segunda-feira, 21 de março de 2011

POLÍTICA - Presos da manifestação contra Obama.

Se algo acontecer aos presos do PSTU a culpa não será de Obama.


Nesta sexta, 13 brasileiros foram presos por se manifestarem contra a visita a Obama na frente da Embaixada Americana. A prisão ocorreu porque uma bomba molotov foi jogada na embaixada, o que de fato é algo lastimável e que precisa ser investigado. Dos 13, 10 são militantes do PSTU.

Conheço, desde minha época de movimento estudantil, quando o nome do grupo era Convergência Socialista, militantes desse grupo político.

Nunca fui próximo nem da Convergência nem do PSTU. Considero as ideias e propostas deles bastante confusas e pouco lúcidas. Sem viabilidade prática.

Mas reconheço que uma democracia precisa de partidos e grupos que defendam teses com as do PSTU. Sem partidos com essa natureza no Brasil, teríamos uma democracia ainda mais frágil do que a atual, que já não é assim uma Brastemp.

É preciso que se investigue quem atirou a tal bomba de molotov na Embaixada, mas isso deve ser feito cumprindo as leis brasileiras, não os caprichos da gringaiada.

Se algo acontecer aos cidadãos brasileiros que foram encaminhados a prisões (abaixo o nome deles) onde correm riscos, a culpa será do governo brasileiro. Não de Obama.Por isso é hora de o ministro José Eduardo Cardozo mostrar a que veio.

Os 13 presos são: Gilberto Silva, eletricista; Rafael Rossi, professor de estado, dirigente sindical do SEPE; Pâmela Rossi, professora do estado; Thiago Loureiro, estudante de Direito da UFRJ, funcionário do Sindjustiça; Yuri Proença da Costa, funcionário dos Correios; Gualberto Tinoco “Pitéu”, servidor do estado e dirigente sindical do SEPE; Gabriela Proença da Costa, estudante de Artes da UERJ; Gabriel de Melo Souza Paulo, estudante de Letras da UFRJ, DCE-UFRJ; José Eduardo Braunschweiger, advogado; Andriev Martins Santos, estudante da UFF; João Pedro Accioly Teixeira, estudante Colégio Pedro II; Vagner Vasconcelos, Movimento MV Brasil e Maria de Lurdes Pereira da Silva, doméstica.

Segue trecho de um email do estudante da UFRJ Kenzo Soares divulgado pela Anarquista Lúcida no Blog do Nassif, que dá uma ideia da dimensão dos riscos que os presos estão correndo.

“Tenho um amigo, membro do Grêmio Estudantil do C.Pedro II São Cristóvão, João Pedro Accioly Teixeira,preso numa unidade prisional para menores a 24 horas sem direito a visita ou comunicação e com pedido de Habeas Corpus e liberdade condicional negados por ter participado de uma passeata em protesto frente a visita do Obama ao Brasil. Embora 11 (nota do blog: na verdade outros 12) outros militantes e mesmo uma senhora de 70 anos que passava pelo ato também estejam presos e na mesma situação pela mesma causa, ele é o único que se encontra isolado dos outros por ser menor de idade, ou seja, compartilhando uma cela com outros detentos sem nenhum companheiro presente.
São óbvios e grandes os riscos que sua integridade física e psicológica correm estando ele sozinho, como o de violência física e estupro,podendo ele permanecer nessa situação durante semanas pelo motivo de ter participado de uma passeata durante a qual alguém jogou um coquetel molotov na embaixada norte-americana na ultima quinta-feira (nota do blog: o ato foi na sexta-feira). Não há qualquer prova dele estar envolvido, e os videos das câmeras de segurança da Embaixada que registram o momento estão tendo seu acesso negado enquanto Obama permanecer no país, até terça, sendo que a audiência que definirá sua liberdade ou encarceramento será amanhã as 11 horas. Ou seja, a única prova real sobre a autoria do coquetel molotov só será liberada após a sua audiência, e uma nova audiência necessária para sua liberação poderá ocorrer talvez somente em semanas.
Seu pedido de habeas corpus foi negado textualmente pelo simples motivo de Obama permanecer no Brasil, motivo inclusive inconstitucional, mas assegurado pelo esquema “especial” de segurança que protege o Presidente do Estados Unidos. Seu “crime” não tem direito a fiança porque foi enquandrado como possível portador de arma.
A única maneira de tentarmos garantir sua integridade física é dando grande visibilidade a uma campanha pela sua liberdade e segurança, pressionando o governo a zelar por ela. A pressão de mandatos parlamentares e movimentos sociais envolvidos não está sendo suficiente.”

blog do Rovai

LÍBIA - A "ajuda humanitária" americana.

Carlos Dória


O "modus operandi" a gente já conhece. Os EUA bombardeiam, ocupam o país e depois colocam um títere no poder.Depois espoliam os recursos naturais do país, com a anuência constrangida do novo dirigente amigo. Claro que isso não vale para as ditaduras amigas. Por falar em ditaduras, o presidente Obama reconheceu o idealismo da Dilma na luta contra o Golpe de 64 no pronunciamento que fez no Teatro Municipal, "ela foi torturada pelo seu próprio governo", disse. Só se esqueceu de dizer que esse golpe teve o apoio dos americanos, que deslocaram uma frota de navios de guerra para a costa brasileira no que ficou conhecido com "Operação Brother Sam", como revelaram documentos liberados pelo governo americano. Estou curioso para ver se os jornais do PIG vão publicar amanhã o discurso na íntegra, ou vão omitir essa informação.
Por falar em mídia, estou surpreso com o comportamento do novo correspondente da Globo em NY. Ele citou a declaração do lider da Liga Árabe que condenou a maneira como foi desencadeada a agressão a Líbia que estaria derespeitando a Resolução da ONU. Também divulgou que o Presidente Obama fez um pronunciamento aos jovens iranianos incitando-os a derrubar o presidente do Irã,certamente com a ajuda da CIA, como está acontecendo na Líbia numa intromissão imoral, prenunciando que a bola da vez próxima será o Irã.Quer dizer, incita os jovens iranianos, o presidente do Irã irá combater esses rebeldes e os EUA, por "razões humanitárias", irão solicitar uma zona de exclusão aérea nos céus do Irã.Depois é só seguir o "modus operandi" Tudo muito previsível.

domingo, 20 de março de 2011

LÍBIA - O ocaso da Odisséia.

Do Blog Beatrice

Há hoje mais civis mortos pelas mãos de Obama, Cameron e Sarkozy ou em Benghazi que mortos pelas mãos de Gaddafi.

21/3/2011, Beppe Grillo’s Blog

Caros jornalistas e políticos, por favor, não acreditem nos italianos.

Não há nada de humanitário no que estão fazendo: são atos de guerra. Guerra suja por energia, petróleo, gás. A França, que depois de Fukushima já não tem futuro nuclear, precisa de gás e petróleo.

Pelo menos desde o tempo do massacre de Ustica[1], França e Itália lutam pelo controle do petróleo da Líbia, quando os céus da Itália viraram teatro da guerra com a França, aviões italianos e Gaddafi, que estava apresente e safou-se por um fio. Gaddafi foi apoiado pelos italianos nos anos 70s, for armado pelos italianos. Parte do exército da Líbia foi treinado na Itália em troca de relações privilegiadas para comprarmos gás e petróleo.
Essa é guerra ensandecida que os europeus não desejam. Do modo como os italianos foram informados, não passaria de notícia de rodapé nos noticiários, como uma partida de futebol. China e Rússia são contra os ataques. A Alemanha absteve-se no CSONU e a União Africana rejeitou “qualquer tipo de intervenção estrangeira na Líbia, seja de que tipo for.” O presidente da Mauritânia Abdel Aziz disse bem claramente: “é crise gravíssima que se abate sobre um país irmão e que exige solução africana”. O presidente Aziz disse também que “nenhum representante da União Africana participou do encontro internacional sobre a Líbia, em Paris”.

O CSONU aprovou “uma zona aérea de exclusão”. Não aprovou bombardeio que reduzisse a Líbia a ruínas. Centenas de mísseis disparados por EUA e britânicos contra “alvos”, numa operação batizada de “Alvorada da Odisseia”.

Linguagem de videogame. Não é alvorada. É ocaso: o ocaso da odisséia.

Há hoje mais civis mortos pelas mãos de Obama, Cameron e Sarkozy ou em Benghazi que mortos pelas mãos de Gaddafi. Talvez os líbios mortos por mãos líbias valham, cada morto, duas mortes?

O art. 11 da constituição da Itália diz que “a Itália rejeita a guerra como instrumento de agressão contra as liberdades de outros povos e também como meio para resolver controvérsias internacionais (...).” Por que os partidos políticos não estão nas ruas, brandindo a Constituição, contra a guerra?
Estamos bombardeando uma nação muçulmana africana. Nenhuma nação, nem muçulmana nem africana participa do ataque “internacional” das potências ocidentais, ao lado dos “cruzados”, como Gaddafi os chama.

A Arábia Saudita invadiu o Bahrain, agitado por manifestações populares contra a ditadura. Quando começará o ataque dos “cruzados” contra os ditadores-xeiques?

Gaza foi convertida em cemitério. Ninguém considerou necessária qualquer intervenção humanitária. A Itália é um porta-aviões cercado de navios canadenses, americanos e britânicos que entram e saem de nossos portos. Com que direito? Somos país de soberania limitadas, mas o que está acontecendo é demais.

Fora! Fora da Itália as bases dos EUA, antes que seja tarde demais! O que sabemos sobre os rebeldes de Benghazi? Opõem-se a Gaddafi por quê? Por razões democráticas, tribais, econômicas ou religiosas? Propõem o quê, para a Líbia? Nada sabemos. Nada.

Qualquer um aí, que precise de petróleo, que lance o primeiro Tomahawk, para carregar a responsabilidade do ataque. Em seguida os EUA lançaram 110 Tomahawks, para completar o serviço.
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[1] Sobre o conflito entre Itália e França pelo controle dos recursos energéticos no norte da África. Segundo Priore e Fasanella (autores do livro Intrigo internazionale), esse seria o pano de fundo do massacre de Ustica. Um avião italiano de passageiros explodiu, em circunstâncias jamais esclarecidas, sobre a cidade de Ustica, dia 27/6/1980. Suspeita-se de que tenha sido abatido por um caça francês. Em 2008, a Itália reabriu as investigações sobre o caso (TG2 Punto di vista, 17/5/2010).
da Vila Vudu
Postado por RIZOMA BEATRICE

POLÍTICA - DataFolha mostra Dilma bem na foto.

Dilma bem na foto

Na primeira pesquisa Datafolha de avaliação do seu governo, quase três meses após a posse, a presidente Dilma Rousseff aparece muito bem na foto: tem praticamente o mesmo índice (47%) de aprovação do presidente Lula (48%) em igual período no início de seu segundo mandato. Em março de 2003, no início do seu primeiro mandato, Lula registrou 43% de aprovação (ótimo e bom).

Mais do que isso: Dilma, com 7%, tem o menor índice de rejeição (ruim e péssimo) na sequência histórica da pesquisa, desde Fernando Collor, que registrou 19% no primeiro Datafolha do seu governo.

Itamar Franco teve 11%; FHC ficou com 16% no primeiro mandato e 36%, no segundo; Lula contou, respectivamente, com 10% e 14% de rejeição nos primeiros três meses de seus dois governos.

Ou seja, segundo a maioria da população, o novo governo está no caminho certo. Dilma está enfrentando todas as dificuldades com firmeza e transmitindo confiança à população, mesmo aos que não votaram nela.

Autor: Balaio do Kotscho.

sábado, 19 de março de 2011

MÍDIA - The war you don't see.

Do Blog do Mello.

sábado, 19 de março de 2011
The War You Don't See (A Guerra que Você não vê), documentário de John Pilger, legendado


John Pilger é um dos mais importantes e respeitados jornalistas do mundo. Nesse documentário ele mostra como mídia e política se juntam para manipular a população.


Pilger: Hoje em dia, temos notícias as 24 horas do dia. As frases de impacto nunca param. E as guerras nunca param. Iraque, Afeganistão, Palestina. Este filme é sobre a guerra que você não vê. Baseando-me em minha experiência pessoal como correspondente de guerra, vamos abordar principalmente a televisão, concentrando-nos nos canais mais populares dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. O filme indagará acerca do papel da mídia em guerras repressivas como a do Iraque e a do Afeganistão. Por que muitos jornalistas tocam os tambores de guerra a despeito das mentiras dos governos? E como os crimes de guerras foram narrados e justificados, se eles são crimes.


LÍBIA - O controle russo do espaço aéreo.

Enviado por luisnassif.

Por Stanley Burburinho.


A partir de informações do serviço secreto russo, o Pravda publicou matéria muito esclarecedora sobre a situação na Líbia. Por exemplo: a contratação de mercenários pelo Pentágono através da Halliburton e da Blackwater e que o serviço secreto da Rússia, que controla 100% do espaço aéreo da Líbia, garante que nenhum avião levantou vôo na Líbia desde o inicio das manifestações.Acho que essas informações nunca veremos publicadas na velha mídia do Brasil:

“O serviço secreto russo confirmou ontem através de Nicolai Patrushev, que na verdade o que está existindo é um verdadeiro bombardeio da mídia internacional contra Kadhafi, pois a Russia controla totalmente o espaço aéreo do norte da África e cem por cento da Líbia e que os aviões que supostamente levantaram vôo para executar os bombardeios contra o povo líbio não saíram do chão e portanto não executaram qualquer ação militar; que somado a isso, por não existirem imagens de qualquer vôo, configura uma armação do Pentágono. O Secretário de Defesa do EUA admitiu o erro das informações dizendo que podem ter sido outros aviões, mas setores independentes da mídia internacional já haviam colocado a entrevista dos russos no ar e assim desmoralizado a ação do Pentágono.”

“Outro escândalo que ronda Washington é a participação de mercenários contratados pelo Pentágono, através da Halliburton e da Blackwater para participarem das batalhas na região de Cerenaica, em especial Bengazhi e Trobuk ao lado dos opositores que começam a perder terreno para os simpatizantes de Khadafy. A missão dos mercenários que ficariam sob controle da CIA, Agência Central de Inteligência e até executariam ações secretas com a aliada Al-Qaeda de Bin Laden, contra Khadafi seria manter o controle dos poços de petróleo já sob controle da oposição na região de Bengazhi.”

“Ontem um dos principais líderes da oposição a Kadafi, Khaled Maassou, na região de Cerinaica, confirmou que estava desistindo da luta por não concordar com a participação de mercencários e militares norte americanos em território líbio contra Kadhafi, e que em nenhuma situação irá contribuir com a CIA, que agora começa a assumir com a Al Qaeda o comando da situação na região de Cirenaica.”

“Líbia: Terroristas anti-Gadafi massacraram civis

15.03.2011

KHATARINA GARCIA e PETER BLAIR

De WASHINGTON e BENGAZHI - REDE MUNDO \ MIDIA LATINA; 06.03.11.

Depois de quase um mês onde duas guerras se realizam na Libia, uma interna, entre khadafystas e opositores do líder revolucionário, e uma no ocidente através da mídia, com o controle total das noticias pela Casa Branca e somente indo ao ar ou tendo imagens liberadas após filtragem do Pentágono ou do Departamento de Estado, a situação começa a mudar no mais emblemático país do norte da África.

Após a exibição pela TV líbia e ainda a reprodução pela Telesur e da Internet de imagens do assassinato de 212 partidários do Coronel Muammar Khadafy, em Bengazhi, mortos a sangue frio, depois de terem sido presos e sem qualquer resistência por seus opositores, o mundo árabe e membros da oposição começam a desistir de lutar contra Khadafy, considerando que já existem grandes divisões no meio dos opositores pela aliança feita por alguns setores com os EUA, inimigo histórico dos povos árabes e que inclusive bombardearam o país matando milhares de líbios.

Outro escândalo que ronda Washington é a participação de mercenários contratados pelo Pentágono, através da Halliburton e da Blackwater para participarem das batalhas na região de Cerenaica, em especial Bengazhi e Trobuk ao lado dos opositores que começam a perder terreno para os simpatizantes de Khadafy. A missão dos mercenários que ficariam sob controle da CIA, Agência Central de Inteligência e até executariam ações secretas com a aliada Al-Qaeda de Bin Laden, contra Khadafi seria manter o controle dos poços de petróleo já sob controle da oposição na região de Bengazhi.

O serviço secreto russo confirmou ontem através de Nicolai Patrushev, que na verdade o que está existindo é um verdadeiro bombardeio da mídia internacional contra Kadhafi, pois a Russia controla totalmente o espaço aéreo do norte da África e cem por cento da Líbia e que os aviões que supostamente levantaram vôo para executar os bombardeios contra o povo líbio não saíram do chão e portanto não executaram qualquer ação militar; que somado a isso, por não existirem imagens de qualquer vôo, configura uma armação do Pentágono. O Secretário de Defesa do EUA admitiu o erro das informações dizendo que podem ter sido outros aviões, mas setores independentes da mídia internacional já haviam colocado a entrevista dos russos no ar e assim desmoralizado a ação do Pentágono.

O ministro das Relações Exteriores da Libia, Mussa Kosa, em nota distribuida à imprensa mundial, apoiou a proposta do Presidente da Venezuela Hugo Chavez, da formação de uma Comissão Internacional de Paz, afirmando ainda que o Coronel Muammar Khadafy sugeriu também que a Comissão de Direitos Humanos da ONU venha à Libia e faça a investigação que desejar e não que tome qualquer decisão com base em informações da mídia comprometida com o complexo industrial militar norte americano.

Ontem um dos principais líderes da oposição a Kadafi, Khaled Maassou, na região de Cerinaica, confirmou que estava desistindo da luta por não concordar com a participação de mercencários e militares norte americanos em território líbio contra Kadhafi, e que em nenhuma situação irá contribuir com a CIA, que agora começa a assumir com a Al Qaeda o comando da situação na região de Cirenaica.

Quanto a decisão da ONU de congelar os bens de Kadhafi e seus familiares no exterior, Maassou afirmou que é uma medida inócua pois Kadhafi não tem bens no exterior e que a ele interessa é o poder, e não o dinheiro. Que o problema de Khadafy não é corrupção, pois ele não é corrupto, o problema de Kadhafi é o autoritarismo e a necessidade de alternância de poder que ele não entende.

Ontem um grupo de palestinos simpatizantes de Kadhafi foi expulso da região de Bengazhi porque se recusavam a lutar contra o líder líbio.

Toda a região de Fezzan, que compreende as cidades que vão de Sabha a Al Kufrah e praticamente toda a Tripolandia, estão sob controle das forças leais a Kadhafi. Apenas parte da região de Cirenaica, no extremo norte, está sobre controle dos opositores.

FONTES - AGNOT3ºMUNDO - REDE MUNDO - INTERPRESS - MIDIA LATINA - 06.03.11.

PETER BLAIR, de Washington e KHATARINA GARCIA, de BENGAZHI\Libia.”

http://port.pravda.ru/mundo/15-03-2011/31379-libia_massacre-0/

sexta-feira, 18 de março de 2011

LÍBIA - A posição dos membros que compõem o BRICS.

Para analistas, Brics se articularam em voto sobre Líbia na ONU.

Camila Viegas-Lee

De Nova York para a BBC Brasil


Brics citaram risco para civis líbios ao se abter em votação na ONU
A abstenção de Brasil, Rússia, Índia e China (que juntos formam o grupo conhecido como Bric) na votação no Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira, que autorizou ações militares na Líbia, refletiu uma articulação desses países no órgão, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

A resolução, proposta pela Grã-Bretanha, França e Líbano, foi aprovada com dez votos a favor, nenhum contra e cinco abstenções. A medida estabeleceu uma zona de exclusão aérea na Líbia e autorizou "todas as medidas necessárias" para "proteger civis e áreas habitadas por civis" de ataques das forças do coronel Muamar Khadafi.

Para Paulo Sotero, diretor do Instituto Brasil do Centro Woodrow Wilson, em Washington, “não devemos menosprezar o grau de articulações que há entre esses países (membros do Bric) (...) sobretudo às vésperas de um encontro (do grupo) na China”.

Segundo Sotero, o voto da resolução sobre a Líbia pode ser visto como um teste do futuro Conselho de Segurança.

“O dia em que o Conselho for reformado, esses quatro países estarão lá”, diz o analista. Rússia e China são membros permanentes do órgão e têm o poder de veto; Índia e Brasil ocupam vagas rotativas no Conselho, mas pleiteiam o mesmo status dos primeiros.

‘Voto do Bric’

Segundo Riordan Roett, diretor do programa de estudos de América Latina da Universidade Johns Hopkins, também de Washington, “não há dúvidas de que foi um voto do Bric”.

“Acho que veremos mais solidariedade no futuro em questões relacionadas. As prioridades da política internacional do Bric vão se diferenciar cada vez mais do G7 (grupo que integra as sete economias mais desenvolvidas do globo). Na minha opinião, o voto foi mais um desejo de se diferenciar dos países industrializados.”

Apesar da articulação e do interesse de Índia e Brasil em integrar permanentemente o Conselho, Roett diz que se trata de uma “questão de política muito complicada” e que levará tempo até que um acordo seja alcançado.

“Será interessante ver se o voto terá qualquer impacto na viagem de (Barack) Obama ao Brasil.”

Para Thomas Trebat, ex-diretor da divisão de América Latina do Citigroup, professor e atual diretor-executivo do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia, em Nova York, “é possível que tenha havido um tipo de acordo prévio dos quatro países, mas, do ponto de vista do Brasil, que conheço melhor, essa ação de abstinência de voto é completamente consistente com a linha do Brasil na ONU”.

“A intervenção brasileira tradicionalmente tenta evitar ações militares”, diz Trebat.

Justificativas

Ao justificar a abstenção na votação, os países usaram argumentos semelhantes. A embaixadora brasileira na ONU, Maria Luisa Viotti, disse que o Brasil teme que ações militares exacerbem tensões e façam "mais mal do que bem aos próprios civis com cuja proteção estamos comprometidos".

O representante da Índia no Conselho, Hardeep Singh Puri, afirmou que não havia clareza sobre detalhes da intervenção e como ela seria executada. Puri também expressou preocupação com possíveis vítimas civis das ações militares.

O Ministério de Relações Exteriores da China afirmou que o país se opõe “ao uso de força em relações internacionais e tem sérias reservas com parte da resolução”.

Um representante do governo da Rússia, por sua vez, disse à agência russa Interfax que um ataque ao território líbio poderia desencadear uma guerra entre o Ocidente e o mundo árabe.

O conceito dos Brics, acrônimo que agrupa os três maiores países em desenvolvimento (China, Índia e Brasil) mais a Rússia, foi formulado em 2001 por Jim O’Neil, economista-chefe do banco americano de investimentos Goldman Sachs.

Em 2006, segundo texto no site do Itamaraty, chanceleres dos quatro países se reuniram durante a 61ª Assembleia Geral da ONU. A partir de então, os países começaram a atuar coletivamente em alguns foros mundiais, embora o grupo tenha um caráter informal, sem possuir um documento constitutivo nem fundos destinados a financiar suas atividades.

quinta-feira, 17 de março de 2011

MÍDIA - O PIG britânico.

Do blog Os amigos do Presidente Lula.


Ingleses protestam contra formação do PIG britânico (por um antigo sócio da Globo)

Protestos contra ditaduras não ocorrem apenas no Oriente Médio.

Mas a imprensa brasileira se finge de morta, escondendo a notícia sobre os protestos de cidadãos ingleses contra uma ditadura da informação: o PIG (Partido da Imprensa Golpista) britânico.

O povo inglês quer mais REGULAÇÃO e INTERVENÇÃO do governo para impedir que o império mediático de Rupert Mordoch assuma o controle da imprensa britânica, comprando quase metade de toda a mídia do país (coisa pequena perto do que já foi a Globo no Brasil), e controle boa parte da notícia que os ingleses podem ver, ler e ouvir.

Já recolheram 360 mil assinaturas pela internet, e esperam chegar a 500 mil para pressionar o governo Britânico.

A News Corp, de Murdoch, é dona de um império de imprensa mundo afora, incluindo a ultra-direitista Fox estadunidense. Já foi sócio das Organizações Globo, no Brasil, na subsidiária SKY-TV.

O ex-sócio da família Marinho é acusado de fazer uso de seu império midiático para enfraquecer governos democráticos, promover divisão, intolerância e guerra.

Quando estes mesmos protestos contra o oligopólio de mídia acontece no Brasil, Globo, Veja, Folha e Estadão bradam com o bordão "tentativa do governo de censurar a imprensa" e blá, blá, blá.

Num país desenvolvido como o Reino Unido, uma inequívoca democracia ocidental, onde acontece a mesma coisa, os jornalões em papel e na TV preferem esconder a notícia para não "estragar o bordão" dos barões da mídia daqui.

Quem quiser dar uma mão aos trabalhadores ingleses contra o PIG deles, o abaixo assinado é uma campanha mundial (portanto aberta a brasileiros), neste link aqui:

Em português: http://www.avaaz.org/po/stop_rupert_murdoch_3/?twi

Em inglês: http://www.avaaz.org/en/stop_rupert_murdoch_3?fp

POLÍTICA - Comício de Obama na Cinelândia.

Imprudência diplomática

Mauro Santayana

É preciso romper o silêncio da amabilidade para estranhar o pronunciamento público que o presidente Obama fará, da sacada do Teatro Municipal, diante da histórica Cinelândia. Afinal, é de se indagar por que a um chefe de Estado estrangeiro se permite realizar um comício – porque de comício se trata – em nosso país. Apesar das especulações, não se sabe o que ele pretende dizer exatamente aos brasileiros que, a convite da Embaixada dos Estados Unidos – é bom que se frise – irão se reunir em um local tão estreitamente vinculado ao sentimento nacionalista do nosso povo.

É da boa praxe das relações internacionais que os chefes de estado estrangeiros sejam recebidos no Parlamento e, por intermédio dos representantes da nação, se dirijam ao povo que eles visitam. Seria aceitável que Mr. Obama, a exemplo do que fez no Cairo, pronunciasse conferência em alguma universidade brasileira, como a USP ou a UNB, por exemplo. Ele poderia dizer o que pensa das relações entre os Estados Unidos e a América Latina, e seria de sua conveniência atualizar a Doutrina Monroe, dando-lhe significado diferente daquele que lhe deu o presidente Ted Roosevelt, em 1904. Na mensagem que então enviou ao Congresso dos Estados Unidos, o presidente declarou o direito de os Estados Unidos policiarem o mundo, ao mesmo tempo em que instruiu seus emissários à América Latina a se valerem do provérbio africano que recomenda falar macio, mas carregar um porrete grande.

Se a idéia desse ato público foi de Washington, deveríamos ter ponderado, com toda a elegância diplomática, a sua inconveniência. Se a sugestão partiu do Itamaraty ou do Planalto, devemos lamentar a imprudência. Com todos os seus méritos, a presidência Obama ainda não conseguiu amenizar o sentimento de animosidade de grande parte do povo brasileiro com relação aos Estados Unidos. Afinal, nossa memória guarda fatos como os golpes de 64, no Brasil, de 1973, no Chile, e ação ianque em El Salvador, em 1981, e as cenas de Guantánamo e Abu Ghraid.

O Rio de Janeiro é uma cidade singular, que, desde a noite das garrafadas, em 13 de março de 1831, costuma desatar seu inconformismo em protestos fortes. A Cinelândia, como outros já apontaram, é o local em que as tropas revolucionárias de 1930, chefiadas por Getúlio Vargas, amarraram seus cavalos no obelisco então ali existente. Depois do fim do Estado Novo, foi o lugar preferido das forças políticas nacionalistas e de esquerda, para os grandes comícios. A Cinelândia assistiu, da mesma forma, aos protestos históricos do povo carioca, quando do assassinato do estudante Edson Luis, ocorrido também em março (1968). Da Cinelândia partiu a passeata dos cem mil, no grande ato contra a ditadura militar, em 26 de junho do mesmo ano.

Não é, convenhamos, lugar politicamente adequado para o pronunciamento público do presidente dos Estados Unidos. É ingenuidade não esperar manifestações de descontentamento contra a visita de Obama. Além disso – e é o mais grave – será difícil impedir que agentes provocadores, destacados pela extrema-direita dos Estados Unidos, atuem, a fim de criar perigosos incidentes durante o ato. Outra questão importante: a segurança mais próxima do presidente Obama será exercida por agentes norte-americanos, como é natural nessas visitas. Se houver qualquer incidente entre um guarda-costas de Obama e um cidadão brasileiro, as conseqüências serão inimagináveis.

Argumenta-se que não só Obama, como Kennedy, discursaram em público em Berlim. A situação é diferente. A Alemanha tem a sua soberania limitada pela derrota de 1945, e ainda hoje se encontra sob ocupação militar americana. Finalmente, podemos perguntar se a presidente Dilma, ao visitar os Estados Unidos, poderá falar diretamente aos novaiorquinos, em palanque armado no Times Square.
Fonte: JB online.

JAPÃO - O capitalismo urubu.

Japão e o capitalismo urubu.

Já fiz algumas coberturas jornalísticas bastante duras, mas as cenas que chegam do Japão são de estremecer.

Não só as imagéticas. Mas também aquelas que os relatos nos fazem imaginar.

Dia desses li que numa das cidades litorâneas os seres humanos arrastados pela Tsunami começavam a ser devolvidos pelo mar. Falava-se em mil corpos num só dia. Não vi a imagem, mas a imaginei…

É exagerado dizer que o que aconteceu guarda relação com o aquecimento global. Mas ao mesmo tempo não dá para não dizer que o homem não tem tratado a natureza e seus fenômenos com desdém.

Até teorias fraudulentas de que na verdade há esfriamento e não aquecimento são difundidas por pessoas sérias.

E isso acaba levando uma questão do nosso tempo a ser tratada de forma lateral e até certo ponto de maneira esquizofrênica. Todo mundo diz que ela é muito importante, mas a grande maioria não dá a menor importância a ela.

O fato é que o Japão é um dos países centrais do atual modelo de desenvolvimento capitalista. Daquele das inovações tecnológicas e do descartável.

No Japão tudo é feito para durar pouco, para que possa ser substituído por algo novo e faça girar a máquina do lucro. Independente do que isso vá gerar de custo energético e ambiental.

O Japão virou o Japão que conhecemos, nesta base.

Aceitou ser aliado dos EUA na Ásia e se beneficiou dessa parceria para entrar com tudo no esquema “se mate de trabalhar para poder consumir”. E consuma tudo que puder de forma mais rápida possível.

O Japão não é o único país que reproduz essa lógica. Ao contrário.

Quase todos os países parecem dispostos a aceitar esse padrão desde que seja possível do ponto de vista econômico.

Dane-se a questão ambiental.

No Brasil de hoje este enfrentamento também faz parte da agenda, mas todo o esforço que se faz é para que ele se resuma a algo menor.

Mas voltando ao Japão, por incrível que pareça, no meio dessa devastação já há gente fazendo contas de quanto a economia de lá e também do resto do mundo pode vir a ganhar ou perder com a tragédia.

Mesmo que a catástrofe natural não tenha relação com isso – essa é uma questão pros cientistas debaterem – o caos que pode vir a matar milhares por conta das radiações da usinas nucleares têm.

O padrão de consumo imposto pela lógica deste capitalismo urubu nos obriga a ter de produzir cada vez mais energia para poder produzir cada vez mais bens de consumo.

E este debate não tem tido espaço na arena pública.

A pauta é contabilizar os mortos e discutir os impactos da tragédia na economia global.

Sem trocadilhos, é o fim do mundo.
Fonte: Blog do Rovái.

MacDonald´s: A propaganda que encobre a exploração.

Para fugir de uma multa milionária por não oferecer condições básicas de trabalho a seus funcionários, McDonald's firma acordo com o Ministério Público para financiar propaganda contra o trabalho infantil

Michelle Amaral

da Reportagem



“Uma vez eu estava com uma bandeja cheia de lanches prontos para serem entregues e escorreguei. Quando ia caindo no chão, meu coordenador viu, segurou a bandeja, me deixou cair e disse: 'primeiro o rendimento, depois o funcionário'”, conta Kelly, que trabalhou na rede de restaurantes fast food McDonald´s por cinco meses.

“Lá você não pode ficar parado, se sentar leva bronca”, relata Lúcio, de 16 anos, que há 4 meses trabalha em uma das lojas da rede na cidade de São Paulo. “Você não tem tempo nem para beber água direito”, completa José, de 17 anos. “Uma vez eu queimei a mão, falei para a fiscal e ela disse para eu continuar trabalhando”, lembra o adolescente. Maria, de 16 anos, ainda afirma que, apesar da intensa jornada de trabalho nos restaurantes, recebe apenas R$ 2,38 por hora trabalhada.

Os relatos acima retratam o dia-a-dia dos funcionários do McDonald´s. Assédio moral, falta de comunicação de acidentes de trabalho, ausência de condições mínimas de conforto para os trabalhadores, extensão da jornada de trabalho além do permitido por lei e fornecimento de alimentação inadequada são algumas das irregularidades apontadas por trabalhadores da maior rede de fast food do mundo.

Somente no Brasil, o McDonald´s tem mais de 600 lojas e emprega 34 mil funcionários, em sua maioria jovens de 16 a 24 anos.

“Quando se é adolescente, você vê as coisas acontecerem, mas não vê como assédio moral, nem nada do tipo. Mas humilhações são constantes. Já fui puxada pela orelha por uma gerente por demorar em um atendimento”, completa Kelly.

As relações de trabalho impostas pelo McDonald´s são objetos de estudo de muitos pesquisadores. Do mesmo modo, pelas irregularidades recorrentes, a rede de fast food é alvo de diversas denúncias na Justiça do Trabalho.

Em São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis e Restaurantes de São Paulo (Sinthoresp), ao longo dos anos, tem denunciado as más condições a que são submetidos os funcionários do McDonald´s.

Recentemente, resultou em uma punição ao McDonald´s uma denúncia feita há quinze anos pelo sindicato ao Ministério Público do Trabalho (MPT) da 2ª Região, em São Paulo. Trata-se de um acordo que, além de exigir o cumprimento de adequações trabalhistas, estabelece o pagamento de uma multa de R$ 13,2 milhões.

Desse valor, a rede de fast food deve destinar R$ 11,7 milhões ao financiamento de publicidade contra o trabalho infantil e à divulgação dos direitos da criança e do adolescente durante os próximos nove anos. Além disso, a rede deve doar R$ 1,5 milhão para o Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O compromisso foi firmado em outubro de 2010 e passou a valer em janeiro deste ano.

As investigações realizadas pelo MPT a partir da denúncia do Sinthoresp confirmaram as seguintes irregularidades: não emissão dos Comunicados de Acidente de Trabalho (CAT); falta de efetividade na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; licenças sanitárias e de funcionamento vencidas ou sem prazo de validade, prorrogação da jornada de trabalho além das duas horas extras diárias permitidas por lei, ausência do período mínimo de 11 horas de descanso entre duas jornadas e o cumprimento de toda a jornada de trabalho em pé, sem um local para repouso.

O MPT também apontou irregularidades na alimentação fornecida aos trabalhadores: apesar de oferecer um cardápio com variadas opções, o laudo da prefeitura de São Paulo reprovou as refeições baseadas exclusivamente em produtos da própria empresa por não atender às necessidades nutricionais diárias. Em relação à alimentação, o McDonald´s chegou a ser condenado, em outubro de 2010, pela Justiça do Rio Grande do Sul a indenizar em R$ 30 mil um ex-gerente que, após trabalhar 12 anos e se alimentar diariamente com os lanches fornecidos pela rede de fast food, engordou 30 quilos.



Processo

Segundo o advogado do Sinthoresp, Rodrigo Rodrigues, a denúncia feita em 1995 referia-se “aos maus tratos que sofriam os funcionários do McDonald's devido às várias reclamações deles aqui no nosso sindicato”.

O advogado do Sinthoresp relata que o MPT chegou a realizar uma consulta pública com todos os envolvidos no caso. Após isso, ajuizou uma ação civil pública em março de 2007. Em 2008, houve a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que estipulava prazos para o cumprimento das adequações.

Ao comprovar que as exigências não estavam sendo cumpridas, o MPT ameaçou aplicar uma multa milionária à rede. Para fugir da punição, o McDonald's firmou esse novo acordo em outubro de 2010.

De acordo com a procuradora do trabalho Adélia Augusto Domingues, o MPT está em processo de tratativas com a rede de fast food para a implementação de todas as adequações necessárias. “O processo terá o acompanhamento do Ministério Público do Trabalho em todas as etapas, até que as adequações sejam completamente realizadas”, afirma Domingues.

A procuradora acredita que o acordo firmado com a rede beneficiará os funcionários. “Esses ajustes são positivos e importantíssimos para os empregados da empresa, que na maioria são adolescentes que requerem, sem dúvida, cuidados especiais, em razão de encontrarem-se na fase do processo de desenvolvimento físico, mental e social”, defende.

A reportagem procurou o McDonald's que, através de sua assessoria de imprensa, encaminhou um comunicado no qual afirma que os termos do acordo se alinham com a cultura da empresa de respeitar as leis do país e contribuir ativamente nas comunidades onde atua. “Acreditamos também que campanhas educativas e a doação do equipamento médico, como consta do acordo, poderão beneficiar a sociedade como um todo”, diz o informe.



A rede

De acordo com dados do site do McDonald's, no ano de 2009 a rede estava presente em 118 países e possuía 31 mil lojas onde trabalhavam 1,6 milhão de funcionários. A sede mundial da McDonald's Corporation fica nos Estados Unidos e, nos demais países do mundo, a rede opera por meio de franquias.

O McDonald's chegou ao Brasil em 1979 e, desde 2007, a Arcos Dourados é a franqueadora do McDonald's no país e na América Latina. A Arcos Dourados tem como sócios os fundos Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, o DLJ South America Partners, fundo ligado ao Credit Suisse, e o Capital International, do The Capital Group Companies. O lucro da rede de fast foods no Brasil em 2009, conforme informações do site, foi de R$ 3,45 bilhões. Já em 2010, em todo o mundo, o McDonald´s obteve lucro de 4,95 bilhões de dólares.

*Os nomes dos funcionários citados na matéria são

ORIENTE MÉDIO - Invasão do Bahrein.

Por que a Arábia Saudita invadiu o Bahrein?.

A revista Foreign Policy traz um artigo interessante de Mohammed Ayoob, professor de política internacional da universidade americana Michigan State, no qual ele faz duras críticas ao Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). A entidade reúne Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Catar e, na segunda-feira, invadiu o Bahrein a pedido da família real local, sufocada por protestos há um mês.

Ayoob afirma que algumas interpretações dão conta que a invasão liderada pela Arábia Saudita teria como base o medo de que o Irã possa cooptar a maioria xiita do Bahrein e, assim, voltar o país contra as nações sunitas da região. Para ele, entretanto, isso é só parte da explicação, porque o desejo do CCG é suprimir de uma vez por todas a onda democrática que passa pelo Oriente Médio

A razão real para o estabelecimento do CCG em 1981 não era a defesa contra inimigos externos ameaçando a segurança dos Estados do CCG, mas a cooperação contra desafios domésticos a regimes autoritários. Sua grande tarefa era e continuar a ser a coordenação de medidas de segurança interna, incluindo o compartilhamento de informações de inteligência, com o objetivo de controlar e reprimir as populações dos Estados membros, dando assim segurança às monarquias autocráticas do Golfo Pérsico. O estabelecimento do CCG foi, em grande medida, uma reação por parte das monarquias à Revolução Iraniana de 1979, na qual o poder das populações derrubou a autocracia mais forte da vizinhança. As autocracias árabes do Golfo não queriam compartilhar o mesmo destino do Xá do Irã.

José Antonio Lima

Fonte: ISTO É.

LÍBIA - Líbia financiou campanha presidencial francesa.

Filho de Khadafi chama Sarkozy de palhaço e diz que Líbia financiou sua campanha presidencial.

A vida do presidente da França, Nicolas Sarkozy, não anda nada fácil. Internamente, sua popularidade vem despencando. Nesta quarta-feira, o jornal Le Figaro publicou nova pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2012 e, pela terceira vez desde o dia 7, Sarkozy aparece em terceiro lugar, atrás do presidente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, e de Marine Le Pen, a filha do ultradireitista Jean-Marie Le Pen.

Externamente, Sarkozy vê sua imagem ser bombardeada pela família do ditador da Líbia, Muammar Khadafi, depois que a França foi o primeiro país a reconhecer o Conselho Nacional Líbio de Transição, o governo rebelde, instalado em Benghazi. Nesta quarta, o filho de Khadafi, Saif al-Islam, disse, em entrevista ao canal Euronews (confira o vídeo abaixo, em inglês), que o governo de seu pai ajudou a financiar a campanha presidencial de Sarkozy. O Le Monde conta:

Saif al-Islam não tem provas, mas ataca Sarkozy. “A primeira coisa que pedimos a este palhaço é que devolva o dinheiro do povo líbio. Nós demos assistência a implementar seu governo, mas estamos desapontados. Temos todos os detalhes, números de contas, documentos, operações de transferência. Vamos revelar tudo em breve”

Como nota a imprensa francesa, não há provas contra Sarkozy. Segundo o jornal britânico The Guardian, uma “fonte bem colocada” no governo líbio revelou a intenção vingativa de Khadafi. “Sarkozy está jogando sujo, então também estamos jogando”.

Fonte: ISTO É.

JAPÂO - Segurança das usinas atômicas foi contestada.

Do Blog do Mello.


WikiLeaks: Agência Internacional de Energia Atômica avisou ao Japão há dois anos que suas usinas não estavam preparadas para terremotos

Em dezembro de 2008, a International Atomic Energy Agency (IAEA) chamou a atenção para possíveis deficiências na segurança sísmica das usinas nucleares no Japão, informou o jornal britânico The Daily Telegraph, citando documentos do WikiLeaks.

O governo japonês teria se comprometido a aumentar o nível de segurança de suas usinas e que a unidade de Fukushima (afetada agora) foi concebida para suportar tremores de magnitude 7,0. O que ocorreu na última sexta-feira foi de 9,0.



Avisos sobre a segurança das usinas nucleares no Japão, um dos países de maior atividade sísmica no mundo, foram levantados durante uma reunião de Segurança Nuclear e do Grupo de Segurança do G8 em Tóquio, em 2008.

Um cabo da embaixada dos EUA obtido pelo site Wikileaks e visto pelo The Daily Telegraph citou um especialista anônimo que expressou preocupação com as orientações sobre como proteger as centrais nucleares do Japão de terremotos.

O documento afirma: "Ele [o funcionário da IAEA] explicou que os guias para segurança sísmica só foram revistos por três vezes nos últimos 35 anos e que a IAEA os estava reexaminando".[

quarta-feira, 16 de março de 2011

ANOS DE CHUMBO - Casa da Morte.

Campanha quer transformar “Casa da Morte” em Centro de Memória

Adital

O Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis está promovendo um abaixo-assinado para que a prefeitura de Petrópolis (RJ) adquira a Casa da Morte, local onde opositores da ditadura militar foram torturados e assassinados, e crie, ali, o ‘Centro de Memória, Verdade e Justiça' de Petrópolis.


A "Casa da Morte” ou "Casa dos Horrores”, localizada à Rua Arthur Barbosa, Centro, nº 120, é conhecida como um dos piores porões da ditadura militar. Os torturados não saíam vivos de lá, à exceção da militante Inês Etienne Romeu.


Para assinar o documento e ler o texto da campanha, basta acessar o link: http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N7357.
Fonte: ADITAL.

EUA - Servidores lutam por direitos sindicais.

Servidores nos EUA lutam por direitos sindicais. Iniciado em Wisconsin, o movimento ganha força. Até o cineasta Michael Moore e o pastor Jesse Jackson já entraram em cena.

João Carlos Olivieri

O cineasta Michael Moore foi a Madison, capital do estado de Wisconsin, porque, segundo suas declarações “esta é uma guerra de classes”. Os protestos foram comparados aos ocorridos no Egito por participantes e analistas como Noam Chomsky, que os definiu como “o primeiro sinal da revolta das massas trabalhadoras” contra medidas semelhantes em outros estados. O reverendo Jesse Jackson, o líder popular Jim Hightower, e importantes líderes sindicais e sociais, juntaram-se aos protestos nas últimas semanas.

A crise começou em 14 de fevereiro, quando o governador republicano de Wisconsin, Scott Walker, apresentou um projeto de lei antidemocrático, que, entre outras coisas eliminaria quase todos os direitos de negociação coletiva da maioria dos funcionários públicos, além de cortar os salários e os benefícios deste setor. O governador defendeu seu projeto dizendo que era necessário para equilibrar o débito orçamental de três bilhões e 600 milhões de dólares nos próximos dois anos.

Em resumo, o projeto de lei exige que os funcionários públicos paguem uma parcela maior de seus seguros de saúde e fundos de pensões e elimina dos sindicatos (exceto o dos bombeiros e o da polícia), o direito de negociação coletiva sobre outras questões que não sejam os salários (e este só poderá ser renegociado, se o aumento proposto estiver abaixo do nível da inflação).

Até agora, tudo indica que o principal objetivo do projeto do governador é o de destruir a união AFSCME (Federação Estadunidense de Funcionários do Estado, Condado e Município), que foi fundada em Wisconsin em 1930, destruindo também o WEAC (Conselho da Associação de Educação de Wisconsin), um dos sindicatos de professores mais fortes e mais eficazes no país (4).

Milhares de pessoas (mais de 100 mil, segundo estimativas), cercaram o Capitólio estadual, na capital Madison, cuja população total é de apenas 250 mil habitantes. O que começou como um repúdio às medidas republicanas para limitar severamente (quase anular) direitos sindicais de cerca de 175 000 trabalhadores do governo de Wisconsin, está a transformar-se numa rebelião contra a repressão aos trabalhadores em alguns outros pontos do território estadunidense.

A resistência em Wisconsin incluiu vários tipos de táticas não violentas, desde a ocupação do Capitólio estadual (em Madison) até a fuga de 14 senadores democratas do estado para tentar impedir o quorum necessário para a aprovação da lei, imposta pela direita da direita republicana, em manobra parlamentar, agora sujeita a revisão judicial.

Não seria equivocado pensar numa possibilidade de que o movimento cívico venha a se converter numa revolta, com milhares de adeptos e assim crescesse por muitos outros estados dos EUA. Aguardemos o avanço da história…
Fonte: Tribuna da Imprensa online.

POLÍTICA - Deixaram Kassab pendurado na brocha.

Balaio do Kotscho

Tanto barulho, tanta notícia, meses de conversas sobre o novo partido de Gilberto Kassab, tudo para quê? Para nada…

Como já era de se esperar, a convenção do DEM juntou os cacos, quer dizer os caciques, e mesmo em clima de velório conseguiu não só eleger um novo presidente, o veterano senador José Agripino Maia, em lugar de Rodrigo Maia, como evitou a sangria anunciada pelo prefeito paulistano, quem nem foi à convenção.

Ao anunciar o PDB, sigla criada para abrigar os descontentes do DEM e de outros partidos, Kassab logo deixou claro que o novo partido seria apenas um trampolim para driblar a legislação eleitoral e, em seguida, se jogar nos braços do PSB, o partido do governador pernambucano Eduardo Campos, que é da base aliada da presidente Dilma.

Dos 35 nomes que chegaram a ser anunciados para acompanhar Kassab no novo partido, não restam mais do que meia dúzia de dois ou três sem maior expressão, com exceção do vice-governador de São Paulo, meu amigo Guilherme Afif, que foi quem levou Kassab para a política na equipe da sua campanha presidencial, em 1989, pelo antigo PL.

O antigo aliado Rodrigo Garcia (SP), a senadora goiana Kátia Abreu, líder ruralista, a prefeita de Riberão Preto, Dárcy Veras, e o ex-candidato a vice de Serra, Indio da Costa (RJ), várias “estrelas” anunciadas já estão roendo a corda do “novo partido”.

Confesso que fiquei surpreso ao ver o discreto Kassab circulando como grande estrategista político e ganhando destaque num possível rearranjo partidário em nível nacional. Quando a esperteza é grande demais acaba engolindo o esperto.

Os velhos coronéis comandados pelo Maia potiguar, com anos de janela na Arena, no PDS e no PFL, resolveram reagir na luta pela sobrevivência e, simplesmente, puxaram-lhe a escada, deixando Kassab pendurado na brocha.

Por tabela, deixaram na estrada também Jorge Bornhausen, derrotado na tentativa de retomar o comando do partido, e seu eterno aliado tucano, o ex-candidato José Serra.

Foi uma vitória dos profissionais comandados por Aécio Neves que agora precisa fazer o mesmo serviço no PSDB para assegurar sua candidatura presidencial em 2014. Os aliados demos, no entanto, ainda não se entenderam sobre a nova cara que pretendem apresentar ao eleitorado.

“Nego a pecha de direita”, injuriou-se José Agripino Maia, que defendeu o liberalismo econômico como bandeira do partido. O deputado gaúcho Onyx Lorenzoni não concordou: “Aí, não! Eu sou de direita”.

O senador goiano Demóstenres Torres anunciou que o partido precisa ter um rumo, uma direção, mas não disse qual. Só sabe o que o DEM não deve ser: “Não somos de esquerda, não somos de ultradireita, não somos governo”. O que serão, afinal?

O deputado paranaense Alcenir Guerra também não parecia muito animado, segundo o noticiário da Folha: “Dois sintomas mostram o tamanho da crise: de um lado, os fundadores insatisfeitos. De outro, o filiado com mais votos, que é o prefeito de São Paulo, falando em sair. A hora é de estancar a hemorragia”.

Pelo jeito, o DEM saiu da convenção direto para o pronto-socorro.

POLÍTICA - Dilma no programa da Hebe.

Dilma ganhou mais do que Hebe ao ir ao programa dela.

O irmão da ministra Ana de Holanda tem uma música chamada Jorge Maravilha que num certo trecho diz: “você não gosta de mim, mas sua filha gosta”.

Quando era adolescente ouvia dizer que a música havia sido feita para a filha do Geisel. Que tinha sido namorada dele e que era apaixonada pelos olhos verdes do poeta-músico.

Havia naquele meio dos anos 80 quem já dissesse que o irmão de Ana não confirmava a história, mas eu não abria mão de acreditar na versão. Achava-a muito boa para não ser verdade.

Hoje já me conformei depois de ler algumas vezes, como nesta entrevista, que a motivação foi outra. Sempre que o autor de Cálice ia ao Dops para ser interrogado, ao final os investigadores pediam autógrafos. Claro que pras filhas.

Hoje ao ver Hebe desfilando com Dilma no Palácio do Planalto, agradeci por não ter sido eu o entrevistado da apresentadora.

Simplesmente porque perderia os direitos de herança do patrimônio que dona Clotilde administra com mãos de ferro na gloriosa Praia Grande (cidade onde se encontram as praias mais freqüentadas do litoral brasileiro), se não saísse do encontro com, no mínimo, um autógrafo de Hebe.

Cá entre nós, diferente da visita a Folha no aniversário do jornal, acho que Dilma sai maior do que entrou desta participação no programa de estréia de Hebe na Rede TV. Assisti o dito cujo depois de ser informado pela minha progenitora “acontecimento”.

Ela se humanizou para um segmento importante da população brasileira. Principalmente para aquele que se localiza na classe média e tem mais do que 50 anos.

Dialogar com esse segmento, que é bastante conservador, é necessário. Diria que é fundamental.

E Dilma não me parece ter mudado de opinião, nem se tornado menos ou mais de esquerda por conta disso.

Ao contrário, quem parece ter mudado de opinião foi Hebe. Que rasgou elogios a nova presidenta.

Um governante precisa ter conexão com formadores de opinião nos setores populares.

E até Lula tinha.

Ou os amigos já se esqueceram da relação que o ex-presidente cultivava com Ratinho e Datena.

Fonte: Blog do Rovái.

terça-feira, 15 de março de 2011

MEIO AMBIENTE - São Paulo, 7 milhões de carros.

Parabéns São Paulo chegamos aos 7 milhões de carros!

Por Reinaldo Canto*




Segundo o Detran, a cidade vai atingir essa impressionante marca até o fim de março. Mas afinal, tal fato é digno de júbilo ou de pesar?

A resposta para o questionamento acima mencionado irá depender, obviamente, do ponto de vista e dos valores do observador.

Para os adeptos da velha economia e amantes do transporte individual a notícia poderá ser motivo de comemorações. Esses hão de considerar que o expressivo número significa que São Paulo transformou-se numa metrópole digna do primeiro mundo, com uma economia pujante e próspera, na qual cada vez mais pessoas podem satisfazer seus desejos de consumo.

Já para aqueles que compartilham os valores do desenvolvimento sustentável e da melhoria da qualidade de vida, a informação causa, no mínimo, um certo desânimo. Simboliza uma vitória do retrocesso e do passado em detrimento da construção de uma cidade mais equilibrada e amigável para se viver.

Números não mentem

Algumas informações adicionais são importantes para que os indecisos possam fazer suas escolhas. Segundo matéria publicada pelo caderno Metrópole do jornal O Estado de São Paulo baseada em dados fornecidos pelo Detran, em 1970, a capital paulista tinha registrados 965 mil veículos para 14 mil quilômetros de vias. Já para os 7 milhões de veículos existem hoje na cidade, 17 mil quilômetros de ruas e avenidas pavimentadas. Não é por outra razão que os congestionamentos por estas bandas são cada vez mais freqüentes.

Espanta também o fato da frota de veículos crescer seis vezes mais rápido que a população de São Paulo. Já temos mais veículos por habitante (630 para cada mil paulistanos) do que Japão (395), Estados Unidos (478) e Itália (539 veículos para cada mil italianos).

Direito fundamental

Contribui de maneira decisiva para esse crescimento descomunal um fator cultural bastante disseminado em nosso país: o sonho de possuir um carro próprio.

Ouço com insistência que o estabelecimento de medidas de cerceamento a venda de veículos, seria uma indesculpável discriminação com as classes C e D que, graças às facilidades do crédito, finalmente podem adquirir carros com prestações que caibam nos seus bolsos.

Segundo essa lógica ser proprietário de um veículo de passeio seria um direito inalienável tanto quanto os direitos a saúde, alimentação, moradia e educação. Mas é preciso, antes de mais nada, levar em conta as necessidades da sociedade como um todo. Aí sim, um dos principais direitos fundamentais fica enormemente prejudicado com o entupimento das nossas vias por esses veículos de passeio, ou seja, o direito de ir e vir. E pelo que podemos assistir, antes de melhorar, essa situação deve piorar ainda mais.

Ignorância e insanidade

A marca de 7 milhões de veículos em breve será superada, pois as vendas continuam a crescer de maneira acelerada e constante. Portanto, devemos esperar congestionamentos cada vez maiores, pessoas estressadas e também o aumento dos casos de doenças provocadas pela poluição que já matam cerca de 20 pessoas todos os dias na região metropolitana, segundo o Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Além de entupir as ruas de nossas cidades e ampliar os níveis de poluição do ar, a cadeia de produção da indústria automobilística é intensiva em uso de energia, água e matérias-primas extraídas sem pudor nem dó da natureza. Isso significa que, do ponto de vista do planeta, essa atividade é totalmente insustentável e, portanto, sem futuro, seja pelo bem ou pelo mal.

Mudanças necessárias em todos os setores

Essa espiral de insanidade que a todos prejudica indistintamente, pode e deve ser interrompida. Talvez possa começar pela questão psicológica rompendo com o ego, como Dal Marcondes outro colunista de Carta Capital lembrou bem em artigo recente (http://www.cartacapital.com.br/carta-verde/carro-extensao-das-pernas-ou-do-ego).

Possuir um carro, não faz uma pessoa melhor que fique isso bem claro! Conclusões no sentido oposto também devem ser evitadas, a ausência de um carro na garagem não é um inequívoco sinal de fracasso.

Outro ponto a se levar em conta é a busca pela convivência harmônica entre os habitantes da capital. A prevalência do individual sobre o coletivo é um dos fatores que faz de São Paulo uma cidade difícil de viver. Uma cidade deve ser de todas as pessoas que nela residem ou transitam. Ruas, avenidas, calçadas, pontes e viadutos deveriam ser locais mais agradáveis para o deslocamento cotidiano e não de disputa insana pela ocupação de pequenos espaços a qualquer custo.

Caminhos para mudar essa realidade existem e são até mais simples do que parecem. No campo individual, por exemplo, mesmo que você ame seu carro, evite o seu uso em toda e qualquer circunstância sempre que possível. Você verá que andar a pé, de bicicleta ou de transporte coletivo pode ser bem interessante e agradável.

Por outro lado, é preciso também exigir que as nossas autoridades públicas façam pesados investimentos em transportes coletivos e deixem de gastar dinheiro do orçamento com obras viárias. Quase sempre são obras muito caras que privilegiam e incentivam o uso de carros de passeio. Campanhas e fiscalização maciças para questões como respeito a faixa de pedestres, reforma de calçadas e garantia de acessibilidade vão contribuir para uma gradual e benéfica transformação em prol de uma metrópole mais sustentável e feliz.

*Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de comunicação do Greenpeace e coordenador de comunicação do Instituto Akatu. É colunista de Carta Capital e colaborador da Envolverde.

**Artigo publicado originalmente na coluna Cidadania & Sustentabilidade: http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/parabens-sao-paulo-7-milhoes-de-carros

Blog: cantodasustentabilidade.blogspot.com
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(Envolverde/Carta Capital)

REFLEXÕES DE FIDEL - Os dois terremotos.

• Um forte terremoto de magnitude 8,9 estremeceu hoje o Japão. O mais preocupante é que as primeiras notícias falavam de milhares de mortos e desaparecidos, números realmente inusitados em um país desenvolvido, onde tudo se constrói à prova de terremotos. Inclusive, falava-se de um reator nuclear fora de controle. Horas depois, se informou que as quatro usinas nucleares próximas da região mais afetada estavam sob controle. Informava-se igualmente sobre um tsunami de dez metros de altura, que provocou alerta de maremoto em todo o Pacífico.
O sismo se originou a 24,4 quilômetros de profundidade e a 100 quilômetros da costa. Caso se tivesse produzido a menos profundidade e distância, as consequências teriam sido mais graves.

Houve deslocamento do eixo do planeta. Foi o terceiro fenômeno de grande intensidade em menos de dois anos: Haiti, Chile e Japão. Não se pode culpar o homem por tais tragédias. Cada país, seguramente, fará o que estiver a seu alcance para ajudar esse povo laborioso que foi o primeiro a sofrer um desnecessário e desumano ataque nuclear.
Segundo o Colégio Oficial de Geólogos da Espanha, a energia liberada pelo abalo sísmico equivale a 200 milhões de toneladas de dinamite.
Uma informação de última hora, transmitida pela AFP, expressa que a companhia elétrica japonesa Tokyo Electric Power comunicou : "De acordo com as instruções governamentais, liberamos parte do vapor que contém substâncias radiativas…" "Acompanhamos a situação. Até o momento não há problema…"

"Também se assinalavam desarranjos relacionados com o resfriamento em três reatores de uma segunda usina próxima, Fukushima 2".

"O governo ordenou a evacuação das regiões circundantes, em um raio de 10 quilômetros, no caso da primeira usina; e de 3 quilômetros no caso da segunda."
Outro terremoto, de caráter político, potencialmente mais grave, é o que tem lugar em torno da Líbia, e afeta de um modo ou outro todos os países.
O drama que vive esse país está em pleno auge, e seu desenlace ainda é incerto.
Ontem aconteceu um grande corre-corre no Senado dos Estados Unidos quando o diretor nacional de Inteligência, James Clapper, afirmou no Comitê de Serviços Armados: "Não creio que Kadafi tenha alguma intenção de ir-se embora. Pelas evidências de que dispomos, parece que se está instalando um processo de longa duração."
Acrescentou que Kadafi conta com duas brigadas que "são muito leais" . Assinalou que "os ataques aéreos do exército fiel a Kadafi destruíram ‘principalmente’ edifícios e a infraestrutura, mais do que causar baixas entre a população".
O tenente-general Ronald Burgess, diretor da Agência de Inteligência de Defesa, na mesma audiência ante o Senado disse: "Parece que Kadafi ‘vai seguir no poder, a menos que outra dinâmica mude o momento atual’."
"A oportunidade que os rebeldes tiveram no começo do levantamento popular ‘começou a mudar’", assegurou.
"Não tenho nenhuma dúvida de que Kadafi e a direção líbia cometeram um erro ao confiarem em Bush e na Otan, como se pode deduzir do que escrevi na Reflexão do dia 9".
"Tampouco duvido das intenções dos Estados Unidos e da Otan de intervierem militarmente na Líbia e abortarem a onda revolucionária que estremece o mundo árabe".
"Os povos que se opõem à intervenção da Otan e defendem a ideia de uma solução política sem intervenção estrangeira, têm a convicção de que os patriotas líbios defenderão sua Pátria até o último alento".

Fidel Castro Ruz

MEIO AMBIENTE - Os avisos desprezados.

Os ouvidos da formiga

Mauro Santayana


Há anos tento recuperar o texto de um dos mais assustadores contos de ciência ficção, que li ainda na adolescência. Ao que me indica a frágil lembrança da narração, o autor era russo. Em certo dia, os astrônomos localizam uma nuvem de gás letal que se aproxima da Terra e que a cobrirá, fatalmente. Certos do fim da vida no planeta, os líderes políticos se reúnem às pressas com os cientistas e, no tempo ainda disponível, tomam providências para registrar tudo o que seria possível guardar para uma civilização que viesse a surgir, em qualquer tempo depois, em nosso planeta. Um complexo sistema é estabelecido para chamar a atenção do futuro ser inteligente, quando, passado o efeito do envenenamento atmosférico, fosse presumível a comunicação com esse desconhecido, descendente de alguma forma de vida preservada durante o grande acidente cósmico.

Um dia, os grandes alto-falantes, espalhados pelo mundo, reproduzem o som estridente das sirenes e, em seguida, em todas as línguas imagináveis, as informações sobre os arquivos da vida humana, com as chaves de sua decodificação. Durante meses, enquanto duram as potentes baterias do sistema, os sons se repetem, sem que haja qualquer reação. Segundo o conto, os únicos seres sobreviventes haviam sido as formigas – e as formigas são surdas.

Nos arquivos subterrâneos, e para sempre, enquanto o sol brilhar e a Terra existir, jazerão, tão indiferentes como as rochas, as gravações da Quinta Sinfonia de Beethoven, com sua intrigante pausa inicial; das Quatro Estações de Vivaldi, de toda a obra de Bach e Telleman, das Sinfonias de Mahler e das surpreendentes composições de Gershwin; as mais belas esculturas; todos os livros do mundo, juntamente com as pinturas, da reprodução dos afrescos da Antiguidade a Miró e Picasso. Também guardados em recipientes de cristal selado, os grandes filmes até então produzidos.

Não estamos ouvindo os avisos da Natureza. Eles estão sendo mais insistentes em nosso século, que se inicia, do que nunca foram. Esses avisos podem ser confirmados pela ciência: o pólo magnético se desloca rapidamente, em conseqüência das tempestades magnéticas se sucedem. Há o risco, já anunciado, de que haja tal subversão no campo magnético terrestre que todos os registros eletrônicos se apagarão em um instante – e para sempre.

O homem ainda não se deu conta de sua grandeza. A inteligência que o assiste é a maior expressão da vida no Cosmos. Fruto do acaso, ou de deliberada intenção superior, o Universo, com seus mistérios e sua imensidão só serve ao homem, porque só o homem tem a consciência de que o Universo existe.

Nos últimos 150 anos causamos mais danos à Natureza do que em todo o curso da vida na Terra. E não adianta esquivar-se da verdade, tão clara como o sol das manhãs de verão: toda essa violência se fez em nome do lucro, em nome do acelerado crescimento do capitalismo, exacerbado a partir de sua aliança com a inteligência tecnológica. Ou paramos para refletir sobre tudo isso, ou, realmente, não merecemos o Universo que recebemos ao nascer e que, mesmo o perdendo, cada um de nós, ao morrer, o legaremos aos que virão de nossa semente e de nossos sonhos. Nós o legaremos com o melhor de nossa essência, na arte, essa sublime cumplicidade com a natureza, no pensamento filosófico, na fé na transcendência, no registro das histórias de amor.

Isso, se conseguirmos encontrar a razão da vida, que perdemos, inebriados pelo mito do progresso sem limites, do hedonismo sem limites, da insânia sem limites. Uma coisa é certa: nosso sistema de vida, conduzido pela razão do capitalismo, é incompatível com a preservação da espécie. Temos que encontrar um novo caminho, em que o homem possa ser feliz e se realizar, enquanto o nosso planeta se mantiver girando, na órbita de uma estrela ainda viva.
Fonte: JB online.

LÍBIA - O plano secreto de Obama.

O plano secreto de Obama para armar rebeldes da Líbia.

por Robert Fisk.

Obama pede aos sauditas uma ponte aérea com armas para Benghazi.

Desesperado para evitar o envolvimento militar dos EUA na Líbia no caso de uma luta prolongada entre o regime Kadafi e os seus opositores, os americanos pediram à Arábia Saudita que fornecesse armas aos rebeldes em Benghazi. O reino saudita, que já enfrenta um "dia da ira" proveniente do 10 por cento da comunidade muçulmana xiita, com uma proibição de todas as manifestações, até agora ainda não respondeu ao pedido altamente secreto de Washington, embora o rei Abdullah odeie pessoalmente o líder líbio, a quem tentou assassinar há pouco mais de um ano.

O pedido de Washington alinha-se com outras cooperações militares dos EUA com os sauditas. A família real em Jeddah, a qual estava profundamente envolvida no escândalo Contra durante a administração Reagan, deu apoio imediato aos esforços americanos para armar guerrilhas que combatiam o exército soviético no Afeganistão em 1980 e posteriormente – para desgosto da América – também financiou e armou o Taliban.

Mas os sauditas constituem o único aliado árabe dos EUA estrategicamente colocado e capaz de fornecer armas às guerrilhas da Líbia. A sua assistênci permitiria a Washington desmentir qualquer envolvimento militar na cadeia de fornecimento – muito embora as armas fossem americanas e pagas pelos sauditas.

Disseram aos sauditas que os oponentes de Kadafi precisam de rockets anti-tanque e morteiros como primeira prioridade para repelir ataques de blindados de Kadafi e de mísseis terra-ar para derrubar os seus caças-bombardeiros.

Os materiais poderiam chegar a Benghazi dentro de 48 horas mas precisariam ser entregues em bases aéreas na Líbia ou no aeroporto de Benghazi. Se as guerrilhas puderem então avançar para a ofensiva e assaltar as fortalezas de Kadafi na Líbia ocidental, a pressão política sobre a América e a NATO – não menor que a dos membros republicanos do Congresso – para estabelecer uma zona de interdição de voo seria reduzida.

Planeadores militares estado-unidenses já deixaram claro que uma zona desta espécie precisaria de ataques aéreos dos EUA contra o funcionamento das bases de mísseis anti-aéreos da Líbia, ainda que gravemente esgotados, portanto trazendo Washington directamente para a guerra ao lado dos opositores de Kadafi.

Durante vários dias, aviões de vigilância AWACS dos EUA têm estado a voar em torno da Líbia, fazendo contacto constante com o controle de tráfego aéreo de Malta e pedindo pormenores de padrões de voo líbios, incluindo jornadas feitas nas últimas 48 horas pelo jacto privado de Kadafi, o qual voou para a Jordânia e voltou à Líbia pouco antes do fim de semana.

Oficialmente, a NATO descreverá a presença de aviões AWACS americanos apenas como parte da sua Operation Active Endeavor pós 11/Set, a qual tem vasta autonomia para empreender medidas de contra-terrorismo na região do Médio Oriente.

Os dados dos AWACS são transferidos a todos os países da NATO sob o mandato existente da missão. Contudo, agora que Kadafi foi restabelecido como um super-terrorista no léxico ocidental, a missão da NATO pode facilmente ser utilizada para investigar alvos na Líbia se forem empreendidas operações militares activas.

O canal de televisão em inglês da Al Jazeera difundiu na noite passada gravações feitas pelo avião americano para o controle de tráfego aéreo de Malta, em que pedia informação acerca de voos líbios, especialmente o do jacto de Kadafi.

Um avião AWACS americano, matrícula número LX-N90442, podia ser ouvido a contactar a torre de controle de Malta no sábado a pedir informação acerca de um Dassault-Falcon 900 jet 5A-DCN da Líbia no seu caminho de Amman para Mitiga, o próprio aeroporto VIP de Kadafi.

Ouve-se o AWACS 07 da NATO dizer: "Tem informação acerca de um avião com a posição Squawk 2017 cerca de 85 milhas a Leste da nossa [sic]?"

O controle de tráfego aéreo de Malta responde: "Sete, isso parece ser o Falcon 900 – em nível de voo 340, com destino a Mitiga, segundo o plano de voo".

Mas a Arábia Saudita já está a enfrentar perigos de um dia de protesto coordenado pelos seus próprios cidadãos muçulmanos xiitas os quais, fortalecidos pelo levantamento xiita na ilha vizinha de Bahrain, na sexta-feira apelaram a manifestações de rua contra a família dirigente dos al-Saud.

Depois de despejar tropas e polícia de segurança no província de Qatif, na semana passada, os sauditas anunciaram uma proibição à escala nacional de todas as manifestações públicas.

Os organizadores xiitas afirmam que mais de 20 mil protestatários planeiam manifestar-se com mulheres nas linhas de frente para impedir o exército saudita de abrir fogo.

Contudo, se o governo saudita aceder ao pedido da América para enviar armas e mísseis aos rebeldes líbios, seria quase impossível para o presidente Barack Obama condenar o reino por qualquer violência contra os xiitas das províncias do Nordeste.

Portanto, no espaço de tempo de apenas umas poucas horas o despertar árabe, a exigência de democracia na África do Norte, a revolta xiita e o levantamento contra Kadafi tornaram-se embrulhados com as prioridades militares dos EUA na região.


07/Março/2011


O original encontra-se em The Independent e em http://www.countercurrents.org/fisk070311.htm

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

POLÍTICA - Quem manda é ela.

Carlos Chagas

Está para ser divulgada esta semana a primeira pesquisa ampla e sistematizada a respeito do governo Dilma Rousseff. Surpresa, propriamente, não haverá, até porque a opinião publicada, expressa nos editoriais dos jornalões, acopla-se à opinião pública detectada nas diversas categorias sociais e regiões do país. Ignoram-se os percentuais mas a aprovação nacional dos primeiros dois meses parece inconteste.

Alguns céticos já concluem estar alguma coisa errada quando se registra a unanimidade, ou quase. Preferem ficar com Nelson Rodrigues, para quem toda unanimidade era burra.

Não há como deixar de anotar, porém, que a presidente tem o apoio da sociedade, mesmo obrigada a cortar gastos públicos e a conceder ínfimo reajuste ao salário mínimo. Seu estilo de gerentona, bem diferente dos oito anos do Lula, parece estar agradando as elites sem desagradar as massas. Claro que ela surfa no sucesso do antecessor e faz diligentemente o dever de casa.

Ao primeiro sinal de catástrofe, mandou-se para a serra fluminense, assim como puxou as orelhas de alguns ministros, preservando-se ao mesmo tempo da exposição explícita a que se dedicava seu mestre. Desenvolve outro tipo de comportamento, mais rígido e menos ostensivo.

Prefere, vale repetir, a postura austera da madre superiora do convento, ainda que se esforce por apresentar-se amena e sorridente nas audiências que concede e nas viagens que empreende. Mas enfrentou com dureza as tentativas de envolvimento e as exigências de políticos ávidos de auferir benesses, tanto quanto enquadrou as lideranças sindicais empenhadas em obter vantagens até justas para seus liderados.

Em suma, é muito cedo para conclusões, mesmo preliminares, mas uma característica emerge dessas semanas iniciais do novo governo: quem manda é ela, sem qualquer dúvida, evidência que agrada a população. Com a ressalva de que não é tempo para celebrações, muito pelo contrário.

Fonte: Tribuna da Imprensa online.

LÍBIA - A exposição pública da hipocrisia ocidental.

Do blog Democracia&Política.



Entrevista de Reginaldo Nasser à Manuela Azenha, do “Viomundo”

1ª PARTE:

DISPARADA NO PREÇO DO PETRÓLEO É PURA ESPECULAÇÃO

“Reginaldo Nasser é mestre em Ciência Política pela UNICAMP e doutor em Ciências Sociais pela PUC (SP). Arguto observador de nossos preconceitos, propõe que os ocidentais relaxem em relação ao futuro das revoluções em andamento no norte da África e no Oriente Médio: por que deveríamos cobrar revoluções “em ordem”, de africanos e árabes, se as revoluções europeias tiveram de tudo, menos ordem? Ele também desconta que haja razões objetivas para uma disparada nos preços do petróleo. Ninguém rasga dinheiro. Atribui o aumento do preço no mercado internacional —cerca de 20%, desde o início de 2011— à especulação.

É, a gente sabe que até o medo já é uma ‘commodity’ altamente rentável.

Viomundo – Há quem desconfie do que possa surgir dessa grande revolta nos países árabes, mas ao mesmo tempo há entusiasmo de quem acredita que é momento único na história, em que esses países estão se libertando por movimentos próprios, internos, e não se “libertando” por meio de ocupação estrangeira, como aconteceu no Iraque ou no Afeganistão. Qual é a avaliação do senhor?

Reginaldo Nasser – É um momento privilegiado. É um momento único para várias coisas e uma delas é justamente mostrar que no Oriente Médio, no norte da África, no mundo árabe, é possível ter alternativa que não seja, de um lado, ditaduras seculares militarizadas tais como a da Líbia e do Egito, da Síria, e, de outro lado, não ter um regime teológico como o do Irã. Porque isso é uma construção que, de certa forma, se naturalizou no Ocidente, é uma construção no imaginário.

Independentemente do que vai acontecer, esse fato já está provado e eu acho isso um ganho. Porque mobilizou vários grupos, não havia, até o momento, indício de reivindicação que saísse fora da esfera política, como reivindicações por emprego, contra a tirania. As reivindicações sociais são as questões mais importantes. Uma outra questão, que já se pergunta, é se seria possível ter um governo diferente. Eu diria que a possibilidade se dá através da construção da experiência e também da intencionalidade.

Quem começa a fazer essas comparações já no inicio é porque está esperando o insucesso dessa empreitada. Porque se nós olharmos para a história da Europa, foram séculos de experimentos e, mesmo assim, se nós contarmos em termos de período histórico, a experiência democrática dos países europeus é muito pequena. Alemanha, Itália, França, grosso modo, pós-Segunda Guerra Mundial. É interessante que tudo isso some das comparações. As imagens que têm vindo dos movimentos, das rebeliões, mostram preocupação em manter a ordem. É muito interessante, no Egito, na Tunísia, se preocupam para que não haja saques, não haja vingança, querem cuidar dos poços de petróleo. São movimentos super ordenados.

Claro, é ingênuo achar que, montado o governo, vai ter bonança, libertação, porque é natural que haja grupos conflitantes e como toda e qualquer revolução no mundo, americana, francesa, russa, ela é feita por composição de grupos com interesses divergentes. Tudo isso para dizer que o Oriente Médio não tem nada de exótico na política. Tem em outras coisas, mas não na política. É uma luta para quebrar com esse preconceito. Eu avalio a situação situando o Oriente Médio e o norte da África da forma como nós debatemos a política na Europa, na America Latina, na Ásia.

V – E por que o senhor acha que tem esse efeito dominó? O que existe em comum? Por que começou no Egito e na Tunísia e o que inspira esses manifestantes?

RN – Por que começa? Ate hoje ninguém sabe como começou a revolução francesa nem a russa, então acho que sempre há o factualmente inexplicável. Mas a gente pode fazer algumas inferências. Primeiro, vou explicar o motivo disso estar se espalhando: porque eles têm a mesma herança. Não é casual estar acontecendo no norte da África e no Oriente Médio. E quais são as semelhanças? Não é só na sociedade, maioria árabe e muçulmana, mas é que têm o mesmo tipo de Estado.

Todos foram colonizados, pelo império otomano, império inglês, francês ou italiano. Todos, no processo de independência, alguns mais outros menos, tiveram forte presença militar. Alguns foram para república, caso do Egito, Líbia, Síria; outros, para a monarquia, principalmente os países do Golfo Persa. Mas a estrutura do Estado é a mesma, a estrutura da economia é muito comum: alta concentração, economia basicamente de recursos naturais —caso do petróleo— e, portanto, a [mesma] formação de elites. Isso eles têm em comum.

Do lado dos manifestantes, as reivindicações são as mesmas: desigualdade de renda e repressão política, basicamente. Tem na Tunísia, na Líbia, no Egito, no Bahrein, em todo lugar. Portanto, têm uma causa comum. Agora, existem questões especificas. A Líbia, por exemplo, tem ainda presença tribal muito forte, não tanto como estão dizendo, mas tem.

Portanto, com o Gadaffi, tem uma estrutura descentralizada, daí se explica a dificuldade da queda do poder. No Egito, com uma força militar altamente hierarquizada e centralizada, quando os militares decidiram, acabou o governo do Mubarak.

Tem um dado novo no Oriente Médio, independentemente da intenção dos governantes, da concentração de renda, da corrupção: a urbanização. Por isso. na Líbia eu acredito que haja sobrevalorização das tribos. A Líbia tem 6 milhões de habitantes e, no mínimo, 60, 70% de população urbana. Tunísia e Egito também apresentam essa característica. Grandes centros urbanos, classes médias, profissionais liberais e a questão demográfica: jovens.

Em média, 30% de jovens. Nessa camada, o índice de desemprego é de 70, 80% e são escolarizados. Tanto que, no inicio das revoltas na Líbia..., as tribos depois aderiram mas não começou com elas. Começou em Benghazi, com uma manifestação no “Dia de Fúria”, convocada por esses jovens e esses profissionais liberais que estavam protestando contra uma prisão e um massacre que o Gadaffi havia feito anos antes.

O peso excessivo da história no Oriente Médio atrapalha a entender o que é novo. Aquela figura do Gadaffi, a forma como ele se veste, não condiz com a Líbia. Nos últimos anos, a Líbia conheceu grande quantidade de investimento internacional. O alto número de imigrantes na Líbia mostra o dinamismo do país. Isso é novo. As classes médias, quando tinham oportunidade, iam estudar fora, nos Estados Unidos e na Europa. Ainda tem muito isso, mas dadas as condições ultimamente, eles têm ficado no país. Aí tem o índice de desemprego e também a humilhação. Um pouco o que aconteceu com aquele jovem na Tunísia. Ele é símbolo disso. Tentou abrir o negócio próprio, o policial foi lá, o jovem não se corrompeu e o policial o puniu. Aquilo não é uma situação casual. Então, a urbanização, o aparecimento dos jovens desempregados e a elite intelectual, mas que não participa do processo decisório desses países, são fatores novos e determinantes.

V – O que esses manifestantes estão pedindo? A gente tende a dar conotação religiosa para conflitos nos países árabes, mas essa revolta pode ser vista como rejeição ao neoliberalismo?

RN – Eu, daqui, interpreto que seja contra o neoliberalismo, mas duvido que na cabeça deles seja isso. São contra um tipo de Estado e um tipo de economia de alta concentração, que é uma articulação de interesses das elites locais e internacionais. Não é uma cumplicidade apenas moral, é um elo orgânico das elites. São negócios. Os manifestantes estão contra isso. Eles estão contra um tipo de política externa que é praticado. Ninguém está botando fogo na bandeira dos Estados Unidos, mas também não quer dizer que estão apoiando os Estados Unidos. Não é pra eliminar o Estado de Israel, é um outro tipo de política que está sendo solicitado.

Digamos que a situação lá é tão ruim que eles estão pedindo pouco. Querem liberdade de participação política, eleições etc. Mudar o perfil do Estado e das relações econômicas, da distribuição de renda, seguridade social, são essas coisas. O melhor termômetro para isso é ver o que o rei saudita fez quando saiu do hospital. Eu costumo dizer que os governantes sabem avaliar melhor o problema do que os analistas. Quando ele chegou, ele não falou nada de religião, nada de terrorismo, ele disse: vou dar 37 bilhões de dólares para habitação, bolsa de estudos, seguridade social, uma série de coisas.

V – E o senhor acha que será suficiente para impedir que as revoltas cheguem à Arábia Saudita?

RN – Não, Arábia saudita é só questão de tempo. Não tem como. Não dá para prever, mas não tem como segurar porque aquilo, como nos outros lugares, é uma bomba-relógio.

V –Mas então eles estão pedindo algo além disso…

RN – Claro que estão. Isso que o rei saudita está fazendo é do estilo da monarquia, é um presente, uma dádiva, uma filantropia. Eles querem uma política de Estado, não isso. Algo permanente, frequente, que invista nas pessoas, algo do qual as pessoas participem. Gadaffi tentou distribuir dinheiro, Mubarak foi ridículo, aumentou o salário e continuou no poder. Então, não vamos acreditar que essas tradicionais políticas populistas darão certo.

Eu diria que esse tipo de liderança, depois de dezenas de anos, acabou. Não tem mais chance, vai ter que ser construída uma outra. Não sei se será melhor, mas será outra. Essa não consegue ter mais legitimidade. Encerrou o ciclo. Seja das monarquias do Golfo, seja dos populistas ditos nacionalistas, que vieram de herança da década de 50 e 60, que são o Gadaffi, o Mubarak.

V – E se chegar na Arábia Saudita, o que acontecerá com o preço do petróleo?

RN – Objetivamente, nada. Os fatos nos dizem que o que o petróleo da Líbia representa no mercado mundial não é suficiente para explicar o aumento que já vem ocorrendo.

V – Mas talvez o temor de que as revoltas se espalhem explique o aumento. A expectativa da escassez de petróleo…

RN – Não, é isso que eu também tenho questionado. Porque haveria escassez de petróleo? Qual é o pressuposto? De que o rebelde colocaria fogo no petróleo? Ele vai continuar vendendo petróleo. Esse é um equívoco. Se as revoltas se espalharem e mantiverem a intencionalidade dos atores, não vai acontecer nada. O que está acontecendo na Líbia é exemplar. Em Benghazi, eles estão fazendo o máximo para proteger o poço de petróleo e o Gadaffi está dizendo que vai jogar bomba nele. No Egito, não tem problema nenhum. Isso é especulação do mercado internacional. Pura especulação.

E, na Arábia Saudita, acredito que terá uma grande especulação, mas, objetivamente, não vai ter nada. Por que qual é a lógica daquele que está fazendo a revolução? Que ela dê certo. Para isso, precisa de recursos e, no momento, o recurso é o petróleo. E aprenderam com a experiência do Irã, que foi isolado da comunidade internacional. Eles sabem que não dá para sobreviver. Gostando ou não, é uma estratégia. Se isolar, não tem chance. Aquela região —alguns países mais, outros menos— importa 70% dos alimentos. São economias muito frágeis. No caso da Líbia agora, a própria Arábia saudita diz: eu cubro. E pode cobrir. A Rússia pode cobrir. É uma especulação.




2ª PARTE:

Na segunda parte da entrevista de Reginaldo Nasser, mestre em Ciência Política pela UNICAMP e doutor em Ciências Sociais pela PUC (SP), o professor fala da hipocrisia explícita dos Estados Unidos e de países europeus em relação aos ditadores da África e do Oriente Médio e sobre possíveis formatos de uma intervenção militar (Haiti?).

E, atentem, prevê que as revoluções árabes vão provocar mudanças nas lideranças de Israel e dos territórios palestinos, se não imediatamente, a médio prazo.

Viomundo – E porque o senhor acha que a comunidade internacional demorou tanto para se posicionar e, de uma hora para outra, os Estados Unidos passaram a crucificar o Gadaffi abertamente? O que tem em jogo e quem sai ganhando com isso?

Reginaldo Nasser – Na verdade, a chamada comunidade internacional não é uma comunidade: são os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, tal. O Mubarak foi aceito por eles há muito tempo e o Gadaffi adotaram recentemente, desde 2003. Essa reintrodução do Gadaffi na comunidade internacional foi feita num acordo muito bom para as duas partes. As reservas de petróleo da Líbia tornaram-se cada vez mais exploradas pela Shell, BP, Exxon etc. O Gadaffi declarou que estava suspendendo toda e qualquer forma de produção de armas de destruição em massa, que é uma obsessão dos Estados Unidos. O “Huffington Post” mostrou o lobby pró-Líbia dentro do Congresso americano, um lobby que já existia antes da suspensão. Um lobby que envolve petróleo, indústria de armas e universidades.

V –Universidades?

RN – Sim, não sei se você viu, com os Estados Unidos e com a Inglaterra. O filho do Gadaffi deu 1 milhão e meio para a “London School of Economics”, estudou e defendeu doutorado. Fundou um centro de estudos sobre democracia e governança. Não sei se é para rir ou chorar. Agora a “London School” está devolvendo o dinheiro e falando que foi plágio. Eles relatam visitas de intelectuais à Líbia, o Gadaffinho democrata. Tudo tranqüilo. O Gadaffi vendeu que é inimigo do [Osama] bin Laden e é verdade. É uma outra briga. Teve casos dele entregar terroristas para a CIA. Supostos terroristas. É um aliado. Passou a ser bem recebido na Europa. Outro filho dele tinha um time de futebol na primeira divisão, de Perugia, na Itália. O outro foi jogar com o Kaká. Outro dia eu vi um no show dos Rolling Stones. Isso sabendo que a repressão continuava existindo. Isso é fato. As ONGs divulgando a repressão [na Líbia].

Essa é a política clássica, tradicional, não tem nada de novo. A ditadura amistosa. Agora, os Estados Unidos estão tentando ser espertos. No popular, cara de pau. Eu me lembro bem a declaração da Hillary Clinton no primeiro dia de revolta no Egito: não é só que o Mubarak era aliado, ele é da família norte-americana. “Ele é da nossa família”. E aí aquela frase muito objetiva: torço para que as coisas se resolvam bem. E ao longo, a coisa foi crescendo e eles mudaram. E agora na Líbia, mudaram mais rápido por causa do desgaste. Eles tinham que sair na frente e, nesse aspecto, eles estão sendo muito espertos. Porque agora já estão aparecendo nas manchetes do jornal que os Estados Unidos são o grande opositor do Gadaffi. O Brasil e outros países perderam a oportunidade. Estava claro, já nesse momento, que tinha que sair um grupo de países e apoiar os movimentos.

Não tem essa de ficar esperando relações diplomáticas. Porque é uma questão política, você tem de estar com os líbios, com os egípcios, e não com o Mubarak. E apostar nisso. O Brasil deu aquelas declarações que o Itamaraty sempre dá. Sinto muito. Aliás, quem teve uma posição muito boa foi o embaixador do Brasil no Egito. Ele foi contundente, falou ao vivo no Jornal Nacional. Pegou pesado: que estava lá, a repressão que assistia não podia acontecer. Os conservadores americanos já estão falando que têm que fazer como fizeram das outras vezes, na Coreia, nas Filipinas, no Chile, ou seja: quando as ditaduras desgastam, tiram os caras.

V – E como vai ficar a relação dos Estados Unidos com esses países árabes?

RN – A relação dos países árabes com os Estados Unidos não vai continuar como era antes, impossível. Mas também não estarão ausentes. Por exemplo, os militares do Egito: com os militares americanos têm uma relação orgânica, não vão romper isso de uma hora para outra. A posição dos Estados Unidos é essa, como é a da Inglaterra, como é a da França. É sempre assim: agora, na França, o problema era a ministra das relações exteriores, não era o Sarkozy. Chama-se o tradicional bode espiatório. Para eximí-los não só da cumplicidade, mas das políticas conjuntas que foram adotadas. Sabe-se que o Gadaffi segurava a leva de imigrantes que ia para a Europa. O Gadaffi era o melhor aliado.

V – Os líbios no leste, “libertos”, rejeitam explicitamente qualquer intervenção estrangeira. O que eles pedem é que o Conselho de Segurança da ONU monitore uma zona de exclusão aérea. A ONU já condenou as ações de Gadaffi, mas pode-se esperar uma intervenção militar?

RN – Eles estão corretíssimos em rejeitar intervenção estrangeira. O Conselho de Segurança da ONU pode votar e autorizar uma intervenção coletiva. A autorização é do Conselho, mas as tropas são de cada país. Em todo e qualquer caso, os Estados Unidos aparecem como os que têm mais condições e vontade de se envolver nos conflitos.

V – Mas seria justificável uma intervenção militar?

RN – Acredito que não seja justificável, mas houve outros fatos que aconteceram. No Haiti, por exemplo. Não estou dizendo se sou favorável ou não. O que havia no Haiti? Uma instabilidade, um prenúncio de guerra civil. De direito, não existe a idéia de intervenção militar em guerra civil. Você pode fazer os acordos, colocar as partes para conversar, mas não intervenção. Mas isso já abriu precedentes. Eu diria, com o precedente, pode se justificar como crise humanitária, que é o mais provável. Estão bombardeando civis, existe a questão das migrações, que está atrapalhando a Tunísia, o Egito, está indo para a Europa. Quer dizer, não é um problema interno.

Que foi o caso do Haiti, autorizado pela ONU, na década de 90, na época do Bill Clinton. Então, pode autorizar, mas é improvável. Duvido que a Rússia e a China apoiem. Quase impossível porque vai ter veto. Agora, os Estados Unidos podem agir sozinhos. Ou a OTAN. Aí não passa pela ONU, como foi em Kosovo, que não passou pela ONU. A OTAN autoriza entre eles, europeus e americanos, para dar um ar de que não é unilateral e pode agir. Mas eu acho improvável. Os neoconservadores americanos estão querendo a intervenção sob o princípio humanitário. O Obama vai sair desgastado, ele está perdido. Qualquer coisa que ele fizer, está perdido.

V – Qual é a implicação dessa instabilidade nos países árabes para Israel?

RN – É um desafio interessante. Acho que vai começar a passar o seguinte recado. Nós reconhecemos o Estado de Israel. Duvido que algum governo na Líbia, no Egito, vai se posicionar negando [o direito] a existência de Israel. Outra coisa é aceitar a política de Israel para os palestinos. Isso vai ser questionado, não tenha dúvida. E isso vai permitir colocar as relações diplomáticas em outro patamar. Tanto é assim que eu vejo, já tem sinais disso, que vai haver mudanças dentro de Israel.

A ascensão de líderes, como Netanyahu e Mubarak, depende do ambiente em que eles circulam. O Netanyahu não vai mais saber circular nesse ambiente. Nem o Mubarak, que não dá satisfação a ninguém. Essas discussões vão minimamente para o congresso do Egito, para a opinião púbica. O discurso que deve surgir é: não queremos a destruição de Israel, mas também não queremos a cumplicidade de fechar Gaza, por exemplo. Acho que vai acontecer um debate dentro de Israel sobre que tipo de político eles querem para fazer os acordos, as negociações no Oriente Médio. Já sabem que com armas não vai dar. No lado militar da coisa, Israel é o mais poderoso, mas o Egito é a décima força militar no mundo. Não é nada desprezível. A situação é complicada, mas a guerra é improvável e eu acredito que teremos novas lideranças. O [jornal israelense] Haaretz está colocando isso diariamente.

No começo, Netanyahu apoiou Mubarak deliberadamente. E nas entrelinhas, todos preocupados com a chamada instabilidade. Estão acostumamos com esse ambiente, o bin Laden, o Ahmadinejad ou o Mubarak e o Gadaffi. O próprio Gadaffi esta falando que é o bin Laden que está incitando a multidão, então todo mundo vivia de criar seus mitos, que são seus inimigos. Sobrevalorizar o poder e o radicalismo da Irmandade Muçulmana… o terrorismo, os atos de terrorismo são ótimos para esse tipo de liderança.

Não tenha duvida, é fácil cuidar disso. Agora, lidar com esse tipo [de política] que vai surgir é mais difícil, exige um outro tipo de tratamento da política externa, dos acordos, que vai repercutir nos palestinos também. O Fatah, que está na Autoridade [Palestina], é herança dessa época também, desse tipo de liderança. Acredito que vão começar a questionar o Fatah e o Hamas. No primeiro momento, vai crescer o Hamas, mas eu acho que, com o tempo, vai aparecer uma outra força com os palestinos. Eles não podem ficar parados entre esses dois polos: Hamas e Fatah. Ou seja, vai haver repercussões internas em todos os países. Discussões políticas, de partidos, de representação, de propostas, é uma verdadeira revolução.”

[Nos próximos dias, será postada a 3ª parte da entrevista].

FONTE: entrevista com Reginaldo Nasser publicada no portal “Viomundo” (http://www.viomundo.com.br/politica/revoltas-no-mundo-arabe-vao-mexer-com-liderancas-de-israel-e-dos-palestinos.html)[imagens do google adicionadas por este blog].

segunda-feira, 14 de março de 2011

ECONOMIA - "Não pode ser mera coincidência".

Do blog Democracia&Política.

BRESSER PEREIRA CRITICA O NEOLIBERALISMO (ADORADO PELOS DEMOTUCANOS/FHC)


Por Luiz Carlos Bresser-Pereira

“NÃO PODE SER MERA COINCIDÊNCIA

"Inside Job", Oscar de melhor documentário, é uma reportagem precisa da crise financeira global.

A caricatura é a farsa que precede e anuncia a tragédia. "Inside job", ganhador do Oscar de melhor documentário, é uma reportagem clara, precisa e bem estruturada da crise financeira global de 2008. É um filme ao qual o espectador assiste com prazer misturado com indignação.

Começa contando a história da crise da Islândia, pequeno país de 380 mil habitantes no meio do Atlântico Norte cujos bancos entraram em especulação financeira desenfreada, com pleno apoio dos economistas neoliberais, e ficaram devendo quase cem vezes seu capital.

Some-se a isto sua estratégia de crescimento com poupança externa que levou o déficit em conta corrente a 16% do PIB, e então entenderemos por que o país quebrou violentamente, com grande prejuízo para sua população.

A Islândia foi a caricatura do sistema financeiro mundial apoiado pela teoria econômica ortodoxa, da mesma forma que no Chile a brutal crise financeira que encerrou os nove primeiros anos do governo Pinochet e seus Chicago boys (1973-81) foi o trailer caricatural dos 30 Anos Neoliberais do Capitalismo.

Esses começaram em 1979 com a eleição de Margaret Thatcher na Grã Bretanha, contaram com o apoio firme dos economistas ortodoxos, resultaram em casos de fraude generalizada, documentada de forma impiedosa no filme, e, afinal, produziram a crise financeira que o globo conheceu em 2008.

Conheço muitos economistas neoclássicos e neoliberais que são impolutos. Mas há uma relação entre o aumento da instabilidade financeira, da especulação e da corrupção e o predomínio nas universidades dessa teoria econômica neoclássica ou ortodoxa.

Foi essa teoria, foram o modelo do equilíbrio geral e a teoria das expectativas racionais que estão no seu núcleo duro, que serviram de justificação "científica" para o neoliberalismo. A ideologia neoliberal dos mercados autorregulados e da liberalização e desregulamentação geral do sistema econômico que abriu espaço para fraudes de todo tipo foi "legitimada" pela teoria ortodoxa. Foi essa teoria que fundamentou o neoliberalismo.

Este fato é significativo, mas ainda não é suficiente para que compreendamos a relação entre a teoria e a fraude. Afinal uma teoria científica tem um compromisso com a verdade que, em princípio, a defenderia contra a corrupção.

Mas o que dizer se essa teoria não tiver compromisso com a verdade, ou seja, com a sua conformidade com o real? Se essa teoria for apenas um castelo no ar hipotético-dedutivo baseado em alguns axiomas sem validade? E se o principal desses axiomas for o de que todo homem só defende seus próprios interesses não tendo compromisso com o interesse público?

Não há, portanto, nessa teoria, compromisso com a verdade, nem com a moralidade, apenas com a consistência lógica e com o autointeresse. Sei que nem tudo que é falso e autocentrado é imoral, mas a imoralidade está sempre associada à mentira e ao egoísmo.

"Inside job" mostra essa imoralidade de forma viva e definitiva. E mostra que quem a justifica são sempre economistas que ensinam essa teoria sem compromisso com a realidade ou com o interesse público. Definitivamente, a correlação entre o que se ensina e o que se pratica não pode ser mera coincidência.”

FONTE: escrito por Luiz Carlos Bresser-Pereira, advogado, administrador de empresas, economista, cientista político. Foi ministro da Fazenda de 29 de abril de 1987 a 21 de dezembro do mesmo ano, durante o governo José Sarney. Foi ministro da Administração Federal e Reforma do Estado em todo o 1° mandato presidencial de Fernando Henrique Cardoso (1995–1998) e ministro da Ciência e Tecnologia nos 6 meses iniciais do 2° mandato, permanecendo nesse cargo até 19 de julho de 1999 (fonte: wikipedia). Artigo publicado na Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1303201120.htm)[imagem do google adicionada por este blog].