segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Mészáros e a obra da sua vida.

 

Mészáros e a obra de sua vida

Ivana Jinkings apresenta "Para além do Leviatã", obra póstuma de István Mészáros, resultado do ambicioso projeto teórico de um dos maiores filósofos da tradição materialista histórica.

István Mészáros na sede da editora Boitempo, em junho de 2011.

Conforme desejo expresso por István Mészáros, a primeira edição mundial do mais ambicioso projeto de sua vida já está em pré-venda pela Boitempo: Para além do Leviatã: crítica do Estado. Pensado inicialmente para uma publicação em três volumes, apenas o primeiro foi parcialmente concluído em razão do falecimento do autor em outubro de 2017. A seguir, publicamos a apresentação do livro feita por Ivana Jinkings, editora e fundadora da Boitempo, além de amiga de longa data do filósofo húngaro.

Por Ivana Jinkings

Para além do Leviatã é o décimo sexto livro de István Mészáros que a Boitempo publica. Um livro póstumo, editado a partir de seus originais e de anotações que fez ao longo das pesquisas sobre o Estado. As obras desse marxista húngaro radicado na Inglaterra, um dos maiores filósofos que a tradição materialista histórica produziu, marcam profundamente a trajetória da editora. Não tenho como escrever uma apresentação a frio.

Conheci Mészáros em junho de 2002, quando veio ao Brasil para o lançamento de Para além do capital1, originalmente publicado em inglês em 1995. Antes, havíamos trocado algumas cartas, a partir de contato feito por Ricardo Antunes, coordenador da coleção Mundo do Trabalho, amigo e principal incentivador daquela publicação. Não era a primeira visita de Mészáros ao país – ele estivera aqui em 1983 – nem o primeiro livro publicado em português. A teoria da alienação em Marx teve edição pela Zahar em 1981. A obra de Sartre: busca da liberdade; Filosofia, ideologia e ciência social e O poder da ideologia foram publicados pela editora Ensaio em 1991, 1993 e 1996, respectivamente. A Ensaio – então dirigida por José Chasin – cumpriu importante papel na divulgação das ideias de Mészáros nos anos 1990.

A tradução de sua obra magna (1.104 páginas, em capa dura, esgotada seis meses após a publicação) foi um marco na história da Boitempo. E também o início de uma bela e profunda amizade. Desse ano em diante, István passou a se hospedar em minha casa todas as vezes que veio ao Brasil – até 2007, sempre acompanhado de Donatella2. Uma relação que se estendeu às nossas famílias: o casal Mészáros esteve com minha mãe e irmãos em Belém, sua filha e neta hospedaram-se em minha casa em diferentes ocasiões.

Foi numa vinda ao Brasil, em junho de 2011, que Mészáros mencionou pela primeira vez a ideia de publicar um livro sobre o Estado. Disse que o escrevia há tempos – convencido por Donatella de que o Estado moderno seria o grande entrave à igualdade substantiva –, e pretendia dedicar os últimos anos de vida a esse tema “vitalmente importante para o nosso futuro”.

Desde Para além do capital havia uma lacuna teórica a ser preenchida em relação a essa matéria, entendida por ele como força determinante dos conflitos de classe. Partindo de Thomas Hobbes e seu Leviatã3, postulando a atual necessidade de uma teoria marxista do Estado, dialogando crítica e afetivamente com Norberto Bobbio, contrapondo-se às ideias de Max Weber – cujo propósito não declarado seria “a legitimação e a justificação apologética do Estado capitalista e de sua ilegalidade enquanto violência” –, debatendo prioritariamente com Hegel, mas também com pensadores como Ernest Barker, John Austin e Jeremy Bentham, Mészáros traça um panorama das grandes teorias sobre a matéria para “compreender a verdadeira natureza do Estado”.

Os primeiros arquivos chegaram em 2013. Uma versão ampliada de textos preparados para serem apresentados em conferências no Brasil – que, no ano seguinte, como gostava de fazer, ele decidiu antecipar como publicação avulsa4. O plano geral da obra, em três volumes [p. 385]5, estava pronto em 2015 e previa publicações em 2017, 2018 e 2019. Em carta dessa época, ele destacou:

Como você verá no índice, este livro é constituído de três partes, correspondendo a três volumes, com aproximadamente 250-300 páginas cada. O primeiro dá uma ideia da natureza da obra como um todo, apresentando uma abordagem radicalmente diferente dos graves problemas do Estado. Para que, caso eu morra antes de completar o todo, vocês possam usá-lo, se quiserem, e continuar com essa tarefa absolutamente necessária. Acredito que você poderá publicar o primeiro volume na primavera de 2017. Posso enviar-lhe o texto completo do primeiro volume no final de agosto. O segundo poderia ser publicado em 2018 e o terceiro em 2019. Se eu ainda estiver vivo, irei ao lançamento do terceiro volume. Antes, não viajo para lugar nenhum.6

Mészáros retomava assim, em tempo integral, o plano interrompido após a publicação de sua obra fundante. O Estado seria para ele muito mais que uma construção histórica para sustentar (e manter) as bases da dominação política; o problema fundamental para o futuro e para a sobrevivência da humanidade consistiria em suplantar o Estado em sua totalidade. Não é a tarefa política imediata que move nosso filósofo, embora em nenhum momento ele a subestime. Extinguir o Estado equivale a transformá-lo, a modificar seu caráter de classe até atingir o que Marx chamou de “fenecimento do Estado”7. Mas fenecer, para Mészáros, é vencer um processo de conquista de um espaço e de um metabolismo que deve ser transformado em outro.

Em agosto de 2015, ele revelou, entusiasmado, qual seria o título da trilogia (até então tratada apenas como “A crítica do Estado”): Para além do Leviatã. Durante meses, foi mantido como um segredo nosso, desconhecido até mesmo da equipe da editora. O primeiro volume seria anunciado em novembro daquele ano, com lançamento mundial em português, pela Boitempo. Chegamos a aprovar juntos a arte da capa que agora envolve esta edição, que ele, infelizmente, não viveu para ver publicada.

Em março de 2016, István escreveu-me dizendo que precisava ter uma conversa e não poderia ser por telefone nem carta. Pediu-me para ir até a cidade onde estava morando, na costa inglesa. Algumas semanas depois, tomei um avião para Londres e, de lá, um trem para Ramsgate. Mészáros me aguardava na estação. Foram dez dias inesquecíveis, uma verdadeira imersão no universo meszariano. Rodamos a cidade e seu entorno, comemos ostras, tomamos vinho, conversamos muito. Em casa, era ele quem servia todas as refeições e insistia para que eu nem sequer lavasse a louça (no que foi solenemente desobedecido).

Pude acompanhar sua rotina, o processo de trabalho, a forma como organizava suas anotações – primeiro, rabiscando em pequenos papéis nos quais inseria algumas frases apenas, referências bibliográficas, excertos, lembretes de temas a pesquisar. Esses bilhetes eram substituídos por rascunhos um pouco maiores, que ele classificava em pastas [p. 359]. Depois dessa etapa, eram escritos os esboços mais completos, ainda à mão, que iriam tomar a forma final de texto no computador.

Uma tarde fomos a Rochester, cidade onde os Mészáros viveram, para a visita periódica ao posto de saúde em que ele tratava dos resquícios de um câncer, supostamente sob controle. Estivemos ainda na casa onde ele e Donatella moraram, que àquela altura estava à venda. O cenário era familiar: os mesmos móveis de quando eu os havia visitado, anos antes. Mas sem as flores, as vozes altas, a boa comida e a alegria daqueles tempos.

Os dias passaram voando. Horas antes de meu retorno, Mészáros desenhou, à mão, um mapa indicando como ir às livrarias próximas ao hotel onde me hospedaria por um dia em Londres [p. 361], enquanto eu tentava convencê-lo a me deixar presenteá-lo com um relógio “inteligente” (desses que vêm com botão de emergência ligado a uma pessoa próxima ou a uma central 24 horas). “Não precisa”, garantiu ele. Fiz então com que prometesse convocar a faxineira, que limpava a casa mensalmente, a ir pelo menos uma vez por semana. Tudo arranjado, fomos de carro à estação. Tomei o trem para Londres sem imaginar que aquele seria o último encontro com meu querido amigo.

Cerca de um mês antes de sua morte, em 1º de outubro de 2017, Mészáros escreveu:

Estou trabalhando muito bem. Terminei uma seção importante e estou começando a escrever a penúltima. Se tudo correr bem, espero terminar a última no início de novembro. Certamente você poderá contar com o texto completo em meados de novembro. Assim, o volume inicial poderá ser publicado nos primeiros meses de 2018.8

Essas partes, no entanto, não foram localizadas. Durante meses, Giorgio, seu filho caçula, fez buscas nos computadores, pen drives, rascunhos. Em vão. Fomos aos poucos montando o arquivo ao juntar partes enviadas à Boitempo com capítulos remetidos à Monthly Review, editora que o publica nos Estados Unidos. Coube a John Bellamy Foster, seu amigo de longa data e importante interlocutor, a composição final deste volume, tal como Engels fez com os Livros II e III de O capital, de Marx. Devemos a Foster a publicação desta obra da forma mais fiel possível ao plano original.

Agradeço igualmente os esforços de Giorgio Mészáros e o empenho decisivo de Ricardo Antunes para que a tradução brasileira fosse publicada no mesmo ano da chegada do acervo de Mészáros doado à Unicamp. Todas as providências para a vinda desse acervo, que contou com apoio da Fapesp, tiveram a inestimável colaboração de Murillo van der Laan, autor da maioria das fotos do caderno iconográfico. E como este é um empreendimento intelectual e editorial coletivo, manifesto gratidão também ao tradutor Nélio Schneider, à editora Isabella Marcatti, que se ocupou dos originais até o início da preparação dos textos, à equipe da Boitempo (em especial, Carolina Mercês e Livia Campos) e, por último – mas não menos importante –, um reconhecimento aos editores Tiago Ferro e Mika Matsuzake pela paciência e dedicação para que este livro, que eles receberam como “o mais importante lançamento de 2021”, saísse a contento.

Antes de encerrar esta apresentação, preciso esclarecer o motivo pelo qual viajei a Ramsgate, em 2016. Mészáros decidiu incumbir-me de criar e dirigir um prêmio internacional com o nome de Donatella. Honrada (e em parte assustada), aceitei a convocação, e, nos meses que se seguiram, discutimos bastante os termos e a abrangência dessa iniciativa. Agora, que finalmente podemos entregar aos leitores este volume, assumo com a Boitempo o compromisso de tornar realidade o desejo de meu velho amigo, anunciando publicamente, assim que possível, as bases do Prêmio Internacional Donatella e István Mészáros. Espero que faça jus a seu pensamento e incomparável compromisso com a humanidade.

Imagens
Foto 1: Mészáros com a pasta de rascunhos de Para além do capital, 2016.
Foto 2: Mészáros em Belo Horizonte, 2013. Foto de Ester Vaisman.
Foto 3: Mészáros com o livro Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro, de Anita Leocadia Prestes, 2016.
Foto 4: Mészáros em frente ao Dickens House Museum, Ramsgate, 2016. Foto de Ivana Jinkings em seu último dia com Mészáros.
Foto 5: III Seminário Internacional Margem Esquerda, na USP, 2011.
Foto 6: III Seminário Internacional Margem Esquerda, na USP, 2011.
Foto 7: Mészáros, Gilberto Maringoni, Ricardo Antunes e Maria Orlanda Pinassi, na USP, em 2006.
Foto 8: Suzie Mészáros, Jorge Beinstein, Brett Clark e João Pedro Stedile em homenagem a Donatella Mészáros na Escola Nacional Florestan Fernandes, em 2009.
Foto 9: Ricardo Antunes, Maria Orlanda Pinassi e Virginia Fontes, em Campinas, 2011.
Foto 10: Mészáros em Fortaleza, 2013.
Foto 11: David Harvey, Mariana Fix, Nise Jinkings, Ivana Jinkings, Mészáros, Marcos Del Roio, em São Paulo, casa de Ivana Jinkings, 2013.
Foto 12: Mészáros com a equipe da Boitempo, na sede da editora, 2011.
Foto 13: Mészáros com Ronaldo Vielmi Fortes, Miguel Vedda, Caio Antunes, Ester Vaisman e Artur Renzo, em Goiania, 2013.
Foto 14: Mészáros e José Chasin, em setembro de 1996.
Foto 15: Entrevista de Mészáros em 1983, em João Pessoa, publicada na revista Ensaio n. 13.

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“O que a Boitempo realizou ao longo dos anos é admirável em todos os sentidos. De todas as casas editoriais que publicaram meus livros no mundo, as edições que mais valorizo são as suas: não apenas pela beleza das publicações, mas, acima de tudo, por sua habilidade em alcançar públicos leitores relevantes.” – István Mészáros

O livro de István Mészáros tem organização, prefácio e notas de John Bellamy Foster, tradução de Nélio Schneider, apresentação de Ivana Jinkings, texto de orelha de Ricardo Antunes e capa de Ronaldo Alves.

***

Versão impressa em nossa loja virtual (também disponível em capa dura) e e-book à venda nas principais lojas do ramo:


Notas
1 István Mészáros, Para além do capital: rumo a uma teoria da transição (trad. Paulo Cezar Castanheira e Sérgio Lessa, São Paulo, Boitempo, 2011).
2 Donatella (Morisi) Mészáros, sua companheira. Nascida na Itália, em 1936, viveu com István de 1955 a 2007, data em que faleceu na Inglaterra, vítima de câncer.
3 Thomas Hobbes, Leviatã: ou matéria, forma e poder de uma república eclesiástica e civil (trad. João Paulo Monteiro, São Paulo, Martins Fontes, 2014).
4 István Mészáros, A montanha que devemos conquistar: reflexões acerca do Estado (trad. Maria Izabel Lagoa, São Paulo, Boitempo, 2015).
5 Todas as referências a páginas entre colchetes nesta apresentação se referem ao presente volume.
6 Mensagem de István Mészáros a Ivana Jinkings, em 9 out. 2015.
7 Ver Karl Marx, Crítica do Programa de Gotha (trad. Rubens Enderle, São Paulo, Boitempo, 2012).
8 Mensagem de István Mészáros a Ivana Jinkings, em 15 ago. 2017.

***

Ivana Jinkings fundou a Boitempo em 1995 e, atuando desde então como editora, foi responsável pela publicação das obras dos mais influentes pensadores nacionais e internacionais, que se tornaram referência em vários centros de ensino e pesquisa, abrangendo diversas áreas das ciências humanas, como economia, política, história e cultura.

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O Haiti é Aquí!!

 


O Haiti é Aqui!! (Por Arnobio Rocha)

por Luiz Müller

“Pense no Haiti, reze pelo Haiti O Haiti é aqui o Haiti não é aqui” (Haiti – Caetano Veloso) Domingo chuvoso, no meio de um longo feriado, fui chamado para representar a Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP para uma assembleia convocada pela Associação Social dos Imigrante Haitianos (USIH), entidade […]

O Haiti é Aqui!! — Arnobio Rocha

“Pense no Haiti, reze pelo HaitiO Haiti é aqui o Haiti não é aqui”(Haiti – Caetano Veloso)

Domingo chuvoso, no meio de um longo feriado, fui chamado para representar a Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP para uma assembleia convocada pela Associação Social dos Imigrante Haitianos (USIH), entidade criada pelos imigrantes para defender os seus direitos, ajuda mútua, preservação cultural e integração da comunidade ao Brasil.

Há um grande contingente de haitianos (as) vivendo no Brasil, desde o grande terremoto de 2010, boa parte deles moram em São Paulo, muitos em condições aviltantes, o que reflete a situação desastrosa do país em geral, da mais rica cidade do Brasil, em particular.

Aceitei imediatamente a tarefa, pois há uma situação extrema de violência e de violações de direitos humanos, especialmente porque a assembleia seria para decidirem sobre o pedido judicial para que se cumpra a Lei de Imigração, que determina a reunião dos familiares no país em que se encontram os imigrantes e refugiados, sem nenhum impedimento burocrático, exatamente o que acontece no Brasil.

Foi um tremendo acerto, ainda me sinto muito emocionado com a recepção calorosa que fui recebido por eles, aquele povo simples, bonito, alegre. Estavam ali com altivez, vestiram as suas melhores roupas, como se fossem a uma festa, dada a importância do tema.

Os discursos fortes, a saudade de suas casas, de seus entes queridos, submetidos à dura realidade de luta pela sobrevivência e de abandono, vindos de um país destruído por tantas tragédias, agora vivendo no Brasil, em condições complexas, de pouco acolhimento e respeito aos seus direitos fundamentais, mas ali, reunidos, firmes e decididos.

Foi lindo demais, agradeço demais  pela oportunidade de ir à assembleia, voltei melhor, mais humano, cheio de esperança de um mundo sem fronteiras e construído em irmandade.

O que me faz lembrar de que lutar pelos Direitos Humanos não é uma mera declaração em dias de festas ou em eventos, deve ser um exercício para conhecer as pessoas, as gentes, povos, poder  abraçar, sentir o calor deles, no local em que vivem, saber de suas duras realidades, sem receio, olhar nos olhos de cada uma e cada um.

Há braços!!!

V.treo: transparência radical

 

Oportunidades do dia

• Com base no sucesso da Semana da Renda Fixa na semana passada, decidimos que esse pré-feriado merecia um “puxadinho”. Traremos, às 10h, uma nova oportunidade para você. Um título diferente de todos que ofertamos na semana passada. Spoiler: pinga-pinga. Esteja atento ao seu email, aplicativo e aos canais oficiais da Vitreo às 10h.

Caminhoneiros, fiscal e clima: começando novembro daquele jeito

No primeiro dia útil do penúltimo mês do ano, os mercados asiáticos sobem, liderados pelo humor pós-eleitoral no Japão. Por lá, as ações avançaram nesta segunda-feira (1º), com o índice de Tóquio subindo 2,2% depois que a coalizão do primeiro-ministro japonês Fumio Kishida manteve uma confortável maioria na eleição parlamentar de domingo, apesar de perder alguns assentos.A atenção agora se voltará para as perspectivas de um pacote de estímulo fiscal, à medida que o Japão surfa sua recuperação econômica. Além disso, poderíamos citar as exportações sul-coreanas em recorde no mês de outubro como um fator adicional para as forças dos mercados asiáticos nesta semana.Por aqui, a semana será mais curta com o feriado de Dia de Finados amanhã (2), que fechará os mercados. Sem mercado aqui, investidores acompanharão de longe uma agenda carregada.O principal evento da semana será a conclusão da reunião de política monetária dos EUA, na quarta-feira (3), que deve anunciar o início do “tapering” (redução dos US$ 120 bilhões em compras mensais de ativos do banco central).Na quinta-feira (4), teremos o Banco da Inglaterra também divulgando seu posicionamento, sem falar da reunião da Opep+ no mesmo dia, que está sob pressão para elevar a produção de petróleo.

Avaliando a possibilidade de greve dos caminhoneiros

No Brasil, apesar do feriado de amanhã, seguimos com Brasília sendo nosso principal driver de mercado, enquanto acompanhamos uma temporada de resultados predominantemente positiva, ao menos até aqui. Em semana importantíssima para o Auxílio Brasil, é esperada para quarta-feira a votação da PEC dos Precatórios, depois de postergada já várias vezes nos últimos dias – vale lembrar que, caso não consiga aprovar a questão dos precatórios junto ao Legislativo, o governo definirá um plano B, que deverá passar pelo retorno do auxílio emergencial.Antes disso, porém, a possibilidade de greve dos caminhoneiros a partir de hoje deve gerar volatilidade. Ao que tudo indica, as entidades mais representativas dos caminhoneiros não vão aderir à greve convocada para esta segunda-feira. Um fator positivo é que o segmento dos tanqueiros estará fora da paralisação; ou seja, é baixo o risco de problemas no abastecimento de combustíveis.O quadro atual difere de 2018 em alguns pontos:

  1. a greve de 2018 não foi um movimento de caminhoneiros autônomos, mas um processo organizado pelas transportadoras e com o apoio do agro – de lá para cá, a participação do transportador autônomo caiu e hoje representa menos de um terço da movimentação de cargas;
  2. houve um aprimoramento na curva de aprendizado do governo em termos de monitoramento e inteligência por meio das forças de segurança envolvidas;
  3. o início do mês de novembro representa um aquecimento da produção e do escoamento de cargas (Black Friday, Natal e festas de fim de ano) – o caminhoneiro comum tende a aproveitar o momento;
  4. o atual governo ainda preserva um bom canal de comunicação com a categoria, principalmente depois do anúncio do auxílio de R$ 400.

Logo, a avaliação é que não haverá adesão expressiva, até mesmo porque não há pauta unificada no movimento. O mais provável é que haja uma situação similar ao que aconteceu em 1º de fevereiro, quando estas mesmas lideranças tentaram uma paralisação – a estratégia do governo será a de desmobilizar qualquer tentativa de bloqueio com o apoio da Polícia Rodoviária Federal.

Pós-Big Techs

Os resultados corporativos das Big Techs agora ficaram no passado e os investidores parecem mais calmos. Tirando os resultados inexpressivos da Apple e da Amazon, que apontaram para problemas da cadeia de suprimentos, os demais números foram positivos.A Microsoft agora tirou a coroa de empresa mais valiosa da Apple, com uma capitalização de mercado de US$ 2,49 trilhões. Exxon Mobil, Chevron e Merck também deram sustentação aos índices americanos.Consequentemente, o S&P 500 e o Dow Jones Industrial Average encerraram em novos fechamentos recorde (o 59º e o 39º fechamentos recorde para o ano, respectivamente), enquanto o Nasdaq Composite terminou em seu 38º fechamento recorde para 2021.Após um revés em setembro, pressionado com revisões monetárias e fiscais em Washington, o S&P 500 subiu 6,9% em outubro, no que foi seu melhor desempenho mensal desde novembro passado. O Dow acumulou alta de 5,8% no mês, com o Nasdaq avançando 7,3%. Mais resultados virão nesta semana, mas os investidores voltarão a se preocupar com a inflação e com o que o Federal Reserve fará a seguir.A Vitreo tem um fundo que investe. Simultaneamente, em todas as big techs mais importantes, além de outras “médias” com muita possibilidade de upside. Tudo investindo em reais e sem dor de cabeça. É o Tech Select. Clique aqui caso queira conhecer mais.

Aperto monetário? Talvez você não precise se preocupar

Os membros do Federal Reserve (Fed) se reúnem nesta quarta-feira, quando todos devem anunciar o encerramento do programa de estímulo de emergência do banco central, reduzindo suas compras mensais de US$ 120 bilhões em títulos do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas.A posição do Fed sobre a inflação "transitória" também será crucial. No que diz respeito às taxas, os mercados de futuros de fundos federais estão efetivamente precificando pelo menos dois aumentos de 25 pontos-base na taxa-alvo até o final de 2022, em linha com o que foi anunciado de “tapering” até meados do ano que vem.Apesar do senso comum, os ciclos de política monetária restritiva têm sido historicamente positivos para as ações. As exceções foram na década de 1970, quando a inflação era anticíclica e o Fed apertou apesar da desaceleração do crescimento.Em ciclos regulares, o Fed aumenta as taxas apenas quando a economia e os resultados corporativos justificam uma postura política mais rígida. Taxas mais altas tendem a levar à queda dos valuations, mas o crescimento dos lucros é normalmente forte o suficiente para compensar a redução.

Anote aí!

Na véspera do feriado de Finados, seguimos acompanhando a chance de uma paralisação dos caminhoneiros autônomos. Fora isso, temos resultados corporativos e divulgação do Ministério da Economia sobre o resultado da balança comercial em outubro.Nos EUA, a pesquisa de opinião sobre o sentimento empresarial do ISM será entregue. Para a semana, ainda lá fora, destaque para os números de empregos de outubro na sexta-feira, que deverão relatar um ganho de 435 mil folhas de pagamento não agrícolas e uma taxa de desemprego inalterada de 4,8%.

Muda o que na minha vida?

Depois de um G20 mais fraco do que o esperado durante o fim de semana, os investidores devem estar atentos à COP26. Desde ontem, os líderes mundiais se reúnem em Glasgow, na Escócia, para a cúpula do clima. Como temos visto, há uma preocupação com o fato de a crise climática poder desencadear o próximo colapso financeiro, principalmente depois da onda de “inflação verde” que temos verificado ao redor do mundo desde o terceiro trimestre.A crise climática está se formando lentamente com desdobramentos potencialmente desastrosos. Para ilustrar, no início do mês passado, o Conselho de Supervisão da Estabilidade Financeira dos EUA apontou pela primeira vez as mudanças climáticas como uma ameaça emergente e crescente à estabilidade financeira dos EUA. Ou seja, os eventos climáticos extremos associados a temperaturas mais altas já estão impondo custos econômicos significativos, mas o problema tende a piorar nos próximos anos.Para limitar o aquecimento a 1,5 grau Celsius e evitar os piores efeitos da crise climática, por exemplo, as Nações Unidas alertaram que o mundo precisa reduzir a produção de combustíveis fósseis – hoje, só em se tratando de óleo, contamos com uma demanda de quase 100 milhões de barris de petróleo por dia.É um debate que temos atualmente, pois estamos sentindo na pele que uma transição mais rápida do que o planejado pode ser igualmente danosa para as economias mundiais, principalmente com a corrosão do poder de compra das populações – pressão nos preços de energia e na inflação.Outro problema é a identificação da emissão de gases. Estima-se que mais de 70% de alguns dos principais emissores corporativos do mundo não divulgaram fidedignamente os efeitos do risco climático nas demonstrações financeiras de 2020.Diante disso, os países estão convocando negociadores na COP26 para discutir uma maneira de modernizar as divulgações, de modo que as empresas possam trabalhar dentro de uma estrutura consistente de apresentação de seus dados, para controlar melhor as emissões.

Icone Vitreo

Um abraço,Equipe Vitreo

Reunião do G-20: além de inútil, Bolsonaro é uma vergonha itinerante

Conexão Xangai (31.10.21)

REVISTA BRASIL TVT - 31.10.2021 - Análise das notícias da semana

B0LSONARO DIZ NA ITÁLIA QUE LULA É DAS F'ARC!!! CADÊ ALEXANDRE E TSE?!?

Milícia aposta em Mourão.

 

Milícia aposta em Mourão para vencer Freixo no RJ e ‘evitar guerra’

 
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Mourão mandando beijo com a mão na boca
Mourão terá o apoio da milícia contra Freixo para governo do Rio – Foto: Reprodução

A milícia carioca já escolheu seu candidato para as eleições 2022. Trata-se do vice-presidente Hamilton Mourão, que não deverá seguir na chapa com Bolsonaro no ano que vem. Milicianos que comandam várias favelas têm trocado mensagens sobre o apoio ao comandante das Forças Armadas. Na visão dos grupos heterogêneos, ele é o único capaz de vencer Marcelo Freixo. Na visão dos criminosos, uma vitória do PSBista acarretaria numa guerra no Rio.

Troca de mensagens entre milicianos de pelo menos três morros cariocas indicia o apoio a Mourão. Duas pessoas que moram nessas favelas confirmaram a informação. “No Morro do Alemão, já começou a ‘vazar’ que a milícia vai pedir voto para o vice”, informou uma fonte. Em outros morros a situação é semelhante, com milicianos deixando correr nas vielas que o vice-presidente será o candidato da favela.

O apoio de milicianos anteriormente estava em aberto. Isso porque, o grupo criminoso que comanda boa parte do Rio de Janeiro, não está satisfeito com o trabalho do atual governador. Claudio Castro, embora não tenha investido para enfrentar a milícia, também não dá indícios de cumprir promessas feitas no morro. Isso tem incomodado e, por isso, o apoio a ele é difícil.

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Milícia quer Mourão

Milicianos do topo da cadeia já mandaram recado para partidos políticos. A milícia está aberta a apoiar Mourão na campanha do ano que vem. Além da proximidade com Bolsonaro e a família sempre mostrou simpatia com esse grupo, pesa a força do vice-presidente. Os criminosos acreditam que, embora o comandante possa maquiar um enfrentamento ao crime, haverá paz para que tudo siga como está.

A milícia acredita que negociar com o vice é muito mais fácil que com outros nomes. Diante da força mostrada por ele na última pesquisa, é possível que haja até um acordo em torno do nome dele. Isso porque, milicianos não costumam fechar questão de voto, mas neste cenário, existe uma possibilidade de acontecer. Importante ressaltar, no entanto, que não há indícios de conversas entre a milícia e o próprio Mourão.

Milícia não quer Freixo

Tudo o que a milícia carioca não quer é que Freixo seja eleito governador. “O Marcelo Freixo é o terror da milícia e ela vai fazer de tudo para impedir a eleição”, conta uma fonte anônima ao DCM. Para ela, o terrorismo psicológico já começou e vai valer tudo para impedir o PSBista de assumir o poder. “Os milicianos têm dito que, se Freixo ganhar, haverá guerra no Rio”.

O próprio pré-candidato já confirmou que irá enfrentar os milicianos no Rio de Janeiro, caso vença. Mas Freixo também já criou até programas de segurança pública para o enfrentamento e evitar que haja tragédia no estado. Diante de um cenário favorável a ele, a milícia quer levantar o nome de um adversário que consiga competir nas eleições. E a bola da vez é Hamilton Mourão.

Colaborou: Naian Lucas Lopes

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