quarta-feira, 1 de julho de 2015

ECONOMIA - Mudar os rumos econômicos para pior?

Mudar os rumos econômicos para pior?

O senador José Serra vem com proposta de tirar um naco da Petrobras para empresas estrangeiras. Forma disfarçada de privatizar o que é público.


José Carlos Peliano*
Gerdan Wesley / Flickr
Dizia meu professor de estatística econômica na Universidade de Vanderbilt, EUA, Nicholas Georgescu Roegen, lá pelos idos dos anos setenta, que em ciência tudo é verdade até que se prove em contrário. O tempo ajudou-me a compreender a extensão e a profundidade da afirmação.

A verdade absoluta ainda está para ser construída se é que algum dia será. Mesmo a morte tem sua perspectiva relativa porque nunca ou quase nada se sabe quando ela vem bater à porta.

Há uma dimensão relativa no conhecimento uma vez que ele depende das condições, do acervo acumulado e da época em que se aplica ou tem validade. Há também uma dimensão, que chamaria do inesperado, porque existem forças e elementos que podem agir de maneira diferenciada, caótica, dando conotação diversa ao que se pensa ou pensava conhecer.

Assim, acabei por me render à abordagem probabilística, não aos seus ditames matemáticos explicitamente de cálculos e percentagens, mas às suas faixas possíveis de ocorrência, pois ela traduz não só a relatividade do evento assim como sua expressão da possibilidade não prevista.

Por trabalhar com faixas de ocorrência, o estudo da probabilidade confere uma gama de cenários possíveis dentro de uma extensão prevista que se imagina vir a acontecer. Neles pode-se inclusive tentar conceber acontecimentos e reviravoltas não imaginadas. Na realidade, o estudo probabilístico é uma bela tentativa dos matemáticos de chegarem o mais perto possível da complexidade dos eventos do dia a dia.

Ao trazer essas considerações para a vida econômica fica claro que as previsões dos economistas bem como suas interpretações do movimento das categorias analíticas do modelo avaliado, todas elas têm um amplo e complexo entorno de imprevisibilidade e incerteza, mesmo que seus cânones tragam calhamaços de fórmulas, exemplos e diagnósticos.

Valem-se os economistas, boa parte deles, inclusive, com certa frequência, do recurso de defender suas ideias com argumentos gerais, muitas vezes óbvios e vagos, que valem para qualquer objeto estudado, mas sem levar em conta as especificidades que as variáveis e o momento apresenta.

O recurso é quase sempre utilizar da diversidade de questões envolvidas para fugir do ponto central e confundir e/ou encobrir as expectativas. Fogem assim do que realmente deve ser visualizado, entendido e combatido. A técnica do avestruz: enfiam no buraco a cabeça para não ver o que se passa à volta; ou do a técnica do mágico: não mostram ou desconhecem o pulo do gato.

Faz parte a retomada de questões e bandeiras já levantadas noutras ocasiões mesmo que elas não tenham atingido o objetivo pretendido. No caso, vale menos o remédio anunciado do que o evento ou o fato a ser resolvido. A eventual justificativa, quando exigida, é que as condições mudaram, os agentes também e o recurso é inevitável. Ponto.

Bandeiras do tipo educação e crescimento para menos desigualdade ou privatizar para mais e melhor produção são velhas conhecidas e sempre retornam quando a economia está em retração. A chamada crise, muitas vezes inventada ou inflacionada para justificar interesses contrariados.

Tais bandeiras ainda podem fazer sentido para aqueles mais jovens que não acompanharam outros momentos do país. Para os mais vividos, no entanto, a cantilena não funciona mais não só porque já foi tentada outras tantas vezes no passado, e não deram certo, como também os resultados esperados serão sempre os mesmos, ou seja, mudar algumas coisas para tudo continuar no mesmo lugar, ou pior.

O programa Bolsa Família é o alvo predileto dos que afirmam não querer alimentar desqualificados e vagabundos. Apontam educa-los para conseguir trabalho ou fomentar o crescimento da economia para gerar empregos. Não aceitam, segundo eles, tratamento direcionado, caro e privilegiado para os pobres.

Esquecem que os empresários têm tratamento privilegiado há tempos, além de direcionado, caro e privilegiado. O imposto de renda sobre lucros é reduzido, ou não se aplica, têm isenções de tributos para determinados projetos de desenvolvimento, prazos de carência para recolher tributos estaduais e municipais, entre outros.

Nas suas declarações pessoais de renda empresários e famílias têm isenções fiscais para despesas médicas, gastos com educação, doações de caridade, contribuições a partidos políticos. Os pobres não têm acesso a esses benefícios porque não ganham renda suficiente.

O senador José Serra vem com proposta de tirar um naco da Petrobras para empresas estrangeiras. Forma disfarçada de privatizar o público propondo em lugar da partilha da exploração de petróleo, ora vigente, a disputa em igualdade de condições no Pré-Sal com as demais concorrentes – a Petrobras participa hoje no modelo atual com 30% no consórcio ganho por outras empresas; com o projeto do senador essa participação é zerada.

Outra consequência danosa aos interesses do País é o fato de que, se aprovado o projeto, não haverá mais repasse de recursos para educação e saúde, estimados hoje na casa dos R$ 50 bilhões. Já o estado brasileiro no conjunto não receberia cerca de R$ 250 bilhões, segundo estimativas da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

E pretende ainda que a exploração seja feita o mais rápido possível, não dando mais tempo para a Petrobras se capitalizar, exatamente no momento em que a empresa brasileira se encontra em dificuldades relativas de investimento. Em resumo, a ideia do senador é a de tirar o poder e a soberania da Petrobras do petróleo nacional para dividir com outras.

E são empresas americanas as mais interessadas na aprovação do projeto do senador, conforme já se manifestaram, não só para continuarem operando no negócio, mas também por já estarem em dificuldades de aumentar suas reservas de petróleo.

Engraçado e estranho ao mesmo tempo, pois foram exatamente os americanos que anos atrás afirmaram em alto e bom som que não havia possibilidade de existir áreas de exploração de petróleo nas águas continentais da costa brasileira. Porque, segundo os peritos que então fizeram a pesquisa, não havia quaisquer indícios possíveis ou mapeados de petróleo.

Já a telefonia brasileira foi privatizada e aí? Onde está a produção maior e melhor? Reclamações chegam aos volumes na Anatel pela péssima qualidade dos serviços telefônicos. Os custos da telefonia disponível no País são considerados entre os mais altos do mundo.

E o que o brasileiro comum ganha com isso? Mais privatização, senador? Depois que a Petrobras é considerada uma das 5 melhores companhias petrolíferas do mundo? Para que entregar o ouro para os adversários?

Está mais que na hora de a população ser mais ouvida. E diretamente. A forma de democracia representativa vem sendo contestada em manifestações diversas e pode vir a estar com anos contados. Será que a proposta do senador é endossada pela maioria dos brasileiros?

Mundo afora movimentos procuram trazer o povo mais perto das decisões municipais, regionais e nacionais. Não pode ficar a vida política e econômica de um povo nas mãos de meia dúzia de ditos representantes dos cidadãos. Nem sempre o que eles pensam o povo quer, subscreve, apoia e sustenta.

David Harvey sugere o movimento ”bottom-up”, de baixo para cima, como a única saída real, nova ação e nova forma de resolução das questões e problemas públicos. O povo mais próximo das decisões. De fato, os movimentos tipo “occupy” apontam esse caminho.

O “welfare state” já deu o que tinha que dar e não funciona mais. Funciona somente para os que têm emprego garantido, não para os desempregados, os pobres, os refugiados e os migrantes. E mesmo assim os estados europeus reformulam suas bases, reformando direitos adquiridos, para tentar garantir sobrevivência às suas economias.

O mundo começa a sair às ruas por mudanças. As mudanças começam a ser gestadas nas ruas. É tempo de os trabalhadores se juntarem aos demais cidadãos para exigirem mudanças nas relações com os empresários, capitalistas e banqueiros. Deixar de fazer parte da máquina de fazer dinheiro para conviver na casa do povo em situações e condições mais justas. Menos, muito menos, desiguais.

*colaborador da Carta Maior

POLÍTICA - Luta de classes à brasileira.

Que horas ela volta?: Luta de classes à brasileira

Crítica francesa consagra filme brasileiro que mostra o despertar da dignidade negada e a insurreição dos marginalizados pela fratura social.


Leneide Duarte-Plon, de Paris
Leneide Duarte-Plon
Tratar da luta de classes com sutileza é um desafio ganho pela cineasta Anna Muylaert. Num país que dissimula essa luta entre patrões e empregados domésticos através de louvadas relações cordiais tinturadas de afeto, seu quarto filme surpreende pela inteligência e leveza com que trata o tema.

Depois de algum tempo sem empolgar a crítica francesa (o último a merecer entusiamo semelhante foi « Som ao redor », « Les bruits de Recife », do cineasta Kleber Mendonça) o cinema brasileiro volta a entusiasmar críticos e público do país mais cinéfilo do planeta, terra dos irmãos Lumière, inventores do cinematógrafo.

O responsável é o filme Que horas ela volta? Batizado Une seconde mère (Uma segunda mãe) em francês, o filme de Anna Muylaert foi lançado em Paris dia 24 de junho, precedido de grande campanha de publicidade nos jornaleiros, nas tipicamente parisienses « colonnes Morris » e nos jornais. No Brasil, o filme será lançado em agosto.

« Anna Muylaert costura com delicadeza dois temas, a maternidade e as relações de classe, muito presentes nesse país emergente que é o Brasil », destacou a crítica de Télérama, Guillemette Odicino, que chama atenção para o talento de Regina Casé, « uma star em seu país ».

Graças à filha Jéssica (vivida pela excelente atriz Camila Márdila), que desaba em sua vida em São Paulo vinda do nordeste, a empregada doméstica Val, magistralmente construída por Regina Casé, evolui com sutileza da submissão e do conformismo à compreensão intuitiva da servidão. A libertação é o passo seguinte.

« Simples coincidência ou modismo, os raros filmes do cinema brasileiro que chegam a nós nos últimos meses estabelecem um diálogo intrigante com o mesmo tema : a fratura social e étnica vivida no país pela burguesia branca e suas populações negras. Como uma fábula subterraneamente fantástica (Les bruits du Recife, de Kleber Mendonça Filho) ou de uma sátira (Casa Grande, de Felipe Barbosa) todos traçam o perfil de uma sociedade brasileira onde predomina a desigualdade, onde as velhas relações de classe são marcantes », destacou o crítico Romain Blondeau, da revista Les InRocks.

O jornal Libération, tradicionalmente o mais cinéfilo da imprensa francesa, ressaltou o « despertar de uma classe em luta », num trocadilho com a expressão consagrada pelo marxismo, que teorizou a luta de classes, ignorada, quando não negada, pelos neoliberais do mundo inteiro. Este quarto longa-metragem da cineasta Anna Muylaert (co-autora do roteiro de « O ano em que meus pais saíram de férias », de Caio Hamburger) sonda, segundo a crítica Clémentine Gallot, « uma luta de classes e a profunda segregação social brasileira, marcada pelas origens étnicas, apesar da mestiçagem ».

A crítica destacou, ainda, a importância do papel materno no filme, que relega a paternidade a segundo plano. O prêmio do público que o filme recebeu no Festival de Berlim deste ano é, no entanto, relativizado, tendo em vista a qualidade da seleção, que ela não considerou das melhores.

Mais entusiasmado ainda, o crítico da revista Les InRocks escreveu :

« Retomando de Teorema de Pasolini o tema arquiclássico do intruso-revelador, Une seconde mère observa com malícia o desmoronamento de uma ilusão burguesa através uma série de situações absurdas, quiproquos, mesquinharias, que retiram o véu grotesco de um sistema de exploração social. Tratado de moral de humor surpreendemente solar, atravessado aqui e là por um fulgurante acesso de ironia, o filme desenha um quadro desinibido e bem-humorado da luta de classes, que pode se revelar sutilmente através de simples olhares. Olhar superior e concupiscente do rico proprietário que erotiza corpos vindos das favelas; olhar utilitário da burguesa que desumaniza os domésticos; e olhar finalmente erguido de Val, soberba heroína resistente, a quem o filme oferece um happy-end exaltante em forma de manifesto de ruptura para uma insurreição dos marginalizados ».



*Leneide Duarte-Plon é jornalista, trabalha em Paris e é co-autora, com Clarisse Meireles, da biografia de frei Tito de Alencar, Um homem torturado-Nos passos de frei Tito de Alencar.

Créditos da foto: Leneide Duarte-Plon

GRÉCIA - A Europa e a democracia de voo curto e nariz comprido.

A Europa e a democracia de voo curto e nariz comprido

A constatação é de que a União Europeia e em particular o euro se transformaram numa jaula onde os sonhos vão se apequenando e os pesadelos se amplificando


Flávio Aguiar
Guido Bergmann/ Bundesregierung
A crise grega - que não é somente grega - está no auge. O governo grego não pagou a quota de 1,5 (1,6 segundo algumas fontes) bilhões de euros que deveria pagar a o FMI até ontem, 30/06. Há um referendo sobre o plano de austeridade que querem continuar enfiando garganta abaixo do pais no domingo. Os lideres do establishment europeu insistem em dizer que o referendo é, na verdade, sobre se o povo grego quer ou não quer permanecer no euro. Com as limitações de saque impostas, o governo de Atenas liberou o transporte público. Ouvi nas rádios alemãs o comentário de que isto era uma medida demagógica destinada a garantir que o povo votaria não no domingo, tomada “como se o governo não necessitasse desse dinheiro. Manifestações pró e contra as medidas de austeridade acontecem na frente do Parlamento grego, na Praça Sintagma, com milhares de manifestantes de ambos os lados. As bolsas estão nervosas e em queda. Também caem as ações dos bancos europeus. Quem investe sabe que, se países como a Grécia, Portugal, Espanha e outros se encalacraram com suas dívidas, o sistema financeiro europeu está também encalacrado nas dividas públicas, apelidadas de “soberanas”. Cresce no sistema de apostas britânico, o mais sensível do mundo depois do jogo do bicho brasileiro, a cotação de que a Grécia vai sair do euro e retornar ao dracma. Analistas conservadores na mídia perguntam-se perplexos, porque o povo grego não se mostra dócil como o português e o espanhol (apesar do Podemos) e simplesmente obedece aos ditames da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI).

Na confusão e no meio da adrenalina que corre nas veias fechadas do continente, algumas coisas ficaram muito claras em meio à crise.

1. Nunca houve disposição real de negociar alternativas por parte do establishment da zona do euro. O governo grego fez varias concessões a partir do programa com que foi eleito, claramente anti-austeridade, mas nada disto foi suficiente. O establishment da zona do euro não queria uma negociação, queria a rendição do governo de Atenas e a desarticulação do Syriza desde o começo do processo, a menos que estes traíssem seus eleitores e seu programa. Exigiram sempre a manutenção das balizas principais da política recessiva que destruiu a economia grega em 25% e criou taxas de desemprego gigantescas (60% entre os jovens) mais impostos sobre as camadas populares, menos salários, menos pensões, menos impostos sobre as corporações e os grandes lucros.

2. Quem conduziu as negociações, definiu-lhes o ritmo, e as imposições, foram os ministros das áreas financeiras, não os presidentes e chanceleres. À frente daqueles estava o assim chamado na mídia europeia “Hawkish” (“falcão”, termo derivado da Guerra Fria) Wolfgang Schäuble, o ministro alemão, inspirado em seu credo econômico ortodoxo. A constatação é significativa porque ilustra o predomínio destas áreas dentro e sobre a política e os políticos tradicionais. Nas manifestações anti-austeridade quem aparece com bigodinho de Hitler é a chanceler Angela Merkel (esta ilação é bastante inadequada, mas mostra o quanto a imagem da Alemanha vem se deteriorando no continente), mas quem dá as tintas, o pincel e a escada para os pintores, além de definir as cores e o design, são os avatares e sacerdotes da área econômica, não se descartando presidentes de bancos centrais, como Jens Weidman, do BCA. Mario Draghi, presidente do BCE, ensaiou uma outra musica durante algum tempo, mas depois da reunião do Conselho do Banco que suspendeu o financiamento de liquidez para os bancos gregos a partir de 30 de junho, passou não só a tocar mas também a dançar de acordo com a mesma melodia de fechar as portas para o governo de Tsipras. No Reino Unido, que não participa do euro, quem define o que o governo de Cameron pode ou não pode fazer é o chamado “chanceler” George Osborne, o grão-vizir, o xamã, o sumo-sacerdote do orçamento público, comprovando que em matéria de despesas e investimentos Cameron governa mas não reina.

3. A rebeldia grega mostrou que o voo da democracia na Europa de hoje tem alcance curto: quem quiser voar por sobre a cerca que define a jaula da “austeridade” neoliberal está condenado ao ostracismo, no que depender da hegemonia neoliberal que informa não só os governantes, mas igualmente grande parte da mídia, seus comentaristas, e as escolas de economia majoritariamente no continente. Tsipras, Varoufakis, o governo e o povo gregos se transformaram num caso “exemplar”, que deve servir de baliza para outros possíveis ensaios de independência e soberania, como no caso hipotético do Podemos na Espanha. Além disto, ela tem um nariz de Pinóquio, pois o establishment que a controla nega continuamente a realidade. Os planos de austeridade não funcionam, não funcionaram nem vai funcionar, mas eles são mantidos contra todas as evidências. Bom, em grande parte devido ao fato de que, de outro modo e sob outro ângulo, funcionam sim, isto é, no sentido de a) desorganizarem o que resta do estado de bem estar herdeiro da finada social-democracia europeia de antanho, b) reorganizarem este mundo social de acordo com as balizas do sistema financeiros descontrolado que levou às crises provocadas pela debacle financeira de 2007/2008, e c) redefinirem a geografia europeia em torno da hegemonia do chamado “norte”, uma cortina de fumaça para o predomínio dos sistemas financeiros da Alemanha, Reino Unido, Holanda, em parte o da França, que desfrutam de grande apoio entre os países nórdicos e exercem um enorme poder de sedução sobre os países do antigo leste europeu, sobre os demais sistemas e países.

4. Aos governantes do proscênio deste Grand Guignol que é a política europeia cabe providenciar as retóricas que sustentem a ideia da inevitabilidade das políticas neoliberais de “austeridade", frequentemente de inspiração algo populista e disfarçadamente nacionalista para seus eleitores, embora neguem de pés juntos e mãos postas esta condição, que dê sustentação eleitoral a esta “democracia no aprisco” que tem algo de farsa, como aquele teatro francês inspirado no antigo mundo dos fantoches contemporâneos do Iluminismo. O melhor exemplo desta retórica, que tem algo de tragicômico devido a quem o ofereceu, foi dado pelo vice-chanceler alemão, o social democrata (!) Sigmar Gabriel, ao dizer há algum tempo atrás que o governo de Berlim ”não permitiria que os trabalhadores alemães e suas famílias pagassem pelas promessas exageradas de um governo {o de Atenas} cheio de comunistas”.

5. A situação evoluiu, depois que Tsipras chamou o referendo de domingo próximo, para um plebiscito para o seu governo. De um lado, está agora o povo cansado e exaurido pela política de “austeridade” que devastou a sua vida (11 mil suicídios desde que elas começaram), submetido à pressão algo chantagista da “catástrofe da saída do euro" (como se catástrofe já não tivesse acontecido dentro do euro), um enorme e assustador fantoche carregado pelos equivalentes gregos aos nossos “coxinhas” brasileiros das manifestações de direita recentes, a mídia privatista e conservadora do pais, a mídia conservadora europeia, e todo o establishment econômico-político (nessa ordem) hegemônico na zona do euro e na União Europeia. Na manifestação pró-euro da terça-feira, 30, em Atenas, o que se ouvia eram palavras de ordem do tipo “fora Tsipras”, levadas a cabo, como no caso brasileiro, por quem perdeu a eleição anterior. O fato é que neste cenário a posição do governo de Tsipras é bastante difícil. Está isolado dentro do espectro politico largamente majoritário nos países europeus. Rússia e China, que poderiam lhe dar algum alívio financeiro, não vão afrontar a União Europeia nem - é bom não esquecer - a OTAN, que vê na Grécia uma pedrinha menor mas indispensável do seu dominó balcânico e europeu. Se perder o plebiscito, terá muito provavelmente que no mínimo chamar novas eleições. Se ganhar, continuará frente aos mesmos credores e adversários ávidos por provar sua inviabilidade e provocar a sua queda.

6. Num quadro destes, talvez não haja outro caminho senão de fato abandonar o euro e voltar ao dracma, por mais penoso que isto seja no curto prazo. Dizem vários economistas, inclusive conservadores, que o governo teria de cotar a “nova-antiga” moeda em 50% do euro, encarecendo as importações, com possíveis reflexos inflacionários negativos na economia, mas restabelecendo a competitividade desta diante do restante da Europa e catapultando o turismo, importante fonte de renda para o pais. Mas isto nos conduz à outra ponta do quebra-cabeças, ou seja,

7. a constatação de que a União Europeia e em particular o euro se transformaram numa jaula onde os sonhos vão se apequenando e os pesadelos se amplificando. A UE foi um sonho plantado num momento histórico em que a social-democracia europeia, voltada para o bem-estar social, era hegemônica como alternativa ao capitalismo desenfreado e ao comunismo que se esclerosava. Mas o sonho foi colhido pela hegemonia conservadora que se sucedeu ao fim da Guerra Fria (que está de volta, se é que sumiu um dia) e à devastação provocada pela um tanto fugaz mas escachapante hegemonia Reagan - Tatcher - João Paulo II - que demoliu os alicerces da social-democracia, convertendo os social-democratas e socialistas (e também muitos verdes) de hoje em fantasmas desarticulados e pálidos de seus antecessores, vestidos com o sambenito da fogueira (ou banho-maria) neoliberal. O euro foi um passo mais arriscado, concebido ou melhor, vendido, como um paraíso onde os leões, tigres e ursos (as economias mais fortes da U. E.) conviveriam em paz com os cordeiros, cervos e alces (as economias mais fracas), todos bebendo da mesma fonte e se auxiliando e se tolerando mutuamente. Na verdade o que aconteceu foi que os mais fortes continuam ameaçando, subjugando e segregando os mais fracos, para que, no fundo, as raposas, os abutres e os tubarões do sistema financeiro continuem disputando a carniça e sugando o sangue de todo mundo. O paraíso, de onde ninguém deveria querer sair, virou uma jaula de onde ninguém escapa.


PS: Nesta quarta-feira à tarde (horário europeu) o Financial Times divulgou noticia segundo a qual Tsipras havia enviado nova carta aos credores disposto a aceitar “a maior parte” das exigências destes. Ainda não se sabe o teor exato da carta nem o que esta “maior parte” seria, muito menos qual será a reação destes credores. Mas esta informação não altera o quadro politico, econômico e ideológico traçado neste artigo.

CUBA - "Se há presos políticos em Cuba, nos apresentem a lista".

Cardeal cubano: ‘se há presos políticos em Cuba, nos apresentem a lista’





Resumen Latinoamericano
 

Adital
 
Por Fernando Ravsberg

O cardeal cubano, ante a visita do Papa Francisco à ilha, prevista para setembro próximo, critica uma campanha midiática orquestrada contra ele a partir de Miami e insiste em que não existem presos políticos em Cuba.

caritas.org
Jaime Ortega, cardeal de Cuba, é alvo de campanha proveniente de Miami como motivo da visita do Papa Francisco a Cuba.


"A próxima visita do Papa não é essencialmente política, é uma visita com uma profunda mensagem pastoral, com o ânimo de acentuar o espírito de diálogo na Igreja e fora dela, no mundo que nos rodeia. O Papa elogiou muito o diálogo entre Cuba e Estados Unidos e o colocou como exemplo de como é possível resolver os problemas de maneira diplomática, evitando confronto e violência”.
São a palavras do cardeal cubano Jaime Ortega, que critica a campanha orquestrada contra ele a partir dos meios de comunicação de Miami (EUA) e recorda que, "quando há uma visita do Papa a Cuba muitos a promovem e desejam”. "Inclusive, de Miami e dos EUA já temos grandes quantidades de cubanos que organizam aviões para vir. Mas há outros que se sentem mal porque lhes parece que tem conotações políticas e vão criando um ambiente um pouco pesado dentro e fora, como aconteceu da outra vez”, observa.
A imprensa do exílio cubano está utilizando alguns segundos de uma entrevista com o cardeal à cadeia SER, da Espanha, para desatar uma campanha contra ele, aludindo que, supostamente, negava a existência de presos políticos em Cuba.
A resposta de Ortega é contundente: "se há presos políticos que nos apresentem a lista porque estamos recebendo centenas de cartas pelo indulto que a gente espera que possa haver, mas nenhuma indica delitos políticos”.
Ortega assegura que, além da libertação de presos políticos e comuns, que, "na vida da Igreja temos tido outras manifestações públicas, o percurso da Virgem da Caridade por toda a Cuba, sua presença em foros civis, sociais, inclusive, nas prisões, em hospitais. Tudo isto indica a normalização progressiva da vida da Igreja em Cuba”.

GRÉCIA - Entre o sim e o não.

Entre o sim e o não, Grécia tira a máscara do neoliberalismo cruel da Troika

Com bancos fechados, controle de capital e democracia ameaçada, o mundo aguarda a decisão do povo grego em referendo convocado pelo governo.


Jon Queally, do CommonDreams
common dreams
Segundo observadores, o discurso feito pelo presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker em Bruxelas na segunda-feira teria aumentado dramaticamente a tensão sobre o referendo na Grécia marcado para o próximo domingo – votação que poderá resultar na saída do país da zona do euro.

Com a reação dos mercados financeiros globais ao anúncio, feito no domingo, de que os bancos e a bolsa de valores gregos estariam fechados esta semana, e com a imposição de controles de capital, a crise na Grécia, ou 'Grisis’, atinge agora seu ápice. Além disso, a população do país financeiramente devastado foi convidada a escolher entre "sim" ou "não", se aceitam ou rejeitam o acordo que continua a impor a política de austeridade em troca de novo de aporte de dinheiro e crédito estendido apresentado pela Troika – como se chama a trinca Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu.

Recomendando aos eleitores gregos a votar "sim" e aceitar a proposta da Troika, o jornalista do The Guardian Graeme Wearden classificou a fala de Junker como um discurso “de cair o queixo" por suas implicações. Wearden argumenta que “o medo da morte não deveria levar o povo grego a cometer suicídio”, e diz que Juncker “disse ao povo grego que, no domingo, este estará escolhendo entre o euro e a porta de saída, que o governo mentiu para eles, e que ele (Junker) tem sido seu verdadeiro amigo e aliado na mesa das negociações".

Na segunda-feira, o Governo liderado pelo Syriza anunciou que o transporte público seria gratuito esta semana, para suavizar o peso da situação econômica e que alguns bancos ofereceriam acesso exclusivo aos aposentados, que do contrário poderiam enfrentar dificuldades em acessar suas economias.

Na noite de domingo, o primeiro-ministro Alexis Tsipras fez um discurso na TV sobre os últimos acontecimentos – incluindo a decisão de fechar os bancos para restringir os saques – e disse: "quanto mais calma tivermos para enfrentar as dificuldades, mais cedo vamos vencê-las”.

A mensagem de Tsipras vai no sentido oposto ao discurso feito por Juncker na segunda-feira, e o Partido Syriza deixou claro que se opõe aos termos do acordo apresentado pela Troika, e vai exortar a população a dizer "não" à proposta.

O que aconteceu no fim de semana, de acordo com o colunista do New York Times e Nobel de Economia Paul Krugman, foi um "Corleone às avessas" – em referência ao filme O poderoso chefão – em que a Troika fez uma oferta que o governo Syriza "não poderia aceitar”. “Os comissários da Troika provavelmente fizeram isso de propósito", afirmou Krugman, para pressionar ostensivamente o governo de esquerda. Exceto o aspecto econômico da proposta, explicou Krugman, "o ultimato foi, na verdade, um movimento para derrubar o governo grego. E, mesmo para quem não gosta do Syriza, isto é perturbador para quem acredita nos ideais europeus".

Nick Dearden, diretor-executivo da Global Justice Now, com sede no Reino Unido, criticou violentamente o comportamento da Troika, especificamente a recusa em permitir uma pequena extensão do programa de liquidez bancária que precedeu o referendo do próximo domingo.

"As políticas intransigentes e desumanas da União Europeia agora ameaçam provocar uma crise mundial”, disse Dearden ao CommonDreams. "A UE e o FMI parecem obcecados em punir impiedosamente a Grécia por se atrever a se opor às condições da dívida, manifestamente abusivas e injustas, e que estão causando enorme sofrimento. Recusar-se a aceitar um pequeno adiamento para a realização do referendo é colocar a aplicação brutal de um capitalismo sem freios acima da democracia e das necessidades da população”.

Com manifestações em toda a Europa pela anulação da dívida grega, continuou Dearden, a recusa em tratar o povo grego com dignidade é simplesmente imperdoável. "Esta imposição violenta da austeridade na Grécia vai manchar de mais sangue ainda as mãos da classe financeira da UE", disse.

Como escreveu o ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis no Twitter, no fim de semana, o principal agora é assegurar que o povo da Grécia – aqueles que já se sacrificaram demais no altar da austeridade imposta e que serão os mais impactados pela aceitação ou rejeição do acordo – possa participar da decisão. Em seguida ao anúncio do referendo, ele afirmou, também no Twitter:

“A democracia merecia um impulso nos assuntos referentes à Europa. Acabamos de dá-lo. Deixemos o povo decidir. (Engraçado como este conceito soa radical!)”.

Mais tarde, em um post em seu blog, Varoufakis descreveu o que aconteceu no sábado, na reunião da Comissão Europeia:

A reunião do Eurogrupo de 27 de junho de 2015 não será um momento de orgulho na história da Europa. Os Ministros rejeitaram o pedido do governo grego para que o povo grego tenha direito a uma única semana para responder “sim” ou “não” às propostas das instituições – propostas cruciais para o futuro da Grécia na zona do euro. A própria ideia de que um governo consultaria o povo sobre uma proposta problemática apresentada pelas instituições foi tratada com incompreensão e muitas vezes com desdém, beirando o desprezo. Chegaram a me perguntar: "Como você espera que pessoas comuns compreendam questões tão complexas?". De fato, a democracia não teve um bom dia na reunião do Eurogrupo ontem! Nem as instituições europeias. Após a rejeição ao nosso pedido, o Presidente do Eurogrupo rompeu a convenção da unanimidade (emitindo um comunicado sem o meu consentimento) e tomou a decisão questionável de convocar uma reunião de acompanhamento sem o ministro grego, supostamente para discutir os "próximos passos".

Democracia e união monetária podem coexistir? Ou uma delas deve capitular? Esta é a pergunta fundamental que o Eurogrupo respondeu ao colocar a democracia na lista de tarefas impossíveis. Não para nós, esperamos.

Com a subida das tensões e o temor de um pânico financeiro, no entanto, não são apenas os dirigentes do Syriza que afirmam que os eleitores gregos estariam certos em rejeitar a continuação da austeridade imposta pela Troika, mesmo se for preciso deixar a moeda única da zona euro.

Em sua coluna no NY Times, na segunda-feira, Krugman deu três razões para a Grécia votar "não" ao acordo:

Em primeiro lugar, sabemos agora que uma austeridade cada vez mais rígida é um beco sem saída: depois de cinco anos, a Grécia está pior do que nunca. Em segundo lugar, muito do tão temido caos que representaria a saída da zona do euro já aconteceu. Com bancos fechados e controle de capital, não há muitos outros danos possíveis.

Finalmente, aceitar o ultimato da Troika representaria o abandono definitivo de qualquer pretensão de independência grega. Não se deixem levar por alegações de que os representantes da Troika são apenas tecnocratas explicando aos gregos ignorantes o que deve ser feito. Estes supostos tecnocratas têm se mostrado delirantes, ignorando tudo o que conhecemos de macroeconomia, e têm se provado repetidamente equivocados. Não se trata de análise, mas de poder – o poder dos credores de desligar os aparelhos que manteriam viva a economia grega, um poder que vai durar enquanto a saída do euro for considerada impensável.

Então é hora de tornar esta possibilidade pensável. Caso contrário, a Grécia enfrentará uma austeridade e uma depressão sem fim.

Costas Panayotakis, professor associado de sociologia na City University of New York, fez a mesma argumentação na segunda-feira. "Desde sua eleição, em janeiro, o Governo grego, na tentativa de chegar a um acordo, tem feito muitas concessões à agenda de austeridade da zona do euro", explicou. "O fato de os parceiros europeus da Grécia, no decurso das negociações, terem sempre pedido mais, sugere que eles talvez não desejassem de fato um acordo, mas esmagar o único governo europeu com a audácia de criticar abertamente o consenso neoliberal. A resposta europeia ao anúncio de um referendo também expõe a antiga aversão das elites econômicas e políticas europeias aos processos democráticos que permitem ao povo europeu ter voz quanto ao futuro do projeto europeu”.

Enquanto isso, o correspondente do The Guardian Jon Henley conversou com alguns dos gregos mais afetados pelos muitos anos de ruína financeira. Como Henley relata:

Após sete anos de uma crise que deixou 26% da força de trabalho da Grécia sem emprego, 30% da população abaixo da linha de pobreza, 17% sem meios de fazer três refeições por dia, e 3,1 milhões de pessoas sem acesso ao sistema de saúde, é difícil ver como qualquer decisão tomada em Bruxelas ou Atenas na próxima semana poderá mudar de fato a vida de um grande número de gregos num futuro próximo.

“Quem já estava na margem foi empurrado para bem longe do sistema, e quem estava no meio foi empurrado para as margens", disse Ioanna Pertsinidou, do Praksis, uma instituição de caridade que acolhe pessoas vulneráveis %u20B%u20Be oferece assistência jurídica e auxilia na busca de emprego.

"Tantas pessoas – comuns, de renda média a baixa, que tinham empregos, casas e vidas organizadas – perderam tudo rapidamente", disse Pertsinidou. "Pessoas que nunca imaginariam que um dia não poderiam pagar a conta de luz ou alimentar seus filhos”.


Tradução de Clarisse Meireles

PETROBRAS - Petição em defesa de nosso petróleo.

Data:


01/07/2015 11:51
Assunto:


Urgentissimo:: campanha de abaixo assinado aos senadores em defesa de nosso petróleo
 
 

Amigos

Repassem, se concordarem que é um absurdo entregar a maior riqueza de nossa terra - depois de nosso próprio povo - a interesses estrangeiros.




Companheiros/as de movimentos populares
 
Vejam o manifesto abaixo que precisamos enviar HOJE para todos senadores, que começarao a discutir e votar o projeto do senador serra, que tira a Petrobras do pre-sal, e entrega para as empresas transnacionais.
 
Se aceitar subscreve-lo, envie-o a todos senadores.

Basta colocar como destinatário oculto o endereço 
 
 
e ai vai para todos 81 senadores ao mesmo tempo.
 
Se quiser fazer seu proprioo manifesto fique

à votande. Mas tem que ser hoje.
abs
sec geral do

MST
Car@ senador@,
O projeto 131/2015, do senador José Serra, está na ordem do dia e deve ser votado nesta terça-feira no Plenário do Senado Federal. Esse projeto trata de alterações no marco regulatório de exploração do pré-sal, que foi aprovado em 2010.
Na época, o presidente Lula chamou a descoberta do pré-sal de “nova independência” e considerou a lei da partilha como uma garantia de que “a maior parte dessa riqueza fique nas mãos dos brasileiros”.
O projeto do senador José Serra representa um retrocesso no marco regulatório do pré-sal, porque retira da Petrobras a condição de operadora única e o direito de uma participação mínima de 30% na exploração dos campos.
Nós, cidadãos e cidadãs brasileiros - que atuamos em sindicatos de petroleiros, as centrais sindicais, os movimentos sociais e as entidades estudantis, coletivos de cultura e comunicação – somos contrários à aprovação desse projeto. As mudanças no marco regulatório ferem a soberania nacional, enfraquecem o Estado brasileiro e prejudicam os interesses populares.
Esse projeto pune a Petrobras e abre para as grandes petroleiras estrangeiras a possibilidade de exploração exclusiva do pré-sal, com o argumento de que a estatal brasileira não teria condições para cumprir a responsabilidade expressa no marco regulatório. Com isso, o país perderá um instrumento para conduzir o desenvolvimento, deixando o país a reboque das petroleiras estrangeiras.
O Brasil perderá peso na disputa geopolítica internacional. A Petrobras ficará pra trás no mercado competitivo do petróleo. O Estado perderá um instrumento para definir o ritmo da produção, abrindo margem para a exploração predatória.
As bases do desenvolvimento nacional, como a política de conteúdo nacional e de desenvolvimento de tecnologia em toda a cadeia de exploração do óleo, estarão ameaçadas. Os investimentos em educação e saúde, por meio do pagamento dos royalties, estão sujeitos a fraudes.
Não podemos discutir o marco regulatório do pré-sal com pressa e açodamento. Solicitamos mais tempo para o Senado Federal antes da votação desse projeto. A discussão desse tema tão importante e complexo em uma única comissão temática contraria a tradição dessa Casa de aprofundar o debate.
Sugerimos que o Senado organize audiências públicas, ouça a Petrobras e as petroleiras estrangeiras, escute especialistas na área do petróleo, saiba a opinião dos engenheiros e trabalhadores do setor e convide os movimentos populares para participar da discussão.
Nós temos uma riqueza inestimável e precisamos ter muito cuidado para fazer alterações no marco regulatório do nosso pré-sal, que é a maior descoberta petrolífera das últimas décadas.
São Paulo, 30 de junho de 2015
Via campesina Brasil
Movimento dos trabalhadores rurais sem terra- MST
Movimento dos atingidos por barragens- MAB
Movimento das mulheres camponesas- MMC
Comissao pastoral da terra- CPT
Pastoral da juventude rural-PJR
Federação dos estudantes de agronomia do brasil- FEAB
Movimento dos assalariados rurais-ADERE MG
Movimento dos pequenos agricultores- MPA

Movimento campones Popular- Goias

ECONOMIA - A política monetária de uma nota só.


Taxa de juros ou depósito compulsório?

Por Paulo Kliass, no site Brasil Debate:

A atual prioridade concedida pelo Ministério da Fazenda, em termos de política econômica, tem sido direcionada à obtenção da meta de superávit primário. Apesar de todas as dificuldades para cumprir com os objetivos de redução de despesas do Orçamento da União, permanece a intenção oficial de atingir os 1,1% do PIB como valores assegurados para o pagamento dos juros da dívida pública.
Ocorre que a adoção de tal estratégia de promoção do ajuste fiscal se dá em um contexto de redução do ritmo da atividade econômica. As expectativas para o desempenho do PIB apontam para uma retração de -1,3% ao longo de 2015. Esse processo deve provocar uma frustração na receita tributária, implicando maiores cortes nos gastos sociais.

O crescimento dos preços faz com que o governo mantenha a política monetária restritiva para corrigir a distorção inflacionária. Assim, optou-se por uma política persistente de elevação da taxa de juros. Essa estratégia altista mais recente do COPOM teve início no final de outubro do ano passado, quando a taxa foi aumentada de 11% para 11,25%. A partir daí, foram realizadas mais 5 reuniões, com igual número de elevações da taxa, até atingir os atuais 13,75%.

A fixação da SELIC em tais níveis acaba por comprometer a própria tentativa de conter gastos públicos, tal como recomendado pela política de ajuste fiscal. Com o estoque da dívida pública se aproximando de R$ 2,5 trilhões, cada ponto percentual de aumento da taxa de juros corresponde uma elevação de despesas com serviços da dívida de R$ 25 bilhões anuais. Ou seja, apenas com os aumentos praticados ao longo de 2015, os gastos federais já teriam subido por volta de R$ 38 bilhões.

A lógica neoclássica encara a inflação apenas como um problema de descompasso entre oferta e demanda de bens e serviços. Em razão da livre ação das forças no mercado, um determinado volume de demanda agregada maior do que a oferta agregada pode significar fator de desequilíbrio. Sob tais circunstâncias, esse fenômeno tende a provocar preços mais altos nos mercados, em comparação ao que seriam em situação de suposto equilíbrio.

De acordo com esse raciocínio, a política monetária entraria em ação para retirar recursos dessa pressão da demanda sobre a oferta. Esse seria o caminho para reequilibrar os preços de uma forma geral e evitar a inflação. E aqui entra o pulo do gato da política monetária contracionista.

A hipótese subjacente é que a elevação dos juros operaria como atrativo para uma parcela desses recursos da demanda, que deixariam de se dirigir ao consumo e seriam reorientados à poupança, em busca da maior rentabilidade oferecida pelos títulos no mercado financeiro.

Como se pode perceber, trata-se de um mundo bastante idealizado, muito distante de nossa realidade concreta. As pressões inflacionárias mais recentes não serão resolvidas apenas pelo aumento da SELIC, pois a maior parte da pressão sobre a demanda vem de setores que não possuem capacidade de poupança e muito menos que deixariam de consumir para aplicar seus recursos em títulos oferecidos pelas instituições financeiras.

Alguns aumentos de preços não devem ser combatidos por juros altos. É o caso típico da tão famosa “inflação do tomate” que ressurge todos os anos, em função de um ciclo típico desse produto. Os preços recuaram pela dinâmica cíclica da produção e oferta de determinados alimentos. Tampouco não são afetados pela SELIC os aumentos mais recentes dos preços administrados, como transportes e energia elétrica, que tanto contribuíram para a alta do IPCA.

Além disso, é importante mencionar o efeito perverso da taxa de juros elevada sobre a realidade cambial. A opção pela “livre flutuação” da taxa de câmbio com o ingresso maciço de recursos externos especulativos contribui para uma sobrevalorização artificial do real, acentuando a desindustrialização e o desequilíbrio no setor externo.

Mas imaginemos que o problema fosse realmente o excesso de demanda agregada e que ela deva mesmo ser reduzida. Nesse caso, qualquer manual básico de macroeconomia tradicional oferece uma alternativa à elevação da taxa de juros para se obter o mesmo resultado de redução da pressão da demanda sobre a oferta. Trata-se do aumento da alíquota do depósito compulsório. É interessante observar que tal opção não encontra espaço nos meios do sistema financeiro e quase nunca aparece na imprensa.

O depósito compulsório é um instrumento já existente na regulamentação de nosso sistema financeiro e prevê que os bancos sejam obrigados recolher junto ao Banco Central um percentual de todos os seus depósitos. A ideia é evitar que os bancos emprestem a terceiros um volume muito grande dos recursos que ali são depositados.

Esse mecanismo de controle sobre a chamada “criação monetária” pelo sistema bancário permite, assim, atuar sobre a quantidade de recursos que são canalizados para consumo. Com isso, tem-se uma redução da massa monetária disponível para a demanda agregada.

Atualmente, por exemplo, a alíquota de recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista nas instituições financeiras é de 44%. Em outros tempos, já foi bem maior. No primeiro semestre de 2003, por exemplo, estava em 60%. Em 1999, oscilou entre 65% e 75%. Ou seja, há espaço para uma eventual mudança.

Assim, se o governo pretende endurecer a política monetária, ele pode aumentar o compulsório, ao invés de elevar a SELIC. O efeito sobre a redução da demanda agregada será no mesmo sentido. O impacto sobre o nível de preços será da mesma magnitude.

Já os efeitos sobre a redução do nível de investimento não serão tão negativos, uma vez que as taxas de juros sobre operações poderão ser mais baixas. E a maior parte da sociedade ficará agradecida, uma vez que não haverá o enorme impacto negativo sobre as despesas financeiras do orçamento do Estado nem sobre a valorização indesejada do câmbio.

GRÉCIA - A pressão dos "abutres financeiros".

União Europeia pressiona o povo grego a dizer "sim" a sacrifícios ainda maiores


 
O objetivo do Banco Central Europeu, da União Europeia e do FMI, ao tentar impor um acordo que prevê mais desregulamentação do mercado de trabalho, cortes nas pensões, reduções mais drásticas nos salários do setor público, é a derrocada do governo de esquerda do Syriza. A decisão está nas mãos do povo grego. Mas a pressão da UE e o Banco Central Europeu sobre os eleitores gregos revela que não aceitam nenhuma outra saída além a vitoria do SIM. Que não salvara a Grécia mas preservará o sistema financeiro europeu, já que os bancos, alemães principalmente, já foram salvos as custas dos sacrifícios do povo grego.

PETROBRAS - Petroleiros avaliam novo plano da Petrobras.

Petroleiros avaliam que plano de (des)investimentos da Petrobras é um desmonte da política dos governos petistas desde 2003



Em 1985, os petroleiros realizaram a mais longa greve da história da categoria. É irônico que, 20 anos depois, a categoria esteja discutindo a possibilidade de novamente entrar em greve, para resistir ao desinvestimento na empresa e ao fim do regime de partilha no pré-sal. Irônico, explica José Maria Ferreira Rangel, da coordenação geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), porque tanto a venda de ativos da empresa quando a mudança do regime — proposta pelo senador José Serra (PSDB/SP), na PEC 131/2015 — contam com apoio de setores do governo do PT e podem acontecer em um governo do PT, apesar de representarem rumo contrário ao que foi feito desde 2003.
Foi nos governos do PT que a Petrobras realizou investimentos para crescer e se tornar o que é hoje: uma empresa que extrai 800 mil barris dias de uma reserva que há cinco anos sequer era explorada; que deu lucro de R$ 5,3 bilhões no primeiro semestre, que poderá produzir 5,2 milhões de barris em 2020, o que tornará o Brasil um dos maiores exportadores mundiais de petróleo. Mas a atual diretoria da Petrobras, diz Zé Maria, parece ter optado por voltar ao caminho proposto por Fernando Henrique em 1995. Em vez de defender os interesses do país e da empresa, planeja reduzir investimentos, vender ativos. “Infelizmente a nova diretoria da Petrobras, obviamente com o aval de seu acionista majoritário, que é o governo, está fazendo uma opção pelo mercado”, lamenta Zé Maria, em entrevista, esta tarde, ao Blog do Zé Dirceu.
Ele se refere ao Fato Relevante enviado hoje pela Petrobras à Comissão de Valores Mobiliários, no qual a empresa anuncia uma redução de 37% nos investimentos entre 2015 e 2019 e a venda (desinvestimento) de US$ 15,1 bilhões de seus ativos (sendo 30% na Exploração e Produção, 30% no Abastecimento e 40% no Gás e Energia). O Plano de Negócios anunciado hoje não define somente o valor dos recursos a serem aplicados pela empresa, mas a sua direção estratégica nos próximos anos. E essa direção, afirma Zé Maria, é contrária aos interesses do povo brasileiro.
Blog do Zé Dirceu — Qual a avaliação da FUP sobre Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, enviado pela Petrobrás à CVM hoje?
José Maria Ferreira Rangel — O que a gente nota claramente, pelo que foi divulgado, é que infelizmente a nova diretoria da Petrobras, com o aval de seu acionista majoritário, que é o governo, está fazendo uma opção pelo mercado. Tudo aquilo que foi construído ao longo do governo Lula, de ter uma empresa integrada, que busca cada vez mais expandir os negócios dentro do país e contribuir com seu desenvolvimento, está sendo deixado de lado.

Por que a Petrobras precisa ser uma empresa integrada?
Porque o lucro de uma área compensa enventuais quedas de lucro em outra, como acontece hoje com o negócio de abastecimento, que está mais lucrativo do que o de exploração e produção. Para avançar nessa integração achamos fundamental, por exemplo, concluir a construção das refinarias Abreu e Lima (PE) e Comperj (RJ), assim como fortalecer todas as subsidiárias, em especial a BR Distribuidora e a Transpetro. Mas a proposta da diretoria é no sentido contrário. A empresa pretende abrir mão, inclusive, de setores que não são tão lucrativos mas são estratégicos para o país — e este é outro motivo para que a empresa seja integrada. O setor de fertilizantes, por exemplo. O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, mas ainda somos dependentes da importação desse insumo. Por isso, defendemos a conclusão da construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (FAFEN-MS) e a incorporação da FAFEN-PR (Araucária Nitrogenados) nas empresas do Sistema. Também defendemos a garantia do fornecimento de gás e a plena disponibilidade das Unidades Termelétricas. O que está acontecendo agora é um retrocesso ao tempo dos governos Fernando Henrique, em que a Petrobras não investia e ficava na defesa, só atrasando bola para o goleiro.

Não foram divulgados detalhes sobre o que a empresa pode vender.
A empresa não divulgou detalhes das áreas que vão se desinvestidas porque isso desvaloriza o que vai ser vendido. Mas o tamanho da meta é um indicativo.

A FUP fez uma série de propostas no sentido contrário do plano anunciado hoje. Elas foram incorporadas ao plano?
Nosso companheiro eleito ao conselho protocolou um documento da FUP, com nossas propostas, na reunião de sexta-feira, mas ele foi ignorado. Parece que quem ganhou a eleição foi o Aécio. A nova diretoria da Petrobras está trilhando o caminho de diminuir a empresa, de reverter algo que levamos os últimos 12 anos de governo para fazer, fazer com que a empresa voltasse a ter o tamanho que sonhamos. Esse desinvestimento nada mais é do que uma resposta ao mercado, em vez de uma opção pelo desenvolvimento do país, geração de emprego e de renda. É extremamente ruim.

O argumento da direção da empresa e do governo é que este é um recuo necessário, diante da crise econômica. Esse argumento não razoável?
O cidadão comum pode achar que é razoável. Achar que o país está vivendo uma situação econômica difícil e nada mais justo seria do que pegar a maior empresa do país e desinvestir. Mas no governo Lula, em 2008, com a crise internacional e a quebra dos bancos, a Petrobras fez exatamente o contrário. Não desinvestiu, continuou crescendo. Se estivéssemos escolhido essa receita neoliberal em 2008, o povo brasileiro teria pagado um custo mais alto pela crise desde aquele momento. E é isso que está acontecendo agora, infelizmente com a benção do governo do PT. O governo, como acionista majoritário, tem mecanismos de injetar recursos na companhia. Só um exemplo do que poderia ser feito, e que propusemos no nosso docuento: o governo abrisse mão, hoje, da parcela que lhe cabe da Cide, de dez centavos na gasolina e cinco centavos no diesel, seriam R$ 6 bilhões por ano. Isso seria um reforço de caixa para a companhia viabilizar seus investimentos.

Esta semana começa o Congresso da FUP. Qual será a pauta?
Começa na quinta-feira e vai até domingo. A pauta é que a defesa da Petrobras é a defesa do Brasil. Vamos ter diversas mesas discutindo toda essa questão e esperamos sair de lá com deliberações e encaminhamentos no sentido de resistir, mais uma vez, a essa ofensiva da direta. Este ano faz 20 anos da nossa greve de 95, que fez o contraponto à política entreguista do governo FHC. E se nosso destino for, aos 20 anos, ter que realizar uma nova greve, contra essa nova investida, daqui a 20 anos vamos lembrar dessa greve de 2015.

Amanhã haverá uma audiência pública sobre o PL 131/2015, que muda o regime de partilha no pré-sal. Qual é a posição da FUP a respeito do projeto?
Não faz sentido discutir isso agora, ainda mais com esta pressa. O projeto é do início do ano e o Senado previu somente uma audiência pública para debater o tema! A Lei da Partilha foi aprovada em 2012, depois de 15 meses de debates, e nem completou um ciclo inteiro. O Campo de Libra, leiloado neste regime em 2013, sequer começou a produzir, só começa em 2020. Os interessados neste projeto, que favorece as petroleiras internacionais, estão se aproveitando da conjuntura para tentar mudar algo estrutural. E trazem argumentos falaciosos. Dizem, por exemplo, que custa caro para a Petrobras participar com 30% de todos os consórcios que exploram o pré-sal. Mas isso é uma decisão do governo, ele pode estabelecer bônus de assinatura menores para a Petrobras. E o ritmo dos leilões também é decidido pelo governo, por meio do Conselho Nacional de Política Energética. Além disso, não precisamos leiloar campos do pré-sal imediatamente, temos uma boa oferta hoje, com os blocos do pré-sal e de concessão, e o preço do petróleo está em baixa. Qual é a pressa? Seria mais honesto, da parte de Serra e dos defensores deste projeto, admitir que não estão satisfeitos com o sucesso da Petrobras. A FUP está tentando fazer parte da mesa da audiência amanhã. Somos contrários ao projeto e vamos defender a Petrobras. Queremos que o tema seja discutido mais amplamente. Não faz sentido tocar isso a toda velocidade. E, veja, é uma ofensiva ampla de retrocessos, acompanhada não apenas do novo plano estratégico da empresa mas de iniciativas como a redução da maioridade penal, tabém votada a toque de caixa. A audiência sobre o pré-sal, amanhã, é quase na mesma hora da votação redução da maioridade penal.

ECONOMIA - Como o "Tisa" pode mexer na economia mundial.

Saiba como o acordo global de comércio Tisa pode mexer na economia do planeta

  


Pelo menos 51 países estão discutindo em segredo, desde 2013, um acordo global de comércio que, se entrar em vigor, pode mudar radicalmente a estrutura da economia do planeta. O Tisa (Trade in Services Agreement, na sigla em inglês) tem como princípio direto provocar uma liberalização inédita dos agentes econômicos, com consequências financeiras e sociais enormes, sobretudo para os países do sul.
Os termos em negociação são conhecidos porque o Wikileaks realizou o vazamento uma versão no início de junho. Estados Unidos, a União Europeia, e 22 outras nações, incluindo Canadá, México, Austrália, Israel, Coreia do Sul, Japão, Noruega, Suíça, Turquia, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Panamá e Peru e Uruguai estão nas negociações. Doze dos países do G20 – o grupo das vinte economias mais importantes do planeta – estão representadas, mas cabe ressaltar que nenhum dos BRICS – a sigla para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – foi incorporado nas conversas.
Se for concluído, o acordo deve liberalizar o comércio global de serviços, numa definição bem ampla, que engloba o transporte aéreo e marítimo, e-commerce, telecomunicações, contabilidade, engenharia, consultoria, saúde, e educação privada. A ideia é acabar com toda a regulamentação, seja ao nível nacional, provincial ou local. Veja mais informações sobre o acordo nesta matéria do Opera Mundi. O texto explica por que o Tisa deve beneficiar principalmente os Estados Unidos e como, apesar de exigir transparência dos países no que se refere a regulamentação de atividades privadas, é uma grande manobra antitransparência.

Cunha descumpre sua palavra para dar um golpe a favor do financiamento p...