"Murilo, eu vou lhe dar um cara que ainda vai ser presidente do Banco Central. Você vai me agradecer pelo resto da sua vida." Foi dessa maneira que, em 2001, o então presidente do BC, Armínio Fraga, sugeriu a Murilo Portugal, diretor-executivo do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), que contratasse como seu número 2 o economista Alexandre Tombini.
"Eu nunca o tinha visto na vida", conta Portugal, hoje o terceiro na hierarquia do FMI, mas prestes a mudar de emprego - em março, assumirá a presidência da Federação Brasileira de Bancos. Não demorou muito e Tombini ganhou a confiança do novo chefe, tornando-se seu "braço direito". "Eu tinha total confiança nele", afiança o vice-diretor do FMI.
A reportagem é de Cristiano Romero e publicada pelo jornal Valor, 18-02-2011.
O novo presidente do Banco Central é o nome forte da economia neste início do governo Dilma Rousseff. É o responsável pela gestão de dois dos três pilares da política econômica - o regime cambial e a política monetária. Em menos de dois meses, ganhou uma proximidade da presidente que seu antecessor, Henrique Meirelles, nunca teve do presidente Lula, o que já causa inveja em Brasília e desconfiança em setores do mercado.
Em oito anos de gestão, Meirelles teve encontros esparsos com Lula. Em geral, antes ou depois de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e, na maioria das vezes, para ouvir queixas sobre a taxa de juros. Lula chegou a condenar Meirelles a períodos de isolamento que duraram quase dois meses. A relação entre Dilma e Tombini, fundada há apenas três meses, é bem diferente.
Todas as vezes que Tombini quer conversar com a presidente, telefona para o Palácio do Planalto e, pouco depois, é atendido. Na maioria das ocasiões, Dilma pede que ele vá ao palácio. "Tête-à-tête", testemunha um assessor graduado do governo. Como boa parte dos encontros não consta da agenda pública da presidente, Tombini entra no prédio pela garagem subterrânea, longe de fotógrafos e cinegrafistas que fazem plantão no palácio.
As conversas não têm durado menos de uma hora. Durante os colóquios, não se fala sobre o nível da taxa de juros ou do câmbio, mas sobre o estado geral da economia. Tombini já visitou Dilma, inclusive, na Granja do Torto, onde ela se hospedou antes de mudar-se para o Palácio da Alvorada. "Dilma é muito técnica, tem muita informação, gosta de discutir, debater", informa um ministro.
Tombini assumiu o BC num momento em que a inflação sobe perigosamente e as expectativas dos agentes econômicos se deterioram. O mercado desconfia da capacidade e do interesse do novo governo de adotar as medidas necessárias à reversão da aceleração inflacionária. Uma das dúvidas é sobre a real disposição de Brasília para conter a evolução dos gastos públicos.
A primeira batalha do presidente do BC foi convencer a cúpula do governo de que a carestia neste momento não decorre apenas do choque de preços de commodities, que pressiona a inflação em todo o mundo. No caso brasileiro, o problema é agravado pelo crescente descompasso entre oferta e demanda. O Ministério da Fazenda rejeita essa hipótese, mas Tombini conseguiu mudar a opinião da presidente. Fez mais: defendeu que o anúncio dos cortes orçamentários fosse antecipado.
Essa proximidade de Tombini com a Presidência da República gera reações distintas. Para alguns observadores, é um indício de que o BC, sob a nova administração, não goza da autonomia que teve na gestão Meirelles. Um mau exemplo dessa adjacência, dizem alguns críticos ouvidos pelo Valor, foi o caso do banco PanAmericano.
Relata-se que Tombini atuou pessoalmente para pressionar o empresário Sílvio Santos a vender o banco ao BTG Pactual, livrando-o de qualquer punição. A operação teria ajudado também a Caixa Econômica Federal, que, numa ação polêmica, comprou 49% do capital do PanAmericano no fim de 2009, nove meses antes da descoberta de rombo de R$ 2,5 bilhões no balanço do banco - recentemente, o prejuízo subiu para R$ 4,3 bilhões.
"O pessoal do mercado vê o Tombini fazendo isso e pergunta: 'O que é isso?'. Então, esse é o risco que ele está correndo. Quando o BC se mete num negócio desses, as pessoas pensam: 'É um sinal de que ele está muito próximo do governo e, assim, está mais sujeito a pressões'. Esta é a leitura", diz um ex-dirigente do Banco Central.
Os defensores de Tombini alegam que ele atuou no caso porque essa é uma de suas obrigações como regulador. Ele, de fato, telefonou para Sílvio Santos, mas, se o empresário não concordasse em vender o banco, Tombini nada faria para obrigá-lo. Além do mais, lembram essas fontes, já na primeira operação de socorro do PanAmericano - um empréstimo de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) -, Silvio Santos assinou termo de compromisso em que prometia vender a instituição.
Nem todos os analistas acham que a proximidade de Tombini da cúpula do poder é sinal de capitulação aos interesses políticos do governo. "No nosso estágio de desenvolvimento, acho bom para o país ter um presidente do BC que vai lá dentro e briga pelas coisas e expõe e mostra qual é a situação, mas que também cumpre o seu papel. Eu procurei fazer assim", comenta Armínio Fraga, que comandou o banco entre 1999 e 2002 e hoje é sócio da Gávea Investimentos. "É melhor ele estar lá dentro, falando, brigando pelas teses dele. É difícil, sem dúvida, mas eu o considero um fantástico profissional e não acredito que vá ter uma atuação política."
Ao contrário do que ocorreu na gestão Armínio, nos oito anos do governo Lula, Henrique Meirelles manteve o BC longe do Palácio do Planalto. A hostilidade de vários setores do governo e do PT à instituição era tão intensa que Meirelles achou por bem manter distância.
Tombini sabe que, no novo governo, também há e haverá hostilidades. A relação com o Ministério da Fazenda tende a ser menos tensa do que foi na gestão de Meirelles, mas ele não se ilude: sua visão do que se passa na economia difere da propugnada pela Fazenda. Sabe-se, também, em Brasília, que, em março de 2010, quando Meirelles cogitava deixar a presidência do BC para se candidatar, o ministro Guido Mantega foi a Lula se pronunciar contra a nomeação de Tombini.
As suspeitas de que Tombini é sensível a argumentos políticos remontam às divergências ocorridas nas reuniões do Copom nos últimos cinco anos. Na linguagem dos economistas do mercado financeiro, ele seria "dovish", neologismo inglês que deriva de "pombo" ("dove") e designa os defensores de taxas de juros mais baixas e de uma postura mais tolerante com a inflação. O antônimo seria "hawkish", que vem de "falcão" ("hawk") e define os partidários de juros altos - em política externa, "hawkish" são os que defendem o uso da força, em detrimento da diplomacia, para dirimir conflitos.
A fama de "dovish" colou em Tombini a partir de um episódio nebuloso da história recente do Banco Central. Em 2005, quando ele e Murilo Portugal voltaram para o Brasil, o governo Lula vivia, com o escândalo do mensalão, o seu pior momento. A diretoria do banco, bastante criticada, passava por seu período de maior isolamento. O então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, engendrou um plano para mudar a diretoria, mas mantendo o rumo da política econômica.
Palocci planejava tirar Meirelles do BC e colocá-lo no Ministério do Planejamento. Murilo Portugal assumiria o comando do banco. Num segundo momento, o diretor de Política Econômica, Afonso Bevilaqua, principal alvo da ira petista, deixaria o BC e seria substituído por Tombini. O plano jamais foi inteiramente realizado porque Palocci deixou a Fazenda em março de 2006, mas a vida de Tombini na diretoria do BC ficou mais difícil.
Era junho de 2005 quando a primeira parte do projeto foi colocada em prática. Tombini assumiu a diretoria de Estudos Especiais. Nos meses seguintes, travou embates ásperos com Bevilaqua. O primeiro deles teve motivação aparentemente prosaica: Tombini queria ter acesso aos dados que alimentavam os modelos rodados pelo Departamento de Pesquisas - que ele ajudou a criar seis anos antes - e que amparavam as projeções do Banco Central para a atividade econômica, os níveis de emprego e os preços.
Como integrante do Copom, Tombini alegava que se sentiria mais à vontade para votar nas decisões sobre juros se tivesse acesso aos dados. Bevilaqua não aquiescia. Julgava que a exigência era uma desconfiança em relação ao seu trabalho. A desavença não se deu apenas com Tombini. Outro diretor, este originário do mercado - Paulo Vieira da Cunha -, ameaçou pedir demissão pouco depois de assumir o cargo, em abril de 2006, por causa da recusa de Bevilaqua em abrir informações.
Nas reuniões do Copom, Tombini debatia, questionava, levantava dúvidas. Sua atitude irritava Bevilaqua, que via nele um sinal de que o Copom passava por um processo de mudança para se tornar mais dócil ao Palácio do Planalto. "Por causa da forma como o Tombini chegou, Bevilaqua centrava a reação dele no Tombini. Aí não era discussão. Era quase porrada", atesta um ex-diretor do BC.
Os choques entre os dois diretores tiveram consequências. Em abril de 2006, Tombini deixou a diretoria de Estudos Especiais e assumiu a de Normas, responsável pela regulação do sistema financeiro. Em seu lugar, foi nomeado o economista Mário Mesquita, que mais adiante substituiu Bevilaqua na diretoria de Política Econômica.
As disputas no Copom reforçavam a imagem de "dovish" que se cristalizava em Tombini. Em meados de 2006, ele publicou, em coautoria com Sérgio Lago Alves, o estudo "O Recente Processo de Desinflação no Brasil e Seus Custos". Alega, no trabalho, que os custos para controlar a inflação, em termos de impacto no crescimento econômico e nos níveis de desemprego, foram reduzidos no período pós-2002. Para alguns analistas, Tombini defendeu, na verdade, a ideia de que já seria possível crescer mais, com juros menores e menos inflação.
No segundo mandato de Lula (2007-2010), o BC passou a ter menos diretores oriundos do mercado. Em tese, uma diretoria com mais funcionários de carreira significa que o banco resiste menos às pressões do governo por uma política monetária mais frouxa. Nesse ambiente, Tombini começou a figurar como possível sucessor de Meirelles. No fim de 2008, teria se reunido com um diretor vindo do mercado e dito o seguinte, depois de dar a entender que o manteria no cargo caso assumisse a presidência: "É bom ter uma combinação de um presidente que é mais 'dovish' com um diretor [de Política Econômica] mais 'hawkish' ou vice-versa. O que não dá para ser são os dois para um lado".
No Copom, Tombini começou a defender a adoção de medidas macroprudenciais, em vez do aumento puro e simples da taxa de juros, para conter a inflação. O curioso é que, quando chegou à área de Normas, entendia pouco do assunto. Estudioso, mergulhou no tema, dando às decisões dessa diretoria, segundo testemunho de colegas, "consistência econômica". "Em seus primeiros dias como diretor de Normas, saía do banco carregando malas de papéis para estudar em casa", revela um colega de diretoria.
Em dezembro passado, ainda na gestão Meirelles, o BC anunciou medidas para diminuir os prazos dos financiamentos e encarecer o custo do crédito. As medidas já tinham a marca de Tombini. Os objetivos foram dois: aumentar a segurança do sistema financeiro e, ao mesmo tempo, ajudar a controlar a demanda. Em janeiro, já como presidente do banco, ele comandou a reunião do Copom que promoveu o primeiro aumento de juros da era Dilma.
Como as medidas macroprudenciais têm impacto na demanda, é possível que o BC, na nova fase, recorra menos à alta dos juros para conter a inflação. Para integrantes do mercado, a motivação é política. O PT tolera arrocho no crédito, mas não na taxa básica de juros (Selic).
"A tendência de usar instrumentos macroprudenciais não é porque Tombini foi diretor de Normas do BC. Isso é uma vantagem para ele, mas, na verdade, é algo que está sendo feito no mundo inteiro", argumenta Murilo Portugal. De fato, o uso de medidas macroprudencias tem se intensificado em vários países por causa da diferença entre as taxas de juros das economias centrais e as do restante do mundo. A elevação dos juros para combater a inflação atrai capitais e aprecia as moedas locais, diminuindo a competitividade das economias.
"Essas medidas estão sendo implementadas no mundo inteiro (o G-20 comprometeu-se com regras novas), tendo em vista a reação mundial à crise de 2008. Acho que é possível usar essas medidas também como fator de diminuição da demanda agregada. Elas são muito eficazes para evitar 'bolhas" de crédito'", observa o vice-presidente do Itaú-Unibanco, Sérgio Werlang. "Contudo, o uso dessas medidas causa outras distorções microeconômicas que têm que ser levadas em consideração. Por exemplo, a meu ver, os compulsórios no Brasil já atingiram níveis que fazem com que usos adicionais tenham que ser pesados cuidadosamente", pondera ele.
Murilo Portugal rejeita a tese de que o presidente do BC é "frouxo". "Ele é uma pessoa que sabe o que precisa ser feito, tem coragem de falar a verdade para o poder, o que é muito importante para quem exerce uma função pública, mas faz isso de uma maneira convincente e não por meio de confrontos", diz o vice-diretor do FMI.
"Há uma desconfiança na cabeça dos analistas, que acham que ele tem um certo viés 'dovish' e que o apoio que ele deveria ter das outras áreas pode, na hora H, não se materializar. Ele não é um cara frouxo, é firme, mas ele não é um dogmático, um sacerdote", concorda Armínio Fraga.
Mais de uma dezena de amigos e desafetos de Tombini ouvidos pelo Valor se refere a ele com adjetivos como firme, determinado, disciplinado, fechado. A partir desses depoimentos, conclui-se que o presidente do BC tem temperamento forte, mas não compra brigas à toa. É duro nas discussões, mas não é irascível. Realista, mas não tolo.
"Tem 'drive' próprio para pensar e analisar, não é de ficar repetindo o que os outros falam", elogia novamente Portugal. Tendo chegado à presidência do BC, sua responsabilidade daqui em diante é diferente. "Ele não voltará mais a ser diretor, seu horizonte é outro. Ele tem que entregar a inflação na meta", assinala um ex-dirigente do banco.
Tombini é tão reservado que se recusou a informar à reportagem quais são seus economistas prediletos. E mesmo suas preferências literárias. Concordou apenas em informar que é torcedor do Internacional de Porto Alegre, tem dois filhos e é casado com uma americana, cujo nome ele também tentou manter em segredo. Ele conheceu Michele em Urbana, cidade onde fica a Universidade de Illinois. Enquanto ele fazia o doutorado, ela se graduava em ciência política. Mais tarde, ela se doutorou em direito pela Escola de Chicago.
Michele fala português fluentemente. Filha de um casal que recebia estudantes brasileiros que faziam intercâmbio pelo Rotary Club, foi a única de quatro irmãs que se interessou em aprender o idioma. Já vivendo com Tombini em Brasília, passou por uma experiência traumática - um assalto - enquanto recebia um casal de amigos americanos na capital. Por causa do episódio, espalhou-se o rumor de que Tombini pedira a Armínio Fraga um posto no exterior, mas sua assessoria desmente - o assalto foi em 1994, sete anos antes de ele ir para o FMI.
Tombini começou a ganhar prestígio em Brasília em 1999. Naquele ano, Armínio Fraga chegou ao comando do BC e decidiu, em meio à crise que resultou na forte desvalorização do real, implantar no país o regime de metas para inflação e o sistema de câmbio flutuante. Combinados com a decisão do governo Fernando Henrique Cardoso de gerar superávits primários nas contas públicas, os novos instrumentos representavam uma guinada na forma como a estabilização da economia, iniciada pelo Plano Real cinco anos antes, passaria a ser conduzida dali em diante.
Até o início de 1999, o câmbio no Brasil ainda era quase-fixo e a taxa de juros era usada não para combater a inflação, mas para atrair dólares e, dessa forma, ajudar a financiar as contas externas. Com o novo tripé de política econômica, a taxa de juros, num ambiente de câmbio flutuante e disciplina fiscal, passou a ser a âncora da economia.
O regime de metas demandava a criação de um Departamento de Pesquisas que olhasse mais para o longo prazo da economia e desenvolvesse e testasse constantemente modelos macroeconômicos. Até então, o BC era incapaz de fazer projeções sobre a atividade econômica e, portanto, sobre o comportamento futuro da inflação.
Na ocasião, Armínio convidou Sérgio Werlang para ser o diretor de Política Econômica, principal responsável pela implementação do regime de metas. Como a legislação determina que a chefia de departamentos do BC seja ocupada apenas por funcionários de carreira, Werlang abriu um processo de seleção interna. O perfil do novo cargo exigia que o candidato tivesse sólida formação em macroeconomia. De preferência, com doutorado.
Currículos foram analisados, entrevistas realizadas e, no fim, Werlang chegou a Tombini, funcionário da Casa desde 1995, consultor do Departamento de Fiscalização, formado em Economia pela Universidade de Brasília e com doutorado pela Universidade de Illinois. "A escolha dele era muito clara", atesta Werlang. "Ele é um bom macro e microeconomista, uma combinação que não é comum. Em geral, os economistas são muito especializados. O Tombini é um economista que olha o problema de vários pontos de vista."
Essa mesma qualidade é ressaltada por seu orientador de tese em Illinois, o professor Werner Baer, um brasilianista que estuda o Brasil desde os anos 50 do século passado. Nos anos 60, chegou a publicar vários artigos em coautoria com Mário Henrique Simonsen. Deu aulas na FGV e na PUC do Rio, e também na USP.
Há décadas, Baer recruta estudantes brasileiros para fazer pós-graduação em Illinois, cujo curso de economia, explica o professor, não é dominado por nenhuma das grandes escolas americanas. "Em macroeconomia, tem influência da Escola de Chicago [de tradição monetarista] e também das escolas da Costa Leste dos Estados Unidos. O estudante escolhe o seu próprio caminho", diz ele para em seguida ressalvar: "Isso aqui não é uma igrejinha".
Parte dos estudantes brasileiros que vão a Illinois recebe bolsas custeadas pelo empresário Jorge Paulo Lemann. No fim dos anos 80, Baer foi apresentado a Tombini por um professor da UnB. Ficou tão impressionado com os conhecimentos do futuro pupilo que o dispensou de fazer o mestrado, levando-o direto ao doutorado.
"Tombini combina uma coisa que não é muito comum. Ele tem domínio muito bom da teoria econômica, é tecnicamente muito bem preparado, mas sempre teve os pés no chão. Ele conhece as instituições, sempre se interessou em saber como funcionam e tem rigor estatístico", comenta o professor.
Em sua tese de doutorado, um calhamaço de 167 páginas intitulado "Atividade Econômica e Instabilidade Financeira no Brasil: Evidência Empírica e Teórica", Tombini desenvolve, pela primeira vez, a ideia de que, diante de crises provocadas por choques exógenos (as crises do petróleo nos anos 70, por exemplo), os sistemas financeiros não são neutros. Na verdade, eles amplificam os impactos desses choques.
"Tombini afirma que o setor financeiro no Brasil deve ser tratado como uma importante fonte de flutuações macroeconômicas. Ele faz isso olhando para teorias de flutuações econômicas existentes e desenvolvendo sua própria teoria e testando-a econometricamente", explica Baer.
Tombini concluiu o doutorado em 1991. Tinha apenas 27 anos - hoje tem, portanto, 47. Somente quatro anos depois, ingressou na carreira do Banco Central. O gosto pela Economia veio do pai, Tildo Noelmo Tombini, gaúcho, de ascendência italiana, que trabalhou durante dez anos na Organização das Nações Unidas (ONU), na época em que a instituição tinha um braço econômico forte.
Tildo, já falecido, era um especialista em orçamento. Desenvolveu o conceito de orçamento-programa, cujo principal objetivo é fazer a ligação entre o planejamento de médio e longo prazo do governo e as ações do dia a dia. Foi um dos responsáveis, por exemplo, pela montagem do orçamento do Uruguai, ao tempo da redemocratização do país vizinho, em meados dos anos 80.
Por causa da profissão do pai, Tombini foi alfabetizado em espanhol e viveu em quatro países da América Latina - Chile, Paraguai, Costa Rica e Nicarágua. A família deixou o Chile pouco antes do golpe militar que apeou Salvador Allende do poder em 11 de setembro de 1973. Dali, mudou-se para Porto Alegre, onde Tildo trabalhou numa empresa de consultoria e ajudou a criar o polo industrial de Joinville (SC).
Sua influência intelectual rendeu frutos. E, com a chegada de Tombini à presidência do Banco Central, um novo capítulo na história da família começou a ser escrito.
Fonte:IHU
Carlos Augusto de Araujo Dória, 82 anos, economista, nacionalista, socialista, lulista, budista, gaitista, blogueiro, espírita, membro da Igreja Messiânica, tricolor, anistiado político, ex-empregado da Petrobras. Um defensor da justiça social, da preservação do meio ambiente, da Petrobras e das causas nacionalistas.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
POLÍTICA - Um império contra um operário.
Reproduzo artigo de Mauricio Dias, publicado no sítio da revista CartaCapital:
Nunca foram boas as relações entre a mídia brasileira e o torneiro mecânico Lula, desde que, nos anos 1970, ele emergiu no comando das jornadas sindicais no ABC paulista, onde estão algumas das empresas do moderno, mas ainda incipiente capitalismo brasileiro. Em consequência, quase natural, o operário não foi recebido com entusiasmo quando, após três fracassos, venceu a disputa para a Presidência da República, em 2002.
Os desentendimentos se sucederam entre o novo governo e o chamado “quarto poder” e culminaram com a crise de 2005 quando televisões, jornais, rádios e revistas viraram porta-vozes da oposição que se esforçava para apear Lula do poder. Inicialmente, com a tentativa de impeachment.
Posteriormente, após esse processo que não chegou a se consumar, armou-se um “golpe branco” em forma de pressão para o presidente desistir da reeleição, em 2006.
Lula ganhou e, em 2010, fez o sucessor. No caso, sucessora. Dilma Rousseff sofreu quase todos os tipos de constrangimentos políticos. Ela tomou posse e, no dia seguinte, foi saudada por deselegante manchete do jornal O Globo, do Rio de Janeiro: “Lula elege Dilma e aliados preparam sua volta em 2014”.
A reportagem era um blefe político. Uma “cascata” no jargão jornalístico. O jornal O Globo, núcleo do império da família Marinho, tornou-se a ponta de lança da reação conservadora da mídia e adotou, desde a posse de Lula, um jornalismo de combate onde a maior vítima, como sempre ocorre nesses casos, é o fato. Sem o fato abre-se uma avenida para suspeitas versões.
O comportamento inicial da presidenta, marcado por discrição e austeridade, foi uma surpresa para todos. O Globo inclusive. Não há sinais de que seja uma capitulação ao poder dos donos da mídia com os quais Dilma tem travado discretos diálogos. Armou-se circunstancialmente um clima de armistício. Na prática, significou um fogo mais brando, a provocar um visível recuo de comentaristas que eram mais agressivos com Lula. Soltam, porém, elogios hesitantes por não saberem até onde poderão seguir.
Esse armistício se sustenta numa visão de que as situações não são iguais. Dilma não é Lula. É claro que há diferenças entre o governo de ontem e o de hoje. No entanto, o carimbo pessoal da presidenta na administração do País faz a imprensa engolir a propaganda de que ela era um “poste”. Essa contradição se aguça na sequência dessa história. Dilma passou a ser elogiada e Lula criticado.
Alguns casos, colhidos da primeira página de O Globo ao longo de uma semana, expressam o que ocorre, em geral, em toda a mídia:
Atos de Dilma afastam governo do estilo Lula (6/2) – críticas ao ex no elogio ao governo Dilma.
Por qué no te callas? (8/2) – crítica atribuída a um sindicalista, mantido no anonimato, sobre apoio de Lula ao salário mínimo proposto por Dilma.
A fatura da gastança eleitoral (10/2) – a respeito de despesas do governo Lula com suposta intenção eleitoral.
Dilma aposenta slogan de Lula (11/2) – sobre a frase “Brasil, um país de todos”.
Herança fiscal de Lula limita o começo do governo Dilma – (13/2) – crítica a Lula ao corte no Orçamento proposto por Dilma.
Ela recebe afagos e ele, pedradas. Procura-se, sem muito disfarce, cavar um fosso entre o ex e a presidenta. Situação que levou Lula, na festa de aniversário do PT, a reagir: “Minha relação com Dilma é indissociável”.
Fonte: Blog do Miro.
Nunca foram boas as relações entre a mídia brasileira e o torneiro mecânico Lula, desde que, nos anos 1970, ele emergiu no comando das jornadas sindicais no ABC paulista, onde estão algumas das empresas do moderno, mas ainda incipiente capitalismo brasileiro. Em consequência, quase natural, o operário não foi recebido com entusiasmo quando, após três fracassos, venceu a disputa para a Presidência da República, em 2002.
Os desentendimentos se sucederam entre o novo governo e o chamado “quarto poder” e culminaram com a crise de 2005 quando televisões, jornais, rádios e revistas viraram porta-vozes da oposição que se esforçava para apear Lula do poder. Inicialmente, com a tentativa de impeachment.
Posteriormente, após esse processo que não chegou a se consumar, armou-se um “golpe branco” em forma de pressão para o presidente desistir da reeleição, em 2006.
Lula ganhou e, em 2010, fez o sucessor. No caso, sucessora. Dilma Rousseff sofreu quase todos os tipos de constrangimentos políticos. Ela tomou posse e, no dia seguinte, foi saudada por deselegante manchete do jornal O Globo, do Rio de Janeiro: “Lula elege Dilma e aliados preparam sua volta em 2014”.
A reportagem era um blefe político. Uma “cascata” no jargão jornalístico. O jornal O Globo, núcleo do império da família Marinho, tornou-se a ponta de lança da reação conservadora da mídia e adotou, desde a posse de Lula, um jornalismo de combate onde a maior vítima, como sempre ocorre nesses casos, é o fato. Sem o fato abre-se uma avenida para suspeitas versões.
O comportamento inicial da presidenta, marcado por discrição e austeridade, foi uma surpresa para todos. O Globo inclusive. Não há sinais de que seja uma capitulação ao poder dos donos da mídia com os quais Dilma tem travado discretos diálogos. Armou-se circunstancialmente um clima de armistício. Na prática, significou um fogo mais brando, a provocar um visível recuo de comentaristas que eram mais agressivos com Lula. Soltam, porém, elogios hesitantes por não saberem até onde poderão seguir.
Esse armistício se sustenta numa visão de que as situações não são iguais. Dilma não é Lula. É claro que há diferenças entre o governo de ontem e o de hoje. No entanto, o carimbo pessoal da presidenta na administração do País faz a imprensa engolir a propaganda de que ela era um “poste”. Essa contradição se aguça na sequência dessa história. Dilma passou a ser elogiada e Lula criticado.
Alguns casos, colhidos da primeira página de O Globo ao longo de uma semana, expressam o que ocorre, em geral, em toda a mídia:
Atos de Dilma afastam governo do estilo Lula (6/2) – críticas ao ex no elogio ao governo Dilma.
Por qué no te callas? (8/2) – crítica atribuída a um sindicalista, mantido no anonimato, sobre apoio de Lula ao salário mínimo proposto por Dilma.
A fatura da gastança eleitoral (10/2) – a respeito de despesas do governo Lula com suposta intenção eleitoral.
Dilma aposenta slogan de Lula (11/2) – sobre a frase “Brasil, um país de todos”.
Herança fiscal de Lula limita o começo do governo Dilma – (13/2) – crítica a Lula ao corte no Orçamento proposto por Dilma.
Ela recebe afagos e ele, pedradas. Procura-se, sem muito disfarce, cavar um fosso entre o ex e a presidenta. Situação que levou Lula, na festa de aniversário do PT, a reagir: “Minha relação com Dilma é indissociável”.
Fonte: Blog do Miro.
INTERNET - Steve Jobs teeria apenas seis semanas de vida.
Jobs tem seis semanas de vida, diz tabloide americano
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O presidente e fundador da Apple pode ter apenas 6 semanas de vida, segundo a edição de quarta-feira do tabloide americano "National Enquirer". A publicação afirmou que o CEO da empresa foi fotografado entrando em uma clínica de tratamento de câncer aparentemente 20 quilos mais magro.
O tabloide procurou especialistas, que se impressionaram com a imagem de Jobs. Segundo o médico Gabe Mirkin, que tem 40 anos de experiência, ele tem características de um paciente terminal. Ele destacou a falta de músculos nas nádegas, que ele disse ser o último lugar onde o corpo busca calorias. O pneumologista Samuel Jacobson concordou e calculou cerca de seis semanas de vida restantes ao empresário.
Há sete anos, Steve Jobs tem enfrentado sérios problemas de saúde. Ele retirou um raro tipo de câncer do pâncreas em 2004 e fez um transplante de fígado em 2009. Ele anunciou seu afastamento "por tempo indeterminado" da Apple em janeiro deste ano e usou questões médicas como justificava.
Nesta quinta-feira, Jobs participou de uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; o criador da rede social Facebook, Mark Zuckerberg; o CEO do Google, Eric Schmidt; e Jeffrey Immelt, da General Eletric. O objetivo da reunião é discutir investimentos nas áreas de educação, pesquisa e ciência e tecnologia.
Fonte: SRZD.
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O presidente e fundador da Apple pode ter apenas 6 semanas de vida, segundo a edição de quarta-feira do tabloide americano "National Enquirer". A publicação afirmou que o CEO da empresa foi fotografado entrando em uma clínica de tratamento de câncer aparentemente 20 quilos mais magro.
O tabloide procurou especialistas, que se impressionaram com a imagem de Jobs. Segundo o médico Gabe Mirkin, que tem 40 anos de experiência, ele tem características de um paciente terminal. Ele destacou a falta de músculos nas nádegas, que ele disse ser o último lugar onde o corpo busca calorias. O pneumologista Samuel Jacobson concordou e calculou cerca de seis semanas de vida restantes ao empresário.
Há sete anos, Steve Jobs tem enfrentado sérios problemas de saúde. Ele retirou um raro tipo de câncer do pâncreas em 2004 e fez um transplante de fígado em 2009. Ele anunciou seu afastamento "por tempo indeterminado" da Apple em janeiro deste ano e usou questões médicas como justificava.
Nesta quinta-feira, Jobs participou de uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; o criador da rede social Facebook, Mark Zuckerberg; o CEO do Google, Eric Schmidt; e Jeffrey Immelt, da General Eletric. O objetivo da reunião é discutir investimentos nas áreas de educação, pesquisa e ciência e tecnologia.
Fonte: SRZD.
POLÍTICA - Agripino Maia não apoia os radicais do DEM
Futuro presidente do DEM, Agripino se irrita com "radicais".
Ana Cláudia Barros e Marcela Rocha
Escolhido para encabeçar a chapa única na disputa pela Executiva do DEM, o senador Agripino Maia (RN) já tem dito a seus interlocutores mais próximos que não trabalhará em defesa da ala "radical" da sigla, como é caracterizado o grupo ligado ao atual presidente do partido, deputado Rodrigo Maia(RJ).
Segundo demistas, o futuro presidente da legenda já estaria "irritado" com a condução das recentes negociações pela liderança nacional da agremiação.
- Os radicais não contarão comigo. Radicalismo nunca fez meu perfil ao longo de toda a minha vida. Fui prefeito, governador, senador e sempre pautei meu comportamento pela moderação e pela racionalidade - disse o senador a Terra Magazine.
Agripino foi escolhido por setores adversários do DEM para "pacificar" a legenda, que sofre com os crescentes e inesgotáveis atritos entre o setor ligado a Rodrigo Maia e o ligado ao prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (SP).
Os atritos, justificam demistas, são regionais. Explicam: para assegurar o domínio regional do partido, líderes locais têm, ainda segundo integrantes da alta cúpula do partido, aniquilado a possibilidade de disputa interna.
Os problemas regionais têm nome e endereço. Aliados de Kassab querem minar alguns líderes estaduais. Os deputados Ronaldo Caiado (GO), Ônix Lorenzoni (RS), Rodrigo Maia e Abelardo Lupion (PR) são apontados por interlocutores do prefeito como monopolizadores do poder local.
Para resolver essa questão, aliados de Kassab reforçam que a tarefa de Agripino é pacificar e assegurar eleição onde não houver acordo.
Terra Magazine
Ana Cláudia Barros e Marcela Rocha
Escolhido para encabeçar a chapa única na disputa pela Executiva do DEM, o senador Agripino Maia (RN) já tem dito a seus interlocutores mais próximos que não trabalhará em defesa da ala "radical" da sigla, como é caracterizado o grupo ligado ao atual presidente do partido, deputado Rodrigo Maia(RJ).
Segundo demistas, o futuro presidente da legenda já estaria "irritado" com a condução das recentes negociações pela liderança nacional da agremiação.
- Os radicais não contarão comigo. Radicalismo nunca fez meu perfil ao longo de toda a minha vida. Fui prefeito, governador, senador e sempre pautei meu comportamento pela moderação e pela racionalidade - disse o senador a Terra Magazine.
Agripino foi escolhido por setores adversários do DEM para "pacificar" a legenda, que sofre com os crescentes e inesgotáveis atritos entre o setor ligado a Rodrigo Maia e o ligado ao prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (SP).
Os atritos, justificam demistas, são regionais. Explicam: para assegurar o domínio regional do partido, líderes locais têm, ainda segundo integrantes da alta cúpula do partido, aniquilado a possibilidade de disputa interna.
Os problemas regionais têm nome e endereço. Aliados de Kassab querem minar alguns líderes estaduais. Os deputados Ronaldo Caiado (GO), Ônix Lorenzoni (RS), Rodrigo Maia e Abelardo Lupion (PR) são apontados por interlocutores do prefeito como monopolizadores do poder local.
Para resolver essa questão, aliados de Kassab reforçam que a tarefa de Agripino é pacificar e assegurar eleição onde não houver acordo.
Terra Magazine
FUTEBOL - Aposentadoria do Ronaldo.
O futebol sem Ronaldo.
Sávio Siqueira.
De Salvador (BA)
Está no ar e no mundo a notícia da aposentadoria do craque Ronaldo dos campos de futebol. Embora não soe como novidade, devido ao desempenho sofrível que o jogador vinha apresentando no Corinthians, não podemos deixar de lamentar a partida de um dos maiores ídolos da bola que o Brasil produziu. Depois de Pelé, não há no planeta outro brasileiro mais conhecido que Ronaldo, outrora Ronaldinho, até perder a alcunha para o xará Gaúcho. Ronaldo se vai e deixa uma lacuna enorme para aqueles que enxergam na sua trajetória um sucesso estrondoso, ainda que interrompida várias vezes por conta do verdadeiro calvário que as contusões o impuseram. É a esse calvário que Ronaldo hoje sucumbe de vez.
Há, como se sabe, profissões várias com prazo de validade curtíssimo, quase efêmero. Jogador de futebol, modelo, corredor de F-1, atletas em geral. Todos os anos, muitos deles ascendem e outros tantos se afastam dos espaços, pistas e arenas sem sequer nos darmos conta. No reino do futebol, o bravo Washington, ex-centroavante do atual campeão brasileiro Fluminense, foi um dos últimos. A comoção, claro, contagiou quem esteve com ele na despedida, mas nada que afetasse uma nação inteira. Guga parou, Romário, Joaquim Cruz, Oscar, Hortência, Popó. Todos pararam. A gente sentiu, é verdade, mas Ronaldo é Ronaldo. Em princípio, é difícil digerir a ideia de que não teremos mais um gênio como ele em campo, mesmo sabendo que, como o próprio jogador afirma, o corpo não mais atende aos comandos da mente. Ronaldo em campo era tudo o que se queria ver.
Lamentamos profundamente por esse dia, mas o que deve-se exaltar no momento é que Ronaldo, o menino pobre do subúrbio carioca, hoje um dos aposentados mais privilegiados do mundo, enquanto esteve em forma, foi brilhante e deu ao torcedor aquilo que mais se espera no futebol: a alegria de ver o seu time ganhar. Muita gente, apelando para o melodrama barato, argumenta que fomos injustos com Ronaldo agora na reta final, ao reclamarmos do seu excesso de peso e de sua apatia constante nos gramados. Acostumados que estávamos com um desempenho fora do comum, praticamente ninguém atentou para o detalhe de que, ao chegar ao Corinthians, sob grande celebração, estávamos praticamente fadados a conviver com um Ronaldo em pleno ocaso profissional, mas que, mesmo assim, ainda deu àquela torcida ultra-apaixonada dois títulos importantes em dois anos de contrato.
O Brasil não para de revelar talentos no futebol e em idade cada vez mais tenra. Da mesma forma que eles surgem, quase no nascedouro, e por conta da indústria que também engoliu o futebol, esses garotos são de imediato levados para os centros onde se investe pesadamente em treinamento e em planejamento profissional, e os transforma em valorizadas mercadorias no bazar global da bola. Muitos ficam milionários, outros, nem tanto. Mas quando já não têm aquilo que satisfaz o apetite das massas consumidoras (uma analogia com os gladiadores aqui não seria de todo absurda), eles começam a pensar no caminho de regresso. E aí nós, tupiniquins conformados, ficamos com as migalhas da repatriação tardia, já que parece ser esta a única fatia que passou a nos caber na lógica nefasta do capitalismo global na referida área. Não é à toa que praticamente todos os nossos grandes do futebol contemporâneo optam por dar os últimos suspiros de suas carreiras no Brasil. Degustado o filé, ficamos nós, os criadores, aqui com o chupa-molho que resta da criatura. Com Ronaldo não seria diferente.
Se o corpo de Ronaldo rendeu-se às lesões e demandou um sonoro "basta", temos que congratulá-lo por, aparentemente, ter mantido a mente sana ao longo dos seus quase vinte anos de futebol profissional e de assédio sem trégua. Não acredito que tenha havido jogador mais vigiado e noticiado que Ronaldo, principalmente no tocante à sua vida privada. Esperto em saber aproveitar bem todas as benesses e facilidades que o dinheiro proporciona, ele não fez diferente dos seus muitos colegas de profissão. Adquiriu bens caros, sofisticou o gosto e a aparência, desfrutou da companhia e dos chamegos de mulheres deslumbrantes, envolveu-se em polêmicas, descobriu-se pai incidental. Nesse ponto, Ronaldo foi igual a quase todos. Felizmente, ao contrário de alguns, salvou-se de enfiar o carrão numa árvore qualquer da Lagoa Rodrigo de Freitas ou deixar-se levar pelas mazelas do álcool. Neste ponto, com perdão do trocadilho, ponto para Ronaldo.
Trabalho não vai faltar a Ronaldo. Continuará a ser um dos galáticos do futebol mundial e um cobiçado aposentado aos 30 e poucos anos. Com um oceano de dinheiro para dar algum destino, não terá trégua, não escapará da fúria incansável e irascível dos infames paparazzi. Nem que queira, o mundo tosco das celebridades lhe deixará em paz. Certamente, saberá usar sua imagem em prol de si mesmo e angariará mais e mais riqueza. Como também flana pelo reino dos clichês, comandará uma fundação para ajudar crianças pobres. Seguirá o caminho de alguns de seus colegas que, envoltos em suas culpas, descobriram-se, digamos, socialmente sensíveis. Não fará nada mais de criativo, não escreverá um livro nem lerá poesia, pois a genialidade que a vida lhe deu, a própria vida acaba de lhe ceifar. Voltará ao plano dos mortais, mas tendo via memórias a deferência da eternidade. Não é pouca coisa para um jogador de futebol.
Em suma, a despedida de Ronaldo não deixa de ser um evento triste para quem gosta do bom futebol. Com ou sem a desclassificação da Libertadores, sabíamos que, muito breve, o "Fenômeno" seria obrigado a atender aos ditames de um físico debilitado. A bola, amiga íntima, já lhe era um fardo, uma estranha. A paciência dos corintianos explodira. E aí, em nome de uma paixão ensandecida, com baixíssima tolerância a derrotas e humilhações, nem supercraques como Ronaldo são (e devem ser) poupados da cobrança. Nesse aspecto, o coração de quem se entrega ao futebol é cruel e loucamente parcial. Não respeita história, glória, alegrias passadas. Ronaldo tinha tudo isso e se vai. A torcida não mais chora, renova a esperança de que venham outros "Ronaldos" em melhores condições. Essa é a lógica do futebol. Essa é a lógica da vida. Tudo passa. E a vida se renova. Ronaldo passa. Eu passo. Nós passamos. Sentimos muito, mas Ronaldo passou. Passava da hora. O futebol sem Ronaldo, por algum tempo, será menos belo. Por algum tempo.
Terra Magazine
Sávio Siqueira.
De Salvador (BA)
Está no ar e no mundo a notícia da aposentadoria do craque Ronaldo dos campos de futebol. Embora não soe como novidade, devido ao desempenho sofrível que o jogador vinha apresentando no Corinthians, não podemos deixar de lamentar a partida de um dos maiores ídolos da bola que o Brasil produziu. Depois de Pelé, não há no planeta outro brasileiro mais conhecido que Ronaldo, outrora Ronaldinho, até perder a alcunha para o xará Gaúcho. Ronaldo se vai e deixa uma lacuna enorme para aqueles que enxergam na sua trajetória um sucesso estrondoso, ainda que interrompida várias vezes por conta do verdadeiro calvário que as contusões o impuseram. É a esse calvário que Ronaldo hoje sucumbe de vez.
Há, como se sabe, profissões várias com prazo de validade curtíssimo, quase efêmero. Jogador de futebol, modelo, corredor de F-1, atletas em geral. Todos os anos, muitos deles ascendem e outros tantos se afastam dos espaços, pistas e arenas sem sequer nos darmos conta. No reino do futebol, o bravo Washington, ex-centroavante do atual campeão brasileiro Fluminense, foi um dos últimos. A comoção, claro, contagiou quem esteve com ele na despedida, mas nada que afetasse uma nação inteira. Guga parou, Romário, Joaquim Cruz, Oscar, Hortência, Popó. Todos pararam. A gente sentiu, é verdade, mas Ronaldo é Ronaldo. Em princípio, é difícil digerir a ideia de que não teremos mais um gênio como ele em campo, mesmo sabendo que, como o próprio jogador afirma, o corpo não mais atende aos comandos da mente. Ronaldo em campo era tudo o que se queria ver.
Lamentamos profundamente por esse dia, mas o que deve-se exaltar no momento é que Ronaldo, o menino pobre do subúrbio carioca, hoje um dos aposentados mais privilegiados do mundo, enquanto esteve em forma, foi brilhante e deu ao torcedor aquilo que mais se espera no futebol: a alegria de ver o seu time ganhar. Muita gente, apelando para o melodrama barato, argumenta que fomos injustos com Ronaldo agora na reta final, ao reclamarmos do seu excesso de peso e de sua apatia constante nos gramados. Acostumados que estávamos com um desempenho fora do comum, praticamente ninguém atentou para o detalhe de que, ao chegar ao Corinthians, sob grande celebração, estávamos praticamente fadados a conviver com um Ronaldo em pleno ocaso profissional, mas que, mesmo assim, ainda deu àquela torcida ultra-apaixonada dois títulos importantes em dois anos de contrato.
O Brasil não para de revelar talentos no futebol e em idade cada vez mais tenra. Da mesma forma que eles surgem, quase no nascedouro, e por conta da indústria que também engoliu o futebol, esses garotos são de imediato levados para os centros onde se investe pesadamente em treinamento e em planejamento profissional, e os transforma em valorizadas mercadorias no bazar global da bola. Muitos ficam milionários, outros, nem tanto. Mas quando já não têm aquilo que satisfaz o apetite das massas consumidoras (uma analogia com os gladiadores aqui não seria de todo absurda), eles começam a pensar no caminho de regresso. E aí nós, tupiniquins conformados, ficamos com as migalhas da repatriação tardia, já que parece ser esta a única fatia que passou a nos caber na lógica nefasta do capitalismo global na referida área. Não é à toa que praticamente todos os nossos grandes do futebol contemporâneo optam por dar os últimos suspiros de suas carreiras no Brasil. Degustado o filé, ficamos nós, os criadores, aqui com o chupa-molho que resta da criatura. Com Ronaldo não seria diferente.
Se o corpo de Ronaldo rendeu-se às lesões e demandou um sonoro "basta", temos que congratulá-lo por, aparentemente, ter mantido a mente sana ao longo dos seus quase vinte anos de futebol profissional e de assédio sem trégua. Não acredito que tenha havido jogador mais vigiado e noticiado que Ronaldo, principalmente no tocante à sua vida privada. Esperto em saber aproveitar bem todas as benesses e facilidades que o dinheiro proporciona, ele não fez diferente dos seus muitos colegas de profissão. Adquiriu bens caros, sofisticou o gosto e a aparência, desfrutou da companhia e dos chamegos de mulheres deslumbrantes, envolveu-se em polêmicas, descobriu-se pai incidental. Nesse ponto, Ronaldo foi igual a quase todos. Felizmente, ao contrário de alguns, salvou-se de enfiar o carrão numa árvore qualquer da Lagoa Rodrigo de Freitas ou deixar-se levar pelas mazelas do álcool. Neste ponto, com perdão do trocadilho, ponto para Ronaldo.
Trabalho não vai faltar a Ronaldo. Continuará a ser um dos galáticos do futebol mundial e um cobiçado aposentado aos 30 e poucos anos. Com um oceano de dinheiro para dar algum destino, não terá trégua, não escapará da fúria incansável e irascível dos infames paparazzi. Nem que queira, o mundo tosco das celebridades lhe deixará em paz. Certamente, saberá usar sua imagem em prol de si mesmo e angariará mais e mais riqueza. Como também flana pelo reino dos clichês, comandará uma fundação para ajudar crianças pobres. Seguirá o caminho de alguns de seus colegas que, envoltos em suas culpas, descobriram-se, digamos, socialmente sensíveis. Não fará nada mais de criativo, não escreverá um livro nem lerá poesia, pois a genialidade que a vida lhe deu, a própria vida acaba de lhe ceifar. Voltará ao plano dos mortais, mas tendo via memórias a deferência da eternidade. Não é pouca coisa para um jogador de futebol.
Em suma, a despedida de Ronaldo não deixa de ser um evento triste para quem gosta do bom futebol. Com ou sem a desclassificação da Libertadores, sabíamos que, muito breve, o "Fenômeno" seria obrigado a atender aos ditames de um físico debilitado. A bola, amiga íntima, já lhe era um fardo, uma estranha. A paciência dos corintianos explodira. E aí, em nome de uma paixão ensandecida, com baixíssima tolerância a derrotas e humilhações, nem supercraques como Ronaldo são (e devem ser) poupados da cobrança. Nesse aspecto, o coração de quem se entrega ao futebol é cruel e loucamente parcial. Não respeita história, glória, alegrias passadas. Ronaldo tinha tudo isso e se vai. A torcida não mais chora, renova a esperança de que venham outros "Ronaldos" em melhores condições. Essa é a lógica do futebol. Essa é a lógica da vida. Tudo passa. E a vida se renova. Ronaldo passa. Eu passo. Nós passamos. Sentimos muito, mas Ronaldo passou. Passava da hora. O futebol sem Ronaldo, por algum tempo, será menos belo. Por algum tempo.
Terra Magazine
POLÍTICA - "Não houve ameaça do Planalto ao PDT".
"Não houve ameaça do Planalto ao PDT", diz presidente
Dayanne Sousa.
O presidente interino do PDT, Manoel Dias, acredita que o partido não perde espaço na base aliada depois que nove de seus 26 deputados federais votaram contra a proposta do governo para o salário mínimo nesta quarta-feira (16).
"Não houve ameaça alguma", garante Dias, desfazendo a expectativa de que o partido perderia chances de conquistar cargos no segundo escalão do governo Dilma Rousseff. O nome do ex-senador Osmar Dias (PDT-PR) é cotado para a presidência da Eletrobrás.
O presidente licenciado do PDT, o ministro do Trabalho Carlos Lupi, defendeu o mínimo de R$ 545 ao mesmo tempo que o deputado Paulinho da Força (SP) se tornou o principal opositor, no diálogo com os sindicalistas. Para evitar danos a Lupi, a sigla acabou liberando sua bancada e não orientou o voto.
O plenário da Câmara rejeitou, por 376 votos a 106, a emenda que previa o valor de R$ 600; e por 361 votos a 120, a proposta de R$ 560. O Senado deve votar o novo salário mínimo na próxima quarta-feira (23).
"Essa foi apenas a primeira votação, vamos ter muitos embates ainda", diz Manoel Dias. Ele nega, ainda, que o posto de Lupi no ministério tenha sido ameaçado com a votação. "Isso é um exagero, parece até que o PDT é o partido mais importante do governo quando, na verdade, temos apenas uma pasta", reclama. "Nunca sofremos essa pressão, a presidente Dilma sabe da nossa postura".
Terra Magazine
Postado por Robério Soares/Terra Magazine.
Dayanne Sousa.
O presidente interino do PDT, Manoel Dias, acredita que o partido não perde espaço na base aliada depois que nove de seus 26 deputados federais votaram contra a proposta do governo para o salário mínimo nesta quarta-feira (16).
"Não houve ameaça alguma", garante Dias, desfazendo a expectativa de que o partido perderia chances de conquistar cargos no segundo escalão do governo Dilma Rousseff. O nome do ex-senador Osmar Dias (PDT-PR) é cotado para a presidência da Eletrobrás.
O presidente licenciado do PDT, o ministro do Trabalho Carlos Lupi, defendeu o mínimo de R$ 545 ao mesmo tempo que o deputado Paulinho da Força (SP) se tornou o principal opositor, no diálogo com os sindicalistas. Para evitar danos a Lupi, a sigla acabou liberando sua bancada e não orientou o voto.
O plenário da Câmara rejeitou, por 376 votos a 106, a emenda que previa o valor de R$ 600; e por 361 votos a 120, a proposta de R$ 560. O Senado deve votar o novo salário mínimo na próxima quarta-feira (23).
"Essa foi apenas a primeira votação, vamos ter muitos embates ainda", diz Manoel Dias. Ele nega, ainda, que o posto de Lupi no ministério tenha sido ameaçado com a votação. "Isso é um exagero, parece até que o PDT é o partido mais importante do governo quando, na verdade, temos apenas uma pasta", reclama. "Nunca sofremos essa pressão, a presidente Dilma sabe da nossa postura".
Terra Magazine
Postado por Robério Soares/Terra Magazine.
POLÍTICA - Serra divide cada vez mais o PSDB.
Serra insiste em presidir o PSDB, para ser novamente presidenciável. Com isso, divide cada vez mais o partido. Desse jeito, o PT ficará no poder eternamente.
Carlos Newton
Nos bastidores do jogo de xadrez pela disputa do poder, a presidência do PSDB tornou-se uma peça importante, uma espécie de rainha que se mexe para lá e para cá. O senador paulista Aloysio Nunes Ferreira, além de defender a eleição do ex-governador José Serra para comandar o partido, apressa-se em afirmar que “não há candidatura natural à Presidência da República”, referindo-se expressamente a Aécio Neves.
O novo senador paulista alega que a candidatura presidencial precisa ser construída. “Têm muitos nomes que podem vir a ser. Alckmin, acho eu, o próprio Serra”, diz Nunes Ferreira que prefere Serra presidindo o PSDB justamente para garantir e alavancar a candidatura do ex-governador à sucessão de Dilma Rousseff.
Nunes Ferreira vai além e faz críticas à coleta de assinaturas para reconduzir Sérgio Guerra à presidência da sigla, promovida no início do mês durante a eleição para líder do PSDB na Câmara. “É um método odioso para qualquer tipo de indicação partidária, ainda mais para o presidente nacional do partido.”
O novo senador tucano nem percebe que está fazendo o jogo do PT, que torce por uma nova candidatura de José Serra a presidente, na sucessão de Dilma Rousseff. Não faltam motivos: Serra é antipático, não tem carisma e já está passando da idade. Alckmin é mais novo, mas também antipático e sem carisma. Sobra apenas Aécio, que é jovem (50 anos), simpático e com algum carisma. Essa realidade, só a cúpula do PSDB não consegue enxergar. Se Aécio tivesse sido candidato contra Dilma, o resultado seria imprevisível.
Mas os tucanos insistem em fazer o jogo do PT. Ao invés de ser unirem logo em torno da liderança de Aécio e partir para cima, ficam se bicando e se hostilizando. Com isso, a realidade é que hoje não existe oposição no Congresso. Embora a eleição tenha sido decidida apenas no segundo turno e Serra tenha alcançado 44% dos votos (um total nada desprezível), o país vive praticamente em clima de partido único, é como se não houvesse oposição. Uma situação paradoxal, pois existem 27 partidos em funcionamento e mais dois em processo de formação.
Essa situação de partido único ou de inexistência de oposição é fruto do fenômeno Lula e da falta de lideranças expressivas nos partidos de oposição: PSDB, DEM e PPS. A oposição está fraca e vacilante, porque perdeu no Senado algumas de suas principais figuras – Arthur Virgilio (PSDB-AM), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Mão Santa (PMDB-PI) e Heráclito Fortes (DEM-PI). Hoje está restrita à liderança isolada do senador José Agripino Maia (DEM-RN), com reforço de Aluizio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG) e Roberto Requião (PMDB-PR), que certamente não vai aderir ao governo e terá atuação independente, ao seu estilo.
E a grande dúvida no Congresso é o senador Aécio Neves, que nunca esteve na oposição. Como vai se sair nesse novo papel? É importante saber, porque sua carreira depende disso. Ele está de volta ao Congresso na brutal expectativa de ser um dos líderes da bancada da oposição (PSDB-DEM e PPS), caso realmente deseje disputar a Presidência em 2014.
Mas participar de uma bancada de oposição é atividade nova para Aécio Neves. Em sua carreira política de mais de 25 anos, jamais foi realmente oposicionista. Depois de sua experiência como secretário do avô, Tancredo Neves, no governo de Minas Gerais, elegeu-se deputado constituinte em 1986 pelo PMDB, durante o governo Sarney, que também era do PMDB. Quando o PSDB foi criado, em 1988, Aécio foi um dos fundadores. Mas, como o novo partido surgiu de uma dissidência do PMDB, nunca fez oposição de verdade ao governo Sarney.
No segundo mandato de deputado (1991/95), Aécio nem teve tempo de se fazer oposição ao presidente Fernando Collor, porque estava mais preocupado em concorrer às eleições para prefeito de Belo Horizonte em 1992, que perdeu para o petista Patrus Ananias.
Em seu terceiro mandato (1994/98) como deputado federal, o PSDB já estava no poder com FHC e Aécio foi eleito presidente do PSDB mineiro. Em 1997, tornou-se líder do partido na Câmara. E nas eleições de 1998, quando FHC se reelegeu, foi o deputado do PSDB mais votado no país.
Sempre na situação, em fevereiro de 2001, tornou-se presidente da Câmara, ainda no governo FHC. E em 2002 se elegeu governador de Minas, mantendo a partir daí uma cordialíssima relação como o presidente Lula. O PSDB estava na oposição, mas Aécio, não.
Como se vê, falta a Aécio Neves a chamada “embocadura” de oposicionista, nunca fez esse tipo de política. Agora, vai ter que se virar para conseguir um desempenho à altura do que considerável parcela da opinião pública brasileira espera dele. Como costuma dizer o ex-deputado e ex-vice-governador Roberto D’Ávila, “é importante haver alternância no poder, mas também é fundamental que exista uma oposição forte, para que a democracia caminhe a contento”.
Em matéria de oposição, até agora o país está muito mal representado no Congresso. Vamos ver como Aécio Neves se sairá no Senado. Quanto à Câmara Federal, já dissemos aqui no blog que, parodiando Oswaldo Aranha, é um deserto de homens e ideias.
Fonte: Tribuna da Imprensa online.
Carlos Newton
Nos bastidores do jogo de xadrez pela disputa do poder, a presidência do PSDB tornou-se uma peça importante, uma espécie de rainha que se mexe para lá e para cá. O senador paulista Aloysio Nunes Ferreira, além de defender a eleição do ex-governador José Serra para comandar o partido, apressa-se em afirmar que “não há candidatura natural à Presidência da República”, referindo-se expressamente a Aécio Neves.
O novo senador paulista alega que a candidatura presidencial precisa ser construída. “Têm muitos nomes que podem vir a ser. Alckmin, acho eu, o próprio Serra”, diz Nunes Ferreira que prefere Serra presidindo o PSDB justamente para garantir e alavancar a candidatura do ex-governador à sucessão de Dilma Rousseff.
Nunes Ferreira vai além e faz críticas à coleta de assinaturas para reconduzir Sérgio Guerra à presidência da sigla, promovida no início do mês durante a eleição para líder do PSDB na Câmara. “É um método odioso para qualquer tipo de indicação partidária, ainda mais para o presidente nacional do partido.”
O novo senador tucano nem percebe que está fazendo o jogo do PT, que torce por uma nova candidatura de José Serra a presidente, na sucessão de Dilma Rousseff. Não faltam motivos: Serra é antipático, não tem carisma e já está passando da idade. Alckmin é mais novo, mas também antipático e sem carisma. Sobra apenas Aécio, que é jovem (50 anos), simpático e com algum carisma. Essa realidade, só a cúpula do PSDB não consegue enxergar. Se Aécio tivesse sido candidato contra Dilma, o resultado seria imprevisível.
Mas os tucanos insistem em fazer o jogo do PT. Ao invés de ser unirem logo em torno da liderança de Aécio e partir para cima, ficam se bicando e se hostilizando. Com isso, a realidade é que hoje não existe oposição no Congresso. Embora a eleição tenha sido decidida apenas no segundo turno e Serra tenha alcançado 44% dos votos (um total nada desprezível), o país vive praticamente em clima de partido único, é como se não houvesse oposição. Uma situação paradoxal, pois existem 27 partidos em funcionamento e mais dois em processo de formação.
Essa situação de partido único ou de inexistência de oposição é fruto do fenômeno Lula e da falta de lideranças expressivas nos partidos de oposição: PSDB, DEM e PPS. A oposição está fraca e vacilante, porque perdeu no Senado algumas de suas principais figuras – Arthur Virgilio (PSDB-AM), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Mão Santa (PMDB-PI) e Heráclito Fortes (DEM-PI). Hoje está restrita à liderança isolada do senador José Agripino Maia (DEM-RN), com reforço de Aluizio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG) e Roberto Requião (PMDB-PR), que certamente não vai aderir ao governo e terá atuação independente, ao seu estilo.
E a grande dúvida no Congresso é o senador Aécio Neves, que nunca esteve na oposição. Como vai se sair nesse novo papel? É importante saber, porque sua carreira depende disso. Ele está de volta ao Congresso na brutal expectativa de ser um dos líderes da bancada da oposição (PSDB-DEM e PPS), caso realmente deseje disputar a Presidência em 2014.
Mas participar de uma bancada de oposição é atividade nova para Aécio Neves. Em sua carreira política de mais de 25 anos, jamais foi realmente oposicionista. Depois de sua experiência como secretário do avô, Tancredo Neves, no governo de Minas Gerais, elegeu-se deputado constituinte em 1986 pelo PMDB, durante o governo Sarney, que também era do PMDB. Quando o PSDB foi criado, em 1988, Aécio foi um dos fundadores. Mas, como o novo partido surgiu de uma dissidência do PMDB, nunca fez oposição de verdade ao governo Sarney.
No segundo mandato de deputado (1991/95), Aécio nem teve tempo de se fazer oposição ao presidente Fernando Collor, porque estava mais preocupado em concorrer às eleições para prefeito de Belo Horizonte em 1992, que perdeu para o petista Patrus Ananias.
Em seu terceiro mandato (1994/98) como deputado federal, o PSDB já estava no poder com FHC e Aécio foi eleito presidente do PSDB mineiro. Em 1997, tornou-se líder do partido na Câmara. E nas eleições de 1998, quando FHC se reelegeu, foi o deputado do PSDB mais votado no país.
Sempre na situação, em fevereiro de 2001, tornou-se presidente da Câmara, ainda no governo FHC. E em 2002 se elegeu governador de Minas, mantendo a partir daí uma cordialíssima relação como o presidente Lula. O PSDB estava na oposição, mas Aécio, não.
Como se vê, falta a Aécio Neves a chamada “embocadura” de oposicionista, nunca fez esse tipo de política. Agora, vai ter que se virar para conseguir um desempenho à altura do que considerável parcela da opinião pública brasileira espera dele. Como costuma dizer o ex-deputado e ex-vice-governador Roberto D’Ávila, “é importante haver alternância no poder, mas também é fundamental que exista uma oposição forte, para que a democracia caminhe a contento”.
Em matéria de oposição, até agora o país está muito mal representado no Congresso. Vamos ver como Aécio Neves se sairá no Senado. Quanto à Câmara Federal, já dissemos aqui no blog que, parodiando Oswaldo Aranha, é um deserto de homens e ideias.
Fonte: Tribuna da Imprensa online.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
POLÍTICA - Lei para o mínimo vale para políticos?
Balaio do Kotscho
361 X 120: mais do que uma importante vitória sobre a oposição, ao mostrar a unidade dos aliados para aprovar na Câmara o novo salário mínimo de R$ 545, por larga margem de votos, na noite de quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff conseguiu desmontar até o final do seu mandato o circo armado com data marcada em todos os governos.
Assim como o Natal, o Ano Novo, as enchentes de verão e o Carnaval, em todo começo de ano entra no ar a novela do “novo salário mínimo”, mobilizando os partidos de oposição e as centrais sindicais para arrancar o maior valor possível de quem está no poder para agradar às suas bases, mesmo conhecendo as limitações orçamentárias do governo de plantão.
É sempre o mesmo roteiro, não importa quem esteja no governo ou na oposição: partidos e centrais sindicais mobilizam seus militantes para ocupar a praça do Congresso, os corredores e as galerias, com militantes uniformizados armados de placas e bandeiras em que reivindicam muito mais do que é proposto.
Claro que todo governante quer oferecer o máximo possível, mas em campanhas eleitorais ou assembléias salariais, quem não tem a responsabilidade de pagar pode oferecer quanto quiser.
Todo mundo conhece este teatro que se repete a cada ano. Desta vez, porém, a indignação popular foi maior exatamente pelo contraste entre os aumentos dos próprios parlamentares _ 62% aprovados em apenas dez minutos, elevando os salários para mais de R$ 24 mil _ e os R$ 35 de reajuste dados ao salário mínimo depois de semanas de discussão.
O abismo entre uma realidade e outra dentro do mesmo país é chocante. Junto com o mínimo, Dilma conseguiu aprovar uma nova lei estabelecendo que até 2015 os reajustes serão automáticos, sem passar pela votação no Congresso, com base na inflação do ano anterior mais o crescimento do PIB de dois anos atrás.
Por que então não aproveitam e aprovam outra lei estabelecendo o mesmo critério do mínimo para reajustar daqui para frente os salários de todas as excelências, da Presidência da República às Câmaras de Vereadores?
O que dói mais na alma de quem trabalha é saber que o país só tem condições de pagar R$ 545 por mês de salário mínimo e, ao mesmo tempo, paga alguns dos maiores salários do mundo para os seus políticos, incluindo os aposentados.
Claro que os líderes sindicais e os dos partidos de oposição que se uniram para defender um mínimo maior, armando o circo em Brasília, não vão aprovar esta sugestão, nem estão preocupados com isso.
O próprio governo de Dilma Rousseff e seus aliados, no entanto, poderiam aproveitar a vitória de terça-feira para tomar a iniciativa de propor esta equiparação de critérios para os aumentos salariais de quem vota e de quem é votado.
Seria uma verdadeira revolução nos costumes políticos brasileiros.
361 X 120: mais do que uma importante vitória sobre a oposição, ao mostrar a unidade dos aliados para aprovar na Câmara o novo salário mínimo de R$ 545, por larga margem de votos, na noite de quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff conseguiu desmontar até o final do seu mandato o circo armado com data marcada em todos os governos.
Assim como o Natal, o Ano Novo, as enchentes de verão e o Carnaval, em todo começo de ano entra no ar a novela do “novo salário mínimo”, mobilizando os partidos de oposição e as centrais sindicais para arrancar o maior valor possível de quem está no poder para agradar às suas bases, mesmo conhecendo as limitações orçamentárias do governo de plantão.
É sempre o mesmo roteiro, não importa quem esteja no governo ou na oposição: partidos e centrais sindicais mobilizam seus militantes para ocupar a praça do Congresso, os corredores e as galerias, com militantes uniformizados armados de placas e bandeiras em que reivindicam muito mais do que é proposto.
Claro que todo governante quer oferecer o máximo possível, mas em campanhas eleitorais ou assembléias salariais, quem não tem a responsabilidade de pagar pode oferecer quanto quiser.
Todo mundo conhece este teatro que se repete a cada ano. Desta vez, porém, a indignação popular foi maior exatamente pelo contraste entre os aumentos dos próprios parlamentares _ 62% aprovados em apenas dez minutos, elevando os salários para mais de R$ 24 mil _ e os R$ 35 de reajuste dados ao salário mínimo depois de semanas de discussão.
O abismo entre uma realidade e outra dentro do mesmo país é chocante. Junto com o mínimo, Dilma conseguiu aprovar uma nova lei estabelecendo que até 2015 os reajustes serão automáticos, sem passar pela votação no Congresso, com base na inflação do ano anterior mais o crescimento do PIB de dois anos atrás.
Por que então não aproveitam e aprovam outra lei estabelecendo o mesmo critério do mínimo para reajustar daqui para frente os salários de todas as excelências, da Presidência da República às Câmaras de Vereadores?
O que dói mais na alma de quem trabalha é saber que o país só tem condições de pagar R$ 545 por mês de salário mínimo e, ao mesmo tempo, paga alguns dos maiores salários do mundo para os seus políticos, incluindo os aposentados.
Claro que os líderes sindicais e os dos partidos de oposição que se uniram para defender um mínimo maior, armando o circo em Brasília, não vão aprovar esta sugestão, nem estão preocupados com isso.
O próprio governo de Dilma Rousseff e seus aliados, no entanto, poderiam aproveitar a vitória de terça-feira para tomar a iniciativa de propor esta equiparação de critérios para os aumentos salariais de quem vota e de quem é votado.
Seria uma verdadeira revolução nos costumes políticos brasileiros.
POLÍTICA - Serra caiu no conto dos mineiros.
Blog de luisnassif
Por Fernando Augusto Botelho - RJ
*do Blog do Lucas Figueiredo
José Serra não aprende. Não bastasse o isolamento numa fatia grande do PSDB, operação armada pelo senador Aécio Neves, seu colega-adversário, Serra caiu numa armadilha montada por Itamar Franco (PPS-MG), senador redivivo na última eleição justamente pelas mãos de Aécio.
Nos últimos dias, Itamar, o imprevisível, saiu pelos corredores e pelo plenário do Senado a defender a convocação de Serra à Casa. Itamar advogava que Serra deveria ser chamado para defender publicamente a proposta que apresentara na campanha presidencial de elevar o salário mínimo a R$ 600 ainda neste ano. O objetivo de Itamar, segundo o próprio, seria ampliar o debate sobre o tema, até então dominado pela proposta do governo, de R$ 545. Muito bom, muito bem, não fosse o fato de que, até a eleição de 2010, quando ao menos tecnicamente estiveram no mesmo lado, Itamar alimentou por Serra um desprezo colossal. (Nesse caso, não valia a máxima de que mineiro não briga, mas também não perdoa, já que um dos esportes preferidos de Itamar sempre foi falar mal de Serra.) Noves fora os desentendimentos do passado, o certo é que, do Senado, Itamar lançava um tapete vermelho na direção de Serra – e o gestou encontrou ressonância. Dando gás ao plano, o jornal Estado de Minas, porta-voz dos interesses de Aécio, replicou o convite: “Itamar quer convocar Serra para explicar mínimo de R$ 600”.
Parecia armadilha – e era. Mas Serra pagou para ver.
Ontem, Serra foi a Brasília. Não falou no Senado, mas em reunião com deputados e senadores tucanos, o candidato derrotado à Presidência defendeu o salário mínimo de R$ 600. “É factível”, disse ele. No mesmo dia, o governador de São Paulo, o também tucano Geraldo Alckmin, anunciou que o valor do salário mínimo no Estado será de R$ 600. Por algumas horas, alguns jornalistas, eu inclusive, enxergamos na fala sincronizada de Serra e Alckmin uma inusitada harmonia no ninho tucano. Cheguei a postar no twitter (@_lucasfigueired) que Itamar tinha servido de escada para Serra. Qual o quê. Em Minas, nada é o que parece.
Leio hoje na coluna Painel da Folha de S.Paulo, usada por Aécio para mandar recados, a seguinte nota:
“Água e óleo – Até o salário mínimo divide José Serra e Aécio Neves. Enquanto o primeiro foi a Brasília tentar convencer a bancada tucana a abraçar os R$ 600 defendidos por ele na campanha, aecistas argumentaram que a oposição soará oportunista se bater o pé por esse valor, especialmente se as centrais sindicais aceitarem algo mais modesto, como tudo indica que irá acontecer.”
Não foi a única lambada que Serra levou. Ontem, o Estado de Minas – o mesmo que noticiara com destaque o inusitado interesse de Itamar em convocar Serra ao Senado – noticiou na capa: “Serra defende R$ 600, mas prefeitos tucanos refutam”.
Buscando a luz, fugindo do fracasso da eleição e da perseguição de seus pares tucanos, Serra acreditou que ia se dar bem com o aceno de Itamar. Não sabia ele que Minas é a Calábria do Brasil.
http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/blog/2011/02/16/serra-caiu-no-conto-dos-mineiros/
Por Fernando Augusto Botelho - RJ
*do Blog do Lucas Figueiredo
José Serra não aprende. Não bastasse o isolamento numa fatia grande do PSDB, operação armada pelo senador Aécio Neves, seu colega-adversário, Serra caiu numa armadilha montada por Itamar Franco (PPS-MG), senador redivivo na última eleição justamente pelas mãos de Aécio.
Nos últimos dias, Itamar, o imprevisível, saiu pelos corredores e pelo plenário do Senado a defender a convocação de Serra à Casa. Itamar advogava que Serra deveria ser chamado para defender publicamente a proposta que apresentara na campanha presidencial de elevar o salário mínimo a R$ 600 ainda neste ano. O objetivo de Itamar, segundo o próprio, seria ampliar o debate sobre o tema, até então dominado pela proposta do governo, de R$ 545. Muito bom, muito bem, não fosse o fato de que, até a eleição de 2010, quando ao menos tecnicamente estiveram no mesmo lado, Itamar alimentou por Serra um desprezo colossal. (Nesse caso, não valia a máxima de que mineiro não briga, mas também não perdoa, já que um dos esportes preferidos de Itamar sempre foi falar mal de Serra.) Noves fora os desentendimentos do passado, o certo é que, do Senado, Itamar lançava um tapete vermelho na direção de Serra – e o gestou encontrou ressonância. Dando gás ao plano, o jornal Estado de Minas, porta-voz dos interesses de Aécio, replicou o convite: “Itamar quer convocar Serra para explicar mínimo de R$ 600”.
Parecia armadilha – e era. Mas Serra pagou para ver.
Ontem, Serra foi a Brasília. Não falou no Senado, mas em reunião com deputados e senadores tucanos, o candidato derrotado à Presidência defendeu o salário mínimo de R$ 600. “É factível”, disse ele. No mesmo dia, o governador de São Paulo, o também tucano Geraldo Alckmin, anunciou que o valor do salário mínimo no Estado será de R$ 600. Por algumas horas, alguns jornalistas, eu inclusive, enxergamos na fala sincronizada de Serra e Alckmin uma inusitada harmonia no ninho tucano. Cheguei a postar no twitter (@_lucasfigueired) que Itamar tinha servido de escada para Serra. Qual o quê. Em Minas, nada é o que parece.
Leio hoje na coluna Painel da Folha de S.Paulo, usada por Aécio para mandar recados, a seguinte nota:
“Água e óleo – Até o salário mínimo divide José Serra e Aécio Neves. Enquanto o primeiro foi a Brasília tentar convencer a bancada tucana a abraçar os R$ 600 defendidos por ele na campanha, aecistas argumentaram que a oposição soará oportunista se bater o pé por esse valor, especialmente se as centrais sindicais aceitarem algo mais modesto, como tudo indica que irá acontecer.”
Não foi a única lambada que Serra levou. Ontem, o Estado de Minas – o mesmo que noticiara com destaque o inusitado interesse de Itamar em convocar Serra ao Senado – noticiou na capa: “Serra defende R$ 600, mas prefeitos tucanos refutam”.
Buscando a luz, fugindo do fracasso da eleição e da perseguição de seus pares tucanos, Serra acreditou que ia se dar bem com o aceno de Itamar. Não sabia ele que Minas é a Calábria do Brasil.
http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/blog/2011/02/16/serra-caiu-no-conto-dos-mineiros/
CUBA - "Estados Unidos estão "manchados de sangue"
Estados Unidos estão "manchados de sangue", diz Fidel Castro.
O líder da revolução cubana, Fidel Castro, afirmou, nesta quarta-feira (16), que os Estados Unidos estão literalmente "manchados de sangue" por causa dos crimes cometidos contra os povos, em espcial, pelos assassinatos de cientistas iranianos e por sua participação nos conflitos do Afeganistão e do Paquistão.
Em uma reunião com intelectuais participantes da 20ª Feira Internacional do Livro de Havana, que foi transmitida pela televisão estatal, ele questionou se o presidente norte-americano, Barack Obama, tinha conhecimento prévio do crime que Israel perpetraria contra cientistas iranianos.
•Fidel a intelectuais: É preciso começar já a salvar a humanidade
Segundo Fidel, "quando falamos de sangue derramado, eles (os Estados Unidos) estão manchados de uma forma real, e não simbólica. É real e eles já não dissimulam, nem negam".
O ex-presidente afirmou que os serviços de inteligência, em especial, a CIA, tinham conhecimento sobre - e até autorizaram - os ataques realizados pelos aviões não tripulados que fizeram incursões nos territórios do Paquistão e do Afeganistão, deixando vários mortos.
Segundo ele, "valeria a pena" se o presidente norte-americano, Barack Obama, explicasse "não só o que sabe sobre a origem dos milhões de dólares que acumulava [Hosni] Mubarak, mas também o que sabe sobre os assassinatos dos cientistas iranianos, que não eram nem soldados".
A respeito do atentado contra a congressista norte-americana Gabrielle Giffords, baleada no mês passado, Fidel disse que esse foi o resultado "da política fascista imposta no país, onde a maioria é a favor do porte de armas". O cubano condenou a incapacidade do governo estadunidense de controlar essa prática.
Respondendo a perguntas dos participantes, Fidel também criticou organismos internacionais, como as Nações Unidas, que classificou como uma "fraude" imposta e controlada pelos EUA. Segundo ele, quando um indivíduo à frente desse órgão não responde aos interesses norte-americanos, é logo retirado do posto.
Fidel lembrou que as últimas votações realizadas na ONU sobre o bloqueio econômico, comercial e financeiro que os EUA promovem contra Cuba condenaram a existência desse cerco e, apesar disso, Washington não toma nenhuma iniciativa em respeito à demanda dos demais países.
"Para mim, tem valor a posição dos governos, a valentia que é necessária para isso. Os da Europa dão vinte explicações de voto antes de se opor ao bloqueio", disse. Segundo ele, os Estados Unidos não se importam com o fato de, há 20 anos, todos condenarem essa política contra a ilha.
De acordo com ele, de nada serve um organismo que" nem sequer pode dizer que é ilegal e genocida o que fazem os Estados Unidos, quando o país que mais produz alimentos e está mais próximo de Cuba põe tantas travas ao comércio com a ilha".
Para Fidel, a consolidação do processo revolucionário na Venezuela é decisiva para todo o continente. "O mais importante, nesse momento, é que esse processo tenha êxito", disse. Durante a conversa com os intelectuais, ele defendeu que mundo todo deveria atuar como uma grande "família", já que "não existe outro planeta para o qual mudar-se.
“Creio que deveríamos nos comportar como uma família e compartilhar o que temos: uns têm petróleo, outros alimentos, outros médicos... Por que não podemos considerar o mundo como a sede de uma só família humana?", questionou
Fidel também falou de Cuba, de sua história, resistência, da capacidade que seu povo tem de enfrentar as agressões e de debater os temas importantes abertamente, quando necessário. O ex-presidente disse considerar necessário "explicar bem" à população cubana o plano de ajustes econômicos empreendido na ilha. E mantê-la informada sobre os tempos difíceis que são vividos no mundo inteiro.
"Já foram publicados as diretrizes econômicas e sociais (o projeto de reformas na ilha), agora temos que complementar isso e explicar bem, especialmente o tema da agricultura". Esta foi a breve referência de Fidel Castro ao assunto interno. A alusão acontece a apenas dois meses do 6º Congresso do Partido Comunista, que ratificará a atualização econômica impulsionada por seu irmão, o presidente Raúl Castro.
O encontro com escritores cubanos e estrangeiros foi a primeira aparição pública de Fidel Castro este ano. Na conversa, ele destacou o trabalho de muitos intelectuais, alguns deles prêmios Nobel, que realizaram esforços a favor da imediata libertação dos cinco antiterroristas cubanos presos injustamente há 12 anos nos Estados Unidos.
Com agências
O líder da revolução cubana, Fidel Castro, afirmou, nesta quarta-feira (16), que os Estados Unidos estão literalmente "manchados de sangue" por causa dos crimes cometidos contra os povos, em espcial, pelos assassinatos de cientistas iranianos e por sua participação nos conflitos do Afeganistão e do Paquistão.
Em uma reunião com intelectuais participantes da 20ª Feira Internacional do Livro de Havana, que foi transmitida pela televisão estatal, ele questionou se o presidente norte-americano, Barack Obama, tinha conhecimento prévio do crime que Israel perpetraria contra cientistas iranianos.
•Fidel a intelectuais: É preciso começar já a salvar a humanidade
Segundo Fidel, "quando falamos de sangue derramado, eles (os Estados Unidos) estão manchados de uma forma real, e não simbólica. É real e eles já não dissimulam, nem negam".
O ex-presidente afirmou que os serviços de inteligência, em especial, a CIA, tinham conhecimento sobre - e até autorizaram - os ataques realizados pelos aviões não tripulados que fizeram incursões nos territórios do Paquistão e do Afeganistão, deixando vários mortos.
Segundo ele, "valeria a pena" se o presidente norte-americano, Barack Obama, explicasse "não só o que sabe sobre a origem dos milhões de dólares que acumulava [Hosni] Mubarak, mas também o que sabe sobre os assassinatos dos cientistas iranianos, que não eram nem soldados".
A respeito do atentado contra a congressista norte-americana Gabrielle Giffords, baleada no mês passado, Fidel disse que esse foi o resultado "da política fascista imposta no país, onde a maioria é a favor do porte de armas". O cubano condenou a incapacidade do governo estadunidense de controlar essa prática.
Respondendo a perguntas dos participantes, Fidel também criticou organismos internacionais, como as Nações Unidas, que classificou como uma "fraude" imposta e controlada pelos EUA. Segundo ele, quando um indivíduo à frente desse órgão não responde aos interesses norte-americanos, é logo retirado do posto.
Fidel lembrou que as últimas votações realizadas na ONU sobre o bloqueio econômico, comercial e financeiro que os EUA promovem contra Cuba condenaram a existência desse cerco e, apesar disso, Washington não toma nenhuma iniciativa em respeito à demanda dos demais países.
"Para mim, tem valor a posição dos governos, a valentia que é necessária para isso. Os da Europa dão vinte explicações de voto antes de se opor ao bloqueio", disse. Segundo ele, os Estados Unidos não se importam com o fato de, há 20 anos, todos condenarem essa política contra a ilha.
De acordo com ele, de nada serve um organismo que" nem sequer pode dizer que é ilegal e genocida o que fazem os Estados Unidos, quando o país que mais produz alimentos e está mais próximo de Cuba põe tantas travas ao comércio com a ilha".
Para Fidel, a consolidação do processo revolucionário na Venezuela é decisiva para todo o continente. "O mais importante, nesse momento, é que esse processo tenha êxito", disse. Durante a conversa com os intelectuais, ele defendeu que mundo todo deveria atuar como uma grande "família", já que "não existe outro planeta para o qual mudar-se.
“Creio que deveríamos nos comportar como uma família e compartilhar o que temos: uns têm petróleo, outros alimentos, outros médicos... Por que não podemos considerar o mundo como a sede de uma só família humana?", questionou
Fidel também falou de Cuba, de sua história, resistência, da capacidade que seu povo tem de enfrentar as agressões e de debater os temas importantes abertamente, quando necessário. O ex-presidente disse considerar necessário "explicar bem" à população cubana o plano de ajustes econômicos empreendido na ilha. E mantê-la informada sobre os tempos difíceis que são vividos no mundo inteiro.
"Já foram publicados as diretrizes econômicas e sociais (o projeto de reformas na ilha), agora temos que complementar isso e explicar bem, especialmente o tema da agricultura". Esta foi a breve referência de Fidel Castro ao assunto interno. A alusão acontece a apenas dois meses do 6º Congresso do Partido Comunista, que ratificará a atualização econômica impulsionada por seu irmão, o presidente Raúl Castro.
O encontro com escritores cubanos e estrangeiros foi a primeira aparição pública de Fidel Castro este ano. Na conversa, ele destacou o trabalho de muitos intelectuais, alguns deles prêmios Nobel, que realizaram esforços a favor da imediata libertação dos cinco antiterroristas cubanos presos injustamente há 12 anos nos Estados Unidos.
Com agências
POLÍTICA - O caso Paulo "Preto".
PHA: o caso Paulo Preto e o que os tucanos têm de melhor.
Segundo a revista IstoÉ, Eduardo Jorge disse que Paulo Preto sumiu com R$ 4 milhões da campanha do Cerra (José Serra) à Presidência. Paulo Preto moveu uma ação contra Eduardo Jorge por “crime contra a honra”. Eduardo Jorge nega que tenha dito tal coisa. Paulo Preto disse que disse.
Por Paulo Henrique Amorim, no blog Conversa Afiada.
Eduardo Jorge é aquele que sentava ao lado do presidente Fernando Henrique no Palácio do Planalto e gastava boa parte do tempo em telefonemas ao Juiz Lalau, o do fatídico prédio. Eduardo Jorge é especialista em sigilos. O suposto vazamento de seu suposto sigilo supostamente fiscal — diria a Folha — foi tema da campanha de Cerra à presidência em 2010. Outro, como se sabe, foi o aborto (embora no Chile, tudo bem). Outro foi aquele cano que ia de Sergipe ao Ceará.
“Souza (Paulo Preto) disse que concedeu entrevista à IstoÉ e que suas declarações ‘foram rigorosamente mantidas, sem nenhuma distorção. As declarações (de Eduardo Jorge) são verdadeiras.” Está no Estadão, pág. A10.
Trata-se, como se vê, de uma descrição das vísceras – ou das ferragens do PSDB. Paulo Preto, ou Paulo Afro-descendente, segundo o jenio do Cerra, participou ativamente da construção do Robanel dos Tunganos, na jestão do jenio. Eduardo Jorge é vice-presidente do PSDB nacional.
Saiu na Folha Online:
PSDB arquiva pedido para não reavivar caso Paulo Preto
Com medo de reavivar o caso Paulo Preto, o PSDB de São Paulo arquivará o pedido do deputado João Caramez para que o conselho de ética investigue o tesoureiro-adjunto Evandro Losacco, informa o “Painel” da Folha, editado por Renata Lo Prete.
Declarações atribuídas a ele pela revista IstoÉ apontam suposto caixa dois em campanhas envolvendo o ex-dirigente da Dersa.
O comando da sigla espera justificativa redigida por Losacco, recém-nomeado à direção da EMTU, para sepultar a apuração.
“A gente deveria aprender o 11º mandamento do Serra. Tucano não pode bicar tucano”, resume o secretário-geral, César Gontijo, em referência a pedido feito pelo ex-governador.
Os tucanos de São Paulo se esqueceram de avisar à Polícia e ao Ministério Público. O senador Aloysio 300 mil ainda não pode dormir em paz.
Segundo a revista IstoÉ, Eduardo Jorge disse que Paulo Preto sumiu com R$ 4 milhões da campanha do Cerra (José Serra) à Presidência. Paulo Preto moveu uma ação contra Eduardo Jorge por “crime contra a honra”. Eduardo Jorge nega que tenha dito tal coisa. Paulo Preto disse que disse.
Por Paulo Henrique Amorim, no blog Conversa Afiada.
Eduardo Jorge é aquele que sentava ao lado do presidente Fernando Henrique no Palácio do Planalto e gastava boa parte do tempo em telefonemas ao Juiz Lalau, o do fatídico prédio. Eduardo Jorge é especialista em sigilos. O suposto vazamento de seu suposto sigilo supostamente fiscal — diria a Folha — foi tema da campanha de Cerra à presidência em 2010. Outro, como se sabe, foi o aborto (embora no Chile, tudo bem). Outro foi aquele cano que ia de Sergipe ao Ceará.
“Souza (Paulo Preto) disse que concedeu entrevista à IstoÉ e que suas declarações ‘foram rigorosamente mantidas, sem nenhuma distorção. As declarações (de Eduardo Jorge) são verdadeiras.” Está no Estadão, pág. A10.
Trata-se, como se vê, de uma descrição das vísceras – ou das ferragens do PSDB. Paulo Preto, ou Paulo Afro-descendente, segundo o jenio do Cerra, participou ativamente da construção do Robanel dos Tunganos, na jestão do jenio. Eduardo Jorge é vice-presidente do PSDB nacional.
Saiu na Folha Online:
PSDB arquiva pedido para não reavivar caso Paulo Preto
Com medo de reavivar o caso Paulo Preto, o PSDB de São Paulo arquivará o pedido do deputado João Caramez para que o conselho de ética investigue o tesoureiro-adjunto Evandro Losacco, informa o “Painel” da Folha, editado por Renata Lo Prete.
Declarações atribuídas a ele pela revista IstoÉ apontam suposto caixa dois em campanhas envolvendo o ex-dirigente da Dersa.
O comando da sigla espera justificativa redigida por Losacco, recém-nomeado à direção da EMTU, para sepultar a apuração.
“A gente deveria aprender o 11º mandamento do Serra. Tucano não pode bicar tucano”, resume o secretário-geral, César Gontijo, em referência a pedido feito pelo ex-governador.
Os tucanos de São Paulo se esqueceram de avisar à Polícia e ao Ministério Público. O senador Aloysio 300 mil ainda não pode dormir em paz.
POLÍTICA - Proposta para acabar o "efeito Tiririca".
Proposta de Temer acaba com o “efeito Tiririca” ou “efeito Enéas”. Não vai mais existir puxador de voto de legenda. Não haverá mais eleições proporcionais, e serão eleitos para deputado ou vereador, exclusivamente os mais votados.
Carlos Newton
A existência de “puxadores de votos”, como ocorreu na última eleição com a candidatura de Tiririca e acontecia a cada candidatura de Enéas, pode estar com os dias contados, se for aprovado o projeto apresentado quarta-feira à bancada do PMDB pelo vice-presidente Michel Temer.
O objetivo é evitar que um deputado federal seja eleito apenas com 275 votos, beneficiado pela legenda, que teve um “puxador” que alcançou mais de um milhão de eleitores. Pela proposta apresentada pelo vice-presidente Temer, só os mais votados chegarão à Câmara Federal, às Assembléias estaduais e às Câmaras de Vereadores.
“O sistema proporcional é a negação do princípio máximo da Constituição de que o poder é do povo. A população não consegue entender como um deputado que tem 128 mil votos não é eleito e um que teve apenas 275 votos vire deputado”, assinalou Temer, ao justificar o projeto perante a bancada, no primeiro encontro partidário sobre a pretendida reforma política.
Temer defendeu uma “janela” para troca de partido (ele chamou de “porta”) a ser aberta a cada três anos e meio, seis meses antes de cada eleição, ou a cada sete anos e meio, uma vez que o partido não pretende hoje acabar com a reeleição. Mas o chamado voto em lista, em que o eleitor vota na legenda e os partidos definem quem fica no alto da lista com mais chance de ser eleito, não está nos planos do PMDB.
“Existe ainda uma grande resistência no que diz respeito à formação de uma lista de candidaturas. A grande preocupação dos deputados tinha relação com o ‘caciquismo’ local, que poderia influenciar negativamente na composição da lista”, justificou Temer.
Outro tema é o financiamento público de campanha. “Nossa maior dificuldade é pagar uma campanha. Temos que ter o financiamento público exclusivo”, afirmou o deputado piauiense Marcelo Castro, sem empolgar a bancada, que ainda não sabe como se posicionar.
O mais paradoxal é que, até alguns meses atrás, Temer jamais defenderia a tese do voto majoritário para deputados e vereadores. Em sua carreira, ele sempre foi eleito graças ao coeficiente eleitoral. Na última eleição que disputou para a Câmara, em 2006, nem chegou a ser eleito. Ficou como suplente e só assumiu o mandato porque o titular foi cassado. Nada como um dia após o outro.
Fonte: Tribuna da Imprensa online.
Carlos Newton
A existência de “puxadores de votos”, como ocorreu na última eleição com a candidatura de Tiririca e acontecia a cada candidatura de Enéas, pode estar com os dias contados, se for aprovado o projeto apresentado quarta-feira à bancada do PMDB pelo vice-presidente Michel Temer.
O objetivo é evitar que um deputado federal seja eleito apenas com 275 votos, beneficiado pela legenda, que teve um “puxador” que alcançou mais de um milhão de eleitores. Pela proposta apresentada pelo vice-presidente Temer, só os mais votados chegarão à Câmara Federal, às Assembléias estaduais e às Câmaras de Vereadores.
“O sistema proporcional é a negação do princípio máximo da Constituição de que o poder é do povo. A população não consegue entender como um deputado que tem 128 mil votos não é eleito e um que teve apenas 275 votos vire deputado”, assinalou Temer, ao justificar o projeto perante a bancada, no primeiro encontro partidário sobre a pretendida reforma política.
Temer defendeu uma “janela” para troca de partido (ele chamou de “porta”) a ser aberta a cada três anos e meio, seis meses antes de cada eleição, ou a cada sete anos e meio, uma vez que o partido não pretende hoje acabar com a reeleição. Mas o chamado voto em lista, em que o eleitor vota na legenda e os partidos definem quem fica no alto da lista com mais chance de ser eleito, não está nos planos do PMDB.
“Existe ainda uma grande resistência no que diz respeito à formação de uma lista de candidaturas. A grande preocupação dos deputados tinha relação com o ‘caciquismo’ local, que poderia influenciar negativamente na composição da lista”, justificou Temer.
Outro tema é o financiamento público de campanha. “Nossa maior dificuldade é pagar uma campanha. Temos que ter o financiamento público exclusivo”, afirmou o deputado piauiense Marcelo Castro, sem empolgar a bancada, que ainda não sabe como se posicionar.
O mais paradoxal é que, até alguns meses atrás, Temer jamais defenderia a tese do voto majoritário para deputados e vereadores. Em sua carreira, ele sempre foi eleito graças ao coeficiente eleitoral. Na última eleição que disputou para a Câmara, em 2006, nem chegou a ser eleito. Ficou como suplente e só assumiu o mandato porque o titular foi cassado. Nada como um dia após o outro.
Fonte: Tribuna da Imprensa online.
POLÍTICA - Dona Dilma: estilo bem diferente de Lula.
Helio Fernandes
Está surpreendendo muita gente, não diverge de Lula, mas não admite de maneira alguma ser atropelada. Principalmente na “calçada ou no estacionamento”. Deixou isso bem claro no caso de Furnas, que se não teve um final “felicíssimo”, a conclusão (hoje), bem razoável.
AMEAÇA E INTIMIDAÇÃO, NÃO
Na votação do salário mínimo, muita gente (até mesmo de partidos da base, como o PDT) ou líderes (?) sindicais, que deveriam estar apoiando seu governo, veladamente fazem ameaças. Nem chegam a ela.
Tem respondido a todos, em bloco, em massa, usando palavras coletivas: “Dissidente receberá tratamento de dissidente”. É isso que tenho defendido a vida toda. Se continuar assim, presidente, você vai longe, 2014 está muito mais perto do que imaginam.
PS – Desculpe pelo tratamento de você. Além de ser jornalista, existe um fato insuperável e inalcançável; São 27 anos de diferença.
Fonte: Tribuna da Imprensa online.
Está surpreendendo muita gente, não diverge de Lula, mas não admite de maneira alguma ser atropelada. Principalmente na “calçada ou no estacionamento”. Deixou isso bem claro no caso de Furnas, que se não teve um final “felicíssimo”, a conclusão (hoje), bem razoável.
AMEAÇA E INTIMIDAÇÃO, NÃO
Na votação do salário mínimo, muita gente (até mesmo de partidos da base, como o PDT) ou líderes (?) sindicais, que deveriam estar apoiando seu governo, veladamente fazem ameaças. Nem chegam a ela.
Tem respondido a todos, em bloco, em massa, usando palavras coletivas: “Dissidente receberá tratamento de dissidente”. É isso que tenho defendido a vida toda. Se continuar assim, presidente, você vai longe, 2014 está muito mais perto do que imaginam.
PS – Desculpe pelo tratamento de você. Além de ser jornalista, existe um fato insuperável e inalcançável; São 27 anos de diferença.
Fonte: Tribuna da Imprensa online.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
MÍDIA - Dilma na grande mídia: do "poste" à governante encantadora.
A mídia que tratou Dilma Rousseff como um poste durante o processo eleitoral enche a nova presidente de elogios, tenta apresentá-la como antagônica a Lula e cobra dela um programa de oposição, que foi fragorosamente derrotado ano passado. Para a imprensa de mercado, Dilma é comprometida com a austeridade e tem que resolver uma pesada herança deixada por Lula, “o gastador”
Por Mair Pena Neto, no Direto da Redação.
Um leitor desavisado poderia achar que Lula saiu derrotado das últimas eleições e não que fez a sua sucessora, escolhida pessoalmente. Que Dilma não foi eleita para prosseguir as políticas dos últimos oito anos, principalmente dos quatro últimos, de redução das desigualdades e erradicação da miséria. Estes são os principais compromissos de Dilma, reiterados constantemente e que guiarão o seu governo.
Enquanto esteve à frente da Presidência, Lula acusou a herança maldita do governo Fernando Henrique Cardoso, que se evidenciava num crescimento econômico pífio (menos de 1% entre 1998 e 2002), endividamento externo aviltante, falta de reservas cambiais, inflação de dois dígitos, desemprego em alta, privatizações e Estado cada vez menor e mais fraco.
Lula, com o auxílio de Dilma, mudou inteiramente essa lógica e entregou a sua sucessora um país com crescimento médio de 4,2%, sem considerar o resultado de 2010, estimado em 7,5%; mudança de devedor para credor internacional, reservas internacionais de US$ 300 bilhões (FHC deixou o país com menos de US$ 40 bilhões), inflação dentro da meta, emprego em nível recorde e, principalmente, um papel mais ativo do Estado, responsável pela ascensão de mais de 30 milhões de brasileiros à classe média, o equivalente a quase uma Argentina.
Agora, a mídia tenta criar uma herança maldita que Lula teria deixado para Dilma, com aumento dos gastos públicos, e chega a invocar inflação e taxa de juros em alta como problemas. Os dois últimos argumentos nem mereceriam resposta. FHC entregou o país com a inflação em dois dígitos (12,53% pelo IPCA) e a taxa de juros em 27%, enquanto Dilma começa com a inflação dentro da meta (5,85%) e a Selic em 11%, depois de uma trajetória de queda no governo Lula que chegou a 8,75% em meados de 2009.
A questão dos gastos públicos é que merece discussão. O governo Lula não seguiu exclusivamente as regras de mercado, como seu antecessor e como aprecia a grande imprensa, e devolveu ao Estado um papel preponderante, não apenas nas questões econômicas, mas, sobretudo, nas políticas, incluindo a externa.
Lula aumentou os gastos para fazer políticas públicas, aquelas que causam ojeriza às elites, como o Bolsa-Família; para investir mais em educação, pesquisa, ciência e tecnologia (vide apoio maciço da comunidade acadêmica a seu governo e à candidatura Dilma) e para combater uma das maiores crises do capitalismo, que explodiu no fim de 2008 e afeta até hoje grandes economias, como a dos Estados Unidos e da Europa.
O governo Lula não aumentou impostos e desprezou o receituário dos analistas de mercado, os mesmos que sugerem agora a Obama que estenda o corte de US$ 1,1 trilhão no Orçamento à previdência e a programas de saúde para idosos e pobres. Para combater a crise, Lula obrigou os bancos públicos (política de Estado) a concederam crédito, fez desonerações tributárias e apostou no consumo, reduzindo o vagalhão que engolia o mundo à marolinha.
É lógico que isso tem custos e precisa ser revisto quando a situação melhora. O que Dilma herda não é uma situação desastrosa e inadministrável. Se fosse este o cenário que Lula tivesse encontrado quando assumiu o governo, em 2003, o Brasil certamente estaria muito melhor. Dilma foi parte importante do governo Lula, aprovou suas políticas e tende a aprofundá-las. O resto é tentativa de apresentar à população o que a presidente não é.
Por Mair Pena Neto, no Direto da Redação.
Um leitor desavisado poderia achar que Lula saiu derrotado das últimas eleições e não que fez a sua sucessora, escolhida pessoalmente. Que Dilma não foi eleita para prosseguir as políticas dos últimos oito anos, principalmente dos quatro últimos, de redução das desigualdades e erradicação da miséria. Estes são os principais compromissos de Dilma, reiterados constantemente e que guiarão o seu governo.
Enquanto esteve à frente da Presidência, Lula acusou a herança maldita do governo Fernando Henrique Cardoso, que se evidenciava num crescimento econômico pífio (menos de 1% entre 1998 e 2002), endividamento externo aviltante, falta de reservas cambiais, inflação de dois dígitos, desemprego em alta, privatizações e Estado cada vez menor e mais fraco.
Lula, com o auxílio de Dilma, mudou inteiramente essa lógica e entregou a sua sucessora um país com crescimento médio de 4,2%, sem considerar o resultado de 2010, estimado em 7,5%; mudança de devedor para credor internacional, reservas internacionais de US$ 300 bilhões (FHC deixou o país com menos de US$ 40 bilhões), inflação dentro da meta, emprego em nível recorde e, principalmente, um papel mais ativo do Estado, responsável pela ascensão de mais de 30 milhões de brasileiros à classe média, o equivalente a quase uma Argentina.
Agora, a mídia tenta criar uma herança maldita que Lula teria deixado para Dilma, com aumento dos gastos públicos, e chega a invocar inflação e taxa de juros em alta como problemas. Os dois últimos argumentos nem mereceriam resposta. FHC entregou o país com a inflação em dois dígitos (12,53% pelo IPCA) e a taxa de juros em 27%, enquanto Dilma começa com a inflação dentro da meta (5,85%) e a Selic em 11%, depois de uma trajetória de queda no governo Lula que chegou a 8,75% em meados de 2009.
A questão dos gastos públicos é que merece discussão. O governo Lula não seguiu exclusivamente as regras de mercado, como seu antecessor e como aprecia a grande imprensa, e devolveu ao Estado um papel preponderante, não apenas nas questões econômicas, mas, sobretudo, nas políticas, incluindo a externa.
Lula aumentou os gastos para fazer políticas públicas, aquelas que causam ojeriza às elites, como o Bolsa-Família; para investir mais em educação, pesquisa, ciência e tecnologia (vide apoio maciço da comunidade acadêmica a seu governo e à candidatura Dilma) e para combater uma das maiores crises do capitalismo, que explodiu no fim de 2008 e afeta até hoje grandes economias, como a dos Estados Unidos e da Europa.
O governo Lula não aumentou impostos e desprezou o receituário dos analistas de mercado, os mesmos que sugerem agora a Obama que estenda o corte de US$ 1,1 trilhão no Orçamento à previdência e a programas de saúde para idosos e pobres. Para combater a crise, Lula obrigou os bancos públicos (política de Estado) a concederam crédito, fez desonerações tributárias e apostou no consumo, reduzindo o vagalhão que engolia o mundo à marolinha.
É lógico que isso tem custos e precisa ser revisto quando a situação melhora. O que Dilma herda não é uma situação desastrosa e inadministrável. Se fosse este o cenário que Lula tivesse encontrado quando assumiu o governo, em 2003, o Brasil certamente estaria muito melhor. Dilma foi parte importante do governo Lula, aprovou suas políticas e tende a aprofundá-las. O resto é tentativa de apresentar à população o que a presidente não é.
ANOS DE CHUMBO - Ditadura militar iniciou politica de arrocho do salario minimo.
Ditadura Militar iniciou política de arrocho do mínimo no Brasil.
O salário mínimo brasileiro foi instituído na Era Vargas. A Constituição de 1934 adotou, no Artigo 121, o princípio do “salário mínimo, capaz de satisfazer, conforme as condições de cada região, às necessidades normais do trabalhador”. Porém, a quantia só foi estabelecida em 1º de maio de 1940, e passou a vigorar dois meses depois, com o valor de R$ 1.202,29, corrigida a preços de janeiro de 2011.
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), inicialmente eram 14 níveis salariais e por regiões definidas pelo governo federal. Só em 1984, seu valor foi unificado.
Até os dias atuais, a política do salário mínimo passou por quatro fases, segundo o Dieese. A primeira, entre 1940 e 1951, que consolidou o mínimo. Nesse período, porém, houve um congelamento entre 1943 e 1951, embora a lei determinasse correção de três em três anos.
A segunda fase correspondeu ao período de 1952 a 1964, quando melhorou o poder de compra do mínimo. Em 1957, segundo o Dieese, o salário mínimo atingiu o maior valor da história, quando chegou a R$ 1.732,28 – feita a correção a preços de janeiro de 2011 – e permaneceu praticamente estável de 1960 a 1964.
Início do arrocho
A terceira fase, marcada pela restrição do salário mínimo, iniciou-se em 1965, durante os governos militares, e se prolongou até meados da década de 90. Entre 1965 e 1974, o salário mínimo mantinha, na média anual, apenas 69% do poder aquisitivo de 1940.
Ainda de acordo com o Dieese, a mudança da política salarial, a partir de 1974, e a introdução dos reajustes semestrais, em 1979, chegaram a sinalizar uma recuperação do valor real do salário mínimo até o ano de 1982 (21,2%). Mas, ao longo dos dez anos seguintes, conhecidos como a “década perdida”, o salário mínimo retomou a trajetória de perda crescente do poder de compra, pelos cálculos do Dieese.
Entre 1983 e 1991, o poder aquisitivo do salário mínimo caiu acentuadamente, em média, e passou a valer 43% do que valia em 1940. Em 1994, chegou a 24% do valor de 1940, chegando a registrar, em abril de 1992, o menor valor histórico, com R$ 204,03. Só em maio de 1995 o salário mínimo iniciou um movimento de recuperação, que levou o seu valor a atingir, oito anos depois, 31% do que era no ano de criação.
Valorização
No entanto, apesar dessa reação, a queda acentuada levou as centrais sindicais a lançar uma campanha de valorização, com três marchas em Brasília. As manifestações tinham por objetivo cobrar das autoridades a valorização do salário mínimo.
Como resultado da mobilização dos trabalhadores, em 2005, o salário mínimo passou de R$ 260 para R$ 300. Em abril de 2006, subiu para R$ 350 e, um ano depois, para R$ 380. Em março de 2008, o salário mínimo foi a R$ 415; em fevereiro de 2009, para R$ 465; e, em 2010, chegou a R$ 510.
Agora, as discussões em torno do reajuste para 2011 levaram a diversas propostas, seja por parte do governo, das centrais e da oposição, entre elas R$ 540, R$ 545, R$ 580 e R$ 600.
Acordo
Foi, aliás, de negociações anteriores com as centrais sindicais, que foi feito um acordo para que se adotasse uma política do salário mínimo até 2023. Assim, de acordo com proposta do governo enviada à Câmara dos Deputados, para janeiro de 2011, o reajuste deverá ser feito pela inflação do ano anterior mais o Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.
Para o Dieese, o salário mínimo ideal deveria ser o que estipula a Constituição Federal no Capítulo 2, Dos Direitos Sociais, Artigo 7º, Inciso 4. Seria o “salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim”.
De acordo com o Dieese, o cálculo deveria levar em consideração o custo da cesta básica de valor mais alto no país dividido pela ponderação de 35,71%, que representa o gasto das famílias, multiplicado por três (representada por três adultos ou dois adultos e duas crianças).
Fonte: Agência Brasil
O salário mínimo brasileiro foi instituído na Era Vargas. A Constituição de 1934 adotou, no Artigo 121, o princípio do “salário mínimo, capaz de satisfazer, conforme as condições de cada região, às necessidades normais do trabalhador”. Porém, a quantia só foi estabelecida em 1º de maio de 1940, e passou a vigorar dois meses depois, com o valor de R$ 1.202,29, corrigida a preços de janeiro de 2011.
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), inicialmente eram 14 níveis salariais e por regiões definidas pelo governo federal. Só em 1984, seu valor foi unificado.
Até os dias atuais, a política do salário mínimo passou por quatro fases, segundo o Dieese. A primeira, entre 1940 e 1951, que consolidou o mínimo. Nesse período, porém, houve um congelamento entre 1943 e 1951, embora a lei determinasse correção de três em três anos.
A segunda fase correspondeu ao período de 1952 a 1964, quando melhorou o poder de compra do mínimo. Em 1957, segundo o Dieese, o salário mínimo atingiu o maior valor da história, quando chegou a R$ 1.732,28 – feita a correção a preços de janeiro de 2011 – e permaneceu praticamente estável de 1960 a 1964.
Início do arrocho
A terceira fase, marcada pela restrição do salário mínimo, iniciou-se em 1965, durante os governos militares, e se prolongou até meados da década de 90. Entre 1965 e 1974, o salário mínimo mantinha, na média anual, apenas 69% do poder aquisitivo de 1940.
Ainda de acordo com o Dieese, a mudança da política salarial, a partir de 1974, e a introdução dos reajustes semestrais, em 1979, chegaram a sinalizar uma recuperação do valor real do salário mínimo até o ano de 1982 (21,2%). Mas, ao longo dos dez anos seguintes, conhecidos como a “década perdida”, o salário mínimo retomou a trajetória de perda crescente do poder de compra, pelos cálculos do Dieese.
Entre 1983 e 1991, o poder aquisitivo do salário mínimo caiu acentuadamente, em média, e passou a valer 43% do que valia em 1940. Em 1994, chegou a 24% do valor de 1940, chegando a registrar, em abril de 1992, o menor valor histórico, com R$ 204,03. Só em maio de 1995 o salário mínimo iniciou um movimento de recuperação, que levou o seu valor a atingir, oito anos depois, 31% do que era no ano de criação.
Valorização
No entanto, apesar dessa reação, a queda acentuada levou as centrais sindicais a lançar uma campanha de valorização, com três marchas em Brasília. As manifestações tinham por objetivo cobrar das autoridades a valorização do salário mínimo.
Como resultado da mobilização dos trabalhadores, em 2005, o salário mínimo passou de R$ 260 para R$ 300. Em abril de 2006, subiu para R$ 350 e, um ano depois, para R$ 380. Em março de 2008, o salário mínimo foi a R$ 415; em fevereiro de 2009, para R$ 465; e, em 2010, chegou a R$ 510.
Agora, as discussões em torno do reajuste para 2011 levaram a diversas propostas, seja por parte do governo, das centrais e da oposição, entre elas R$ 540, R$ 545, R$ 580 e R$ 600.
Acordo
Foi, aliás, de negociações anteriores com as centrais sindicais, que foi feito um acordo para que se adotasse uma política do salário mínimo até 2023. Assim, de acordo com proposta do governo enviada à Câmara dos Deputados, para janeiro de 2011, o reajuste deverá ser feito pela inflação do ano anterior mais o Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.
Para o Dieese, o salário mínimo ideal deveria ser o que estipula a Constituição Federal no Capítulo 2, Dos Direitos Sociais, Artigo 7º, Inciso 4. Seria o “salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim”.
De acordo com o Dieese, o cálculo deveria levar em consideração o custo da cesta básica de valor mais alto no país dividido pela ponderação de 35,71%, que representa o gasto das famílias, multiplicado por três (representada por três adultos ou dois adultos e duas crianças).
Fonte: Agência Brasil
ECONOMIA - A "fama" de Pochmann e o pernil de Delfim.
Reproduzo artigo de Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador:
Essa história de oferecer “Cem Dias” de trégua para o governo que se inicia é um modismo que vem dos EUA, mas faz algum sentido. É um tempo mínimo para que as equipes se (re) organizem e para que as primeiras diretrizes sejam tomadas, indicando os rumos da nova administração.
O governo Dilma não chegou nem à metade dos “Cem Dias”. Ainda assim, é possível já identificar algumas tendências – não só do governo que começa, mas também do quadro político brasileiro.
Nesse primeiro texto, do que pretende ser um modesto “balanço” do início de governo, vou-me concentrar mais na economia.
Os primeiros sinais do governo Dilma indicam reversão da política “expansionista” adotada no segundo governo Lula para enfrentar a crise. O ministro Mantega, da Fazenda, teve papel fundamental em 2009 e 2010, ao adotar um programa que – em tudo – contrariava a velha fórmula utilizada pelos tucanos em crise anteriores: quando o mundo entrou em recessão, com os EUA lançados à beira do precipício, o Estado brasileiro baixou impostos, gastou mais e botou os bancos estatais para emprestar (forçando, assim, o setor privado a também emprestar).
O Brasil saiu bem da crise – maior, gerando emprego, e ainda distribuindo renda. Lula, quando falou em “marolinha” naquela época, foi tratado como um néscio. E Mantega, ao abrir as torneiras do Estado, como um estúpido economista que se atrevia a rasgar a bíblia (neo) liberal. Lula pediu que o povo seguisse comprando. Os tucanos (e os colunistas e economistas a serviço do tucanato) diziam que era hora de “apertar os cintos”. Lula e Mantega não apertaram os cintos. Ao contrário: soltaram as amarras da economia, e evitaram o desastre.
As primeiras medidas adotadas por Dilma vão no sentido inverso: corte de despesas estatais, alta de juros, aumento moderado do salário mínimo. É fato que a inflação em alta impunha algum tipo de medida para frear a economia. Mas a fórmula adotada agora indica um “conservadorismo”, ou “tecnicismo”, a imperar nas primeiras decisões do governo Dilma. Não é à toa que a velha imprensa derrama-se em elogios à nova presidenta, tentando abrir entre Dilma e Lula uma “cunha”, como a dizer: Lula era o populismo “atrasado” e “irresponsável”, Dilma é a linha justa (discreta, moderada, a seguir a velha fórmula liberal de gestão).
Há alguns sinais - preocupantes, eu diria – de que Dilma estimula esse movimento de proximidade com os setores mais conservadores da velha imprensa. Mas voltarei a isso no texto seguinte, na segunda parte desse balanço…
Voltemos à economia: as centrais sindicais fazem grande barulho por conta do salário mínimo subir “apenas” para R$ 545. Acho positiva essa pressão. O movimento sindical pode – e deve – criar um espaço para mais autonomia em relação ao governo. E deve perguntar, sim: por que, na crise, o governo quebrou regras para favorecer as empresas (corte de impostos), e não pode quebrar a regra do reajuste do mínimo para dar um aumento maior? É preciso mesmo tensionar o governo, pela esquerda. Ok. Mas, modestamente, acho que a medida mais danosa adotada pela administração Dilma, nesse início, não é o freio no salário mínimo – até porque, pelas regras acertadas durante o governo Lula (o salário sobe sempre com base na inflação do ano anterior mais o PIB de dois anos antes), o mínimo deve ter em 2012 um crescimento robusto, passando dos R$ 610. O que preocupa mais é outra coisa: a alta dos juros.
Explico: o impacto de juros altos é devastador para a estrutura econômica brasileira. O aumento da taxa serve para frear um pouco a demanda (e, assim, segurar a inflação), mas tem o efeito colateral de atrair cada vez mais dólares para o Brasil. Isso é ruim? Em parte, é. Com os juros brasileiros em alta, investidores do mundo inteiro despejam aqui dinheiro que não vem pra investimento, mas pro cassino financeiro. E qual a consequência? O real fica cada vez mais forte em relação ao dólar. Já bate em R$ 1,65. Isso provoca um estrago sem precedentes na indústria nacional. Fica muito mais fácil importar do que produzir qualquer coisa aqui no Brasil.
Meses atrás, entrevistei na “Record News” o professor Marcio Pochmann, presidente do IPEA. Ele é uma das melhores cabeças do governo – cabeça que, aliás, corre riscos, porque o IPEA foi colocado sob a guarda (guarda?) de Moreira Franco, que já andou espalhando pela imprensa o desejo de demitir Pochmann. Hum… Seria mais um sinal negativo. Mas, por enquanto, não se confirmou.
Na entrevista, o presidente do IPEA dizia-me que, por causa da equação econômica que expus dois parágrafos acima, o Brasil corre o risco de se perder na fórmula fácil da “fa-ma”.
Não se trata do Big Brother Brasil. Mas de algo mais sério. A “fa-ma”, diz Pochmann, é a mistura de fazenda com indústrias maquiladoras (como as existentes no México).
Ou seja: com câmbio desfavorável (por causa dos juros altíssimos que inundam o país com dólares), o Brasil só conseguiria manter competitividade na agricultura, contentando-se com o papel de grande fazenda do mundo, a fornecer grãos e carne para chineses e europeus. Do lado da indústria, aconteceria algo parecido ao que ocorreu no México, depois de assinar o Nafta, tratado de livre comércio com EUA e Canadá. A indústria mexicana foi dizimada. Quase tudo vem pronto de fora, e o México mantem apenas “maquiladoras” para fazer a “montagem” final dos produtos (aproveita-se, pra isso, a mão-de-obra barata do país).
O Brasil tem um parque industrial sofisticado – construído a duras penas, desde a era Vargas. Nossa indústria parece ter resistido às ondas de abertura recentes. Mas tudo tem limite.
Em artigo na “CartaCapital”, o ex-ministro Delfim Netto – a quem se pode criticar por ter servido à ditadura, mas que nunca desistiu de pensar no futuro do Brasil – tratou desse assunto de forma incisiva:
“Não é preciso ser economista para entender uma coisa simples: cinco anos atrás, quando não se falava de desindustrialização, as condições importantes para o trabalho das indústrias eram as mesmas que são hoje. Qual é a única grande diferença entre o que tínhamos naqueles anos e o que temos hoje? É um câmbio extremamente valorizado por uma política monetária que mantém a taxa de juros brasileira no maior nível do mundo. O Brasil continua sendo aquele pernil com farofa à disposição do sistema financeiro internacional, mesmo fora da época das festas.
Todas aquelas discussões não levaram a nada: só agora os mais sabichões começam a entender que a questão-chave que o Brasil tem de resolver não é um problema de câmbio; o que resolve é construir uma política monetária que, num prazo suportável, leve a taxa de juros interna ao nível da taxa de juros externa.”
As primeiras medidas econômicas tomadas pela equipe de Dilma podem indicar um caminho perigoso, na direção da “fama” do Pochmann e do “pernil com farofa” do Delfim.
Lula e Palocci, dirão alguns, começaram do mesmo jeito em 2003, lançando os juros na estratosfera. A diferença é que o Brasil vinha de uma campanha eleitoral, em 2002, em que se tinha vendido para o mercado (ou pelo mercado) o “risco Lula”. Era preciso evitar o “risco”. Agora, Dilma encontrou o país crescendo, bem arrumado.
Os economistas de linha liberal diriam que, para baixar os juros e fugir do estigma da fama e do pernil, é preciso “primeiro” cortar os gastos públicos. É a velha lenga-lenga: “precisamos fazer a lição de casa”. Dilma fez exatamente isso, com o corte recente de 50 bilhões no Orçamento. E elevou os juros ao mesmo tempo. Eles cairão mais à frente?
Na época de Malan/FHC, a gestão liberal ficava sempre pelo meio do caminho: corte de gasto, seguido de… mais cortes de gastos. Fora as privatizações. E a hora de baixar os juros? Não chegava nunca.
Não era à toa. Juros altos garantiam o real equiparado ao dólar (“moeda forte”, lembram? Foi assim que FHC se reelegeu em 98; depois, desandou tudo).
Mais que isso: juros altos fazem a alegria dos banqueiros e daqueles que vivem de aplicar dinheiro a taxas estratosféricas, “ajudando” assim a financiar a dívida pública (sempre crescente, por causa dos juros!). Malan, depois de deixar o Ministério da Fazenda, foi trabalhar num banco. Palocci teve sua campanha a deputado, dizem, financiada por banqueiros…
Palocci, agora, está na Casa Civil.
Hum…
O governo Dilma vai significar um movimento em direção ao centro, com a gestão “técnica” da economia – que tanto encanta colunistas e economistas tucanos?
A presença de Mantega na Fazenda parece indicar que não… Ou que “nem tanto”.
Dilma chegou a afirmar em entrevistas que uma das metas de seu governo – além de eliminar a pobreza extrema – seria trazer os juros reais do Brasil para patamares “civilizados”. Pode ser que a meta seja essa, a médio prazo.
Mas o risco é perder-se no meio do caminho.
Cinquenta dias são muito pouco para qualquer leitura definitiva sobre as escolhas de Dilma.
Mas é bom olhar com atenção para essas escolhas – especialmente na economia. E torcer para que a nova gestão não se deixe encantar pela “fama”, e nem sirva o Brasil na mesa da banca internacional – como se fosse um suculento “pernil com farofa”.
Postado por Miro
Essa história de oferecer “Cem Dias” de trégua para o governo que se inicia é um modismo que vem dos EUA, mas faz algum sentido. É um tempo mínimo para que as equipes se (re) organizem e para que as primeiras diretrizes sejam tomadas, indicando os rumos da nova administração.
O governo Dilma não chegou nem à metade dos “Cem Dias”. Ainda assim, é possível já identificar algumas tendências – não só do governo que começa, mas também do quadro político brasileiro.
Nesse primeiro texto, do que pretende ser um modesto “balanço” do início de governo, vou-me concentrar mais na economia.
Os primeiros sinais do governo Dilma indicam reversão da política “expansionista” adotada no segundo governo Lula para enfrentar a crise. O ministro Mantega, da Fazenda, teve papel fundamental em 2009 e 2010, ao adotar um programa que – em tudo – contrariava a velha fórmula utilizada pelos tucanos em crise anteriores: quando o mundo entrou em recessão, com os EUA lançados à beira do precipício, o Estado brasileiro baixou impostos, gastou mais e botou os bancos estatais para emprestar (forçando, assim, o setor privado a também emprestar).
O Brasil saiu bem da crise – maior, gerando emprego, e ainda distribuindo renda. Lula, quando falou em “marolinha” naquela época, foi tratado como um néscio. E Mantega, ao abrir as torneiras do Estado, como um estúpido economista que se atrevia a rasgar a bíblia (neo) liberal. Lula pediu que o povo seguisse comprando. Os tucanos (e os colunistas e economistas a serviço do tucanato) diziam que era hora de “apertar os cintos”. Lula e Mantega não apertaram os cintos. Ao contrário: soltaram as amarras da economia, e evitaram o desastre.
As primeiras medidas adotadas por Dilma vão no sentido inverso: corte de despesas estatais, alta de juros, aumento moderado do salário mínimo. É fato que a inflação em alta impunha algum tipo de medida para frear a economia. Mas a fórmula adotada agora indica um “conservadorismo”, ou “tecnicismo”, a imperar nas primeiras decisões do governo Dilma. Não é à toa que a velha imprensa derrama-se em elogios à nova presidenta, tentando abrir entre Dilma e Lula uma “cunha”, como a dizer: Lula era o populismo “atrasado” e “irresponsável”, Dilma é a linha justa (discreta, moderada, a seguir a velha fórmula liberal de gestão).
Há alguns sinais - preocupantes, eu diria – de que Dilma estimula esse movimento de proximidade com os setores mais conservadores da velha imprensa. Mas voltarei a isso no texto seguinte, na segunda parte desse balanço…
Voltemos à economia: as centrais sindicais fazem grande barulho por conta do salário mínimo subir “apenas” para R$ 545. Acho positiva essa pressão. O movimento sindical pode – e deve – criar um espaço para mais autonomia em relação ao governo. E deve perguntar, sim: por que, na crise, o governo quebrou regras para favorecer as empresas (corte de impostos), e não pode quebrar a regra do reajuste do mínimo para dar um aumento maior? É preciso mesmo tensionar o governo, pela esquerda. Ok. Mas, modestamente, acho que a medida mais danosa adotada pela administração Dilma, nesse início, não é o freio no salário mínimo – até porque, pelas regras acertadas durante o governo Lula (o salário sobe sempre com base na inflação do ano anterior mais o PIB de dois anos antes), o mínimo deve ter em 2012 um crescimento robusto, passando dos R$ 610. O que preocupa mais é outra coisa: a alta dos juros.
Explico: o impacto de juros altos é devastador para a estrutura econômica brasileira. O aumento da taxa serve para frear um pouco a demanda (e, assim, segurar a inflação), mas tem o efeito colateral de atrair cada vez mais dólares para o Brasil. Isso é ruim? Em parte, é. Com os juros brasileiros em alta, investidores do mundo inteiro despejam aqui dinheiro que não vem pra investimento, mas pro cassino financeiro. E qual a consequência? O real fica cada vez mais forte em relação ao dólar. Já bate em R$ 1,65. Isso provoca um estrago sem precedentes na indústria nacional. Fica muito mais fácil importar do que produzir qualquer coisa aqui no Brasil.
Meses atrás, entrevistei na “Record News” o professor Marcio Pochmann, presidente do IPEA. Ele é uma das melhores cabeças do governo – cabeça que, aliás, corre riscos, porque o IPEA foi colocado sob a guarda (guarda?) de Moreira Franco, que já andou espalhando pela imprensa o desejo de demitir Pochmann. Hum… Seria mais um sinal negativo. Mas, por enquanto, não se confirmou.
Na entrevista, o presidente do IPEA dizia-me que, por causa da equação econômica que expus dois parágrafos acima, o Brasil corre o risco de se perder na fórmula fácil da “fa-ma”.
Não se trata do Big Brother Brasil. Mas de algo mais sério. A “fa-ma”, diz Pochmann, é a mistura de fazenda com indústrias maquiladoras (como as existentes no México).
Ou seja: com câmbio desfavorável (por causa dos juros altíssimos que inundam o país com dólares), o Brasil só conseguiria manter competitividade na agricultura, contentando-se com o papel de grande fazenda do mundo, a fornecer grãos e carne para chineses e europeus. Do lado da indústria, aconteceria algo parecido ao que ocorreu no México, depois de assinar o Nafta, tratado de livre comércio com EUA e Canadá. A indústria mexicana foi dizimada. Quase tudo vem pronto de fora, e o México mantem apenas “maquiladoras” para fazer a “montagem” final dos produtos (aproveita-se, pra isso, a mão-de-obra barata do país).
O Brasil tem um parque industrial sofisticado – construído a duras penas, desde a era Vargas. Nossa indústria parece ter resistido às ondas de abertura recentes. Mas tudo tem limite.
Em artigo na “CartaCapital”, o ex-ministro Delfim Netto – a quem se pode criticar por ter servido à ditadura, mas que nunca desistiu de pensar no futuro do Brasil – tratou desse assunto de forma incisiva:
“Não é preciso ser economista para entender uma coisa simples: cinco anos atrás, quando não se falava de desindustrialização, as condições importantes para o trabalho das indústrias eram as mesmas que são hoje. Qual é a única grande diferença entre o que tínhamos naqueles anos e o que temos hoje? É um câmbio extremamente valorizado por uma política monetária que mantém a taxa de juros brasileira no maior nível do mundo. O Brasil continua sendo aquele pernil com farofa à disposição do sistema financeiro internacional, mesmo fora da época das festas.
Todas aquelas discussões não levaram a nada: só agora os mais sabichões começam a entender que a questão-chave que o Brasil tem de resolver não é um problema de câmbio; o que resolve é construir uma política monetária que, num prazo suportável, leve a taxa de juros interna ao nível da taxa de juros externa.”
As primeiras medidas econômicas tomadas pela equipe de Dilma podem indicar um caminho perigoso, na direção da “fama” do Pochmann e do “pernil com farofa” do Delfim.
Lula e Palocci, dirão alguns, começaram do mesmo jeito em 2003, lançando os juros na estratosfera. A diferença é que o Brasil vinha de uma campanha eleitoral, em 2002, em que se tinha vendido para o mercado (ou pelo mercado) o “risco Lula”. Era preciso evitar o “risco”. Agora, Dilma encontrou o país crescendo, bem arrumado.
Os economistas de linha liberal diriam que, para baixar os juros e fugir do estigma da fama e do pernil, é preciso “primeiro” cortar os gastos públicos. É a velha lenga-lenga: “precisamos fazer a lição de casa”. Dilma fez exatamente isso, com o corte recente de 50 bilhões no Orçamento. E elevou os juros ao mesmo tempo. Eles cairão mais à frente?
Na época de Malan/FHC, a gestão liberal ficava sempre pelo meio do caminho: corte de gasto, seguido de… mais cortes de gastos. Fora as privatizações. E a hora de baixar os juros? Não chegava nunca.
Não era à toa. Juros altos garantiam o real equiparado ao dólar (“moeda forte”, lembram? Foi assim que FHC se reelegeu em 98; depois, desandou tudo).
Mais que isso: juros altos fazem a alegria dos banqueiros e daqueles que vivem de aplicar dinheiro a taxas estratosféricas, “ajudando” assim a financiar a dívida pública (sempre crescente, por causa dos juros!). Malan, depois de deixar o Ministério da Fazenda, foi trabalhar num banco. Palocci teve sua campanha a deputado, dizem, financiada por banqueiros…
Palocci, agora, está na Casa Civil.
Hum…
O governo Dilma vai significar um movimento em direção ao centro, com a gestão “técnica” da economia – que tanto encanta colunistas e economistas tucanos?
A presença de Mantega na Fazenda parece indicar que não… Ou que “nem tanto”.
Dilma chegou a afirmar em entrevistas que uma das metas de seu governo – além de eliminar a pobreza extrema – seria trazer os juros reais do Brasil para patamares “civilizados”. Pode ser que a meta seja essa, a médio prazo.
Mas o risco é perder-se no meio do caminho.
Cinquenta dias são muito pouco para qualquer leitura definitiva sobre as escolhas de Dilma.
Mas é bom olhar com atenção para essas escolhas – especialmente na economia. E torcer para que a nova gestão não se deixe encantar pela “fama”, e nem sirva o Brasil na mesa da banca internacional – como se fosse um suculento “pernil com farofa”.
Postado por Miro
EGITO - A contrarevolução no Egito.
Blog de luisnassif.
Contrarrevolução: à sombra do vulcão egípcio
By Bruno Cava
Por Pepe Escobar, do Asia Times | Tradução: Coletivo VilaVudu
A festa – e que festa! – acabou. Agora é tempo de ressaca – e que ressaca.
Apresento-lhes o novo chefão, ou o Faraó reconstruído em formato de Shiva: o Conselho Supremo das Forças Armadas. Se fosse no sudeste da Ásia, já estariam repetindo que “tudo igual, só que diferente”.
Em vez de estado policial, é tempo de comunicados (replay dos anos 1970). O presidente e o vice-presidente dissolveram o Parlamento (mas o primeiro-ministro Ahmed Shafiq indicado pelo Faraó insiste que o atual “Kangaroo cabinet” mantém-se onde está para fazer a tal “transição ordeira”). A Constituição foi suspensa. O exército tenta impor a noção de que comandará o Egito pelos próximos seis meses. Esperam-se violências vagamente sinistras, para conter greves e “caos e desordem”.
O que mais pode fazer um Democrata, Prêmio Nobel e presidente dos EUA, além de apoiar um golpe militar? (Mais replay dos anos 1960 e 1970). Recapitulando: a Casa Branca e o Departamento de Estado adorariam ver Hosni Mubarak pelas costas.
Mas a Arábia Saudita, Israel e a CIA-EUA precisavam desesperadamente que Hosni Mubarak ficasse onde estava. Ao mesmo tempo Mubarak – versão trash, cabelos pintados cor acaju, de Luis XVI – lutava pela própria sobrevivência. O vice-presidente Omar “Sheikh al-Tortura” Suleiman, apoiado por Washington e Bruxelas, lutava pela sobrevivência do regime (a tal “transição ordeira”), e Washington lutava pela sobrevivência de um dos pilares crucialmente importantes da “estabilidade” no Oriente médio. A rua, essa, lutava pela vida.
Fácil explicar por que a CIA não previu coisa alguma. A agência pode ser ótima nos negócios de entregar prisioneiros para serem torturados pelo Sheikh al-Tortura, mas, sobretudo, vive presa num apertado espartilho ideológico, desde os anos Ronald Reagan. A CIA simplesmente não fala com viva alma se não com os vassalos; vale para o Hamás e para a Fraternidade Muçulmana (com os quais os EUA-CIA não falam).
Portanto, a CIA-EUA não têm como obter formação de boa qualidade, viva, em campo, inteligência que se aproveite. Os subterrâneos ferviam, no Egito, no mínimo desde 2005. A embaixada dos EUA no Cairo sequer tinha agente de ligação com a Fraternidade Muçulmana. E o homem no qual investiram tudo, Suleiman, não existe, é não-entidade (visualizem Langley afogado num dilúvio de lágrimas).
No final, a rua egípcia resolveu o caso. Capangas miseravelmente pagos para armar confusão dos infernos receberam ordens de atirar contra cidadãos desarmados e fizeram o que puderam. Discretos sindicalistas trabalharam anos na organização. Juízes em passeata pelas ruas fizeram o que puderam. E grupos de juventude também fizeram o que puderam. Os jovens revolucionários do Movimento 25 de Janeiro rapidamente acordaram para a realidade.
Agora, já perceberam claramente que Washington optou pelo prejuízo menor e está dando luz verde ao conceito onanista de golpe militar contra ditadura militar. OK, vão-se os sonhos mais luminosos, mas pelo menos há um precedente que nos enche de esperanças: a revolução de 1974 em Portugal, levou, um ano depois, a uma democracia sólida de tendência socialista.
Meu comunicado é maior que o seu
Que negócio de comunicados é esse, em que o Conselho Supremo parece viciado? A rua sabe que não passam de empregados e vassalos de Mubarak, todos com mais de 70 anos, a começar pelo líder do golpe, ministro da Defesa marechal-de-campo Mohammed Hussein Tantawi, 75 anos – muito próximo de Robert Gates do Pentágono (detalhe crucial: Tantawi chegou ao comando supremo depois de estágio na chefia do exército privado de Mubarak, os Guardas Republicanos).
São todos acionistas, com o dinheiro que os EUA fornecem (os bilhões de dólares da “ajuda” que chegam ao Egito anualmente) de uma vasta rede de negócios, cujos proprietários são a dinastia militar que controla setores inteiros da economia egípcia. Não há como trazer à luz algum Egito novo, sem derrubar todo esse sistema. Conclusão: a rua ainda não venceu o exército.
Esperam-se grandes fogos de artifício pela frente. Por hora, os adversários potenciais estudam-se. Sai a “transição ordeira” e entra – nas palavras do general Mohsen el-Fangari – “uma pacífica transição de poder”, para permitir que “um governo civil governe e construa um Estado democrático livre”. Tudo soa como Purple Haze por Jimi Hendrix [ouve-se em http://www.youtube.com/watch?v=z0dmPKYJiB8&feature=related]. Esqueçam sobre o exército passar o poder sem luta a governo civil de transição.
Na batalha de comunicados, pelo menos o comando do Movimento 25 de Janeiro sabe para que lado virar a cabeça. Entre as principais exigências – uma espécie de mapa do caminho dos desejos políticos da rua – está o fim imediato do estado de emergência; libertação imediata de todos os prisioneiros políticos; criação de um conselho interino coletivo de governo; formação de um governo de transição que inclua todas as tendências nacionalistas independentes para organização e supervisão de eleições livres e limpas; formação de um grupo de trabalho para redigir proposta de nova constituição democrática, a ser legitimada por referendum; fim de todas as restrições à constituição de partidos políticos; liberdade de imprensa; liberdade para formar sindicatos e organizações não governamentais, sem terem de ser aprovados pelo governo; e abolição de todas as cortes militares.
Quem acredita que os generais do Conselho Supremo vão entregar tudo isso ao povo, deve viver no cume do Tibete.
Bomb me to democracy, babe
Essa nunca foi revolução conduzida só pelos jovens, e agora já é movimento conduzido pelos movimentos da classe trabalhadora. Na próxima fase, a classe trabalhadora – e os camponeses – serão mais cruciais a cada momento. Como o blogueiro Hossam El-Hamalawy escreveu: “Agora, as fábricas têm de ocupar a praça Tahrir”. O fim do regime aconteceu quando as greves começaram a alastrar-se feito fogo em mato seco. Há cada vez mais clara conceituação do que seja democracia direta, de baixo para cima, que pode levar a um estado de revolução permanente. O ‘ocidente’ treme em seus Ferragamos.
Ao mesmo tempo, a liderança do Movimento 25 de Janeiro sabe que Washington, Telavive e Riad – mais as classes comprador do mubarakismo – farão absolutamente qualquer coisa para impedir o advento da democracia egípcia. Valerá tudo – de um Walhalla de subornos até a invisível manipulação das leis e do processo eleitoral. Contem todos com pelo menos um general-candidato à presidência; com certeza não será o hoje super escondido homem da CIA, o “Sheikh al-Tortura” Suleiman, mas provavelmente será o comandante do Estado-maior do Exército Sami Anan, 63, que também passou muito tempo nos EUA e é mais íntimo de muitos no Pentágono, que Tantawi.
Em pouco tempo, todos estarão cortejando a Fraternidade Muçulmana, como se o fim do mundo estivesse próximo; a Turquia (para ampliar seu papel como um farol de moderação no Oriente Médio); o Irã (embora xiitas, para lembrar a Fraternidade Muçulmana da luta pela Palestina); os EUA (para manterem viva a ilusão de que conseguirão controlar um ‘braço’ jihadista que a Fraternidade Muçulmana nem tem); e a Arábia Saudita (com montanhas de dinheiro, para neutralizar as maquinações dos EUA).
O New York Times comenta astutamente que “a Casa Branca e o Departamento de Estado já discutem a criação de novos fundos para estimular o surgimento de partidos políticos seculares” – já na luta para atrair todos os inteligentes e inteligentíssimos, para o curral da agenda dos EUA.
À parte o fato de que a revolução egípcia – que ainda engatinha – é o mais enormemente importante movimento estratégico que acontece no Oriente Médio nos últimos 30 anos (desde que Israel invadiu o Líbano em 1982), merece destaque a vasta falácia, tão vasta quanto abjeta, que envolve tudo: da islamofobia e do reducionismo da teoria do “choque de civilizações” à quimera que os neoconservadores chamam de “Grande Oriente Médio”.
A rua egípcia abriu uma ampla estrada rumo à democracia, em apenas duas semanas e meia. Comparem-se esse saber-fazer e os processos de democratização do Afeganistão (há nove anos) e do Iraque (sete anos), comandados pelo Pentágono.
Nessa fase, não há como saber se o mubarakismo sobreviverá só com maquiagem leve. Nem se o mubarakismo conseguirá manipular as próximas eleições, deixando o exército à sombra. Nem se alguma revolução social e política real reorganizará mesmo, radicalmente, a estrutura da riqueza e do poder no Egito.
Muito além do inevitável confronto no Egito, entre explosão demográfica e crise econômica, o que está literalmente enlouquecendo o ocidente é que as elites ocidentais sabem perfeitamente o que a maioria dos egípcios não quer: nenhum governo verdadeiramente democrático e soberano no Egito poderá continuar a agir como escravo da política exterior dos EUA.
Pode acontecer, só para começar, de um novo governo levantar o sítio de Gaza e reexaminar as condições de exportação de gás natural para Israel a preços subsidiados; pode acontecer de um novo governo reconsiderar os direitos de passagem livre da Marinha dos EUA pelo Canal de Suez; e pode, é claro, acontecer de um novo governo afinal rediscutir o tema tabu, sacrossanto, santo entre santos: os acordos de Camp David, de 1979, com Israel.
Daqui em diante, a liberdade do Egito só aumentará na exata proporção do medo que a revolução inspire a Washington, Telavive e Riad.
É justo dizer que, na atual fase, a rua egípcia guarda junto ao coração todos que a apoiaram – grupo complexo que vai da rede al-Jazeera ao Hezbollah no Líbano. E já sabe identificar perfeitamente todos os que a menosprezaram – da Casa de Saud e vários extremistas Wahhabistas, a Israel. Nenhum egípcio jamais esquecerá que o rei Abdullah da Arábia Saudita acusou a rua de “intrometer-se na segurança e estabilidade do Egito árabe e muçulmano”.
O slogan chave da revolução egípcia foi “O povo quer derrubar o regime”. E já se ouve a primeira adaptação dele, rimada, para espalhar-se pelo mundo: “O povo quer libertar os palestinos”. Não percam os próximos boletins meteorológicos e geológicos: a verdadeira irrupção do verdadeiro vulcão ainda nem começou.
–
Nota da tradução:
* Orig. Under the (egyptian) volcano. “Under the volcano” é título de romance, de 1947, de Malcolm Lowry, editado no Brasil como À sombra do vulcão (Porto Alegre, L&PM Ed., 2002).
http://www.outraspalavras.net/2011/02/15/contrarrevolucao-a-sombra-do-vu...
Contrarrevolução: à sombra do vulcão egípcio
By Bruno Cava
Por Pepe Escobar, do Asia Times | Tradução: Coletivo VilaVudu
A festa – e que festa! – acabou. Agora é tempo de ressaca – e que ressaca.
Apresento-lhes o novo chefão, ou o Faraó reconstruído em formato de Shiva: o Conselho Supremo das Forças Armadas. Se fosse no sudeste da Ásia, já estariam repetindo que “tudo igual, só que diferente”.
Em vez de estado policial, é tempo de comunicados (replay dos anos 1970). O presidente e o vice-presidente dissolveram o Parlamento (mas o primeiro-ministro Ahmed Shafiq indicado pelo Faraó insiste que o atual “Kangaroo cabinet” mantém-se onde está para fazer a tal “transição ordeira”). A Constituição foi suspensa. O exército tenta impor a noção de que comandará o Egito pelos próximos seis meses. Esperam-se violências vagamente sinistras, para conter greves e “caos e desordem”.
O que mais pode fazer um Democrata, Prêmio Nobel e presidente dos EUA, além de apoiar um golpe militar? (Mais replay dos anos 1960 e 1970). Recapitulando: a Casa Branca e o Departamento de Estado adorariam ver Hosni Mubarak pelas costas.
Mas a Arábia Saudita, Israel e a CIA-EUA precisavam desesperadamente que Hosni Mubarak ficasse onde estava. Ao mesmo tempo Mubarak – versão trash, cabelos pintados cor acaju, de Luis XVI – lutava pela própria sobrevivência. O vice-presidente Omar “Sheikh al-Tortura” Suleiman, apoiado por Washington e Bruxelas, lutava pela sobrevivência do regime (a tal “transição ordeira”), e Washington lutava pela sobrevivência de um dos pilares crucialmente importantes da “estabilidade” no Oriente médio. A rua, essa, lutava pela vida.
Fácil explicar por que a CIA não previu coisa alguma. A agência pode ser ótima nos negócios de entregar prisioneiros para serem torturados pelo Sheikh al-Tortura, mas, sobretudo, vive presa num apertado espartilho ideológico, desde os anos Ronald Reagan. A CIA simplesmente não fala com viva alma se não com os vassalos; vale para o Hamás e para a Fraternidade Muçulmana (com os quais os EUA-CIA não falam).
Portanto, a CIA-EUA não têm como obter formação de boa qualidade, viva, em campo, inteligência que se aproveite. Os subterrâneos ferviam, no Egito, no mínimo desde 2005. A embaixada dos EUA no Cairo sequer tinha agente de ligação com a Fraternidade Muçulmana. E o homem no qual investiram tudo, Suleiman, não existe, é não-entidade (visualizem Langley afogado num dilúvio de lágrimas).
No final, a rua egípcia resolveu o caso. Capangas miseravelmente pagos para armar confusão dos infernos receberam ordens de atirar contra cidadãos desarmados e fizeram o que puderam. Discretos sindicalistas trabalharam anos na organização. Juízes em passeata pelas ruas fizeram o que puderam. E grupos de juventude também fizeram o que puderam. Os jovens revolucionários do Movimento 25 de Janeiro rapidamente acordaram para a realidade.
Agora, já perceberam claramente que Washington optou pelo prejuízo menor e está dando luz verde ao conceito onanista de golpe militar contra ditadura militar. OK, vão-se os sonhos mais luminosos, mas pelo menos há um precedente que nos enche de esperanças: a revolução de 1974 em Portugal, levou, um ano depois, a uma democracia sólida de tendência socialista.
Meu comunicado é maior que o seu
Que negócio de comunicados é esse, em que o Conselho Supremo parece viciado? A rua sabe que não passam de empregados e vassalos de Mubarak, todos com mais de 70 anos, a começar pelo líder do golpe, ministro da Defesa marechal-de-campo Mohammed Hussein Tantawi, 75 anos – muito próximo de Robert Gates do Pentágono (detalhe crucial: Tantawi chegou ao comando supremo depois de estágio na chefia do exército privado de Mubarak, os Guardas Republicanos).
São todos acionistas, com o dinheiro que os EUA fornecem (os bilhões de dólares da “ajuda” que chegam ao Egito anualmente) de uma vasta rede de negócios, cujos proprietários são a dinastia militar que controla setores inteiros da economia egípcia. Não há como trazer à luz algum Egito novo, sem derrubar todo esse sistema. Conclusão: a rua ainda não venceu o exército.
Esperam-se grandes fogos de artifício pela frente. Por hora, os adversários potenciais estudam-se. Sai a “transição ordeira” e entra – nas palavras do general Mohsen el-Fangari – “uma pacífica transição de poder”, para permitir que “um governo civil governe e construa um Estado democrático livre”. Tudo soa como Purple Haze por Jimi Hendrix [ouve-se em http://www.youtube.com/watch?v=z0dmPKYJiB8&feature=related]. Esqueçam sobre o exército passar o poder sem luta a governo civil de transição.
Na batalha de comunicados, pelo menos o comando do Movimento 25 de Janeiro sabe para que lado virar a cabeça. Entre as principais exigências – uma espécie de mapa do caminho dos desejos políticos da rua – está o fim imediato do estado de emergência; libertação imediata de todos os prisioneiros políticos; criação de um conselho interino coletivo de governo; formação de um governo de transição que inclua todas as tendências nacionalistas independentes para organização e supervisão de eleições livres e limpas; formação de um grupo de trabalho para redigir proposta de nova constituição democrática, a ser legitimada por referendum; fim de todas as restrições à constituição de partidos políticos; liberdade de imprensa; liberdade para formar sindicatos e organizações não governamentais, sem terem de ser aprovados pelo governo; e abolição de todas as cortes militares.
Quem acredita que os generais do Conselho Supremo vão entregar tudo isso ao povo, deve viver no cume do Tibete.
Bomb me to democracy, babe
Essa nunca foi revolução conduzida só pelos jovens, e agora já é movimento conduzido pelos movimentos da classe trabalhadora. Na próxima fase, a classe trabalhadora – e os camponeses – serão mais cruciais a cada momento. Como o blogueiro Hossam El-Hamalawy escreveu: “Agora, as fábricas têm de ocupar a praça Tahrir”. O fim do regime aconteceu quando as greves começaram a alastrar-se feito fogo em mato seco. Há cada vez mais clara conceituação do que seja democracia direta, de baixo para cima, que pode levar a um estado de revolução permanente. O ‘ocidente’ treme em seus Ferragamos.
Ao mesmo tempo, a liderança do Movimento 25 de Janeiro sabe que Washington, Telavive e Riad – mais as classes comprador do mubarakismo – farão absolutamente qualquer coisa para impedir o advento da democracia egípcia. Valerá tudo – de um Walhalla de subornos até a invisível manipulação das leis e do processo eleitoral. Contem todos com pelo menos um general-candidato à presidência; com certeza não será o hoje super escondido homem da CIA, o “Sheikh al-Tortura” Suleiman, mas provavelmente será o comandante do Estado-maior do Exército Sami Anan, 63, que também passou muito tempo nos EUA e é mais íntimo de muitos no Pentágono, que Tantawi.
Em pouco tempo, todos estarão cortejando a Fraternidade Muçulmana, como se o fim do mundo estivesse próximo; a Turquia (para ampliar seu papel como um farol de moderação no Oriente Médio); o Irã (embora xiitas, para lembrar a Fraternidade Muçulmana da luta pela Palestina); os EUA (para manterem viva a ilusão de que conseguirão controlar um ‘braço’ jihadista que a Fraternidade Muçulmana nem tem); e a Arábia Saudita (com montanhas de dinheiro, para neutralizar as maquinações dos EUA).
O New York Times comenta astutamente que “a Casa Branca e o Departamento de Estado já discutem a criação de novos fundos para estimular o surgimento de partidos políticos seculares” – já na luta para atrair todos os inteligentes e inteligentíssimos, para o curral da agenda dos EUA.
À parte o fato de que a revolução egípcia – que ainda engatinha – é o mais enormemente importante movimento estratégico que acontece no Oriente Médio nos últimos 30 anos (desde que Israel invadiu o Líbano em 1982), merece destaque a vasta falácia, tão vasta quanto abjeta, que envolve tudo: da islamofobia e do reducionismo da teoria do “choque de civilizações” à quimera que os neoconservadores chamam de “Grande Oriente Médio”.
A rua egípcia abriu uma ampla estrada rumo à democracia, em apenas duas semanas e meia. Comparem-se esse saber-fazer e os processos de democratização do Afeganistão (há nove anos) e do Iraque (sete anos), comandados pelo Pentágono.
Nessa fase, não há como saber se o mubarakismo sobreviverá só com maquiagem leve. Nem se o mubarakismo conseguirá manipular as próximas eleições, deixando o exército à sombra. Nem se alguma revolução social e política real reorganizará mesmo, radicalmente, a estrutura da riqueza e do poder no Egito.
Muito além do inevitável confronto no Egito, entre explosão demográfica e crise econômica, o que está literalmente enlouquecendo o ocidente é que as elites ocidentais sabem perfeitamente o que a maioria dos egípcios não quer: nenhum governo verdadeiramente democrático e soberano no Egito poderá continuar a agir como escravo da política exterior dos EUA.
Pode acontecer, só para começar, de um novo governo levantar o sítio de Gaza e reexaminar as condições de exportação de gás natural para Israel a preços subsidiados; pode acontecer de um novo governo reconsiderar os direitos de passagem livre da Marinha dos EUA pelo Canal de Suez; e pode, é claro, acontecer de um novo governo afinal rediscutir o tema tabu, sacrossanto, santo entre santos: os acordos de Camp David, de 1979, com Israel.
Daqui em diante, a liberdade do Egito só aumentará na exata proporção do medo que a revolução inspire a Washington, Telavive e Riad.
É justo dizer que, na atual fase, a rua egípcia guarda junto ao coração todos que a apoiaram – grupo complexo que vai da rede al-Jazeera ao Hezbollah no Líbano. E já sabe identificar perfeitamente todos os que a menosprezaram – da Casa de Saud e vários extremistas Wahhabistas, a Israel. Nenhum egípcio jamais esquecerá que o rei Abdullah da Arábia Saudita acusou a rua de “intrometer-se na segurança e estabilidade do Egito árabe e muçulmano”.
O slogan chave da revolução egípcia foi “O povo quer derrubar o regime”. E já se ouve a primeira adaptação dele, rimada, para espalhar-se pelo mundo: “O povo quer libertar os palestinos”. Não percam os próximos boletins meteorológicos e geológicos: a verdadeira irrupção do verdadeiro vulcão ainda nem começou.
–
Nota da tradução:
* Orig. Under the (egyptian) volcano. “Under the volcano” é título de romance, de 1947, de Malcolm Lowry, editado no Brasil como À sombra do vulcão (Porto Alegre, L&PM Ed., 2002).
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ECONOMIA - O terrorismo dos inflacionistas.
Enviado por luisnassif
O economista Armando Castelar tem um papel manjado no mercado. Sua função é a mensageiro que passa pelas ruas das vilas medievais gritando "fogo", para manter a população permanentemente de sobreaviso.
Não se trata de um exercício banal de terrorismo. Ao espalhar temores infundados sobre situação fiscal, inflação e outros bichos, visa criar um clima para aumento de juros e para cortes em investimento e programas sociais. Por maldade? Não. Mas quanto maior o corte fiscal, maior será o espaço para aumentar os juros. Ou seja, há uma lógica nessa histeria.
Foi o que ocorreu ontem em entrevista ao Estado de S. Paulo, valendo-se da forma extremamente acrítica com que parte da imprensa recebe análises superficiais.
***
O primeiro terrorismo é em relação aos rumos da inflação.
Dos 5,94 do IPCA de 2010, 2,3 pontos se deveram ao grupo alimentos e bebidas, fortemente influenciado pela explosão das cotações internacionais.
Inflação é variação de preços – não meramente preços altos ou baixos. Se determinado preço está em 100 e passa para 120, por exemplo, a alta é de 20%. Se, num segundo momento, vai para 130, o preço estará mais alto, mas a inflação desse produto será de 8,3% sobre o período anterior.
Para manter a mesma inflação, os preços teriam que saltar para 144, depois para 173, em um crescimento insustentável.
Justamente por isso, em mercado não indexado (como é o de commodities) depois de um salto especulativo há acomodamento, pela simples razão de que a repetição do movimento despregaria completamente o preço financeiro do seu componente real – o mercado físico.
Essa aceleração dos preços de alimentos se deu no segundo semestre. Agora, há sinais de acomodamento de preços em vários setores, ou com preços andando de lado ou com variação menor do que no período anterior.
***
Em relação ao aquecimento da economia, os próprios dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE – divulgados ontem – mostram acomodação no setor que mais cresceu nos últimos anos: as vendas no varejo, comprovando que as medidas prudenciais e creditícias do ano passado estão surtindo efeito.
No acumulado de 2010, o crescimento foi de 10,9% - porque em cima da queda do ano anterior. Já em dezembro, descontada a sazonalidade, as vendas mantiveram-se estáveis – zero de crescimento.
***
Mesmo com tais dados, Castelar se esmerou em traçar um quadro assustador, duvidando do corte de R$ 50 bi – sem apresentar um dado sequer para corroborar sua desconfiança. Cortes de R$ 50 bi não são um ato banal que se esconde debaixo do tapete. Nem é necessário anúncio do detalhamento, basta conferir ministros esperneando contra os cortes.
***
Aonde se quer chegar com esse tipo de terrorismo? Corte nos programas sociais? O país chegou a um estágio de mudanças sociais em que não se aceita mais falta de oportunidade para as classes de menor renda. Corte nos investimentos? A economia demanda mais e mais investimentos em infra-estrutura.
Pretender ampliar cortes ou aumentar juros significa condenar o país a um crescimento pífio.
O economista Armando Castelar tem um papel manjado no mercado. Sua função é a mensageiro que passa pelas ruas das vilas medievais gritando "fogo", para manter a população permanentemente de sobreaviso.
Não se trata de um exercício banal de terrorismo. Ao espalhar temores infundados sobre situação fiscal, inflação e outros bichos, visa criar um clima para aumento de juros e para cortes em investimento e programas sociais. Por maldade? Não. Mas quanto maior o corte fiscal, maior será o espaço para aumentar os juros. Ou seja, há uma lógica nessa histeria.
Foi o que ocorreu ontem em entrevista ao Estado de S. Paulo, valendo-se da forma extremamente acrítica com que parte da imprensa recebe análises superficiais.
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O primeiro terrorismo é em relação aos rumos da inflação.
Dos 5,94 do IPCA de 2010, 2,3 pontos se deveram ao grupo alimentos e bebidas, fortemente influenciado pela explosão das cotações internacionais.
Inflação é variação de preços – não meramente preços altos ou baixos. Se determinado preço está em 100 e passa para 120, por exemplo, a alta é de 20%. Se, num segundo momento, vai para 130, o preço estará mais alto, mas a inflação desse produto será de 8,3% sobre o período anterior.
Para manter a mesma inflação, os preços teriam que saltar para 144, depois para 173, em um crescimento insustentável.
Justamente por isso, em mercado não indexado (como é o de commodities) depois de um salto especulativo há acomodamento, pela simples razão de que a repetição do movimento despregaria completamente o preço financeiro do seu componente real – o mercado físico.
Essa aceleração dos preços de alimentos se deu no segundo semestre. Agora, há sinais de acomodamento de preços em vários setores, ou com preços andando de lado ou com variação menor do que no período anterior.
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Em relação ao aquecimento da economia, os próprios dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE – divulgados ontem – mostram acomodação no setor que mais cresceu nos últimos anos: as vendas no varejo, comprovando que as medidas prudenciais e creditícias do ano passado estão surtindo efeito.
No acumulado de 2010, o crescimento foi de 10,9% - porque em cima da queda do ano anterior. Já em dezembro, descontada a sazonalidade, as vendas mantiveram-se estáveis – zero de crescimento.
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Mesmo com tais dados, Castelar se esmerou em traçar um quadro assustador, duvidando do corte de R$ 50 bi – sem apresentar um dado sequer para corroborar sua desconfiança. Cortes de R$ 50 bi não são um ato banal que se esconde debaixo do tapete. Nem é necessário anúncio do detalhamento, basta conferir ministros esperneando contra os cortes.
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Aonde se quer chegar com esse tipo de terrorismo? Corte nos programas sociais? O país chegou a um estágio de mudanças sociais em que não se aceita mais falta de oportunidade para as classes de menor renda. Corte nos investimentos? A economia demanda mais e mais investimentos em infra-estrutura.
Pretender ampliar cortes ou aumentar juros significa condenar o país a um crescimento pífio.
SAÚDE - Coca Cola usa ácido fosfórico na sua fórmula.
O uso do ácido fosfórico na Coca-Cola.
Enviado por luisnassif.
Por A Sales
Que eu saiba só a Coca-Cola utiliza o ácido fosfórico na sua fórmula, pois este é um elemento perigoso para a saúde e foi proibido nos refrigerantes mais novos, Por algum truque jurídico a Coca-Cola deve ter obtido a permissão para continuar a usá-lo. Cada copo de Coca-Cola tem aproximadamente duas colheres de açúcar e uma de sal... o ácido fosfórico entra aí para evitar a sensação de excesso que essas quantidades dão no consumidor incauto... Aconselho a leitura do Livro Negro do Açúcar:
http://www.uefs.br/docentes/jmarcia/2007/O_livro_negro_do_acucar1.pdf
O livro negro do açucar: algumas verdades sobre a indústria da doença
Enviado por luisnassif.
Por A Sales
Que eu saiba só a Coca-Cola utiliza o ácido fosfórico na sua fórmula, pois este é um elemento perigoso para a saúde e foi proibido nos refrigerantes mais novos, Por algum truque jurídico a Coca-Cola deve ter obtido a permissão para continuar a usá-lo. Cada copo de Coca-Cola tem aproximadamente duas colheres de açúcar e uma de sal... o ácido fosfórico entra aí para evitar a sensação de excesso que essas quantidades dão no consumidor incauto... Aconselho a leitura do Livro Negro do Açúcar:
http://www.uefs.br/docentes/jmarcia/2007/O_livro_negro_do_acucar1.pdf
O livro negro do açucar: algumas verdades sobre a indústria da doença
IGREJA CATÓLICA - Algumas pessoas questionam a velocidade da beatificação de João Paulo II.
Católicos proeminentes, reagindo ao anúncio de 14 de janeiro de que o papa João Paulo II será beatificado, expressaram a existência de uma tensão no desejo de reconhecer a santidade do falecido papa ao mesmo tempo em que ainda estão sendo investigadas suas ações durante seu pontificado.
A reportagem é de Joshua J. McElwee e publicada pelo National Catholic Reporter, 02-02-2011. A tradução é de Luiz Marcos Sander.
A notícia a respeito da beatificação veio após a declaração oficial de um milagre atribuído a João Paulo II – a cura da religiosa francesa Marie Simon-Pierre, de 49 anos, de uma forma agressiva do mal de Parkinson.
A beatificação de João Paulo II terá lugar numa cerimônia no Vaticano em 1º de maio.
As entrevistas e trocas de e-mails do National Catholic Reporter (NCR) com mais de duas dezenas de católicos proeminentes encontrou uma mescla de opiniões, sendo que muitas pessoas relutam em falar publicamente sobre o progresso do falecido papa rumo à canonização.
O milagre parece mostrar que “Deus está por trás” da beatificação do falecido pontífice, disse o padre jesuíta James Martin, autor do livro Minha vida com os santos. “Não se pode contestar isso.”
Entretanto, Martin também expressou outro ponto de vista também refletido por algumas pessoas que falaram com o NCR. Referindo-se à decisão do papa Bento XVI, tomada em 2005, de pôr de lado o período normal de espera de cinco anos para a causa da canonização de João Paulo II, o editor da revista America disse que, embora Bento XVI esteja “respondendo à vontade do povo” acelerando o processo no caso do falecido pontífice, também é “sábio esperar” para buscar a santificação.
A tensão dessa dinâmica permeou quase todas as entrevistas feitas pelo NCR.
Como a aprovação do milagre veio junto com a divulgação de mais detalhes da forma como João Paulo II lidou com o Pe. Marcial Maciel Degollado, o fundador da Legião de Cristo que caiu em desgraça, o Pe. Richard Veja, presidente da Federação Nacional dos Conselhos de Sacerdotes, disse que a espera normal de cinco anos teria permitido que se tivesse mais tempo para examinar a relação de João Paulo II com Maciel.
Veja disse que, ao mesmo tempo em que há muitas coisas em relação ao testemunho do falecido papa “que nos convidam a examinar sua vida mais de perto”, revelações recentes fazem com que ele faça mais perguntas, como, por exemplo, se a relação de João Paulo II com Maciel obscureceu ou não a visão do papa.
“O tempo nos permite ajustar as coisas e vê-las de um modo diferente”, disse Veja. “Nós realmente não percebemos a sabedoria, que aprendemos ao longo das eras, de que o tempo nos dá uma perspectiva melhor, lentes mais claras, e permite que as emoções cessem e olhemos isso a partir de uma perspectiva melhor.”
Outras pessoas expressaram sua oposição ao anúncio de maneira um pouco mais direta.
A irmã beneditina Joan Chittister disse que a atitude de João Paulo II “para com os abusos sexuais de crianças por parte de clérigos corporificou a pior espécie de clericalismo”.
Disse Chittister: “O mínimo que a igreja poderia fazer por respeito às pessoas que já sofreram insultos nas mãos da igreja é deixar que a perspectiva do tempo decida se a canonização é apropriada ou não.”
Anthony Padovano, professor do Ramapo College em Mahwah, Nova Jérsei, disse que o uso do poder por parte do falecido pontífice durante seu papado deu um mau exemplo “do tipo de vida que se espera que as pessoas na igreja imitem”.
“O testemunho de João Paulo II foi extremamente decepcionante”, disse Padovano. “Esse testemunho não deveria ser apresentado como um modelo daquilo que se espera que um cristão faça.”
Entre alguns dos pontos positivos mencionados nas entrevistas esteve a importância da aproximação de João Paulo II em relação à igreja global, particularmente suas viagens a países em desenvolvimento.
O padre beneditino Anscar Chupungco, secretário da Comissão Episcopal de Liturgia dos bispos filipinos, destacou o enfoque dado pelo falecido papa à integração de costumes e tradições culturais locais na liturgia.
“Eu ouso chamá-lo de ‘pai da inculturação litúrgica’”, disse Chupungco. “Gostaria de considerar sua beatificação como uma reafirmação de seu ministério litúrgico para com as igrejas locais fora do hemisfério ocidental.”
O cardeal sul-africano Wilfrid Napier disse que João Paulo II fez questão de apoiar a criação do Sínodo Africano assegurando que medidas importantes na formação do Sínodo fossem anunciadas enquanto o papa estava visitando o continente em 1995.
“Na verdade, acho que ele tinha um fraco pela África”, disse Napier, que foi elevado ao Colégio de Cardeais pelo falecido papa em 2001.
Napier se lembra de ter almoçado com João Paulo II em seus aposentos privados em Roma, junto com outros líderes importantes, bem como de ter tomado café da manhã com ele durante o Sínodo Africano.
“Era muito familiar. Com ele, você se sentia como se fizesse parte da família”, disse Napier. “Ele não lhe oferecia conselhos. Na maior parte do tempo, ele deixava você falar e fazia perguntas sobre a diocese, a igreja local e esse tipo de coisa.”
Mesmo entre as pessoas que manifestaram uma opinião crítica sobre a beatificação em entrevistas com o NCR, poucas contestaram a piedade pessoal de João Paulo II. Elas se opunham, isto sim, à imagem e às ênfases de seu papado, bem como à prioridade de sua santificação.
O Pe. Charles Curran, professor de teologia na Southern Methodist University em Dallas, disse que, embora ele não tivesse objeções ao anúncio da beatificação, a igreja “estaria numa situação muito melhor se nós parássemos de canonizar papas, bispos, clérigos e religiosos”.
Theresa Kane, irmã da Divina Misericórdia, disse que outras causas para canonização deveriam ter mais prioridade – particularmente a do arcebispo salvadorenho Oscar Romero – e chamou a beatificação do falecido papa de “um tanto prematura”.
Kenneth Woodward, autor do livro A fábrica de santos, sobre como a Igreja Católica determina quem se torna santo, quem não se torna e por que, disse que o falecido papa tinha uma “vida de oração profunda”.
Entretanto, Woodward, que escreve matérias para a revista Newsweek, também disse francamente que João Paulo II “arruinou a hierarquia católica” fazendo da concordância nas questões da ordenação de mulheres e dos sacerdotes casados uma virtual exigência para a elevação ao episcopado.
Padovano, que também tem um doutorado em teologia da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, disse que a vida de oração de uma pessoa não deveria determinar se ela deve ser considerada santa ou não.
Disse ele: “A piedade pessoal é menos importante do que o tipo de percepção pública do indivíduo que a igreja tem. Afinal, um santo é uma pessoa pública. E a canonização é uma ação pública que não está lidando apenas com a piedade pessoal, mas examinando o tipo de comportamento que ela entende que deveria ser imitado.”
Fonte:IHU
A reportagem é de Joshua J. McElwee e publicada pelo National Catholic Reporter, 02-02-2011. A tradução é de Luiz Marcos Sander.
A notícia a respeito da beatificação veio após a declaração oficial de um milagre atribuído a João Paulo II – a cura da religiosa francesa Marie Simon-Pierre, de 49 anos, de uma forma agressiva do mal de Parkinson.
A beatificação de João Paulo II terá lugar numa cerimônia no Vaticano em 1º de maio.
As entrevistas e trocas de e-mails do National Catholic Reporter (NCR) com mais de duas dezenas de católicos proeminentes encontrou uma mescla de opiniões, sendo que muitas pessoas relutam em falar publicamente sobre o progresso do falecido papa rumo à canonização.
O milagre parece mostrar que “Deus está por trás” da beatificação do falecido pontífice, disse o padre jesuíta James Martin, autor do livro Minha vida com os santos. “Não se pode contestar isso.”
Entretanto, Martin também expressou outro ponto de vista também refletido por algumas pessoas que falaram com o NCR. Referindo-se à decisão do papa Bento XVI, tomada em 2005, de pôr de lado o período normal de espera de cinco anos para a causa da canonização de João Paulo II, o editor da revista America disse que, embora Bento XVI esteja “respondendo à vontade do povo” acelerando o processo no caso do falecido pontífice, também é “sábio esperar” para buscar a santificação.
A tensão dessa dinâmica permeou quase todas as entrevistas feitas pelo NCR.
Como a aprovação do milagre veio junto com a divulgação de mais detalhes da forma como João Paulo II lidou com o Pe. Marcial Maciel Degollado, o fundador da Legião de Cristo que caiu em desgraça, o Pe. Richard Veja, presidente da Federação Nacional dos Conselhos de Sacerdotes, disse que a espera normal de cinco anos teria permitido que se tivesse mais tempo para examinar a relação de João Paulo II com Maciel.
Veja disse que, ao mesmo tempo em que há muitas coisas em relação ao testemunho do falecido papa “que nos convidam a examinar sua vida mais de perto”, revelações recentes fazem com que ele faça mais perguntas, como, por exemplo, se a relação de João Paulo II com Maciel obscureceu ou não a visão do papa.
“O tempo nos permite ajustar as coisas e vê-las de um modo diferente”, disse Veja. “Nós realmente não percebemos a sabedoria, que aprendemos ao longo das eras, de que o tempo nos dá uma perspectiva melhor, lentes mais claras, e permite que as emoções cessem e olhemos isso a partir de uma perspectiva melhor.”
Outras pessoas expressaram sua oposição ao anúncio de maneira um pouco mais direta.
A irmã beneditina Joan Chittister disse que a atitude de João Paulo II “para com os abusos sexuais de crianças por parte de clérigos corporificou a pior espécie de clericalismo”.
Disse Chittister: “O mínimo que a igreja poderia fazer por respeito às pessoas que já sofreram insultos nas mãos da igreja é deixar que a perspectiva do tempo decida se a canonização é apropriada ou não.”
Anthony Padovano, professor do Ramapo College em Mahwah, Nova Jérsei, disse que o uso do poder por parte do falecido pontífice durante seu papado deu um mau exemplo “do tipo de vida que se espera que as pessoas na igreja imitem”.
“O testemunho de João Paulo II foi extremamente decepcionante”, disse Padovano. “Esse testemunho não deveria ser apresentado como um modelo daquilo que se espera que um cristão faça.”
Entre alguns dos pontos positivos mencionados nas entrevistas esteve a importância da aproximação de João Paulo II em relação à igreja global, particularmente suas viagens a países em desenvolvimento.
O padre beneditino Anscar Chupungco, secretário da Comissão Episcopal de Liturgia dos bispos filipinos, destacou o enfoque dado pelo falecido papa à integração de costumes e tradições culturais locais na liturgia.
“Eu ouso chamá-lo de ‘pai da inculturação litúrgica’”, disse Chupungco. “Gostaria de considerar sua beatificação como uma reafirmação de seu ministério litúrgico para com as igrejas locais fora do hemisfério ocidental.”
O cardeal sul-africano Wilfrid Napier disse que João Paulo II fez questão de apoiar a criação do Sínodo Africano assegurando que medidas importantes na formação do Sínodo fossem anunciadas enquanto o papa estava visitando o continente em 1995.
“Na verdade, acho que ele tinha um fraco pela África”, disse Napier, que foi elevado ao Colégio de Cardeais pelo falecido papa em 2001.
Napier se lembra de ter almoçado com João Paulo II em seus aposentos privados em Roma, junto com outros líderes importantes, bem como de ter tomado café da manhã com ele durante o Sínodo Africano.
“Era muito familiar. Com ele, você se sentia como se fizesse parte da família”, disse Napier. “Ele não lhe oferecia conselhos. Na maior parte do tempo, ele deixava você falar e fazia perguntas sobre a diocese, a igreja local e esse tipo de coisa.”
Mesmo entre as pessoas que manifestaram uma opinião crítica sobre a beatificação em entrevistas com o NCR, poucas contestaram a piedade pessoal de João Paulo II. Elas se opunham, isto sim, à imagem e às ênfases de seu papado, bem como à prioridade de sua santificação.
O Pe. Charles Curran, professor de teologia na Southern Methodist University em Dallas, disse que, embora ele não tivesse objeções ao anúncio da beatificação, a igreja “estaria numa situação muito melhor se nós parássemos de canonizar papas, bispos, clérigos e religiosos”.
Theresa Kane, irmã da Divina Misericórdia, disse que outras causas para canonização deveriam ter mais prioridade – particularmente a do arcebispo salvadorenho Oscar Romero – e chamou a beatificação do falecido papa de “um tanto prematura”.
Kenneth Woodward, autor do livro A fábrica de santos, sobre como a Igreja Católica determina quem se torna santo, quem não se torna e por que, disse que o falecido papa tinha uma “vida de oração profunda”.
Entretanto, Woodward, que escreve matérias para a revista Newsweek, também disse francamente que João Paulo II “arruinou a hierarquia católica” fazendo da concordância nas questões da ordenação de mulheres e dos sacerdotes casados uma virtual exigência para a elevação ao episcopado.
Padovano, que também tem um doutorado em teologia da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, disse que a vida de oração de uma pessoa não deveria determinar se ela deve ser considerada santa ou não.
Disse ele: “A piedade pessoal é menos importante do que o tipo de percepção pública do indivíduo que a igreja tem. Afinal, um santo é uma pessoa pública. E a canonização é uma ação pública que não está lidando apenas com a piedade pessoal, mas examinando o tipo de comportamento que ela entende que deveria ser imitado.”
Fonte:IHU
MÍDIA - Regulação da mídia só sairá sob pressão.
Por Altamiro Borges
Sentindo-se em casa, o descontraído Paulo Bernardo, ex-bancário e atual ministro das Comunicações, participou na noite desta terça-feira (15) do debate sobre o “Plano Nacional de Banda Larga e outros desafios da comunicação”, no auditório do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Logo de cara, ele brincou que trataria apenas do PNBL, mas que já sabia que outros temas picantes seriam provocados pelos 140 presentes. Democrático, foi curto na exposição inicial para garantir mais tempo às polêmicas.
No que se refere ao PNBL, o ministro não deixou dúvida que esta é uma prioridade do governo Dilma Rousseff. Segundo explicou, as empresas de telefonia “não deram conta de massificar a banda larga no país. Foi uma opção de mercado, uma questão de retorno financeiro. Por isso o serviço é caro e para poucos”. Todo o esforço do governo será para superar este atraso. A idéia é forçar as empresas, através da recriação da Telebrás e da rede já existente de fibras óticas, a baixar os preços e expandir o serviço.
PNBL deslancha a partir de maio
Paulo Bernardo está confiante no sucesso do PNBL. Ele lembrou a viagem que fez a Manaus para inaugurar uma linha de fibra ótica proveniente de um acordo entre Venezuela e Brasil, firmado por Hugo Chávez e o ex-presidente Lula. Antes, o amazonense pagava R$ 412 pela banda larga; agora, pagará apenas R$ 39. Através de instrumentos e ações públicas, o ministro acredita que rapidamente as teles serão obrigadas a baixar os preços.
Ele citou dados de uma pesquisa oficial que indicam que o valor do serviço é o principal entrave ao crescimento da banda larga no país. “Derrubando os preços, é possível atingir 80% da população nos próximos quatro anos”. Ele acredita que as teles possam oferecer o serviço a R$ 35; com o corte do ICMS nos estados, o valor poderia chegar a R$ 29. Se esta estratégia de estimulo à concorrência der resultado, Paulo Bernardo avalia que o PNBL começa a deslanchar já a partir de maio próximo.
Dubiedade sobre o marco regulatório
No final da sua exposição, o ministro fez questão de relatar que o desafio da banda larga é uma decisão da presidenta. “Quando me convidou para o ministério, Dilma enfatizou duas coisas: resolver a questão das rádios comunitárias, agilizando as outorgas; e acelerar a massificação da banda larga no país... Não dá para ser a quinta maior economia do planeta, como muitos economistas projetam, sem avançar na internet numa sociedade do conhecimento”.
Se o ministro demonstrou firmeza ao tratar da banda larga – e, para surpresa de muitos, da questão das rádios comunitárias –, o mesmo não ocorreu quando foi “provocado” pelos presentes e internautas sobre a regulação da mídia. Neste ponto, ele deu uma no cravo e outra na ferradura. Para alegria de alguns, Paulo Bernardo afirmou com todas as letras que o governo não desistiu da discussão sobre o novo marco regulatório. Mas, para suspeita de outros, colocou vários empecilhos à solução do grave problema.
“Não dá para resolver logo este assunto”
Conforme relatou, o ex-ministro Franklin Martins promoveu várias discussões sobre o tema e produziu um projeto inicial sobre a regulação dos meios de comunicação. A proposta não ficou totalmente pronta e foi repassada em dezembro passado. Segundo Paulo Bernardo, ela agora está sendo examinada em conjunto com outros órgãos, como a Secom e Ministério da Cultura. Depois, será encaminhada para exame da presidenta e, na sequência, a idéia é promover consultas à sociedade – durante 30 ou 60 dias.
O ministro fez questão de desmentir as manchetes dos jornais que comemoraram o enterro do projeto de Franklin Martins. “Nós devemos fazer a regulamentação da mídia”. Ele citou os quatro artigos da Constituição que até hoje não foram regulamentados. Mas, logo em seguida, usou o argumento da correlação de forças para dizer que batalha não será fácil. “Devemos nos preparar para uma batalha longa. Não dá para resolver logo esse assunto”.
Outros projetos que “foram enterrados”
Para ele, o desafio é conquistar ressonância na sociedade. “Existem muitos interesses contrários à regulação. Corre-se o risco do projeto ir para a gaveta. Você fala em regulação e logo surgem os que dizem que isto é censura”. Ele citou o projeto de iniciativa popular sobre moradia que demorou 15 anos para sair do papel. Lembrou até do ex-ministro das Comunicações de FHC, Sérgio Motta, que apresentou dois projetos sobre o tema que “foram enterrados”. Citou também a “derrota” do projeto da Ancinave.
Bem ao seu estilo pragmático, exercitado quando era ministro do Planejamento, Paulo Bernardo disse que não está disposto a “marcar posição” sobre o assunto. Brincou que não desejava colocar em seu currículo que foi autor de projeto de regulação da mídia, mas que ele “foi derrotado”. E, para bom entendedor, foi enfático ao afirmar: “Não é uma questão simples de resolver”.
“Feijão só fica bom sob pressão”
Resumo da ópera para esse mísero e “afoito” blogueiro: o governo Dilma Rousseff até trabalha com a possibilidade de apresentar um projeto de regulação da mídia, mas ainda avalia a real correlação de forças e a relação custo-benefício. O projeto em debate nas hostes palacianas, guardado a sete chaves, só sairá do papel com intensa e unitária pressão dos movimentos sociais.
Sem pressão social, um novo marco regulatório dos meios de comunicação – que restrinja a concentração do setor e a criminosa manipulação da ditadura midiática, garantindo a autêntica liberdade de expressão no país – será enterrado antes mesmo do seu nascimento. Aqui vale a lição de Frei Betto, um apreciador da boa culinária e das lutas sociais: “Feijão só fica bom sob pressão”.
Postado por Miro/ Blog do Miro
Sentindo-se em casa, o descontraído Paulo Bernardo, ex-bancário e atual ministro das Comunicações, participou na noite desta terça-feira (15) do debate sobre o “Plano Nacional de Banda Larga e outros desafios da comunicação”, no auditório do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Logo de cara, ele brincou que trataria apenas do PNBL, mas que já sabia que outros temas picantes seriam provocados pelos 140 presentes. Democrático, foi curto na exposição inicial para garantir mais tempo às polêmicas.
No que se refere ao PNBL, o ministro não deixou dúvida que esta é uma prioridade do governo Dilma Rousseff. Segundo explicou, as empresas de telefonia “não deram conta de massificar a banda larga no país. Foi uma opção de mercado, uma questão de retorno financeiro. Por isso o serviço é caro e para poucos”. Todo o esforço do governo será para superar este atraso. A idéia é forçar as empresas, através da recriação da Telebrás e da rede já existente de fibras óticas, a baixar os preços e expandir o serviço.
PNBL deslancha a partir de maio
Paulo Bernardo está confiante no sucesso do PNBL. Ele lembrou a viagem que fez a Manaus para inaugurar uma linha de fibra ótica proveniente de um acordo entre Venezuela e Brasil, firmado por Hugo Chávez e o ex-presidente Lula. Antes, o amazonense pagava R$ 412 pela banda larga; agora, pagará apenas R$ 39. Através de instrumentos e ações públicas, o ministro acredita que rapidamente as teles serão obrigadas a baixar os preços.
Ele citou dados de uma pesquisa oficial que indicam que o valor do serviço é o principal entrave ao crescimento da banda larga no país. “Derrubando os preços, é possível atingir 80% da população nos próximos quatro anos”. Ele acredita que as teles possam oferecer o serviço a R$ 35; com o corte do ICMS nos estados, o valor poderia chegar a R$ 29. Se esta estratégia de estimulo à concorrência der resultado, Paulo Bernardo avalia que o PNBL começa a deslanchar já a partir de maio próximo.
Dubiedade sobre o marco regulatório
No final da sua exposição, o ministro fez questão de relatar que o desafio da banda larga é uma decisão da presidenta. “Quando me convidou para o ministério, Dilma enfatizou duas coisas: resolver a questão das rádios comunitárias, agilizando as outorgas; e acelerar a massificação da banda larga no país... Não dá para ser a quinta maior economia do planeta, como muitos economistas projetam, sem avançar na internet numa sociedade do conhecimento”.
Se o ministro demonstrou firmeza ao tratar da banda larga – e, para surpresa de muitos, da questão das rádios comunitárias –, o mesmo não ocorreu quando foi “provocado” pelos presentes e internautas sobre a regulação da mídia. Neste ponto, ele deu uma no cravo e outra na ferradura. Para alegria de alguns, Paulo Bernardo afirmou com todas as letras que o governo não desistiu da discussão sobre o novo marco regulatório. Mas, para suspeita de outros, colocou vários empecilhos à solução do grave problema.
“Não dá para resolver logo este assunto”
Conforme relatou, o ex-ministro Franklin Martins promoveu várias discussões sobre o tema e produziu um projeto inicial sobre a regulação dos meios de comunicação. A proposta não ficou totalmente pronta e foi repassada em dezembro passado. Segundo Paulo Bernardo, ela agora está sendo examinada em conjunto com outros órgãos, como a Secom e Ministério da Cultura. Depois, será encaminhada para exame da presidenta e, na sequência, a idéia é promover consultas à sociedade – durante 30 ou 60 dias.
O ministro fez questão de desmentir as manchetes dos jornais que comemoraram o enterro do projeto de Franklin Martins. “Nós devemos fazer a regulamentação da mídia”. Ele citou os quatro artigos da Constituição que até hoje não foram regulamentados. Mas, logo em seguida, usou o argumento da correlação de forças para dizer que batalha não será fácil. “Devemos nos preparar para uma batalha longa. Não dá para resolver logo esse assunto”.
Outros projetos que “foram enterrados”
Para ele, o desafio é conquistar ressonância na sociedade. “Existem muitos interesses contrários à regulação. Corre-se o risco do projeto ir para a gaveta. Você fala em regulação e logo surgem os que dizem que isto é censura”. Ele citou o projeto de iniciativa popular sobre moradia que demorou 15 anos para sair do papel. Lembrou até do ex-ministro das Comunicações de FHC, Sérgio Motta, que apresentou dois projetos sobre o tema que “foram enterrados”. Citou também a “derrota” do projeto da Ancinave.
Bem ao seu estilo pragmático, exercitado quando era ministro do Planejamento, Paulo Bernardo disse que não está disposto a “marcar posição” sobre o assunto. Brincou que não desejava colocar em seu currículo que foi autor de projeto de regulação da mídia, mas que ele “foi derrotado”. E, para bom entendedor, foi enfático ao afirmar: “Não é uma questão simples de resolver”.
“Feijão só fica bom sob pressão”
Resumo da ópera para esse mísero e “afoito” blogueiro: o governo Dilma Rousseff até trabalha com a possibilidade de apresentar um projeto de regulação da mídia, mas ainda avalia a real correlação de forças e a relação custo-benefício. O projeto em debate nas hostes palacianas, guardado a sete chaves, só sairá do papel com intensa e unitária pressão dos movimentos sociais.
Sem pressão social, um novo marco regulatório dos meios de comunicação – que restrinja a concentração do setor e a criminosa manipulação da ditadura midiática, garantindo a autêntica liberdade de expressão no país – será enterrado antes mesmo do seu nascimento. Aqui vale a lição de Frei Betto, um apreciador da boa culinária e das lutas sociais: “Feijão só fica bom sob pressão”.
Postado por Miro/ Blog do Miro
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