segunda-feira, 6 de agosto de 2012

MÍDIA - Gilmar Mendes quer botar na cadeia a Wikipédia.

Gilmar Mendes quer botar na cadeia a Wikipédia e os blogues sujos)

O jornalista João Bosco Rabello, de O Estado S. Paulo, informou que “o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), representou à Polícia Federal pedindo a abertura de investigação contra a Wikipédia”. E disse também que ele “fez gestões junto ao conselho editorial da enciclopédia virtual no Brasil para corrigir o que avalia estar distorcido em seu verbete , que considerou ideológico”. E que como não obteve êxito, decidiu ir à justiça porque “a Wikipédia está “aparelhada”’.

Gilmar Mendes: contra a blogosfera e a Wikipédia (Foto: Antonio Cruz/ABr)
A parte do seu verbete que Gilmar Mendes quer proibir é este que segue.

Denúncias veiculadas na Carta Capital

Em matéria de 2012, Carta Capital veiculou diversas denúncias contra Gilmar Mendes.[63] Nela, Mendes é acusado de sonegação fiscal[64], de ter viajado em aviões cedidos pelo ex-senador Demóstenes Torres,[65][66] de intervir em julgamentos em favor de José Serra.[67][68][69], de nepotismo,[70] e testemunho falso ao relatar uma suposta chantagem do ex-presidente Lula para que adiasse o processo do Mensalão para depois das eleições municipais de 2012.[71][72] A revista repercute acusações de certos movimentos sociais[quem?] dele ser o “líder da oposição”, de estar destruindo o judiciário e de servir a interesses de grandes proprietários. Mendes porém volta à afirmar não ser o líder da oposição.[73]
No dia 31 de maio de 2012, o PSOL protocolou uma representação na Procuradoria Geral da República contra o ministro Gilmar Mendes questionando a conduta do magistrado em relação às denúncias de que teria sofrido pressão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para adiar o julgamento do mensalão.[74] A representação se encontra em curso.
Em setembro de 2010, a reportagem da Folha de S. Paulo presenciou uma ligação de José Serra para Gilmar Mendes.[67] Segundo o jornal, José Serra teria ligado para Gilmar Mendes para pedir o adiamento de uma votação sobre a obrigatoriedade de dois documentos para votar (julgamento de ADI pedida pelo PT).[67] Gilmar Mendes foi acusado de nepotismo por[quem?]. Em março de 2012, a Folha de S. Paulo revelou que a enteada do ministro Gilmar Mendes é assessora do senador Demóstenes Torres. Segundo a Folha, especialistas afirmaram que o caso poderia ser discutido no âmbito da regra antinepotismo porque súmula do STF impede a nomeação para cargos de confiança de parentes de autoridades dentro da “mesma pessoa jurídica”.[75]
Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, o parlamentar afirma a Cachoeira ter obtido favores junto ao ministro Gilmar Mendes para levar ao STF uma ação envolvendo a Companhia Energética de Goiás (Celg).[76] Considerada a “caixa preta” do governo de Minas, a Celg estava imersa em dívidas que somavam cerca de R$ 6 bilhões.[76] Segundo reportagem do Estadão, Demóstenes disse a Cachoeira que Gilmar Mendes conseguiria abater cerca de metade do valor com uma decisão judicial, tendo “trabalhado ao lado do ministro para consegui-lo”.[77] O ministro Gilmar Mendes também foi acusado por Carta Maior – O portal da esquerda de ter relações com o contraventor Carlinhos Cachoeira e seu amigo Demóstenes Torres. O ministro porém negou ter viajado em avião de Cachoeira e apresentou documentos que, segundo ele mesmo, desmentem tais acusações.[78]
O ministro foi acusado em abril de 2011 pelo seu ex-sócio e ex-procurador-geral da República Inocêncio Mártires Coelho por desfalque e sonegação fiscal. Mendes recebeu, a seu favor, um parecer assinado pelo advogado-Geral da União, Luís Inácio Adams, o qual valida o despejo de Mártires Coelho do cargo de gestor do IDP. O denunciante deu o processo por encerrado em troca da quantia de R$ 8 milhões.[79]
Paulo Lacerda, ex-diretor da Policia Federal e da Abin, envolvido no escândalo dos grampos da Operação Satiagraha, foi acusado por Gilmar Mendes de estar “assessorando” o ex-presidente Lula. Lacerda acusou, em retorno, Mendes de mentir e dizer leviandades.[80] A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifestou solidariedade a Paulo Lacerda.[81]

Como a wikipédia não perde tempo, o perfil de Gilmar Mendes já foi atualizado. Vejam só que interessante.

Pedido de investigação da Wikipédia no Brasil
Em 2012 o Estado de São Paulo veiculou a informação de que Gilmar Mendes representou à Polícia Federal para “abertura de investigação contra a Wikipédia” no Brasil, por considerar que o verbete estaria “distorcido”. Segundo o Ministro “o verbete deve ser estritamente informativo sobre o biografado, sem absorver avaliações de terceiros ou denúncias jornalísticas”. [82]
Contra os blogues sujos
Segundo Rabello, “paralelamente, Gilmar prepara uma representação ao Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, pedindo investigação do uso de recursos públicos para financiamento de blogs de conteúdo crítico ao governo e instituições do Estado”. O blogueiro de o Estado ainda informa que Gilmar “quer saber quanto as empresas estatais destinam de seus orçamentos para esse tipo de publicidade”.
Para dar cunho republicano à perseguição, Gilmar argumenta que não se pode confundir a liberdade constitucional de expressão com o emprego de dinheiro público para financiar o ataque às instituições e seus representantes.
Mas o que a Veja faz é o quê? Ela não persegue instituições e seus representantes? Ela não tem informantes no crime organizado? Por que Gilmar Mendes não representou contra a Veja?
Blog do Rovai

MÍDIA - NYT e a Dilma.


Recordando Henfil: deu no NYT, então é verdade
   
Na batalha, agora, o mais urgente é a revogação da Lei da Anistia...
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Dilma Rousseff
Bem criteriosa a análise feita pelo New York Times em matéria neste sábado, sobre o comportamento discreto seguido pela presidenta Dilma Rousseff a respeito das várias sessões de tortura que sofreu em Juiz de fora, Rio e São Paulo durante a ditadura. O jornal analisa, também, como os brasileiros a acompanham nessa sua discrição e aos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade nestes dois meses de seu funcionamento.

A matéria do jornalão de Tio Sam expressa bem como demoramos a enfrentar essa questão da tortura e dos crimes da ditadura. Enfrentamos num ritmo muito mais lento do que o dos demais países do continente que também viveram sob regimes de força nas décadas de 70 e 80. A nossa Comissão da Verdade está em funcionamento. Um tanto quanto em marcha lenta. Vamos ver.

Como destaca o NYT, o funcionamento da Comissão da Verdade avivou, repôs na ordem do dia, detalhes das sessões de tortura. Tanto as sofridas pela presidenta da República, quanto as enfrentadas pelas demais vítimas.

Nada de sessões secretas da comissão


Realmente, e muito em função da cobertura e das investigações da imprensa, com a Comissão trabalhando ampliaram-se muito as informações sobre os abusos do regime militar. Daí que sessões secretas da Comissão Nacional da Verdade, por favor, nem pensar!
O NYT registra que a presidenta Dilma, na extrema cautela adotada ao falar - ou melhor, quase não falar - sobre aqueles seus anos de prisão e horrores, usou uma única e mais contundente frase sobre seus sentimentos em relação aos torturadores: "Nem ódio, tampouco perdão".

O jornal lembra que as investigações já levantaram muitos detalhes sobre as diversas vítimas e seus algozes, inclusive os nomes dos torturadores da presidenta Dilma, dentre os quais o oficial hoje da reserva Maurício Lopes Lima.

Maurício foi um dos primeiros alvos de um "esculacho", promovido pelo Movimento Levante Jovem Popular, aqueles protestos que com pichações e buzinaços em frente às suas residências, empresas ou locais de trabalho que tiram do anonimato os antigos militares torturadores e/ou assassinos.

NYT refaz a ação política de Dilma Rousseff na ditadura

O jornalão novaiorquino historia a atuação política da presidenta na resistência à ditadura nos anos 70. E lembra que desde que foi eleita (outubro de 2010) ela se recusa a posar de vítima. Foi à luta mais uma vez, agora trabalhando para aprovar a Comissão da Verdade, instrumento que encontrou para aumentar a transparência em relação aos anos da ditadura no Brasil.

O interesse dos brasileiros pela tortura infringida à sua presidenta e o acompanhamento dos trabalhos da Comissão, assinala o NYT, registram-se mesmo em meio à delicada relação que o nosso país tem com seu recente passado autoritário. É provocado também, diz o jornal, pela grande popularidade da presidenta, que mesmo com a desaceleração da economia, tem 77% de aprovação e apoio populares.

Detalhes das sessões de tortura infringidas à presidenta só vieram a público em junho passado, e não por revelações dela, mas pelo levantamento de seus depoimentos à Justiça Miltiar à época em que foi presa. Só através deles se soube que ela foi torturada também em Juiz de Fora, além de no Rio e em São Paulo - como já se sabia -, e de como era a tortura: sessões de palmatória, pau de arara e espancamentos.

Rever a Lei da Anistia já!

Ao final, o NYT compara a trajetória da presidenta brasileira à da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, e a do presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, também ex-militantes de esquerda que combateram regimes totalitários em seus países na década de 70 (o pai de Bachelet, um brigadeiro, foi assassinado em 1973 por dois coronéis na ditadura, presos há duas semanas).

Até prendermos criminosos que agiram na ditadura nós ainda temos um longo caminho a percorrer, com muitos entraves a serem transpostos. O principal deles - e mais urgente - é a revisão da Lei da Anistia recíproca, que beneficiou igualmente torturadores e assassinos e suas vítimas. Nós chegaremos lá. Inevitável. Virá pelo Congresso Nacional, por um plebistcito ou por uma consulta popular.

(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

POLÍTICA - Ex-marido da Dilma quer voltar à política.

Ex-marido de Dilma critica PT e quer voltar para política pelo PDT

Doze anos após abandonar a política por causa de uma decepção com líderes do PDT no Rio Grande do Sul, um dos deputados mais votados na década de 1980 pretende retornar ao partido que ajudou a fundar. Ex-marido de Dilma Rousseff, o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo é considerado o maior confidente da presidente da República, a quem ele classifica como uma grande amiga. De prosa simples e com muitas histórias para contar, Carlos Araújo recebeu o Terra em sua casa, na zona sul de Porto Alegre, onde confirmou o desejo de retornar à política.
A entrevista é de Angela Chagas e publicada pelo Portal Terra, 31-07-2012.

"Quero me filiar de novo porque tenho muita vontade de fazer política, mas como eu vou fazer é o que eu ainda não sei", disse Araújo. Apesar de não ter planos de disputar um cargo público novamente, o advogado quer ajudar a reerguer o trabalhismo que, segundo ele, perdeu suas raízes nos últimos anos. "O PDT está descaracterizado, mas eu acho que logo vão surgir novas lideranças", afirmou ao criticar o atual presidente da sigla, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi.

Na casa na beira do Guaíba, Carlos Araújo divide as tarefas da advocacia com as leituras sobre Getúlio Vargas. Orgulhoso do trabalho de Dilma, ele relatou a luta do casal que se conheceu nas reuniões dos grupos de esquerda e que passou a dividir os sonhos de liberdade e os dramas da tortura e da repressão. Sobre a instalação da Comissão da Verdade para elucidar os crimes cometidos na ditadura, Araújo disse que espera que a sociedade cubra a devida punição aos envolvidos. "Eu acho que não cometi crime nenhum durante a ditadura e mesmo assim fui condenado, agora por que esses caras que fizeram horrores, que mataram, torturaram, não podem ser condenados também?", questionou.

Em uma conversa de quase duas horas, o ex-deputado ainda falou sobre o julgamento do mensalão, que começa nesta quinta-feira, dia 2. "Eu acho tudo isso uma barbaridade, um absurdo. Não tem provas contra ninguém. É um julgamento político incentivado por uma mídia que nós sabemos bem como é", disse, mesmo sem deixar de criticar o partido de Dilma. "Eu sempre tive uma visão muito crítica do PT. Uma coisa é a liderança do Lula, que é incontestável, mas o PT hoje é muito mais uma força eleitoral do que uma força política. Não diria que é uma falsa esquerda, mas as divergências dentro do partido são tão grandes que está virando de tudo um pouco. Eu digo até que virou um PMDB de esquerda, infelizmente".

Eis a entrevista.
Por que após a ditadura o senhor resolveu se filiar ao PDT de Leonel Brizola. O PT não seria o caminho mais natural?
O que eu aprendi depois de estudar muito, principalmente na cadeia, foi que todos os movimentos sociais e revolucionários fortes se constroem em cima de um grande líder. No Brasil foi assim com Getúlio Vargas e Jango. Quando surgiu o Lula, com as greves no ABC Paulista, eu logo procurei ele, sempre achando que deveríamos seguir esse veio da história, do trabalhismo. Mas o PT surgiu com muita pretensão, dizendo que a história começava dali para frente. E eu achei que não era bem assim. Eu não tinha nenhum vínculo com o trabalhismo, mas via que todas as sociedades que haviam prosperado tinham respeitado suas forças sociais, sua história. Por isso fui para o trabalhismo, me aliei ao Brizola porque achava que ele respeitava isso, e ainda tinha forte liderança, poderia levar essa luta adiante.
O senhor tentou levar o Lula para o partido do Brizola?
Sim. Eu e a Dilma fomos para Lisboa para uma reunião com o Brizola, na época ainda antes de se formar os partidos. Eu fiz uma parada em São Paulo para tentar convencer o Lula a ir junto conversar com o Brizola. Mas ele disse que não iria.
O senhor acha que o PT é uma falsa esquerda?
Eu sempre tive uma visão muito crítica do PT. Uma coisa é a liderança do Lula, que é incontestável, mas o PT hoje é muito mais uma força eleitoral do que uma força política. Não diria que é uma falsa esquerda, mas as divergências dentro do partido são tão grandes que está virando de tudo um pouco. Eu digo até que virou um PMDB de esquerda, infelizmente. Claro que a gente tem que respeitar, primeiro porque é uma grande força eleitoral, segundo porque lá dentro tem quadros de melhor qualidade. Mas eu acredito que o trabalhismo ainda vai desempenhar um papel forte no futuro.

Como o senhor avalia o PDT hoje, sob o comando do ex-ministro Carlos Lupi?
É um pavor. Eu acho que o PDT está descaracterizado, sem liderança depois da morte do Brizola, mas logo devem surgir novos líderes que vão recuperar isso.

Poderia citar quem teria condições de ser um líder no PDT?
Eu acho que vão surgindo lideranças, não posso chegar e dizer vai ser essa, vai ser aquela. Aqui em Porto Alegre, por exemplo, o PDT tem quase mil jovens, é emocionante ver essa gurizada querendo fazer política. E tem os próprios netos do Brizola, que vão acabar desempenhando um papel importante. Um é vereador no Rio de Janeiro, um é ministro e a Juliana é deputada no Rio Grande do Sul. Mas acho que vai ser bom para o País se o PDT retomar a sua tradição, as raízes trabalhistas.

O senhor teve alguma decepção com o Brizola?
Não, é preciso entender o Brizola. Ele foi um governador tão bom no Rio de Janeiro que foi reeleito. Acho que cometeu alguns erros, alguns equívocos, mas muito por causa dessa disputa com o PT. O que aconteceu é que surgiram duas grandes forças na esquerda, e isso dividiu o movimento. O PDT com o tempo foi perdendo espaço para o PT e não soube superar isso. Faço uma observação, não é crítica, de que quando o Brizola foi para a Europa e se aliou à socialdemocracia, principalmente à alemã, acho que isso fez mal para ele, porque o Brizola perdeu suas características próprias, que o tornavam uma figura rara, e adquiriu essa nova postura. Isso o levou a uma certa hibridez. Mas isso não desmerece o Brizola, ele foi um grande líder, tivemos algumas desavenças, mas ele foi muito importante.

O Brizola foi contra a sua candidatura à prefeitura de Porto Alegre em 1988?
Sim, no primeiro momento ele foi contra. O Brizola queria uma candidatura mais conservadora, achava que Porto Alegre não era uma cidade preparada para ter uma pessoa de esquerda no comando, preferia que fosse o Carrion, e eu concordei. Mas ele acabou mudando e ideia porque viu a manifestação do partido ao meu favor, viu que não tinha como impor uma candidatura.

A sua derrota para o petista Olívio Dutra nessa eleição foi culpa do seu companheiro de partido Alceu Collares?
Sim, o Collares era prefeito de Porto Alegre. Eu estava em primeiro lugar nas pesquisas e uma semana antes da eleição estourou uma greve dos lixeiros. A cidade ficou imunda até o dia da eleição e não houve empenho nenhum do prefeito, que era do meu partido, em terminar a greve. Então fui derrotado.

O senhor saiu do PDT por causa disso?
Eu saí mais tarde, quando o Collares foi candidato a prefeito em 2000. Eu não queria votar nele, por tudo que aconteceu, mas não podia desrespeitar a orientação do meu partido. Então para evitar isso eu saí do PDT.
O senhor então apoiou o candidato do PT?
Sim, apoiei o Tarso Genro.

A Dilma já havia deixado o PDT e se filiado ao PT. Por que o senhor optou por ficar sem partido?
Eu não quis me filiar mais a nenhuma partido, primeiro porque estava doente, tive enfisema pulmonar e fiquei com muita dificuldade de fazer trabalho político. Segundo porque eu já tinha uma visão política crítica do PT, de que o caminho brasileiro passa pelo trabalhismo. Quanto mais eu conheço Getúlio Vargas, Jango e Brizola, mais me convenço disso. Getúlio Vargas é o político que mais se escreveu sobre a sua trajetória, mas para mim é o político mais desconhecido, porque quem escreveu sobre ele ou fazia parte de uma esquerda que inventou teses absurdas sobre ele, cheia de preconceito, ou fazia parte de uma direita que o odiava.

Como o senhor avalia a democracia no Brasil hoje?
Acho que a democracia avançou muito no seu aspecto político, da liberdade de se criar partidos, a liberdade nas eleições, não há discriminação contra ninguém. Também vejo que há uma liberdade social, à medida que as camadas populares estão adquirindo mais conhecimento, estão começando a compreender mais as coisas. E há um avanço também na democracia econômica, superando aquela ideia de esperar o bolo crescer para dividir, mas dividindo enquanto vai crescendo. As pessoas têm um salário real bem melhor do que tinham antigamente.
O PT foi fundamental para se alcançar esses avanços?
Sim, principalmente por causa da grande força eleitoral do partido, e também pela expressão política de suas lideranças.

O senhor tem interesse em se filiar novamente a algum partido, fazer política de novo?
Sim, quero me filiar de novo porque tenho muita vontade de fazer política. Como eu vou fazer é o que eu ainda não sei.

Qual partido o senhor pretende se filiar?
Ao PDT.

O senhor tem alguma influência no governo da presidente Dilma?
Não, eu não dou nenhum palpite, não tenho nenhuma influência no governo dela. Somos grandes amigos, nada mais. Ela dirige esse País com as ideias dela.
Foi uma surpresa para o senhor a eleição da Dilma?
Foi uma surpresa para mim, para ela também quando foi decidido que ela seria candidata. Mas eu sabia que ela faria um grande governo, porque ela estava muito preparada. Me sinto muito orgulhoso porque as grandes ações estão começando a acontecer.

Como o senhor conheceu a presidente Dilma?
Conheci a Dilma na primeira reunião dos grupos de esquerda, ela fazia parte da Colina (Comando de Libertação Nacional) de Minas Gerais. Foi no Rio de Janeiro, em janeiro de 1969. Marcamos uma segunda reunião dos grupos um mês depois. Chegamos lá e houve um envolvimento muito grande entre nós dois. Fomos morar juntos logo em seguida, sentimos essa atração forte e juntamos os trapos.
Como era a atuação do senhor e da Dilma no movimento contra a ditadura?
Nós fazíamos o trabalho urbano, de organização. Tinha um setor militar que fazia as ações armadas, e nós ficávamos com o trabalho de massa, de organização do movimento.

Como foi a participação de vocês no assalto ao cofre do governador paulista Adhemar de Barros?
Não tivemos participação física no assalto. A participação minha e da Dilma foi na decisão de fazer a operação. Somos responsáveis, tanto quanto qualquer outro companheiro da direção do movimento, que eram nós e mais três, pela decisão de fazer o assalto. Avaliamos toda a operação, se era viável, mas não participamos do assalto em si porque não era atribuição do nosso setor.

Como vocês conseguiram trocar o dinheiro do assalto?
Na época era muito dinheiro, quase US$ 2,5 milhões. A gente precisava desse dinheiro, tinha muita gente de outros Estados que foi para o Rio de Janeiro, porque lá era mais fácil para alugar um apartamento, ninguém pedia documento, não queriam saber quem você era. Mas era muita gente, estávamos precisando fazer uma ação em banco por dia praticamente para manter a estrutura do movimento. Por isso que decidimos fazer um assalto grande para não precisar mais das ações nos bancos. Um milhão de dólares nós levamos para a embaixada da Argélia, que ficou responsável por mandar para os companheiros que estavam passando por dificuldades, até passando fome lá fora. A outra parte a gente dividiu por setores e Estados também. Foi até engraçado, porque tínhamos uma mala de dólares, mas não tínhamos dinheiro para fazer nada, nós precisávamos trocar. Foi então que decidimos pegar duas companheiras, que sabiam inglês, e elas foram numa casa de câmbio atrás do Copacabana Palace. Colocaram as melhores roupas que tinham, eram mulheres muito bonitas, e conseguiram trocar um pouco do dinheiro. Outro dia conseguimos trocar um pouco mais. Mas também tínhamos que tomar cuidado, porque já tinha saído no jornal. Foi então que, 72 horas depois do assalto, o Bradesco veio nos procurar porque queria trocar todo o dinheiro, com câmbio superior ao oficial. Resolvemos nos encontrar com eles e trocamos o restante do dinheiro.

Uma das jovens que trocou o dinheiro do assalto era a Dilma?
Sim, era a Dilma. A outra era a Dodô, a Maria Auxiliadora, uma médica que depois acabou se matando na Alemanha. Eram mulheres muito bonitas, fizeram o papel delas sem problema nenhum.
Como o senhor reagiu com a prisão da Dilma?
Como não saiu a fusão com a VPR (organização comandada por Carlos Lamarca), o nosso grupo (VAR-PALMARES) precisava de uma força em São Paulo e coube a ela organizar tudo lá. Ficamos separados por um tempo, eu continuei no Rio. Ela foi presa lá, um ano depois de termos nos conhecido. Foi um choque terrível porque eu ficava imaginando o sofrimento que ela estava passando na cadeia.
Pouco tempo depois o senhor foi preso. O senhor passou por muitas sessões de tortura?
A tortura é a coisa mais terrível que pode acontecer no mundo, você fica a mercê, podem fazer o que quiserem contigo. Me colocaram no pau-de-arara, ficaram dando paulada, choque elétrico. Colocaram fios nas extremidades do corpo para o choque fosse maior, nos órgãos genitais, na língua, nos dedos. Depois eles ligavam a televisão, quando trocavam de canal dava o choque horrível. A pessoa fica vulnerável, ninguém sob tortura quer continuar vivendo, quer morrer logo. Entre a dor continuada e a morte, toda pessoa prefere a morte.

O senhor pensou em se suicidar?
Naquela época, nenhum de nós estava preparado para ser torturado, na verdade ninguém nunca está preparado para isso. Mas naquela época todos nós achávamos que éramos fortes, que iríamos aguentar. Mas chega lá e não era nada disso. Então ficávamos apavorados. No fim do primeiro dia de tortura eu vi que não iria aguentar mais e decidi que a coisa mais digna a faze era me matar. Menti para eles ao contar que tinha um encontro marcado com o Lamarca no outro dia. Escolhi um lugar fácil de se matar, numa rua por onde passavam muitos caminhões, jamantas, era só jogar o corpo para frente e morrer. Pensei primeiro em me jogar em baixo de um DKV, mas aí veio o instinto de sobrevivência e pensei que era um carro muito pesado. Pensei em me jogar em baixo de um fusca, mas era muito baixo. Então me atirei em uma Kombi, que era mais altinha. Eles me levaram para o hospital e eu me livrei da tortura.

Tentaram lhe torturar no hospital?
Sim, no Hospital Militar, mas as freiras não deixaram. Elas fizeram um banzé lá dentro e me salvaram. Aí eu consegui o tempo que queria. Quando voltei para a prisão, eu não tinha mais nada para falar porque a aquela altura tudo já tinha se modificado, minhas informações não eram mais importantes para eles. Eu até fui torturado mais algumas vezes, mas pouco.

O senhor lembra quem foram os torturadores?
Eu não guardei os nomes deles. Às vezes eu vejo na imprensa a fotografa de um, de outro, aí me lembro. Mas o principal torturador da época, esse eu me lembro, era o capitão Albernaz.

Ele torturou a Dilma também?
Sim, na época era o maior torturador. Fiquei sabendo que ele morreu louco.

O senhor sente ódio dessas pessoas?
Não, eu não posso pessoalizar. Se não fosse o Pedro, era o João. Tem várias coisas que estão por trás disso, para torturar a pessoa, ou tem um problema mental ou tem que estar drogado. Eles se drogavam violentamente lá dentro.
O senhor viu os torturadores se drogando?
Sim, eles se drogavam na nossa frente. Usavam cocaína e injetavam na veia também, essas drogas que alucinam. Então eu não tenho como ter um sentimento por essas pessoas, nem mesmo ódio. O que eu condeno é o sistema, que precisou usar desses métodos para permanecer no poder.
Hoje, com a instalação da Comissão da Verdade, o senhor gostaria que essas pessoas fossem punidas?
Eu fui julgado, fui condenado, e os meus companheiros da esquerda também. Agora por que os torturadores não podem ser julgados? Todos devem ser julgados. Eu acho que não cometi crime nenhum durante a ditadura e mesmo assim fui condenado, agora por que aqueles caras que fizeram horrores, que mataram, torturaram, não podem ser condenados?

A esquerda armada deveria ser julgada também?
A esquerda já foi julgada. É muito raro encontrar um cara que não tenha sido julgado, condenado, muito pegaram cadeia grande.
A comissão deveria resultar na revisão da Lei da Anistia?
Ela não tem competência para isso. Eu particularmente acho que mais cedo ou mais tarde a Lei da Anistia vai ser revisada, hoje tem uma jurisprudência internacional que diz que tortura e sequestro não prescrevem nunca, então isso não está prescrito e precisa ser revisto. Mas o processo histórico vai dizer, para mim o fundamental é que tudo venha à tona, pois a sociedade vai reagir e vai cobrar essa punição. O Supremo Tribunal Federal entendeu que estão todos anistiados, que os crimes foram prescritos, então a sociedade precisou procurar alternativas diante disso, principalmente os familiares dos mortos. O que começou a ser feito: ir às casas dos torturadores, denunciar quem torturou. São coisas que não precisavam ser feitas se o Supremo tivesse mandado todo mundo a julgamento. Por causa dessa decisão equivocada, a sociedade precisa tomar as suas medidas. O ideal é que as coisas fossem feitas pelo próprio Estado.

A presidente Dilma foi corajosa ao instalar a comissão?
Eu acho que ela foi muito corajosa sim, porque um povo que não conhece a sua história não pode planejar o futuro. Não podemos temer a nossa história, e sim conhecer tudo como realmente aconteceu para termos uma prática presente e planejar o futuro. Esse trabalho de colocar tudo em pratos limpos é fundamental.

Sobre o início do julgamento do mensalão na próxima semana, qual a sua expectativa?
Eu acho tudo isso uma barbaridade, um absurdo. Não tem uma prova contra ninguém. É um julgamento político incentivado por uma mídia que nós sabemos como é, enquanto tem outro mensalão, do PSDB, que eles não falam, estão deixando prescrever. Todo mundo sabe que no Brasil existe uma legislação absurda, que permite a coligação política dos partidos, mas não autoriza a coligação econômica entre eles. Isso todos os partidos tem, o chamado caixa dois, agora não tem nenhuma prova de que tenha dinheiro público, dinheiro do governo envolvido. É uma vergonha.

PETRÓLEO - Fim do monopólio da PEMEX.

FIM DO MONOPÓLIO DA PEMEX
A gigante petrolífera Pemex afirmou na última sexta-feira (20), em entrevista à “Dow Jones Newswires” e ao “Wall Street Journal” que gostaria de uma abertura por parte do governo do México para a entrada de parceiros da iniciativa privada. Porém, segundo a empresa, a reforma não é necessária para que seu crescimento continue.
Fechar acordos com grandes estrangeiras como a Exxon Mobil e a Chevron “seria ótimo” para permitir que a estatal comece a perfurar mais poços e avance mais rapidamente em seus projetos, de acordo com Juan José Suárez Coppel, diretor-geral do grupo. “Mas ainda há muito o que podemos fazer”, disse.
O executivo apresenta a demanda da Pemex semanas após a eleição presidencial em seu país. Durante a campanha, o vencedor do pleito, Enrique Peña Nieto, declarou apoio ao fim do monopólio de exploração e produção de petróleo da empresa. Mas esta mudança precisa de uma alteração na constituição mexicana.
Suárez Coppel pediu, durante a entrevista, melhoras na governança corporativa da estatal. Ele gostaria que a nova administração apontasse um presidente-executivo para o grupo, bem como estabelecesse um quadro de diretores para deixar a companhia funcionar livre de interferências políticas.
“Temos muitos cozinheiros nesta nossa cozinha”, opinou. “É bem difícil ter uma empresa ágil e focada com um cenário como este”, completou o executivo. Mesmo assim, o diretor negou que a Pemex seja uma companhia em crise, como analistas vêm acusando. Ele aponta o sucesso da exploração em águas profundas como evidência do contrário.
No ano passado, a estatal mexicana produziu 2,55 milhões de barris por dia de óleo equivalente (BOE), bem abaixo do nível observado em 2004, que havia sido de 3,4 milhões de BOE, de acordo com Suárez Coppel.

Fonte: Dow Jones Newswires

ANOS DE CHUMBO - Número de desaparecidos pode chegar a 600.

Número de mortos e desaparecidos na ditadura pode ser o triplo.
   
ImageNo momento em que a consciência dos brasileiros se volta para os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade - iniciados há pouco mais de dois meses - e para a necessária e sempre presente luta pela revisão da Lei da Anistia recíproca, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República anuncia que realiza um estudo que poderá triplicar o número de mortos e desaparecidos vitimados pela ditadura.

O senso comum costuma contabilizar entre 350 e 400 mortos e desaparecidos vítimas diretas do regime de exceção no Brasil (1964-1985). A Secretaria de Direitos Humanos lista 357. Há quem fale em bem mais de 400. Os familiares dos assassinados falam em 426.

O levantamento em elaboração pelo Minstério dos Direitos Humanos (a Secretaria Especial da Presidência da República) acredita que há mais 600 vítimas fatais do regime de exceção a serem incluídos nessas listas que arrolam centenas, cuja morte ou desaparecimento têm relação direta ou indireta com a repressão da ditadura.

Aqui houve ditadura, não "ditabranda"


O novo estudo, confirmado a este blog por seus autores na Secretaria Especial da Presidência da República - mas ainda não endossado oficialmente pelo governo - inclui camponeses, sindicalistas, líderes rurais e religiosos, padres, advogados, ambientalistas e outros perseguidos "mortos nos grotões do país" como diz a Folha de S.Paulo entre 1961 e 1988. A maioria teria ocorrido na região amazônica, de 1964 a 1985.

Assim, quando concluído o trabalho e confirmadas as previsões de seus autores, o país poderá constatar ser muito maior - pelo menos o triplo - o número de pessoas assassinadas ou mortas indiretamente por efeito da repressão da ditadura.

E se confirmará, então, o que muitos suspeitam: o contingente de vítimas do regime de força comandado pelo militares é bem maior e coloca por terra o argumento dos que afirmam que aqui o sistema ditatorial foi mais brando.

Como sustentou, por exemplo, em dado momento o jornal Folha de S.Paulo, que chegou a dizer que nem se poderia chamar o regime miltiar no Brasil de ditadura, porque aqui teria sido uma "ditabranda", mais suave do que os regimes militares que vigoraram entre os anos 60 e 90 em um grande número de países do nosso continente.

BANCOS - Cadê a agência reguladora?

Agências nacionais cumprem seu papel. Falta uma para os bancos.
   
Quem acompanha a ação das agências reguladoras nacionais (e o Brasil todo a tem acompanhado) percebe que elas, principalmente nos últimos tempos quando se destacaram por punições aplicadas em suas áreas, estão na verdade cumprindo fielmente seu papel de defesa do consumidor e da economia popular.

Este é o principal ponto que se sobressai agora na ação de agências nacionais como as de Telecomunicações (ANATEL), que puniu três operadoras de telefonia móvel; de Aviação Civil (ANAC), agindo com rigor em relação às companhias aéreas; de Saúde (ANS), que proibiu 268 convênios médico-hospitalares de comercializarem novos planos; de Vigilância Sanitária (ANVISA), em relação a medicamentos; e, ainda, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), atuante quanto às fusões de empresas para impedir a formação de cartéis.

Precisávamos de uma agência assim, também tão atuante, para a área dos bancos, onde os juros e spreads são escorchantes - ainda entre os mais altos do mundo - o atendimento ao público é péssimo (abaixo do crítico), e não há concorrência. O setor está monopolizado em mãos de dois ou três grandes grupos nacionais e estrangeiros. Mas, aí temos o Banco Central (BC), não é?

Na prática devolvemos às agências seu verdadeiro papel


Vê-se agora que a maioria dessas agências nacionais está apenas cumprindo seu papel sob estrita e vigilante determinação do governo, numa ação em que este não abre mão de definir as políticas públicas para os diversos setores da vida nacional e sem que as agências deixem de cumprir o seu, de fiscalizar e punir quando for o caso.

Assim, além da defesa do consumidor, as medidas recentemente adotadas pelas agências e pelo governo derrubam por terra todos os argumentos da oposição, dos tucanos em particular - em cujos governos muitas delas foram criadas. Também de certa mídia sobre a ação e o papel dessas agências nos três governos federais do PT.

Na prática, devolvemos a estes órgãos nacionais reguladores seu verdadeiro papel e só não fazemos mais porque a oposição, com apoio dessa mesma mídia, impede a aprovação no Congresso Nacional da nova lei das agências reguladoras.

Avançamos onde foi possível e no que pudemos


O que pudemos fazer, onde foi possível avançar nessa matéria, nós o fizemos. Ninguém pode esquecer que foi no governo Lula (2003-2010) que aprovamos a regulação da TV por assinatura e demos um novo papel à Agência Nacional de Cinema (ANCINE).

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Paulo Bernardo
Por isso o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, tem a devida autoridade e anuncia com muita tranquilidade que a ANATEL fará um “pente fino” nos planos entregues pelas operadoras de telefonia móvel, antes de decidir sobre a suspensão das punições aplicadas a três delas, às empresas Claro, Tim e OI proibindo-as de vender celulares.

“A ANATEL vai olhar os planos de investimento e está exigindo medidas concretas. Com isso, achamos (que o serviço) vai ficar satisfatório”, assinala o ministro ao tranquilizar os consumidores quanto à estratégia adotada por algumas operadoras de antecipar investimentos ao invés de elevar o montante destes.

“As empresas têm investimentos plurianuais. Elas podem antecipá-los", reconhece o ministro, acentuando que além de fiscalizá-las sob esse aspecto, a ANATEL vai avaliar as propostas de gestão dos serviços apresentadas e a relação das empresas com seus clientes.

(Foto: Elza Fiúza/ABr)

ELEIÇÕES - Os policiais truculentos paulistas são candidatos.

Adivinha por que partidos.
Abre-se agora o jogo dos que deram espaço à extrema direita militar
Publicado em 02-Ago-2012
Policiais saem candidatos a vereador com apoio de Kassab e PSDB...ImageConforme coloquei e adverti várias vezes aqui no blog, não era de graça que o prefeito paulistano Gilberto Kassab (ex-DEM-PSDB, agora PSD) - principal aliado de José Serra na disputa eleitoral deste ano - e os tucanos alavancavam carreiras políticas de praças e oficiais da PM paulista. O prefeito, inclusive, nomeando coronéis da reserva da PM para praticamente todas as subprefeituras da capital.

Agora essa movimentação revela a que veio. Encerradas as convenções, fechadas as chapas de candidatos à Câmara Municipal, dois coronéis, um ex-comandante da Polícia Militar, Álvaro Camilo, outro Paulo Telhada, ex-chefe da ROTA - Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, saíram candidatos a vereador pelo PSD (de Kassab) e pelo PSDB (de José Serra) respectivamente.

A ROTA, nem preciso lembrar, é considerada uma das polícias mais truculentas do país e agora está no centro da crise da insegurança, da chamada "escalada da violência" reconhecida pelo próprio governo estadual em São Paulo.

Truculência marca ações dos policiais candidatos


A Camilo e a Telhada, se juntam mais dois policiais como candidatos a vereador, o ex-sargento PM Abou Anni (PV) e o delegado licenciado da Polícia Civil, Celso Jatene (PTB). Camilo, um dos militares que mais acumularam poder junto a Kassab, indicou ou é o principal avalista da indicação de todos os coronéis que ocupam 30 das 31 subprefeituras de São Paulo nomeados pelo prefeito.

O coronel Camilo esteve à frente de duas das principais - e de mais triste memória - operações policiais realizadas mais recentemente em São Paulo: a ocupação militar da reitoria da USP e a desastrada reintegração de posse de um terreno no bairro do Pinheirinho em São José dos Campos (SP), deixando feridos e milhares de pessoas desabrigadas.

Lembram o modelo espalhafatoso e de violência de Erasmo Dias

Telhada, também, graças à passagem pelo comando da ROTA tem um histórico pra lá de polêmico. Os quatro policiais agora candidatos a vereador na capital paulista têm em comum o fato de seguirem um pouco do estilo espalhafatoso e ameaçador a la Erasmo Dias - o coronel que foi um dos símbolos da repressão da ditadura em São Paulo e que pelas mãos e partidos da direita, depois foi deputado estadual, federal e vereador.

Todos os policiais candidatos orgulham-se de suas ações de truculência e foram intensamente cortejados pelos partidos da extrema direita antes de escolherem as legendas pelas quais agora saem para a Câmara Municipal Se eleitos têm tudo para serem considerados autênticos representantes da direita repressiva, linha dura, com práticas inspiradas na ditadura militar.

Engrossarão as chamadas "bancadas da bala" que costumam atuar na Câmara Municipal paulistana, na Assembléia Legislativa do Estado e na Câmara dos Deputados, na defesa de teses como a pena de morte, a maioridade antes dos 18 anos e contra plebiscitos e consultas à população sobre desarmamento.

Ingressam na política pelas mãos de Kassab e do tucanato

Mas, agora vocês já sabem quem os colocou na política, com quem eles se identificam, quem alavanca suas carreiras: o prefeito Kassab, os tucanos e seus aliados, a extrrema direita mais uma vez em preparação para agir e/ou já em ação, como vemos na crise da polícia paulista.

Muitos dos representantes dessa corrente já exercem influência ou domínio - até o controle absoluto em algumas áreas - sobre a cúpula da PM de São Paulo, o Ministério Público estadual, o Tribunal de Contas do Estado e até na Assembléia Legislativa.

Formam uma oligarquia de novo tipo no Estado, uma oligarquia que passou do controle específico de suas áreas de repressão para outras, até para a política, e que precisa ser removida em 2014, quando teremos eleições estaduais e nacional.
Blog do Zé Dirceu

(Foto: Wikipedia/Jatobb)

POLÍTICA - Veja, Policarpo, Cachoeira.

Veja, Policarpo, Cachoeira, sua esposa e um certo nojo jornalístico

O juiz federal Alderico Rocha Santos, responsável pelo processo da Operação Monte Carlo, que culminou com a prisão de Carlinhos Cachoeira, afirma ter sido chantageado por Andressa Mendonça, esposa do contraventor. Ela alegava ter um dossiê contra ele e que seria publicado na revista Veja por iniciativa do diretor de redação em Brasília, o jornalista Policarpo Jr.
Mulher de Cachoeira envolveu nome de jornalista da Veja em chantagem contra juiz federal (Foto: José Cruz / ABr)
“Narra o magistrado [Alderico Santos] que a requerida [Andressa] noticiou a existência de um dossiê contendo informações desfavoráveis a ele, que seria publicado pelo repórter Policarpo na revista Veja, mas que ela poderia evitar a publicação. Para tal, bastaria que o juiz federal concedesse liberdade ao réu Carlos Augusto de Almeida Ramos e o absolvesse das acusações ofertadas pelo Ministério Público”, destaca o juiz Mark Yshida Brandão, no texto de sua decisão que que determinou o comparecimento de Andressa Mendonça à Polícia Federal e buscas em sua residência.
O nome de Policarpo Junior coincidência (ou não) já apareceu outras vezes no círculo próximo de Carlinhos Cachoeira.
Em depoimento à Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, em 2005, Policarpo Junior ajudou Cachoeira a comprovar que era vítima de chantagem pelo ex-deputado André Luiz, que acabou cassado. O caso havia sido publicado pela revista Veja, com exclusividade, cerca de três meses antes. A matéria “Vende-se uma CPI”, de 27 de outubro de 2004, assinada por Policarpo Junior, denunciava André Luiz e tratava Carlos Cachoeira como empresário do ramo de jogos.
Em maio deste ano, o site Carta Maior publicou matéria com o título: “Os encontros entre Policarpo, da Veja, e os homens de Cachoeira”. O levantamento apontou que o jornalista esteve pelo menos 10 vezes com Cachoeira e membros de sua organização. Encontros pessoais, ao menos quatro. Em geral, as conversas se transformaram em matérias de Veja.
Gravações da Operação Monte Carlo também indicam como Cachoeira seria beneficiado pela Secretaria de Educação de Goiás na construção de escolas no modelo chinês. E como o “empresário do ramo de jogos” buscou a revista Veja para divulgar o negócio.
Cachoeira ligou para Policarpo Junior, pedindo que fosse feita uma matéria sobre a “revolução na educação” que estaria sendo feita em Goiás. Na gravação, afirma que o secretário de educação de Goiás “tá fazendo uma revolução na educação” e pergunta “com quem que ele vê? (…) Como é que a gente pode fazer uma divulgação disso?”.
Policarpo respondeu que a ligação estava cortando. Em dezembro de 2011, a capa da revista é: “A arma secreta da China: a educação de qualidade e baixo custo para milhões é o verdadeiro segredo dos chineses em sua corrida para a liderança mundial”. Será que agradou?
Outro indício de proximidade entre o jornalista e Cachoeira é uma conversa telefônica entre o “empresário” e o então diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, interceptada em 10 de maio de 2011, durante a Operação Monte Carlo da Polícia Federal (PF). Na conversa, Cachoeira afirma que Policarpo Junior queria sua ajuda para provar que o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, havia ajudado a Delta a “entrar em Brasília” durante a gestão do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.
Policarpo ainda teria afirmado que o acordo foi fechado em uma reunião em Itajubá e que estaria atrás de um flagrante da entrega de “dinheiro vivo”. Cachoeira teria dito a Policarpo que “não existiu essa reunião”.
Em determinado ponto da gravação, Cachoeira demonstra seu grau de proximidade com o jornalista. “O Policarpo, ele confia muito em mim, viu?”, afirma.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), vice-presidente da CPMI, afirmou que pretende convocar o jornalista da revista Veja para depor. “Com os acontecimentos de hoje, está colocada a relação do jornalista com a organização criminosa. Já iremos discutir a convocação na primeira reunião da CPMI”, disse.
Cachoeira é apenas uma das peças do quebra-cabeça que pode ser montado quando a história deste último período de Veja vier à tona. O que o panfleto da editora Abril se tornou é algo que não se pode nem de longe ser chamado de jornalismo. É algo que envergonha a profissão e seus profissionais. E dá nojo.
Blog do Rovai.

POLÍTICA - Entrevista com João Pedro Stédile.


1 - Como o senhor avalia a atual conjuntura política dos países da América Latina, sobretudo em relação ao Paraguai onde o presidente Fernando Lugo sofreu impeachment?A América Latina está vivendo uma conjuntura positiva para a classe trabalhadora em geral, pois saímos da hegemonia total dos Estados Unidos e do neoliberalismo com a eleição de diversos governos progressistas em todo o continente. E, agora, há uma disputa permanente do futuro do continente ao redor de três projetos ou propostas. O primeiro é a retomada da ofensiva dos Estados Unidos, que quer recolonizar a região e transformá-la apenas em fornecedora de matérias primas e energia para ter lucro máximo para suas empresas que por aqui operam. Há um segundo projeto que defende uma integração continental, sem os americanos, mas ainda nos marcos dos interesses das empresas capitalistas. E há um terceiro projeto, que nós chamamos de Alba (Aliança Bolivariana Para os Povos de Nossa América), que se propõe a fazer uma integração econômica, política e cultural, que juntasse governos progressistas com as organizações populares. Essas três propostas se enfrentam todos os dias em todos os espaços. A cada eleição presidencial, haverá candidatos dos três projetos. A vitória de [Fernando] Lugo (presidente deposto do Paraguai) fortalecia o projeto dois e três, e representava um alento para a região do Cone Sul, pois derrotou as oligarquias paraguaias depois de 60 anos de ditadura do partido colorado. Eles tentaram derrubá-lo em 23 outros processos de impeachment e somente conseguiram derrubá-lo agora, quando os serviços de inteligência e os interesses econômicos dos Estados Unidos se envolveram e ajudaram a preparar esse golpe de Estado, que teve uma unidade impressionante em termos econômicos, políticos e midiáticos.
2 - Na avaliação do senhor, qual o papel dos movimentos sociais no século XXI?
Os movimentos sociais, no sentido genérico, que envolve todas as formas de organização da classe trabalhadora -desde o movimento sindical, popular, até a luta por moradia, por saúde, de luta pela terra e etc.-, devem continuar com sua missão histórica que é organizar o povo para que ele lute por melhores condições de vida, pela defesa de seus interesses e por um novo projeto de sociedade. Os movimentos têm um papel fundamental, pois sem a organização popular na base e sem consciência de classe, não será possível fazer mudanças estruturais na sociedade e nem institucionais nos espaços do poder Legislativo e Executivo quando elegermos nossos representantes.
3 - A atuação do MST no Brasil contrasta com o fato de alguns militantes do movimento após ocuparem seus espaços comercializarem as casas onde moram ou os terrenos. Como o senhor avalia isso?
Há uma situação da condição humana que faz com que em qualquer novo espaço, território, assentamento, condomínio ou bairro, nem todas as pessoas se adaptem. A FAO (organização das Nações Unidas) tem um estudo que aponta que em qualquer mudança de moradia, há uma desistência média de 15% das pessoas, inclusive nos edifícios de luxo! Nos assentamentos do MST, e também nos novos edifícios dos bairros da cidade, tem desistências, trocas, mudanças, que, portanto, são naturais que ocorram. No caso do MST, as desistências são maiores na região amazônica, aonde às vezes não tem estrada, escola, nenhum atendimento de saúde, e aí as famílias não aguentam e desistem. Aqui nas regiões Sul e Sudeste acontece um movimento inverso. Há algumas desistências, mas o número de novas pessoas que vão morar no assentamento é maior do que a desistência, porque as famílias levam os parentes para morar no mesmo lote. Nós lutamos e conseguimos colocar na Constituição que, no caso da reforma agrária, a família camponesa recebe apenas um titulo de concessão de uso familiar. Em nome da mulher e do homem. E eles não podem vender. Portanto, mesmo quando há desistências, o que acontece são trocas de lotes, ou, no máximo, o desistente vende as benfeitorias que fez como a casa, animais e repassa o lote pro Incra colocar outra família.
4 - Ainda é possível falar em socialismo no século XXI?
Não só é possível como é necessário. O Socialismo é uma proposta da classe trabalhadora para construir uma sociedade mais justa e igualitária, aonde todos tenham direitos e oportunidades iguais, e aonde a riqueza seja distribuída de acordo com o trabalho de cada um. No fundo, todas as pessoas de boa vontade defendem esse sonho, ainda que não tenham claro como será. Portanto, as sociedades do futuro serão socialistas. O capitalismo é o modelo do passado, da exploração, da concentração de riqueza, da desigualdade social, da humilhação. E por mais que a burguesia, alguns exploradores e seus porta-vozes na mídia e na sociedade achem que vai ser eterno, um dia vai desmoronar. Disso não tenham duvidas.
5 - A violência no campo é comum nos assuntos ligados a Reforma Agrária. Como está o índice de mortes nos conflitos do campo?
Num passado recente, desde os tempos da ditadura e até o neoliberalismo, a classe dominante no campo era controlada pelos latifundiários atrasados. E cada vez que havia algum conflito trabalhista ou de ocupação de terra, ou tentativa de despejo de posseiros antigos, os latifundiários usavam da violência física e procuravam eliminar as lideranças dos trabalhadores. Para se ter uma ideia, de 1984 a 2004, já na democracia formal, foram assassinados mais de 1.600 lideranças, e apenas 80 culpados foram a julgamento. Na ultima década, a classe dominante no campo se transformou e agora quem manda são empresas transnacionais e fazendeiros modernos. Então a forma de repressão vem mudando. Em vez de assassinatos, eles nos criminalizam; nos reprimem através do poder judiciário e da imprensa. Esses são os dois poderes sobre os quais eles têm controle absoluto. Não precisam mais matar. Vejam o que fizeram conosco no caso da ocupação da fazenda grilada pela Cutrale, em Iaras. A fazenda pertence à União e o Incra pediu despejo da empresa. Nós ocupamos. A Cutrale, aliada com a Coca-Cola, a Globo e o governo [José] Serra (então governador de São Paulo), organizou uma campanha midiática que transformou os pobres sem terras em demônios devastadores de laranja! Vejam o que fizeram no caso de Pinheirinho, em São José dos Campos. Uma área de empresa falida e corrupta. E lá se juntaram as mesmas forças. Não houve mortes. Mas houve um massacre ideológico, político e as famílias perderam as casas depois de oito anos de trabalho honesto.
6 - O senhor é um dos nomes mais influentes do MST, como o senhor avalia o papel do MST na questão agrária e da reforma agrária?
O MST tem um papel histórico de seguir organizando de forma autônoma os pobres do campo, que lutam por terra, por trabalho, por melhores condições de vida. Infelizmente o agronegócio, que está mancomunado com o poder econômico, de quem é sócio, com os meios de comunicação, criaram uma ilusão na sociedade brasileira de que o agronegócio é solução. E escondem que ele aumenta a produtividade expulsando milhares de trabalhadores, usando venenos de forma intensiva, que transformou o Brasil no país que mais usa venenos e que tem alimentos mais contaminados no mundo. E isso gera câncer em 400 mil pessoas por ano no Brasil. Ou seja, o agronegócio dá lucro; produz, mas para meia dúzia de fazendeiros e empresas transnacionais. Por outro lado, nos temos 4 milhões de famílias camponesas, pobres, sem terra, sem trabalho; muitos morando nas periferias das cidades do interior. Nós temos 10 milhões de analfabetos no interior do país. Nós temos 5 milhões de famílias que vivem no interior e que dependem do Bolsa Família para comer! Então nós temos muito trabalho pela frente. Organizar os pobres do campo. Está difícil, mas continuaremos incansáveis o nosso trabalho até que a classe trabalhadora como um todo se dê conta das mudanças necessárias no país, e possamos debater um novo projeto para o país, como fizemos, a partir das lutas sociais da região do ABC, na década de 79 a 89.
7 - Qual o verdadeiro tipo de reforma agrária defendido pelo MST?
No passado, a expressão reforma agrária era entendida por muitos apenas como desapropriação de uma fazenda e distribuição dos lotes de terra. Essa reforma agrária funcionava quando o modelo econômico era dominado pelas indústrias. E, portanto, os camponeses se integravam com a indústria e conseguiam sair da pobreza. Era a chamada reforma agrária clássica, que a maioria dos países industrializados fizeram. Agora, o capitalismo dominante é do capital financeiro e das empresas transnacionais, também na agricultura. O chamado agronegócio. Assim, eles conseguem aumentar o lucro e a produção sem os camponeses. Por isso que muitos de seus porta-vozes dizem que não precisa mais reforma agrária. Não precisa para eles ganharem dinheiro. Mas precisa reforma agrária para resolver os problemas dos pobres do campo. Agora, nós precisamos de um novo tipo de reforma agrária. Uma reforma agrária que comece na distribuição de terras, mas que organize cooperativas de produção para instalar agroindústrias nos assentamentos e no interior. Porque é isso que aumenta a renda e tira da pobreza. Uma reforma agrária que adote a matriz tecnológica da agroecologia produz alimentos sadios, sem veneno, e sem alterar o equilíbrio do meio ambiente. Uma reforma agrária que distribua educação. Portanto, teríamos que instalar mais escolas fundamentais e de Ensino Médio em todo interior, para criar alternativas para a juventude e levar o conhecimento para o interior. Imaginem que nos últimos 20 anos, foram fechadas –repito, fechadas!- 25 mil escolas no meio rural. Nós precisamos abrir escolas e não fechar. Por isso nossa luta ficou mais difícil e demorada, porque agora temos que lutar por um outro de desenvolvimento agrícola e derrotar o agronegócio. O agronegócio é o modelo do lucro, do capital. Nós queremos uma reforma agrária popular, de outro tipo.
8 - Estamos em ano eleitoral, qual a relação do MST com as eleições?
O MST teve o mesmo comportamento desde a sua formação em relação às eleições. Nós não devemos nos comportar como partido e indicar candidatos. Os nossos militantes que têm vocação política devem entrar em partidos políticos e fazer as disputas lá. Nós mantemos autonomia dos partidos e dos governos. Mas como nossos militantes têm consciência social, e como procuramos fazer trabalho de conscientização com nossa base, é evidente que o resultado é que nossa base e militância sempre procura fazer campanha, no período eleitoral, para eleger os candidatos mais populares, mais progressistas, de esquerda, e que estejam comprometidos com o povo. E aí em cada região tem as realidades partidárias diferenciadas, em que esse perfil de candidato aparecem em diversos partidos.
9 - O PT assumiu a presidência da República com um discurso de esquerda. Qual a opinião do senhor sobre os oito anos do governo Lula e os 18 meses do governo Dilma?
Os governos Lula e Dilma não são governos do PT. Participam dele muitos partidos, inclusive alguns conservadores e oportunistas. Não é um governo de esquerda, na minha opinião; é um governo progressista. E evidentemente que foi muito importante elegermos para derrotar os candidatos neoliberais, que representavam apenas os interesses do grande capital e das empresas transnacionais. Na minha opinião, os governos têm essa característica, em primeiro lugar, porque se elegeram num período histórico de descenso do movimento de massas, em que a classe trabalhadora, depois de 89-95, havia sido derrotada política e ideologicamente. E, portanto, não disputou nas ruas, com lutas e mobilizações, o governo. Tanto é que a principal forma de fazer campanha nesse período tem sido apenas a televisão. E os partidos brigam muito pelos minutos de televisão. Em segundo lugar, a vitória eleitoral só foi possível porque foi construída uma aliança interclassista, com diferentes interesses de classe dentro do governo. Interesses que estão dentro de cada Ministério e que, às vezes, são até antagônicos. E em terceiro lugar, sua natureza é determinada porque os movimentos populares, os partidos e a sociedade brasileira em geral carecem de um projeto para o país. Desde 1989, nós paramos de debater um projeto para o país. E na ausência de um programa histórico, de um projeto, os partidos e seus políticos vão agindo apenas na base do pragmatismo, ou resolvendo os problemas cotidianos da administração pública.
Fonte: ADITAL

GEOPOLÍTICA - Venezuela no Mercosul.

Venezuela no Mercosul: Dura derrota para os EUA, afirma Atilio Borón


Buenos Aires, 1 ago (Prensa Latina) A inclusão da Venezuela no Mercosul constitui, do ponto de vista geopolítico, a maior derrota diplomática estadunidense desde a derrota da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), opinou hoje o politólogo argentino Atilio Borón.
Tal como apontado há poucos dias pelo ex-alto representante do Mercosul Samuel Pinheiro Guimarães, daqui adiante "será bem mais difícil e custoso orquestar um golpe de Estado contra um (Hugo) Chávez protegido institucionalmente pela normativa mercosuliana", sublinhou Borón.

Em um extenso artigo difundido nesta quarta-feira no diário Página 12, o Diretor do Programa Latino-americano de Educação a Distância em Ciências Sociais advertiu que também será agora bem mais complicado para os Estados Unidos tratar de se apropriar da riqueza venezuelana de hidrocarbonetos.

Por outro lado, agregou, a incorporação da República Bolivariana ao Mercosul torna mais atraente para o resto dos países sul-americanos integrar-se o quanto antes a um rico espaço econômico que se estende sem discontinuidades da Terra do Fogo até o Mar do Caribe.

E, por último, também no porvir será bem mais difícil rearmar o esquema de "livre comércio" eliminado com a derrota da ALCA, indicou.

Borón salientou também que a entrada da Venezuela no mecanismo sul-americano de integração o reforça tanto quantitativa como qualitativamente, ao agregar um novo sócio com um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em 397 bilhões de dólares.

O Mercosul ampliado se converte na quinta economia do mundo, só superado pelos Estados Unidos, China, Índia e Japão, e claramente acima da locomotora europeia, a Alemanha, destaca o analista.

Na ordem qualitativa, acrescenta, a incorporação venezuelana ao bloco significa integrar um país que, segundo o último anuário da OPEP, dispõe das maiores reservas certificadas de petróleo do mundo.

Por outro lado, e desde o ponto de vista da complementação econômica de suas partes, o Mercosul luze como um espaço econômico bem mais harmônico e equilibrado que a União Europeia, cuja fragilidade energética constitui seu incurável tornozelo de Aquiles, enfatizou Borón

POLÍTICA - FHC e o mensalão.

Do blog "Democracia&Política"

FHC, BENEFICIÁRIO DO “À VISTÃO” (PARA COMPRA DE VOTOS), CRITICA O “MENSALÃO”...


[Observação deste blog ‘democracia&política’: O cinismo e a hipocrisia de FHC e dos tucanos são estarrecedores.


Em 1997, gravações telefônicas colocaram em evidência o escandaloso e milionário esquema de pagamentos a parlamentares para a aprovação da emenda constitucional que permitiu a reeleição de FHC e a manutenção do PSDB e PFL-DEM no poder.


Os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL (DEM) do Acre, confessaram ter recebido [cada parlamentar], à vista, R$ 200 mil [na época equivalente a aproximadamente 150 mil dólares] para votar a favor do projeto. Para escapar da inexigibilidade, eles renunciaram ao mandato e foram expulsos do partido.


O pedido de abertura de CPI foi bombardeado pelos governistas. Não se investigou os demais envolvidos.

Nem o Ministério Público, nem o STF, nem a Polícia Federal, nem a grande imprensa quiseram saber quantos foram corrompidos, quais eram os corruptores interessados na reeleição, qual a origem e o montante de recursos públicos utilizados, a quantos anos de cadeia cada um deveria ser condenado etc, etc, como fazem hoje. Somente houve algum, mas efêmero, destaque sobre a “venda” dos votos e os dois vendedores confessos. Jamais se tocou no assunto “compra” de votos.


Assim, o “à vistão” foi enterrado, esquecido.


Impunes, pouco depois os tucanos criaram o milionário esquema de desvio de recursos públicos (de estatais) para pagamentos a candidatos e parlamentares do PSDB e de partidos aliados, que veio a ser eufemisticamente batizado pela imprensa de “mensalão mineiro”, ou "mensalão de Furnas", jargões diversionários para restringir a culpa em uma limitada região geográfica ou empresa. (Ver logo após este texto postagem de hoje, deste blog, sobre a “Lista de Furnas”)


Agora, estão todos chocados com o “mensalão” do PT. Risível...


Vejamos, a seguir, a tragicômica reportagem da tucana “Folha de São Paulo” de ontem (31) sobre “nobres e sábias” considerações de FHC [trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]:

“STF PRECISA OUVIR A OPINIÃO ‘PÚBLICA’”, diz FHC

“O ex-presidente afirma que os juízes devem analisar o caso sabendo que a lei não é algo sem 'relação com a vida' [“vida” que ele quer dizer é “grande mídia”]

Em vídeo postado na internet, tucano diz acreditar que o Supremo mostrará que as “instituições valem”.

Ao comentar o julgamento do mensalão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) contestou [segunda-feira] as críticas que os ministros do Supremo Tribunal Federal têm recebido por levarem em conta a “opinião pública” em decisões recentes [melhor seria ele logo dizer “opinião publicada”].

"Claro que o juiz julga pela lei, mas a lei não é algo que não tenha relação com “a vida” [ele quis dizer com “a pressão da mídia”]. Claro que [a "opinião publicada"] não pode substituir a lei. Mas a existência de opiniões da sociedade faz parte de processo eminentemente político", afirmou o ex-presidente da República.

Para o tucano, os ministros do Supremo deverão, contudo, saber separar no julgamento o "joio do trigo".

O tribunal começará a julgar os 38 réus do mensalão depois de amanhã.

De acordo com o ex-presidente, o caso deve marcar a história política do Brasil.

Ele afirmou ainda que o julgamento ocorre em momento que o Supremo vem assumindo atitudes para a “consolidação da democracia” [essa “consolidação”, contudo, está violentada pelo engavetamento do mensalão do PSDB. Apesar de mais antigo, o julgamento do mensalão tucano, por motivos ideológicos, foi ultrapassado pelo do mensalão do PT, este julgado politicamente "mais importante e mais urgente”].

"Eu tenho muita confiança em que o Supremo mostrará que as instituições no Brasil valem", afirmou. [“valem” desde que não tragam à tona o mensalão tucano...].

IMPUNIDADE

FHC também pediu a atenção da população ao resultado, pois ele pode rebater a ideia de que a corrupção no Brasil está ligada à não punição de envolvidos. [Desde que os punidos não sejam demotucanos].

O ex-presidente defendeu julgamento “isento” e afirmou que o Supremo tem tomado decisões corajosas [“Isento”, para ele, significa “de acordo com a pressão da mídia demotucana oposicionista”].

"O que for correto absolve, e o que for crime castiga", afirmou o tucano.

A declaração do ex-presidente foi feita em vídeo postado no site "Observador Político", criado por ele. O tucano promete publicar outros dois vídeos sobre o assunto nesta semana.

Segunda-feira, o PSDB também divulgou um vídeo no qual afirma "explicar o escândalo do mensalão" [Somente um dos mensalões. O deles permanecerá escondido. Até quando?].

O partido se esforça para ligar o mensalão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não é réu do processo.

"Mesmo diante de todos esses fatos, o PT e o presidente Lula insistem em negar a existência do mensalão", afirma o narrador do vídeo.

Depois de exibir diversas declarações do petista, a peça tucana termina com a frase: "Lula, o povo não é bobo". [Os tucanos sabem que o povo não é bobo, pois não esqueceram as derrotas em 2002, 2006 e 2010].

FONTE: da “Folha de São Paulo” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/57794-stf-precisa-ouvir-a-opiniao-publica-diz-fhc.shtml) [Título, imagem do Google, observação inicial e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

POLÍTICA - O voto do Toffoli.

Mensalão: Toffoli faz suspense até a véspera

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Juro que me empenhei ao máximo para falar com meu amigo ministro José Antonio Toffoli para saber dele se vai ou não participar do julgamento do processo do mensalão, que começa dentro de 24 horas no Supremo Tribunal Federal, mas até o momento em que comecei a escrever o post, no início da tarde desta quarta-feira, não tive retorno.
Ou ando sem prestígio ou Toffoli, pressionado por todos os lados, ainda não decidiu o que vai fazer. E por que é tão importante ter uma definição do ministro mais jovem do STF, às vésperas do início dos trabalhos que vão decidir o destino de 38 réus?
Por tudo que consegui apurar até agora, o tribunal está dividido ao meio e qualquer voto pode ser decisivo. Pelo mesmo motivo, especula-se tanto se haverá tempo do ministro Cezar Peluso dar seu voto antes da aposentadoria compulsória marcada para 3 de setembro, em meio ao julgamento.
Ligado profissionalmente e por laços de amizade ao ex-presidente Lula e ao PT, o voto de Toffoli é dado como certo pela absolvição do ex-ministro José Dirceu, de quem foi assessor jurídico na Casa Civil.
Da mesma forma, o voto de Peluso já é contado pelos que querem a condenação dos réus, se possível às penas máximas previstas em lei.
Meu palpite, pelo que conheço de Toffoli, 45 anos, paulista de Marília, irmão de padre e sobrinho de monsenhor, com quem trabalhei no Palácio do Planalto nos dois primeiros anos do governo Lula, um jovem à moda antiga que não perde missa aos domingos, é que ele não vai se declarar impedido de participar do julgamento.
Só há um jeito disto acontecer: o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, levantar suspeição sobre a participação do ministro por suas ligações com o PT e vários dos réus, mas é improvável que ele tome esta iniciativa para não atrasar e tumultuar o julgamento. Além do mais, a decisão sobre a participação ou não de Toffoli teria que ser votada pelos demais ministros.
Antes do início do julgamento propriamente dito, o plenário também poderá ser convocado para decidir sobre uma questão de ordem que será levantada pelo advogado Márcio Tomás Bastos, que pedirá o desmembramento do processo.
Defensor de José Roberto Salgado, ex-diretor do banco Rural, Bastos alegará que apenas três dos réus têm prerrogativa de fôro (os deputados federais João Paulo Cunha, do PT, Valdemar Costa Neto, do PR, e Pedro Henry, do PP), devendo o processo dos demais ser remetido à Justiça de primeira instância.
É muito pouco provável que a maioria dos ministros aceite o pedido do ex-ministro da Justiça Márcio Tomás Bastos, até porque seria necessário desmontar o circo e começar tudo de novo. De qualquer forma, esta discussão poderá atrasar os trabalhos e dividir mais ainda o plenário.
Conversei na terça-feira com Bastos, que não encontrou novidades no novo relatório entregue esta semana aos ministros pelo procurador-geral Roberto Gurgel, do qual ele recebeu uma cópia. "É só um índice dos principais pontos da acusação, mas o processo todo é artificial. Nada existe de concreto contra o meu cliente".
Se tudo correr conforme o planejado pelo presidente do STF, ministro Ayres Brito, este primeiro dia do julgamento deverá ser todo ocupado pela acusação, que terá cinco horas para apresentar as provas produzidas para pedir a condenação dos réus.
Para o advogado Arnaldo Malheiros Filho, defensor de Delúbio Soares, que fará a sustentação oral na sexta-feira, com quem também conversei esta semana sobre as suas expectativas para o julgamento, "provas não tem" nas mais de 50 mil páginas do processo. Segundo o advogado, Delúbio é a principal testemunha a favor de José Dirceu no processo.
Os dois primeiros dias podem ser decisivos para os rumos do julgamento. Ainda na sexta-feira, além de Malheiros, falará o advogado José Luiz Oliveira Lima, defensor de José Dirceu, que também sustentará a falta de provas no processo. Cada advogado terá uma hora para apresentar sua defesa.
A questão central para os ministros será decidir se houve ou não compra de votos de parlamentares com o uso de dinheiro público, como sustenta a acusação, mas está claro, pelo clima bélico criado nos últimos dias, que o julgamento será essencialmente político e não apenas técnico baseado nas provas do processo.
O que está em jogo, na verdade, é uma espécie de terceiro turno promovido pelos partidos de oposição e por amplos  setores da velha imprensa, até hoje inconformados com as derrotas sofridas nas eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2010, e a total falta de perspectivas para 2014.
Por isso, transformaram o julgamento do processo do mensalão numa questão de vida ou morte, de tudo ou nada, em que o único resultado admitido é a condenação dos réus.
Nos editoriais, nas colunas, nas "reportagens especiais" e nas cartas dos leitores, só faltou alguém pedir a pena de morte, como se os destinos nacionais, e não apenas uma decisão jurídica, estivessem nas mãos dos 11 ministros do STF.
Blog do Ricardo Kotscho.

OLIMPÍADAS - Marina Silva.


Mauro Santayana: Marina Silva e a desfeita ao Brasil


A senhora Marina Silva é um caso típico de como as virtudes enganam. Ela surgiu na vida pública brasileira como a pobre menina da floresta, que se torna ativa militante da causa ambiental, entra para a política ainda muito jovem, dentro do PT; é eleita senadora pelo Acre; torna-se Ministra, e chega a candidatar-se, sem êxito, à Presidência da República.

Por Mauro Santayana, em seu blog


Trata-se de uma biografia virtuosa. Marina é militante de uma causa vista como nobre, a da defesa da natureza. Mas não se pode dizer, com o mesmo reconhecimento, de que se trata de uma boa brasileira.

Marina é hoje, e é preciso dizer, uma patriota do mundo. Nenhum brasileiro, vivo ou morto, foi tão homenageado pelos mais poderosos governos estrangeiros e organizações não governamentais do que esta senhora, ainda relativamente jovem.

Ela, ao militar pela natureza universal, não tem servido realmente ao Brasil e à sua soberania. O Brasil, com o apoio, direto ou indireto, da senhora Silva, tem sido acusado de destruir a natureza.

Quando seu companheiro de idéias, Chico Mendes, foi assassinado em Xapuri, o New York Times chegou a dizer que o mundo iria respirar pior, a partir de então. A tese do jornal, já desmentida pela ciência não engajada, era a de que a Amazônia é o pulmão do mundo. Assim, a cada árvore abatida, menos oxigênio estaria disponível para os seres vivos.

Marina Silva transita à vontade pelos salões da aristocracia européia e norte-americana. É homenageada, com freqüência, pelas grandes ongs, como a WWF, que contava, até há pouco, com o caçador de ursos e de elefantes, o Rei Juan Carlos, da Espanha, como uma de suas principais personalidades.

Na melhor das hipóteses, a senhora Marina Silva é ingênua, inocente útil, o que é comum nas manobras políticas internacionais. Na outra hipótese, ela sabe que está sendo usada para enfraquecer a posição da nação quanto à defesa de sua prerrogativa de exercer plenamente a soberania sobre o nosso território.

Ainda agora, a ex-candidata a Presidente acaba de ser homenageada pelos organizadores londrinos dos Jogos Olímpicos, como convidada de destaque, ao lado de outras personalidades mundiais, a maioria delas diretamente ligadas às atividades esportivas, o que não é o seu caso.

Para quem conhece os códigos da linguagem diplomática, tratou-se de uma desfeita ao Brasil, como país soberano, e, de forma bem clara, à Presidente Dilma Roussef. Dilma, com elegância, declarou-se feliz pela homenagem à sua adversária nas eleições presidenciais de 2010, e que permanece militando na oposição ao atual governo.

A Chefe de Estado, que ali representava a nação inteira, e não ongs interessadas em retardar o desenvolvimento autônomo do Brasil, não assinou recibo pela aleivosia de uma Inglaterra decadente, contra um Brasil que cresce no respeito do mundo.

Título do Vermelho

ANOS DE CHUMBO - Comissão da Verdade nos Estados.

Comitês estaduais acionam alerta à Comissão da Verdade
   
Prazo curto demanda maior agilidade e união de esforços...
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Membros da Comissão da Verdade

Agilidade nos trabalhos, investigar também os abusos cometidos contra os índios durante o regime militar e divulgar o orçamento com que trabalha foram algumas das cobranças feitas pelos comitês estaduais à Comissão Nacional da Verdade nesta 2ª feira, em Brasília. Compostos por organizações da sociedade civil, de combatentes, parlamentares das assembleias legislativas, vereadores e familiares de presos políticos mortos durante a ditadura, cerca de 40 representantes desses comitês se reuniram com os membros da Comissão Nacional e acionaram sinais de alerta que merecem toda nossa atenção.

"A comissão tem que partir do que já está feito e avançar. Tem que exigir a abertura de todos os arquivos ainda não abertos. Suas audiências tem que ser públicas. A comissão deve ter um mecanismo ágil para receber as denúncias e processar esses documentos” cobrou, muito acertadamente, Iara Xavier, do Comitê pela Verdade, Memória e Justiça do DF. Em relação às expectativas sobre a Comissão Nacional da Verdade, Iara não se deixou intimidar pelas dificuldades existentes: “Queremos o impossível!”.

Outra preocupação foi levantada por Francisco Celso Calmon, do Fórum Memória e Verdade do Espírito Santo. Ante o curto prazo dos trabalhos – a Comissão foi instaurada em 16 de março de 2012 e tem agora apenas 1 ano e 9 meses de trabalho – ele se manifestou no sentido de que “o resultado do relatório não sirva ao arquivo morto da nação, mas que seja um relatório vivo para que se criminalize os que cometeram crimes contra a humanidade.”

O curto prazo para a entrega dos trabalhos também é a preocupação de Diego Oliveira do Comitê Santa-Mariense de Direito à Memória e à Verdade, de Santa Maria (RS). “O efetivo reduzido prazo da comissão seria compensado com a dedicação exclusiva”, afirmou. Ele pede dedicação exclusiva, a divulgação do valor previsto para a execução dos trabalhos e denuncia a falta de autonomia orçamentária da Comissão, hoje vinculada à Casa Civil.

Dipp: “Vamos trabalhar em sintonia”

Os comitês estaduais se colocaram à disposição para tomar depoimentos dos combatentes e entregar à Comissão Nacional todos os documentos que possuem. A importância da união de forças foi reforçada pelo coordenador da instância nacional, ministro Gilson Dipp. Ele também avaliou os riscos levantados durante a reunião.

“Temos essa demanda natural, muitas vezes até reprimida, mas o importante é que vamos trabalhar com apoio e em sintonia com todos os comitês estaduais para que eles possam realizar algumas das tarefas nos Estados para que possamos fazer a triagem”, afirmou Dipp.

Todos os alertas e as cobranças feitas pelos comitês na reunião são fontes de problemas existentes e nos preocupam. De fato, o tempo é curto e a necessidade da dedicação exclusiva é real. Como eles, também estou muito preocupado com o ritmo da Comissão. Sem falar que tem sim de ser tudo público. Sessões secretas, nem pensar.

(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)