Enviado por luisnassif
Por Fernando Augusto Botelho - RJ
Do Estadão
Quem são os que vivem de renda?
Paul Krugman
Depois da minha postagem sobre quem vive de renda e a sequência falando do eurocentrismo, uma pergunta surgiu: sobre quem estamos falando? Ou seja, quem ganha com a deflação e perde se a inflação estiver, digamos, 4% mais alta num período de 10 anos? São as senhorinhas que vivem de aplicações em renda fixa, e os trabalhadores da América profunda que apertam o cinto e poupam?
Bem, não são eles. Claro que há pessoas comuns que perderiam um pouco com a inflação mais alta. Mas a Previdência Social – que é o pilar da aposentadoria de muitos americanos – esta indexada à inflação, e as contas de aposentadoria investidas em ações não seriam prejudicadas.
Se você quer saber quem realmente ganha na disputa inflacionária, examine o estudo mais recente de Edward Wolff sobre a Distribuição da Riqueza Americana. Aqui está um extrato do documento:
Os títulos financeiros, na sua maior parte, estão na posse dos ricos – mais de 60% estão em mãos de apenas 1% da população e mais de 98% em poder dos 10% mais ricos. É verdade que os americanos da classe média mantêm depósitos significativos e que uma parte das suas contas de aposentadoria está aplicada em títulos. Por outro lado, os americanos da classe média arcam com a parte do leão da dívida; comparativamente, os ricos dificilmente assumem alguma parte dela.
Assim, se você pensar sobre as consequências, em termos de distribuição, de uma escolha entre uma década perdida, como no Japão, ou uma inflação muito baixa ou negativa, e uma estratégia tipo Mankiw-Rogoff de inflação mais alta durante um período, isso terá muito a ver com os benefícios para os ricos versus os benefícios para classe média. Desde que venho afirmando que alguma inflação contribuiria para a recuperação econômica, o que temos visto na prática é que a defesa dos interesses de uma pequena parcela rica da população assumiu prioridade em relação a uma possível estratégia de recuperação.
Carlos Augusto de Araujo Dória, 82 anos, economista, nacionalista, socialista, lulista, budista, gaitista, blogueiro, espírita, membro da Igreja Messiânica, tricolor, anistiado político, ex-empregado da Petrobras. Um defensor da justiça social, da preservação do meio ambiente, da Petrobras e das causas nacionalistas.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
ECONOMIA - Redução de impostos: Reverência com o chapéu alheio.
Fonte: Correio da Cidadania
Autor: Paulo Metri
Reverência com o chapéu alheio
Paulo Metri – conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros
A campanha de parte do empresariado nacional para que o governo reduza a carga de impostos dá a impressão de ser positiva, à primeira vista, porque, supondo que esta redução acarreta uma diminuição do preço dos produtos, ela iria beneficiar a sociedade consumidora dos mesmos. Além disso, a demanda por produtos iria aumentar, pois estariam sobrando reais no bolso dos consumidores. Por fim, se forem reduzidos também os impostos que são calculados sobre a folha de pagamentos, poderia haver aumento de contratações.
Mas, este raciocínio pode não se comprovar. Primeiramente, nada garante que a renúncia de impostos por parte do governo irá resultar em diminuição do preço dos produtos, podendo somente significar um aumento do lucro das empresas. Nesta hipótese, não haverá sobra de dinheiro ao consumidor e não haverá acréscimo da demanda. Também não deverá haver necessidade de contratações adicionais. Mesmo quando a redução de impostos é transferida para o preço dos produtos, eles podem ficar mais competitivos para o mercado externo e continuarem caros para o consumidor brasileiro, devido à grandeza das exportações que os transforma em produtos escassos no país.
Por outro lado, esse dinheiro, que não pertence aos empresários, mas que eles querem retirar da arrecadação, já tem destinos sociais definidos. Tem sido destinado para manter e ampliar escolas e hospitais públicos, comprar equipamentos para a Anvisa realizar melhor sua missão na saúde pública, pagar salários de servidores públicos, investir a fundo perdido em Ciência & Tecnologia, realizar saneamento básico, construir casas, aportar capital para o BNDES, reformar estádios para a Copa, ampliar redes de metrô etc. Se a redução de impostos fosse atrelada à diminuição do pagamento do serviço da dívida, a proposta começaria a ficar atraente. Mas, ainda assim, prefiro a diminuição deste pagamento junto com o crescimento dos gastos sociais.
Entretanto, a iniciativa do empresariado de baratear o preço de venda dos produtos não pode ser desestimulada, desde que a parcela retirada do preço de venda seja devido à diminuição do seu lucro ou à melhoria da produtividade e não sejam usados valores que não lhes pertencem. É fácil fazer reverência com o chapéu alheio. Se os impostos vão ser diminuídos, uma medida salutar seria os empresários indicarem os itens do orçamento da União que devem ser cortados para compensar a perda de arrecadação advogada por eles, como fazem nossos congressistas ao apresentarem emendas ao orçamento da União. Em outras palavras, o cobertor não é elástico e, ao se cobrir uma nova área, estão se descobrindo outras. Criando uma analogia mais própria para o caso, a redução dos impostos pregada significa diminuir o tamanho do cobertor, que passa a abrigar menos "usos".
Argumentam com freqüência que basta conter o roubo e sobrarão recursos para todos os programas. Mas é necessário que roubos específicos sejam apontados para que seja possível reduzir a carga tributária, senão este argumento não é valido. Argumentam também que, em vários países, a parcela de impostos pagos pela sociedade, como uma fração do PIB, é muito menor que a do Brasil. É verdade, mas, em muitos destes países, o salário médio dos trabalhadores é bem superior ao dos brasileiros, significando que, no Brasil, há necessidade de o Estado prover certos serviços que, nos outros países, são pagos pelo trabalhador.
Agora, se o empresariado quer, de qualquer forma, reduzir os impostos, vamos começar com aqueles que permitem a manutenção de todo Sistema S (Sesc, Senac, Sesi, Senai e Sebrae), sem haver crítica à qualidade dos programas mantidos por esta profusão de "S". Em geral, a população não sabe, mas o Sistema S não é mantido pelos empresários e, sim, por impostos pagos por ela própria. Eles, somente, o gerem. Melhor do que o discurso é uma atitude dada como exemplo.
Fonte: AEPET
Autor: Paulo Metri
Reverência com o chapéu alheio
Paulo Metri – conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros
A campanha de parte do empresariado nacional para que o governo reduza a carga de impostos dá a impressão de ser positiva, à primeira vista, porque, supondo que esta redução acarreta uma diminuição do preço dos produtos, ela iria beneficiar a sociedade consumidora dos mesmos. Além disso, a demanda por produtos iria aumentar, pois estariam sobrando reais no bolso dos consumidores. Por fim, se forem reduzidos também os impostos que são calculados sobre a folha de pagamentos, poderia haver aumento de contratações.
Mas, este raciocínio pode não se comprovar. Primeiramente, nada garante que a renúncia de impostos por parte do governo irá resultar em diminuição do preço dos produtos, podendo somente significar um aumento do lucro das empresas. Nesta hipótese, não haverá sobra de dinheiro ao consumidor e não haverá acréscimo da demanda. Também não deverá haver necessidade de contratações adicionais. Mesmo quando a redução de impostos é transferida para o preço dos produtos, eles podem ficar mais competitivos para o mercado externo e continuarem caros para o consumidor brasileiro, devido à grandeza das exportações que os transforma em produtos escassos no país.
Por outro lado, esse dinheiro, que não pertence aos empresários, mas que eles querem retirar da arrecadação, já tem destinos sociais definidos. Tem sido destinado para manter e ampliar escolas e hospitais públicos, comprar equipamentos para a Anvisa realizar melhor sua missão na saúde pública, pagar salários de servidores públicos, investir a fundo perdido em Ciência & Tecnologia, realizar saneamento básico, construir casas, aportar capital para o BNDES, reformar estádios para a Copa, ampliar redes de metrô etc. Se a redução de impostos fosse atrelada à diminuição do pagamento do serviço da dívida, a proposta começaria a ficar atraente. Mas, ainda assim, prefiro a diminuição deste pagamento junto com o crescimento dos gastos sociais.
Entretanto, a iniciativa do empresariado de baratear o preço de venda dos produtos não pode ser desestimulada, desde que a parcela retirada do preço de venda seja devido à diminuição do seu lucro ou à melhoria da produtividade e não sejam usados valores que não lhes pertencem. É fácil fazer reverência com o chapéu alheio. Se os impostos vão ser diminuídos, uma medida salutar seria os empresários indicarem os itens do orçamento da União que devem ser cortados para compensar a perda de arrecadação advogada por eles, como fazem nossos congressistas ao apresentarem emendas ao orçamento da União. Em outras palavras, o cobertor não é elástico e, ao se cobrir uma nova área, estão se descobrindo outras. Criando uma analogia mais própria para o caso, a redução dos impostos pregada significa diminuir o tamanho do cobertor, que passa a abrigar menos "usos".
Argumentam com freqüência que basta conter o roubo e sobrarão recursos para todos os programas. Mas é necessário que roubos específicos sejam apontados para que seja possível reduzir a carga tributária, senão este argumento não é valido. Argumentam também que, em vários países, a parcela de impostos pagos pela sociedade, como uma fração do PIB, é muito menor que a do Brasil. É verdade, mas, em muitos destes países, o salário médio dos trabalhadores é bem superior ao dos brasileiros, significando que, no Brasil, há necessidade de o Estado prover certos serviços que, nos outros países, são pagos pelo trabalhador.
Agora, se o empresariado quer, de qualquer forma, reduzir os impostos, vamos começar com aqueles que permitem a manutenção de todo Sistema S (Sesc, Senac, Sesi, Senai e Sebrae), sem haver crítica à qualidade dos programas mantidos por esta profusão de "S". Em geral, a população não sabe, mas o Sistema S não é mantido pelos empresários e, sim, por impostos pagos por ela própria. Eles, somente, o gerem. Melhor do que o discurso é uma atitude dada como exemplo.
Fonte: AEPET
ECONOMIA - Contradições do capitalismo.
O drama maior da OCDE: mais de 44 milhões de desempregados
A taxa média de desemprego nos 34 países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, considerada uma espécie de clube dos ricos) foi de 8,1% em abril deste ano. Isto significa nada menos que 44,1 milhões desocupados involuntários, certamente o mais grave problema social do capitalismo contemporâneo.
O rastro da crise econômica mundial, exportada pelos EUA, transparece na comparação com as estatísticas de abril de 2008. Agora, são 13,2 milhões de pessoas a mais vivenciando o drama do desemprego.
Desigualdades
É necessário observar que a média mascara muitas desigualdades. A Europa é o continente mais afetado pelo problema, mas as diferenças entre os países da região também são notáveis. Os países mais frágeis, às voltas com a crise da dívida externa, sofrem mais.
A Espanha é campeã do desemprego aberto, com taxa de 20,7%. Significa que mais de um entre cinco membros da força de trabalho estão desempregadas no país e buscam uma ocupação. Na Grécia, às portas da moratória e sob as garras do FMI, a taxa ultrapassa 16%.
Contradições do capitalismo
Outros países com altas taxas de desocupação são a Hungria (11,6%), Irlanda (14,7%), Portugal (12,6%) e Republica Eslovaca (13,9%). Em média, apesar de elevado, o índice registra um leve recuo em relação a abril do ano passado, quando atingiu 8,2%, o que ocorre pela primeira vez desde o começo da crise. Nos Estados Unidos, Japão, Luxemburgo, México e Eslovênia as taxas cresceram. O dado mais recente de maio mostra que o desemprego nos EUA subiu para 9,1%.
O desemprego em massa é, hoje, a expressão mais dramática da oposição entre o crescimento das forças produtivas e as relações de produção no sistema capitalista, apontada por Karl Marx. A ociosidade forçada e o desperdício da principal componente das forças produtivas (a força de trabalho), consequente das relações de produção e das contradições que acompanham o metabolismo de reprodução do capitalismo, revelam que o sistema não tem mais capacidade de utilizar plenamente as forças produtivas que criou e se transforma em obstáculo ao progresso impondo à classe trabalhadora sacrifícios perversos e inúteis.
Da Redação, Umberto Martins, com agências
A taxa média de desemprego nos 34 países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, considerada uma espécie de clube dos ricos) foi de 8,1% em abril deste ano. Isto significa nada menos que 44,1 milhões desocupados involuntários, certamente o mais grave problema social do capitalismo contemporâneo.
O rastro da crise econômica mundial, exportada pelos EUA, transparece na comparação com as estatísticas de abril de 2008. Agora, são 13,2 milhões de pessoas a mais vivenciando o drama do desemprego.
Desigualdades
É necessário observar que a média mascara muitas desigualdades. A Europa é o continente mais afetado pelo problema, mas as diferenças entre os países da região também são notáveis. Os países mais frágeis, às voltas com a crise da dívida externa, sofrem mais.
A Espanha é campeã do desemprego aberto, com taxa de 20,7%. Significa que mais de um entre cinco membros da força de trabalho estão desempregadas no país e buscam uma ocupação. Na Grécia, às portas da moratória e sob as garras do FMI, a taxa ultrapassa 16%.
Contradições do capitalismo
Outros países com altas taxas de desocupação são a Hungria (11,6%), Irlanda (14,7%), Portugal (12,6%) e Republica Eslovaca (13,9%). Em média, apesar de elevado, o índice registra um leve recuo em relação a abril do ano passado, quando atingiu 8,2%, o que ocorre pela primeira vez desde o começo da crise. Nos Estados Unidos, Japão, Luxemburgo, México e Eslovênia as taxas cresceram. O dado mais recente de maio mostra que o desemprego nos EUA subiu para 9,1%.
O desemprego em massa é, hoje, a expressão mais dramática da oposição entre o crescimento das forças produtivas e as relações de produção no sistema capitalista, apontada por Karl Marx. A ociosidade forçada e o desperdício da principal componente das forças produtivas (a força de trabalho), consequente das relações de produção e das contradições que acompanham o metabolismo de reprodução do capitalismo, revelam que o sistema não tem mais capacidade de utilizar plenamente as forças produtivas que criou e se transforma em obstáculo ao progresso impondo à classe trabalhadora sacrifícios perversos e inúteis.
Da Redação, Umberto Martins, com agências
ANOS DE CHUMBO - A verdade está aparecendo.
Projeto repatria acervo com documentos da Ditadura Militar
Após a ousadia de reunir clandestinamente um extenso acervo sobre a Ditadura Militar no Brasil, nesta terça-feira (14) o projeto Brasil: Nunca Mais lançou sua versão digital em ato realizado em São Paulo. Na mesma solenidade, cerca de 4 mil documentos que haviam sido enviados ao exterior para escapar da repressão foram repatriados. Aproveitando a presença da Procuradoria República, servidores fizeram uma manifestação pela aprovação do plano de cargos e salários.
Luana Bonone
A idealizadora do projeto "Brasil: Nunca Mais" foi a advogada Eny Raimundo Moreira, homenageada no ato.
Entre 1979 e 1985, religiosos progressistas souberam que os processos da Justiça Militar poderiam ficar até 24 horas de posse dos advogados dos envolvidos. Assim, um grupo de advogados passou a fazer cópias secretas dos documentos. O material era então enviado de Brasília para São Paulo, onde era organizado por voluntários e enviado para o exterior.
Idealizado pela advogada Eny Raimundo Moreira, o projeto Brasil: Nunca Mais era realizado por um grupo de religiosos e advogados coordenados por Dom Paulo Evaristo Arns e pelo reverendo Jaime Wright.
O projeto nasceu com o intuito – exitoso – de evitar o desaparecimento de vários documentos durante o processo de redemocratização do país e tem como produto um livro homônimo. Atualmente, o Brasil: Nunca Mais está na 37ª edição. Lançado em 15 de julho de 1985, ele foi reimpresso mais de 20 vezes nos dois primeiros anos.
O trabalho sigiloso teve como resultado cerca de um milhão de cópias de documentos do Superior Tribunal Militar. Microfilmadas, as cópias foram enviadas para o exterior, sob os cuidados do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), para ficarem protegidas e escaparem da possível apreensão. 707 processos completos e dezenas de processos incompletos já fazem parte do projeto Brasil: Nunca Mais – leia aqui o relatório produzido a partir desses documentos.
Repatriação
Nesta terça-feira (14), o Conselho Mundial de Igrejas e o Center for Research Libraries (EUA) entregaram cópias de seus acervos, que reúnem pelo menos 4 mil documentos mantidos no exterior, à Procuradoria-Geral da República, representada pelo subprocurador-geral da República, Aurélio Virgílio Veiga Rios. Essas cópias serão agora digitalizadas para compor o projeto Brasil Nunca Mais Digital. O conteúdo estará disponível na internet, através da página do Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Na foto de cima, os aplausos a Dom Paulo Evaristo Arns. Na de baixo, Paulo Vanucchi é homenageado.
O Ato de Repatriação do Acervo do Brasil: Nunca Mais, realizado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, pelo Ministério Público Federal e pelo Armazém Memória, homenageou quatro personagens. O primeiro foi Dom Paulo Evaristo Arns, que enviou uma mensagem dizendo que não compareceria porque não merece homenagens. Lida a mensagem, o público o aplaudiu de pé durante alguns minutos. O segundo foi o reverendo Jaime Wright, que foi representado por sua filha, Delore Wright.
O terceiro homenageado foi o ex-secretário de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vanucchi, que aproveitou a ocasião para pressionar as Casas Legislativas: “o Poder Legislativo não pode perder a chance de aprovar a Comissão da Verdade, pois já temos 22 anos de democracia consolidada no Brasil”, disse Vanucchi. A quarta e última homenageada foi Eny Raimundo Moreira, que pediu um novo aplauso a Dom Paulo Evaristo Arns: “Dom Paulo não está falando a verdade, ele merece todas as homenagens. Quero que ele receba este recado: o senhor foi aplaudido de pé duas vezes por este auditório”.
Após a ousadia de reunir clandestinamente um extenso acervo sobre a Ditadura Militar no Brasil, nesta terça-feira (14) o projeto Brasil: Nunca Mais lançou sua versão digital em ato realizado em São Paulo. Na mesma solenidade, cerca de 4 mil documentos que haviam sido enviados ao exterior para escapar da repressão foram repatriados. Aproveitando a presença da Procuradoria República, servidores fizeram uma manifestação pela aprovação do plano de cargos e salários.
Luana Bonone
A idealizadora do projeto "Brasil: Nunca Mais" foi a advogada Eny Raimundo Moreira, homenageada no ato.
Entre 1979 e 1985, religiosos progressistas souberam que os processos da Justiça Militar poderiam ficar até 24 horas de posse dos advogados dos envolvidos. Assim, um grupo de advogados passou a fazer cópias secretas dos documentos. O material era então enviado de Brasília para São Paulo, onde era organizado por voluntários e enviado para o exterior.
Idealizado pela advogada Eny Raimundo Moreira, o projeto Brasil: Nunca Mais era realizado por um grupo de religiosos e advogados coordenados por Dom Paulo Evaristo Arns e pelo reverendo Jaime Wright.
O projeto nasceu com o intuito – exitoso – de evitar o desaparecimento de vários documentos durante o processo de redemocratização do país e tem como produto um livro homônimo. Atualmente, o Brasil: Nunca Mais está na 37ª edição. Lançado em 15 de julho de 1985, ele foi reimpresso mais de 20 vezes nos dois primeiros anos.
O trabalho sigiloso teve como resultado cerca de um milhão de cópias de documentos do Superior Tribunal Militar. Microfilmadas, as cópias foram enviadas para o exterior, sob os cuidados do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), para ficarem protegidas e escaparem da possível apreensão. 707 processos completos e dezenas de processos incompletos já fazem parte do projeto Brasil: Nunca Mais – leia aqui o relatório produzido a partir desses documentos.
Repatriação
Nesta terça-feira (14), o Conselho Mundial de Igrejas e o Center for Research Libraries (EUA) entregaram cópias de seus acervos, que reúnem pelo menos 4 mil documentos mantidos no exterior, à Procuradoria-Geral da República, representada pelo subprocurador-geral da República, Aurélio Virgílio Veiga Rios. Essas cópias serão agora digitalizadas para compor o projeto Brasil Nunca Mais Digital. O conteúdo estará disponível na internet, através da página do Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Na foto de cima, os aplausos a Dom Paulo Evaristo Arns. Na de baixo, Paulo Vanucchi é homenageado.
O Ato de Repatriação do Acervo do Brasil: Nunca Mais, realizado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, pelo Ministério Público Federal e pelo Armazém Memória, homenageou quatro personagens. O primeiro foi Dom Paulo Evaristo Arns, que enviou uma mensagem dizendo que não compareceria porque não merece homenagens. Lida a mensagem, o público o aplaudiu de pé durante alguns minutos. O segundo foi o reverendo Jaime Wright, que foi representado por sua filha, Delore Wright.
O terceiro homenageado foi o ex-secretário de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vanucchi, que aproveitou a ocasião para pressionar as Casas Legislativas: “o Poder Legislativo não pode perder a chance de aprovar a Comissão da Verdade, pois já temos 22 anos de democracia consolidada no Brasil”, disse Vanucchi. A quarta e última homenageada foi Eny Raimundo Moreira, que pediu um novo aplauso a Dom Paulo Evaristo Arns: “Dom Paulo não está falando a verdade, ele merece todas as homenagens. Quero que ele receba este recado: o senhor foi aplaudido de pé duas vezes por este auditório”.
MÍDIA - A pesquisa de opinião ignorada.
Do Vermelho.org
Marcos Coimbra: mídia se cala sobre o Datafolha favorável a Dilma
No Brasil, como em qualquer democracia contemporânea, as pesquisas de opinião são parte do dia a dia da política. Faz tempo que é assim.
Por Marcos Coimbra, no Correio Braziliense
É claro que isso começou depois do fim da ditadura. Entre 1964 e a redemocratização, elas foram parcimoniosamente realizadas e divulgadas. Sem eleições para o executivo, a não ser em cidades do interior, quase ninguém fazia pesquisas de intenção de voto. E, dado que a opinião pública é pouco (ou nada) relevante nos regimes autoritários, tampouco se faziam pesquisas sobre os sentimentos e avaliações da população a respeito de temas administrativos e governamentais.
Foi ao longo desses mesmos 20 anos que aumentou a importância das pesquisas mundo afora. Enquanto elas foram se incorporando ao cotidiano dos países desenvolvidos, sendo regularmente realizadas para veículos de comunicação, governos, instituições acadêmicas, organizações da sociedade civil, entidades de representação de interesses, partidos políticos e candidatos, por aqui o ambiente lhes era hostil.
Nos atrasamos em relação a esses países, demoramos a acertar o passo, mas conseguimos. De meados da década de 1980 para cá, as pesquisas (de opinião, mas também de mercado — o que é outra história) se modernizaram e consolidaram no Brasil.
Apesar disso, nossa mídia é uma cliente cautelosa e limitada dos institutos. Ao contrário da regra nos Estados Unidos e na Europa, onde jornais, emissoras de televisão e portais de internet são consumidores vorazes de pesquisas, seus congêneres brasileiros costumam pensar na base do "quero, desde que seja de graça". Todos acham ótimo divulgar uma pesquisa, mas se arrepiam perante a ideia de custeá-la.
A única exceção (que, de certa forma, confirma a regra), é o Datafolha, departamento de pesquisa de um jornal, que se utiliza dele na sua política comercial. Como nenhuma outra empresa de comunicação (acertadamente) achou que precisava ter "seu instituto", sequer outros semelhantes existem.
Com isso, a sociedade brasileira passa meses sem saber o que pensam as pessoas sobre a conjuntura, o que sabem e consideram relevante nos acontecimentos, que percepção têm dos personagens da política e de seus atos. Até que a mídia ganhe de presente alguns resultados, caso dos patrocinados por entidades de classe, a exemplo da CNI e da CNT.
Por alguma razão misteriosa, isso muda na véspera dos processos eleitorais, especialmente nas eleições presidenciais e de governador. Quando elas chegam, todos os veículos se sentem obrigados a ter a "sua pesquisa". E a dedicar uma parte enorme da cobertura a discutir números, algo que costuma interessar apenas secundariamente a leitores e espectadores.
Uma das explicações desse comportamento talvez seja que as pesquisas, às vezes, não dizem o que as redações esperam. E que, sem elas, é sempre possível especular sobre a opinião pública, sem o incômodo de consultá-la. Para que gastar dinheiro fazendo pesquisas, se vamos ignorá-las caso não mostrem o que queremos?
Tudo isso vem à mente com a divulgação da mais recente pesquisa do Datafolha sobre a popularidade da presidente e a avaliação do governo federal. Sem entrar em detalhes, o mais relevante que ela mostrou é que ambas vão bem. Na verdade, muito bem, considerando que subiram índices que já eram elevados. Na pesquisa anterior, Dilma batia o recorde de aprovação para presidentes no começo de mandato e superou, na nova, sua própria marca.
Definitivamente, não era isso que supunham os jornais. Nos dias que antecederam a demissão de Palocci, o que vimos foram especulações sobre a "queda de Dilma nas pesquisas", dada como tão certa que o interessante passou a ser as consequências de seu hipotético "desgaste de imagem" na governabilidade.
Como a pesquisa não confirmou qualquer recuo, um silêncio sepulcral se abateu sobre ela. Foi quase ignorada e nem mesmo o jornal que é dono do Datafolha achou que valia a pena insistir no assunto.
Só imaginando: o que teria acontecido se, ao invés de mostrar uma subida de 2%, ela tivesse indicado uma queda, ainda que pequena, na popularidade de Dilma? De uma coisa podemos estar certos, a pesquisa seria um estrondo.
* Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Marcos Coimbra: mídia se cala sobre o Datafolha favorável a Dilma
No Brasil, como em qualquer democracia contemporânea, as pesquisas de opinião são parte do dia a dia da política. Faz tempo que é assim.
Por Marcos Coimbra, no Correio Braziliense
É claro que isso começou depois do fim da ditadura. Entre 1964 e a redemocratização, elas foram parcimoniosamente realizadas e divulgadas. Sem eleições para o executivo, a não ser em cidades do interior, quase ninguém fazia pesquisas de intenção de voto. E, dado que a opinião pública é pouco (ou nada) relevante nos regimes autoritários, tampouco se faziam pesquisas sobre os sentimentos e avaliações da população a respeito de temas administrativos e governamentais.
Foi ao longo desses mesmos 20 anos que aumentou a importância das pesquisas mundo afora. Enquanto elas foram se incorporando ao cotidiano dos países desenvolvidos, sendo regularmente realizadas para veículos de comunicação, governos, instituições acadêmicas, organizações da sociedade civil, entidades de representação de interesses, partidos políticos e candidatos, por aqui o ambiente lhes era hostil.
Nos atrasamos em relação a esses países, demoramos a acertar o passo, mas conseguimos. De meados da década de 1980 para cá, as pesquisas (de opinião, mas também de mercado — o que é outra história) se modernizaram e consolidaram no Brasil.
Apesar disso, nossa mídia é uma cliente cautelosa e limitada dos institutos. Ao contrário da regra nos Estados Unidos e na Europa, onde jornais, emissoras de televisão e portais de internet são consumidores vorazes de pesquisas, seus congêneres brasileiros costumam pensar na base do "quero, desde que seja de graça". Todos acham ótimo divulgar uma pesquisa, mas se arrepiam perante a ideia de custeá-la.
A única exceção (que, de certa forma, confirma a regra), é o Datafolha, departamento de pesquisa de um jornal, que se utiliza dele na sua política comercial. Como nenhuma outra empresa de comunicação (acertadamente) achou que precisava ter "seu instituto", sequer outros semelhantes existem.
Com isso, a sociedade brasileira passa meses sem saber o que pensam as pessoas sobre a conjuntura, o que sabem e consideram relevante nos acontecimentos, que percepção têm dos personagens da política e de seus atos. Até que a mídia ganhe de presente alguns resultados, caso dos patrocinados por entidades de classe, a exemplo da CNI e da CNT.
Por alguma razão misteriosa, isso muda na véspera dos processos eleitorais, especialmente nas eleições presidenciais e de governador. Quando elas chegam, todos os veículos se sentem obrigados a ter a "sua pesquisa". E a dedicar uma parte enorme da cobertura a discutir números, algo que costuma interessar apenas secundariamente a leitores e espectadores.
Uma das explicações desse comportamento talvez seja que as pesquisas, às vezes, não dizem o que as redações esperam. E que, sem elas, é sempre possível especular sobre a opinião pública, sem o incômodo de consultá-la. Para que gastar dinheiro fazendo pesquisas, se vamos ignorá-las caso não mostrem o que queremos?
Tudo isso vem à mente com a divulgação da mais recente pesquisa do Datafolha sobre a popularidade da presidente e a avaliação do governo federal. Sem entrar em detalhes, o mais relevante que ela mostrou é que ambas vão bem. Na verdade, muito bem, considerando que subiram índices que já eram elevados. Na pesquisa anterior, Dilma batia o recorde de aprovação para presidentes no começo de mandato e superou, na nova, sua própria marca.
Definitivamente, não era isso que supunham os jornais. Nos dias que antecederam a demissão de Palocci, o que vimos foram especulações sobre a "queda de Dilma nas pesquisas", dada como tão certa que o interessante passou a ser as consequências de seu hipotético "desgaste de imagem" na governabilidade.
Como a pesquisa não confirmou qualquer recuo, um silêncio sepulcral se abateu sobre ela. Foi quase ignorada e nem mesmo o jornal que é dono do Datafolha achou que valia a pena insistir no assunto.
Só imaginando: o que teria acontecido se, ao invés de mostrar uma subida de 2%, ela tivesse indicado uma queda, ainda que pequena, na popularidade de Dilma? De uma coisa podemos estar certos, a pesquisa seria um estrondo.
* Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
ECONOMIA - Portugal à rasca.
Pobre Portugal. Singrou os mares para construir impérios, e depois de perdê-los retornou à Europa para ser tratado como um sócio menor, a quem agora cobram sacrifícios extremos. O pequeno país europeu que quase mudou a história do continente ao declarar o caráter socialista da Revolução dos Cravos, depois perdida, voltou à velha ordem liberal e é posto de joelhos para cumprir as exigências da banca mundial.
Quebrado na crise da dívida européia, um desdobramento local da crise econômica global de 2008, Portugal, assim como Grécia e Irlanda, teve que se socorrer com a União Européia e o FMI, que lhes emprestou 78 bilhões de euros com a contrapartida do receituário neoliberal: disciplina fiscal, corte nos gastos públicos e privatização, entre outros mandamentos tão conhecidos do Consenso de Washington, que destruíram a economia de vários países e levaram o mundo ao colapso.
Para recuperar a confiança do mercado, a direita recém-eleita ao comando do país promete ir além do que pede a troika formada por FMI, Banco Central Europeu e Comissão Européia. O novo primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho já anunciou que vai “alargar” o plano de privatizações. Sua intenção é entregar ao capital privado não apenas os serviços de infraestrutura, como transporte e comunicações, mas também a água, a RTP, a TAP e o que mais puder para pagar o que deve.
Não tarda muito, o novo líder português estará oferecendo as vinhas e a Torre de Belém, assim como a Grécia faz com suas ilhas e terrenos públicos. A venda de tudo o que é público, torna os serviços privados, com o conseqüente aumento do custo de vida. Isso, simultaneamente à elevação dos impostos e à redução dos gastos sociais. Sacrifica-se tudo, menos o pagamento à banca.
Portugal submete-se de vez ao sistema financeiro global, que assegura a parte dos bancos às custas do bem estar das populações. O FMI e seus pares europeus não estão preocupados em manter a competitividade de Portugal ou em garantir saúde e educação a seu povo. Extraem o que podem, até a última gota, para receber, com lucros, o que emprestaram. Um filme que já vimos nos anos 90 e que levou a uma quebradeira em série em todos os cantos do planeta.
A vitória da direita coroa um processo, no qual os socialistas tiveram enorme parcela de culpa. Ao não se diferenciarem da direita, perderam credibilidade e sofreram derrota acachapante. A esperança, agora, pode estar na conscientização política da geração à rasca, que tem levado milhares às ruas, convocados por meio das redes sociais. A juventude portuguesa, assim como a espanhola, quer trabalho e direito a uma vida digna. Uma juventude que cresceu tendo de tudo e que agora se vê à beira do nada. Quem sabe do velho Portugal não volte a surgir coisa nova?
Fonte: Direto da Redação.
Quebrado na crise da dívida européia, um desdobramento local da crise econômica global de 2008, Portugal, assim como Grécia e Irlanda, teve que se socorrer com a União Européia e o FMI, que lhes emprestou 78 bilhões de euros com a contrapartida do receituário neoliberal: disciplina fiscal, corte nos gastos públicos e privatização, entre outros mandamentos tão conhecidos do Consenso de Washington, que destruíram a economia de vários países e levaram o mundo ao colapso.
Para recuperar a confiança do mercado, a direita recém-eleita ao comando do país promete ir além do que pede a troika formada por FMI, Banco Central Europeu e Comissão Européia. O novo primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho já anunciou que vai “alargar” o plano de privatizações. Sua intenção é entregar ao capital privado não apenas os serviços de infraestrutura, como transporte e comunicações, mas também a água, a RTP, a TAP e o que mais puder para pagar o que deve.
Não tarda muito, o novo líder português estará oferecendo as vinhas e a Torre de Belém, assim como a Grécia faz com suas ilhas e terrenos públicos. A venda de tudo o que é público, torna os serviços privados, com o conseqüente aumento do custo de vida. Isso, simultaneamente à elevação dos impostos e à redução dos gastos sociais. Sacrifica-se tudo, menos o pagamento à banca.
Portugal submete-se de vez ao sistema financeiro global, que assegura a parte dos bancos às custas do bem estar das populações. O FMI e seus pares europeus não estão preocupados em manter a competitividade de Portugal ou em garantir saúde e educação a seu povo. Extraem o que podem, até a última gota, para receber, com lucros, o que emprestaram. Um filme que já vimos nos anos 90 e que levou a uma quebradeira em série em todos os cantos do planeta.
A vitória da direita coroa um processo, no qual os socialistas tiveram enorme parcela de culpa. Ao não se diferenciarem da direita, perderam credibilidade e sofreram derrota acachapante. A esperança, agora, pode estar na conscientização política da geração à rasca, que tem levado milhares às ruas, convocados por meio das redes sociais. A juventude portuguesa, assim como a espanhola, quer trabalho e direito a uma vida digna. Uma juventude que cresceu tendo de tudo e que agora se vê à beira do nada. Quem sabe do velho Portugal não volte a surgir coisa nova?
Fonte: Direto da Redação.
CHILE - Os pinguins estão chegando: Alerta para Pinera.
O movimento estudantil das escolas públicas do Chile continua ganhando força. Ontem, segundo dados oficiais, 98 estabelecimentos foram ocupados e cerca de 40 estão sem aulas. Pedem que o governo, de direita, responda às suas exigências.
A reportagem é de Christian Palma e publicado pelo Página/12, 14-06-2011. A tradução é do Cepat.
Até o momento, o movimento não tem a força e nem a mística do chamado "pingüinazo" de 2006, quando milhares de estudantes secundaristas foram às ruas para exigir melhorias na educação no Chile. No entanto, o novo movimento estudantil das escolas públicas está ganhando força. Não derrubou ainda nenhum ministro ou colocou em xeque o La Moneda, como cinco anos atrás, mas o alerta já chegou até o gabinete do ministro da Educação, o presidenciável da UDI, Joaquín Lavín, e do seu chefe, Sebastián Piñera.
Há uma semana, o centenário Liceu Manuel Barros Borgoño amanheceu tomado pelos estudantes. Depois de um enfrentamento com a polícia, 74 foram presos e houve grandes perdas em infra-estrutura. Este fato foi o ponto de partida de uma reivindicação nacional, a da nacionalização do ensino secundário hoje em mãos da municipalidade, que em muitos casos não têm os recursos necessários – passe escolar gratuito o ano todo, melhora da qualidade dos liceus técnicos e capacitação profissional e acelerar a reconstrução de escolas em áreas afetadas pelo terremoto.
Borgoño Barros precisou ser transferido para outro estabelecimento que não dispõe de instalações adequadas para o ensino. O mesmo acontece com o Liceu de Aplicação e o Liceu Internato Nacionaonal Barros Arana, que tem 60 por cento da capacidade fechada, as três escolas emblemáticas, começaram com as ocupações. Gradualmente, outras instituições aderiram como o Instituto Nacional, a principal escola pública do Chile, e o Liceu 1, de meninas, todos formadores de grandes personalidades da política, das artes, das ciências e negócios.
Ontem, segundo números oficiais, 98 estabelecimentos estavam ocupados e cerca de 40 em greve. De acordo com o subsecretário da Educação, Fernando Rojas, o governo está disposto a discutir o pedido dos estudantes, que também exigem mudanças constitucionais para melhorar a área, mas “esperamos que os alunos parem com a ocupações e a greve para começar a conversar”.
Freddy Fuentes, presidente do Centro de Estudantes do Liceu da Aplicação, disse que “se não houver mudança na Constituição estes problemas vão continuar e não queremos soluções parciais", e instou as autoridades a responder rapidamente os pedidos para definir o caráter das próximas manifestações. Anteriormente, o ministro Lavin disse que o problema não será resolvido com manifestações de rua. Contudo, continuam as ocupações nas escolas, sob o olhar atento dos Carabineiros, que aguardam o pedido do prefeito de Santiago para desocuparem as escolas. O mesmo em outras regiões, através de autarquias locais.
Os alunos, entretanto, que entregaram oficialmente ao ministro a pedido de suas demandas, anunciaram uma passeata até o coração de Santiago, com a idéia, como dizem, para avançar na “revolução pinguim”, iniciada em 2006.
A porta-voz da Assembléia Coordenadora de Estudantes Secundaristas (Aces), Laura Ortiz, disse que “temos claro que comparar as situações não é o caso porque agora aconteceu uma explosão social, mas a cada dia mais escolas se somam ao movimento”. Por outro lado, o arcebispo de Santiago, Ricardo Ezzati, se mostrou diposto a colaborar no conflito como facilitador do diálogo entre alunos, professores e governo.
Isso porque os estudantes estão jogando pesado. Para a próxima quinta-feira, estudantes e professores universitários convocaram uma greve nacional, fato que será acompanhado por manifestações em várias cidades, sendo em Santiago, a principal delas. "Como colegiado de professores fazemos parte deste movimento. Esperamos que
O ministro da Educação receba isso como um sinal para estabelecer um diálogo de verdade e que responda as demandas deste movimento estudantil transversal que acontece em todo país. Não podemos continuar em um diálogo de "surdos”, disse o presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo. A mobilização terá início às 11hs na Praça Italia, indo pela alameda em direção à Praça da Cidadania, onde será realizado o ato principal.
Por sua vez, a presidenta da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile (Fech), Camila Vallejo, disse: “É uma vergonha que se trate o movimento de pouco representativo e violento. É legítimo, representativo e transversal porque expressa uma necessidade para o país”, disse.
Fonte:IHU
A reportagem é de Christian Palma e publicado pelo Página/12, 14-06-2011. A tradução é do Cepat.
Até o momento, o movimento não tem a força e nem a mística do chamado "pingüinazo" de 2006, quando milhares de estudantes secundaristas foram às ruas para exigir melhorias na educação no Chile. No entanto, o novo movimento estudantil das escolas públicas está ganhando força. Não derrubou ainda nenhum ministro ou colocou em xeque o La Moneda, como cinco anos atrás, mas o alerta já chegou até o gabinete do ministro da Educação, o presidenciável da UDI, Joaquín Lavín, e do seu chefe, Sebastián Piñera.
Há uma semana, o centenário Liceu Manuel Barros Borgoño amanheceu tomado pelos estudantes. Depois de um enfrentamento com a polícia, 74 foram presos e houve grandes perdas em infra-estrutura. Este fato foi o ponto de partida de uma reivindicação nacional, a da nacionalização do ensino secundário hoje em mãos da municipalidade, que em muitos casos não têm os recursos necessários – passe escolar gratuito o ano todo, melhora da qualidade dos liceus técnicos e capacitação profissional e acelerar a reconstrução de escolas em áreas afetadas pelo terremoto.
Borgoño Barros precisou ser transferido para outro estabelecimento que não dispõe de instalações adequadas para o ensino. O mesmo acontece com o Liceu de Aplicação e o Liceu Internato Nacionaonal Barros Arana, que tem 60 por cento da capacidade fechada, as três escolas emblemáticas, começaram com as ocupações. Gradualmente, outras instituições aderiram como o Instituto Nacional, a principal escola pública do Chile, e o Liceu 1, de meninas, todos formadores de grandes personalidades da política, das artes, das ciências e negócios.
Ontem, segundo números oficiais, 98 estabelecimentos estavam ocupados e cerca de 40 em greve. De acordo com o subsecretário da Educação, Fernando Rojas, o governo está disposto a discutir o pedido dos estudantes, que também exigem mudanças constitucionais para melhorar a área, mas “esperamos que os alunos parem com a ocupações e a greve para começar a conversar”.
Freddy Fuentes, presidente do Centro de Estudantes do Liceu da Aplicação, disse que “se não houver mudança na Constituição estes problemas vão continuar e não queremos soluções parciais", e instou as autoridades a responder rapidamente os pedidos para definir o caráter das próximas manifestações. Anteriormente, o ministro Lavin disse que o problema não será resolvido com manifestações de rua. Contudo, continuam as ocupações nas escolas, sob o olhar atento dos Carabineiros, que aguardam o pedido do prefeito de Santiago para desocuparem as escolas. O mesmo em outras regiões, através de autarquias locais.
Os alunos, entretanto, que entregaram oficialmente ao ministro a pedido de suas demandas, anunciaram uma passeata até o coração de Santiago, com a idéia, como dizem, para avançar na “revolução pinguim”, iniciada em 2006.
A porta-voz da Assembléia Coordenadora de Estudantes Secundaristas (Aces), Laura Ortiz, disse que “temos claro que comparar as situações não é o caso porque agora aconteceu uma explosão social, mas a cada dia mais escolas se somam ao movimento”. Por outro lado, o arcebispo de Santiago, Ricardo Ezzati, se mostrou diposto a colaborar no conflito como facilitador do diálogo entre alunos, professores e governo.
Isso porque os estudantes estão jogando pesado. Para a próxima quinta-feira, estudantes e professores universitários convocaram uma greve nacional, fato que será acompanhado por manifestações em várias cidades, sendo em Santiago, a principal delas. "Como colegiado de professores fazemos parte deste movimento. Esperamos que
O ministro da Educação receba isso como um sinal para estabelecer um diálogo de verdade e que responda as demandas deste movimento estudantil transversal que acontece em todo país. Não podemos continuar em um diálogo de "surdos”, disse o presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo. A mobilização terá início às 11hs na Praça Italia, indo pela alameda em direção à Praça da Cidadania, onde será realizado o ato principal.
Por sua vez, a presidenta da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile (Fech), Camila Vallejo, disse: “É uma vergonha que se trate o movimento de pouco representativo e violento. É legítimo, representativo e transversal porque expressa uma necessidade para o país”, disse.
Fonte:IHU
O OUTRO FILHO DO FHC.
Fernando Henrique Cardoso vai reconhecer seu outro filho, Leonardo dos Santos Pereira, que teve com a empregada doméstica, ou vai deixá-lo sem assistência?
Carlos Newton
Escrevemos outro dia aqui no blog sobre a luta da professora Rosemary de Morais, hoje com 56 anos, que acredita ser filha do ex-vice-presidente José Alencar e há mais de dez anos luta para ter reconhecida a paternidade. Alencar nunca aceitou fazer o teste de DNA e ainda deu entrevista chamando a ex-namorada de prostituta, embora soubesse que ela era enfermeira.
Essa matéria teve grande repercussão e vários comentaristas escreveram para o blog da Tribuna, indagando sobre os dois filhos que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve à margem de seu casamento com Dona Ruth Cardoso.
Era sabido que na década de 90 o ex-presidente teve um filho com a repórter Miriam Dutra, que foi então literalmente “asilada” em Barcelona pela Rede Globo, a pedido do próprio FHC. O jovem chama-se Tomas e há alguns foi reconhecido por FHC, mas só depois que a mãe decidiu mover processo judicial.
Criado na Espanha desde pequeno, Tomas depois foi para a Inglaterra, onde se formou no Imperial College, em Londres, numa cerimônia assistida pelo próprio pai, cheio de orgulho, vejam só como as coisas mudam quando a Justiça se movimenta. Recentemente, o novo integrante do clã Cardoso se mudou para os Estados Unidos, onde hoje estuda Relações Internacionais na George Washington University.
Foi em 19 de novembro que se descobriu um segundo caso de filho natural do ex-presidente FHC. A notícia foi dada pelo colunista Claudio Humberto, ao relatar que há pouco mais de 20 anos o então senador Fernando Henrique Cardoso tivera um romance com a empregada doméstica Maria Helena Pereira, que trabalhava em seu apartamento na capital.
Desse relacionamento nasceu um filho, que se chama Leonardo dos Santos Pereira e está hoje com vinte e poucos anos. Mãe e filho trabalham no Senado Federal. Maria Helena é copeira e serve cafezinho aos gabinetes da Ala Teotônio Vilela, enquanto Leonardo trabalha como carregador (auxiliar de serviços gerais) na Gráfica do Senado.
É interessante lembrar que FHC vivia dizendo que tinha um pé na senzala. E era mais do que verdade. Além de ser mestiço, como praticamente todos os brasileiros, ele acabou tendo filho com uma afrodescendente que o impressionou pela formosura. Leonardo é considerado muito parecido com o pai. E foi por isso, aliás, que a mulher de FHC, Dona Ruth Cardoso, decidiu demitir a empregada.
Mas o romântico FHC não deixou Maria Helena desamparada de todo. Comprou dois apartamentos tipo quitinete para ela e uma loja na periferia de Brasília, que está alugada. Infelizmente, não ofereceu ao filho Leonardo as mesmas oportunidades que foram garantidas ao meio-irmão Tomas, filho da jornalista. E até agora também não o reconheceu o filho Leonardo. Deveria fazê-lo, seguindo o exemplo de Roberto Carlos. Mas não o fará. Por isso, RC é e sempre será Rei, enquanto FHC é apenas mais um ex-presidente.
Fonte: Tribuna da Imprensa.
Carlos Newton
Escrevemos outro dia aqui no blog sobre a luta da professora Rosemary de Morais, hoje com 56 anos, que acredita ser filha do ex-vice-presidente José Alencar e há mais de dez anos luta para ter reconhecida a paternidade. Alencar nunca aceitou fazer o teste de DNA e ainda deu entrevista chamando a ex-namorada de prostituta, embora soubesse que ela era enfermeira.
Essa matéria teve grande repercussão e vários comentaristas escreveram para o blog da Tribuna, indagando sobre os dois filhos que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve à margem de seu casamento com Dona Ruth Cardoso.
Era sabido que na década de 90 o ex-presidente teve um filho com a repórter Miriam Dutra, que foi então literalmente “asilada” em Barcelona pela Rede Globo, a pedido do próprio FHC. O jovem chama-se Tomas e há alguns foi reconhecido por FHC, mas só depois que a mãe decidiu mover processo judicial.
Criado na Espanha desde pequeno, Tomas depois foi para a Inglaterra, onde se formou no Imperial College, em Londres, numa cerimônia assistida pelo próprio pai, cheio de orgulho, vejam só como as coisas mudam quando a Justiça se movimenta. Recentemente, o novo integrante do clã Cardoso se mudou para os Estados Unidos, onde hoje estuda Relações Internacionais na George Washington University.
Foi em 19 de novembro que se descobriu um segundo caso de filho natural do ex-presidente FHC. A notícia foi dada pelo colunista Claudio Humberto, ao relatar que há pouco mais de 20 anos o então senador Fernando Henrique Cardoso tivera um romance com a empregada doméstica Maria Helena Pereira, que trabalhava em seu apartamento na capital.
Desse relacionamento nasceu um filho, que se chama Leonardo dos Santos Pereira e está hoje com vinte e poucos anos. Mãe e filho trabalham no Senado Federal. Maria Helena é copeira e serve cafezinho aos gabinetes da Ala Teotônio Vilela, enquanto Leonardo trabalha como carregador (auxiliar de serviços gerais) na Gráfica do Senado.
É interessante lembrar que FHC vivia dizendo que tinha um pé na senzala. E era mais do que verdade. Além de ser mestiço, como praticamente todos os brasileiros, ele acabou tendo filho com uma afrodescendente que o impressionou pela formosura. Leonardo é considerado muito parecido com o pai. E foi por isso, aliás, que a mulher de FHC, Dona Ruth Cardoso, decidiu demitir a empregada.
Mas o romântico FHC não deixou Maria Helena desamparada de todo. Comprou dois apartamentos tipo quitinete para ela e uma loja na periferia de Brasília, que está alugada. Infelizmente, não ofereceu ao filho Leonardo as mesmas oportunidades que foram garantidas ao meio-irmão Tomas, filho da jornalista. E até agora também não o reconheceu o filho Leonardo. Deveria fazê-lo, seguindo o exemplo de Roberto Carlos. Mas não o fará. Por isso, RC é e sempre será Rei, enquanto FHC é apenas mais um ex-presidente.
Fonte: Tribuna da Imprensa.
terça-feira, 14 de junho de 2011
POLÍTICA - Sem Palocci, Dilma restitui o presidencialismo.
Por Ricardo Kotscho
Passou despercebido na semana passada um detalhe da minirreforma ministerial promovida pela presidente Dilma Rousseff: mudou outra vez o regime de governo.
Após a breve experiência parlamentarista com o primeiro-ministro Antonio Palocci, que não chegou a completar cinco meses no cargo, e a nomeação de duas mulheres de sua confiança para as funções que ele desempenhava – a coordenação de governo e a articulação política – Dilma dividiu os poderes da Casa Civil e restituiu o presidencialismo no país.
Sem entrar no mérito das nomeações de Gleisi Hoffmann, para a Casa Civil, e de Ideli Salvatti, para as Relações Institucionais, mulheres de personalidade forte e perfil semelhante ao da presidente, anunciadas por Dilma sem qualquer negociação com o PT, o PMDB e os demais partidos da base, e sem consultar ninguém, a presidente de uma só tacada provou que:
1º – O país tem governo.
2º – O país não tem oposição.
“O governo é o nosso maior aliado, pelos erros e contradições”, gracejou o senador mineiro Aécio Neves, provável candidato tucano em 2014. Se esta é a única coisa que a oposição tem a dizer, é sinal que a crise política das últimas semanas não lhe serviu para nada.
Não que o governo não tenha cometido erros e apresentado contradições, mas usar este argumento chega a ser hilário para quem acompanha a fragmentação e o encolhimento de partidos como PSDB, DEM e PPS.
Claro que a reforma ministerial não vai parar por aí. Até o final do ano, muitas outras mudanças virão, na medida em que Dilma encontrar no mercado quadros mais afinados com o seu estilo e projeto de governo.
A presidente assumiu em 1º de janeiro com um time misto de 37 colaboradores na Esplanada, sendo apenas um décimo deles, no máximo, da sua confiança e cota pessoal. O restante foi resultado de acordos com o ex-presidente Lula, que emplacou vários ex-ministros seus no novo governo, e os partidos aliados, à frente o PT e o PMDB, que até hoje brigam pelos cargos de segundo escalão.
As circunstâncias em que Dilma foi eleita, com o decidido apoio de Lula, um presidente que chegou ao final do mandato com altos índices de popularidade, e o fato de ela não ter uma equipe própria, a levaram a montar o ministério possível e não o dos seus sonhos neste primeiro momento.
Lula levou mais de 20 anos formando um time para quando chegasse ao poder. Dilma nunca sonhou em disputar qualquer mandato, quanto mais o de presidente da República. Na noite em que ambos comemoraram a vitória no Palácio da Alvorada, apenas dois assessores acompanhavam a
presidente eleita; os demais convidados eram todos da “turma de Lula”.
Agora, com o poder centralizado nela e a caneta na mão, é natural que Dilma vá formando um ministério à sua imagem e semelhança.
Para o bem ou para o mal, ao decidir sozinha o desfecho da crise política desencadeada pelo ex-primeiro-ministro indicado por Lula, que já se arrastava fazia três semanas, Dilma Rousseff mostrou determinação e coragem _ duas qualidades importantes para quem senta na cadeira presidencial.
Vida que segue. Mais uma vez, o mundo não acabou
Passou despercebido na semana passada um detalhe da minirreforma ministerial promovida pela presidente Dilma Rousseff: mudou outra vez o regime de governo.
Após a breve experiência parlamentarista com o primeiro-ministro Antonio Palocci, que não chegou a completar cinco meses no cargo, e a nomeação de duas mulheres de sua confiança para as funções que ele desempenhava – a coordenação de governo e a articulação política – Dilma dividiu os poderes da Casa Civil e restituiu o presidencialismo no país.
Sem entrar no mérito das nomeações de Gleisi Hoffmann, para a Casa Civil, e de Ideli Salvatti, para as Relações Institucionais, mulheres de personalidade forte e perfil semelhante ao da presidente, anunciadas por Dilma sem qualquer negociação com o PT, o PMDB e os demais partidos da base, e sem consultar ninguém, a presidente de uma só tacada provou que:
1º – O país tem governo.
2º – O país não tem oposição.
“O governo é o nosso maior aliado, pelos erros e contradições”, gracejou o senador mineiro Aécio Neves, provável candidato tucano em 2014. Se esta é a única coisa que a oposição tem a dizer, é sinal que a crise política das últimas semanas não lhe serviu para nada.
Não que o governo não tenha cometido erros e apresentado contradições, mas usar este argumento chega a ser hilário para quem acompanha a fragmentação e o encolhimento de partidos como PSDB, DEM e PPS.
Claro que a reforma ministerial não vai parar por aí. Até o final do ano, muitas outras mudanças virão, na medida em que Dilma encontrar no mercado quadros mais afinados com o seu estilo e projeto de governo.
A presidente assumiu em 1º de janeiro com um time misto de 37 colaboradores na Esplanada, sendo apenas um décimo deles, no máximo, da sua confiança e cota pessoal. O restante foi resultado de acordos com o ex-presidente Lula, que emplacou vários ex-ministros seus no novo governo, e os partidos aliados, à frente o PT e o PMDB, que até hoje brigam pelos cargos de segundo escalão.
As circunstâncias em que Dilma foi eleita, com o decidido apoio de Lula, um presidente que chegou ao final do mandato com altos índices de popularidade, e o fato de ela não ter uma equipe própria, a levaram a montar o ministério possível e não o dos seus sonhos neste primeiro momento.
Lula levou mais de 20 anos formando um time para quando chegasse ao poder. Dilma nunca sonhou em disputar qualquer mandato, quanto mais o de presidente da República. Na noite em que ambos comemoraram a vitória no Palácio da Alvorada, apenas dois assessores acompanhavam a
presidente eleita; os demais convidados eram todos da “turma de Lula”.
Agora, com o poder centralizado nela e a caneta na mão, é natural que Dilma vá formando um ministério à sua imagem e semelhança.
Para o bem ou para o mal, ao decidir sozinha o desfecho da crise política desencadeada pelo ex-primeiro-ministro indicado por Lula, que já se arrastava fazia três semanas, Dilma Rousseff mostrou determinação e coragem _ duas qualidades importantes para quem senta na cadeira presidencial.
Vida que segue. Mais uma vez, o mundo não acabou
MOVIMENTOS SOCIAIS - Governos quer atrair movimentos sociais "desorganizados" da Internet.
Acostumada a dialogar com movimentos sociais conhecidos, Secretaria Geral da Presidência pretende usar internet para atingir brasileiros que querem paricipar da vida pública mas não se sentem representados por partidos, mídia ou entidades tradicionais. Plano é criar um Portal de Participação Social em 2012 para levar voz da internet para dentro do Palácio do Planalto e incorporá-la à construção de políticas públicas.
André Barrocal
BRASÍLIA – A missão principal da Secretaria Geral da Presidência da República é aproximar o governo dos movimentos sociais, para que políticas públicas sejam, em algum grau, permeáveis a reivindicações populares. Seus interlocutores frequentes são centrais sindicais (CUT e Força Sindical, por exemplo), estudantes (UNE), camponeses (Contag), sem-terras (MST), índios (Cimi). Enfim, grupos de interesse organizados em entidades conhecidas.
A Secretaria Geral pretende, agora, ampliar a clientela e levar para dentro do Palácio do Planalto movimentos sociais "desorganizados”. Aqueles que, de forma anárquica e espontânea, nascem e manifestam-se pela internet. E que são desprovidos de vínculo com instâncias tradicionais no debate público, como os partidos políticos, a mídia ou os sindicatos.
O objetivo da Secretaria Geral - que lembra a ação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na eleição norte-americana em 2008 - consta do planejamento estratégico dela para 2011. Caso se desenvolva como previsto, deve se materializar em 2012, com a criação de um “portal de participação social”, como já está sendo chamado.
“A idéia é ampliar a democracia. Os instrumentos tradicionais da democracia, sozinhos, hoje não dão mais conta da realidade”, diz Ricardo Poppi, responsável pelo projeto na Secretaria Nacional de Articulação Social, da Secretaria Geral. “A internet é o espaço por execelência de um novo tipo de representação, que é mais utópica, mais direta, como vimos nos países árabes no começo do ano."
O projeto ainda é embrionário, mas Poppi já antecipa o que lhe vai pela cabeça sobre o futuro portal. Seria um espaço de consulta pública permanente, uma espécie de "ágora grega" virtual, onde as pessoas opinariam e deixariam críticas ou sugestões sobre temas propostos pelo governo ou que elas mesmas considerem importantes. Funcionaria ainda como um grande arquivo sobre as conferências nacionais patrocinadas pelo governo (juventude, comunicação, LGBT, por exemplo).
Algo parecido foi adotado recentemente pelo governo do Rio Grande do Sul, que montou um Gabinete Digital (um portal). Nele, os internautas podem fazer perguntas e escolher uma por mês para o governador Tarso Genro responder. A intenção do governo gaúcho não é tratar as perguntas como algo protocolar, mas incorporá-las efetivamente à agenda administrativa.
A Secretaria Geral pretende que aconteça o mesmo no governo da presidenta Dilma Rousseff. “O portal vai permitir que as pessoas tenham participação política e influenciem a formulação e a implementação de políticas públicas”, afirma Poppi. “Elas vão poder poder pautar o governo com temas que nem a imprensa nem a burocracia tinham percebido”, completa.
Com formação de nível médio em telecomunicações e de nível superior em ciência política, Poppi trabalhou anteriormente no ministério da Justiça, na coordenação de consultas públicas digitais. A proposta de Lei da Internet, ou de “marco civil” como o ministério a chama, passou por consulta coordenada por ele na qual houve mais de duas mil contribuições.
Para Poppi, a tecnologia digital pode ser um meio extraordinário de participação política. Cita como exemplo um episódio recente envolvendo uma professora do Rio Grande do Norte chamada Amanda Gurgel.
Em audiência pública na Assembléia Legislativa sobre salário dos professores, ela fez um discurso forte sobre a realidade da categoria que constrangeu os parlamentares. O vídeo com a manifestação foi parar no youtube, virou hit na internet e tornou-se assunto discutido pela população em mesa de bar. “Se não fosse a tecnologia, a fala dessa professora teria impacto apenas local”, afirma Poppi.
Fonte: Agência Carta Maior
André Barrocal
BRASÍLIA – A missão principal da Secretaria Geral da Presidência da República é aproximar o governo dos movimentos sociais, para que políticas públicas sejam, em algum grau, permeáveis a reivindicações populares. Seus interlocutores frequentes são centrais sindicais (CUT e Força Sindical, por exemplo), estudantes (UNE), camponeses (Contag), sem-terras (MST), índios (Cimi). Enfim, grupos de interesse organizados em entidades conhecidas.
A Secretaria Geral pretende, agora, ampliar a clientela e levar para dentro do Palácio do Planalto movimentos sociais "desorganizados”. Aqueles que, de forma anárquica e espontânea, nascem e manifestam-se pela internet. E que são desprovidos de vínculo com instâncias tradicionais no debate público, como os partidos políticos, a mídia ou os sindicatos.
O objetivo da Secretaria Geral - que lembra a ação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na eleição norte-americana em 2008 - consta do planejamento estratégico dela para 2011. Caso se desenvolva como previsto, deve se materializar em 2012, com a criação de um “portal de participação social”, como já está sendo chamado.
“A idéia é ampliar a democracia. Os instrumentos tradicionais da democracia, sozinhos, hoje não dão mais conta da realidade”, diz Ricardo Poppi, responsável pelo projeto na Secretaria Nacional de Articulação Social, da Secretaria Geral. “A internet é o espaço por execelência de um novo tipo de representação, que é mais utópica, mais direta, como vimos nos países árabes no começo do ano."
O projeto ainda é embrionário, mas Poppi já antecipa o que lhe vai pela cabeça sobre o futuro portal. Seria um espaço de consulta pública permanente, uma espécie de "ágora grega" virtual, onde as pessoas opinariam e deixariam críticas ou sugestões sobre temas propostos pelo governo ou que elas mesmas considerem importantes. Funcionaria ainda como um grande arquivo sobre as conferências nacionais patrocinadas pelo governo (juventude, comunicação, LGBT, por exemplo).
Algo parecido foi adotado recentemente pelo governo do Rio Grande do Sul, que montou um Gabinete Digital (um portal). Nele, os internautas podem fazer perguntas e escolher uma por mês para o governador Tarso Genro responder. A intenção do governo gaúcho não é tratar as perguntas como algo protocolar, mas incorporá-las efetivamente à agenda administrativa.
A Secretaria Geral pretende que aconteça o mesmo no governo da presidenta Dilma Rousseff. “O portal vai permitir que as pessoas tenham participação política e influenciem a formulação e a implementação de políticas públicas”, afirma Poppi. “Elas vão poder poder pautar o governo com temas que nem a imprensa nem a burocracia tinham percebido”, completa.
Com formação de nível médio em telecomunicações e de nível superior em ciência política, Poppi trabalhou anteriormente no ministério da Justiça, na coordenação de consultas públicas digitais. A proposta de Lei da Internet, ou de “marco civil” como o ministério a chama, passou por consulta coordenada por ele na qual houve mais de duas mil contribuições.
Para Poppi, a tecnologia digital pode ser um meio extraordinário de participação política. Cita como exemplo um episódio recente envolvendo uma professora do Rio Grande do Norte chamada Amanda Gurgel.
Em audiência pública na Assembléia Legislativa sobre salário dos professores, ela fez um discurso forte sobre a realidade da categoria que constrangeu os parlamentares. O vídeo com a manifestação foi parar no youtube, virou hit na internet e tornou-se assunto discutido pela população em mesa de bar. “Se não fosse a tecnologia, a fala dessa professora teria impacto apenas local”, afirma Poppi.
Fonte: Agência Carta Maior
ECONOMIA -Estragos do neoliberalismo.
Democracia & Política
NEOLIBERALISMO CAUSOU ESTRAGOS TAMBÉM NOS EUA E INGLATERRA
NEOLIBERALISMO CAUSOU MAIS DESIGUALDADE SOCIAL TAMBÉM NOS EUA E INGLATERRA
[Obs deste blog: não foi somente no Brasil dos anos FHC/PSDB/DEM e na América Latina em geral que a política econômica imposta pelos EUA e seus maiores aliados (com o apoio do FMI), apelidada de “neoliberalismo”, causou sérios danos à sociedade. Ele não salva ninguém. Vejamos editorial da "Folha"]:
Da Folha de São Paulo:
“A diferença entre ricos e pobres, que diminuiu sensivelmente nas sociedades desenvolvidas durante a maior parte do século 20, dá sinais de recrudescimento em países como EUA e Inglaterra.
Com algum senso melodramático, pesquisa encomendada pelo governo britânico projeta, para as próximas décadas, níveis de desigualdade social equivalentes aos do período vitoriano (1837-1901).
Não é plausível imaginar retorno às cenas dilacerantes dos romances de Charles Dickens (1812-70) que, como poucos, chamou a atenção para os extremos de miséria no apogeu do Império Britânico. O padrão de vida geral elevou-se de modo inimaginável, se comparado ao que vigia no século 19.
Mesmo assim, aparece como retrocesso o agravamento das diferenças entre ricos e pobres, em países onde tudo parecia encaminhar-se, não para nivelamento irrealista, mas a padrões razoáveis de diferenciação baseados em mérito e esforço pessoal.
Segundo a pesquisa, a parcela do 0,1% mais bem paga recebia, em 1979, 1,3% dos salários totais do Reino Unido. Hoje, essa mesma faixa da população recebe 5%; passará a 14% em 2030, se for mantida a tendência atual.
Nada que se compare, por certo, ao caso brasileiro. Aqui, o índice de GINI de concentração de renda situa-se em 0,53 [porém melhorando, decrescente] (o máximo de desigualdade seria expresso na cifra de 1,0). O Reino Unido conta com índice em torno de 0,35 [crescente].
NEOLIBERALISMO CAUSOU ESTRAGOS TAMBÉM NOS EUA E INGLATERRA
NEOLIBERALISMO CAUSOU MAIS DESIGUALDADE SOCIAL TAMBÉM NOS EUA E INGLATERRA
[Obs deste blog: não foi somente no Brasil dos anos FHC/PSDB/DEM e na América Latina em geral que a política econômica imposta pelos EUA e seus maiores aliados (com o apoio do FMI), apelidada de “neoliberalismo”, causou sérios danos à sociedade. Ele não salva ninguém. Vejamos editorial da "Folha"]:
Da Folha de São Paulo:
“A diferença entre ricos e pobres, que diminuiu sensivelmente nas sociedades desenvolvidas durante a maior parte do século 20, dá sinais de recrudescimento em países como EUA e Inglaterra.
Com algum senso melodramático, pesquisa encomendada pelo governo britânico projeta, para as próximas décadas, níveis de desigualdade social equivalentes aos do período vitoriano (1837-1901).
Não é plausível imaginar retorno às cenas dilacerantes dos romances de Charles Dickens (1812-70) que, como poucos, chamou a atenção para os extremos de miséria no apogeu do Império Britânico. O padrão de vida geral elevou-se de modo inimaginável, se comparado ao que vigia no século 19.
Mesmo assim, aparece como retrocesso o agravamento das diferenças entre ricos e pobres, em países onde tudo parecia encaminhar-se, não para nivelamento irrealista, mas a padrões razoáveis de diferenciação baseados em mérito e esforço pessoal.
Segundo a pesquisa, a parcela do 0,1% mais bem paga recebia, em 1979, 1,3% dos salários totais do Reino Unido. Hoje, essa mesma faixa da população recebe 5%; passará a 14% em 2030, se for mantida a tendência atual.
Nada que se compare, por certo, ao caso brasileiro. Aqui, o índice de GINI de concentração de renda situa-se em 0,53 [porém melhorando, decrescente] (o máximo de desigualdade seria expresso na cifra de 1,0). O Reino Unido conta com índice em torno de 0,35 [crescente].
POLÍTICA - Engano e injustiça, por excesso de delicadeza.
Do blog Por Um Novo Brasil.
Na admirável democracia brasileira, as pessoas podem falar o que bem entenderem e até elogiar quem não fez por merecer. A presidenta Dilma fez elogios a FHC pelos seus 80 anos. Ótimo, ela exerceu o seu direito de cidadã e agiu como uma estadista, afinal é a presidenta do Brasil. Mas a presidenta Dilma cometeu um engano e uma injustiça: o responsável pelo plano Real e pela estabilidade econômica – que não foi duradoura, pois no segundo mandato de FHC a estabilidade foi para o brejo – foi Itamar Franco. FHC se apossou indevidamente do plano Real para se eleger e reeleger, após ter comprado parlamentares para aprovar a reeleição. FHC foi astuto, seguindo o mantra e as diretrizes cínicas de Sérgio Motta. A idéia do PSDB era se manter no poder por 20 anos. Como a democracia brasileira é admirável, eu ouso continuar discordando da presidenta Dilma. FHC foi um político nefasto, entregou o Brasil ao capital estrangeiro com privatizações escusas, deixou 54 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, (IBGE 2002). Foi responsável por um desemprego recorde, o povo não tinha crédito e o FMI mandava e desmandava na nossa economia. FHC governou para as elites, para os banqueiros. O Proer dos Bancos foi uma vergonha. Os juros eram estratosféricos, o crescimento do país era pífio e o aumento da carga tributária no governo FHC deu um salto fantástico. O arrocho salarial era uma dura realidade, o salário mínimo de FHC era vergonhoso. O povo não tinha crédito, educação, moradia, saneamento básico, saúde. O INSS era uma loucura, um caos de filas intermináveis. Não existia o SAMU, não existia o Bolsa Família, não existia o PROUNI, o Luz para Todos. Na era FHC o povo era marginalizado, deixado à própria sorte. O PSDB irá fazer uso nefasto desses elogios equivocados da presidenta Dilma, mas o povo sabe o pão amassado pelo diabo que comeu na era FHC, do PSDB. E além do mais FHC não será candidato novamente. FHC deixou uma herança maldita para o governo Lula, que soube como ninguém reverter a situação caótica em que se encontravam o país e o povo brasileiro. O Brasil mudou para muito melhor com Lula, e Dilma vai continuar as mudanças necessárias dando continuidade ao governo Lula.
Jussara Seixas
Postado por Jussara Seixas
Na admirável democracia brasileira, as pessoas podem falar o que bem entenderem e até elogiar quem não fez por merecer. A presidenta Dilma fez elogios a FHC pelos seus 80 anos. Ótimo, ela exerceu o seu direito de cidadã e agiu como uma estadista, afinal é a presidenta do Brasil. Mas a presidenta Dilma cometeu um engano e uma injustiça: o responsável pelo plano Real e pela estabilidade econômica – que não foi duradoura, pois no segundo mandato de FHC a estabilidade foi para o brejo – foi Itamar Franco. FHC se apossou indevidamente do plano Real para se eleger e reeleger, após ter comprado parlamentares para aprovar a reeleição. FHC foi astuto, seguindo o mantra e as diretrizes cínicas de Sérgio Motta. A idéia do PSDB era se manter no poder por 20 anos. Como a democracia brasileira é admirável, eu ouso continuar discordando da presidenta Dilma. FHC foi um político nefasto, entregou o Brasil ao capital estrangeiro com privatizações escusas, deixou 54 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, (IBGE 2002). Foi responsável por um desemprego recorde, o povo não tinha crédito e o FMI mandava e desmandava na nossa economia. FHC governou para as elites, para os banqueiros. O Proer dos Bancos foi uma vergonha. Os juros eram estratosféricos, o crescimento do país era pífio e o aumento da carga tributária no governo FHC deu um salto fantástico. O arrocho salarial era uma dura realidade, o salário mínimo de FHC era vergonhoso. O povo não tinha crédito, educação, moradia, saneamento básico, saúde. O INSS era uma loucura, um caos de filas intermináveis. Não existia o SAMU, não existia o Bolsa Família, não existia o PROUNI, o Luz para Todos. Na era FHC o povo era marginalizado, deixado à própria sorte. O PSDB irá fazer uso nefasto desses elogios equivocados da presidenta Dilma, mas o povo sabe o pão amassado pelo diabo que comeu na era FHC, do PSDB. E além do mais FHC não será candidato novamente. FHC deixou uma herança maldita para o governo Lula, que soube como ninguém reverter a situação caótica em que se encontravam o país e o povo brasileiro. O Brasil mudou para muito melhor com Lula, e Dilma vai continuar as mudanças necessárias dando continuidade ao governo Lula.
Jussara Seixas
Postado por Jussara Seixas
POLÍTICA - Serra e suas críticas vazias.
Por José Dirceu
O presidente do recém-criado conselho político do PSDB, José Serra, fez críticas em seu blog às mudanças promovidas pela presidenta Dilma Rousseff nos ministérios da Casa Civil, Pesca e Relações Institucionais. Na avaliação do candidato derrotado à presidência da República, as alterações ministeriais dificilmente trarão efeitos positivos para o mandato da presidenta.
“Nesse processo, a presidente desgrudou-se precocemente do seu antecessor”, afirmou. Exatamente ele, que antes criticava a proximidade ou dependência da presidenta a Lula.
O rol das críticas segue. Para o titular do conselho dos tucanos, a presidenta “arranhou a bancada do seu partido na Câmara; tornou-se mais dependente do seu aliado principal, o PMDB; e trouxe para suas mãos a tarefa de negociar projetos e nomeações com o Congresso e os partidos, com vistas a revitalizar o processo de loteamento político herdado do governo anterior”.
Pedeu a eleição duas vezes
Serra disse também que até agora a atual gestão “não mostrou capacidade para estabelecer objetivos verdadeiros, antecipar-se aos problemas, planejar, fazer acontecer além da comunicação e da publicidade”. Pois bem. Eu digo que é Serra quem “não mostrou capacidade para estabelecer objetivos verdadeiros, antecipar-se aos problemas, planejar, fazer acontecer além da comunicação e da publicidade”.
Foi por essas e por outras que ele perdeu as eleições pela segunda vez. E perderá pela terceira, se os tucanos cometerem o erro de indicá-lo mais uma vez. Sobre PMDB, de fato, esse é um quesito sobre o qual ele entende muito, já que se aliou ao ex-governador Orestes Quércia e ao partido quando governou São Paulo entre 2007-2009.
Sobre a bancada de partidos, Serra não entende nada. Foi ele quem dividiu a do PSDB durante todo tempo que foi governador e continua dividindo seus integrantes entre Serristas e Aecistas. Aliás, sobre loteamento político, mais uma das críticas de Serra ao governo atual, é bom dizer que ele é um expert no assunto. Inclusive, quando o tema é nomear políticos derrotados – até de outros Estados – para cargos de confiança em São Paulo, tanto na administração da cidade, quando na do Estado. Essa expertise se estende a ele, a seu pupilo Gilberto Kassab e a seu companheiro de partido Geraldo Alckmin.
Doce ilusão
Por fim, em relação às suas críticas à presidenta Dilma Rousseff assumir a articulação política… Azar do PSDB, que esperava o contrário. Doce ilusão! Serra e seu partido não conhecem a presidenta.
Postado por Jussara Seixas às Terça-feira
O presidente do recém-criado conselho político do PSDB, José Serra, fez críticas em seu blog às mudanças promovidas pela presidenta Dilma Rousseff nos ministérios da Casa Civil, Pesca e Relações Institucionais. Na avaliação do candidato derrotado à presidência da República, as alterações ministeriais dificilmente trarão efeitos positivos para o mandato da presidenta.
“Nesse processo, a presidente desgrudou-se precocemente do seu antecessor”, afirmou. Exatamente ele, que antes criticava a proximidade ou dependência da presidenta a Lula.
O rol das críticas segue. Para o titular do conselho dos tucanos, a presidenta “arranhou a bancada do seu partido na Câmara; tornou-se mais dependente do seu aliado principal, o PMDB; e trouxe para suas mãos a tarefa de negociar projetos e nomeações com o Congresso e os partidos, com vistas a revitalizar o processo de loteamento político herdado do governo anterior”.
Pedeu a eleição duas vezes
Serra disse também que até agora a atual gestão “não mostrou capacidade para estabelecer objetivos verdadeiros, antecipar-se aos problemas, planejar, fazer acontecer além da comunicação e da publicidade”. Pois bem. Eu digo que é Serra quem “não mostrou capacidade para estabelecer objetivos verdadeiros, antecipar-se aos problemas, planejar, fazer acontecer além da comunicação e da publicidade”.
Foi por essas e por outras que ele perdeu as eleições pela segunda vez. E perderá pela terceira, se os tucanos cometerem o erro de indicá-lo mais uma vez. Sobre PMDB, de fato, esse é um quesito sobre o qual ele entende muito, já que se aliou ao ex-governador Orestes Quércia e ao partido quando governou São Paulo entre 2007-2009.
Sobre a bancada de partidos, Serra não entende nada. Foi ele quem dividiu a do PSDB durante todo tempo que foi governador e continua dividindo seus integrantes entre Serristas e Aecistas. Aliás, sobre loteamento político, mais uma das críticas de Serra ao governo atual, é bom dizer que ele é um expert no assunto. Inclusive, quando o tema é nomear políticos derrotados – até de outros Estados – para cargos de confiança em São Paulo, tanto na administração da cidade, quando na do Estado. Essa expertise se estende a ele, a seu pupilo Gilberto Kassab e a seu companheiro de partido Geraldo Alckmin.
Doce ilusão
Por fim, em relação às suas críticas à presidenta Dilma Rousseff assumir a articulação política… Azar do PSDB, que esperava o contrário. Doce ilusão! Serra e seu partido não conhecem a presidenta.
Postado por Jussara Seixas às Terça-feira
POLÍTICA - PV não é um partido político.
Marina Silva descobre que o PV não é um partido político, é apenas uma quadrilha que vive às custas do Fundo Partidário.
Carlos Newton
Reportagem de Bernardo Mello Franco, publicada na Folha de hoje, mostra que a ex-senadora Marina Silva deu um ultimato à direção do PV e retomou a ameaça de deixar o partido, caso o presidente José Luiz Penna não aceite abrir mão do cargo, que ocupa há 12 anos.
A ex-presidenciável estuda deixar o PV para ter liberdade de apoiar candidatos de agremiações diversas em 2012. E, mais para a frente, montar uma nova legenda – batizada temporariamente de Partido da Causa Ecológica. Como se sabe, Marina foi candidata à Presidência da República em 2010 pelo PV e, embora não tenha avançado ao segundo turno, conquistou quase 20 milhões de votos, número expressivo para seu partido.
Bem, se Marina Silva acha que José Luiz Penna vai abandonar a presidência do PV, está muito enganada. Trata-se de um músico fracassado, sem emprego fixo. Nos últimos doze anos viveu às custas do PV, que inclusive pagava até as contas de luz, telefone e água da residência dele.
Com apoio de outros diretores, Penna fraudou sucessivas vezes a contabilidade do partido, aplicando os mais diversos golpes, que não passaram despercebidos à Justiça Eleitoral. Apesar disso, estranhamente ele continuou a desfrutar da confiança dos grandes líderes da legenda, como Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis e Aspásia Camargo, por exemplo.
Há alguns anos, quando foram descobertas pelos auditores da Justiça Eleitoral as múltiplas fraudes na contabilidade, vários dirigentes do partido se revoltaram contra José Luiz Penna. Todos foram expulsos, sem direito de defesa. Agora, Marina Silva até ameaça deixar o partido, e efetivamente terá de fazê-lo, porque Penna jamais abandonará a presidência.
Marina Silva descobriu agora que o PV não é um partido político. Na verdade é apenas uma quadrilha, que vive às custas do Fundo Partidário, que é formado pelos impostos dos cidadãos. E quando a Justiça aponta os prejuízos causados à legenda, Penna apenas pede desculpas e repõe o dinheiro, usando outros recursos do Fundo Partidário, o que configura impobridade administrativa. E ninguém toma providências. Ah, Brasil!
Fonte: Tribuna da Imprensa.
Carlos Newton
Reportagem de Bernardo Mello Franco, publicada na Folha de hoje, mostra que a ex-senadora Marina Silva deu um ultimato à direção do PV e retomou a ameaça de deixar o partido, caso o presidente José Luiz Penna não aceite abrir mão do cargo, que ocupa há 12 anos.
A ex-presidenciável estuda deixar o PV para ter liberdade de apoiar candidatos de agremiações diversas em 2012. E, mais para a frente, montar uma nova legenda – batizada temporariamente de Partido da Causa Ecológica. Como se sabe, Marina foi candidata à Presidência da República em 2010 pelo PV e, embora não tenha avançado ao segundo turno, conquistou quase 20 milhões de votos, número expressivo para seu partido.
Bem, se Marina Silva acha que José Luiz Penna vai abandonar a presidência do PV, está muito enganada. Trata-se de um músico fracassado, sem emprego fixo. Nos últimos doze anos viveu às custas do PV, que inclusive pagava até as contas de luz, telefone e água da residência dele.
Com apoio de outros diretores, Penna fraudou sucessivas vezes a contabilidade do partido, aplicando os mais diversos golpes, que não passaram despercebidos à Justiça Eleitoral. Apesar disso, estranhamente ele continuou a desfrutar da confiança dos grandes líderes da legenda, como Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis e Aspásia Camargo, por exemplo.
Há alguns anos, quando foram descobertas pelos auditores da Justiça Eleitoral as múltiplas fraudes na contabilidade, vários dirigentes do partido se revoltaram contra José Luiz Penna. Todos foram expulsos, sem direito de defesa. Agora, Marina Silva até ameaça deixar o partido, e efetivamente terá de fazê-lo, porque Penna jamais abandonará a presidência.
Marina Silva descobriu agora que o PV não é um partido político. Na verdade é apenas uma quadrilha, que vive às custas do Fundo Partidário, que é formado pelos impostos dos cidadãos. E quando a Justiça aponta os prejuízos causados à legenda, Penna apenas pede desculpas e repõe o dinheiro, usando outros recursos do Fundo Partidário, o que configura impobridade administrativa. E ninguém toma providências. Ah, Brasil!
Fonte: Tribuna da Imprensa.
LUTA SINDICAL - Mobilização da classe trabalhadora.
Centrais sindicais anunciam mobilização da classe trabalhadora
As centrais sindicais, CTB, CGTB, Força Sindical, NCST, e a UGT que recebeu todos os dirigentes em sua sede nesta segunda-feira (13), para entrevista coletiva, onde anunciaram o calendário de mobilizações do segundo semestre.
A primeira acontece no Congresso Nacional, no dia 6 de julho, quando se espera a presença de representantes das cinco centrais, além de mil dirigentes sindicais de todo o país.
Mobilizações conjuntas estão programadas para acontecer em todas as regiões do país no mês de julho, nos dias 14, no Norte, 21, Nordeste, 28, no Sul, e no dia três de agosto a mobilização da região sudeste já está marcada para uma passeata na Avenida Paulista, em SP, quando se espera a presença de mais de 100 mil trabalhadores.
O presidente da CTB, Wagner Gomes, declarou durante entrevista à imprensa que a mobilização em São Paulo e em todo o país, o movimento sindical conta com outros setores da sociedade, os movimentos sociais.
“A CMS – Coordenação dos Movimentos Sociais, já está organizando a participação de cada movimento com suas bandeiras, a UNE, CONAM, O Movimento em defesa da Mulher, MST, Grito dos Excluídos, Marcha Mundial das Mulheres, UBM, Unegro, entre outros movimentos sociais estão juntos na mobilização das centrais sindicais dos trabalhadores”, concluiu Wagner Gomes.
Os principais pontos da pauta das centrais sindicais aprovada no maior evento da classe trabalhadora dos últimos tempos, a Conclat, em junho de 2010, que foi aprovada por 30 mil sindicalistas de todo o país no Estádio do Pacaembu, em SP. Destacam-se nos itens reivindicatórios a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, o fim do fator previdenciário, a regulamentação das terceirizações aprovação da convenção 151, e 158 da OIT, e a reforma agrária.
Nesta quarta-feira (15), as centrais iniciam uma mobilização permanente que contará com a presença de mais de cem dirigentes sindicais no Congresso Nacional, na entrada da Câmara dos Deputados, que está programado para todas as terças-feiras seguintes e perdurará até o recesso parlamentar previsto para o fim da primeira quinzena de julho.
Fonte: CTB
As centrais sindicais, CTB, CGTB, Força Sindical, NCST, e a UGT que recebeu todos os dirigentes em sua sede nesta segunda-feira (13), para entrevista coletiva, onde anunciaram o calendário de mobilizações do segundo semestre.
A primeira acontece no Congresso Nacional, no dia 6 de julho, quando se espera a presença de representantes das cinco centrais, além de mil dirigentes sindicais de todo o país.
Mobilizações conjuntas estão programadas para acontecer em todas as regiões do país no mês de julho, nos dias 14, no Norte, 21, Nordeste, 28, no Sul, e no dia três de agosto a mobilização da região sudeste já está marcada para uma passeata na Avenida Paulista, em SP, quando se espera a presença de mais de 100 mil trabalhadores.
O presidente da CTB, Wagner Gomes, declarou durante entrevista à imprensa que a mobilização em São Paulo e em todo o país, o movimento sindical conta com outros setores da sociedade, os movimentos sociais.
“A CMS – Coordenação dos Movimentos Sociais, já está organizando a participação de cada movimento com suas bandeiras, a UNE, CONAM, O Movimento em defesa da Mulher, MST, Grito dos Excluídos, Marcha Mundial das Mulheres, UBM, Unegro, entre outros movimentos sociais estão juntos na mobilização das centrais sindicais dos trabalhadores”, concluiu Wagner Gomes.
Os principais pontos da pauta das centrais sindicais aprovada no maior evento da classe trabalhadora dos últimos tempos, a Conclat, em junho de 2010, que foi aprovada por 30 mil sindicalistas de todo o país no Estádio do Pacaembu, em SP. Destacam-se nos itens reivindicatórios a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, o fim do fator previdenciário, a regulamentação das terceirizações aprovação da convenção 151, e 158 da OIT, e a reforma agrária.
Nesta quarta-feira (15), as centrais iniciam uma mobilização permanente que contará com a presença de mais de cem dirigentes sindicais no Congresso Nacional, na entrada da Câmara dos Deputados, que está programado para todas as terças-feiras seguintes e perdurará até o recesso parlamentar previsto para o fim da primeira quinzena de julho.
Fonte: CTB
TRABALHO ESCRAVO - Etanol: Mais máquinas, mais exploração.
A mecanização da colheita da cana-de-açúcar tem levado uma parcela significativa de ex-cortadores de cana-de-açúcar a perderem seus empregos. Desde 2007, foram fechados no estado de São Paulo, cerca de 40 mil postos de trabalho no corte da cana, segundo o professor do departamento de Economia Rural da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), José Giacomo Baccarin.
A reportagem é de Eduardo Sales de Lima e publicado pelo Brasil de Fato, 13-06-2011.
A mecanização nas lavouras de cana de São Paulo alcançou 70% das usinas e 20% dos fornecedores do Estado na safra 2010/11, segundo balanço da Secretaria de Meio Ambiente. Esses dados não significam, contudo, que a exploração sobre o cortador de cana que ainda permanece na ativa tenha acabado. É o que defende a professora do departamento de sociologia da Unesp, campus de Araraquara (SP), Maria Aparecida Moraes Silva.
Demanda
Com o crescimento interno da demanda pela produção de etanol, a pesquisadora explica que nos últimos anos a vida do cortador de cana ficou mais difícil e, a médio prazo, tende a piorar. “As condições de exploração não foram mudadas no trabalho, justamente porque a base dessa exploração é o trabalho por produção e pagamento muito baixo”, explica a socióloga da Unesp.
“Tem crescido o que as empresas chamam de média (que é a quantidade de toneladas de cana cortadas por dia). As empresas passaram a pedir, em média, dez toneladas por dia, por trabalhador”, relata. Um boia-fria da região de Ribeirão Preto (SP) cortou na safra 2010/2011, em média, 1,5 tonelada de cana-de-açúcar a mais por dia que há cinco anos. É o que mostra levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo com dados do IEA (Instituto de Economia Agrícola), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.
Para Maria Aparecida, a alta se deve a um endurecimento das usinas na cobrança sobre a mão-de-obra e à desvalorização da quantia pago pela cana cortada. “Se o trabalhador não atingir essa meta, no final do mês ele corre o risco de ser dispensado. A maioria ultrapassa essa capacidade, tem cãibras. Eles têm dores no corpo todo, vomitam, problemas de diarreia”, descreve a socióloga.
A pressão aumenta, o pagamento não. De acordo com a pesquisadora, em 2010, o preço de uma tonelada de cana era um pouco acima de R$ 3. Segundo ela, ano a ano, o preço dessa força de trabalho tem diminuído, e com isso é obrigado a intensificar mais seu ritmo de trabalho para que possa ter um salário que o possa o mantê-lo.
Além da pressão para cortar cada vez mais, aumentar mais a chamada “média”, existem outras particularidades que contribuem para o aumento da exploração, segundo a socióloga Maria Aparecida Moraes Silva. Ela informa que diversos tipos de cana estão cada vez mais pesados pois contêm uma quantidade maior de sacarose.
Outro ponto: o trabalhador não pode deixar “toco”. Há alguns anos atrás, como lembra Maria Aparecida de Moraes, não havia a obrigação de o trabalhador cortar a cana ao rente ao chão. “Pesquisas provaram que a maior quantidade de sacarose está exatamente na base da cana, praticamente em sua raiz. Isso exige um esforço maior, uma curvatura maior do corpo dele”, explica a professora.
Fonte: IHU
A reportagem é de Eduardo Sales de Lima e publicado pelo Brasil de Fato, 13-06-2011.
A mecanização nas lavouras de cana de São Paulo alcançou 70% das usinas e 20% dos fornecedores do Estado na safra 2010/11, segundo balanço da Secretaria de Meio Ambiente. Esses dados não significam, contudo, que a exploração sobre o cortador de cana que ainda permanece na ativa tenha acabado. É o que defende a professora do departamento de sociologia da Unesp, campus de Araraquara (SP), Maria Aparecida Moraes Silva.
Demanda
Com o crescimento interno da demanda pela produção de etanol, a pesquisadora explica que nos últimos anos a vida do cortador de cana ficou mais difícil e, a médio prazo, tende a piorar. “As condições de exploração não foram mudadas no trabalho, justamente porque a base dessa exploração é o trabalho por produção e pagamento muito baixo”, explica a socióloga da Unesp.
“Tem crescido o que as empresas chamam de média (que é a quantidade de toneladas de cana cortadas por dia). As empresas passaram a pedir, em média, dez toneladas por dia, por trabalhador”, relata. Um boia-fria da região de Ribeirão Preto (SP) cortou na safra 2010/2011, em média, 1,5 tonelada de cana-de-açúcar a mais por dia que há cinco anos. É o que mostra levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo com dados do IEA (Instituto de Economia Agrícola), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.
Para Maria Aparecida, a alta se deve a um endurecimento das usinas na cobrança sobre a mão-de-obra e à desvalorização da quantia pago pela cana cortada. “Se o trabalhador não atingir essa meta, no final do mês ele corre o risco de ser dispensado. A maioria ultrapassa essa capacidade, tem cãibras. Eles têm dores no corpo todo, vomitam, problemas de diarreia”, descreve a socióloga.
A pressão aumenta, o pagamento não. De acordo com a pesquisadora, em 2010, o preço de uma tonelada de cana era um pouco acima de R$ 3. Segundo ela, ano a ano, o preço dessa força de trabalho tem diminuído, e com isso é obrigado a intensificar mais seu ritmo de trabalho para que possa ter um salário que o possa o mantê-lo.
Além da pressão para cortar cada vez mais, aumentar mais a chamada “média”, existem outras particularidades que contribuem para o aumento da exploração, segundo a socióloga Maria Aparecida Moraes Silva. Ela informa que diversos tipos de cana estão cada vez mais pesados pois contêm uma quantidade maior de sacarose.
Outro ponto: o trabalhador não pode deixar “toco”. Há alguns anos atrás, como lembra Maria Aparecida de Moraes, não havia a obrigação de o trabalhador cortar a cana ao rente ao chão. “Pesquisas provaram que a maior quantidade de sacarose está exatamente na base da cana, praticamente em sua raiz. Isso exige um esforço maior, uma curvatura maior do corpo dele”, explica a professora.
Fonte: IHU
ANOS DE CHUMBO - Evangélicos nos porões da ditadura.
Documentos mostram evangélicos nos porões da ditadura
Torturados e delatores da grei evangélica brasileira ganham visibilidade nos documentos que o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) repatriará oficialmente ao Brasil hoje dia 14, entregando 1 milhão de páginas microfilmadas que estavam no Center for Research Libraries, de Chicago, e 10 mil páginas inéditas da correspondência entre o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, e o pastor presbiteriano unido, James Wright.
A informação é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 13-06-2011.
A revista semanal IstoÉ antecipou, na semana passada, histórias de evangélicos entrevistando pastores e líderes evangélicos que passaram pelo pau de arara e aqueles que os conduziram até os porões da ditadura, nos Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).
Os evangélicos carregam uma mancha em sua história por convidar a repressão a entrar na Igreja e perseguir os fiéis, comentou ao repórter Rodrigo Cardoso o antropólogo Rubem Cesar Fernandes, 68 anos, de origem presbiteriana, preso antes do golpe, em 1962, por participar do movimento estudantil.
“Não é justificável usar o poder militar para prender irmãos”, disse Fernandes, considerado “elemento perigoso” por pastores que o incluíram numa lista entregue aos militares, depois do golpe.
O pastor batista Roberto Pontuschka, capelão militar, torturava presos à noite e de dia distribuía porções do Novo Testamento aos detentos nas dependências da Operação Bandeirantes (Oban), de São Paulo. Com 21 anos à época, o então seminarista da Igreja Presbiteriana Independente e hoje teólogo e professor de ciências da religião na Umesp, Leonildo Silveira Campos, preso por dez dias pela Oban, em 1969, não esqueceu o método evangelístico do pastor Pontuschka.
Pai de quatro filhos, Anivaldo Padilha, 71 anos, só veio a conhecer o seu filho Alexandre, hoje ministro da Saúde do governo da presidenta Dilma Rousseff, aos oito anos de idade. Em mais de 20 dias de tortura, em fevereiro e março de 1970, no DOI-Codi de São Paulo, o então estudante de ciências sociais da Universidade de São Paulo, com 29 anos de idade e ligado à Igreja Metodista, chegou a pensar em suicídio. Libertado depois de dez meses de prisão, Anivaldo partiu para o exílio, de 13 anos, no Uruguai, Suíça e Estados Unidos.
“Eu tinha muito medo do que ia sentir na pele, mas principalmente de não suportar e falar. Queriam que eu desse o nome de todos os meus amigos, endereços” relatou Anivaldo ao repórter da IstoÉ. Ele descobriu seus delatores há cinco anos, ao ter acesso a documentos do antigo Sistema Nacional de Informações. Quem o delatou foram o pastor José Sucasas Jr. e o bispo Isaías Fernandes Sucasas, da Igreja Metodista, já falecidos, aos quais Anivaldo era subordinado.
Nos anos de chumbo, controlados pelos militares, pedir justiça aos excluídos, defender a reforma agrária e manifestar preocupações sociais eram coisas de comunistas, apoiados pelo movimento ecumênico.
“Fui expulso, com mais oito colegas, do Seminário Presbiteriano de Campinas, em 1962, porque o nosso discurso teológico de salvação das almas passava pela ética e a preocupação social”, contou à IstoÉ o mineiro Zwinglio Mota Dias, 70 anos, pastor emérito da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU).
Dos 54 estudantes matriculados no seminário teológico de Campinas, 39 foram expulsos em 1967. No mesmo ano, a Igreja Metodista fechou a Faculdade de Teologia de São Paulo e expulsou estudantes e professores. O pastor Boanerges Ribeiro, presidente da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), promoveu uma “depuração interna” na igreja em 1965. A Igreja Presbiteriana Independente (IPI) expulsou dez seminaristas em 1968.
Dois anos depois, a Federação Luterana Mundial cancelou assembléia geral que realizaria em Porto Alegre porque, entre outros motivos, a igreja brasileira convidara o presidente da República, general Emílio Garrastazu Médici, para a abertura do evento. Líderes luteranos negavam, então, a existência de práticas de tortura no Brasil.
Vários evangélicos colaboraram com a máquina repressora da ditadura, delataram irmãos e assumiram o discurso do anticomunismo como a salvação do Brasil. “Eu acreditava ser impossível que alguém que se dedica a ser padre ou pastor, cuja função é proteger suas ovelhas, pudesse dedurar alguém”, confessou Padilha.
Nesses anos todos, Padilha descobriu, depois de se deparar casualmente, em festa de Carnaval, com um de seus torturadores, que o perdão é libertador.
"O perdão, para mim, foi uma forma de exorcizar os demônios das torturas que me causaram pesadelos durante quase seis anos. Há situações em que o perdão é mais importante para quem perdoa do que para quem é perdoado. No entanto, isso não significa que eu acho que os torturadores, seus mandantes e colaboradores não devam ser punidos. A punição deles é importante para resgatar a dignidade dos que foram torturados, da memória dos assassinados, das famílias que não puderam ainda sepultar seus membros desaparecido. Além disso, a impunidade contribui para que a tortura ainda seja praticada em larga escala nas delegacias e prisões brasileiras. Em suma, a punição representaria o resgate da dignidade da sociedade brasileira que foi violentada por um regime autoritário", afirmou o metodista.
Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright serão lembrados no ato de repatriação dos documentos que estão de posse do CMI, que terá lugar em São Paulo, amanhã, na Procuradoria Regional da República. Eles foram os grandes articuladores do Projeto Brasil Nunca Mais.
O projeto Brasil Nunca Mais teve início em plena ditadura militar (1964-1985), quando grupo de religiosos e advogados tentou obter, junto ao Superior Tribunal Militar (STM), informações e evidências de violações aos direitos humanos, praticadas por agentes do aparato repressivo. Do projeto originou-se o livro com o mesmo nome – uma compilação com cerca de 5% de toda a documentação levantada no STM.
Os mentores do projeto – em especial a advogada Eny Raimundo Moreira e a equipe do escritório Sobral Pinto – perceberam que os processos poderiam ser reproduzidos, aproveitando-se do prazo de 24 horas facultado pelo Tribunal de retirada dos autos para consulta.
A ideia foi acolhida por Jaime Wright e dom Paulo, que resolveram comandar as atividades a partir de São Paulo. Os recursos financeiros para o projeto foram obtidos com o secretário-geral do CMI.
As cópias dos processos eram remetidas de Brasília a São Paulo. Diante da preocupação com a apreensão do material, a alternativa encontrada foi microfilmar as páginas e remeter os filmes ao exterior.
Após seis anos de trabalho em sigilo, a tarefa foi finalizada, com a reprodução de 707 processos, totalizando cerca de um milhão de cópias em papel e 543 rolos de microfilme. Foi produzido, ainda, um documento-mãe denominado "Projeto A", com a análise e a catalogação das informações constantes dos autos dos processos judiciais em 6.891 páginas dividas em 12 volumes.
Considerando a dificuldade de leitura e até de manuseio deste trabalho, foi idealizada a confecção de um livro que resumisse o documento-mãe em um espaço 95% menor. Para operacionalizar a tarefa, foram escolhidos os jornalistas Ricardo Kotscho e Carlos Alberto Libânio Christo (Frei Betto), coordenados por Paulo de Tarso Vannuchi.
Em 15 de julho de 1985, quatro meses após a retomada do regime democrático, foi lançado o livro "Brasil: Nunca Mais", pela Editora Vozes, publicação que mereceu destaque na imprensa nacional e internacional. O livro foi reimpresso 20 vezes somente nos seus dois primeiros anos. Atualmente, ele está na 37ª edição (2009).
Fonte:IHU
Torturados e delatores da grei evangélica brasileira ganham visibilidade nos documentos que o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) repatriará oficialmente ao Brasil hoje dia 14, entregando 1 milhão de páginas microfilmadas que estavam no Center for Research Libraries, de Chicago, e 10 mil páginas inéditas da correspondência entre o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, e o pastor presbiteriano unido, James Wright.
A informação é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 13-06-2011.
A revista semanal IstoÉ antecipou, na semana passada, histórias de evangélicos entrevistando pastores e líderes evangélicos que passaram pelo pau de arara e aqueles que os conduziram até os porões da ditadura, nos Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).
Os evangélicos carregam uma mancha em sua história por convidar a repressão a entrar na Igreja e perseguir os fiéis, comentou ao repórter Rodrigo Cardoso o antropólogo Rubem Cesar Fernandes, 68 anos, de origem presbiteriana, preso antes do golpe, em 1962, por participar do movimento estudantil.
“Não é justificável usar o poder militar para prender irmãos”, disse Fernandes, considerado “elemento perigoso” por pastores que o incluíram numa lista entregue aos militares, depois do golpe.
O pastor batista Roberto Pontuschka, capelão militar, torturava presos à noite e de dia distribuía porções do Novo Testamento aos detentos nas dependências da Operação Bandeirantes (Oban), de São Paulo. Com 21 anos à época, o então seminarista da Igreja Presbiteriana Independente e hoje teólogo e professor de ciências da religião na Umesp, Leonildo Silveira Campos, preso por dez dias pela Oban, em 1969, não esqueceu o método evangelístico do pastor Pontuschka.
Pai de quatro filhos, Anivaldo Padilha, 71 anos, só veio a conhecer o seu filho Alexandre, hoje ministro da Saúde do governo da presidenta Dilma Rousseff, aos oito anos de idade. Em mais de 20 dias de tortura, em fevereiro e março de 1970, no DOI-Codi de São Paulo, o então estudante de ciências sociais da Universidade de São Paulo, com 29 anos de idade e ligado à Igreja Metodista, chegou a pensar em suicídio. Libertado depois de dez meses de prisão, Anivaldo partiu para o exílio, de 13 anos, no Uruguai, Suíça e Estados Unidos.
“Eu tinha muito medo do que ia sentir na pele, mas principalmente de não suportar e falar. Queriam que eu desse o nome de todos os meus amigos, endereços” relatou Anivaldo ao repórter da IstoÉ. Ele descobriu seus delatores há cinco anos, ao ter acesso a documentos do antigo Sistema Nacional de Informações. Quem o delatou foram o pastor José Sucasas Jr. e o bispo Isaías Fernandes Sucasas, da Igreja Metodista, já falecidos, aos quais Anivaldo era subordinado.
Nos anos de chumbo, controlados pelos militares, pedir justiça aos excluídos, defender a reforma agrária e manifestar preocupações sociais eram coisas de comunistas, apoiados pelo movimento ecumênico.
“Fui expulso, com mais oito colegas, do Seminário Presbiteriano de Campinas, em 1962, porque o nosso discurso teológico de salvação das almas passava pela ética e a preocupação social”, contou à IstoÉ o mineiro Zwinglio Mota Dias, 70 anos, pastor emérito da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU).
Dos 54 estudantes matriculados no seminário teológico de Campinas, 39 foram expulsos em 1967. No mesmo ano, a Igreja Metodista fechou a Faculdade de Teologia de São Paulo e expulsou estudantes e professores. O pastor Boanerges Ribeiro, presidente da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), promoveu uma “depuração interna” na igreja em 1965. A Igreja Presbiteriana Independente (IPI) expulsou dez seminaristas em 1968.
Dois anos depois, a Federação Luterana Mundial cancelou assembléia geral que realizaria em Porto Alegre porque, entre outros motivos, a igreja brasileira convidara o presidente da República, general Emílio Garrastazu Médici, para a abertura do evento. Líderes luteranos negavam, então, a existência de práticas de tortura no Brasil.
Vários evangélicos colaboraram com a máquina repressora da ditadura, delataram irmãos e assumiram o discurso do anticomunismo como a salvação do Brasil. “Eu acreditava ser impossível que alguém que se dedica a ser padre ou pastor, cuja função é proteger suas ovelhas, pudesse dedurar alguém”, confessou Padilha.
Nesses anos todos, Padilha descobriu, depois de se deparar casualmente, em festa de Carnaval, com um de seus torturadores, que o perdão é libertador.
"O perdão, para mim, foi uma forma de exorcizar os demônios das torturas que me causaram pesadelos durante quase seis anos. Há situações em que o perdão é mais importante para quem perdoa do que para quem é perdoado. No entanto, isso não significa que eu acho que os torturadores, seus mandantes e colaboradores não devam ser punidos. A punição deles é importante para resgatar a dignidade dos que foram torturados, da memória dos assassinados, das famílias que não puderam ainda sepultar seus membros desaparecido. Além disso, a impunidade contribui para que a tortura ainda seja praticada em larga escala nas delegacias e prisões brasileiras. Em suma, a punição representaria o resgate da dignidade da sociedade brasileira que foi violentada por um regime autoritário", afirmou o metodista.
Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright serão lembrados no ato de repatriação dos documentos que estão de posse do CMI, que terá lugar em São Paulo, amanhã, na Procuradoria Regional da República. Eles foram os grandes articuladores do Projeto Brasil Nunca Mais.
O projeto Brasil Nunca Mais teve início em plena ditadura militar (1964-1985), quando grupo de religiosos e advogados tentou obter, junto ao Superior Tribunal Militar (STM), informações e evidências de violações aos direitos humanos, praticadas por agentes do aparato repressivo. Do projeto originou-se o livro com o mesmo nome – uma compilação com cerca de 5% de toda a documentação levantada no STM.
Os mentores do projeto – em especial a advogada Eny Raimundo Moreira e a equipe do escritório Sobral Pinto – perceberam que os processos poderiam ser reproduzidos, aproveitando-se do prazo de 24 horas facultado pelo Tribunal de retirada dos autos para consulta.
A ideia foi acolhida por Jaime Wright e dom Paulo, que resolveram comandar as atividades a partir de São Paulo. Os recursos financeiros para o projeto foram obtidos com o secretário-geral do CMI.
As cópias dos processos eram remetidas de Brasília a São Paulo. Diante da preocupação com a apreensão do material, a alternativa encontrada foi microfilmar as páginas e remeter os filmes ao exterior.
Após seis anos de trabalho em sigilo, a tarefa foi finalizada, com a reprodução de 707 processos, totalizando cerca de um milhão de cópias em papel e 543 rolos de microfilme. Foi produzido, ainda, um documento-mãe denominado "Projeto A", com a análise e a catalogação das informações constantes dos autos dos processos judiciais em 6.891 páginas dividas em 12 volumes.
Considerando a dificuldade de leitura e até de manuseio deste trabalho, foi idealizada a confecção de um livro que resumisse o documento-mãe em um espaço 95% menor. Para operacionalizar a tarefa, foram escolhidos os jornalistas Ricardo Kotscho e Carlos Alberto Libânio Christo (Frei Betto), coordenados por Paulo de Tarso Vannuchi.
Em 15 de julho de 1985, quatro meses após a retomada do regime democrático, foi lançado o livro "Brasil: Nunca Mais", pela Editora Vozes, publicação que mereceu destaque na imprensa nacional e internacional. O livro foi reimpresso 20 vezes somente nos seus dois primeiros anos. Atualmente, ele está na 37ª edição (2009).
Fonte:IHU
MÍDIA - O poder midiático dos cartéis.
Do Blog do Mello.
O poder dos cartéis midiáticos não permite a informação livre e põe em risco a democracia no Brasil
Esta é a principal luta que estamos travando. E a principal luta que temos que travar. Porque só há uma maneira de combater o império, combatendo seu braço comunicacional, a mídia corporativa.
Não há lugar no mundo capitalista em que os veículos de comunicação estejam a favor da comunicação livre. Eles manipulam, ocultam, distorcem, difamam, e ainda se dizem defensores da liberdade de informação, quando tudo o que fazem é desinformar, alienar, golpear os governos que não rezam de acordo com suas cartilhas.
Podem escolher o país. As oligarquias midiáticas, pautadas pelo império estadunidense, defendem sempre as mesmas causas, em qualquer lugar do planeta.
Escrevi aqui uma vez uma metáfora que continuo achando válida. O que é o sequestro de uma ou várias pessoas comparado ao sequestro da realidade de todo um país?
Quem acompanha o Brasil pelos jornalões, pelas emissoras de TV – em especial pela Rede Globo – tem sua realidade sequestrada. Sem um mínimo de senso crítico, essa pessoa acredita que está diante da verdade, que o que lhe afirmam Veja, Folha, Estadão, O Globo, a Rede Globo, é um retrato fiel da realidade.
Aí se desenvolve a síndrome de Estocolmo, quando a vítima se identifica e/ou tenta conquistar seu sequestrador (e basta ler os comentários nos pitblogs para entender o que digo).
Por mais que se tente mostrar a essas pessoas que a realidade lhes foi sequestrada, elas resistem, defendem seus pitblogueiros e seus veículos do coração. Isso acontece mesmo que a realidade os desminta, como nos casos do trágico acidente de Congonhas, do caos aéreo patrocinado e agora da falsa epidemia de febre amarela, que provocou uma absurda correria da população aos postos de vacinação para se prevenir de uma epidemia que só existia na mídia.
A cegueira é tão grande, que levou a enfermeira Marizete Borges de Abreu, de 43 anos, a se vacinar duas vezes contra a febre amarela, ainda que ela não fosse viajar para uma das áreas de risco, ainda que ela tivesse restrições físicas (lúpus - caso em que a vacina não deve ser tomada), ainda que ela soubesse (como enfermeira) que não se deve tomar mais de uma dose da vacina por vez (outra dose só em dez anos).
Com sua realidade sequestrada pela mídia, Marizete vacinou-se duas vezes num prazo de uma semana e veio a falecer, vítima de falência múltipla dos órgãos.
Por isso, quando se fala de sequestro, deve-se salientar que ambas as formas de sequestro são condenáveis, mas a população desinformada pela mídia corporativa só toma conhecimento de uma, enquanto é manipulada pela outra.
O Eduardo Guimarães em seu Cidadania tem reforçado a importância dessa luta. E embora não concorde com ele que essa mídia seja o mal (ela é o braço comunicacional dele) endosso a ênfase de que a luta que nós, blogueiros, agentes de comunicação temos que travar é contra essa mídia venal, que tenta impor sua pauta ao governo democraticamente eleito, o que temos que denunciar e combater. Jamais apoiar.
Em 22 de junho de 2007, há quase quatro anos, escrevi aqui:
As Organizações Globo têm um peso descomunal no Brasil. Esse peso descomunal deve ser discutido no Congresso. É necessário que se criem mecanismos regulatórios para garantir a liberdade de expressão. E a liberdade só pode existir se for plural, se não houver uma instância - como as Organizações Globo - com o poder de influenciar mais de 70% da população. Mecanismos que proibissem – como acontece em outros países, inclusive os EUA - a concentração de veículos de comunicação nas mãos de um só grupo, numa mesma cidade ou estado. Aqui no Rio, por exemplo, as Organizações Globo têm a TV Globo (RGTV), os jornais mais vendidos - O Globo e Extra -, estações de rádio - Globo, CBN... - além da revista Época, do portal de notícias etc., etc.
Comenta-se que o diretor de Jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, estaria estendendo seus tentáculos aos outros braços das Organizações. Mas o foco em Ali Kamel é uma bobagem. Ele é apenas um empregado. O foco é o grupo. Até quando se vai permitir a concentração de poder que as Organizações Globo têm no país? Isso não faz bem para a informação livre, muito menos para a democracia. Ao contrário: não permite uma e ameaça a outra.
A implantação urgentíssima do PNBL e a consequente Ley de Medios são lutas que podem impedir que o país retroceda e acabe, por blablablás lacerdistas, nas mãos de quem vai entregar a Petrobras e nossas riquezas, na próxima oportunidade.
Taí um bom tema para o II Encontro de Blogueiros que vai acontecer neste próximo final de semana em Brasília.
Advogado não desiste e entra na Justiça contra Sarney, que arquivou impeachment de Gilmar Mendes
Posted: 13 Jun 2011 11:11 AM PDT
O advogado Alberto de Oliveira Piovesan é chato. Daquele tipo de chato de que precisamos no Brasil. Ele entrou com pedido de impeachment contra o ex-presidente do STF Gilmar Mendes, com denúncias muito bem fundamentadas, como mostrei aqui: Advogado pede impeachment de Gilmar Mendes por 'relações perigosas' com advogado da Globo, de Dantas...e de Gilmar Mendes.
Mas não adiantou nada: Sarney mandou arquivar pedido de impeachment contra Gilmar Mendes.
Piovesan não desistiu. Entrou no STF com um mandado de segurança contra a decisão de Sarney, que acusa de ilegal, por ter mandado "arquivar, ilegalmente e violando direito do lmpetrante, sem obedecer aos ditames da Lei Federal no. 1079, de 10 de abril de 1950, requerimento visando instauração de processo de impeachment que lhe foi endereçado em 12 de maio deste ano de 2011".
O advogado diz que o pedido de impeachment teria que ser examinado pela Senado e não por sua Assessoria Jurídica, e voltou à carga:
Ocorreu que, ao invés de o Impetrado dar a petição curso conforme estabelecem os artigos 44 e seguintes da referida Lei Federal 1079/1950, ordenou fosse encaminhado a Assessoria Jurídica do Senado Federal, a qual, por sua vez, opinou pelo arquivamento do pedido, adentrando o mérito, usurpando as atribuições dos Senhores Senadores, que teriam de ser eleitos pela Casa para compor Comissão Especial com atribuição de opinar sabre a denúncia.
Cumpre afirmar que a Douta Assessoria Jurídica do Senado Federal somente poderia examinar a legalidade quanto aos aspectos extrínsecos do requerimento apresentado pelo Impetrante, jamais o mérito do pedido, eis que cabe, e exclusivamente, ao Senado Federal deliberar, em analisando o mérito, pelo arquivamento, ou não da denúncia, nos claros termos do artigo 48 da Lei 1079/1950:
Art. 48. Se o Senado resolver que a denúncia não deve constituir objeto de deliberação, serão os papéis arquivados.
E agora , será que a Casa Verde vai internar Simão Bacamarte? Ou vai ficar num jogo de compadres empurrando o advogado com a barriga até que se acabe o período de Gilmar Bacamarte Dantas no STF - embora isso só ocorra em 2025?
O poder dos cartéis midiáticos não permite a informação livre e põe em risco a democracia no Brasil
Esta é a principal luta que estamos travando. E a principal luta que temos que travar. Porque só há uma maneira de combater o império, combatendo seu braço comunicacional, a mídia corporativa.
Não há lugar no mundo capitalista em que os veículos de comunicação estejam a favor da comunicação livre. Eles manipulam, ocultam, distorcem, difamam, e ainda se dizem defensores da liberdade de informação, quando tudo o que fazem é desinformar, alienar, golpear os governos que não rezam de acordo com suas cartilhas.
Podem escolher o país. As oligarquias midiáticas, pautadas pelo império estadunidense, defendem sempre as mesmas causas, em qualquer lugar do planeta.
Escrevi aqui uma vez uma metáfora que continuo achando válida. O que é o sequestro de uma ou várias pessoas comparado ao sequestro da realidade de todo um país?
Quem acompanha o Brasil pelos jornalões, pelas emissoras de TV – em especial pela Rede Globo – tem sua realidade sequestrada. Sem um mínimo de senso crítico, essa pessoa acredita que está diante da verdade, que o que lhe afirmam Veja, Folha, Estadão, O Globo, a Rede Globo, é um retrato fiel da realidade.
Aí se desenvolve a síndrome de Estocolmo, quando a vítima se identifica e/ou tenta conquistar seu sequestrador (e basta ler os comentários nos pitblogs para entender o que digo).
Por mais que se tente mostrar a essas pessoas que a realidade lhes foi sequestrada, elas resistem, defendem seus pitblogueiros e seus veículos do coração. Isso acontece mesmo que a realidade os desminta, como nos casos do trágico acidente de Congonhas, do caos aéreo patrocinado e agora da falsa epidemia de febre amarela, que provocou uma absurda correria da população aos postos de vacinação para se prevenir de uma epidemia que só existia na mídia.
A cegueira é tão grande, que levou a enfermeira Marizete Borges de Abreu, de 43 anos, a se vacinar duas vezes contra a febre amarela, ainda que ela não fosse viajar para uma das áreas de risco, ainda que ela tivesse restrições físicas (lúpus - caso em que a vacina não deve ser tomada), ainda que ela soubesse (como enfermeira) que não se deve tomar mais de uma dose da vacina por vez (outra dose só em dez anos).
Com sua realidade sequestrada pela mídia, Marizete vacinou-se duas vezes num prazo de uma semana e veio a falecer, vítima de falência múltipla dos órgãos.
Por isso, quando se fala de sequestro, deve-se salientar que ambas as formas de sequestro são condenáveis, mas a população desinformada pela mídia corporativa só toma conhecimento de uma, enquanto é manipulada pela outra.
O Eduardo Guimarães em seu Cidadania tem reforçado a importância dessa luta. E embora não concorde com ele que essa mídia seja o mal (ela é o braço comunicacional dele) endosso a ênfase de que a luta que nós, blogueiros, agentes de comunicação temos que travar é contra essa mídia venal, que tenta impor sua pauta ao governo democraticamente eleito, o que temos que denunciar e combater. Jamais apoiar.
Em 22 de junho de 2007, há quase quatro anos, escrevi aqui:
As Organizações Globo têm um peso descomunal no Brasil. Esse peso descomunal deve ser discutido no Congresso. É necessário que se criem mecanismos regulatórios para garantir a liberdade de expressão. E a liberdade só pode existir se for plural, se não houver uma instância - como as Organizações Globo - com o poder de influenciar mais de 70% da população. Mecanismos que proibissem – como acontece em outros países, inclusive os EUA - a concentração de veículos de comunicação nas mãos de um só grupo, numa mesma cidade ou estado. Aqui no Rio, por exemplo, as Organizações Globo têm a TV Globo (RGTV), os jornais mais vendidos - O Globo e Extra -, estações de rádio - Globo, CBN... - além da revista Época, do portal de notícias etc., etc.
Comenta-se que o diretor de Jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, estaria estendendo seus tentáculos aos outros braços das Organizações. Mas o foco em Ali Kamel é uma bobagem. Ele é apenas um empregado. O foco é o grupo. Até quando se vai permitir a concentração de poder que as Organizações Globo têm no país? Isso não faz bem para a informação livre, muito menos para a democracia. Ao contrário: não permite uma e ameaça a outra.
A implantação urgentíssima do PNBL e a consequente Ley de Medios são lutas que podem impedir que o país retroceda e acabe, por blablablás lacerdistas, nas mãos de quem vai entregar a Petrobras e nossas riquezas, na próxima oportunidade.
Taí um bom tema para o II Encontro de Blogueiros que vai acontecer neste próximo final de semana em Brasília.
Advogado não desiste e entra na Justiça contra Sarney, que arquivou impeachment de Gilmar Mendes
Posted: 13 Jun 2011 11:11 AM PDT
O advogado Alberto de Oliveira Piovesan é chato. Daquele tipo de chato de que precisamos no Brasil. Ele entrou com pedido de impeachment contra o ex-presidente do STF Gilmar Mendes, com denúncias muito bem fundamentadas, como mostrei aqui: Advogado pede impeachment de Gilmar Mendes por 'relações perigosas' com advogado da Globo, de Dantas...e de Gilmar Mendes.
Mas não adiantou nada: Sarney mandou arquivar pedido de impeachment contra Gilmar Mendes.
Piovesan não desistiu. Entrou no STF com um mandado de segurança contra a decisão de Sarney, que acusa de ilegal, por ter mandado "arquivar, ilegalmente e violando direito do lmpetrante, sem obedecer aos ditames da Lei Federal no. 1079, de 10 de abril de 1950, requerimento visando instauração de processo de impeachment que lhe foi endereçado em 12 de maio deste ano de 2011".
O advogado diz que o pedido de impeachment teria que ser examinado pela Senado e não por sua Assessoria Jurídica, e voltou à carga:
Ocorreu que, ao invés de o Impetrado dar a petição curso conforme estabelecem os artigos 44 e seguintes da referida Lei Federal 1079/1950, ordenou fosse encaminhado a Assessoria Jurídica do Senado Federal, a qual, por sua vez, opinou pelo arquivamento do pedido, adentrando o mérito, usurpando as atribuições dos Senhores Senadores, que teriam de ser eleitos pela Casa para compor Comissão Especial com atribuição de opinar sabre a denúncia.
Cumpre afirmar que a Douta Assessoria Jurídica do Senado Federal somente poderia examinar a legalidade quanto aos aspectos extrínsecos do requerimento apresentado pelo Impetrante, jamais o mérito do pedido, eis que cabe, e exclusivamente, ao Senado Federal deliberar, em analisando o mérito, pelo arquivamento, ou não da denúncia, nos claros termos do artigo 48 da Lei 1079/1950:
Art. 48. Se o Senado resolver que a denúncia não deve constituir objeto de deliberação, serão os papéis arquivados.
E agora , será que a Casa Verde vai internar Simão Bacamarte? Ou vai ficar num jogo de compadres empurrando o advogado com a barriga até que se acabe o período de Gilmar Bacamarte Dantas no STF - embora isso só ocorra em 2025?
POLÍTICA - O alienista do STF
Do Blog do Mello.
Gilmar Mendes, o Alienista no STF, segura há 8 meses processo contra senador por trabalho escravo
Ele já se considerou derrotado (e por conseguinte o STF) diante da decisão por goleada do Supremo Tribunal Federal que endossou decisão do presidente Lula de não permitir a extradição de Cesare Battisti para a Itália. Achou o que o STF saiu diminuído (é que ele se considera O STF).
Mas esse mesmo Gilmar Mendes impede que um senador seja julgado por trabalho escravo, Pedido de vista feito pelo ministro Gilmar Mendes há oito meses impede que Supremo decida se transforma em réu João Ribeiro (PR-TO).
Quando é para atacar o MST, o latifundiário ministro é o primeiro a se antecipar, julgar e condenar, mas quando se trata de grandes proprietários rurais acusados de trabalho escravo ele precisa estudar, e vai estudando, estudando...
Por isso, o ministro Gilmar está ameaçado de impeachment. Ele não percebe que o país mudou e que pessoas como ele são anacrônicas, desligadas do mundo em que vivem, e cada vez mais supérfluas e irrelevantes. É isso que mata Gilmar Bacamarte Mendes de raiva.
Gilmar Mendes, o Alienista no STF, segura há 8 meses processo contra senador por trabalho escravo
Ele já se considerou derrotado (e por conseguinte o STF) diante da decisão por goleada do Supremo Tribunal Federal que endossou decisão do presidente Lula de não permitir a extradição de Cesare Battisti para a Itália. Achou o que o STF saiu diminuído (é que ele se considera O STF).
Mas esse mesmo Gilmar Mendes impede que um senador seja julgado por trabalho escravo, Pedido de vista feito pelo ministro Gilmar Mendes há oito meses impede que Supremo decida se transforma em réu João Ribeiro (PR-TO).
Quando é para atacar o MST, o latifundiário ministro é o primeiro a se antecipar, julgar e condenar, mas quando se trata de grandes proprietários rurais acusados de trabalho escravo ele precisa estudar, e vai estudando, estudando...
Por isso, o ministro Gilmar está ameaçado de impeachment. Ele não percebe que o país mudou e que pessoas como ele são anacrônicas, desligadas do mundo em que vivem, e cada vez mais supérfluas e irrelevantes. É isso que mata Gilmar Bacamarte Mendes de raiva.
MÍDIA - O bombardeio midiático na eleição no Perú.
Se acontece mais de uma vez, não deve ser casualidade. E aconteceu. Ollanta Humala ganhou o segundo turno apesar do ataque virulento do El Comercio, o grupo midiático que domina o mercado do Peru. O fenômeno repete o que ocorreu nas últimas eleições presidenciais sul-americanas, vencidas pela brasileira Dilma Rousseff, em outubro último, com 54% dos votos.
Por Martín Granovsky, em Página 12
O grupo El Comercio, da família Miró Quesada, controla o jornal do mesmo nome. Foi fundado no século 19 como La Nación, tem o peso empresarial do grupo Clarín e dispõe da capacidade articuladora de interesses que, juntos, ambos representam.
Também é co-proprietário da TV Peru, que por sua vez controla a Plural TV, que por sua vez controla a Companhia Peruana de Radiodifusão e Produtora Peruana de Informação (Canal N). Além do jornal El Comercio, o grupo é dono de outros três, Trome, Peru.21 e Gestão, e das revistas Somos, Ruedas y Tuercas, e PC World.
Foi daí que partiu o bombardeio massivo (“cargamontón”, como se diz no Peru) contra Humala e a defesa de Keiko Fujimori.
Na agressão, El Comercio perdeu seu principal colunista, Mario Vargas Llosa. O escritor deu instruções ao jornal El País, da Espanha, que vende suas colunas, para mudar-se para o jornal La República, onde começou a publicar no domingo das eleições. Antes enviou uma carta de renúncia a Francisco Miró Quesada, Diretor do El Comercio. Vargas Llosa escreveu:
“Desde que um punhado de acionistas, encabeçados pela senhora Martha Meier Miró Quesada, tomou o controle desse diário e do grupo de canais de televisão e periódicos dos quais é proprietário, o jornal se converteu em uma máquina propagandista da candidatura de Keikom Fujimori, violando as mais elementares noções da objetividade e da ética jornalística; silencia e manipula informações, deforma os fatos, abre suas páginas às mentiras e calúnias que podem prejudicar o adversário, ao mesmo tempo em que, em todo o grupo, jornalistas independentes são demitidos ou intimidados, e se recorre às insídias e golpes baixos dos piores pesquisas que vivem do sensacionalismo e do escândalo”.
E acrescentou:
“Não posso permitir que minha coluna “Pedra de toque” siga aparecendo nesta caricatura do que deve ser um órgão de expressão genuinamente livre, pluralista e democrático”.
Vargas Llosa não é um esquerdista desaforado. Os leitores do Página/12 tiveram a oportunidade de conhecer em primeira mão, na entrevista publicada no dia 22 de abril, suas advertências contra “as debilidades coletivistas” dos social-democratas e sua afirmação de que “a intervenção do Estado gera injustiça”.
Em 1990, após ser considerado favorito, Vargas Llosa perdeu as eleições para Alberto Fujimori, que o derrotou no segundo turno. Depois, em 1992, o escritor se opôs ao auto-golpe e à dissolução do Parlamento. A reação de Fujimori foi tão violenta que a Espanha concedeu nacionalidade a Vargas Llosa para apoiá-lo.
O caso de Vargas Llosa marca um ponto interessante no debate sobre os meios e o poder. Vargas Llosa deixou o jornal El Comercio porque viu ferido seu narcisismo ante uma possível vitória de Keiko Fujimori, a filha do tirano? É uma pergunta que não tem resposta. Talvez tampouco tenha sentido. Na política, valem os fatos. E Vargas Llosa produziu três. Um, anunciar seu voto para Alejandro Toledo, no primeiro turno. Disse que eleger Humala ou Keiko era “escolher entre o HIV e o câncer”. O segundo fato, depois da derrota de Toledo, foi avisar que votaria em Humala considerando-o um “o mal menor”. O terceiro foi abandonar o El Comercio.
Para além do que vai ocorrer no futuro entre Humala e Vargas Llosa, uma hipótese é possível: o autor de “Os cachorros” deixou El Comercio porque acreditou que o grupo midiático ultrapassou um limite. Qual? O limite da democracia. Vargas Llosa é um liberal que, com incongruência, apoia neoconservadores que sustentaram ditaduras, como Milton Friedman no caso do Chile, às quais ele mesmo se opôs.
Convém levar em conta que Humala ganhou no segundo turno por pouco menos de 3% dos votos: 51,45% contra 48,54. Se sua base foram os pobres da serra e os pobres do litoral, é evidente que conseguiu desequilibrar o resultado com o apoio de uma parte dos setores médios e inclusive de setores médios com explícitas ideias de centrodireita, como Vargas Llosa.
Humala derrotou o grupo El Comercio? Talvez seja mais proveitoso experimentar outro cenário: Humala liderou uma mudança e entrou em sintonia com ela, enquanto El Comercio foi contra. E a mudança – presente no humor social, no sentido comum, na alma dos peruanos – varreu tanto Keiko como o El Comercio. Se os grandes grupos de poder não são invencíveis, por que o seriam os grupos midiáticos gigantes que articulam a expressão desses grupos? Por que triunfariam quando diante deles há uma aliança social e uma construção política.
O nome de Lula ressoou na campanha peruana. É possível que, como símbolo, a palavra Lula desperte menos resistências que a palavra Chávez. Mas, como estratégia de fundo e não só de marketing eleitoral, Humala se inspirou no método lulista de alianças. Entre o primeiro e o segundo turno, não teve dúvida em reunir-se com Toledo, em agradecer o apoio de Vargas Llosa e em prometer que faria “um governo de concertação nacional” baseado na honestidade.
E, ao mesmo tempo, manteve sua promessa dupla de ampliar as políticas sociais de educação, assistência e saúde e de implantar um imposto especial para a renda extraordinária da mineração. O grupo El Comercio, como Keiko, acabou indo contra a maioria dos peruanos que acreditaram no projeto de Humala.
El Comercio não se deu por vencido nem quando o escrutínio atingiu um ponto sem retorno. No dia 7 publicou a seguinte manchete: “Incerteza por falta de sinais claros”. Em um dos títulos secundários admitia que “o volume de negociações foi baixo”, mas assinalava que “a Bolsa de Valores de Lima teve a pior queda da história, com 12,45%”. Acrescentava que “especialistas sustentam que devem ser definidas com rapidez as novas cabeças do Ministério de Economia e Finanças e do Banco Central” e, em um editorial, indicava que “o novo presidente deve dar uma mensagem tranquilizadora aos cidadãos, ao mercado e aos setores econômicos”. Puro terrorismo financeiro.
No mesmo dia, o jornal La República escolheu outro título: “Ollanta dá o primeiro passo”. Informava sobre a designação de uma comissão de transferência do poder desde o triunfo até a posse, dia 28 de julho, sob o comando da vice-presidenta eleita Marisol Espinoza.
La República publicou uma interessante coluna do historiador Nelson Marique, “Balanço de feridos”. “As dúvidas em torno do que um governo de Humala poderia representar foram minimizadas pela perspectiva de contribuir para o retorno do fujimorismo”, escreveu Manrique. “Não conheço nenhum outro momento da história peruana em que tenha se produzido uma convergência tão ampla e comprometida de escritores, cientistas políticos, cineastas, sociólogos, jornalistas, historiadores, linguistas, educadores, etc., em torno de uma causa comum resumível em duas palavras: decência e dignidade”. Para Manrique, esse “aval ético” envolve “a responsabilidade de exercer vigilância sobre os atos do novo governo”.
É aguda a análise sobre a contribuição do grupo El Comercio para o triunfo de Humala. “Desempenhou também um papel importante o ‘efeito saturação’ provocado pela campanha de demolição empreendida pela maioria dos meios de comunicação contra Ollanta Humala. Quando, em uma campanha propagandista, se baixa de um certo ponto, ela deixa de ser efetiva e acaba produzindo o efeito contrário ao desejado. O bombardeio midiático ultrapassou amplamente esse limite e suas mensagens não só deixaram de funcionar, como alimentaram o ceticismo dos espectadores em relação ao desempenho do grosso da imprensa, rádio e TV. O desempenho do grupo El Comercio merece uma menção especial, pois fez um esforço homérico para destruir sua própria credibilidade”.
Segundo Marinque, El Comercio passou tanto, mas tanto, do limite que, ao final, se converteu “em uma excelente recordação de como foram os tempos de Fujimori”.
Lula governou oito anos com a oposição ferrenha do jornal Folha de São Paulo, da revista Veja e da Rede Globo. Deixou o poder no dia 1° de janeiro deste ano com uma popularidade superior a 80%. A melhoria real da vida dos brasileiros, mais sua percepção subjetiva de uma melhora – Lula sempre fala da recuperação da autoestima e esse foi seu elogio a Néstor Kirchner no velório do ex-presidente – atuaram como um dique de contenção contra o qual se esborrachou o bombardeio da grande mídia do Brasil.
Dilma ganhou no segundo turno apesar de as elites políticas brasileiras terem chegado a demonizá-la porque havia declarado seu apoio à descriminalização do aborto. Ganhou em virtude do peso da realidade, sintetizado na incorporação de 36 milhões de brasileiros ao mercado, pelo poder de comunicação do próprio Lula e pelo boca a boca.
A televisão pública recém começa e experiências baseadas em valores de justiça social como a revista Carta Capital ou o site Carta Maior são importantes, mas não massivas. A aposta atual do ministro de Comunicações de Dilma, Paulo Bernardo, esposo da nova chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, é ampliar o programa de banda larga e garantir um serviço de um mega para 40 milhões de brasileiro a um preço de um décimo do salário mínimo mensal, de hoje até 2014. De acordo com dados do Sindicato Nacional de Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal, para garantir que 74% da população esteja coberta até 2020, o Estado e a iniciativa privada devem investir cerca de 130 bilhões de dólares.
Com uma plataforma digital acessível podem se plasmar formas de diversidade como as que propõe a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual na Argentina, ou podem se expressar, a partir da sociedade civil e da articulação política, forças como as que levaram à vitória da frente Ganha Peru. Mesmo sem uma plataforma digital barata e massiva, os simpatizantes de Ganha Peru, em lugar de teorizar sobre as redes sociais ou a análise do discurso – matéria de especialistas – decidiram usar toda a web. Um desses simpatizantes escreveu:
“Se você possui uma conta de correio, blog, website, ou participa de redes sociais (facebook, twitter, etc.), urge assumir a responsabilidade de difundir para teus contatos duas ideias chave para enfrentar a grande mídia e evitar que te imponham o voto. A primeira, que as propostas de mudança provém da frente Ganha Peru e de seu candidato Ollanta Humala. A segunda ideia é que deve lembrar teus destinatários dos crimes cometidos pelos Fujimori, como La Cantuta, Barrios Altos, Pedro Huilca”.
A simplicidade didática, no Peru, foi parte de uma articulação política em favor de um objetivo. Ocorre o mesmo quando um fato negativo lança uma luz de alerta. Antonio Palocci, o ex-chefe da Casa Civil, não renunciou porque a informação sobre seu enriquecimento saiu na Folha de São Paulo. Deixou o cargo porque não pode explicar nem sua riqueza súbita nem dizer quais eram os clientes de sua empresa de consultoria antes de assumir como braço direito de Dilma.
Para além das questões jurídicas, o PT entendeu que, se Pallocci permanecesse no Planalto acabaria prejudicando a presidenta e o governo inteiro. Com Lula em 2005 e 2006, o PT aprendeu que os escândalos não devem crescer porque desgastam a base de sustentação da presidenta e que, em troca, essa base aumenta quando as políticas de maior justiça que dão identidade a um projeto popular são implementadas sem ruídos de forma e de fundo. E, claro, sem medo do bombardeio midiático.
Por Martín Granovsky, em Página 12
O grupo El Comercio, da família Miró Quesada, controla o jornal do mesmo nome. Foi fundado no século 19 como La Nación, tem o peso empresarial do grupo Clarín e dispõe da capacidade articuladora de interesses que, juntos, ambos representam.
Também é co-proprietário da TV Peru, que por sua vez controla a Plural TV, que por sua vez controla a Companhia Peruana de Radiodifusão e Produtora Peruana de Informação (Canal N). Além do jornal El Comercio, o grupo é dono de outros três, Trome, Peru.21 e Gestão, e das revistas Somos, Ruedas y Tuercas, e PC World.
Foi daí que partiu o bombardeio massivo (“cargamontón”, como se diz no Peru) contra Humala e a defesa de Keiko Fujimori.
Na agressão, El Comercio perdeu seu principal colunista, Mario Vargas Llosa. O escritor deu instruções ao jornal El País, da Espanha, que vende suas colunas, para mudar-se para o jornal La República, onde começou a publicar no domingo das eleições. Antes enviou uma carta de renúncia a Francisco Miró Quesada, Diretor do El Comercio. Vargas Llosa escreveu:
“Desde que um punhado de acionistas, encabeçados pela senhora Martha Meier Miró Quesada, tomou o controle desse diário e do grupo de canais de televisão e periódicos dos quais é proprietário, o jornal se converteu em uma máquina propagandista da candidatura de Keikom Fujimori, violando as mais elementares noções da objetividade e da ética jornalística; silencia e manipula informações, deforma os fatos, abre suas páginas às mentiras e calúnias que podem prejudicar o adversário, ao mesmo tempo em que, em todo o grupo, jornalistas independentes são demitidos ou intimidados, e se recorre às insídias e golpes baixos dos piores pesquisas que vivem do sensacionalismo e do escândalo”.
E acrescentou:
“Não posso permitir que minha coluna “Pedra de toque” siga aparecendo nesta caricatura do que deve ser um órgão de expressão genuinamente livre, pluralista e democrático”.
Vargas Llosa não é um esquerdista desaforado. Os leitores do Página/12 tiveram a oportunidade de conhecer em primeira mão, na entrevista publicada no dia 22 de abril, suas advertências contra “as debilidades coletivistas” dos social-democratas e sua afirmação de que “a intervenção do Estado gera injustiça”.
Em 1990, após ser considerado favorito, Vargas Llosa perdeu as eleições para Alberto Fujimori, que o derrotou no segundo turno. Depois, em 1992, o escritor se opôs ao auto-golpe e à dissolução do Parlamento. A reação de Fujimori foi tão violenta que a Espanha concedeu nacionalidade a Vargas Llosa para apoiá-lo.
O caso de Vargas Llosa marca um ponto interessante no debate sobre os meios e o poder. Vargas Llosa deixou o jornal El Comercio porque viu ferido seu narcisismo ante uma possível vitória de Keiko Fujimori, a filha do tirano? É uma pergunta que não tem resposta. Talvez tampouco tenha sentido. Na política, valem os fatos. E Vargas Llosa produziu três. Um, anunciar seu voto para Alejandro Toledo, no primeiro turno. Disse que eleger Humala ou Keiko era “escolher entre o HIV e o câncer”. O segundo fato, depois da derrota de Toledo, foi avisar que votaria em Humala considerando-o um “o mal menor”. O terceiro foi abandonar o El Comercio.
Para além do que vai ocorrer no futuro entre Humala e Vargas Llosa, uma hipótese é possível: o autor de “Os cachorros” deixou El Comercio porque acreditou que o grupo midiático ultrapassou um limite. Qual? O limite da democracia. Vargas Llosa é um liberal que, com incongruência, apoia neoconservadores que sustentaram ditaduras, como Milton Friedman no caso do Chile, às quais ele mesmo se opôs.
Convém levar em conta que Humala ganhou no segundo turno por pouco menos de 3% dos votos: 51,45% contra 48,54. Se sua base foram os pobres da serra e os pobres do litoral, é evidente que conseguiu desequilibrar o resultado com o apoio de uma parte dos setores médios e inclusive de setores médios com explícitas ideias de centrodireita, como Vargas Llosa.
Humala derrotou o grupo El Comercio? Talvez seja mais proveitoso experimentar outro cenário: Humala liderou uma mudança e entrou em sintonia com ela, enquanto El Comercio foi contra. E a mudança – presente no humor social, no sentido comum, na alma dos peruanos – varreu tanto Keiko como o El Comercio. Se os grandes grupos de poder não são invencíveis, por que o seriam os grupos midiáticos gigantes que articulam a expressão desses grupos? Por que triunfariam quando diante deles há uma aliança social e uma construção política.
O nome de Lula ressoou na campanha peruana. É possível que, como símbolo, a palavra Lula desperte menos resistências que a palavra Chávez. Mas, como estratégia de fundo e não só de marketing eleitoral, Humala se inspirou no método lulista de alianças. Entre o primeiro e o segundo turno, não teve dúvida em reunir-se com Toledo, em agradecer o apoio de Vargas Llosa e em prometer que faria “um governo de concertação nacional” baseado na honestidade.
E, ao mesmo tempo, manteve sua promessa dupla de ampliar as políticas sociais de educação, assistência e saúde e de implantar um imposto especial para a renda extraordinária da mineração. O grupo El Comercio, como Keiko, acabou indo contra a maioria dos peruanos que acreditaram no projeto de Humala.
El Comercio não se deu por vencido nem quando o escrutínio atingiu um ponto sem retorno. No dia 7 publicou a seguinte manchete: “Incerteza por falta de sinais claros”. Em um dos títulos secundários admitia que “o volume de negociações foi baixo”, mas assinalava que “a Bolsa de Valores de Lima teve a pior queda da história, com 12,45%”. Acrescentava que “especialistas sustentam que devem ser definidas com rapidez as novas cabeças do Ministério de Economia e Finanças e do Banco Central” e, em um editorial, indicava que “o novo presidente deve dar uma mensagem tranquilizadora aos cidadãos, ao mercado e aos setores econômicos”. Puro terrorismo financeiro.
No mesmo dia, o jornal La República escolheu outro título: “Ollanta dá o primeiro passo”. Informava sobre a designação de uma comissão de transferência do poder desde o triunfo até a posse, dia 28 de julho, sob o comando da vice-presidenta eleita Marisol Espinoza.
La República publicou uma interessante coluna do historiador Nelson Marique, “Balanço de feridos”. “As dúvidas em torno do que um governo de Humala poderia representar foram minimizadas pela perspectiva de contribuir para o retorno do fujimorismo”, escreveu Manrique. “Não conheço nenhum outro momento da história peruana em que tenha se produzido uma convergência tão ampla e comprometida de escritores, cientistas políticos, cineastas, sociólogos, jornalistas, historiadores, linguistas, educadores, etc., em torno de uma causa comum resumível em duas palavras: decência e dignidade”. Para Manrique, esse “aval ético” envolve “a responsabilidade de exercer vigilância sobre os atos do novo governo”.
É aguda a análise sobre a contribuição do grupo El Comercio para o triunfo de Humala. “Desempenhou também um papel importante o ‘efeito saturação’ provocado pela campanha de demolição empreendida pela maioria dos meios de comunicação contra Ollanta Humala. Quando, em uma campanha propagandista, se baixa de um certo ponto, ela deixa de ser efetiva e acaba produzindo o efeito contrário ao desejado. O bombardeio midiático ultrapassou amplamente esse limite e suas mensagens não só deixaram de funcionar, como alimentaram o ceticismo dos espectadores em relação ao desempenho do grosso da imprensa, rádio e TV. O desempenho do grupo El Comercio merece uma menção especial, pois fez um esforço homérico para destruir sua própria credibilidade”.
Segundo Marinque, El Comercio passou tanto, mas tanto, do limite que, ao final, se converteu “em uma excelente recordação de como foram os tempos de Fujimori”.
Lula governou oito anos com a oposição ferrenha do jornal Folha de São Paulo, da revista Veja e da Rede Globo. Deixou o poder no dia 1° de janeiro deste ano com uma popularidade superior a 80%. A melhoria real da vida dos brasileiros, mais sua percepção subjetiva de uma melhora – Lula sempre fala da recuperação da autoestima e esse foi seu elogio a Néstor Kirchner no velório do ex-presidente – atuaram como um dique de contenção contra o qual se esborrachou o bombardeio da grande mídia do Brasil.
Dilma ganhou no segundo turno apesar de as elites políticas brasileiras terem chegado a demonizá-la porque havia declarado seu apoio à descriminalização do aborto. Ganhou em virtude do peso da realidade, sintetizado na incorporação de 36 milhões de brasileiros ao mercado, pelo poder de comunicação do próprio Lula e pelo boca a boca.
A televisão pública recém começa e experiências baseadas em valores de justiça social como a revista Carta Capital ou o site Carta Maior são importantes, mas não massivas. A aposta atual do ministro de Comunicações de Dilma, Paulo Bernardo, esposo da nova chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, é ampliar o programa de banda larga e garantir um serviço de um mega para 40 milhões de brasileiro a um preço de um décimo do salário mínimo mensal, de hoje até 2014. De acordo com dados do Sindicato Nacional de Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal, para garantir que 74% da população esteja coberta até 2020, o Estado e a iniciativa privada devem investir cerca de 130 bilhões de dólares.
Com uma plataforma digital acessível podem se plasmar formas de diversidade como as que propõe a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual na Argentina, ou podem se expressar, a partir da sociedade civil e da articulação política, forças como as que levaram à vitória da frente Ganha Peru. Mesmo sem uma plataforma digital barata e massiva, os simpatizantes de Ganha Peru, em lugar de teorizar sobre as redes sociais ou a análise do discurso – matéria de especialistas – decidiram usar toda a web. Um desses simpatizantes escreveu:
“Se você possui uma conta de correio, blog, website, ou participa de redes sociais (facebook, twitter, etc.), urge assumir a responsabilidade de difundir para teus contatos duas ideias chave para enfrentar a grande mídia e evitar que te imponham o voto. A primeira, que as propostas de mudança provém da frente Ganha Peru e de seu candidato Ollanta Humala. A segunda ideia é que deve lembrar teus destinatários dos crimes cometidos pelos Fujimori, como La Cantuta, Barrios Altos, Pedro Huilca”.
A simplicidade didática, no Peru, foi parte de uma articulação política em favor de um objetivo. Ocorre o mesmo quando um fato negativo lança uma luz de alerta. Antonio Palocci, o ex-chefe da Casa Civil, não renunciou porque a informação sobre seu enriquecimento saiu na Folha de São Paulo. Deixou o cargo porque não pode explicar nem sua riqueza súbita nem dizer quais eram os clientes de sua empresa de consultoria antes de assumir como braço direito de Dilma.
Para além das questões jurídicas, o PT entendeu que, se Pallocci permanecesse no Planalto acabaria prejudicando a presidenta e o governo inteiro. Com Lula em 2005 e 2006, o PT aprendeu que os escândalos não devem crescer porque desgastam a base de sustentação da presidenta e que, em troca, essa base aumenta quando as políticas de maior justiça que dão identidade a um projeto popular são implementadas sem ruídos de forma e de fundo. E, claro, sem medo do bombardeio midiático.
POLÍTICA - Lula se encontrou com brasileiros residentes em Cuba.
Brasileiros residentes em Cuba se reuniram com Lula na ilha
Durante um encontro promovido pela Comunidade de Brasileiros Residentes em Cuba, o ex-presidente Lula teve a oportunidade de trocar ideias e discutir desafios. Lula apresentou os dois objetivos principais do Instituto Lula, que promoverá a integração latino-americana e levará para a África, sem uma mentalidade colonizadora, propostas de políticas públicas que funcionam no Brasil, para que sejam adaptadas ao contexto africano, tratando de reparar a dívida histórica com o continente africano.
Os estudantes brasileiros de medicina bolsistas da Escola Latino-Americana de Medicina lhe deram as boas vindas com a leitura da Carta aberta ao Povo Brasileiro, documento aprovado no último Encontro Nacional dos futuros médicos em março desse ano, que propõe a sociedade brasileira, municípios, estados e universidades interessadas em interiorizar a assistência medica em construir um Plano Nacional de Inserção ao Sistema Único de Saúde (SUS) que permita a inserção de médicos formados no Brasil e no Exterior, e apresentaram uma carta de boas vindas, onde manifestam que o desejo de Lula de ter o diploma cubano revalidado no Brasil ainda não havia sido cumprido.
Lula defendeu o diálogo com o Conselho Federal de Medicina, argumentando ser necessário superar preconceitos para que possamos superar todos juntos o problema da saúde no Brasil. Ao ser convidado para ser padrinho da luta pela inserção dos médicos formados em Cuba no SUS, este disse que além de padrinho, ia ser um associado dessa luta, se comprometendo a ajudar a articular parcerias regionais no Brasil.
Leia abaixo a carte que foi entregue a Lula
Havana, 1º de junho de 2011
Ao Companheiro Luiz Inácio Lula da Silva
Nós, estudantes brasileiros de medicina em Cuba, agradecemos a visita do companheiro e compartilhamos esse momento de grande importância.
Originários das camadas mais baixas da sociedade brasileira, esses estudantes que hoje viemos representar aqui são o mais claro exemplo de solidariedade do povo cubano, do qual somos muitos agradecidos. Esses futuros médicos que quando se formarem irão servir ao povo brasileiro, onde há falta de médicos, especialmente, comprometidos com o Sistema Único de Saúde.
A Escola Latino-Americana de Medicina já formou, desde 2005, 9700 médicos para o mundo, destes 348 são brasileiros e 120 estão homologados, em pleno exercício da profissão, ajudando ao nosso povo. Hoje em Cuba somos 684 estudantes brasileiros de medicina, onde 72 irão ser médicos a partir do próximo mês.
Na sua primeira visita a Cuba, como Presidente da República do Brasil, em 2003, o companheiro transmitiu seu desejo de resolver a questão dab homologação de diplomas da Escola Latino-Americana de Medicina em Cuba aos estudantes. Nós reconhecemos os esforços do seu Governo para poder resolver a questão, desde o Acordo Bilateral entre Brasil e Cuba ao Projeto Piloto, mas infelizmente queremos transmitir que esse desejo ainda não foi realizado.
O problema central da revalidação do nosso título, companheiro, não é técnico, não é legal, é o preconceito de classe. O preconceito que não aceita que filho de trabalhador, seja médico, e pior, que seja médico competente e comprometido com a saúde pública, de qualidade, gratuita e universal.
Sabe presidente Lula, você provou que o trabalhador sim pode ser Presidente da
República, você provou que a classe trabalhadora sim pode dirigir um país. Nós
estudantes provaremos que da saúde do povo, o mesmo povo pode cuidar. Seja bem
vindo a Cuba, companheiro Lula.
Viva a Escola Latino-Americana de Medicina! Viva Cuba!
COORDENAÇÃO NACIONAL DA ABEMEC
Thiago José Castro Ponciano Lima
Durante um encontro promovido pela Comunidade de Brasileiros Residentes em Cuba, o ex-presidente Lula teve a oportunidade de trocar ideias e discutir desafios. Lula apresentou os dois objetivos principais do Instituto Lula, que promoverá a integração latino-americana e levará para a África, sem uma mentalidade colonizadora, propostas de políticas públicas que funcionam no Brasil, para que sejam adaptadas ao contexto africano, tratando de reparar a dívida histórica com o continente africano.
Os estudantes brasileiros de medicina bolsistas da Escola Latino-Americana de Medicina lhe deram as boas vindas com a leitura da Carta aberta ao Povo Brasileiro, documento aprovado no último Encontro Nacional dos futuros médicos em março desse ano, que propõe a sociedade brasileira, municípios, estados e universidades interessadas em interiorizar a assistência medica em construir um Plano Nacional de Inserção ao Sistema Único de Saúde (SUS) que permita a inserção de médicos formados no Brasil e no Exterior, e apresentaram uma carta de boas vindas, onde manifestam que o desejo de Lula de ter o diploma cubano revalidado no Brasil ainda não havia sido cumprido.
Lula defendeu o diálogo com o Conselho Federal de Medicina, argumentando ser necessário superar preconceitos para que possamos superar todos juntos o problema da saúde no Brasil. Ao ser convidado para ser padrinho da luta pela inserção dos médicos formados em Cuba no SUS, este disse que além de padrinho, ia ser um associado dessa luta, se comprometendo a ajudar a articular parcerias regionais no Brasil.
Leia abaixo a carte que foi entregue a Lula
Havana, 1º de junho de 2011
Ao Companheiro Luiz Inácio Lula da Silva
Nós, estudantes brasileiros de medicina em Cuba, agradecemos a visita do companheiro e compartilhamos esse momento de grande importância.
Originários das camadas mais baixas da sociedade brasileira, esses estudantes que hoje viemos representar aqui são o mais claro exemplo de solidariedade do povo cubano, do qual somos muitos agradecidos. Esses futuros médicos que quando se formarem irão servir ao povo brasileiro, onde há falta de médicos, especialmente, comprometidos com o Sistema Único de Saúde.
A Escola Latino-Americana de Medicina já formou, desde 2005, 9700 médicos para o mundo, destes 348 são brasileiros e 120 estão homologados, em pleno exercício da profissão, ajudando ao nosso povo. Hoje em Cuba somos 684 estudantes brasileiros de medicina, onde 72 irão ser médicos a partir do próximo mês.
Na sua primeira visita a Cuba, como Presidente da República do Brasil, em 2003, o companheiro transmitiu seu desejo de resolver a questão dab homologação de diplomas da Escola Latino-Americana de Medicina em Cuba aos estudantes. Nós reconhecemos os esforços do seu Governo para poder resolver a questão, desde o Acordo Bilateral entre Brasil e Cuba ao Projeto Piloto, mas infelizmente queremos transmitir que esse desejo ainda não foi realizado.
O problema central da revalidação do nosso título, companheiro, não é técnico, não é legal, é o preconceito de classe. O preconceito que não aceita que filho de trabalhador, seja médico, e pior, que seja médico competente e comprometido com a saúde pública, de qualidade, gratuita e universal.
Sabe presidente Lula, você provou que o trabalhador sim pode ser Presidente da
República, você provou que a classe trabalhadora sim pode dirigir um país. Nós
estudantes provaremos que da saúde do povo, o mesmo povo pode cuidar. Seja bem
vindo a Cuba, companheiro Lula.
Viva a Escola Latino-Americana de Medicina! Viva Cuba!
COORDENAÇÃO NACIONAL DA ABEMEC
Thiago José Castro Ponciano Lima
domingo, 12 de junho de 2011
POLÍTICA - A popularidade de Dilma após o primeiro round.
Por Joaquim Aragão
Todos terão hoje de ter lido esse novo fato político. Portanto, se aqui o posto, é para responder ao LEN, para apontar e reconfirmar uma tendencia interessante na sociedade brasileira: o decrescente poder de persuação dos grandes meios de comunicação.
A ação tão evidentemente manipuladora dos meios já é reconhecida de uma forma geral da população, e esse resultado não pode ser reduzido ao simples chavão "o povo ainda continua acreditar no governo porque não lê os jornais".
Hoje, a população é majoritariamente urbana e é confrontada em cada esquina com banca de jornal pelas manchetes garrafais dos jornais. Ademais, assiste telejornal (que possuem ainda grande audiência). Portanto, a ignorância só subsiste nos estratos reacionários da elite e da classe média.
Assim, o "Dia" de hoje nos dá o beijo matutino com a seguinte notícia sobre a mais recente pesquisa precisamente da Datafolha:
Aprovação de Dilma não sofreu com crise política Segundo pesquisa feita depois da saída de Palocci, 49% dos brasileiros consideram o governo ótimo ou bom. Em março, mesmo instituto apontou índice de 47%
Rio - A crise política que levou à saída de Antonio Palocci da Casa Civil, na terça-feira, até afetou a imagem pessoal da presidenta Dilma Rousseff, mas não causou danos à aprovação de seu governo. É o que mostra pesquisa Datafolha divulgada ontem: 49% de 2.188 brasileiros ouvidos em todo o País consideram seu governo ótimo ou bom — em março, segundo o mesmo instituto, o índice era de 47%.
A consulta foi feita quinta e sexta-feira, em uma semana tumultuada em Brasília. Na terça-feira, depois que Palocci entregou seu cargo, a presidenta anunciou que iria substituí-lo pela agora senadora licenciada Gleisi Hoffmann (PT-PR) em meio a disputas políticas no PT e no aliado PMDB. Na sexta-feira, ainda pressionada pelos dois partidos, desta vez, para tirar Luiz Sérgio do cargo de ministro das Relações Institucionais, Dilma surpreendeu e o trocou de lugar com Ideli Salvatti, que comandava o Ministério da Pesca e Aquicultura.
Com o troca-troca, a presidenta fez exatamente o que pretendia. Mesmo assim, ainda segundo a pesquisa divulgada ontem, a maioria dos brasileiros afirma querer que o ex-presidente Luiz Inácio da Silva opine nas decisões de Dilma.
Do blog do Luis Nassif
Todos terão hoje de ter lido esse novo fato político. Portanto, se aqui o posto, é para responder ao LEN, para apontar e reconfirmar uma tendencia interessante na sociedade brasileira: o decrescente poder de persuação dos grandes meios de comunicação.
A ação tão evidentemente manipuladora dos meios já é reconhecida de uma forma geral da população, e esse resultado não pode ser reduzido ao simples chavão "o povo ainda continua acreditar no governo porque não lê os jornais".
Hoje, a população é majoritariamente urbana e é confrontada em cada esquina com banca de jornal pelas manchetes garrafais dos jornais. Ademais, assiste telejornal (que possuem ainda grande audiência). Portanto, a ignorância só subsiste nos estratos reacionários da elite e da classe média.
Assim, o "Dia" de hoje nos dá o beijo matutino com a seguinte notícia sobre a mais recente pesquisa precisamente da Datafolha:
Aprovação de Dilma não sofreu com crise política Segundo pesquisa feita depois da saída de Palocci, 49% dos brasileiros consideram o governo ótimo ou bom. Em março, mesmo instituto apontou índice de 47%
Rio - A crise política que levou à saída de Antonio Palocci da Casa Civil, na terça-feira, até afetou a imagem pessoal da presidenta Dilma Rousseff, mas não causou danos à aprovação de seu governo. É o que mostra pesquisa Datafolha divulgada ontem: 49% de 2.188 brasileiros ouvidos em todo o País consideram seu governo ótimo ou bom — em março, segundo o mesmo instituto, o índice era de 47%.
A consulta foi feita quinta e sexta-feira, em uma semana tumultuada em Brasília. Na terça-feira, depois que Palocci entregou seu cargo, a presidenta anunciou que iria substituí-lo pela agora senadora licenciada Gleisi Hoffmann (PT-PR) em meio a disputas políticas no PT e no aliado PMDB. Na sexta-feira, ainda pressionada pelos dois partidos, desta vez, para tirar Luiz Sérgio do cargo de ministro das Relações Institucionais, Dilma surpreendeu e o trocou de lugar com Ideli Salvatti, que comandava o Ministério da Pesca e Aquicultura.
Com o troca-troca, a presidenta fez exatamente o que pretendia. Mesmo assim, ainda segundo a pesquisa divulgada ontem, a maioria dos brasileiros afirma querer que o ex-presidente Luiz Inácio da Silva opine nas decisões de Dilma.
Do blog do Luis Nassif
POLÍTICA - Um tiro pela culatra.
Do site Direto da Redação.
Rodolpho Motta Lima.
O processo político é, muitas vezes, surpreendente, no seu desenvolvimento, em face do dinamismo que lhe é característico. Não é incomum que certas estratégias no campo da política, urdidas para atingir determinados objetivos, acabem por gerar resultados diferentes dos previstos pelos estrategistas e até mesmo contrários aos seus objetivos.
Com o desfecho do “caso-Palocci”, desconfio muito que o tiro possa ter saído pela culatra. As oposições, que acabaram de perder as eleições presidenciais, mas que andam permanentemente buscando um terceiro turno e catam cirurgicamente episódios que desarticulem o governo, fizeram o carnaval de sempre. Alguns dirão que elas cumpriram seu papel. Em coluna anterior, antecipei minha posição de que o ex-Ministro deveria mesmo afastar-se do governo Dilma, porque, como ele próprio reconheceu, as verdades jurídicas nem sempre são aceitáveis no campo político. Mas isso não me impede de ver nesse metralhar constante dos setores oposicionistas uma tentativa de desestabilizar a Presidenta e inibir os seus projetos. É bem evidente a permanente campanha que, muitas vezes em tom de “fofoca”, tenta descobrir atritos e controvérsias no seio do governo e, o que é pior, parece justificar situações como “a insatisfação do PMDB por não ter sido consultado” e coisas do gênero.
A nomeação da Senadora Gleisi Hoffmann para o lugar do demissionário Palocci pode vir a constituir, em futuro não muito remoto, um auspicioso fato político em meio ao que a mídia – destilando o veneno de sempre - acentuou como “crise”. A Senadora é sangue novo nas hostes do governo, pelo menos em termos de visibilidade e, a julgar pelo seu histórico anterior e pelo seu comportamento no Senado, pode vir a ser, por força de suas características de obstinação, determinação e eficiência em atividades de gestão, um reforço de grande valia no âmbito do Planalto.
Não tenho muita certeza dessa “perda significativa” ou desse “enfraquecimento do governo” que o partido midiático de oposição (aquele que faz política partidária sem assumir os riscos a isso inerentes) atribui à saída do Palocci. Pessoalmente, já o disse aqui muitas vezes, não creio que uma pessoa, qualquer que seja, se sobreponha a um projeto. De qualquer forma, se é verdade que Palocci é um bom articulador e tem idéias criativas, não se iludam os que pensam que essa articulação ou essa criatividade deixa de existir, por encanto, pela não ocupação de um cargo ministerial.
Os cronistas da política apontam a Senadora ora empossada como até mais identificada com o PT, partido da Presidenta, do que o próprio Palocci, que não gozava da unanimidade petista e, pelo contrário, era visto com reservas, por certas teses que pareciam aproximá-lo da oposição.
Vez por outra, tive oportunidade de assistir, na TV Senado, a alguns debates entre os atuais componentes daquela casa congressual. Impressionou-me sempre o permanente tom categórico e incisivo com que a Senadora Gleisi não deixava passar qualquer análise crítica de seus opositores, “cobras criadas” da política, sempre rebatendo, ponto por ponto – com conhecimento de causa e argumentação consistente - , as sistemáticas, furiosas e apocalípticas teses dos tucanos e “democratas” (as aspas aqui são obrigatórias), alguns quase vitalícios naquela casa legislativa.
A mídia de oposição , mais do que fazer oposição, quer a derrocada dos programas do governo que acabou de ser eleito. A orquestração é toda nesse sentido e é uma tristeza constatar que jornalistas, maiores ou menores em expressividade, claramente, submetem-se à velha máxima do “manda quem pode e obedece quem precisa (ou quem tem juízo)”, repetindo, monocordiamente, comportamentos quase golpistas inspirados na linha ideológica dos seus patrões e desprezando qualquer compromisso com o futuro do país. A palavra de ordem parece ser no sentido de não dar um segundo de tranquilidade ao governo, não permitir de modo algum que os projetos populares ganhem dimensão, não dar espaço às conquistas do povo e, assim, desconsiderar a recentíssima manifestação popular que colocou Dilma na Presidência da República.
Acho que, pelas virtudes pessoais da nova Ministra, a presença de Gleisi na Casa Civil, articulando as ligações entre os diversos níveis governamentais e tocando os projetos populares que Dilma afirma que não interromperá – o principal deles parece ser a erradicação da miséria entre nós - , pode , no final, acabar por trazer grandes dividendos para o Governo. Pode ser que venha a mostrar, no futuro, que toda a parafernália midiática que derrubou Palocci pré-julgando suas posturas, fez emergir na ambiência política do país mais uma mulher forte, capaz de, de forma republicana, propiciar as soluções reclamadas por vastas camadas do povo brasileiro, retirando-as do permanente processo de exclusão social e conferindo-lhes o status de cidadania que as elites tradicionais sempre temem.
Não por acaso, mas para exemplificar bem, um bom contraponto de ideias de esquerda ou de direita sobre um mesmo tema, é também do Paraná o Senador Álvaro Dias, líder do PSDB (um daqueles que se beneficiou de aposentadoria esdrúxula por ter sido Governador), o qual, em emblemática declaração tucana, chama de preguiçosos os brasileiros contemplados pela bolsa-família, desconsiderando os índices de pobreza em nosso país, em boa hora alterados pelas práticas sociais implementadas no governo Lula e que, esperamos, tenham continuidade agora, contando, inclusive, com a mão firme da nova Ministra.
Rodolpho Motta Lima.
O processo político é, muitas vezes, surpreendente, no seu desenvolvimento, em face do dinamismo que lhe é característico. Não é incomum que certas estratégias no campo da política, urdidas para atingir determinados objetivos, acabem por gerar resultados diferentes dos previstos pelos estrategistas e até mesmo contrários aos seus objetivos.
Com o desfecho do “caso-Palocci”, desconfio muito que o tiro possa ter saído pela culatra. As oposições, que acabaram de perder as eleições presidenciais, mas que andam permanentemente buscando um terceiro turno e catam cirurgicamente episódios que desarticulem o governo, fizeram o carnaval de sempre. Alguns dirão que elas cumpriram seu papel. Em coluna anterior, antecipei minha posição de que o ex-Ministro deveria mesmo afastar-se do governo Dilma, porque, como ele próprio reconheceu, as verdades jurídicas nem sempre são aceitáveis no campo político. Mas isso não me impede de ver nesse metralhar constante dos setores oposicionistas uma tentativa de desestabilizar a Presidenta e inibir os seus projetos. É bem evidente a permanente campanha que, muitas vezes em tom de “fofoca”, tenta descobrir atritos e controvérsias no seio do governo e, o que é pior, parece justificar situações como “a insatisfação do PMDB por não ter sido consultado” e coisas do gênero.
A nomeação da Senadora Gleisi Hoffmann para o lugar do demissionário Palocci pode vir a constituir, em futuro não muito remoto, um auspicioso fato político em meio ao que a mídia – destilando o veneno de sempre - acentuou como “crise”. A Senadora é sangue novo nas hostes do governo, pelo menos em termos de visibilidade e, a julgar pelo seu histórico anterior e pelo seu comportamento no Senado, pode vir a ser, por força de suas características de obstinação, determinação e eficiência em atividades de gestão, um reforço de grande valia no âmbito do Planalto.
Não tenho muita certeza dessa “perda significativa” ou desse “enfraquecimento do governo” que o partido midiático de oposição (aquele que faz política partidária sem assumir os riscos a isso inerentes) atribui à saída do Palocci. Pessoalmente, já o disse aqui muitas vezes, não creio que uma pessoa, qualquer que seja, se sobreponha a um projeto. De qualquer forma, se é verdade que Palocci é um bom articulador e tem idéias criativas, não se iludam os que pensam que essa articulação ou essa criatividade deixa de existir, por encanto, pela não ocupação de um cargo ministerial.
Os cronistas da política apontam a Senadora ora empossada como até mais identificada com o PT, partido da Presidenta, do que o próprio Palocci, que não gozava da unanimidade petista e, pelo contrário, era visto com reservas, por certas teses que pareciam aproximá-lo da oposição.
Vez por outra, tive oportunidade de assistir, na TV Senado, a alguns debates entre os atuais componentes daquela casa congressual. Impressionou-me sempre o permanente tom categórico e incisivo com que a Senadora Gleisi não deixava passar qualquer análise crítica de seus opositores, “cobras criadas” da política, sempre rebatendo, ponto por ponto – com conhecimento de causa e argumentação consistente - , as sistemáticas, furiosas e apocalípticas teses dos tucanos e “democratas” (as aspas aqui são obrigatórias), alguns quase vitalícios naquela casa legislativa.
A mídia de oposição , mais do que fazer oposição, quer a derrocada dos programas do governo que acabou de ser eleito. A orquestração é toda nesse sentido e é uma tristeza constatar que jornalistas, maiores ou menores em expressividade, claramente, submetem-se à velha máxima do “manda quem pode e obedece quem precisa (ou quem tem juízo)”, repetindo, monocordiamente, comportamentos quase golpistas inspirados na linha ideológica dos seus patrões e desprezando qualquer compromisso com o futuro do país. A palavra de ordem parece ser no sentido de não dar um segundo de tranquilidade ao governo, não permitir de modo algum que os projetos populares ganhem dimensão, não dar espaço às conquistas do povo e, assim, desconsiderar a recentíssima manifestação popular que colocou Dilma na Presidência da República.
Acho que, pelas virtudes pessoais da nova Ministra, a presença de Gleisi na Casa Civil, articulando as ligações entre os diversos níveis governamentais e tocando os projetos populares que Dilma afirma que não interromperá – o principal deles parece ser a erradicação da miséria entre nós - , pode , no final, acabar por trazer grandes dividendos para o Governo. Pode ser que venha a mostrar, no futuro, que toda a parafernália midiática que derrubou Palocci pré-julgando suas posturas, fez emergir na ambiência política do país mais uma mulher forte, capaz de, de forma republicana, propiciar as soluções reclamadas por vastas camadas do povo brasileiro, retirando-as do permanente processo de exclusão social e conferindo-lhes o status de cidadania que as elites tradicionais sempre temem.
Não por acaso, mas para exemplificar bem, um bom contraponto de ideias de esquerda ou de direita sobre um mesmo tema, é também do Paraná o Senador Álvaro Dias, líder do PSDB (um daqueles que se beneficiou de aposentadoria esdrúxula por ter sido Governador), o qual, em emblemática declaração tucana, chama de preguiçosos os brasileiros contemplados pela bolsa-família, desconsiderando os índices de pobreza em nosso país, em boa hora alterados pelas práticas sociais implementadas no governo Lula e que, esperamos, tenham continuidade agora, contando, inclusive, com a mão firme da nova Ministra.
MEIO AMBIENTE - Uma espada paira sobre nossas florestas.
Greenpeace
ONG Ambientalista
Adital
Um estudo do IPEA divulgado na manhã de hoje desmascara o que os ruralistas tentam esconder a todo custo.
(c) Greenpeace / Rodrigo Baleia
O texto do Código Florestal aprovado na Câmara irá mesmo causar mais desmatamentos e anistiar quem descumpriu a lei, comprometendo nossos recursos naturais e favorecendo principalmente os grandes proprietários de terra.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. O estudo teve como objetivo avaliar os possíveis impactos do PL 1.876/99-C sobre as áreas de Reserva Legal (RL) no Brasil.
"Há tempos denunciamos que os ruralistas fizeram um texto para anistiar o crime ambiental e estimular o desmatamento. O estudo divulgado pelo IPEA confirma e põe números ao que vínhamos dizendo”, afirma Marcio Astrini, coordenador da campanha da Amazônia.
Veja abaixo alguns números apresentados pelo Estudo e suas consequências, caso o texto aprovado entre em vigor:
Aumento do Desmatamento em 47 milhões de hectares
O estudo considerou a hipótese de que a mudança da lei poderá influenciar desmatamentos futuros nas áreas isentas de reserva legal, levando a uma perda total da vegetação dessas áreas que deixarão de ser averbadas e ter assim proteção legal. A perda total de área de reserva legal, relativa aos imóveis de até quatro módulos fiscais, poderá chegar a 47 milhões de hectares. A maior parte dessa área ocorrerá na Amazônia com 24,6 milhões de há (53%).
Anistia = 29,6 milhões de hectares
135,7 milhões de hectares, correspondente à área dos imóveis de até quatro módulos fiscais, deixarão de compor a base de cálculo para recuperação de RL. O passivo total estimado isento de ser recuperado é de 29,6 milhões de hectares, sendo que a maior parte deste passivo ocorreu na Amazônia e é de 18 milhões de ha (61%).
Premiando quem desmatou
"... anistiar os passivos e obrigar, sem nenhum benefício compensatório, a manutenção das RLs daqueles que cumpriram a lei vigente, sinalizaria que há a possibilidade de se beneficiar, no futuro, do descumprimento da legislação fundiária ou ambiental.
(...)
"A alteração do PL 1.876/99 apresenta outra implicação relevante: a anistia de recomposição das áreas de reserva legal pune o proprietário rural que está cumprindo a legislação atual, uma vez que haverá uma tendência de desvalorização do seu imóvel”.
PL dos Ruralistas – De braços dados com o aquecimento global
A pesquisa estimou que a quantidade de carbono que pode deixar de ser retida, caso os passivos de reserva legal hoje existentes nos imóveis de até quatro módulos fiscais sejam anistiados, é de 3.1 bi de tC. O bioma Amazônico seria onde a maior parte do carbono deixaria de ser incorporado à vegetação.
O documento ainda aponta que: ¨Os resultados obtidos neste estudo indicam que a alteração proposta no PL 1876/99 para as áreas de RL impactarão significativamente sobre a área com vegetação natural existente nos biomas brasileiros e sobre os compromissos assumidos pelo Brasil para redução de emissões de carbono.¨
O texto dos ruralistas não interessa á agricultura familiar
O estudo ainda questiona a serventia do texto aprovado á agricultura familiar. Segundo o texto, a lógica de permitir mais desmatamentos para a implementação da agropecuária convencional e de baixo valor por área não seria a melhor solução econômica para pequenos imóveis. Ao contrário, aponta que o uso econômico da floresta seria muito mais rentável á este tipo de agricultor:
"Ao prever a possibilidade de uso econômico das reservas legais, o Código Florestal reconhece a potencialidade dessas áreas para o desenvolvimento econômico sustentável. Em primeiro lugar, são atividades ambientalmente adequadas, uma vez que necessitam que a vegetação seja preservada, o que permite seu uso permanente. Em segundo, sistemas sustentáveis de exploração da floresta são intensivos em mão-de-obra, consistindo, portanto, num potencial gerador de empregos e de desenvolvimento da agricultura familiar. Em terceiro, fornecem mais segurança econômica ao produtor, em virtude da diversificação e da menor incidência de pragas, comuns na monocultura. Em quarto, podem ser altamente rentáveis, podendo apresentar rendimentos por área mais elevados do que a agropecuária convencional para o pequeno produtor.
Os estabelecimentos agropecuários, sobretudo a pequena propriedade familiar, deveriam ser estimulados a conservar e recuperar suas reservas legais de forma a auferir rendimentos mediante o uso sustentável da floresta. Esse incentivo poderia vir por meio de políticas de estímulo ao uso sustentável da reserva legal".
UNB
Nesta segunda feira, pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB apresentaram projeções sobre o aumento do desmatamento para o ano 2020 também levando em consideração o texto dos ruralistas aprovado na Câmara. Resultado: do jeito que está, o texto poderá provocar um desmatamento 47% maior que o previsto para 2020. Já se a legislação atual fosse mantida e o Estado aumentasse a fiscalização, o desmatamento seria 25% menor que o projetado para os próximos 10 anos.
Desde o início dos debates sobre o Código Florestal, a bancada da motosserra sempre lutou para manter cientistas e estudiosos fora deste debate. Agora sabemos o porquê: eles colocam no papel a verdade sobre as reais intenções dos ruralistas.
Fonte: ADITAL.
ONG Ambientalista
Adital
Um estudo do IPEA divulgado na manhã de hoje desmascara o que os ruralistas tentam esconder a todo custo.
(c) Greenpeace / Rodrigo Baleia
O texto do Código Florestal aprovado na Câmara irá mesmo causar mais desmatamentos e anistiar quem descumpriu a lei, comprometendo nossos recursos naturais e favorecendo principalmente os grandes proprietários de terra.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. O estudo teve como objetivo avaliar os possíveis impactos do PL 1.876/99-C sobre as áreas de Reserva Legal (RL) no Brasil.
"Há tempos denunciamos que os ruralistas fizeram um texto para anistiar o crime ambiental e estimular o desmatamento. O estudo divulgado pelo IPEA confirma e põe números ao que vínhamos dizendo”, afirma Marcio Astrini, coordenador da campanha da Amazônia.
Veja abaixo alguns números apresentados pelo Estudo e suas consequências, caso o texto aprovado entre em vigor:
Aumento do Desmatamento em 47 milhões de hectares
O estudo considerou a hipótese de que a mudança da lei poderá influenciar desmatamentos futuros nas áreas isentas de reserva legal, levando a uma perda total da vegetação dessas áreas que deixarão de ser averbadas e ter assim proteção legal. A perda total de área de reserva legal, relativa aos imóveis de até quatro módulos fiscais, poderá chegar a 47 milhões de hectares. A maior parte dessa área ocorrerá na Amazônia com 24,6 milhões de há (53%).
Anistia = 29,6 milhões de hectares
135,7 milhões de hectares, correspondente à área dos imóveis de até quatro módulos fiscais, deixarão de compor a base de cálculo para recuperação de RL. O passivo total estimado isento de ser recuperado é de 29,6 milhões de hectares, sendo que a maior parte deste passivo ocorreu na Amazônia e é de 18 milhões de ha (61%).
Premiando quem desmatou
"... anistiar os passivos e obrigar, sem nenhum benefício compensatório, a manutenção das RLs daqueles que cumpriram a lei vigente, sinalizaria que há a possibilidade de se beneficiar, no futuro, do descumprimento da legislação fundiária ou ambiental.
(...)
"A alteração do PL 1.876/99 apresenta outra implicação relevante: a anistia de recomposição das áreas de reserva legal pune o proprietário rural que está cumprindo a legislação atual, uma vez que haverá uma tendência de desvalorização do seu imóvel”.
PL dos Ruralistas – De braços dados com o aquecimento global
A pesquisa estimou que a quantidade de carbono que pode deixar de ser retida, caso os passivos de reserva legal hoje existentes nos imóveis de até quatro módulos fiscais sejam anistiados, é de 3.1 bi de tC. O bioma Amazônico seria onde a maior parte do carbono deixaria de ser incorporado à vegetação.
O documento ainda aponta que: ¨Os resultados obtidos neste estudo indicam que a alteração proposta no PL 1876/99 para as áreas de RL impactarão significativamente sobre a área com vegetação natural existente nos biomas brasileiros e sobre os compromissos assumidos pelo Brasil para redução de emissões de carbono.¨
O texto dos ruralistas não interessa á agricultura familiar
O estudo ainda questiona a serventia do texto aprovado á agricultura familiar. Segundo o texto, a lógica de permitir mais desmatamentos para a implementação da agropecuária convencional e de baixo valor por área não seria a melhor solução econômica para pequenos imóveis. Ao contrário, aponta que o uso econômico da floresta seria muito mais rentável á este tipo de agricultor:
"Ao prever a possibilidade de uso econômico das reservas legais, o Código Florestal reconhece a potencialidade dessas áreas para o desenvolvimento econômico sustentável. Em primeiro lugar, são atividades ambientalmente adequadas, uma vez que necessitam que a vegetação seja preservada, o que permite seu uso permanente. Em segundo, sistemas sustentáveis de exploração da floresta são intensivos em mão-de-obra, consistindo, portanto, num potencial gerador de empregos e de desenvolvimento da agricultura familiar. Em terceiro, fornecem mais segurança econômica ao produtor, em virtude da diversificação e da menor incidência de pragas, comuns na monocultura. Em quarto, podem ser altamente rentáveis, podendo apresentar rendimentos por área mais elevados do que a agropecuária convencional para o pequeno produtor.
Os estabelecimentos agropecuários, sobretudo a pequena propriedade familiar, deveriam ser estimulados a conservar e recuperar suas reservas legais de forma a auferir rendimentos mediante o uso sustentável da floresta. Esse incentivo poderia vir por meio de políticas de estímulo ao uso sustentável da reserva legal".
UNB
Nesta segunda feira, pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB apresentaram projeções sobre o aumento do desmatamento para o ano 2020 também levando em consideração o texto dos ruralistas aprovado na Câmara. Resultado: do jeito que está, o texto poderá provocar um desmatamento 47% maior que o previsto para 2020. Já se a legislação atual fosse mantida e o Estado aumentasse a fiscalização, o desmatamento seria 25% menor que o projetado para os próximos 10 anos.
Desde o início dos debates sobre o Código Florestal, a bancada da motosserra sempre lutou para manter cientistas e estudiosos fora deste debate. Agora sabemos o porquê: eles colocam no papel a verdade sobre as reais intenções dos ruralistas.
Fonte: ADITAL.
ECONOMIA - A política monetária de uma nota só continua.
Palocci cai, mas ortodoxia do BC continua
Altamiro Borges
Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil
O seleto clube do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central parece que é mais realista do que o rei. Antonio Palocci, o homem de confiança do "deus-mercado”, já dançou, mas mesmo assim o BC se curvou às pressões da oligarquia financeira e voltou a elevar os juros em 0,25%– o quarto aumento consecutivo no governo Dilma Rousseff. Na reunião de ontem, o Copom fixou a Selic em 12,25%, resultando na maior taxa de juro real do planeta.
Queda a inflação e freada na economia
De nada adiantou a queda da inflação nas últimas seis semanas. Segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta dos preços refluiu em velocidade e atingiu em maio o menor nível desde outubro de 2010. A inflação do mês passado, de 0,47%, foi bem menor do que em abril (0,77%), graças à queda do preço da gasolina e do álcool forçada por medidas do governo e à redução dos valores das commodities internacionais.
De nada adiantaram também os dados preocupantes de retração da economia, decorrentes da manutenção do tripé neoliberal de juros altos, superávit primário e libertinagem cambial. A produção da indústria paulista, por exemplo, teve queda de 3,8% no último período – no país inteiro, a retração foi de 2,1% entre março e abril. A expectativa de geração de novos empregos também diminuiu em vários ramos de atividade e os empresários já endurecem nas negociações de aumentos salariais.
A violenta pressão do "deus-mercado”
Apesar da queda da inflação e dos sinais de freada na economia, o seleto clube do Copom preferiu ouvir os banqueiros. Antes da reunião, o tal "mercado”, expressão sacana que esconde a gula rentista dos especuladores, já dava como certo o quarto aumento da Selic. A ditadura financeira fez o próprio presidente do BC, Alexandre Tombini, engolir suas palavras. Em recente audiência no Congresso, ele já havia antecipado que a inflação "cairia bem” em maio, sinalizando que os juros não seriam novamente elevados.
A pressão do deus-mercado, no entanto, foi violenta – sempre com o bumbo barulhento da mídia rentista. A própria demissão do ministro Antonio Palocci foi utilizada como desculpa para justificar um novo aumento dos juros, como prova de que a ortodoxia macroeconômica seria mantida e que reinaria a calma no tal "mercado”. Na consulta que o BC faz semanalmente a cerca de 90 instituições privadas, a maioria delas ligadas ao sistema financeiro, a pressão foi explícita por novo um novo aumento da Selic.
Ortodoxia pode "sangrar” o governo
Com a alta dos juros e as medidas do governo de restrição ao crédito, a tendência é da diminuição do consumo interno – como conseqüência, de retração da produção e queda na expectativa de geração de emprego e renda. Além disso, o aumento dos juros eleva a dívida pública, forçando o Estado a manter ou enrijecer os cortes nos investimentos públicos. Os juros elevados também atraem mais capital especulativo, valorizando artificialmente o real – o que prejudica as exportações e incentiva as importações.
Em síntese, a decisão de ontem do Copom é um completo desastre. Serve unicamente aos interesses dos banqueiros, penalizando a produção, o emprego e a renda. A exemplo da crise política gerada pelo ex-ministro Palocci, ela também "sangra” do governo da presidenta Dilma Rousseff, que durante a campanha eleitoral se comprometeu com a queda dos juros e com o desenvolvimento econômico do país. Sendo que, em caso de retração da economia, o "sangramento" pode ser bem pior.
Altamiro Borges
Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil
O seleto clube do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central parece que é mais realista do que o rei. Antonio Palocci, o homem de confiança do "deus-mercado”, já dançou, mas mesmo assim o BC se curvou às pressões da oligarquia financeira e voltou a elevar os juros em 0,25%– o quarto aumento consecutivo no governo Dilma Rousseff. Na reunião de ontem, o Copom fixou a Selic em 12,25%, resultando na maior taxa de juro real do planeta.
Queda a inflação e freada na economia
De nada adiantou a queda da inflação nas últimas seis semanas. Segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta dos preços refluiu em velocidade e atingiu em maio o menor nível desde outubro de 2010. A inflação do mês passado, de 0,47%, foi bem menor do que em abril (0,77%), graças à queda do preço da gasolina e do álcool forçada por medidas do governo e à redução dos valores das commodities internacionais.
De nada adiantaram também os dados preocupantes de retração da economia, decorrentes da manutenção do tripé neoliberal de juros altos, superávit primário e libertinagem cambial. A produção da indústria paulista, por exemplo, teve queda de 3,8% no último período – no país inteiro, a retração foi de 2,1% entre março e abril. A expectativa de geração de novos empregos também diminuiu em vários ramos de atividade e os empresários já endurecem nas negociações de aumentos salariais.
A violenta pressão do "deus-mercado”
Apesar da queda da inflação e dos sinais de freada na economia, o seleto clube do Copom preferiu ouvir os banqueiros. Antes da reunião, o tal "mercado”, expressão sacana que esconde a gula rentista dos especuladores, já dava como certo o quarto aumento da Selic. A ditadura financeira fez o próprio presidente do BC, Alexandre Tombini, engolir suas palavras. Em recente audiência no Congresso, ele já havia antecipado que a inflação "cairia bem” em maio, sinalizando que os juros não seriam novamente elevados.
A pressão do deus-mercado, no entanto, foi violenta – sempre com o bumbo barulhento da mídia rentista. A própria demissão do ministro Antonio Palocci foi utilizada como desculpa para justificar um novo aumento dos juros, como prova de que a ortodoxia macroeconômica seria mantida e que reinaria a calma no tal "mercado”. Na consulta que o BC faz semanalmente a cerca de 90 instituições privadas, a maioria delas ligadas ao sistema financeiro, a pressão foi explícita por novo um novo aumento da Selic.
Ortodoxia pode "sangrar” o governo
Com a alta dos juros e as medidas do governo de restrição ao crédito, a tendência é da diminuição do consumo interno – como conseqüência, de retração da produção e queda na expectativa de geração de emprego e renda. Além disso, o aumento dos juros eleva a dívida pública, forçando o Estado a manter ou enrijecer os cortes nos investimentos públicos. Os juros elevados também atraem mais capital especulativo, valorizando artificialmente o real – o que prejudica as exportações e incentiva as importações.
Em síntese, a decisão de ontem do Copom é um completo desastre. Serve unicamente aos interesses dos banqueiros, penalizando a produção, o emprego e a renda. A exemplo da crise política gerada pelo ex-ministro Palocci, ela também "sangra” do governo da presidenta Dilma Rousseff, que durante a campanha eleitoral se comprometeu com a queda dos juros e com o desenvolvimento econômico do país. Sendo que, em caso de retração da economia, o "sangramento" pode ser bem pior.
Assinar:
Postagens (Atom)