quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

ECONOMIA - Pequena empresa é quem faz o Brasil trabalhar

Do Blog TIJOLAÇO.

Acompanhe aí no gráfico ao lado e você verá que quem criou oportunidade de trabalho no Brasil foram as microempresas e os eemprendedores individuais. Veja lá: dos 30,5 milhões de postos de trabalho criados nos 20 anos entre 1989 e 2008, quase 17 mil foram em microempreendimentos ou trabalho por conta própria. Ou seja, 55% por cento do total. E se você considerar só os empregos formais criados no período – 15,78 milhões – e juntar as pequenas e médias empresas, com menos de 100 empregados, o número de carteiras assinadas pelo qual elas respondem chega a pouco mais de 9,3 milhões, o que representa 59,2% do total.

Os números fazem parte de um estudo do Instituto de pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, divulgado hoje.

Veja como é o mapa do trabalho no Brasil, segundo os dados levantados pelo IBGE, em 2008:

- 92,4 milhões de ocupados. Desse universo, 60,8 milhões (65,8%) com emprego assalariado,sendo 40,1 milhões com carteira assinada (66%) e 20,7 milhões sem contrato de trabalho formal (34%). A parte restante dos ocupados que não eram assalariados (31,6 milhões) se dividia em 18,7 milhões de trabalhadores por conta própria (20,2%), 4,6 milhões de trabalhadores sem remuneração (5%), 4,2 milhões de trabalhadores em atividades próprias de produção, consumo e construção (4,6%) e 4,1 milhões de empregadores (4,4%)

- Os empregos no setor privado: 47,8 milhões de empregados e 4,1 milhões de empregadores, mais os 18,7 milhões de trabalhadores por conta própria. Total: 70,6
milhões de ocupações, 76,4% do total da ocupação nacional. O restante são os funcionários públicos (6,4 milhões), os trabalhadores domésticos (6,6 milhões) e ocupados não remunerados e envolvidos em atividades próprias de produção, consumo e construção não agrícola (8,8 milhões).

- Daqueles 70,6 milhões, 54,4% são pessoas que ganham a vida desde em atividades individuais até empresas de até dez trabalhadores. Entre eles, menos de um terço (29,4%) encontravam-se cobertos pela legislação social e trabalhista e 40% trabalhavam mais que as 44 horas prescritas pela Constituição.

Não tive tempo de ler ainda todo o estudo. Mas estes dados já mostram como é importante – não, não é importante, é vital – para o Brasil cuidar e estimular o pequeno e o microeempreendedor. O crédito para os microeempreendedores no Brasil ainda é um dos menores percentuais do crédito total em países em desenvolvimento.

Durante muitos anos os nossos governantes rastejavam atrás das grandes empresas mundiais e se vangloriavam de terem atraído para cá algumas destas gigantes, não raro a poder de favores fiscais. Mas quem dá trabalho, mesmo, aos brasileiros, são os brasileirinhos que abrem uma lojinha, uma fabriqueta, um pequeno negócio individual.

Claro que precisamos de grandes empresas – ninguém vai imaginar, por exemplo, uma micropetroquimica, por exemplo – mas devemos olhar mais para estas pequenas iniciativas e, sobretudo, ajuda-las a inserir seus trabalhadores no mundo dos direitos sociais.

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