sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

POLÍTICA - Não passarão!

Depois da irritação da qual fui acometido ontem à noite, ao assistir o JN repetir umas trezentas vezes

 o nome do PT, numa verdadeira lavagem cerebral, para preparar o ambiente para o golpe paraguaio

que está em andamento. A senha para o mesmo, foi o artigo do FHC, a capa da última Veja e o parecer do Ives

Granda,  um dos expoentes da Opus Dei no Brasil, tive, hoje pela manhã, motivos para dar uma boa

risada.

Isto, ao tomar conhecimento da convocação dos golpistas de sempre, para um ato cívico que

acontecerá em todo o Brasil, quando será pedido o impeachment da Dilma.

Não acreditei quando vi a data: 15 de março, domingo de Carnaval.

Na convocação, é pedido que todos se vistam de verde e amarelo e pintem a cara.

Pronto, o pessoal já está fantasiado para o Carnaval.

Eles poderiam ter marcado para 31 de março, aniversário do golpe, que colocou o Brasil numa

escuridão que durou 21 anos.

Resta saber, se o Lobão, o Bolsonaro, o Malafaia e outros democratas, vão liderar tal convocação, um

 exemplo de ato cívico.

Esse pessoal da direita radical, pois só pode ser radical quem pede o impeachment de uma presidente

 que acaba de se eleger com mais de 54 milhões de votos, sobre a qual não há nenhuma acusação de

cunho moral, resolveu sair do armário, e como sempre, conta com o apoio dessa mesma mídia, o

famoso PIG, que levou o Getúlio ao suicício,  fomentou a queda do Jango e tentou impedir a posse do

 Juscelino.

Gostaria só de lembrar, que o Brasil não é o Paraguai, Dilma não é o Collor e a guerra fria já acabou,

 se bem que esse pessoal acha que não. Desta vez não contarão com a frota americana para apoiá-la

no golpe que estão tramando. Não haverá nenhuma operação "Brother Sam".

Os golpistas de sempre estão usando a corrupção na Petrobras, para tentar acabar com o PT e a

esquerda no nosso país, mas o que querem mesmo, é "ganhar no tapetão", depondo a presidente

Dilma.

Parodiando aquela famosa frase da revolucionária, Rosa de Luxemburgo"

 "NÃO PASSARÃO"!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

POLÍTICA - "O partido do Eduardo Cunha chama-se Eduardo Cunha".

Requião: Esqueçam do impeachment, que Eduardo Cunha não vai facilitar para o PSDB


Em entrevista exclusiva ao GGN, o senador Roberto Requião afirmou que o PMDB deve romper com o PT e lançar um candidato a presidente em 2018. "O sonho de Eduardo Cunha é ser esse candidato", disse

Jornal GGN - "Esqueça dessa história de impeachment", diz o senador Roberto Requião (PMDB). O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara, "não vai facilitar nada para o PSDB tomar o poder" das mãos da presidente Dilma Roussef (PT), acrescentou o ex-governador do Paraná, na manhã de quarta-feira (4). Segundo Requião, "o partido de Eduardo Cunha chama-se Eduardo Cunha" e sua intenção é ser "hegemônico" dentro do PMDB, com um único objetivo: concorrer à Presidência da República em 2018.
Em entrevista exclusiva ao GGN, Requião afirmou que existe um "sentimento" dentro do PMDB fomentando o rompimento definitivo com o PT, em um futuro não muito distante. E o senador, que já tentou ser o presidenciável do partido em outras oportunidades, é um defensor declarado desse divórcio. "Cá entre nós, a finalidade de um partido é esta, (...) lançar um candidato em todas as instâncias públicas", disse ele. Durante a última campanha eleitoral, o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, admitiu que há um "sentimento patriótico" nesse sentido.
Sem destacar as lideranças peemedebistas com maior potencial para concorrer ao Palácio do Planalto, Requião apenas alertou: "O sonho de Eduardo Cunha é ser esse candidato". E ele construirá esse caminho, mesmo que tenha de passar o trator sobre outros caciques do PMDB. 
Confira a entrevista abaixo.

Jornal GGN: Senador, o que o senhor achou do parecer do jurista Ives Gandra Martins, levantando a hipótese de impeachment da presidente Dilma por culpa no caso Petrobras?
Roberto Requião: Aquilo é besteira! O parecer não tem sentido algum porque um impeachment é um juízo político. O [ex-presidente Fernado] Collor foi impeachmado pelo Congresso e absolvido pelo Supremo. É um juízo político. A rigor, tecnicamente, só seria cabível um impeachment com prova de dolo [participação intencional em crimes]. Eles estão criando um pensamento subsidiário do domínio do fato, o suposto domínio do fato.
GGN: O senhor acha que Dilma corre o risco de enfrentar esse processo de cassação agora que Eduardo Cunha preside a Câmara?
Requião: Não, acredito que não. O Eduardo Cunha, veja bem, o pessoal está entendendo mal Eduardo Cunha. O partido de Eduardo Cunha chama-se Eduardo Cunha. Cunha não vai facilitar nada para o PSDB tomar o poder. O projeto de Eduardo Cunha é ser absolutamente hegemônico no PMDB, afastar [a liderança do vice-presidente da República Michel] Temer e os outros, e tomar conta da República. A vocação é presidencial, a desse rapaz. Ele nunca vai forçar o impeachment para o PSDB e esse pessoal tomar conta do governo. Ele quer o reforço do PMDB dele.
GGN: Para isso, ele teria que isolar algumas lideranças, como o próprio presidente do partido, Michel Temer…
Requião: Exato. Ou tratorar.
GGN: E como seria isso?
Requião: Na próxima convenção do partido, que acontece no final do ano, afastar os comandos dos diretórios e ter o domínio do processo [para chegar a presidente nacional da legenda]. Este é o objetivo de Eduardo Cunha: controlar o PMDB, não o de entregar o impeachment da Dilma de bandeja para o PSDB. Portanto, esqueçam dessa história de impeachment.
GGN: Eduardo Cunha deu uma entrevista ao Estadão essa semana, deixando no ar que se houver sequelas da disputa acirrada com o PT pela presidência da Câmara, essa sequela será política. Ele indicou que caberia ao PMDB discutir, internamente, o rompimento definitivo com o PT com vistas à eleição de 2018.
Requião: Tudo isso é crível. Há esse sentimento dentro do PMDB, de lançar um candidato em 2018, não se subordinar mais ao PT. Cá entre nós, a finalidade de um partido é esta. O contrário é que é um pecado político. E esse erro vem sendo cometido [pelo PMDB] há muito tempo.
GGN: E quem seria o nome do PMDB para 2018?
Requião: O sonho de Eduardo Cunha é ser esse candidato.
GGN: E o senhor acredita que ele conseguirá?
Requião: Vamos ver como o negócio prossegue. Ninguém pode acreditar nem desacreditar de nada.
GGN: Alguns analistas destacam o Eduardo Paes [prefeito do Rio de Janeiro] como uma liderança peemedebista com potencial para ser candidato a presidente. Como o senhor avalia essa indicação?
Requião: Isso é o grupo do PMDB do Rio de Janeiro. Eu mal conheço esse Eduardo Paes…
GGN: E quanto a sua pretensão de ser candidato a presidente pelo PMDB?
Requião: Eu já tive duas vezes essa pretensão. Em uma delas [1998], o partido decidiu apoiar [a reeleição] de Fernando Henrique Cardoso e, na outra [em 2010], apoiou a Dilma. E eu também. O que eu acho é que a função política de um partido é lançar candidato em todas as instâncias públicas e, excepcionalmente, fazer uma composição.
GGN: Como está o clima no Congresso depois da reeleição de Renan Calheiros no Senado e da vitória de Eduardo Cunha na Câmara?
Requião: O clima acirrado está mais na Câmara. Lá, o que aconteceu foi o seguinte: Joaquim Levy [ministro da Fazenda] tirou de Dilma a votação que ela teria entre o eleitorado progressista do PT e PMDB. E a oposição continuou sendo a oposição. Na minha opinião, quem ganhou a eleição para a presidência da Câmara foi Joaquim Levy.
GGN: O que aconteceu, então, foi que alguns deputados não receberam bem a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda? A insatisfação não teria sido com indicações para outros ministérios? Uma reforma ministerial que não agradou a todos.
Requião: Não, não. Se a questão fosse a reforma ministerial, a indicação de ministros, o candidato de Dilma teria 90% dos votos. A Kátia Abreu [ministra da Agricultura] daria adesão da bancada ruralista, que é significativa na Câmara. Não foi o que aconteceu. O que aconteceu foi o desencanto com a nova orientação do governo. O termo certo é insatisfação [com a condução da política econômica]. Eles acham que não há espaço para um apolítica desejada por eles. Os que votaram na Dilma estão decepcionados. O que você acha, por exemplo, que eu estou pensando de escolherem pessoas do mercado para o Conselho de Administração e direção da Petrobras? Qual é a nova Petrobras que estão anunciando? Um instrumento de drenagem de recursos na mão da banca privada e rentistas? Não é mais a empresa estratégica do Brasil? É a empresa a serviço do capital vadio?
GGN: Mas faz sentido, senador? Como que alas progressistas do PT e PMDB, por insatisfação com as escolhas de Dilma, ou a indicação de Levy, votaram justamente em Eduardo Cunha, sabendo que ele é, no mínimo, um grande defensor de agendas conservadoras?
Requião: Eduardo Cunha era a contraposição ao Chinaglia, que seria a correia de transmissão das ideias do governo. Eduardo Cunha oferece espaço. Eles não são [do time de] Eduardo Cunha. Eles queriam deixar claro que são contra a oficialização da política do governo.
GGN: No Senado, Luiz Henrique tentou impedir a reeleição de Renan Calheiros para presidente e conseguiu 31 votos [seis a mais do que somam os partidos de oposição ao governo]. O senhor acha que esses 31 senadores vão se juntar durante a legislatura para formar um bloco de oposição maior do que Dilma enfrentou entre 2010 e 2014?
Requião: Não, o Luiz Henrique é do PMDB também. E o Senado é menor, mais sensível a pressões do governo. A presidência do Senado e da Câmara apenas presidem. No caso de um impeachment, quem decide antes é o plenário. A soberania é do plenário! A imprensa fica estabelecendo teses, mas ninguém se subordina ao Eduardo Cunha. (...) A Mesa Diretora não pode tudo. No máximo, conta com a leniência do plenário.

POLÍTICA - A Lava Jato é uma patranha para pegar o PT e o governo Dilma.


A Lava Jato é uma patranha, por Esquiber


A Lava Jato é uma patranha para pegar o PT e o governo Dilma.
A Lava Jato é uma patranha para destruir o PT e gerar as condições na opinião pública que leve o braço do golpe paraguaio para a câmara dos deputados. Sem apoio popular não haverá impeachment. É preciso demonstrar ou pelo menos causar a sensação geral de um mar de lama que atinja o governo Dilma e seu partido, o PT.
Hoje o estado democrático de direito amanheceu de luto com a condução coercitiva de João Vaccari Neto, uma medida absolutamente desnecessária, ilegal, fora da lei e arbitrária, configurando nítido abuso de poder do juiz Moro.
Vaccari é uma figura conhecida do circuito político. Exerce um cargo relevante dentro do partido dos trabalhadores. Jamais se negou a prestar nenhum esclarecimento à justiça. Tem residência fixa, poderia ser a qualquer momento intimado a comparecer a superintendência da PF, sem auxílio de força policial.
Das dezoito condução coercitivas somente a de Vaccari vazou para imprensa. Com qual propósito? criminalizar um partido político, o maior dentre os demais aptos a disputar eleições.
Estamos diante de um estado policial cujas garantias individuais foram solapadas em nome das idiossincrasias seletivas de um magistrado. Basta verificar as prestações de contas dos maiores partidos e facilmente se verificará que todos receberam dinheiro proveniente do caixa das empreiteiras sob investigação na Lava Jato.
Não consta que nenhum outro tesoureiro de partido A ou B tenha sido conduzido pela PF para prestar depoimento sobre os fatos em investigação na lava jato. Apenas o tesoureiro do PT que pego de surpresa teve sua residência invadida por uma trupe de policiais para cumprir um mandato que o conduzia à força para dá depoimento a um delegado federal.
Não se ouve uma única voz que se erga contra esse absurdo, nem a do boquirroto Gilmar Mendes, tão solícito em defender as garantias individuais prescritas na constituição quando foi para defender Daniel Dantas, chamar um presidente as falas, aprovar a toque de caixa uma súmula para conter os abuso policiais no cumprimento de mandatos, fazer plantão no STF altas horas monitorando os atos de um juiz que estava no estrito cumprimento de seu dever e de um delegado que teve a ousadia de investigar um esquema de corrupção que alcançava a Privataria Tucana.
É preciso que estes abusos sejam denunciados e que a Lava Jato cumpra com seu papel de investigar com isenção todos os desvios de conduta independentemente de filiação partidária. A sociedade deseja que dessas investigações algo de bom resulte para que na corrupção que campeia em profusão coloque-se um torniquete.
O PT não pode silenciar diante desses fatos monstruosos. Tem que vir a público rejeitar com veemência os métodos empregados pelo juiz Moro e deixar claro que não teme investigações, até porque tais investigações só são possíveis hoje na escala industrial que se configura por uma ação de governo. Do governo Lula.

POLÍTICA - O golpe paraguaio está em marcha.



O golpe paraguaio está em marcha






Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:



Foi dada a largada. Em caudaloso artigo publicado domingo no Estadão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu a senha: como não há clima para um golpe militar, a derrubada do governo de Dilma Rousseff deve ficar por conta do Judiciário e da mídia, criando as condições para votar o impeachment da presidente no Congresso Nacional o mais rápido possível."Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas, desde que efetivamente culpados", conclamou FHC. O ex-presidente já vinha conversando sobre isso com outros tucanos inconformados, ainda discretamente, desde a noite da vitória de Dilma, no segundo turno, em outubro do ano passado. Sem paciência para esperar as próximas eleições presidenciais, em 2018, após quatro derrotas seguidas, FHC, aos 83 anos, resolveu colocar o bloco na rua e convocou a tropa, sem medo de dar bandeira.

O primeiro a responder prontamente ao chamado foi o sempre solícito advogado Ives Gandra Martins, 79 anos, que já na terça-feira apresentou a receita do golpe no artigo "A hipótese de culpa para o impeachment", publicado pela Folha, em que o parecerista aponta os capítulos, parágrafos, artigos e incisos para tirar Dilma da presidência da República pelas "vias legais".

Candidamente, Martins explicou na abertura do seu texto: "Pediu-me o eminente colega José de Oliveira Costa um parecer sobre a possibilidade de abertura de processo de impeachment presidencial por improbidade administrativa, não decorrente de dolo, mas apenas de culpa. Por culpa, em direito, são consideradas as figuras de omissão, imperícia, negligência e imprudência".

E quem é o amigo José de Oliveira Costa, de quem nunca tinha ouvido falar? Graças ao repórter Mario Cesar Carvalho, da Folha, ficamos sabendo nesta quarta-feira a serviço de quem ele está nesta parceria com o notório Gandra Martins, membro atuante da Opus Dei e um dos expoentes da ala mais reacionária da velha direita paulistana .

"Sou advogado dele", explicou Costa ao repórter, referindo-se, também candidamente, ao seu cliente Fernando Henrique Cardoso, um detalhe que Martins se esqueceu de apresentar na justificativa do seu parecer a favor do impeachment de Dilma.

Conselheiro do Instituto FHC, o até então desconhecido advogado negou, porém, que a iniciativa da dupla tenha qualquer caráter político. FHC, claro, disse que só ficou sabendo da operação pelo jornal. São todos cândidos, esses pândegos finórios, que estão brincando com fogo, em meio à mais grave crise política e econômica vivida pelo país desde a redemocratização.

Para saber com quem estamos lidando, o currículo acadêmico de Ives Gandra Martins, um advogado tributarista, apresenta assim o autor, no rodapé do artigo: "professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra". Universidade Mackenzie, só para lembrar, foi o berço do CCC, o Comando de Caça aos Comunistas, que teve papel de destaque nos embates pré e pós-golpe de 1964.

Juntando as pontas, temos a montagem da versão nativa-chique do "golpe paraguaio". Sem a participação de militares, em junho de 2012, um processo jurídico-midiático-parlamentar relâmpago derrubou o presidente Fernando Lugo, democraticamente eleito, como Dilma. A favor do impeachment, a goleada foi acachapante: 39 a 4, no Senado, e 73 a 1, na Câmara.

Vejam a escalada da marcha aqui:

* Domingo, 1º - O artigo de FHC dando as coordenadas à tropa: "Neste momento", o impeachment, "não é uma matéria de interesse político". Qual será o momento certo? É só uma questão de tempo para algo já dado como inexorável, como se fosse a coisa mais natural do mundo derrubar uma presidente eleita?

No mesmo dia, a presidente Dilma Rousseff sofreria a maior derrota política no Congresso Nacional, desde a primeira posse, com a eleição para a presidência da Câmara do deputado dissidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um desafeto do seu governo, que se transformou em líder suprapartidário da oposição. Rachou e derreteu a ampla maioria que a base aliada tinha na Câmara, a nova articulação política do governo revelou-se um desastre e o PT ficou isolado, assim como Dilma já estava.

* Terça, 3 - O artigo-parecer de Ives Gandra Martins, atendendo à convocação de FHC. "Meu parecer é absolutamente técnico. Para mim, é indiferente se o cliente é o Fernando Henrique Cardoso ou uma empreiteira", explicou o advogado. Claro, claro, tanto faz. Mas quem é, afinal o cliente? Quem pagou a conta? Candidatos a assumir esse papel certamente não faltam.

À tarde, Dilma acertou, finalmente, para os próximos dias, a saída de Graça Foster e de toda a diretoria da Petrobras, após ver durante meses a maior empresa do país sangrando em praça pública. Falta encontrar quem aceite assumir a herança. A produção industrial sofre queda de mais de 3% em 2014, os grandes bancos anunciam lucros recordes e o governo estuda parcelar em 12 vezes o abono de um salário para quem ganha até dois mínimos.

A verdade é que Dilma também não ajuda nada na defesa do seu governo. Ao contrário, só leva água ao moinho dos conspiradores que estão saindo da toca.

Para completar, à noite, como já era esperado desde domingo e admitido por Eduardo Cunha, a oposição, com o apoio de 186 deputados, protocolou na Câmara o pedido para a instalação de uma nova CPI da Petrobras.

Está pronto o roteiro para os historiadores do futuro montarem a gênese deste dramático início do governo Dilma 2. O "golpe paraguaio" está em marcha, à espera das "condições objetivas", como diriam os cientistas políticos nos tempos em que FHC era só professor.

A seguir nesta batida, se nada mudar na condução do governo, o desfecho certamente não será bom nem bonito para a democracia brasileira.


MÍDIA - O alvo é depor Dilma.


Mídia continua o massacre: o alvo é depor Dilma e destruir a esquerda 

A mídia hegemônica continua com seu festival de absurdos, e não se enganem: o objetivo não é apenas destruir o PT, mas depor Dilma e varrer a esquerda do mapa.


  
Baseados em um depoimento dado em novembro de 2013, onde o depoente, em busca da famosa “delação premiada”, estima que o PT tenha recebido uma determinada quantia, estimativa que não conta com nenhuma prova ou sequer indício, os sites da mídia hegemônica fazem a festa nesta quinta-feira (5), festa que será repetida na manhã de sexta-feira (6) pelas manchetes dos jornalões. A cruzada imoral levada a cabo por parte do MPF e do judiciário a serviço do sistema oposicionista chegou ao ponto de, para fornecer um espetáculo à mídia hegemônica, conduzir de forma coercitiva o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para prestar depoimento. A coerção não se justifica de nenhuma forma. Vacarri não estava foragido e não havia se negado a cumprir qualquer intimação. Portanto, o procedimento normal seria intimá-lo para prestar o depoimento, mas isso não serviria ao intento do circo que foi armado em nome do golpe.

Escândalo da Operação Golpe a Jato: delações como fruto aberto de barganha

O jornal Valor Econômico, desta quinta-feira (5), relata, sem nenhum tom crítico, como são escandalosamente barganhadas as “delações”. A matéria com o título “Novas delações premiadas começam a ser negociadas”, revela esta trama verdadeiramente kafkiana.
Relata o Valor: “Os acusadores insistiam para que os dirigentes da Camargo Corrêa assumissem a prática de corrupção com percentual de 5% sobre os contratos celebrados pela Petrobras com a empreiteira, no período de 2004 a 2014. Mas os executivos estavam dispostos a confessar a culpa até o máximo de 2% dos contratos. Discordavam também do período de tempo em que as irregularidades aconteceram (...) As negociações evoluíram quando as duas partes cederam: os empreiteiros se dispuseram a confessar pagamento de propinas de até 3% nos contratos firmados com a estatal. O MPF teria concordado”.

Escândalo da Operação Golpe a Jato: delações como fruto aberto de barganha II

Ou seja, os “delatores” dizem que a propina era de 2%, o MPF quer que eles digam que foi 5%, mas aceita 3%! Nada de investigação, nada de busca pela verdade, apenas uma reles barganha com fim político. Um fim político tão claro que o MPF exige que o período abarcado seja de 2004 até 2014, ou seja, se alguém quiser "delatar" o período FHC já está de antemão avisado que o MPF não o ouvirá, a mídia não divulgará e o prestimoso juiz Sérgio Mora não "premiará". É capaz até de aumentar a pena. Aliás, o PSDB, citado nos primeiros depoimentos “vazados”, simplesmente sumiu da operação Lava Jato, que pode ter tranquilamente seu nome mudado para operação Golpe a Jato.

Folha defende fascistas ucranianos

O jornal Folha de S. Paulo defender os fascistas ucranianos era de se esperar. O que espanta são os “argumentos”. Na edição desta quinta-feira (5) a Folha, em editorial intitulado “No quintal do Kremlin”, diz que “os fatos falam contra Moscou”. Quais seriam estes fatos? A Folha responde: “Desde o começo do ano centenas de equipamentos militares (enviados pelos russos) cruzaram a fronteira entre a Rússia e a Ucrânia”. E quem é a fonte que forneceu estes “fatos”? O próprio jornal revela: a OTAN. Ou seja, para fazer uma análise "isenta" a Folha se apoia e toma como verdade a informação vinda de um organismo com interesses vitais na vitória dos fascistas ucranianos. Mas não para aí o malabarismo da Folha. O jornal saudou como tendo sido uma vitória o patético referendo promovido pela Grã Bretanha em 2013, que “aprovou” a usurpação da ilha argentina Malvinas através do voto de 1.500 colonos britânicos (leia artigo sobre o tema publicado na época pelo Vermelho). Mas o plebiscito na Criméia, que aprovou a união com a Rússia, e contou com 96,8% dos votos (1,2 milhão de pessoas), sendo que o comparecimento às urnas beirou os 90% dos eleitores inscritos, a Folha trata como “controverso”. Isso é que se chama jornalismo “ideológico”.

Colabore com o Notas Vermelhas: envie sua sugestão de nota ou tema para o email wevergton@vermelho.org.br

PETROBRAS - Isso ninguém fala. Só vale atacar a Petrobras.

 

BP vê lucro minguar, adia investimentos e congela salários

                      
A British Petroleum (BP), uma das maiores petroleiras do mundo, anunciou um lucro líquido de US$ 3,78 bilhões em 2014, ante US$ 23,45 bilhões registrados em 2013 e reduzirá seus investimentos neste ano.
No quarto trimestre de 2014, a BP registrou prejuízo de U$ 4,41 bilhões, contra lucro de US$ 1,04 bilhão no mesmo período de 2013, devido à queda nas cotações do petróleo. A empresa também anunciou uma baixa contábil de  US$ 3,6 bilhões em ativos no Mar do Norte e em Angola.
Diante desta nova realidade, a BP deve reduzir os gastos de exploração e  adiar projetos .  A previsão de investimento para 2015 caiu de US$ 26 bilhões para US$ 20 bilhões.  E também anunciou uma reestruturação ao custo de US$ 1 bilhão, com a supressão de empregos e congelamento dos salários dos 84 mil empregados.

PETROBRAS - Tirem as mãos da Petrobrás.



Fonte: AEPET.


           




Após o anúncio do afastamento de Graça Foster da presidência da Petrobrás, além de mais cinco diretores  - José Formigli (E&P), Almir Barbassa (Financeiro), José Figueiredo (Engenharia), José Cosenza (Abastecimento) e Alcides Santoro (Gás e Energia) – as atenções da sociedade brasileira estão voltadas para os nomes que irão compor a nova diretoria. A AEPET aproveita a ocasião para reafirmar o perfil desejado para qualquer gestor da maior empresa do País.
-  reputação ilibada;
-  ser funcionário de carreira, aposentado ou da ativa;
-  conhecimento técnico de alto nível;
-  não ser produto de indicações políticas.
O vice-presidente da AEPET Fernando Siqueira destaca ainda que, dos nomes ventilados pela imprensa, que teriam respaldo no “mercado”, até aqui nenhum se enquadra totalmente nos critérios acima. Siqueira, porém, reiterou que a AEPET não aponta nomes e sim o perfil esperado para os dirigentes. 
Já Silvio Sinedino, diretor da AEPET e representante eleito dos funcionários da Petrobrás no Conselho de Administração enfatiza a necessidade da escolha de nomes competentes e comprometidos com a defesa da Petrobrás. “Exigimos que o novo presidente seja funcionário de carreira. Em geral, pessoas de fora não entendem nada do mundo do petróleo, como Henrique Meirelles, ou o ex-presidente da Perdigão, Nildemar Secches. Precisamos de uma diretoria formada por técnicos do setor que sejam funcionários da casa”, resumiu.
Como critério de escolha, Sinedino faz coro à diretoria da AEPET, que defende uma lista tríplice eleita pelos funcionários a ser aprovada pelo governo. “Assim como é feito na Procuradoria Geral, na Fiocruz ou nas universidades”, lembrou Sinedino. Para ele, o primeiro grande desafio da nova diretoria será resolver o imbróglio jurídico-financeiro do balanço. “Resolvido isto, a Petrobrás estará destravada”, finalizou. 

POLÍTICA - Juristas enterram parecer de Ives Gandra e FHC.


 
 
Cai por terra o parecer do jurista Ives Gandra, produzido a pedido de um advogado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que vê condições jurídicas para um impeachment da presidente Dilma Rousseff; a tese defendida por Gandra está errada; é o que dizem Lenio Streck (ex-procurador de Justiça, professor e advogado), Marcelo Cattoni (doutor em Direito e professor da UFMG) e Martonio Mont’Alverne Barreto Lima (doutor em Direito e professor da Unifor-CE); eles apontam que a tese defendida por Gandra é inconstitucional, pois usa elementos jurídicos para justificar uma decisão política e citam ainda o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Moreira Alves, segundo quem "um processo de impeachment não é o espaço onde tudo é possível"
 
Conjur - O parecer do jurista Ives Gandra que aponta a possibilidade jurídica de impeachment da presidente Dilma Rousseff está errado. É o que dizem Lenio Streck, ex-procurador de Justiça, professor e advogado; Marcelo Cattoni, doutor em Direito e professor da UFMG; e Martonio Mont’Alverne Barreto Lima, doutor em Direito e professor da Unifor-CE.
Em artigo enviado à revista eletrônica Consultor Jurídico, eles apontam que a tese defendida por Gandra é inconstitucional, pois usa elementos jurídicos para justificar uma decisão política. O artigo cita ainda o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Moreira Alves, segundo quem "um processo de impeachment não é o espaço onde tudo é possível".
Leia o artigo:
O jurista Ives Gandra elaborou parecer, dado a público, sustentando existirem elementos jurídicos para o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Diz o professor que “apesar dos aspectos jurídicos, a decisão do impeachment é sempre política, pois cabe somente aos parlamentares analisar a admissão e o mérito”. Diz, em síntese, que é possível o impeachment porque haveria improbidade administrativa prevista no inciso V, do artigo 85, da Constituição Federal: “o dolo nesse caso não é necessário”. Mais: “Quando, na administração pública, o agente público permite que toda a espécie de falcatruas sejam realizadas sob sua supervisão ou falta de supervisão, caracteriza-se a atuação negligente e a improbidade administrativa por culpa. Quem é pago pelo cidadão para bem gerir a coisa pública e permite seja dilapidada por atos criminosos, é claramente negligente e deve responder por esses atos”.
Para resumir ainda mais, Ives Gandra quis dizer que comete o crime de improbidade por omissão quem se omite em conhecer o que está ocorrendo com seus subordinados, permitindo que haja desvios de recursos da sociedade para fins ilícitos. Simples assim.
É o relatório, poderíamos assim dizer, fosse uma sentença.
Preliminarmente, é necessário deixar claro que falar sobre impeachment de um(a) presidente da República de um país de 200 milhões de habitantes não é um ato de torcida. Ou se faz um parecer técnico, suspendendo os seus pré-juízos (Vor-urteil) ou se elabora uma opinião comprometida ideologicamente. Mas daí tem de assumir que não é técnico. O que não dá para fazer é misturar as duas coisas: sob a aparência da tecnicidade, um parecer comprometido. Vários leitores da ConJur detectaram bem esse problema no parecer do ilustre professor paulista.
De todo modo, vamos falar um pouco sobre isso. Afinal, existe literatura jurídica (doutrina e jurisprudência) que confortam facilmente uma tese contrária à do parecerista.
Já de saída, ao dizer que há argumentos jurídicos para sustentar uma tese política, Gandra mistura alhos com bugalhos. No caso, Gandra usa a política como elemento predador do direito. Aliás, o Direito tem de se cuidar dos inúmeros predadores exógenos e endógenos. Os principais predadores exógenos são: a política, a moral e a economia. O direito não pode ser reduzido, sem as devidas mediações institucionais a um mero instrumento à disposição da política. Além disso, há um sério problema de teoria da constituição no argumento do parecerista. Ele talvez compreenda mal o papel da Constituição democrática. Pois se de um ponto de vista sistêmico a Constituição é um acoplamento estrutural entre direito e política, isso pressupõe, por um lado, uma diferenciação funcional entre direito e política e, por outro, prestações entre ambos os sistemas, de tal forma que o direito legitime a política e esta garanta efetividade ao direito. Assim, a Constituição é parâmetro de validade para o direito e de legitimidade para a política.
Para além de um ponto de vista sistêmico ou funcionalista, do ponto de vista da teoria da ação a Constituição é a expressão, no tempo, de um compromisso entre as forças políticos sociais, não resta dúvida. Mas todo compromisso, enquanto promessa mútua, possui um sentido performativo de caráter ilocucionario ou normativo: a Constituição constitui; ou seja, é a expressão da auto constituição democrática de um povo de cidadãos que se reconhecem como livres e iguais.
O que, em outras palavras, significa que a Constituição é uma mediação, no tempo, entre Direito e política. Falar em elementos jurídicos que justificam uma decisão política, nos termos do argumento de Gandra, pressupõe o argumento autoritário de um direito como instrumento da política. Esse é o busílis do equívoco do professor. Assim, ao invés de mediação, o que ocorre é um curto-circuito entre Direito e política no plano constitucional, chame-se isso de colonização do Direito pela política, corrupção do código do Direito pela política, ação predatória da política no Direito, ilegitimidade política ou, simplesmente, defesa de uma tese inconstitucional!!
O curto-circuito detectado pelos leitores da ConJur
Onde está o curto-circuito no argumento do professor Gandra? Observemos como nem é necessário lançar mão de grandes compêndios sobre a matéria. Vários leitores da ConJur mataram a charada. O comentarista G. Santos (serventuário) escreveu: “O Professor mistura lei de improbidade com lei de crimes de responsabilidade. Lança mão do vago art. 9º, 3, da Lei 1079/50 para justificar seu parecer de que se admite crime de responsabilidade culposo, e, pior, chega a afirmar que o art. 85, V da CF seria auto-aplicável! Só que o parágrafo único do mesmo artigo é expresso ao prescrever que "Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento".
E complementa o nosso leitor conjurista: “A parte final do parecer é assustadora. Quando o Professor vai ‘aos fatos’, não consegue disfarçar sua parcialidade, concluindo que está caracterizado crime de responsabilidade culposo, e fundamenta no art. 11 da Lei de Improbidade!
Cria um tertium genus com o uso indiscriminado da Lei 1.079 com a lei 8429, sem sequer mencionar os entendimentos do STF e do STJ sobre o tema”. Bingo, G.Santos.
Já o comentarista Jjsilva4 (Outros), diz: “Com a devida vênia, os crimes de responsabilidade, de nítida natureza penal, não se presumem culposos, como qualquer outro (art. 18, parágrafo único do CP), não se podendo inferir negligência imprudência ou imperícia como pressupostos da improbidade prevista no art. 4, V da Lei 1.079/50, sob pena de grave afronta a toda teoria geral de direito penal elementar, que se aprende no segundo ano da faculdade.
Da mesma forma, não dá para querer interpretar o art. 85 da CF a partir da Lei 8.429/92, que é lei derivada da Constituição, mas apenas o contrário, o que não leva a conclusão alguma a respeito do cometimento de crime. Concluo que há no douto parecer forte carga ideológica que acaba por sacrificar a técnica jurídica. Não sei se prevalecerá, se persuadirá os políticos e a comunidade jurídica em geral. A conferir.” Bingo, JSilva.
Finalmente, o comentarista Hélder Braulino, com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, mostra que somente os tipos do artigo 10 admitem civilmente a forma culposa. O crime culposo exige previsão na lei e não pode ser implícito. A omissão da Lei 1.079/50 vem seguida do advérbio "dolosamente" e a não responsabilização dos subordinados se dá "de forma manifesta (artigo 9º, incisos 1 e 3). O que se diz por "manifesto" é incompatível com qualquer das modalidades da culpa (imperícia, negligência ou imprudência). A governanta não os pune mesmo quando atuam de forma "manifesta". O que vem a significar "forma manifesta" afasta a figura culposa. O leitor Hélder encerra mostrando que a omissão mencionada na Lei de Improbidade é, mesmo, dolosa.
Portanto, só com os argumentos dos leitores da ConJur já é suficiente contestar o parecer do ilustre professor. Por isso, este artigo é uma pequena homenagem aos leitores, para mostrar como uma tese desse jaez “bate” na comunidade jurídica. Bate e rebate. Os leitores já bem demonstraram isso. Parabéns aos comentaristas da ConJur, que dia a dia se aprimoram.
De todo modo, numa palavra final, gostaríamos de trazer a lume o que disse o ministro José Carlos Moreira Alves, quando do julgamento do MS 21.689-DF: um processo de impeachment não é o espaço onde tudo é possível. Bingo, ministro Moreira Alves!
Podemos ser contra ou a favor da presidente. Podemos dela gostar ou desgostar. Mas, na hora de discutirmos uma coisa importante como é o impeachment, temos de colocar de lado os nossos pré-juízos, fazendo uma epoché. Afinal, somos juristas para quê?

POLÍTICA - Falta d'água em S.Paulo e os movimentos sociais.

Os movimentos sociais estão se preparando para sair às ruas contra a falta d’água


falta dagua - sp
 
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Se havia uma lacuna entre movimentos sociais e “crise hídrica”, ela não existe mais. O Coletivo de Luta pela Água está em formação e já conta com diversas entidades como Central de Movimentos Populares, União dos Movimentos de Moradia, Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo, Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental, Fórum Paulista de Participação Popular, Movimento dos Atingidos por Barragens, Rede Nossa São Paulo, Central Única dos Trabalhadores e Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo.
Não é uma iniciativa relâmpago. As entidades estavam desde o ano passado lutando isoladamente por soluções e o objetivo de agora é o de unificar e ampliar ações que pressionem o Governo do Estado a tomar as medidas urgentes que a questão demanda. Não de maneira unilateral, obviamente. As entidades querem participar das resoluções. O manifesto explicita ser “necessário que o Governo do Estado aja com total transparência e mobilize órgãos como Cetesb, Secretaria do Meio Ambiente, Defesa Civil, Secretaria da Saúde e Educação para atuar de forma conjunta e garanta a participação da sociedade e prefeituras em todo o processo de debate para enfrentamento da crise”.
É justo. A deixar do jeito que está, já se sabe de quem o sacrifício maior será cobrado e o governador Alckmin conta com habilidade e apoio para terceirizar a responsabilidade da crise sendo que ela é fruto muito mais da falta de obras e ao modelo da gestão privada do que da falta de chuvas. Na verdade, não há uma “crise hídrica”, o que há é um modelo ganancioso (e suicida) de exploração desse recurso.
Ponto fundamental defendido pelos movimentos é a necessidade da decretação imediata do estado de calamidade pública para que medidas emergenciais como a priorização para abastecimento humano e dessedentação de animais, plano de atendimento ininterrupto para serviços públicos como escolas, hospitais, creches, aeroportos e imóveis em que residam populações internadas ou vulneráveis, sejam tomadas.
Além disso, exigências como administrar com equidade a falta d’água (seja por racionamento ou redução de pressão) de modo a não penalizar a população de periferia que passa dias seguidos à seco e preparar medidas jurídicas que possibilitem a requisição de poços artesianos e todas as fontes disponíveis de água para direcioná-las ao uso prioritário estão no manifesto.
“Estamos pedindo uma audiência também com o prefeito Fernando Haddad para reiterar a carta que foi enviada a ele pelo Conselho Municipal das Cidades, subscrita por mais de uma dezena de entidades, que reforça a necessidade da prefeitura ter um papel mais proativo nessa crise.
A Sabesp opera em 366 cidades no estado de São Paulo. A capital sozinha é responsável por 52% do faturamento que a empresa tem e ela tem obrigações a cumprir com a cidade por meio de contrato. A prefeitura precisa ser mais incisiva”, disse Edson Aparecido da Silva, da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental.
A campanha midiática de Alckmin/Sabesp, tanto a publicitária por vir quanto a já vigente através do jornalismo da grande mídia, responsabiliza o consumidor e estimula uma guerra entre vizinhos que se vigiam e denunciam-se mutuamente. Por que não vigiar os vazamentos da Sabesp que desperdiçam quase um terço da água em seus encanamentos? Por que não se divulga para a sociedade os contratos para os grandes consumidores e qual a quantidade de água potável fornecida a eles?
“O que precisamos fazer é o pedido de interrupção, na Sabesp, de todas as medidas que não priorizem o abastecimento para a população. A questão dos contratos que a Sabesp tem com empresas como shopping centers, por exemplo. Se não for para abastecer a população, pediremos a suspensão desses instrumentos”, declarou Adi Lima, presidente da CUT.
A grande mídia mais uma vez executa à perfeição a disciplina de desinformar e entorpecer com meias verdades o cidadão. Cabe agora um imenso engajamento popular pela questão da água. E não apenas no sentido de economizar mas também no de cobrar a responsabilidade dos verdadeiros culpados. São Pedro não está entre eles. O descaso irresponsável lá de trás terá consequências sérias em termos de emprego, saúde e habitação ali na frente.
O primeiro grande ato está marcado para o dia 20 de março (ainda sem horário e local definidos) quando se promoverá o Tribunal Popular da Água, que julgará a responsabilidade do governador.

PETROBRAS - Esse Serra é um brincalhão.

Produzindo 500 mil barris/dia, Serra quer entregar pré-sal ao capital


O senador José Serra (PSDB-SP), em entrevista publicada nesta quinta-feira (5) no Estadão, afirma que a Petrobras tem “excesso” de diversificação e defende a venda de ativos que, segundo ele, dão prejuízo, como por exemplo, o pré-sal.



Senador tucano diz que Petrobras deve somente “explorar e produzir petróleo” Senador tucano diz que Petrobras deve somente “explorar e produzir petróleo”
Serra afirma que a estatal deve se resumir em “explorar e produzir petróleo”. “Hoje, ela atua na distribuição de combustíveis no varejo, nas áreas de petroquímica, fertilizante, refinaria, meteu-se em ser sócia de empresa para fabricar plataformas e investiu até em etanol, justamente quando a política de contenção de preços da gasolina arruinava o setor. O que dá prejuízo precisa ser enxugado”, disse ele. Quando o repórter pediu para que ele definisse esse “enxugado”, Serra revela seu verdadeiro interesse: “Vendido, concedido ou extinto”.

O senador ignora o fato de que sem a atuação da Petrobras nenhum destes setores teria se desenvolvimento, já que a iniciativa privada, principalmente os cartéis internacionais do petróleo, não se interessa no avanço dessas plataformas. Além disso, as ações estratégicas da Petrobras tem efeito multiplicador gerando uma política de conteúdo nacional, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.

Primeiro passo tucano: pré-sal

Segundo o senador tucano, a primeira tarefa é revisar o modelo do pré-sal. “Tem que começar pela revisão do modelo do pré-sal: retirar a obrigatoriedade de a empresa estar presente em todos os poços, ser a operadora única dos consórcios e ter que suportar os custos mais altos da política de conteúdo nacional”.

Cobiçada há anos pelos cartéis internacionais do petróleo, a Petrobras é a maior empresa da América Latina, inclusive a de maior lucro, com mais de U$ 10 bilhões. A estatal foi a maior produtora de petróleo do mundo, ultrapassando a norte-americana Exxon. E a extração de petróleo do pré-sal, que Serra quer entregar, já passa de 500 mil barris por dia.

Da redação do Portal Vermelho
Com informações do Estadão

MÍDIA - Notas vermelhas.

Merval Pereira prevê o fim da era PT. Boa notícia.


Um dos principais colunistas amestrados de O Globo, Merval Pereira, ainda está radiante com a vitória de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara.



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Nesta terça-feira (3) em sua coluna intitulada “O começo do fim”, Merval garante: “Mais uma etapa da desconstrução da hegemonia petista foi cumprida na noite de domingo com o alijamento do partido das principais funções da Câmara”. No meio de tantos problemas reais o vaticínio de Merval é um alento pois ele é conhecido por suas previsões furadas.

Merval sabe tudo!

Em 2005 Merval garantiu que Lula “não resistiria” à crise do mensalão (Lula foi reeleito com uma diferença de 20,7 milhões de votos para Alckmin e terminou o 2º mandato com aprovação pessoal de 87%). Depois vaticinou que Serra atropelaria o “poste” nas eleições de 2010 (o poste em questão, Dilma, venceu Serra por uma diferença de 12 milhões de votos). Em 2012, comentando as eleições municipais, afirmou que a maior derrota do PT seria em São Paulo, pois o candidato Fernando Haddad seria apenas “mais uma invenção do ex-presidente (Lula)” e, para Merval, Haddad não mostrava “ser um candidato minimamente competitivo” (Haddad é prefeito de São Paulo).

Merval é coerente!

Nas últimas eleições, o colunista amestrado errou todas as suas previsões, como lembra o jornalista Altamiro Borges: “Após a morte de Eduardo Campos, ele apostou suas fichas na ‘verde’ Marina Silva. Garantiu que ela seria a próxima presidenta do Brasil. Frustrado, temeu pela vitória de Dilma já no primeiro turno. Desesperado, pregou o ‘voto útil’ em Aécio Neves. Na reta final das eleições, o ‘imortal’ se mostrava radiante com a possibilidade da vitória do tucano”. Merval, reconheçamos, é coerente: entrou para a Academia Brasileira de Letras (ABL) sem ser escritor e é comentarista político sem entender nada do assunto.

Jabor: a hipocrisia verborrágica

O colunista Arnaldo Jabor é um pouco como a revista Veja, até entre seus pares da mídia hegemônica é desacreditado nos bastidores de forma quase unânime. Cineasta decadente, sustenta sua frágil notoriedade através de uma verborragia anticomunista rasteira e cansativa, pois quem lê uma coluna sua lê todas. Uma das características marcantes do colunista Jabor é a hipocrisia. Repetindo o que dizem seus patrões, afiança, por exemplo, que foi o “lulopetismo” que criou o “presidencialismo de coalizão fisiológica” (baboseira também repetida nesta terça-feira, 3, pelo editorial do jornal O Estado de S. Paulo). Tal “formulação” apaga mais de 400 anos de história das classes dominantes brasileiras. Durante o governo FHC, por exemplo, a “coalizão presidencial” era sustentada por PSDB, PMDB, PFL e PPB, e a própria mídia hegemônica afirmava, na época, que “não é possível falar em governo FHC sem falar nessa aliança. Tudo o que o Planalto decide é antes submetido aos caciques aliados” (portal Terra).

Jabor: a hipocrisia verborrágica II

Alguns dos “caciques“ políticos da aliança que sustentava a “verdadeira esquerda” (como Jabor chama o PSDB), eram Marcos Maciel, Antônio Carlos Magalhães, Virgílio Guimarães e outros da mesma lavra. Aliás, quando morreu o filho de ACM, o deputado federal Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) em 1998, o Jabor escreveu famosa coluna onde dizia que era muito ruim o Brasil perder em curto espaço de tempo “dois grandes estadistas” referindo-se também à morte de Sérgio Motta, principal articulador político de FHC e que comandou a mais vergonhosa “operação” executada no parlamento brasileiro: a aprovação da emenda que permitiu a reeleição de FHC, manobra que até as pedras da calçada do Palácio do Planalto sabem como foi feita. Mas este mesmo Jabor, fã de ACM, é o que fala hoje indignado em “grande chácara de oligarquias”. Só não desejamos que o Jabor deixe os comentários políticos e volte a filmar porque assistimos ao seu último filme (A suprema felicidade). Pensando bem, é melhor mesmo ele continuar escrevendo.

A Opus dei melhorou!

Hoje a coluna Notas Vermelhas está repleta de boas notícias. Além da previsão do Merval, temos o prazer de informar que Ives Gandra um dos mais eminentes membros da organização ultraconservadora católica Opus Dei, publica nesta terça-feira (3) na Folha de S. Paulo artigo onde defende o impeachment da recém reeleita presidenta Dilma por “destruição” da Petrobras. Sem contar o fato de que a Petrobras não está destruída, é a maior empresa do Brasil e uma das maiores do mundo, chama atenção o fato alvissareiro de um membro de uma associação medievalista e que exalta a “santa” inquisição pedir o impeachment de uma adversária política. Não deixa de ser um avanço. Fossem outros tempos Gandra pediria a fogueira.

Desfaçatez

O sr. Shigeaki Ueki assina nesta terça-feira (3) em O Estado de S. Paulo, uma coluna intitulada “Energia – debate necessário”, onde afirma que “o cenário atual é similar ao da década de 80, exceto os escândalos”. Ueki foi diretor da Petrobras no governo Médici, presidente da estatal no Governo Figueiredo e Ministro de Minas e Energia no governo Geisel. Os escândalos da época em que o articulista do Estadão foi governo eram a prisão, tortura e morte de quem se arriscava a criticar o regime ao qual Shigeaki servia tão fielmente. As roubalheiras, que aconteciam aos borbotões, não eram denunciadas pois quem o fizesse enfrentaria prisão, tortura e morte. Mas isso, para Ueki, não era motivo de escândalo.

Rasgando o Clarin

O jornal argentino Clarín é típico representante do que existe de mais reacionário e conservador. Em sua cruzada ensandecida contra a presidenta Cristina Kirchner faz da mentira um recurso cotidiano. A última patranha foi noticiar que o falecido promotor Alberto Nisman teria pedido a prisão de Cristina Kirchner em um documento cujos trechos que revelavam o pedido de prisão foram cobertos com tinta. O fato foi desmentido pelo juiz que acompanhava o processo, Ariel Lijo e pela promotora Viviana Fein. O juiz Ariel explicou que cobriu parte do documento com tinta para não se tornarem públicos fatos que ainda estão em segredo de justiça por conta do andamento do processo, fatos estes que nada tinham a ver com a presidenta. O chefe de gabinete de Cristina Kirchner, Jorge Capitanich, rasgou o Clarín em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 2, e afirmou: “todo o tempo é mentira e lixo. É importante que o povo argentino saiba que estão mentindo”. Comentário do Notas Vermelhas: isso sim, é travar luta política.

Mídia quer o fim dos campeonatos estaduais

O jornalista Juca Kfouri chama o campeonato paulista de “paulistinha”. Outro jornalista, Renato Maurício Prado, chama o campeonato estadual do Rio de Janeiro de “me engana que eu gosto”. A depreciação dos campeonatos estaduais tem a lógica de buscar favorecer os grupos empresariais de comunicação. Atacam os campeonatos estaduais dos grandes centros como tática diversionista. O objetivo é outro. Defendem os próceres da mídia esportiva um “campeonatão” brasileiro só com os “grandes” e durando quase todo o ano. O objetivo é diminuir o custo financeiro que representa para a mídia hegemônica acompanhar campeonatos estaduais em 26 estados e mais o distrito federal durante parte do ano. Pouco importa para esta turma o fato de que somos uma nação continental com 8,5 milhões de Km² e 200 milhões de habitantes. Tudo deve ser pasteurizado e de preferência com os torcedores assistindo apenas times de São Paulo, Rio e Minas. Quando mais parecido com o campeonato espanhol (Espanha: 500 mil Km²) melhor. Que a história de grandes times estaduais como Paysandu, Remo, Ceará, Joinville, Fortaleza, América-RN, ABC - enfim todos os clubes que movimentam a paixão de milhões de brasileiros mas que não fazem parte do mercado principal – seja para sempre esquecida. Que pereçam eles e suas tradições, sacrificadas no altar do lucro máximo. Pelo menos é o que os ancilares da mídia hegemônica mais desejam.

Colabore com o Notas Vermelhas: envie sua sugestão de nota ou tema para o email wevergton@vermelho.org.br


ECONOMIA - Do industrialismo ao financismo.

 

André Biancarelli* e Pedro Rossi** 
 
Na prática e na retórica, as primeiras semanas do segundo mandato de Dilma Rousseff vêm apresentando uma guinada na economia. A narrativa sobre um fracasso do “experimento desenvolvimentista”, da “nova matriz macroeconômica” e do “excesso de intervencionismo” foi assumida pelas vozes oficiais, a justificar o caminho ortodoxo adotado.
Na nossa opinião, contudo, a gestão macro nos últimos anos foi guiada por uma agenda “industrialista” e por uma política fiscal equivocada, que comprometeu as contas públicas e o crescimento econômico. Se o industrialismo atrapalhou o projeto de desenvolvimento social, o financismo tem potencial para liquidá-lo.
Erros de percurso e o industrialismo
O primeiro ano do mandato de Dilma Rousseff foi marcado por um forte ajuste fiscal e por outras medidas contracionistas. Em 2011, o investimento público teve queda real de 12% e o investimento das estatais, de 8,6%. Essa contração ocorreu em um cenário de desaceleração da economia mundial e do ciclo doméstico de consumo e crédito. Ou seja, o governo adotou uma política fiscal pró-cíclica – logo anti-keynesiana –, que contribuiu para a recessão.
Em meados de 2012, decidiu-se rever a política de austeridade, mas o percurso escolhido revelou-se equivocado. Os passos posteriores da política macro (entre os quais se enquadram a queda nos preços de energia, a desvalorização cambial e também a queda na Selic) foram todos justificados pela “agenda da competitividade” e priorizaram ações pelo lado da oferta da economia. O símbolo máximo da aposta “industrialista” se deu com as desonerações tributárias para o setor industrial, implementadas sem contrapartidas formais em termos de produção, exportações ou investimentos.
Solda
Tal aposta não deu certo. As desonerações podem ter funcionado para recompor a rentabilidade de alguns setores industriais, mas não geraram crescimento e deixaram um rastro de custos fiscais. Como se esse erro não bastasse, em vez de assumir superávits fiscais menores, optou-se pelas manobras contábeis ou “contabilidade criativa”. O ruído causado agravou a capacidade de comunicação de uma equipe que não soube lidar com o pessimismo que tomou conta do país, particularmente depois dos protestos de junho de 2013 e da antecipação do calendário eleitoral.
Muito mais do que “excesso de intervencionismo”, o que fracassou foi o industrialismo e a aposta nas políticas de oferta e de desonerações, já que a redução de custos de produção não alavancou o investimento privado. Na lógica do empresariado, em um ambiente onde todos os componentes da demanda apresentam desaceleração, é melhor recompor margem e não investir.
O caminho ortodoxo-financista
Que era preciso uma correção de rota, não parece haver dúvidas. Mas o caminho escolhido impõe sérios riscos a toda uma agenda de desenvolvimento com inclusão social.
No “novo” discurso liberal, parte-se da percepção equivocada de que o baixo crescimento é decorrente do intervencionismo do Estado; da seguridade social, das leis trabalhistas, dos aumentos de salários, os bancos públicos, etc. Desenvolvimento, na visão liberal, é um conceito esvaziado, entregue a um pretenso caráter natural do sistema capitalista, cuja operação, livre de interferências do Estado, levaria a uma alocação de recursos eficiente. Portanto, diferentemente do industrialismo, o financismo não se preocupa com a indústria, tampouco com a estrutura produtiva que deve ficar sujeita à espontaneidade das forças de mercado.
No campo macroeconômico, o caminho financista é guiado pelos limites à discricionariedade do Estado e pela busca exclusiva do equilíbrio fiscal e da estabilidade de preços. Essa concepção ignora a importância do investimento público e da política anticíclica para amenizar as flutuações da renda e emprego.
A aposta de Levy no ajuste fiscal em um ambiente recessivo repete o erro de 2011. A ideia de que a reorientação fiscal irá reequilibrar a economia e criar as condições para o crescimento é resquício de uma ideologia cada vez mais questionada, ancorada nas expectativas racionais. No setor produtivo, ninguém investe porque o governo fez um ajuste fiscal, mas investe quando há expectativa de demanda. Em momentos de baixo crescimento, o ajuste fiscal reforça a queda da demanda e desestimula o investimento. É o que os europeus, com conhecimento de causa, chamam de “austericídio”.
Diante disso, torceremos por uma melhora improvável do cenário externo que, a exemplo do primeiro mandato de Lula, consiga sobrepor os efeitos da austeridade. Se isso não acontecer, resta saber se essa gestão liberal sobreviverá às pressões dos movimentos sociais e das próprias representações industriais. Já os representantes do sistema financeiro sim, parecem satisfeitos, mas sempre prontos a exigir maiores doses de sacrifício.
Por fim, esperamos que um dia entre em cena o “trabalhismo” ou uma agenda social-desenvolvimentista que, a despeito do discurso construído, nunca passou pelo Ministério da Fazenda. Nessa agenda, o desenvolvimento está pressu¬posto como uma intenção política, e não como uma espontaneidade advinda dos automatismos do mercado, cuja livre operação é concentradora de renda e riqueza. E a política macro deve buscar manter baixos níveis de desemprego, fazer uso anticíclico dos instrumentos macro, apontar projetos de infraestrutura que sinalizem crescimento e redução de custos, além de valorizar o investimento como instrumento de expansão dos bens públicos para atender as demandas por mais direitos sociais.
* – André Biancarelli é Professor Doutor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (Cecon/Unicamp)
** – Pedro Rossi é Professor Doutor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (Cecon/Unicamp)

ECONOMIA - Riscos do financismo.

Professores da UNICAMP alertam para riscos do financismo 

 

Em artigo publicado na Revista Político Social e Desenvolvimento, sob o título, “Do industrialismo ao financismo”, os professores do Instituto de Economia da UNICAMP, André Biancarelli e Pedro Rossi, analisam a gestão macroeconômica dos últimos anos e os riscos do “financismo” para o projeto de desenvolvimento social do país. Extremamente oportuno o texto dos dois e o debate que eles suscitam. Trazem, afinal, um pouco de luz à essa discussão sobre nossa economia dominada pela mídia e pelo capital financeiro.
Os economistas detalham o cenário de ajuste fiscal e outras medidas que marcaram o primeiro ano do mandato da presidenta e a aposta industrialista dos anos posteriores. E concluem que “muito mais do que ‘excesso de intervencionismo’, o que fracassou foi o industrialismo e a aposta nas políticas de oferta e de desonerações, já que a redução de custos de produção não alavancou o investimento privado”.
Embora de acordo com a necessidade de uma correção de rota, eles alertam para os riscos do caminho escolhido pelo governo atual e que, segundo eles, “impõe sérios riscos a toda uma agenda de desenvolvimento com inclusão social”. Também enfatizam a “percepção equivocada” do que chamam de ” ‘novo’ discurso liberal”.
Equívoco
Um equívoco, apontam, que se constitui na visão de que o “baixo crescimento é decorrente do intervencionismo do Estado; da seguridade social, das leis trabalhistas, dos aumentos de salários, os bancos públicos, etc”.
Neste artigo, os professores da UNICAMP explicam que diferentemente do industrialismo, “o financismo não se preocupa com a indústria, tampouco com a estrutura produtiva que deve ficar sujeita à espontaneidade das forças de mercado”.
E alertam que este caminho, o financista, “é guiado pelos limites à discricionariedade do Estado e pela busca exclusiva do equilíbrio fiscal e da estabilidade de preços”. Uma concepção, explicam, que “ignora a importância do investimento público e da política anticíclica para amenizar as flutuações da renda e emprego.”
Austericídio
Avaliando que a proposta do ministro Joaquim Levy (Fazenda) de ajuste fiscal repete o erro de 2011, os professores André Biancarelli e Pedro Rossi, apontam que ”no setor produtivo, ninguém investe porque o governo fez um ajuste fiscal, mas investe quando há expectativa de demanda”. E explicam que ”em momentos de baixo crescimento, o ajuste fiscal reforça a queda da demanda e desestimula o investimento. É o que os europeus, com conhecimento de causa, chamam de “austericídio”.
A proposta que defendem neste artigo é que “entre em cena o “trabalhismo ou uma agenda social-desenvolvimentista”, na qual está pressuposto o “desenvolvimento como uma intenção política, e não como uma espontaneidade advinda dos automatismos do mercado, cuja livre operação é concentradora de renda e riqueza”.
Uma política macro que tenha como objetivo “manter baixos níveis de desemprego, fazer uso anticíclico dos instrumentos macro, apontar projetos de infraestrutura que sinalizem crescimento e redução de custos, além de valorizar o investimento como instrumento de expansão dos bens públicos para atender as demandas por mais direitos sociais.”

POLÍTICA INTERNACIONAL - A Rússia na mira.

A Rússia na mira


por Paul Craig Roberts

O ataque de Washington à Rússia ultrapassou a fronteira do absurdo e entrou no âmago da insânia.

O novo chefe do US Broadcasting Board of Governors, Andrew Lack, declarou que o novo serviço russo, RT, o qual difunde em múltiplas línguas, é uma organização terrorista equivalente ao Boko Haram e ao Estado Islâmico. Por sua vez, a Standard and Poor's acaba de degradar a classificação de crédito da Rússia ao nível de lixo.

Hoje a RT International entrevistou-me acerca destes desenvolvimentos insanos.

Outrora, quando a América ainda era um país são, a acusação de Lack teria levado a que fosse escorraçado do cargo. Ele teria sido obrigado a demitir-se e desaparecer da vida pública. Hoje, no mundo simulado que a propaganda ocidental criou, a declaração de Lack é tomada a sério. Mais uma ameaça terrorista foi identificada – a RT. (Embora tanto Boko Haram como o Estado Islâmico empreguem o terror, estritamente falando eles são organizações políticas à procura de domínio, não organizações terroristas, mas esta distinção estaria para além da cabeça de Lack. Sim, eu si. Há uma piada que se podia fazer aqui acerca do que falta a Lack
[NT] . Um nome adequado.)

No entanto, seja o que for que possa faltar a Lack, duvido que ele acredite na sua declaração disparatada de que a RT é uma organização terrorista. Então, qual é o seu jogo?

A resposta é que os media prostitutos (presstitute) do Ocidente, ao tornarem-se Ministérios da Propaganda de Washington, criaram grandes mercados para a RT, a Press TV e Al Jazeera. Como cada vez mais povos do mundo voltam-se para estas fontes mais honestas de notícias, declinou a capacidade de Washington de falsificar explicações em causa própria.

A RT, em particular, tem uma grande audiência ocidental. O contraste entre reportagens verdadeiras da RT e as mentiras cuspidas pelos media dos EUA está a minar o controle de Washington da explicação. Isto já não é mais aceitável.

Lack enviou uma mensagem à RT. A mensagem é: contenha-se; parece de informar de modo diferente da nossa linha; pare de contestar os factos tais como Washington declara que são e que os presstitutos relatam; embarque nisso ou se não...

Por outras palavras, o "livre discurso" que Washington e seus estados fantoches da UE, canadiano e australiano apregoam significa: livre discurso para a propaganda e as mentiras de Washington, mas não para qualquer verdade. A verdade é terrorismo, porque a verdade é a principal ameaça a Washington.

Washington preferiria evitar o embaraço de realmente fechar a RT, tal como o seu vassalo do Reino Unido fez com a Press TV. Washington simplesmente quer calar a RT. A mensagem de Lark à RT é:   auto-censurem-se.

Na minha opinião, a RT já não diz tudo (understates) nas suas coberturas e reportagens, como faz Al Jazeera. Ambas as organizações noticiosas entendem que não podem ser demasiado directas, pelo menos não demasiado seguidamente ou em demasiadas ocasiões.

Muitas vezes pergunto-me porque o governo russo permite que 20 por cento dos media russos funcionem como quinta coluna de Washington no interior da Rússia. Suspeito que a razão é que ao tolerar a propaganda descarada de Washington dentro da Rússia, o governo russo espera que algumas notícias factuais possam ser relatadas nos EUA via RT e outras organizações noticiosas russas.

Estas esperanças, tais como outras esperanças russas acerca do Ocidente, provavelmente serão desiludidas no fim. Se a RT for fechada ou assimilada ao padrão dos media presstitutos ocidentais, nada será dito acerca disso, mas se o governo russo acabar com os agentes de Washington, mentirosos descarados, nos media russos, ouviremos para sempre que os malévolos russos suprimem o "livre discurso". Recordem: o único "livre discurso" permissível é a propaganda de Washington.

Só o tempo dirá se a RT decide ser encerrada por contar a verdade ou se somará a sua voz à propaganda de Washington.

AS AGÊNCIAS DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO

O outro ponto da entrevista era a degradação do crédito russo à categoria de lixo.

A degradação feita pela Standard and Poor's é, sem qualquer dúvida, um acto político. Ela prova o que já sabíamos e é que as firmas americanas de classificação são operações políticas corruptas. Recordam a classificação "Investment Grade" que as agências de classificação americanas deram ao lixo óbvio da subprime? Estas agências de classificação são pagas pela Wall Street e, tal como a Wall Street, servem o governo dos EUA.

Uma olhadela aos factos permite estabelecer a natureza política da decisão. Não espere que a corrupta imprensa financeira dos EUA examine os factos. Mas neste exacto momento, nós examinaremos os factos.

Na verdade, colocaremos os factos no contexto da situação da dívida estado-unidense.

De acordo com contadores da dívida (debt clocks) disponíveis online, a dívida nacional russa como percentagem do PIB russo é de 11 por cento. A dívida nacional americana em percentagem do PIB dos EUA é de 105 por cento, cerca de dez vezes mais alta. Meus co-autores, Dave Kranzler, John Williams e eu temos mostrado que, quando medida correctamente, a dívida dos EUA em percentagem do PIB é muito mais alta do que o número oficial.

A dívida nacional russa per capital é de US$1.645. A dívida nacional estado-unidense per capita é de US$56.952.

A dimensão da dívida nacional da Rússia é de US$235 mil milhões, menos de um quarto de um trilião. A dimensão da dívida nacional dos EUA é de US$18 triliões (milhões de milhões), 76,6 vezes maior do que a dívida russa.

Colocando isto em perspectiva de acordo com os contadores da dívida, o PIB dos EUA é de US$17,3 triliões e o PIB da Rússia é de US$2,1 triliões. Assim, o PIB dos EUA é oito vezes maior do que o da Rússia, mas a dívida nacional dos EUA é 76,5 vezes maior do que a dívida russa.

Evidentemente, é a classificação de crédito dos EUA que deveria ter sido degradada para o status de lixo. Mas isto não pode acontecer. Qualquer agência de classificação de crédito que contasse a verdade seria fechada e processada. Não importaria quão absurdas fossem as acusações. As agência de classificação seriam culpadas por serem anti-americanas, organizações terroristas como a RT, etc e tudo o mais, e elas sabem disso. Nunca espere qualquer verdade de qualquer cidadão da Wall Street. Eles mentem como modo de vida.

Segundo
este sítio web , os EUA deviam à Rússia desde Janeiro de 2013 a quantia de US$162,9 mil milhões. Como a dívida nacional russa é de US$235 mil milhões, 69 por cento desta é coberta pelas obrigações de dívida dos EUA para com a Rússia.

Se isto é uma crise russa, eu sou Alexandre o Grande.

Como a Rússia tem haveres suficientes em US dólar para resgatar toda a sua dívida nacional e ainda lhe sobrar um par de centenas de milhares de milhões de dólares, o que é o problema da Rússia?

ECONOMISTAS NEOLIBERAIS, A QUINTA COLUNA

Um dos problemas da Rússia é o seu banco central. Na sua maior parte, os economistas russos são os mesmos neoliberais incompetentes que existem no mundo ocidental. Os economistas russos estão enamorados dos seus contactos com o Ocidente "superior" e com o prestígio que eles imaginam que estes contactos lhes dão. Enquanto os economistas russos concordam com os ocidentais, obtêm convites para conferências no exterior. Estes economistas russos são de facto agentes americanos, quer o percebam ou não.

Actualmente o banco central russo está a esbanjar desnecessariamente os grandes haveres russos de divisas externas para apoiar o ataque ocidental ao rublo. Isto é um jogo de loucos que nenhum banco central deveria jogar. O banco central da Rússia deveria recordar, ou aprender se não souber, o ataque de Soros ao Banco da Inglaterra.

As reservas da Rússia deveriam ser utilizadas para que se retirasse da dívida nacional em aberto, tornando-a então o único país do mundo sem dívida nacional. Os dólares restantes deveriam ser descarregados em acções coordenadas com a China a fim de destruir o dólar, a base de poder do imperialismo americano.

Alternativamente, o governo russo deveria anunciar que a sua resposta à guerra económica que está a ser conduzida contra a Rússia pelo governo em Washington e pelas agências de classificação da Wall Street é o incumprimento dos seus empréstimos a credores ocidentais. A Rússia nada tem a perder quando já está desligada do crédito ocidental devido às sanções estado-unidenses. O incumprimento russo causaria consternação e crise no sistema bancário europeu, o que é exactamente o que a Rússia precisa a fim de romper o apoio da Europa às sanções estado-unidenses.

Na minha opinião, os economistas neoliberais que controlam a política económica russo são uma ameaça muito maior à soberania da Rússia do que as sanções económicas e as bases de mísseis dos EUA. Para sobreviver a Washington, a Rússia precisa desesperadamente de pessoas que não sejam românticas acerca do Ocidente.

Para dramatizar a situação, se o Presidente Putin conceder-me cidadania russa e permitir-me nomear Michael Hudson e Nomi Prins como meus representantes, assumirei o comando do banco central russo e colocarei o Ocidente fora das operações.

Mas isso exigiria que a Rússia assumisse os riscos associados à vitória. Os Integracionistas Atlantistas no interior do governo russo querem a vitória para o Ocidente, não para a Rússia. Um país cheio de traição dentro do próprio governo tem possibilidades reduzidas contra Washington, um jogador determinado.

Outra quinta coluna a operar contra a Rússia a partir de dentro são as ONGs financiadas pelos EUA e Alemanha. Estes agentes americanos mascarados como "organizações de direitos humanos", "organizações de direitos da mulher", "organizações para a democracia" e quaisquer outros títulos politicamente correctos de que se servem e que são incontestáveis.

Ainda outra ameaça à Rússia vem da percentagem da juventude russa que cobiça a cultura depravada do Ocidente. Permissividade sexual, pornografia, drogas, auto-absorção. Estas são as ofertas culturais do Ocidente. E, naturalmente, matar muçulmanos.

Se os russos quisessem matar pessoas por diversão e consolidar a hegemonia dos EUA sobre si próprios e o mundo, eles deveria apoiar a "integração atlantista" e virar as costas ao nacionalismo russo. Por que serem russos se você podem ser servos dos americanos?

Que melhor resultado para os neoconservadores americanos do que terem apoio russo à hegemonia de Washington sobre o mundo? Isso é o que os economistas neoliberais russos e os "integracionistas europeus" apoiam. Estes russos estão desejosos de serem servos americanos a fim de fazerem parte do Ocidente e serem bem pagos pela sua traição.

Quanto fui entrevistado pela RT acerca destes desenvolvimentos, o âncora do noticiário esteve a tentar confrontar as acusações de Washington com osf actos. É espantosos que os jornalistas russos não entendam que os factos nada têm a ver com isto. Os jornalistas russos, aqueles independentes de subornos americanos, pensam que os factos importam nas discussões acerca das acções russas. Eles pensam que os assaltos a civis pelos nazis ucranianos apoiados pelos americanos são um facto. Mas, naturalmente, nenhum de tais factos existe nos media ocidentais. Nos media do Ocidente os russos, e apenas os russos, são responsáveis pela violência na Ucrânia.

A narrativa de Washington é que a malévola intenção de Putin de restaurar o império soviética é a causa do conflito. Esta linha dos media no Ocidente não tem relacionamento com quaisquer factos.

Na minha opinião a Rússia está em grave perigo. Os russos estão a confiar nos factos e Washington está a confiar na propaganda. Para Washington, factos não são relevantes. As vozes russas são escassas em comparação com as vozes ocidentais.

A falta de uma voz russa deve-se à própria Rússia. A Rússia aceitou viver num mundo controlado pelos serviços financeiros, legais e de telecomunicações dos EUA. Viver neste mundo significa que a única voz é a de Washington.

Por que a Rússia concordou com esta desvantagem estratégica é um mistério. Mas em consequência deste erro estratégico, a Rússia está com uma desvantagem.

Considerando as intrusões que Washington tem dentro do próprio governo russo, os oligarcas economicamente poderosos e os empregados do estado com conexões ao Ocidente, bem como os media russos e a juventude russa, com as centenas de ONGs financiadas por americanos e alemães que podem colocar russos na ruas para protestar contra qualquer defesa da Rússia, o futuro da Rússia como um país soberano é duvidoso.

Os neoconservadores americanos são implacáveis. O seu oponente russo está enfraquecido pelos êxitos no interior da Rússia da propaganda ocidental de guerra fria e que retrata os EUA como o salvador e o futuro da espécie humana.

A escuridão do Sauron América continua a propagar-se sobre o mundo.
26/Janeiro/2015
[NT] Jogo de palavras intraduzível.
Ver também:

  • Instrumentalisation des agences de notation , Jacques Sapir

    O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/2015/01/26/russia-cross-hairs-paul-craig-roberts/


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .