domingo, 1 de maio de 2022

Saiba qual o significado do Primeiro de Maio.

 

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Dia Internacional dos Trabalhadores | Saiba qual a origem e o significado do 1º de Maio

Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico

* Atualizado em 29/04/2022 às 12h50.

"Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”.
Augusto Spies, 31 anos, diretor do jornal Diário dos Trabalhadores.

"Se tenho que ser enforcado por professar minhas ideias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas ideias, estais muito enganados, pois elas são imortais''.
Adolf Fischer, 30 anos, jornalista.

“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para a implantação de um sistema social no qual seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos das máquinas, amontoam milhões, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são para todos, também a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as roubais às massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar”.
George Engel, 50 anos, tipógrafo.

“Acreditais que quando nossos cadáveres tenham sido jogados na fossa tudo terá se acabado? Acreditais que a guerra social se acabará estrangulando-nos barbaramente. Pois estais muito enganados. Sobre o vosso veredicto cairá o do povo americano e do povo de todo o mundo, para demonstrar vossa injustiça e as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”.
Albert Parsons lutou na guerra da secessão nos EUA.


O Dia Internacional dos Trabalhadores

As corajosas e veementes palavras destes quatro líderes do jovem movimento operário dos EUA foram proferidas em 20 de agosto de 1886, pouco após ouvirem a sentença do juiz condenando-os à morte. Elas estão na origem do 1º de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores.

Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico e reverenciar a postura classista destes heróis do proletariado. A sua saga serve de referência aos que lutam pela superação da barbárie capitalista.


Origens

A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias.

Convenção Nacional da União de Trabalhadores Negros nos EUA, em 1869

Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia realizaram a primeira greve com esta bandeira.

Em 1832, ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia. Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto de redução da jornada para os funcionários públicos.

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Operários - Tarsila do Amaral (1933)




Greve geral pela redução da jornada

Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir de 1850, surgem as vibrantes Ligas das Oito Horas, comandando a campanha em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas.

Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução para todos os assalariados, “sem distinção de sexo, ofício ou idade”'.

A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 — maio era o mês da maioria das renovações dos contratos coletivos de trabalho nos EUA.

A greve geral superou as expectativas, confirmando que esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado. Segundo relato de Camilo Taufic, no livro “'Crônica do 1º de Maio”, mais de cinco mil fábricas foram paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às ruas para exigir a redução.

Muitas empresas, sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas.


“Chumbo contra os grevistas”, prega a imprensa

Mas a batalha não foi fácil. Em muitos locais a burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários. O bando dos “'Irmãos Pinkerton” ficou famoso pelos métodos truculentos utilizados contra os grevistas.

O governo federal acionou o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou:

“O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda”.

A polarização social atingiu seu ápice em Chicago, um dos polos industriais mais dinâmicos do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das fábricas. Diante da intransigência patronal, ela prosseguiu nos dias seguintes.

Em 4 de maio, durante um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram ferido.


Os oito mártires de Chicago

Apesar de a origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos interrogatórios.

Como desdobramento desta onda de terror, oito líderes do movimento — o jornalista Auguste Spies, do “'Diário dos Trabalhadores”', e os sindicalistas Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe — foram detidos e levados a julgamento. Eles entrariam para a história como “Os Oito Mártires de Chicago”.

O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história dos EUA. O seu único objetivo foi condenar o movimento grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis pela bomba ou pela morte do policial.

O juiz Joseph Gary, nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio, o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente escolhidas.

Três líderes grevistas foram comprados pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de um deles (Waller).


A maior farsa judicial dos EUA

Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte; Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas para prisão perpétua.

Em 11 de novembro de 1887, na cadeia de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a polícia alegou “suicídio”.

No mesmo dia, os cinco “'Mártires de Chicago” foram enterrados num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas, as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas em sinal de luto e protesto.

Seis anos depois, o próprio governador de Illinois, John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham sido vítimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes líderes operários não tinha sido em vão.

Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias. Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário.

Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação de luta de classes e de reivindicação das oito horas de trabalho”.

A partir do congresso, que teve a presença de 367 delegados de mais de 20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista.

Altamiro Borges é jornalista e editor do Blog do Miro.

Os civis foram covardes, não fizeram o que argentinos, chilenos e uruguaios fizeram: julgaram ditadores e torturadores.

 Perfil do Colunista 247

O preço da conciliação com os crimes da ditadura

"O país amarga um sentimento difuso, grave, de que algo peçonhento se gesta contra a República", afirma Roberto Amaral

www.brasil247.com -
(Foto: Reprodução)
 

“Por ora, a defesa do arbítrio e da violência como ferramenta política tem ficado restrita a bolsonaristas-ostentação. Posam de fortões e fortinhos arrojados, quando na verdade sofrem de covardia social. O perigo de esses milicianos da palavra passarem à ação coletiva após as eleições é real. Convém, portanto, apressarmos nosso encontro marcado pela História ainda clandestina." (Dorrit Harazim, O Globo, 24/04/2022)

O país amarga um sentimento difuso, grave, de que algo peçonhento se gesta contra a República. Às claras e à socapa estariam agindo seus inimigos de sempre. Nas esquinas e nos gabinetes cruzam-se boatos, reflexões e “informações de cocheira”. O temor de um golpe de Estado domina as especulações políticas, animando a direita e intranquilizando os democratas. A dúvida, para políticos escabreados, é tão só quanto ao momento da eclosão, se antes ou depois da derrota eleitoral do lamentável capitão. Nesta hipótese, não estaríamos diante da primeira tentativa de impedir a posse de um presidente eleito, pois a história registra os episódios de novembro de 1955, quando os militares tentaram bloquear a posse de Juscelino Kubitscheck - contra cujo governo, aliás, promoveriam ainda as insurreições de Jacareacanga e Aragarças. Os mais avisados lembram que, para fechar a porta, não devemos aguardar que o desastre se apresente de corpo inteiro, pois a ameaça hoje veste novos trajes, como vimos com a deposição de Dilma Rousseff. Mais perigoso ainda é apostar na “formação democrática e legalista das forças armadas”, alardeada por Prestes nas vésperas de 1964 (e deu no que sabemos). De outra parte, vivemos, desde 2018, uma experiência que, com todas as correções históricas, nos aproxima dos assaltos do fascismo mussolinista. Como ninguém ignora, não têm sido poucos os chamamentos do capitão-presidente ao conflito institucional. Devemos ter sempre presente a frustrada tentativa de golpe do 7 de setembro do ano passado. O recente indulto ao deputado e meliante Daniel Silveira, sobre ser uma agressão ao STF, é mais uma mobilização - bem-sucedida - de sua base para o desejado confronto. A sociedade não pode esquecer seu discurso em frente ao quartel-general do exército em Brasília, nos idos de 2020, incitando tropa e simpatizantes à insurreição, nem o chapliniano desfile dos tanques na praça dos três poderes, nem suas chamadas “motociatas”, bem ao estilo do poderoso Duce fuzilado por partisans no vilarejo de Mezzegra, no norte da Itália, em 1945.

A permanente cantilena golpista  é capítulo harmônico em obra bem articulada que visa tanto ao projeto eleitoral quanto ao fortalecimento organizativo-guerreiro do movimento de extrema-direita que Bolsonaro no momento lidera, e que deverá sobreviver depois de seu necessário defenestramento.

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Não devem ser vistas como obras do acaso, aleatórias, seu permanente desprezo pelas regras democráticas, o chamamento à intervenção militar, a busca de conflito, ora com a imprensa, ora com o STF, ora com o TSE, a tentativa de desacreditar a urna eletrônica, e, assim, precatadamente, pôr em questão as eleições. Por meio da sequência de confrontos, o capitão dita a pauta política do país, que permanece inquieto, antevendo uma campanha eleitoral suja e macabra, à mercê da corrupção deslavada (uma forma de golpear a soberania popular), da ação das milícias e o comprometimento partidário das forças armadas. Este é evidenciado pelos seguidos pronunciamentos de comandantes militares, como a ridícula nota mediante a qual o ministro da defesa agride um ministro do STF que ousou revelar este segredo de polichinelo: as forças armadas estão sendo orientadas a atacar e a desacreditar o processo eleitoral.

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O cenário pobre abre espaço para atores pobres, como o ocioso general vice-presidente da república e figuras ainda menores como o até há pouco anônimo general presidente do STM que, semana passada, como sói acontecer com os néscios, perdeu excelente oportunidade de ficar calado.

Bolsonaro tanto mobiliza os engalanados na sua pertinaz tentativa de desmoralizar o processo eleitoral, base de nossa democracia, quanto, associado ao atual presidente da Câmara dos Deputados, mobiliza R$ 16,5 bilhões, recursos do imoral e inconstitucional “orçamento secreto”, para que seus sequazes e apaniguados gastem em suas campanhas, eivando de vício a manifestação eleitoral. O capitão pode, até,  com essa fraude (levando às últimas consequências o “abuso do poder econômico” nas eleições, desta feita às custas do erário), não lograr o objetivo de assegurar sua reeleição (e com ela a impunidade sua e de seus sequazes), mas estará assegurando uma bancada talvez majoritária para o Centrão, o que será uma ameaça permanente ao possível governo do ex-presidente Lula.

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A crise de nossa história presente precisa ser vista e considerada para além de suas aparências de hoje, pois trata-se do segundo tempo da irresponsável conciliação que nossas elites pactuaram com a ditadura. A conciliação é o caráter permanente de nossa história, levada a cabo pelas classes dominantes contra os interesses do país e de seu povo, no esforço sempre logrado de bom êxito que visa a impedir a ascensão do progresso social.

Em lugar do necessário sepultamento da ditadura miliar, com suas consequências  óbvias, a traficância da casa-grande ensejou a projeção da preeminência dos militares na ordem democrática nascida da implosão do colégio eleitoral inventado pela ditadura para eleger seu delfim - que terminou implodido, elegendo Tancredo Neves para dar posse a José Sarney. A ditadura, por força das negociações, não foi passada a limpo, seus crimes não foram apurados, muito menos punidos os oficiais das três forças acusados das mais torpes violações de direitos humanos, como prisões arbitrárias, sequestros, tortura, homicídios, estupros, ocultação e desaparecimento de cadáveres, atentados e organização de quadrilhas armadas. Quando deveriam estar sendo varridos do poder que haviam usurpado em 1964, e assim  chamados a responder coletiva e individualmente por seus crimes, os militares, na verdade só aparentemente derrotados, terminaram por ditar as condições mediante as quais abandonavam o poder esgotado, para afinal decidir quem tomaria posse na ausência de Tancredo Neves: nada menos que José Sarney, o ex-presidente e líder do partido da ditadura, por decisão do exército, ditada  pelo general escolhido por Tancredo para o ministério da guerra.

Assim  o ex-presidente narra sua nomeação no livro Vinte anos de democracia (Brasília, 2005, p. 32): “Às 3 horas o general Leônidas Pires Gonçalves me telefonou dizendo: às 10 horas o senhor vai assumir a Presidência.” Antes, nos idos de agosto do ano do colégio eleitoral, os líderes oposicionistas se haviam conciliado com os governistas dissidentes do PDS (o partido da ditadura), a costela do PFL. Da harmonização de interesses resultou a “Aliança Democrática”, cujo manifesto propugnava a  “conciliação, (...) o  entendimento sem ressentimentos de todos os brasileiros e o congraçamento nacional.” O texto, que teve o jornalista Mauro Santayanna como seu principal redator, é assinado por Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Aureliano Chaves e Marco Maciel. Enterrava-se a expectativa de ruptura e construção de uma nova república.  Era a “transição com conciliação”. As consequências vinham a caminho: ao invés da prometida  “constituinte livre e soberana”, foi imposto ao país um congresso sem poder originário, contingenciado por limites de toda ordem (como, por exemplo, rever a lei da anistia da ditadura), costurando um texto supervisionado pelas forças decaídas, que sobreviviam no governo Sarney, ostensivamente curatelado pelos fardados. A anistia haveria de permanecer restrita e os militares teriam a garantia da impunidade, que ainda hoje ostentam com arrogância e delinquência moral. O general Pires Gonçalves, seria, com Fernando Henrique Cardoso, um dos redatores do art.142 da CF, contrabando espúrio mediante o qual a caserna cuida de constitucionalizar o sonho de anacrônico poder moderador. Explica-se Sarney (cit.): “Naquele momento elas [as forças armadas] ainda eram as fiadoras do processo democrático”. Vencia o projeto Golbery-Geisel da “abertura” consentida: lenta e gradual.

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Nada a estranhar, pois, o papel antidemocrático e antinacional que as forças voltaram a exercer, a partir de 2016, mais de 30 anos passados do anúncio do fim da ditadura imposta pela violência do golpe de 1º de abril de 1964.

***

A direita caminha com bota de sete léguas - A disputa eleitoral na França, que durante muitos anos foi presidida pelos socialistas (o partido de François Miterrand este ano praticamente fechou para balanço, obtendo sua candidata no primeiro turno apenas 1,75% dos votos), consagra, a cada pleito, o avanço da extrema-direita, o que se mede pelo desempenho do clã Le Pen: em 2002 obteve 17,8% dos votos ; em 2017 saltou para 33,9% e finalmente, nesta final de 2022, chegou a 41,5%. À esquerda, exemplarmente dividida, restou comemorar a reeleição de Emmanuel Macron, o presidente de direita, em quem foi obrigada a votar. Se tivesse havido unidade, Jean-Luc Mélenchon, candidato da França Insubmissa, teria ido para o segundo turno. Senão, vejamos os números do primeiro turno: Mélenchon, 21,95%; Yannick Jadot (ecologistas), 4,63%); Fabien Roussel (comunistas), 2,28%); Anne Hidalgo (socialistas), 1,75%; Philippe Poitou (esquerda radical), 0,77% e Nathalie Artaud (Lutte Ouvrière) 0,56%. O que podemos chamar na França de hoje de “campo da esquerda” somou, portanto, no primeiro turno, 31,87% dos votos, contra 23,3% de Marienne Le Pen, que foi para o segundo turno contra Macron. A disputa ficou, como se sabe, entre direita e extrema-direita.

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As expectativas agora se voltam para as eleições legislativas. A coalizão parlamentar majoritária fará o primeiro-ministro.

A lição fica para quem a quiser colher.

Segundo Elio Gaspari, o Bozzo não vai aceitar a derrota.

 

Brasil pode viver maior crise institucional desde o AI-5 no 1° turno das eleições, diz Elio Gaspari

 Atualizado em 1 de maio de 2022 às 8:40
Jair Bolsonaro
Foto: Reprodução

O Brasil pode viver sua maior crise institucional desde o Ato Institucional nº 5 e tem data e hora marcada para acontecer: a noite de 2 de outubro, quando sairá o resultado da eleição. É o que diz Elio Gaspari em sua coluna na Folha de S.Paulo.

Segundo o jornalista, o cenário é previsível: o fechamento das urnas, a totalidade dos votos e, caso Jair Bolsonaro (PL) seja derrotado, ele anuncia que não aceita o resultado da eleição.

Em 1951, o mesmo foi tentado contra a posse de Getúlio Vargas, sob o argumento de que ele não conseguira a maioria absoluta dos votos. Não prosperou, mas o desconforto militar permaneceu e, em 1954, custou a vida ao presidente.

Hoje Bolsonaro é um crítico do sistema eleitoral e diz que foi eleito em 2018 no primeiro turno, mas lhe roubaram a vitória.

Com cinco meses para a eleição, o presidente faz sua campanha atacando o Judiciário e propondo que as Forças Armadas participem do processo de totalização.

“Uma das sugestões das Forças Armadas é que, ao final das eleições, os dados vêm pela internet para cá [Brasília] e tem um cabo que alimenta a sala secreta do TSE. Uma das sugestões é que desse mesmo duto seja feita uma ramificação para que tenhamos um computador do lado das Forças Armadas para que possamos contar os votos no Brasil“, disse Bolsonaro

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