quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

BANDA LARGA - A banda larga chegou por onde devia: pelo twitter!

Copiado do blog "Tijolaço", do Brizola Neto.

Marcelo Branco, que "twitou" as declarações do Presidente Lula na Rede

O presidente Lula achou uma maneira simpática e inteligente de dar suas primeiras declarações sobre como será o Plano Nacional de Banda Larga, a ser anunciado oficialmente nos próximos dias. Na reunião com entidades que defendem o uso de software livre, Lula permitiu um dos participantes, Marcelo Branco, a “twittar” o que ia dizendo no encontro. Veja os posts e uma explicação sobre o que cada um quer dizer:

“Depois de muito trabalho conseguimos conquistar de novo a Eletronet.Queremos fazer a Telebrás voltar a funcionar”.

A Eletronet é a empresa que administrava as redes de fibra ótica montadas sobre as torres de transmissão de energia de Furnas, Chesf e outras elétricas, ligando todo o país, e se encontrava em estado falimentar, exigindo que a Telebras recuperasse na justiça a posse destas redes.

“a banda larga e Internet é um bem que todos devem ter direito” como a “luz pra todos”

O Brasil é um dos últimos países em índice de conexões razoáveis à internet. Estima-se em apenas 11 milhões o número de conexões – a maioria delas de não mais de 256k – existentes hoje no país. Veja aqui o nosso ranking.

“não queremos criar uma empresa estatal por criar…queremos uma empresa que ajude os brasileiros a ter banda larga mais barata”

A falta de penetração e qualidade da banda larga brasileira é, em geral, provocada pelo preço extorsivo, cobrado pelas Teles, que é nove vezes mais caro que nos EUA e 25 vezes maior que no Japão. Pelo que se sabe até agora, a rede pública deixará a conexão final disponível para todas as empresas, teles ou pequenos provedores, na chamada “última milha”, o que vai criar livre concorrência no fornecimento.

“a empresa pública de Telecom significa recuperar a capacidade do governo de saber e gerir este importante setor”… “o governo não presisa ser o médico que faça a cirurgia, mas tem que saber como se faz uma cirurgia”

Nunca deveríamos ter entregue todo o sistema de telecomunicações a um pequeno grupo de empresas. Conservar o controle estratégico do setor é permitir a redução de preços, exigir qualidade e favorecer a democratização em todos os campos: desde a econômica, com a abertura de mais opções de fornecimento, até a política, com a universalização do direito à comunicação e à informação.

ECONOMIA - Onde está a explosão de consumo dos "juristas" do BC?

Copiado do blog "Tijolaço", do Brizola Neto.


Saiu agora cedo o levantamento do IBGE sobre a atividade industrial no Brasil: -0,3%. Isso levou o ano da crise a terminar com uma retração de 7,4% e coloca a produção das indústrias brasileiras no patamar de setembro de 2007, um ano antes da crise mundial. Embora se deva considerar que no âmbito do mercado interno esta queda seja menor – pois a produção industrial para exportação despencou, em função do câmbio – só alguém mal intencionado pode falar em superaquecimento da economia.

Os arautos do “subam os juros” só têm mesmo o argumento da “inflação em alta” para forçarem esta subida e torcem para que o Ministro Guido Mântega e o Presidente Lula se assustem com os índices de janeiro e fevereiro e com as repercussões disso na campanha eleitoral. Essa gente é mais esperta que o capeta em dia inspirado e se vale do justo medo da inflação para ganhar fortunas.

O relatório do IBGE deixa claro que não há inflação de demanda, leia só.

“Entre as categorias de uso, bens de consumo duráveis interrompeu a expansão observada por dez meses consecutivos, apontando a única taxa negativa (-1,0%). Por outro lado, os segmentos de bens de capital (3,6%) e bens intermediários (1,4%) assinalaram os maiores avanços e prosseguiram em trajetória ascendente. O setor de bens de consumo semi e não duráveis (0,4%) praticamente repetiu a taxa do mês anterior”

Bens de capital e bens intermediários, como se sabe, são demandados pela prórpia indústria e os de consumo, pela venda direta à população. Então, está claro, não há qualquer explosão de consumo que pudesse estar forçando a alta de preços, do contrário a industria de bens de consumo é que estaria “puxando a fila”. Os dados mostram, ao contrário, que a expansão industrial está se fortalecendo é na base, isto é , nas encomendas de máquinas, equipamentos e insumos industriais, ajudadas também pelas commodities minerais.

“Entre as categorias uso, bens de capital registrou a aceleração mais forte na passagem do terceiro (6,9%) para o quarto trimestre (13,3%), seguido por bens de consumo semi e não duráveis (de 0,6% para 1,4%). O setor de bens intermediários praticamente manteve o ritmo de produção entre os dois períodos (de 4,6% para 4,5%), enquanto a produção de bens de consumo duráveis reduziu o ritmo de avanço (de 9,0% para 2,6%).”

Sei que muita gente é avessa a discutir economia. Mas se a gente não estiver de olho e não tentar endender o que se passa, os “juristas” do BC nos levam no bico, com a ajuda de uma mídia que espalha o medo e a informação superficial.

ECONOMIA - Um bom livro sobre a crise.

AEPET - Associação dos Engenheiros da Petrobrás


Luiz Gonzaga Belluzo (Valor Econômico)

A crise financeira desatou um movimento de críticas ao paradigma dominante na teoria econômica. Se a memória não falha, acho que já tratei nesta coluna do texto do biógrafo de Keynes, Robert Skideslsky, `The Return of the Master`. No gênero, o jornalista inglês John Cassidy escreveu o livro `How Markets Fail`, que merece mais do que um fim de semana dedicado à leitura. Nele o autor combina erudição, simplicidade e sobretudo capacidade de situar as teorias em seu ambiente histórico, social e político, o que torna a crítica mais consistente e afasta as tentações das manobras pseudocientíficas que o sociólogo americano Wright Mills chamava de `empirismo abstrato`.

Cassidy começa com Adam Smith, celebrado fundador da Economia Política que, na Teoria dos Sentimentos Morais pretendia `provar que, anteriormente a qualquer lei ou instituição positiva, a mente estava dotada naturalmente da faculdade que permitia distinguir, em certas ações e afeições, as qualidades do certo, do louvável e do virtuoso e, em outras, aquelas do errado, do condenável e do vicioso....` É por meio da razão que descobrimos essas regras gerais de justiça que regulam nossas ações.

Na `Riqueza das Nações`, Smith derivou a propensão para a troca a partir das inclinações naturais do indivíduo. Naquele `estado rude e primitivo da sociedade`, a troca de mercadorias decorreria da disposição benevolente dos indivíduos ao relacionamento com o `outro`. Os produtores privados de mercadorias, ao buscar o seu interesse, `constituem` a sociedade. Smith busca afirmar a autonomia da sociedade econômica em relação ao Estado sublinhando o caráter natural e `espontâneo` das relações fundadas no autointeresse coordenado pela sabedoria providencial e impessoal da Mão Invisível. Smith, diz Cassidy, recomendava restrições à liberdade para a operação dos bancos, `que podem colocar em perigo a segurança de toda a sociedade e, por isso, devem ser disciplinados pelas leis dos governos, desde os mais livres aos mais despóticos.`

Ao longo do século XIX, a economia tomou como paradigma a imponente construção da mecânica clássica e como paradigma moral o utilitarismo da filosofia radical do final do século XVIII. O homo oeconomicus, dotado de conhecimento perfeito, busca maximizar sua utilidade ou os seus ganhos diante das restrições de recursos que lhe são impostas pela natureza ou pelo estado da técnica. Essa metafísica da corrente dominante supõe uma ontologia do econômico que postula certa concepção do modo de ser, uma visão da estrutura e das conexões da sociedade. Para esse paradigma, a sociedade onde se desenvolve a ação econômica é constituída mediante a agregação dos indivíduos, articulados entre si por nexos externos e não necessários.

Os modelos de equilíbrio geral, com informação perfeita e mercados competitivos para todas as datas e contingências, são replicantes do Demônio de Laplace. Em seu pecado original de orgulho iluminista, o deus-mercado se pretende `uma inteligência que abarcaria, na mesma fórmula, os movimentos dos maiores corpos do universo e do menor átomo: para ele nada seria incerto e o futuro e o passado estariam sempre presentes sob seus olhos.`

Cassidy mostra com clareza e simplicidade que nos anos 70, o `nobelizado` Robert Lucas juntou o suposto das expectativas racionais ao modelo de equilíbrio geral para reintroduzir, na contramão da Revolução Keynesiana, o Demônio de Laplace no universo da moderna teoria econômica. Com esse movimento, Lucas expulsou do paraíso da respeitabilidade acadêmica as ideias keynesianas de incerteza e de instabilidade da economia capitalista.

A propósito de capitalismo, John Cassidy ironiza a concepção `lucasiana` da sociedade e da economia: `Ele criou um capitalismo sem capitalistas, em que as empresas são meras abstrações que transformam insumos em produtos`. Nesse capitalismo sem capitalistas, Lucas adotou a teoria dos mercados eficientes para o conjunto da economia. Eugene Fama e outros estenderam tal hipótese para os mercados financeiros. `Lucas assumiu que os mercados de bens, de trabalho, todo e qualquer mercado, eram igualmente eficientes.`

A suposição fundamental das teorias novo-clássicas, com expectativas racionais, assegura que a estrutura do sistema econômico no futuro já está determinada agora. Isso porque a função de probabilidades que governou a economia no passado tem a mesma distribuição que a governa no presente e a governará no futuro.

Cassidy discorda. Para ele, a ação econômica numa sociedade capitalista é definida pelo caráter crucial das antecipações do grupo social que detêm o controle da riqueza e que deve decidir o seu uso a partir do critério da vantagem privada. Os planos privados de utilização da riqueza são racionais do ponto de vista individual, mas o turbilhão de ações egoístas, ao modificar irremediavelmente as circunstâncias em que as decisões foram concebidas, pode levar a um processo cumulativo de erros.

Cito Cassidy: `A ideia de que o comportamento racional do investidor pode levar a um resultado coletivamente irracional - um bolha, por exemplo - é tão antiga quanto a famosa South Sea Bubble de 1720. Muitos investidores sabiam que as informações sobre os ganhos do comércio entre a Espanha e a América Latina eram exageradas e as empresas que lançavam ações no mercado de Londres eram fraudulentas.`

Nos mercados financeiros, as decisões são comandadas por impulsos, medos e súbitas mudanças no estado de expectativas. Os investidores e os senhores da finança têm a faculdade de usar o poder conferido pelo controle do dinheiro e do crédito para beneficiar o conjunto da sociedade ou simplesmente entregar-se ao `amor do dinheiro` e à proteção patrimonial, produzindo crises e desigualdade.

Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e professor titular do Instituto de Economia da Unicamp.

Publicado originalmente: Valor Econômico

ECONOMIA - China 2020: Desafio para a América Latina.

Javier Santiso (Valor Econômico)

O eixo Atlântico aos poucos deixa de ser o centro das relações econômicas e financeiras

O deslocamento dos centros econômicos em direção à Ásia foi uma das principais novidades econômicas da década. O eixo Atlântico está deixando de ser o centro de gravidade das relações econômicas e financeiras, dando lugar a um maior papel do eixo Pacífico. Essa estrutura geológica das relações internacionais ficou refletida, em particular, pela maior relevância que a China passou a representar para uma região como a América Latina. A crise de 2008, não só ficou longe de frear essas tendências como, ao contrário, as acelerou.

Dessa forma, em 2008, a China transformou-se em um dos principais parceiros comerciais da América Latina. Nesse ano, o comércio entre as duas regiões superou os US$ 140 bilhões. Em 2009, a China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil, a principal economia latino-americana. Isso, obviamente, não é uma tendência única da região: em 2009, a China também se tornou a maior parceira comercial da África do Sul e Índia, apenas para mencionar outros continentes e países.

O consumo chinês voltou a pressionar para cima os preços das matérias-primas exportadas pelos países da América Latina. Enquanto nos Estados Unidos as vendas de carros despencam, impactando as exportações de autopeças do México; na China, elas disparam, alimentando mais e mais importações de matérias energéticas, petróleo, cobre e outros minerais. Nos próximos dez anos, de acordo com estimativas do Deutsche Bank, as importações chinesas de petróleo deverão crescer 21%; as de cobre, 16%; as de madeira, 13%; e as de carne de porco, 11%; matérias-primas e agrícolas produzidas e exportadas por vários países americanos, como Brasil, Argentina, Peru e Chile.

A essa esfera comercial também se deve somar a dimensão financeira. Hoje em dia, o estoque de investimentos externos diretos chineses no mundo chega a apenas US$ 170 bilhões, uma quantia de certa relevância, mas muito distante das magnitudes alcançadas por suas reservas, que superaram os US$ 2 trilhões em 2009. A projeções do JP Morgan sinalizam que essa poupança chinesa chegará a mais de US$ 16 trilhões em 2020. Uma parte dessa liquidez terá que sair do país, em particular, via investimentos externos diretos, participações minoritárias ou outras formas de investimento fora do país.

Os países e regiões que saibam captar esse potencial sairão ganhando com o apogeu chinês. A América Latina, com sua forte capacidade agrícola e de produção de matérias-primas é, sem dúvida, uma região que pode sair ganhando.

Na próxima década, a China representará uma grande sorte, mas também um desafio para a região. Tudo o que ocorrer, ou deixar de acontecer no país terá repercussões maiúsculas na América Latina. Em 2009 já vimos isso (nesse caso, de maneira positiva): enquanto o México vive um declínio histórico de seu Produto Interno Bruto (PIB), em grande parte influenciado por sua proximidade com os Estados Unidos, o epicentro da atual crise mundial, o Brasil, por sua vez, sofreu apenas um ajuste e, em 2010, já crescerá nos limites de seu potencial, de quase 5%, de acordo com as estimativas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Isso significa dizer que esse último país, também em parte pela maior diversificação de suas exportações à Ásia e, em particular, à China, e pela recuperação do preço de matérias-primas, como petróleo, minério de ferro e soja, aproveita a sorte de ser puxada, em parte, pela demanda chinesa. Empresas como a Vale, uma das maiores produtoras de minerais do mundo, que obteve quase 45% do lucro e receitas no mercado chinês, e a Petrobrás, que acaba de concluir acordo gigantesco de US$ 10 bilhões com seus sócios chineses, são simbólicas da aproximação entre Brasil e China.

No futuro, os movimentos de baixa ou alta do PIB da China não passarão indiferentes na região. A máxima tão utilizada que dizia `quando os Estados Unidos espirram, a América Latina fica resfriada` também passará a valer para a China: quando Pequim acelerar ou desacelerar seu ritmo de crescimento, a região também sentirá os ventos e marés do Extremo Oriente.

Javier Santiso é diretor do Centro de Desenvolvimento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Publicado originalmente: Valor Econômico - 01/02/2010.

EUA - Os EUA e o mundo: uma história mal contada.

Em uma entrevista contundente e incisiva, o linguista, filósofo e ativista político estadunidense, Noam Chomsky, falou por telefone com a IHU On-Line sobre a influência dos Estados Unidos em importantes eventos históricos da humanidade, como os golpes militares na América Latina e os assassinatos dos seis jesuítas em El Salvador, em 1989. Sobre esse episódio, Chomsky destaca que "o assassinato dos jesuítas essencialmente finalizou uma década em El Salvador, a qual havia iniciado com o assassinato do arcebispo Oscar Romero, praticamente pelas mesmas mãos. Nesse período, foram mortas cerca de 70 mil pessoas, geralmente pelas forças de segurança apoiadas pelos EUA". Ao questionar o silêncio histórico que se fez sobre o fato, Noam Chomsky explica que "a razão é muito simples: trata-se de um crime; crimes desse tipo são expurgados, eles não aconteceram".

Chomsky também faz uma longa e crítica análise do primeiro ano do governo de Barack Obama, e não suaviza seu posicionamento. Para ele, a principal "realização" de Obama tem sido a de "pagar uma fiança colossal para salvar os bancos. Os grandes bancos agora têm lucros maiores do que tiveram no passado e pagam bônus enormes a seus gestores". Chomsky lembra que os bancos tinham destruído o sistema financeiro e que a medida de Obama "os livrou com dinheiro e os reconstituiu, de modo que agora são maiores do que antes". E alerta: "a não ser que haja alguma significativa regulamentação, o que parece bastante improvável, está se estabelecendo a base para a próxima crise financeira, até pior que a que acaba de ocorrer".

Noam Chomsky nasceu na Filadélfia, Estados Unidos, em 1928. É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Seu nome está associado à criação da gramática generativa transformacional, abordagem que revolucionou os estudos no domínio da linguística teórica. É também o autor de trabalhos fundamentais sobre as propriedades matemáticas das linguagens formais. Além da sua pesquisa e ensino no âmbito da linguística, Chomsky é também conhecido pelas suas posições políticas de esquerda e pela sua crítica da política externa dos Estados Unidos. Chomsky descreve-se como um socialista libertário. Sua página pessoal na internet é http://www.chomsky.info/

Por Graziela Wolfart.
Tradução de Walter Schlupp

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Como o senhor avalia o primeiro ano de governo de Barack Obama? Quais suas principais realizações, avanços e retrocessos?

Noam Chomsky - A principal realização tem sido a de pagar uma fiança colossal para salvar os bancos. Os grandes bancos agora têm lucros maiores do que tiveram no passado e pagam bônus enormes a seus gestores. Basicamente, eles tinham destruído o sistema financeiro; aquela medida os livrou com dinheiro e os reconstituiu, de modo que agora são maiores do que antes. A não ser que haja alguma significativa regulamentação, o que parece bastante improvável, está se estabelecendo a base para a próxima crise financeira, até pior que a que acaba de ocorrer. O governo anunciou a sua política de seguros, chamada de "Grande demais para falir", o que significa: se você for um banco realmente grande, como a Goldmann & Sachs, não vamos deixar você falir. Então, o contribuinte pagará a sua fiança salvadora, você pode assumir grandes riscos ao emprestar e investir, fazer muito lucro, sem se preocupar se tudo for mal. Isto continua igual. Esta é a principal realização do governo federal. É uma das razões para a considerável indignação prevalente no país. Os bancos estão sendo salvos com dinheiro público, estão enriquecendo, e se tornando os responsáveis pela crise econômica. Bem, pelo menos para a população a crise econômica está crescendo.

Desemprego

Atualmente, os dados oficiais são de que mais de 10% da população está desempregada - a realidade naturalmente é mais elevada e a indústria de fábricas, onde as pessoas ganham empregos dignos, está passando por uma grande depressão. Uma em cada seis pessoas está desempregada, e as chances de conseguir um emprego não são boas, já que as bases da manufatura estão solapadas. Obama deu, sim, um incentivo que reduziu o efeito da perda de emprego até certo ponto, mas é muito pequeno para produzir alguma diferença perceptível. As pessoas quase não se dão conta deste incentivo. Mas surtiu algum efeito. Isto foi na questão econômica.

Sistema de saúde

Por outro lado, ele apresentou um projeto de lei para a reforma do sistema de saúde, mas deixou isso nas mãos do Congresso, onde tem sido gradativamente desbastado pelas seguradoras, instituições financeiras, indústria farmacêutica, de modo que sobrou muito pouco do projeto de lei. Talvez nem passe, e se passar, será por cima das objeções da maioria da população. A essas alturas, a maioria da população é contra essa reforma do sistema de saúde, e o motivo para tanto é que ela não vai longe o suficiente. Uma maioria considerável da população está a favor de se permitir uma opção pública, um sistema público de saúde paralelo ao sistema privado. Esta opção foi para a cucuia. Uma grande maioria é a favor de permitir pessoas mais jovens, de 55 anos para cima, em vez de acima de 65 anos, entrar no sistema nacional de saúde limitado para os ricos. Também uma grande maioria, cerca de 85%, opõe-se a à regulamentação que impede o governo de negociar preços de medicações. Penso que os Estados Unidos são o único país no mundo onde isto acontece.

Obama informou os bancos de que ele manteria isto. Portanto, é algo que talvez seja aprovado; mas não será muito, e este é um assunto muito sério. O sistema de saúde dos Estados Unidos é totalmente disfuncional; funciona bem para gente como eu, para pessoas relativamente privilegiadas. O sistema de saúde é distribuído segundo a riqueza, basicamente. Os custos da assistência médica, per capita, são cerca de duas vezes mais elevados que em países industrializados, e apresenta um dos piores resultados. Isto porque em grande parte é privatizada, não-regulamentada. Isto cria muita ineficiência, custos, burocracia, etc. Os custos também estão subindo muito rapidamente. As previsões são de que isto basicamente vai sobrepujar a economia, não muito longe no futuro. Praticamente todo o déficit orçamentário será acarretado pelo sistema de saúde. Estávamos falando em reduzir o déficit, mas isto não vai acontecer, a não ser que o sistema de saúde seja sanado - o que não é o caso.

Política internacional: na linha de Bush

Em nível internacional, nada digno de nota, basicamente Obama está dando seguimento aos programas de Bush, seguindo a mesma política contra o Iraque, onde intensificou a guerra, bem como no Afeganistão e Paquistão. O número de ataques em solo, o que equivale a assassinatos, aumentou muitíssimo. Em outras áreas, na América Latina, ele apoiou o golpe de estado em Honduras e os Estados Unidos são um dos poucos países que reconheceram a eleição lá. O governo Obama praticamente ridicularizou o restante do hemisfério por este viver um mundo de realismo mágico - como formulou o representante na OEA - e não a realidade, ao negar-se a aceitar o golpe. O governo Bush tinha reativado a Quarta Frota Naval, que cobre as águas sul-americanas e caribenhas. Obama apoiou isto, conseguiu duas novas bases navais para ela no Panamá. E continuam estabelecendo novas bases militares, acordadas com a Colômbia, com planos bem dispendiosos de monitoramento de boa parte do hemisfério sul. Quanto a Israel e a Palestina, que é um problema importante, Obama basicamente nada fez. Ele apenas fez algumas pequenas críticas, mas essencialmente informou Israel de que pode ir em frente com as construções ilegais nos territórios ocupados, todas ilegais, todo mundo sabe disso. Essa conversa de negociações, ninguém sabe exatamente o que é. Antes de se eleger, no fundo, ele apoiou o ataque a Gaza e a manutenção do grave bloqueio militar sobre Gaza.

Quanto ao resto do mundo, ele tem considerado a possibilidade de negociar com o Irã, o que é mais do que o governo Bush estava disposto a fazer. Por outro lado, é muito claro que não vão chegar a lugar algum. Há a questão de o Irã não satisfazer todas as condições impostas pelo Conselho de Segurança da ONU e a Agência Internacional de Energia Atômica. Isto é verdade, eles não cumpriram todas as condições. Entretanto, o que menos se discute é o status dos três países que nunca assinaram o tratado de não-proliferação: Israel, Índia e Paquistão. O governo Obama continua advogando a posição de que eles estão isentados das regras do Conselho de Segurança e da Agência Internacional de Energia Atômica. Em outubro, a AIEA aprovou uma resolução cobrando de Israel que entrasse no tratado de não-proliferação e abrisse suas instalações para inspeção. Os Estados Unidos e a Europa tentaram bloquear essa resolução, mas ela foi aprovada mesmo assim. O governo Obama imediatamente disse a Israel que eles não precisavam dar qualquer atenção a isso, que estão isentados. A mesma coisa com a Índia, que está desenvolvendo suas armas atômicas com ajuda dos Estados Unidos. O Conselho de Segurança conclamou todos os estados, particularmente a Índia, a assinar o tratado de não-proliferação. A Índia reagiu, anunciando que agora consegue produzir armas nucleares com a mesma potência que as superpotências EUA e Rússia. E os EUA, a administração Obama, imediatamente informaram a Índia de que não precisam se preocupar com a resolução do Conselho de Segurança. A mesma coisa com o Paquistão. Nesse contexto, fica bem claro que a ONU não vai fazer qualquer coisa fora do comum para impor suas condições.

IHU On-Line - Mudando um pouco de assunto, como o senhor analisa o assassinato dos mártires de El Salvador em 1989 e o silêncio que se fez sobre esse episódio?

Noam Chomsky - Foi espantoso, isso. Em novembro passado foi o vigésimo aniversário de dois eventos importantes acontecidos em novembro de 1989: um foi a queda do muro de Berlim, outro foi o assassinato dos jesuítas. Novas informações apareceram em outubro de 2009, mas foram totalmente ignoradas. O jornal espanhol El Mundo publicou o documento que pedia o assassinato, assinado pelo Chefe do Estado Maior, Rene Emilio Ponce, e por outros altos oficiais. Isto já tinha sido suspeitado, mas agora havia o documento em si, com comentários escritos à mão e as assinaturas. Isto faz com que seja quase impossível que a embaixada americana e o Pentágono nada soubessem a respeito. Além disso, o assassinato foi executado por uma brigada de elite, a brigada Atlacatl, que já tinha matado milhares de pessoas. Eles acabavam de chegar do treinamento na Escola de Forças Especiais J. F. Kennedy em Fort Bragg poucos meses antes, e poucos dias antes do assassinato houve delegação de forças e oficiais especiais que foram a El Salvador para treinamento adicional. Portanto, tinham acabado de receber treinamento por forças especiais americanas. Isto, portanto, torna ainda menos provável que o fato fosse desconhecido. Ou seja, foi algo solenemente ignorado. Mas isto não é nada. O assassinato dos jesuítas essencialmente finalizou uma década em El Salvador, a qual havia iniciado com o assassinato do arcebispo Oscar Romero, praticamente pelas mesmas mãos. Nesse período, foram mortas cerca de 70 mil pessoas, geralmente pelas forças de segurança apoiadas pelos EUA.

Além disso, o assassinato dos jesuítas foi um golpe letal ou ao menos muito sério no que ainda restava da teologia da libertação. Isto é de considerável importância. A teologia da libertação deslanchou após o Vaticano II, sob o comando do papa João XXIII, em 1962. Este foi um momento crucial na história. Foi a primeira vez que a Igreja tentou voltar aos evangelhos, para a Igreja pré-constantina. Nos primeiros séculos, o cristianismo era basicamente uma religião de um pastor radical, perseguida. Mas o imperador Constantino, no século IV, assumiu o cristianismo e o transformou na Igreja do Império Romano. Hans Küng, um teólogo bem conhecido, formulou da seguinte maneira: de uma Igreja de perseguidos, a Igreja passou a ser uma Igreja de perseguidores. E em grande parte tem sido isso mesmo, até chegar ao papa João XXIII e o Concílio Vaticano II, que inspirou bispos latino-americanos a empreender a opção preferencial pelos pobres, como nos evangelhos; e o resto da história vocês conhecem: padres, freiras, leigos tentaram organizar camponeses, criaram grupos de leitura bíblica, tomar algumas iniciativas, para que as pessoas tivessem seus destinos nas próprias mãos.

Golpes de estado na América Latina: efeito dominó

Isto desencadeou o pior período de repressão na história do continente. Os EUA foram muito claros: não vamos tolerar isto. O primeiro passo foi o golpe de estado no Brasil. Foi planejado sob o governo Kennedy e executado pouco depois do seu assassinato. Isto estabeleceu o primeiro dos estados de segurança nacional na América Latina. O embaixador de Kennedy o chamou de "a maior vitória da liberdade em meados do século XX"; ele também acrescentou que isto melhoraria as perspectivas para investimentos americanos. Como o Brasil é um país importante, logo depois outras peças do dominó começaram a cair. Houve um golpe no Chile, o golpe de Pinochet, e continuou um país atrás do outro, finalmente chegando à Argentina, talvez o pior de todos os golpes, com forte apoio de Reagan. Depois, a praga se espalhou para a América Central nos anos 1980, com centenas ou milhares de pessoas sendo mortas. Grande parte do mundo estava voltada contra a Igreja. Havia muitos assassinatos, como o do arcebispo Oscar Romero e também os seis jesuítas, terminando basicamente em 1989. Esta é uma parte bastante importante da história do mundo - e não há nenhuma memória a este respeito, nada. A razão é muito simples: trata-se de um crime; crimes desse tipo são expurgados, eles não aconteceram.

Podemos ficar muito empolgados com a derrubada da tirania soviética. Falou-se muito, em novembro passado, de que foi um triunfo do amor, da não-violência, que a mensagem para o mundo é não-violência, etc. É a mensagem para o mundo quando se olha para o Leste da Europa, mas não é a mensagem para o mundo quando se olha para a América Latina. E a coincidência do assassinato dos jesuítas e a queda do muro é um lembrete contundente neste sentido, de que foi totalmente suprimido, da mesma forma como o resto do que acabei de dizer.

IHU On-Line - Podemos estabelecer alguma relação entre o exército de El Salvador de 1989 e o exército de Honduras atualmente?

Noam Chomsky - Na verdade não sei. Talvez. Certamente o Pentágono está pesadamente envolvido em ambos. Os principais oficiais do exército hondurenho em sua maioria são treinados na Escola das Américas, que é a outra escola que treina oficiais latino-americanos, assassinos latino-americanos; há conexões muito estreitas com o Pentágono, e naturalmente isto também vale para El Salvador. É perfeitamente possível que haja coordenação via EUA, mas não sei de nenhuma evidência direta neste sentido. Um elemento no golpe em Honduras, presumo, é que ali se encontra uma base aérea importante usada pelos EUA, a base aérea de Pomarola, que desempenhou um papel crucial durante a guerra dos EUA contra a Nicarágua nos anos 1980. Foi a base chamada de "porta-aviões inafundável" para os "contras" baseados em Honduras atacarem a Nicarágua. É difícil imaginar que não haja coordenação entre os exércitos centro-americanos. Mas não posso afirmar que haja evidência concreta disso.

IHU On-Line - Qual a importância que o senhor atribui ao Fórum Social Mundial e que avaliação faz do evento em função de seus 10 anos? Por que o senhor não veio para esta edição?

Noam Chomsky - Eu fui a várias edições nos primeiros anos. Nos últimos anos tenho tido problemas pessoais. Houve três anos em que não conseguia viajar de forma alguma, tinha que ficar em casa. Este ano estive irremediavelmente envolvido em outras coisas. Mas penso que é um evento extremamente importante. Quando estive lá, 8 ou 9 anos atrás, sugeri que o Fórum era a semente para a primeira Real Internacional verdadeira, e continuo pensando assim. Sua influência agora se espalha pelo mundo todo, há fóruns sociais regionais e locais. Temos um em Boston. Minha sensação é de que nenhuma contribuição que eu poderia dar agora teria importância comparável à que porventura a de anos atrás teve - não sei se teve ou não, e estive muito contente em estar lá. Acho que há coisas que posso fazer na mesma linha, talvez mais importantes. Em todos os casos, o que está acontecendo é extremamente importante, também para o Brasil. Por exemplo, a questão dos direitos fundiários no Brasil é extremamente séria. Poucos passos de menor importância foram dados durante os anos de Lula, mas não é muita coisa. E o efeito do que foi feito não é tão positivo assim. Há muitos outros problemas ainda na América Latina e em outros lugares. Portanto, o Fórum preserva sua significação. Penso que difundiu sua influência, que tem sido uma influência muito positiva sobre as lutas sociais em todo o mundo, e espero que continue neste sentido.

IHU On-Line - O senhor gostaria de acrescentar mais algum comentário?

Noam Chomsky - Há coisas importantes acontecendo. Veja os próprios EUA. Não sei até que ponto isto foi veiculado no Brasil, mas quinta-feira passada (dia 21-01) a Suprema Corte tomou uma decisão extremamente importante: que corporações que já têm uma influência avassaladora no sistema político, agora podem gastar dinheiro livremente nas eleições para apoiar candidatos. Isto virtualmente significa que as corporações podem comprar as eleições. Trata-se de um golpe gravíssimo contra o que resta da democracia funcionando. E é muito difícil ver como isto poderá ser revogado. Isto anula precedentes de um século, que pelo menos colocavam algum limite no custeio corporativo de eleições. Basicamente é um convite para as corporações praticamente partirem para o suborno. Em vez de comprar um legislador na Casa Branca indiretamente, eles podem fazê-lo diretamente.

* Instituto Humanitas Unisinos

POLÍTICA - São Paulo e seu círculo de giz.

Jornal do Brasil - Coisas da Política

Por Mauro Santayana

As notícias divulgadas e a análise de alguns jornalistas sobre a sucessão deixam, no leitor, a impressão de que o Brasil é refém do que se decidir em São Paulo. Assim, a disputa estaria entre o grande empresariado, que apoiaria Serra, e os trabalhadores que optariam por Dilma. O resto, como diria Ibrahim Sued, o astuto e bem pago louvador da grã-finagem deslumbrada, seria a periferia. A conclusão é apressada.

Nas especulações destas horas se fala na pressão dos partidos da base aliada do governo sobre Ciro Gomes, a fim de que ele se candidate a governador de São Paulo. Podemos dizer tudo sobre Ciro, mas seria estultícia imaginá-lo ingênuo. Desde a juventude, Ciro tem agido de acordo com os próprios objetivos e a sua forma de entender o Brasil e o mundo. Podemos discordar de suas ideias e de alguns de seus atos, mas é ocioso duvidar de sua inteligência. Essa inteligência, somada a fatores subjetivos mas legítimos (como a afinidade entre os coetâneos), levou-o a anunciar apoio à candidatura de Aécio Neves, em favor do qual desistiria de disputar a Presidência. Não tem por que, nesta altura, embarcar na aventura paulista. Ele sabe que, qualquer venha a ser o seu desempenho do primeiro turno, é melhor negociar a parceria, na segunda mão do jogo, com as cartas abertas, ou seja, com os votos obtidos que lhe permitam, provavelmente, decidir o pleito presidencial.

O quadro ainda não se encontra definido: as duas candidaturas, bem como a de Ciro, dependem das convenções partidárias, e elas costumam guardar surpresas. Como não podemos duvidar da inteligência de Ciro, seria de igual ingenuidade duvidar da inteligência de José Serra. Sua hesitação em assumir a candidatura à Presidência da República não se deve, como alguns apressados concluem, a um temperamento político bipolar. Ele não pode, ao aproximar-se dos 70 anos, correr o risco de ficar ao sereno durante quatro anos, pelo menos. Flores da Cunha, na irreverência da linguagem gauchesca, dizia que “político sem mandato é como rameira sem cama”. As últimas pesquisas – que tampouco podem ir além do momento em que se realizam – indicam que a candidata de Lula se encontra em ascensão e poderá cruzar-se com Serra em algum e próximo momento.

Enquanto isso ocorre, o resto do Brasil assiste, com perplexidade, ao que se passa em São Paulo. Os interesses federativos são desprezados pelos dirigentes paulistas dos dois grandes partidos. Não só dos dois: o PMDB também parece subordinado ao que a seção paulista resolver. Com a vocação de subalternidade que a acompanha desde a sucessão de Itamar, a direção executiva do partido renuncia a disputar a Presidência, mas terá, mais uma vez, que confrontar-se com uma dissidência. O governador Roberto Requião se empenha em levar à Convenção Nacional a sua postulação e, desta vez, com maior apoio do que teve Itamar em 1998, na tumultuada convenção em que baderneiros agrediram os delegados, sob os olhos complacentes do então – como hoje – presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer.

O mais grave é que tanto os interesses regionais quanto o interesse nacional como um todo estão sendo relegados ao segundo plano pelas conveniências de São Paulo. Com o maior respeito pela grandeza do grande estado e de sua capital, a metrópole do Piratininga não é a Roma da República e dos césares (apesar da divisa de suas armas, non ducor, duco). O Brasil é uma federação de estados de direitos iguais, na qual um cidadão dos sertões mais pobres é igual ao privilegiado morador dos jardins paulistanos. E em que todos os estados-membros dispõem de homens públicos honrados e preparados para o exercício da suprema magistratura da República.

Os partidos só pensam no marketing político e na “armação de palanques”, sobretudo os eletrônicos do horário eleitoral. Já era tempo de se discutirem as ideias e os problemas do Brasil e do mundo. As horas começam a exigir definições, sob o risco de que, por falta de debates que estimulem o eleitorado a pensar o Brasil, tenhamos a mais alta taxa de abstenções desde a redemocratização.

Os grandes interesses de São Paulo não podem confinar o Brasil dentro de seu próprio círculo de giz.

ECONOMIA - Brasil segue modelo bem sucedido.

Copiado do blog "Democracia&Política"

BRASIL SEGUE MODELO BEM SUCEDIDO DOS EUA, JAPÃO E COREIA

Terra Magazine

Carlos Drummond

"Não há país que tenha se desenvolvido sem grandes empresas nacionais", avalia Drummond

O anúncio do apoio oficial à formação, pela construtora Camargo Corrêa, de uma grande empresa de energia a partir da aquisição do controle ou de participações em companhias do setor confirma a adoção de uma estratégia vencedora em países como os Estados Unidos, o Japão e a Coréia e seguida também por países como a China e a Índia.

A constatação histórica de que não há país que tenha se desenvolvido sem grandes empresas nacionais alicerça a política do governo de estimular, por meio de financiamentos do BNDES, a formação de players de porte mundial. Entre as operações mais recentes destacam-se a compra da Brasil Telecom pela Oi; da Aracruz pela Votorantim, formando a Fibria, maior empresa de celulose do mundo; da Bertin e da americana Pilgrim's Pride pela JBS-Friboi; a fusão da Perdigão e da Sadia, gerando a Brasil Foods, maior processadora de frango do mundo.

O rápido crescimento da Coréia do Sul apoiou-se na política governamental de formação dos chaebol, grupos empresariais gigantes - a exemplo de Samsung, Hyundai e LG - que desempenharam um papel fundamental na sua evolução econômica. Os chaebol foram inspirados nos keiretsu, conglomerados símbolos do desenvolvimento japonês. Mitsubishi (que inclui o Banco de Tokio, a Tokio Marine, a Shin-Nippon Petroleum), Mitsui (Fuji, Toshiba, Toyota, Toshiba) e Sumitomo (Banco Sumitomo, Mazda, NEC) e Fuyo (Canon, Hitachi, Nissan, Yamanha) estão entre os principais keiretsu.

O principal exemplo de êxito econômico da grande empresa é o dos Estados Unidos. Entre 1888 e 1905, 328 grandes companhias resultantes de fusões, com uma capitalização conjunta de US$ 7 bilhões, concentravam dois quintos do capital manufatureiro do país. "Uma proporção espantosamente alta chegou aos nossos dias", constatou o historiador Ross M. Robertson. Dentre essas três centenas de empresas, 156 dominavam os seus setores.

Entre as vantagens de o Brasil ter grupos empresariais gigantes e que sejam players mundiais estão a internalização de tecnologia; a menor probabilidade de terem o controle adquirido por empresas de outros países, devido ao seu grande tamanho, que favorece também a atração de investimentos e a construção de um horizonte de expectativas mais estável para a tomada de decisões de outras empresas e também das médias e das pequenas."

FONTE: escrito por Carlos Drummond, jornalista, coordenador do Curso de Jornalismo da Facamp. Publicado hoje (01/02) no portal Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

EDUCAÇÃO PÚBLICA - Chega de corrupção na diretoria de ensino de Araraquara.

Chega de corrupção na diretoria de ensino de Araraquara, agora queremos é vê-la fechada porque nenhuma das providências tomadas até agora foi para acabar com a impunidade reinante há mais de 12 anos - leia mais blog - educaforum - da Giulia Pierro.

O PT e a tarefa de colocar São Paulo em sintonia com o Brasil

O Partido dos Trabalhadores do Estado de São Paulo e os partidos aliados cumprirão neste ano uma tarefa fundamental: apresentar ao povo paulista um programa de governo alternativo e acabar com a hegemonia tucana que perdura há décadas. O objetivo é a formulação de um Programa de Governo que esteja em sintonia com o projeto nacional e que responda, de fato, as principais demandas do povo paulista.

Temos trabalhado muito neste sentido. Entre os meses de outubro e dezembro de 2009 percorremos as macrorregiões do estado com o intuito de dialogar com a militância e movimentos sociais e saber deles quais eram as demandas e as propostas de cada uma das regiões. Esse será nosso diferencial: um programa que debate diretamente com a vida real do povo paulista.

Na manhã desta quinta-feira (28), ainda como parte dessa tarefa de formulação do Plano de Governo, membros do Diretório se reuniram para ver a apresentação do Diagnóstico do Estado, elaborado pelo sociólogo Gustavo Venturi e o economista Gilson Schwartz, ambos professores da USP.

Os números apresentados por eles são alarmantes. Reafirmam a total ausência do Governo tucano nas políticas públicas e o esgotamento do modelo PSDB/DEM. Além disso, demonstram um estado com profundas desigualdades e desequilíbrios, tanto nos indicadores econômicos como sociais. Apesar de ser o estado mais rico do Brasil, São Paulo está longe de ter uma política desenvolvimentista e apresenta hoje indicadores, no mínimo, preocupantes em relação a áreas estratégicas ao desenvolvimento social e humano como saúde, educação e segurança...

Reggiane Garcia garcia.reg@hotmail.com

MST E A INVASÃO DA CUTRALE.

Altamiro Borges

Grileiro da Cutrale e laranjas da mídia

Preparando o clima para o início das investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do MST, que será um dos principais palanques da oposição demo-tucana em 2010, a TV Globo voltou à carga com as fortes cenas da destruição dos pés de laranja da empresa Cutrale, no interior paulista, em setembro passado. Com base num outro vídeo bastante suspeito da Policia Civil de São Paulo, nove ativistas dos sem-terra foram presos na semana passada, inclusive três dirigentes petistas, acusados de participarem de “furtos, depredações e atos de vandalismo”.

O bombardeio midiático é violento. Quando da destruição dos laranjais, até Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro nos governos Sarney e FHC, estranhou a virulência dos ataques. “Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que ele é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela ‘fúria de militantes irracionais’”. Indignado com a cobertura da mídia, ele criticou duramente “o noticiário televisivo que omitiu que a fazenda [da Cutrale] é fruto de grilagem contestada pelo Incra”.

Respostas do MST são ofuscadas

Agora, com a prisão espalhafatosa e arbitrária das lideranças rurais, a mídia hegemônica volta à ofensiva. A crítica é implacável, apesar do próprio MST já ter reconhecido publicamente o equívoco daquela iniciativa. Numa entrevista à revista CartaCapital, no final do ano passado, João Pedro Stedile, da coordenação nacional do movimento, foi taxativo. “A destruição dos pés de laranja foi um erro. Deu margem para que o serviço de inteligência da PM, articulado com a TV Globo, desmoralizasse o MST”. Para ele, o equívoco decorreu do desespero das famílias de sem-terra acampadas na região, que vivem em condições desumanas e sem qualquer infra-estrutura.

Já com relação às imagens de depredação e furtos na fazenda, usadas para justificar a prisão das lideranças, o dirigente do MST rejeitou as acusações da polícia. “Isto é mentira. As famílias não fizeram nada daquilo. Foi uma armação entre a polícia e a Cutrale. Depois da saída das famílias, chamaram a imprensa. Desafiamos a organizarem uma comissão independente para investigar quem desmontou os tratores e entrou nas casas dos empregados”. Ele lembra que os sem-terra foram retirados à força do local em dois caminhões da Cutrale, sendo filmados e revistados.

Revista Veja arquiva reportagem

Em todo este estranho episódio, a mídia venal revela que tem lado nos conflitos de classe – que defende abertamente os interesses dos barões do agronegócio. Com as cenas exibidas à exaustão para jogar a sociedade contra o MST, as redes “privadas” de televisão e os jornalões oligárquicos demonizam os sem-terra e endeusam a poderosa Cutrale. Neste esforço, eles deixam, inclusive, de repercutir denúncias antigas contra a empresa. Em maio de 2003, por razões desconhecidas – talvez em mais uma ação mercenária –, a insuspeita revista Veja publicou elucidativa reportagem sobre a Cutrale. Agora, ela simplesmente arquivou a bombástica matéria.

Na ocasião, ela revelou que a empresa é uma das mais ricas e poderosas do mundo. “O brasileiro José Luís Cutrale e sua família detêm 30% do mercado global de suco de laranja, quase a mesma participação da Opep no negócio de petróleo”. A produção mundial de laranjas e de derivados se reduzia a duas regiões do planeta – no interior de São Paulo e na Flórida, nos EUA. “A Cutrale vende suco concentrado para mais de vinte países, entre os quais os Estados Unidos, todos os da Europa e a China. Seus clientes são grandes companhias do padrão da Parmalat, da Nestlé e da Coca Cola, dona de uma das empresas de suco de laranja mais populares dos Estados Unidos”.

“A agressividade gerencial da Cutrale”

Segundo a revista, este poderoso império foi erguido de forma suspeita. “O principal segredo do negócio consiste em adquirir a fruta a preço baixo – preço de banana, brincam os fornecedores –, esmagá-lo pelo menor custo possível e vender o suco a um valor elevado”. Em 2001, o governo FHC chegou a investigar a altíssima lucratividade da Cutrale (nos anos 1980, ela teve taxas de retorno na ordem de 70%, um fenômeno raro). “Uma autoridade da Receita Federal relatou a Veja que a estratégica para elevar a lucratividade do grupo passa por contabilizar parte dos resultados por intermédio de uma empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. Com isso, informa a autoridade da Receita, a Cutrale conseguiria pagar menos impostos no Brasil”.

A revista também criticava a “agressividade gerencial da família Cutrale”, que já virou “lenda no interior paulista. Os plantadores de laranja no Brasil têm poucas opções para escoar a produção. Há apenas cinco grandes compradores da fruta e Cutrale é o maior deles. Por essa razão, acabam mantendo com o rei da laranja uma relação que mistura temor e dependência. Por um lado, eles precisam que ele compre a produção. Por outro, assustam-se com alguns métodos adotados pela Cutrale para convencê-los a negociar as laranjas por um preço mais baixo”. Vários produtores relataram à revista a brutal pressão para baixar preços ou mesmo para adquirir suas fazendas, inclusive com sobrevôos ameaçadores de helicóptero e outros métodos terroristas.

Uma coleção de processos na Justiça

Um fato gravíssimo ocultado pela mídia nos dias atuais de ódio ao MST é que Cutrale coleciona processos na Justiça por desrespeito aos direitos trabalhistas, crimes ambientais, pressão contra os lavradores e porte ilegal de armas. Na reportagem de maio de 2003, a revista citava que “essa linha dura já rendeu à Cutrale discussões legais sobre formação de cartel. De 1994 para cá, ela já foi alvo de cinco processos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia encarregada de preservar a concorrência... Jamais sofreu uma punição”.

A revista Veja e o grosso da mídia hegemônica simplesmente esqueceram estas irregularidades. Para satanizar o MST, a imprensa endeusa a Cutrale. Os sem-terra são os bandidos e o poderoso empresário, um santo. As emissoras “privadas” de televisão e os jornalões sequer explicam aos ingênuos que as terras no interior paulista não pertencem legalmente à empresa. Elas fazem parte do lote chamado Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares pertencentes à União. Ou seja, elas foram griladas – roubadas – pela Cutrale. Em 2007, a Justiça Federal cedeu a totalidade do imóvel ao Incra. Mas a empresa permanece na área com base em ações judiciais protelatórias.

A mídia faz escândalo com a destruição de dois hectares de laranjas em setembro, numa área que seria usada no plantio de alimentos para os acampados, mas não informa que desde que a Cutrale começou a monopolizar o produto, milhares de pequenos e médios agricultores já abandonaram, de 1999 a 2006, cerca de 280 mil hectares de pés de laranja em São Paulo. “Mas a TV Globo e o helicóptero da PM nunca se importaram”, ironiza Stedile. Diante da riquíssima família Cutrale, que tem uma fortuna avaliada em US$ 5 bilhões, os colunistas da mídia são realmente laranjas!
Fonte:Blog do Miro

MÍDIA - Cháves é um inimigo da liberdade de imprensa?

O dogma criado pela plutocracia midiática associa uma robusta bandeira democrática com a apropriação privada dos meios para realizá-la. Liberdade de imprensa, para esses senhores e senhoras, é o direito ilimitado dos proprietários de veículos de comunicação em usufruir a bel-prazer de seus ativos de informação e entretenimento. Qualquer contestação ou regulação dessa franquia quase divina constituiria uma ameaça à democracia.

por Breno Altman*

As punições recentemente adotadas contra a RCTVI (Rede Caracas de Televisão Internacional) e outros cinco canais a cabo suscitaram forte onda acusatória contra o presidente venezuelano. Um aluvião de artigos e editoriais foi lançado a público para acoimá-lo como inimigo da liberdade de imprensa.

A mídia conservadora, como é de seu feitio, embaralha as informações para melhor articular sua escalada contra Chávez. Os motivos que levaram às medidas punitivas são omitidos ou manipulados. O vale-tudo não tem compromisso com a verdade.

Os seis canais suspensos violaram seguidamente vários dispositivos legais (obrigatoriedade de transmitir redes oficiais, programas educacionais, símbolos nacionais, classificação etária e assim por diante). Três entre esses reconheceram as irregularidades e se comprometeram a retificá-las: voltaram imediatamente ao ar. Os demais têm a mesma possibilidade. Nenhum canal foi fechado ou desapropriado.

Até mesmo alguns setores progressistas, porém, ficaram abalados com esses fatos. Muitas pessoas de bem, afinal, reagem como se o tema da liberdade de imprensa fosse sagrado. Desses sobre os quais só pode haver uma opinião possível: as demais seriam autoritárias ou, quando muito, ultrapassadas.

O dogma criado pela plutocracia midiática associa uma robusta bandeira democrática com a apropriação privada dos meios para realizá-la. Liberdade de imprensa, para esses senhores e senhoras, é o direito ilimitado dos proprietários de veículos de comunicação em usufruir a bel-prazer de seus ativos de informação e entretenimento. Qualquer contestação ou regulação dessa franquia quase divina constituiria uma ameaça à democracia.

Mas o que há de democrático na transformação de um bem público (o direito de informar e ser informado) em monopólio de corporações privadas, famílias ou indivíduos? Qual é a liberdade possível quando os instrumentos de comunicação e cultura têm seu controle originado no poder econômico?

A revolução técnico-científica das últimas décadas fez da informação e seus meios um poder fático. Sua expansão foi patrocinada por governos e grupos empresariais, cuja associação direta ou indireta com os donos dos veículos alavancou esse baronato a um papel político, cultural e econômico de ampla envergadura.

Basta um olhar ligeiro sobre a América do Sul para termos noção desse processo. Quase todas as empresas relevantes de comunicação foram criadas ou fortalecidas pelas ditaduras e seus sócios capitalistas. Os casos Clarín e Globo, mais conhecidos, estão longe de ser exceção. Na Venezuela a história não foi diferente.

A democratização do subcontinente, no entanto, jamais chegou aos meios de comunicação. Está certo que acabou a censura, mas os barões da mídia só viram sua influência e autonomia crescerem. A liberdade formal de qualquer grupo social ou indivíduo em criar seu próprio veículo foi implantada, de fato, mas a possibilidade econômica de exercer essa prerrogativa continuou nas mesmas e poucas mãos.

Os interesses nessa autonomia, no mais, vão além dos proprietários dos meios, abençoados pelas condições institucionais de difundir livremente os valores, idéias e informações que melhor lhes apetecer para a lucratividade de seu negócio.

Seu estatuto especial, o de único poder público de caráter privado, permitiu a plena realização do diagnóstico anunciado pelo pensador italiano Antonio Gramsci, há mais de setenta anos, quando afirmou que os jornais haviam se transformado nos "modernos partidos políticos da burguesia".

Os meios monopolistas de comunicação podem se exibir como neutros, objetivos ou isentos, com verniz de interesse universal que nenhuma agremiação conservadora teria como apresentar aos eleitores. Chegam à desfaçatez de alcunhar o que editam ou difundem de "opinião pública", como se a sociedade tivesse delegado a esse setor social uma procuração para falar em seu nome.

Mas não se trata apenas de aparência. Através dos meios um exército profissional de colunistas, jornalistas e produtores de entretenimento, entre outros, pode ser integralmente mobilizado para construir os valores e as informações que correspondem aos interesses de seus patrões e associados. Esses veículos cumprem a tarefa de articular o discurso e a base social das elites ao redor das quais gravitam.

Sua atividade, ao contrário das demais funções públicas, incluindo os partidos políticos, não está subordinada a qualquer mecanismo eleitoral, controle social ou fiscalização institucional, ainda que os meios audiovisuais " a ponta de lança do sistema comunicacional " operem quase sempre a partir de uma concessão do Estado.

O que esse baronato chama de "liberdade de imprensa" é de um cinismo exemplar. Trata-se apenas da sua liberdade de imprimir, difundir e entreter, às custas da negação prática desse direito a imensos grupos sociais, que não possuem os instrumentos institucionais e as possibilidades financeiras de levar a público sua própria voz.

A eleição de governos progressistas na América Latina criou a chance dessa situação antidemocrática ser superada ou, ao menos, amenizada. A presidente Cristina Kischner, na Argentina, conseguiu a aprovação de uma nova lei para os meios audiovisuais. O boliviano Evo Morales segue pelo mesmo caminho. O líder venezuelano, atropelado em 2002 por um golpe de estado urdido e animado pelos grandes meios de comunicação, foi quem primeiro ousou agarrar o touro pelos chifres.

Nenhum desses governantes propôs que fosse estabelecida alguma espécie de censura ou impedimento para a circulação de idéias. Ao contrário: suas iniciativas buscam restringir o peso dos monopólios, abrindo espaços para novos atores e regulamentando uma atividade tão estratégica para a sociedade.

Trata-se, aliás, de uma abordagem comum à maioria dos países democráticos, nos quais existem leis que limitam esses monopólios, asseguram produção nacional e programação educacional, estabelecem cláusula de consciência para os jornalistas, abrem espaço para os movimentos sociais e sindicais.

Mas a reação do baronato venezuelano, no caso específico, não se fez por esperar. Vários dos proprietários desses meios simplesmente se recusam a obedecer legislação proposta por um governo eleito pelo povo e aprovada por um parlamento legítimo. As punições que receberam foram a conta justa, e bastante moderada, para quem insiste em andar fora da lei, costume inconcebível em uma democracia.

Os monopólios estão sendo regulamentados, como é adequado a qualquer serviço público, sob o risco de perderem a concessão que receberam caso persistam em atitudes antidemocráticas. Poderiam ter sido cassados há oito anos, quando foram protagonistas da intentona golpista, mas lhes foi conferida a oportunidade de revisarem suas opções.

Os venezuelanos têm hoje um cardápio de jornais, revistas e meios audiovisuais mais amplo e plural que em qualquer momento de sua história. Muitas organizações sociais e comunidades tiveram apoio governamental para romper a ditadura do poder econômico e criar as condições materiais para o surgimento de novos veículos.

Além de manter abertas as portas da imprensa oposicionista, apesar de suas recorrentes violações constitucionais, o governo Chávez deu vida a uma importante rede de rádios comunitárias, facilitou a criação de novos canais de televisão, direcionou a publicidade estatal para jornais e revistas independentes. Não é pouca coisa.

O presidente venezuelano, de fato, não se revela amigo da mesma liberdade de imprensa apregoada pela plutocracia midiática. Presta serviço às idéias democráticas, no entanto, ao identificar no monopólio privado e desregulamentado da comunicação o maior obstáculo para o direito de informar e ser informado.

*Breno Altman é jornalista e diretor do sitio Opera Mundi (www.operamundi.com.br)

EUA - A marcha dos pavões.

Economia

Paul Krugman

Na semana passada, o Centro para o Progresso Americano, grupo de pensadores ligado à administração Obama, publicou um amargo ensaio sobre a diferença entre os verdadeiros falcões do déficit e os faustosos “pavões do déficit”.

Por Paul Krugman, do The New York Times, na Terra Magazine

Você pode identificar os pavões do déficit, explicaram eles aos leitores, pela forma como fingem que nossos problemas de orçamento podem ser resolvidos com artifícios como um congelamento temporário nos gastos do governo, com exceção dos gastos militares.

Uma semana depois, no discurso do Estado da União, o presidente Obama propôs um congelamento temporário nos gastos do governo, com exceção dos gastos militares.

Espera aí, está piorando. Para justificar o congelamento, Obama usou uma linguagem quase idêntica aos comentários muito ridicularizados feitos no ano passado por John Boehner, o líder da minoria republicana na Câmara. Boehner havia dito: “As famílias americanas estão apertando o cinto, mas não veem o governo apertar o próprio cinto”. Agora, Obama: “As famílias em todo o país estão apertando os cintos e tomando decisões difíceis. O governo federal deve fazer o mesmo”.

O que está acontecendo? A resposta, presumivelmente, é que os conselheiros de Obama acreditaram que ele poderia marcar alguns pontos políticos bancando o pavão do orçamento. Acredito que eles estavam errados, que ele realmente fez mais mal a si próprio do que bem. De qualquer forma, porém, o fato de qualquer pessoa ter pensado que uma ideia política tão estúpida seria politicamente inteligente é uma má notícia, pois é uma indicação da medida em que estamos falhando em lidar com nossos problemas econômicos e fiscais.

É fácil expressar a natureza dos problemas dos Estados Unidos. Estamos colhendo as consequências de uma grave crise financeira, que levou à destruição de empregos em massa. A única coisa que nos impede de deslizar para uma segunda Grande Depressão é o gasto deficitário. E agora precisamos desse gasto deficitário porque milhões de vidas americanas estão sendo arrasadas pelo alto desemprego, e o governo deveria estar fazendo tudo o que pode para atacar o desemprego. No final das contas, porém, até o governo dos Estados Unidos tem de pagar a sua quota. E o panorama do orçamento em longo prazo já era assustador mesmo antes do recente aumento do déficit, principalmente por causa dos inexoravelmente elevados custos da assistência à saúde. Olhando para frente, precisaremos encontrar uma forma de administrar déficits menores, não maiores.

Como resolver esse aparente conflito entre as necessidades de curto prazo e as responsabilidades de longo prazo? Intelectualmente, não é tão difícil. Devemos combinar ações para criar empregos agora com outras ações que reduzam os déficits mais tarde. E os oficiais da economia na administração Obama entendem essa lógica: no ano passado, eles foram muito claros ao indicar que sua visão envolve combinar estímulo fiscal para ajudar a economia agora com a reforma do sistema de saúde para ajudar o orçamento posteriormente.

A triste realidade, porém, é que nosso sistema político não parece capaz de fazer o que é necessário.

Em relação aos empregos, está claro agora que o estímulo de Obama não foi suficientemente grande. Não há, agora, necessidade de resolver a questão sobre se a administração deveria ou poderia ter tentado um pacote mais amplo no início do ano passado. De qualquer forma, o ponto principal é que o impulso proporcionado pelo estímulo começará a arrefecer em torno de seis meses, mais ainda enfrentaremos anos de desemprego em massa. As últimas projeções do Congressional Budget Office, escritório que realiza análises para o Congresso americano, sinalizam que a taxa média de desemprego no próximo ano será apenas um pouco mais baixa do que o atual e desastroso índice de 10%.

Ainda assim, o Congresso é pouco sensível a esforços maiores para criar empregos.

Enquanto isso, a reforma da saúde enfrenta um panorama turbulento. Os democratas do Congresso até podem conseguir aprovar um projeto: caso contrário, estarão cometendo suicídio político. Mas não há dúvida de que os republicanos foram muito bem-sucedidos em satanizar o plano. E, principalmente, o que eles satanizaram com mais eficácia foram os esforços de controle de custos: medidas modestas e absolutamente razoáveis para assegurar que os dólares do Medicare sejam gastos com sensatez tornaram-se os perversos “painéis da morte”.

Portanto, se a reforma da saúde fracassar, você pode esquecer qualquer esforço sério para frear os elevados custos do Medicare. E, mesmo que tenha êxito, muitos políticos terão aprendido uma dura lição: você não ganha nenhum crédito fazendo a coisa fiscalmente responsável. É melhor, para o bem de sua carreira, simplesmente fingir que você é fiscalmente responsável – ou seja, ser um pavão do déficit.

Então, estamos paralisados diante do desemprego em massa e com os gastos de saúde fora de controle. Não culpe Obama. Há tantas coisas que um homem pode fazer, ainda que ele ocupe a Casa Branca. Em vez disso, culpe sua cultura política, uma cultura que recompensa a hipocrisia e a irresponsabilidade em vez de esforços sérios para resolver os problemas americanos. E culpe as manobras legislativas para obstruir votações, com as quais 41 senadores podem tornar o país ingovernável, se assim preferirem – e eles parecem preferir.

Desculpe-me por dizer isso, mas o estado da União – não o discurso, mas a coisa em si – não me parece muito bom.

Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.

MÍDIA - Departamento de Estado dos EUA quer a vitória de Serra.

Copiado do blog "Democracia&Política"

THE GUARDIAN: DEPARTAMENTO DE ESTADO DOS EUA QUER A VITÓRIA DE SERRA
OBS DESTE BLOG: O jornal britânico "THE GUARDIAN" ressalta hoje (02/02) que "a "derrota do partido de Lula seria uma vitória para o Departamento de Estado" [dos EUA]. Então, como corolário, a notícia do The Guardian poderia ser: "A VITÓRIA DE SERRA SERIA VITÓRIA DO DEPARTAMENTO DE ESTADO DOS EUA".

Por que o Dept. de Estado dos EUA quer assim? Em síntese, respondo. Como Serra já enfatizou durante a sua campanha de 2002, de que era contra a ênfase ao Mercosul e favorável à adesão do Brasil à ALCA, tudo está explicado.

Como este blog já postou em 23/11/2009, o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães resumiu o malefício da ALCA para o Brasil ao responder à seguinte pergunta do jornal Zero Hora:

"O senhor se arrepende de ter sido contra o ingresso do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas (Alca)?

Nem por um décimo de segundo. Se tivéssemos entrado na Alca, talvez hoje estaríamos como o México, cujo PIB retrocedeu em mais de 10%. A Alca não é um acordo de livre comércio, ela estabelece regras que eliminam a possibilidade de uma política econômica autônoma. Em um país subdesenvolvido como o Brasil, com enormes diferenças sociais, a ação do Estado é indispensável. Se tivéssemos aderido à Alca, o Banco do Brasil não seria mais público, nem existiriam o BNDES ou a Caixa Econômica Federal."

Em 30/11/2009, este blog também escreveu:

"Para os EUA, não interessa a criação de grupos de países que possam ser mais resistentes aos interesses norte-americanos. A ALCA e a NAFTA, por eles comandados, devem ser fortalecidos. O MERCOSUL, com grande influência do Brasil, deve ser enfraquecido.

Os demotucanos, em coerência com a política antinacional implantada nos anos 90, continuam a obedecer aos interesses norte-americanos e tudo fazem para diminuir o peso do MERCOSUL."

Ainda, em 23/04/2008 este blog escreveu:

"ALCA: O EXEMPLO DO MÉXICO - CAI OUTRA BANDEIRA TUCANOPEFELENTA

Todos nós lembramos dos belos discursos e ações “modernizantes” e “neoliberalizantes”, tão decantados no Brasil nos tempos do governo PSDB/PFL-DEM/FHC. Tudo aquilo era muito endeusado e repetido a exaustão na nossa mídia.

Os EUA pretendiam daquela maneira, e ainda pretenderão, agravar e perpetuar o seu poder no Brasil por meio da ALCA.

O nosso então Presidente FHC era muito simpático àquela “aliança” (submissão) com os EUA ser rapidamente estabelecida.

Afirmou em Washington, em 21/04/1995, que estava seguro que a meta de criar a ALCA seria alcançada em 2005 (discurso em sessão solene do Conselho da Organização dos Estados Americanos).

Ainda na esteira do apoio aos tucanopefelentos, grande jornal brasileiro (Folha de São Paulo) publicou em 2004 que deveríamos aceitar logo as imposições dos EUA para a ALCA “mesmo que em condições não-satisfatórias para o Brasil”(sic!).

Porém, todos aqueles pilares que sustentaram o prestígio dos nossos partidos e imprensa “conservadores” pró-EUA estão desabando.

Hoje, 23/04/2008, li no jornal francês "Le Monde Diplomatique" (Brasil), edição de abril, que ruiu outra quimera que nos era endeusada pelo governo FHC.

O México, que nos era citado como o belo exemplo para entrarmos na ALCA, naufragou. Ele era o modelo citado por FHC/PSDB/PFL, por ter aderido à NAFTA (o embrião da ALCA). O México agora chegou à conclusão que foi logrado pelos EUA".

Bom, não é necessário estender o texto para compreendermos por que a volta da direita ao poder na eleição deste ano, com Serra/PSDB/DEM/PPS, interessa tanto ao Departamento de Estado dos EUA. Vejamos o seguinte trecho da coluna "Toda Mídia", de Nelson de Sá, publicada hoje (02/02/2010) na Folha de São Paulo [entre colchetes colocado por este blog]:

O JOGO DOS EUA?

A estatal Agência Brasil destacou que o novo embaixador dos EUA, Thomas Shannon, "apresenta credenciais" a Lula na quinta. E que, "para o governo brasileiro, a escolha de Shannon é motivo de comemoração".

Por outro lado, o colunista do "Guardian" [*] Mark Weisbrot, do "Liberal Center for Economic and Policy Research", de Washington, escreve contra "O jogo dos EUA na América Latina".

Questiona ações em Honduras e Haiti e ressalta que a "derrota do partido de Lula seria uma vitória para o Departamento de Estado".

Diz que "os EUA, na verdade, já intervieram recentemente na política brasileira, em 2005, organizando conferência" para influenciar [contra Lula/PT] a reforma política, como revelou a Folha."

TRABALHO ESCRAVO - Cosan, Shell e o trabalho escravo que faz o Brasil crescer.

Do Blog do Sakamoto


Os veículos de comunicação noticiaram nesta segunda:

Cosan e Shell anunciam aliança de US$ 12 bilhões (Uol)

Joint venture de Cosan e Shell terá faturamento de R$ 40 bilhões (Valor Econômico)

União entre Shell e Cosan altera lógica do mercado global de etanol (iG)

Ninguém segura este país, né? Mas vamos fazer um pequeno exercício de memória. Leia esses três títulos depois de ler os outros abaixo, publicados algumas semanas atrás, e veja a diferença:

Cosan e mais 11 empregadores entram para a “lista suja” do trabalho escravo (Repórter Brasil)

Cosan é incluída em lista de trabalho escravo (Exame)

Com isso:

Ação da Cosan despenca com inclusão em lista de trabalho escravo (O Globo)

Wal-Mart suspende contrato com Cosan por trabalho escravo (Reuters)

Aí, é claro:

Cosan adotará medidas para sair de lista de trabalho escravo (Estado de S. Paulo)

Inclusão de Cosan em lista de trabalho escravo é um erro, diz Stephanes (Folha de S. Paulo)

Liminar tira Cosan da ‘lista suja’ de trabalho escravo (Estado de S.Paulo)

Limpando o caminho para:

Cosan e Shell anunciam aliança de US$ 12 bilhões (Uol)

União entre Shell e Cosan altera lógica do mercado global de etanol (iG)

Tudo faz sentido. É a gente que só percebe tarde demais.

MÍDIA - Cai a circulação dos jornais.

Copiado do blog " Herdeiro do Caos"


A revolução será remixada…
Cai a circulação dos jornais brasileiros, aponta IVC


Pesquisa do Instituto Verificador de Circulação (IVC) indica que houve queda de 6,9% na circulação dos principais jornais do Brasil em 2009. Dos 20 maiores títulos do país, 11 registram queda na circulação.

Cairam

O Dia (-31,7%);
Meia Hora (-19,8%);
Diário de S. Paulo (-18,6%);
Jornal da Tarde (-17,6%);
Extra (-13,7%);
O Estado de S. Paulo (-13,5%);
Diário Gaúcho (-12%);
O Globo (-8,6%);
Folha de S. Paulo (-5%);
Super Notícia (-4,5);
Estado de Minas (-2%).

Cresceram

Daqui (31%);
Expresso da Informação (15,7%);
Lance (10%);
Correio Braziliense (6,7%);
Agora São Paulo (4,8%);
Zero Hora (2%)

Estáveis (comparado a 2008)
Correio do Povo, A Tribuna e Valor Econômico

Ranking dos maiores jornais (quesito circulação)

Folha de S. Paulo (média diária de 295 mil exemplares);
Super Notícia (289 mil);
O Globo (257 mil);
Extra (248 mil);
O Estado de S. Paulo (213 mil);
Meia Hora (186 mil);
Zero Hora (183 mil);
Correio do Povo (155 mil);
Diário Gaúcho (147 mil);
Lance (125 mil)

ELEIÇÕES - O chute de Montenegro e o silêncio global.

Copiado do blog "O escrevinhador"do Rodrigo Vianna

Torcida de Montenegro é só pelo Botafogo? Últimas pesquisas desmentem o homem do IBOPE

Na última sexta-feira, a TV Bandeirantes divulgou pesquisa Vox Populi, a mostrar que Dilma encurtou a distância que a separa do (ainda) líder na corrida presidencial, José Serra. Os números estão aqui - http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/vox-populi-dilma-subiu-serra-caiu/.
No Jornal Nacional, da Globo, silêncio absoluto.
Na segunda, foi a vez da CNT/Sensus divulgar levantamento que mostra empate técnico entre a candidata de Lula e o candidato de FHC – http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/cnt-cai-a-vantagem-de-serra/.
O Jornal da Record deu destaque ao fato logo nas manchetes de abertura (na “escalada do jornal”, como dizemos em TV). A escolha era óbvia: trata-se de um fato político e jornalístico importante. Muita gente duvidava da capacidade de Lula transferir votos para Dilma. Pelo visto, está a transferir.
De novo, no Jornal Nacional, um silêncio ensurdecedor.
Eu até compreendo. A Globo tem uma velha parceria com o IBOPE, para divulgação de pesquisas eleitorais. Por “coincidência”, é o IBOPE também que mede a audiência dos programas televisivos.
Pois bem: o diretor do IBOPE disse, ano passado, que Dilma teria dificuldades de passar dos 15% nas pesquisas. A Globo, presumo, não quis cometer a indelicadeza de divulgar pesquisas que desmintam o velho parceiro.
Para entender melhor o papel de Montenegro nisso tudo, peço licença ao Ricardo Kotscho, para transcrever trecho de post por ele publicado, em 29 de abril de 2009, no blog “Balaio” - http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2009/04/29/para-ibope-doenca-de-dilma-nada-altera/comment-page-8/.
Na época, o diretor do IBOPE, Carlos Alberto Montenegro, saiu a campo a dar entrevistas: o objetivo era defender a tese de que Serra era o grande favorito na eleição de 2010 (na época, os números mostravam mesmo isso), e que nada faria mudar esse quadro: Lula teria imensa dificuldade em transferir votos.
Montenegro não falou só com o Kotscho. Declarações do dono do IBOPE salpicaram páginas de revistas e jornais. O Kotscho resumiu assim o pensamento do Montenegro sobre as chances de Dilma:
“A transferência de votos do presidente Lula para ela chegará mais adiante a um patamar de 15%. A partir daí, será difícil conquistar cada ponto a mais.
* O mesmo vale para qualquer outro candidato do governo na lista que será pesquisada para saber quem teria mais chances na eleição, caso Dilma seja obrigada a desistir da campanha, e Lula tenha que buscar outro nome. Tarso, Ciro, Palocci, Patrus, Haddad, qualquer um deles receberia o mesmo índice de transferência de votos e teria a mesma dificuldade para crescer a partir daí.
* A campanha de 2010 deverá mesmo ficar polarizada entre o candidato do governo e o candidato da oposição. Sem candidato, mais uma vez, o PMDB se dividiria meio a meio entre os dois lados da disputa. Ciro Gomes só seria candidato, em caso de desistência de Dilma, se for apoiado por Lula. Heloísa Helena e Cristovam Buarque desta vez não teriam espaço para suas candidaturas.
* O candidato da oposição será o tucano José Serra, do PSDB, que mantém seu amplo favoritismo na corrida presidencial e tem chances de vencer já no primeiro turno.’’
A favor de Kotscho, diga-se que ele é próximo de Lula (foi assessor de Lula em várias campanhas, e integrou a equipe presidencial no primeiro mandato). Portanto, teria todo interesse em divulgar tese que favorecesse a candidata de Lula. Acontece que Kotscho, por ser lulista, não deixa de ser jornalista. Fez o que devia: publicou a tese de Montenegro.
O fato é que os números do Vox Populi (na última sexta) e do CNT/Sensus (nesta segunda) desmentem Montenegro, de forma categórica.
Claro que muita coisa pode acontecer até outubro. Não acho que a vida de Dilma será fácil. Há uma imprensa desesperada pela perda de poder – disposta a tudo para tirar o PT do Planalto. Disposta até a apoiar Serra – que (goste-se ou não dele) é o menos liberal dos tucanos, homem que no governo FHC batia de frente com a idéia do “Estado mínimo”.
Parece que – além dos velhos barões da imprensa, da classe média saudosa dos milicos, e de políticos profissionais demo-tucanos preocupados com a perspectiva de permanecer mais 4 anos longe do poder central – há mais gente disposta ao vale tudo contra Dilma.
Estranha a atitude do dono do IBOPE. Ele teria bola de cristal? Ou saiu a campo prestando serviço a alguém?
Uma coisa é certa: Montenegro prestou enorme desserviço ao IBOPE.
Imaginem se não houvesse outros institutos de pesquisas eleitorais?
A gente deve confiar no IBOPE depois das declarações de Montenegro em 2009? O IBOPE vai divulgar números que desmintam o dono da empresa? Estou apenas testando hipóteses.
Para medir audiência televisiva não há concorrentes. Montenegro nada de braçada. Não é à toa que a Conferência Nacional de Comunicação sugeriu a criação de um instituto independente para medir audiência televisiva.
Até porque as verbas públicas de publicidade são investidas de acordo com audiência. E quem mede audiência? Só o Montenegro.
Qualquer dia desses ele aparece por aí dizendo que a novela X tem mais chance de ter audiências altas do que a novela Y. E não haverá números de concorrentes para desmenti-lo. Só os números do IBOPE.
Montenegro já foi presidente do Botafogo. Torce pelo time de General Severiano. Nos últimos anos, o time dele não teve muita sorte: perdeu três campeonatos pro Flamengo no Rio, foi pra segundona no Brasileiro, e ano passado quase caiu de novo.
O Montenegro, como torcedor, é meio pé-frio.
Ele torce pra mais alguém, além do Botafogo?
Não sei. Mas a Globo deve saber.

MÍDIA - O ódio da mídia e a primeira vitória de Lula.

Gilson Caroni Filho, Jornal do Brasil

RIO - Se a deontologia do jornalismo não contempla a divulgação de matérias partidarizadas como se fossem notícias apuradas em nome do leitor/telespectador, o telejornalismo brasileiro, principalmente o da Rede Globo, anda precisando redefinir qual é a natureza do seu verdadeiro ofício. Que fato objetivo deflagra tanta empulhação em horário nobre? Que registro simbólico almeja sua busca de sentidos? Qual a necessidade de construção permanente de imagens desfavoráveis ao governo e, em especial, ao presidente da República? Enganam-se os que pensam que as respostas a essas questões residem apenas nas próximas eleições. Lula, por seu significado histórico, representa uma fratura bem mais profunda do que pode parecer à primeira vista.

Ao obter mais de 30 milhões de votos em 1989, o ex-líder sindical apareceu como condensação das forças sociais que se voltavam para a demolição tardia do antigo regime. Contrariando prognósticos de conceituados analistas, sua candidatura teve gás suficiente para enfrentar as máquinas partidárias de velhos caciques. Mesmo derrotado por Collor, que representava a reprodução do passado no presente, o desempenho de Lula prenunciou, de forma categórica, o fim de uma “democracia” que só era possível mediante pacto de compromisso entre as velhas elites políticas, civis e militares. Essa foi sua primeira vitória. E a mídia disso se deu conta.

O embrião de um novo espaço histórico, capaz de conferir peso e voz aos de baixo na sociedade civil, na cultura e no arcabouço estatal, estava lançado. Com uma indiscutível capacidade de antecipação histórica, a família Marinho, que construiu seu colosso midiático como um Estado dentro do Estado – e muitas vezes acima dele – pressentiu o ocaso dos dias gloriosos. Como principal aparelho de legitimação da ditadura militar, a Globo sempre vislumbrou a democracia como processo fatal à sua supremacia. E essa era uma avaliação correta. Deter o movimento profundo que vinha das urnas seria impossível.

A centralidade de Lula e do Partido dos Trabalhadores no cenário político era o avanço do cidadão negado, desde sempre, em sua cidadania. A construção da nova história objetivaria também o significado das eleições seguintes. Até a vitória em 2002, o acúmulo de forças trouxe à cena as esperanças políticas das classes excluídas. O rosto sofrido, que se contrapunha tanto à estética das modernizações conservadoras quanto à ética do neoliberalismo rentista, já não temia as bravatas e espertezas do adversário.

O rancor da mídia corporativa tem que ser contemplado como pano de fundo de uma grande derrota. Suas ameaças só não são trágicas porque, ao arreganhar os dentes, a grande imprensa introduz notas burlescas no discurso que se pretendia ameaçador. O diagnóstico que denuncia o fim da festa sai, ainda que codificado, dos débeis sustentáculos da credibilidade que lhe sobrou junto a setores protofascistas da classe média.

Ao criminalizar movimentos sociais, criticar a política externa tentando estabelecer paralelos entre Caracas e Tegucigalpa, e censurar premiações internacionais recebidas pelo presidente, o jornalismo produzido vai desenovelando a história da imprensa brasileira com impecável técnica televisiva.

Resta-lhe o apoio de uma direita sem projeto, voraz, cínica e debochada. Esse é o único troféu que ostenta em 2010, após ter sofrido o baque inaugural há 21 anos. Na década de 80, ainda valia editar debates e fazer uso político de sequestro de empresários. Afinal, não seria por apoio governamental que conferências debateriam monopólio e manipulação midiática.

Em outubro, o monopólio não estará apostando apenas na candidatura de José Serra. Buscará, mediante retrocessos de toda ordem, garantir a sobrevida de uma ordem informativa excludente, incompatível com as regras mais elementares do Estado democrático de direito.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

SÓ FALTAVA ESSA! O assassino Tony Blair dando consultoria ao governo do Rio.

Tony Blair, de assassino e mentiroso vira esperança do governador Sérgio Cabral


O ex-premiê britânico Tony Blair, em menos de 24 horas, acaba de viver duas emoções conflitantes, ou seja, uma na sexta-feira 29 e outra em 30 de janeiro.

No último sábado, em Londres, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, convidou Blair para dar consultoria ao Rio 2016, a partir de maio.

O governador do Rio não informou quanto Blair vai embolsar. Os empresários pagarão, sustentou Cabral, em tempo de Operação Castelo de Areia(não há qualquer vínculo ou envolvimento de Cabral nessa Operação, citada a título de exemplo sobre a corrupção no Brasil) : diretores da empreiteira Camargo Corrêa são acusados pela Polícia Federal de manter uma conta bilionária em Andorra (paraíso fiscal), originária de obras superfaturadas, para oferecer vantagens garantidoras de obras públicas.

Cabral deu a Blair uma camisa personalizada da Seleção Brasileira de Futebol e, com o ministro do Esporte e o Comitê Organizador do Rio 2016, tirou fotografias ao seu lado: a foto, com destaque à camisa número 10 com o nome Tony Blair grafado nas costas, está publicada na página 19 da edição de ontem do jornal O Globo.

Para Cabral, coube a Blair a escolha dos projetos, a elaboração do cronograma de trabalho e o início das obras de preparação de Londres para sediar as Olimpíadas de 2012. Ainda segundo Cabral, “as obras estão em dia” e isso, numa óptica oportunista, deve-se a Blair.

Só faltou Cabral lembrar ter Blair deixado a chefia do governo em 27 de junho de 2007 e de haver o atual primeiro-ministro Gordon Brown afastado-se do antecessor, depois de ser seu ministro das Finanças.

Se leu os jornais britânicos e europeus que circularam no fatídico sábado do anúncio e da fotografia, o governador Cabral deve ter percebido que não fez uma boa escolha nem teve senso de oportunidade e conveniência. Em resumo, o “marketing” foi desastrado. Blair é estrela decadente, enquanto Bill Clinton, com a sua fundação para o Haiti, está em ascensão.

Com efeito, Blair passou, na sexta-feira e durante seis horas, por péssimos momentos em Westminster ao ser ouvido pela célebre Comissão Chilcot. Ele precisou esclarecer o motivo de ter colocado os britânicos na aventura de W. Bush de invadir o Iraque.

Na saída, Blair escutou o coro de “ assassino e mentiroso”.

No auditório, durante o testemunho, Blair sentiu o peso da presença de indignados familiares dos 179 militares britânicos mortos na invasão do Iraque, em 2003.

O prestígio de Blair começou a ruir quando aderiu à coalizão liderada por W. Bush e voltada à invasão do Iraque. Tudo, aliás, baseado na mentira de que Saddam Hussein, dado como aliado do alqaedista Osama bin Laden, possuía armas de destruição de massa e estava na iminência de usá-las.

Blair, para os britânicos e europeus, foi, como primeiro-ministro, um serviçal, “súcubo”, de W. Bush. É um símbolo negativo, como Bush.

Na referida sexta feira, 29 de janeiro de 2010, o não mais sorridente Blair, voltou a querer justificar o injustificável. Com isso, irritou os seus ex-eleitores: “A minha conclusão foi que aquele regime (referência à ditadura sanguinária de Saddam) brutal era perigoso para a comunidade internacional”. Para arrematar, frisou: “Não me arrependo e faria tudo de novo”.

PANO RÁPIDO. Visto como subserviente ao presidente Lula, o governador Cabral escolheu Blair, antigo capacho de W. Bush.

Wálter Fanganiello Maierovitch

ELEIÇÕES - Berzoini:" Há transferência de voto de Serra para Dilma.

Eliano Jorge

Um dos temas de discussões sobre as eleições deste ano é a capacidade do presidente Lula transferir votos para sua ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Em transição na presidência do PT com o sucessor José Eduardo Dutra (SE), o deputado Ricardo Berzoini (SP) lança uma tese ainda mais polêmica: "Tudo indica que houve uma transferência direta do Serra para a Dilma".

Ele se refere ao resultado da pesquisa de intenção de voto realizada pelo Instituto Sensus e encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, divulgado nesta segunda-feira, 1°. Apesar do empate técnico, a (pré)candidata governista aparece pela primeira vez à frente do antes líder disparado, o governador paulista José Serra, do PSDB.

- Não foi uma transferência de indecisos, uma transferência do Ciro (Gomes, deputado do PSB), tudo indica que foi uma transferência direta de Serra para Dilma, à medida em que as pessoas sabem: "Ah, mas Dilma é a candidata de Lula, Dilma é a candidata que vai dar continuidade às políticas do atual governo" - interpreta Berzoini.

Claramente contente ao ser informado dos números da pesquisa, embora ponderado e sem as alfinetadas recentes à oposição, Berzoini também valoriza o método do levantamento de opiniões eleitorais. "A pesquisa espontânea tem uma importância muito grande nesta etapa porque são as pessoas que já estão decididas em quem votar e só mudariam o voto em hipótese muito remota", afirma.

O parlamentar petista considera que a queda de Ciro Gomes na pesquisa se deve à popularização da ministra. "Acho que o conhecimento maior de que o candidato do Lula é a Dilma faz se posicionarem as pessoas que têm afinidade com o governo Lula", opina.

Ele insiste no aumento da visibilidade: "A pesquisa mostra que o nível de conhecimento sobre a pré-candidatura da Dilma é cada vez maior", diz Berzoini, acrescentando que, "hoje, em torno de 60 a 65% da população já devem saber que ela é candidata".

Veja íntegra da lista.

Terra Magazine - O senhor viu o resultado da pesquisa recém-publicada da CNT/Sensus, em que, na modalidade espontânea, o empate técnico traz a ministra Dilma Rousseff à frente do governador José Serra?
Ricardo Berzoini - Não, não vi. A pesquisa de dezembro da Vox Populi já dava isso na espontânea, com 8% para cada um. Agora está em quanto?

Agora, a ministra com 9,5% e o governador com 9,3%. Como o senhor avalia isso?
Bom sinal. A pesquisa espontânea tem uma importância muito grande nesta etapa porque são as pessoas que já estão decididas em quem votar e só mudariam o voto em hipótese muito remota. E normalmente são também pessoas muito interessadas em política, que conversam sobre política com amigos, com colegas de trabalho e com a família, e conseguem irradiar esse posicionamento para outros segmentos.

Mas há um indício de que não seria tanto assim (interessadas em política) porque o presidente Lula aparece em primeiro nestas intenções espontâneas.
Sim, mas veja bem: o espontâneo do Lula é o espontâneo menos informado. São pessoas que não sabem que ele não será candidato. O espontâneo que fala "Dilma" é quem já sabe que ela é candidata. E, hoje, em torno de 60 a 65% da população já devem saber que ela é candidata.

A ministra Dilma aparece com a menor rejeição, ultrapassando o governador Serra...
Essa pergunta de rejeição da Sensus é diferente da pergunta de rejeição que outros institutos fazem. Na da Vox Populi, em dezembro, nenhum candidato teve mais do que 12% de rejeição porque a pergunta é "Em quem você não votaria em hipótese alguma?". Essa pergunta da Sensus é "Em quem você não votaria?", o que muita gente interpreta como o inverso de "Em quem você votaria?". Então, acaba dando uma distorção de todos também.

É, a senadora Marina Silva aparece com a maior rejeição...
Exatamente pela pergunta. A pessoa falaria: "Eu não votaria na Marina, mas não é que não votaria em hipótese alguma; não votaria porque não conheço bem..." Normalmente o candidato menos conhecido é prejudicado por esta pergunta. A Dilma já chegou, numa dessas edições, a liderar a rejeição, acho que foi da Sensus anterior. De qualquer maneira, a pesquisa mostra que o nível de conhecimento sobre a pré-candidatura da Dilma é cada vez maior.

A que o senhor atribui as quedas percentuais referentes ao deputado Ciro Gomes e ao governador José Serra?
Acho que o conhecimento maior de que o candidato do Lula é a Dilma faz se posicionarem as pessoas que têm afinidade com o governo Lula. No caso do Serra, acho que tem ali um voto que aparece na pesquisa pró-Serra que é um voto de recall. À medida em que as opções vão transparecendo para a população - o que é votar em Serra e o que é votar em Dilma -, é óbvio que as pessoas podem mudar o voto. Eu não tenho a intenção de voto desta pesquisa, mas vi a da Vox Populi e Band, parece que houve uma transferência direta do Serra para a Dilma. Não foi uma transferência de indecisos, uma transferência do Ciro, tudo indica que foi uma transferência direta de Serra para Dilma, à medida em que as pessoas sabem: "Ah, mas Dilma é a candidata de Lula, Dilma é a candidata que vai dar continuidade às políticas do atual governo". Aí as pessoas começam a se posicionar, na minha opinião.

Já havia um acirramento entre PT e PSDB nas últimas semanas. Como o senhor pensa que será a partir de agora, depois desta pesquisa?
É uma típica eleição polarizada. E eleição polarizada tende a se acirrar ou no aspecto programático ou, às vezes, até no calor das declarações. A nossa visão é que, para nós, é melhor trabalhar no acirramento programático, ou seja, discutir com bastante intensidade o que é o Projeto Lula, a Dilma, e o que é o Projeto Serra, com suas relações com Fernando Henrique, com PDSB, com DEM.

O PSDB continua declarando, como vem fazendo desde o final do ano passado, apesar do crescimento da ministra Dilma nas pesquisas, que a subida dela é normal e não os preocupa. Como o senhor vê isso?
Acho que é uma declaração, digamos, formal. Porque evidentemente eles teriam uma avaliação de que o Serra seria favorito à eleição e estão vendo que, com o avanço do ano eleitoral, a população vai analisando com mais profundidade. Respeito a avaliação deles, mas entendo que é uma declaração formal.

Os tucanos acreditam que a ministra Dilma está sendo mais exposta e antecipando sua campanha - tanto que já entraram com processos contra isso -, enquanto o governador ainda não faz campanha e, quando fizer, o quadro mudará, ele crescerá em detrimento dela. Qual é sua opinião sobre esta hipótese?
Sou daqueles que acham que nenhum dos dois faz campanha hoje. Eles estão fazendo atividade administrativa normal, que inclui atos de inauguração, atos de apresentação e avaliação de programas, visitas às obras. Isso é normal em qualquer eleição, em qualquer ano eleitoral, que quem está ocupando cargo público trabalhe com aquela atividade como se fosse um outro ano, não precisa nem acelerar nem desacelerar. Como a Dilma já vinha, no ano passado, muita ativa - estou acompanhando a ministra desde 2007, em várias atividades - então nós temos a convicção de que ela está realizando a sua atividade normal. E acho que o governador de São Paulo também.

Terra Magazine

VENEZUELA - RCTV foi a única a desacatar a lei.

Venezuela: RCTV foi a única, dentre 105 canais, a desacatar lei.

Representantes dos canais TV Chile, American Network, Ritmoson, Sport Plus e Momentum, que tiveram no domingo passado o seu sinal temporariamente interrompido na Venezuela, entregaram a documentação exigida pela Comissão Nacional de Telecomunicações, Conatel, que comprova que são canais internacionais o que permite restabelecer suas transmissões nos próximos dias.
A Conatel requereu a documentação para que os canais de televisão que operam no país fossem qualificados sobre os Serviços de Produção Nacional Áudiovisual, tendo sido atendida por 104 canais. Só seis ultrapassaram todos os prazos estipulados e tiveram seu sinal interrompido até que as leis do país fossem respeitadas.

A Norma Técnica que complementa a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão, aprovada em 2005, entrou em vigência no dia 23 de dezembro. A nova regra determina que os canais que transmitem em território nacional tinham até quinze dias para apresentar suas documentações à Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) e protocolar seu pedido de ingresso ao grupo de produtores nacionais ou internacionais.

Pela Lei são considerados como produtores nacionais aquelas emissoras com 70% ou mais de produção nacional, que seja realizada com capital, pessoal técnico, artístico e que sejam produzidas em locações venezuelanas.

Neste caso, os canais devem se submeter à legislação nacional, que prevê a transmissão de cadeias nacionais e mensagens governamentais, estabelece limites para a transmissão publicitária e regulamenta a programação por elementos de linguajem, saúde, sexo e violência que determina a recomendação por faixa etária, entre outras normas.

De 105 canais em operação, só seis não compareceram. Assim, a RCTV e os canais Sport Plus, Momentum, Ritmo Son, America TV, TV Chile e American Network, foram qualificados automaticamente como produtor nacional. Com essa classificação, as emissoras teriam de respeitar a legislação interna, o que não vinha ocorrendo.

Na semana passada, dois dias antes da suspensão das transmissões dos seis canais, o diretor da Conatel, Diosdado Cabello, advertiu que as emissoras teriam de enquadrar-se à legislação ou, do contrário, seriam tiradas do ar. As emissoras mantiveram seu desrespeito a legislação em vigência e foram punidas sendo tiradas do ar temporariamente à meia-noite do sábado, 23 de janeiro.

Para constatar se uma emissora deve ser classificada como nacional ou internacional, a Conatel avaliou o conteúdo de programações durante quatro meses consecutivos e constatou, no caso da RCTV, que 94% da programação era de conteúdo nacional e apenas 6% internacional.

A Conatel esclareceu que a suspensão é transitória e pode ser revertida se os canais se apresentarem ao organismo, solicitando seu registro na categoria a que pertencem. Assim, na segunda-feira, dia 25, cinco, dos seis canais suspensos, já apresentaram documentos para regularização de suas transmissões, com exceção da RCTV.

“O representante do grupo Televisa, do qual formam parte os canais American Network e Ritmoson, realizou uma visita a Conatel, onde conversou sobre a aplicação da Norma Técnica ditada pelo Diretório de Responsabilidade Social, e se mostrou satisfeito pela receptividade da instituição para com seus representantes, considerando que a Norma vem preencher um vazio legal existente”, assinalou em comunicado a Conatel.

O diretor geral da Comissão, Diosdado Cabello, declarou que continua com as portas abertas para receber os outros canais a cabo, particularmente a RCTV, que ainda não entregaram a documentação pedida.

Ao invés de apresentar a documentação solicitada, parece preferir continuar com a empresa lacrada para chorar a ‘falta de liberdade’ sob o comando de Chávez. “Não vamos medir esforços até que a RCTV volte ao ar, ao ar da Venezuela, ao ar da liberdade”, disse o presidente da empresa Marcel Granier.

Fonte: Hora do Povo

ANOS DE CHUMBO - Luiz Claúdio enfrenta sequestrador.

Copiado do blog "Vi o mundo", do Azenha.

Lílian Celiberti, quinta-feira, frente a frente com o sequestrador do DOPS

O policial Irno processa o jornalista que denunciou o sequestro em 1978

O ex-policial do DOPS gaúcho João Augusto da Rosa, codinome Irno, está processando o jornalista Luiz Cláudio Cunha, autor do livro Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios, lançado em 2008 pela editora L&PM.

O livro conta a história do sequestro de Lílian Celiberti, seus dois filhos menores e Universindo Diaz ocorrido em Porto Alegre em novembro de 1978. Irno - ex-inspetor do DOPS e membro da equipe do delegado Pedro Seelig, principal nome da repressão no sul do país durante a ditadura militar - foi o agente que recebeu Cunha com uma pistola apontada para sua testa, no apartamento da rua Botafogo, no bairro do Menino Deus, onde os policiais do DOPS e oficiais do Exército uruguaio mantinham Lílian seqüestrada.

Irno – juntamente com outro policial do DOPS, o escrivão Orandir Portassi Lucas, o ex-jogador de futebol Didi Pedalada - foi reconhecido por Cunha e pelo fotógrafo J.B. Scalco como seqüestradores dos uruguaios. Ambos foram condenados pela Justiça em 1980.

Na ação, Irno pede indenização por dano moral, alegando que Cunha não menciona sua absolvição por “falta de provas” no recurso que apresentou em 1983, em segunda instância. O policial esqueceu de dizer que as “provas” do sequestro – Lílian e Universindo – estavam então presas, sob tortura, nas masmorras da ditadura uruguaia, que acabou apenas em 1985.

O sequestrador do DOPS gaúcho tenta reverter na Justiça a verdade que a imprensa brasileira publicou na época e que é recontada, em detalhes, no livro de Cunha: “Lembro apenas uma história que o Brasil todo conhece. Irno é um dos policiais que nós identificamos como seqüestradores dos uruguaios. O livro conta e reafirma uma história que narrei há 30 anos, na série de reportagens da revista Veja que ganhou os principais prêmios de jornalismo do país”.

Agora, 32 anos depois do sequestro, Irno terá que enfrentar não só a verdade publicada pela imprensa. Como uma das testemunhas de defesa de Cunha, a uruguaia Lílian Celiberti terá a chance de falar o que lhe foi sonegado dizer há três décadas.

Pela primeira vez desde 1978, Lilian estará frente a frente com o sequestrador Irno na audiência do processo marcada para esta quinta-feira, dia 04/02, às 15h, na 18º Vara Cível, no Foro Central de Porto Alegre.

Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios - que em 2009 recebeu o troféu Jabuti da Câmara Brasileira do Livro e a Menção Honrosa do prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos - acaba de ser agraciado em Havana no Prêmio Casa de Las Américas de 2010, que reuniu 436 obras de 22 países. Cunha ganhou menção honrosa na categoria Literatura Brasileira, vencida pela escritora Nélida Piñon.