo e gerente de análise da empresa de pesquisa, Alexandre Magalhães, o crescimento acelerado do mercado de informática no Brasil e avanço nas políticas públicas referentes ao acesso à rede são os principais fatores por trás dessa contínua expansão da Internet no Brasil.

"São dados positivos... E refletem as políticas públicas de abertura de pontos de acesso à Internet em escolas... além da avalanche de facilidades para adquirir computadores novos... por causa da concorrência entre os fabricantes de computador", afirmou em comunicado divulgado à imprensa.

No mês passado, 23,1 milhões de pessoas navegaram pela Web pelo menos uma vez em suas residências, número 29 por cento maior que em maio de 2007 e também recorde.

A pesquisa aponta também que o brasileiro continuou a ser o internauta residencial que navega por mais tempo dentre os dez países acompanhados pela Nielsen//NetRatings.

O usuário brasileiro navegou por 23 horas e 48 minutos, em média, no mês passado à frente de países mais desenvolvidos como Japão e Estados Unidos.

ARTIGO - Mais uma vez uma ameaça.

José de Souza Castro, do Tamos com Raiva.

No artigo anterior, defendo que o mundo está ameaçado pela fome e pela falta de líderes, desde que o neoliberalismo passou a ser a doutrina econômica e a política dominante. É uma conseqüência do fim da União Soviética e da cooptação da China pelo capitalismo mundial, embora o regime se intitule ainda comunista.

Estamos vivendo, há alguns anos, sem um contraponto político e ideológico ao capitalismo, que só não é mais exacerbado por causa do esforço de entidades da sociedade civil para torná-lo, de certa forma, socialmente responsável.

Mas esse esforço não é suficiente para evitar que 832 milhões de pessoas passem fome hoje no mundo e que dois bilhões, segundo cálculos da própria ONU, estejam seriamente ameaçados, num futuro próximo, com a escassez de alimentos. São vários os fatores que levaram a essa situação tendente a agravar-se, mas o mais importante foi o enfraquecimento dos governos em praticamente todos os países. Sem força para regular o mercado, este corre solto em busca apenas de lucro, sem contemplar as conseqüências para a população da terra e para a própria sobrevivência do planeta como um habitat para animais e plantas.

Os Estados Unidos, como líder mundial, são os principais responsáveis pelo atual estado de coisas. O economista Jeffrey D. Sachs, autor de "The end of poverty" (O Fim da Pobreza), culpa seu país por nada fazer para reduzir a miséria que leva à morte mais de oito milhões de pessoas no mundo a cada ano – pessoas tão pobres que não conseguem sobreviver. A cada dia, 20 mil pessoas morrem no mundo por extrema pobreza. Enquanto os Estados Unidos gastam 450 bilhões de dólares por ano com os militares, eles destinam apenas 15 bilhões para socorrer os mais pobres entre os pobres do mundo. Essa esmola representa apenas 15 centavos de cada 100 dólares do PIB americano.

Sob a inspiração dos Estados Unidos, o FMI e o Banco Mundial promoveram uma era de ajustamento estrutural nos países do terceiro mundo. Obrigaram os governos a venderem suas empresas, a deixarem de intervir no mercado, a abrirem suas economias para o comércio mundial – e agravaram o problema da miséria em seus países. Enquanto isso, a ajuda internacional caiu de 32 dólares por africano, em 1980, para 22 dólares em 2001, embora nesse período a África, o continente mais ameaçado, estivesse sendo castigado pela Aids e por outras doenças epidêmicas que exigiam aumento dos gastos públicos com a saúde.

O que se vê na África – e em partes do Brasil também – é uma verdadeira dizimação de populações inteiras pela fome e pela doença. A se confirmar a previsão da ONU, será uma tragédia muitíssimo mais grave do que o holocausto dos judeus na Alemanha nazista. Os mortos de agora serão também vítimas do racismo.

A degradação ambiental provocada pela ganância dos ricos e poderosos que estão a exaurir, a um ritmo intenso, os recursos naturais dos países pobres tem como vítimas preferenciais, mais uma vez, os mais pobres entre os pobres. A devastação das florestas ameaça o ecossistema, exacerbando as enchentes e a erosão da terra que pode servir para lavouras, e tornando escassa a lenha com que aquelas pessoas cozinham seus alimentos, para citar apenas alguns dos efeitos do fim das florestas.

Voltemos ao problema da África, com um pouco de história recente. Os governos ocidentais impuseram restrições draconianas no orçamento africano entre 1980 e 1990. O FMI e o Banco Mundial praticamente ditaram as políticas econômicas dos países devedores do continente, com programas sem qualquer base científica e sem resultados positivos. De acordo com Sachs, no começo do século XXI, a África era mais pobre do que em 1960, quando os dois organismos internacionais primeiro pisaram no continente. O FMI e o Banco Mundial concluíram o que havia sido feito em três séculos de exploração dos africanos como trabalhadores escravos nas lavouras dos Estados Unidos, do Brasil e de muitos outros países.

Depois que terminou o período colonial, a África se tornou uma espécie de peão da guerra fria liderada pelos Estados Unidos. A CIA se encarregou de tirar do poder todos os líderes que pregavam o nacionalismo ou exigiam melhores condições na exploração de seus minérios e petróleo por companhias estrangeiras, ou que buscavam ajuda da União Soviética. Só para lembrar: foi obra da CIA o assassinato do primeiro-ministro do Congo, Patrice Lumumba, e sua substituição pelo ditador sanguinário Mobutu Sese Seko. Nos anos 80, os Estados Unidos apoiaram Jonas Savimbi na sua violenta revolta contra o governo de Angola, sob a alegação de que Savimbi era um anticomunista. A lista é longa...

Mas nada disso se compara ao que assistimos hoje: a morte por inanição de milhões de pessoas. Aliás, uma conseqüência de tudo o que se fez no passado sob a batuta de Tio Sam. E não há esperança à vista de mudanças. O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos não parece preocupado com isso. Já o candidato republicano, qualquer que seja ele, fará o que sempre fizeram os republicanos com o resto do mundo, se for eleito.