sábado, 28 de julho de 2012

PETRÓLEO - Areia betuminosa.

Dez anos atrás, novas tecnologias de exploração de petróleo liberaram vastos suprimentos dos depósitos de areia betuminosa do Canadá, elevando o país da América do Norte à elite dos donos das maiores reservas do mundo. Agora, as companhias de petróleo estão experimentando com tecnologias que poderiam liberar ainda mais reservas de um dos tipos de petróleo mais pesados e viscosos do planeta. As novas tecnologias poderiam também reduzir os custos de produção de petróleo no Canadá. Um consórcio pretende fazer o petróleo fluir até a superfície usando antenas enormes para enviar ondas de rádio até o fundo dos poços — adotando uma tecnologia desenvolvida inicialmente para o governo americano monitorar abrigos subterrâneos. Outra empresa está trabalhando em bobinas elétricas aquecedoras que seriam inseridas nos poços para derreter o petróleo, enquanto ainda outras firmas estão experimentando com solventes à base petróleo, os quais elas esperam bombear dentro dos poços para aumentar a produção. Todas essas experiências têm o objetivo de melhorar um método padrão de extração de petróleo de areias betuminosas: a chamada drenagem gravitacional auxiliada por vapor, também conhecida pela sigla SAGD, em inglês. Essa tecnologia — ela própria uma descoberta recente — consiste essencialmente em injetar vapor superaquecido nos poços para esquentar os depósitos de betume, que é um tipo de petróleo viscoso, tornando-o líquido o suficiente para ser bombeado para a superfície. A SAGD quintuplicou o volume de betume possível de ser extraído no Canadá, e ajudou a fazer das reservas recuperáveis de petróleo do país as terceiras maiores do mundo, atrás das da Arábia Saudita e da Venezuela. Mas essas reservas são apenas um décimo do 1,7 trilhão de barris de betume já descoberto no Canadá. O Conselho de Conservação dos Recursos Energéticos de Alberta estima que haja ainda mais de 400 bilhões de barris de betume aprisionadas nas formações de rochas carbonáticas da província canadense. "Se nós postularmos que 25% disso pode ser recuperado, o Canadá pode pular para número 1" em reservas de petróleo, disse Glen Schmidt, diretor-presidente da Laricina Energy Ltd., uma empresa energética e tecnológica de capital fechado com sede em Calgary. A Laricina é uma das várias empresas, incluindo Royal Dutch Shell PLC, Athabasca Oil Corp. e Husky Energy Inc., que estão adaptando a tecnologia SAGD para formações rochosas e experimentando novas melhorias para diminuir o uso de água e energia na exploração. A Laricina é parte de um consórcio composto pelas grandes petrolíferas canadenses Suncor Energy Inc. e Nexen Inc. que está testando o uso de antenas no lugar da injeção de vapor. Essa antena foi desenvolvida pela Harris Corp., uma fabricante de equipamentos de telecomunicações de Melbourne, no Estado da Flórida. Depois de serem conduzidas até dentro do poço, as antenas geram calor, aquecendo o betume. Schmidt disse que os primeiros testes mostraram que a tecnologia poderia reduzir o uso de energia em 40%. Ela também removeria os pesados custos iniciais com instalações de tratamento de água e geração de vapor. Isso poderia baixar o custo de produção da SAGD, atualmente em torno de US$ 55 a US$ 65 por barril na maioria dos projetos. A tecnologia, que talvez seja implementada já em 2019, teve origem em 2008, quando a Harris estava trabalhando num projeto encomendado pelo governo dos Estados Unidos para aumentar a capacidade de comunicação subterrânea. Como parte da pesquisa, os executivos da Harris procuraram especialistas em serviços de petróleo com experiência em técnicas de perfuração horizontal. Wes Covell, vice-presidente da Harris, não quis dar mais detalhes do que ele disse ser um projeto confidencial. Os executivos da Harris tiveram uma epifania quando os especialistas mencionaram o problema enfrentado pela indústria petrolífera do Canadá para transmitir calor eficientemente até os reservatórios de betume no fundo de poços horizontais. A Harris "se deu conta de que nós podemos pegar nossas antenas e, em vez de usá-las para comunicação, usá-las como uma fonte de energia eletromagnética que gera calor", disse Covell. A Athabasca Oil, outra grande produtora de petróleo canadense, está testando uma tecnologia semelhante de aquecimento por eletricidade para extrair betume de rochas carbonáticas. A companhia insere nos poços bobinas elétricas feitas do mesmo material que bocais de fogões. Se os testes forem bem-sucedidos, a Athabasca planeja começar um projeto comercial para sua tecnologia até 2018. A Laricina e várias outras empresas também estão testando adicionar solventes leves de hidrocarbonetos ao vapor injetado em poços de SAGD para aumentar a produção. Os solventes diluem o betume, que então flui com mais facilidade. A Cenovus Energy Inc. está trabalhando num projeto que poderia se tornar comercial em 2017. Jason Abbate, chefe de engenharia de produção de um dos projetos da Cenovus, disse que a tecnologia do solvente poderia aumentar a produção em até 25% e diminuir o volume usado de vapor e gás natural em até 30%. Fonte: EDWARD WELSH, de Alberta, Canadá/The Wall Street Journal .

PETRÓLEO - Petroleiros debatem papel da mídia.

Por Alessandra Murteira, no sítio da CUT. Com o tema "A energia a favor dos povos, com justiça social e ambiental", a III Plenária Nacional da FUP (Plenafup) será realizada em Porto Alegre, entre os dias 2 e 5 de agosto. O evento reunirá na capital gaúcha cerca de 200 petroleiros e petroleiras eleitos nos congressos e plenárias regionais, além de observadores, convidados e assessores. Os trabalhadores irão deliberar sobre conjunturas política e econômica, organização sindical, pautas de reivindicações da categoria, estratégias e planos de luta. Antes da solenidade de abertura da III Plenafup, prevista para as 19 horas do dia 2, haverá um debate sobre democratização da comunicação, com participação de jornalistas e militantes. Foram convidados para o evento os jornalistas e escritores Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Leonardo Severo, assessor da CUT nacional e redator especial do jornal Hora do Povo, Leandro Fortes, repórter especial da revista Carta Capital e professor da Escola Livre de Jornalismo, e Fernando Morais, autor de "Os Últimos Soldados da Guerra Fria", "Olga", "A Ilha", "Chatô", entre outros livros-reportagem. Os jornalistas irão debater temas como manipulação e partidarismo nos veículos de comunicação, liberdade de expressão, a influência das redes sociais e dos blogs como mobilizadores e formadores de opinião, entre outras questões. O debate sobre democratização da comunicação está previsto para ocorrer entre às 14 e 18 horas. O evento será realizado no Salão de Convenções do Hotel Embaixador, situado à Rua Jerônimo Coelho, 354, Centro de Porto Alegre. Tarde de autógrafos com Fernando Morais Os jornalistas Fernando Morais e Leonardo Severo irão debater seus últimos livros com os petroleiros e convidados durante a III Plenafup. Fernando Moraes irá autografar e comentar "Os Últimos Soldados da Guerra Fria", que narra a história dos agentes secretos cubanos infiltrados em organizações de extrema direita dos Estados Unidos e revela os tentáculos de uma rede terrorista com sede na Flórida e ramificações na América Central, apoiada pelo governo norte americano e membros do Poder Legislativo e Judiciário. A cerimônia será durante o debate sobre democratização da comunicação, na tarde do dia 2, no Salão de Convenções do Hotel Embaixador. Leonardo Severo lança a segunda edição de "Latifúndio Midiota" No dia 3, antes da votação do regimento e da mesa diretora da Plenária Nacional da FUP, o jornalista Leonardo Severo, fará o lançamento nacional da segunda edição do seu livro "Latifúndio Midiota", que denuncia os crimes, crises e trapaças da dita "grande imprensa". A primeira edição do livro foi lançada também em Porto Alegre, em janeiro, durante o Fórum Social Mundial. Desde então, Leonardo tem corrido o pais, debatendo com trabalhadores, estudantes e movimentos sociais a importância da democratização da comunicação. Seu livro é mais um importante instrumento de luta e mobilização por um novo marco da comunicação no Brasil. O lançamento da segunda edição de "Latifúndio Midiota" será às 10 horas do dia 3, no Salão de Convenções do Hotel Embaixador. Postado por Miro

MÍDIA - A crise de credibilidade da velha mídia.

Jornais e revistas da velha mídia brasileira fazem reformas gráficas, cobram páginas na internet, dão brindes, mas ficam longe dos principais problemas que os têm levado a essa crise irreversível. O problema central da decadência da velha mídia é a falta de credibilidade. Não apenas porque tem sistematicamente apostado editorialmente nos candidatos derrotados, como se fossem órgãos dos partidos opositores, mas também porque nem sequer tem, nas suas páginas, o mínimo de pluralismo, que permita aos leitores confrontar pontos de vista distintos. São os mesmos colunistas, com pontos de vista muito similares, que povoam as chatíssimas páginas da mídia brasileira. (O mesmo acontece no rádio e na tv privados.) A impressão que dão é que seus pontos de vista – nos editorais e nos artigos, muito similares entre si – é que seus argumentos são tão frágeis, que tem medo de se ver confrontados com perspectivas diferentes. Escudam-se então no monopólio dos seus argumentos, como se ainda estivéssemos nos tempos em que ocupavam totalmente o espectro da formação de opinião publica e contavam com governos que concordavam em tudo com eles. Não haverá recuperação dessa velha mídia, que caminha inexoravelmente para a intranscendência, até porque os jovens não leem mais jornais, usam a internet. A velha mídia oscila entre tentar desqualificar as mídia virtuais ou concorrer com elas. Nenhum dos dois caminhos dá certo. Com que moral essa velha mídia – que apoiou o golpe militar, com esteve com a ditadura, com o Sarney, com o Collor e com o FHC – vem falar da falta de credibilidade das mídias alternativas? Como querem concorrer, se nas mídias alternativas estão justamente os analistas e as interpretações que eles excluem dos seus espaços? É uma perda que jornais que já tiveram um papel progressista no passado, tenham se transformado em órgãos de direção politica e ideológica de uma oposição conservadora, sem rumo e sem apoio popular. Que tenham se partidarizado tão fortemente, que editorializem toda a publicação, que percam qualquer interesse para o debate democrático e pluralista. Mas na verdade a decadência vem de antes, do momento do golpe de 1964. No momento mais significativo da história brasileira, eles ficaram do lado da ditadura e contra a democracia. E nunca fizeram autocrítica. Seu comportamento hoje – e a decadência irreversível em que estão – é, no fundo resultado da opção que fizeram naquele momento. Aquela opção os colocou do lado das elites, contra o povo, sem condições portanto de se identificar com o mais importante processo de democratização econômica e social que o Brasil vive há uma década. Postado por Emir Sader

GEOPOLÍTICA - Nova relação de poder em escala mundial.

O mundo bipolar na época da URSS e da "guerra fria". A direita brasileira ainda comporta-se como submissa aliada dos EUA. Por Emir Sader “Entre as coisas que mais incomodam a direita latino-americana estão os processos de integração regional. Um argumento forte que a direita sempre usava e que tende, cada vez mais, a perder força, é o que consideravam “caráter inevitável da hegemonia econômica norte-americana”, o que nos levaria, segundo a direita, a termos que nos submeter a políticas de subordinação aos EUA, sob o risco de ficarmos para trás nos processos de modernização e desenvolvimento econômico. A atual crise econômica representa, entre tantas outras coisas, a culminação de processo de enfraquecimento das economias do centro do capitalismo, depois de décadas de aplicação de políticas de livre comércio e de neoliberalismo. A crise profunda e prolongada em que estão imersas tem consequências recessivas para o conjunto do sistema econômico mundial, mas não o suficiente para levá-lo, por inteiro, à recessão. Seus efeitos políticos têm sido o oposto do que costumavam ser: ao invés de reafirmar o peso e o lugar incontornáveis dos países do centro, tem levado ao seu enfraquecimento. Os países que mais dependem deles são os mais afetados pela crise e pela recessão. Os modelos que eles afirmavam como inevitáveis, os levam à recessão prolongada, enquanto as economias que aplicam modelos distintos conseguem se defender das ondas recessivas vindas do centro, mantendo níveis de expansão, associados a políticas sociais redistributivas. A prioridade dos projetos de integração regional, ao invés dos Tratados de Livre Comércio [TLC] com os EUA, revelam-se não apenas uma opção política coerente, como produzem efeitos econômicos favoráveis. A opção do México – o primeiro a assinar TLC na America Latina – se revelou frustrada: ao invés de impulsionar seu crescimento e renovação econômica, o condenou a atrelar seu destino ao da economia norte-americana – um dos epicentros da crise econômica internacional -, com mais de 90% do seu comércio exterior com os EUA e praticamente nenhum comércio com a China e muito pequeno com a América do Sul, duas das principais fontes de crescimento econômico no mundo hoje. Assim, a opção preferencial pelos processos de integração Sul-Sul revelam não apenas postura de luta por um mundo multipolar, como mostram sua eficácia econômica, tirando da direita o argumento que “não privilegiar relações econômicas com os EUA e a Europa levaria os países ao atraso, ao isolamento e à recessão”. Há nova correlação de forças econômicas em nível mundial e ela favorece o Sul do mundo em detrimento dos países do centro do sistema. Não se trata de reversão nas relações de poder, promovendo a hegemonia do Sul sobre o Norte, mas sim de situação que permite relações distintas às que predominaram desde o surgimento do sistema capitalista, como o colonialismo e o imperialismo que ele promoveu. Além de que o dinamismo econômico já não é monopólio dos países do centro, que podem seguir detendo vantagens do ponto de vista tecnológico, mas não podem aplicar esses elementos sem dinamismo econômico, com que não podem contar. Do que se trata agora é de construir espaços de integração em nível mundial, conforme a visão e os interesses do Sul do mundo, que permitam superar o sistema institucional internacional que foi criado para consolidar e perpetuar o poder dos países centrais, hoje declinantes em escala mundial.” FONTE: escrito pelo sociólogo e cientista político Emir Sader no site “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=1034)

GEOPOLÍTICA - Forças navais do ocidente frente às da Rússia.

A guerra dos EUA-NATO contra a Síria: Forças navais do ocidente frente às da Rússia ao largo da Síria. por Michel Chossudovsky "Quando voltei ao Pentágono em Novembro de 2001, um dos oficiais superiores do staff teve tempo para uma conversa. Sim, ainda estamos a caminho de ir contra o Iraque, disse ele. Mas havia mais. Isto estava a ser discutido como parte de um plano de campanha de cinco anos, disse ele, e havia um total de sete países, a começar pelo Iraque, a seguir a Síria, Líbano, Líbia, Irão, Somália e Sudão". Wesley Clark, antigo comandante-geral da NATO "Deixe-me dizer aos soldados e oficiais que ainda apoiam o regime sírio – o povo sírio recordará as escolhas que fizerem nos próximos dias..." Secretária de Estado Hillary Clinton, conferência Friends of Syria, em Paris, 07/Julho/2012 Enquanto a confrontação entre a Rússia e o Ocidente estava, até recentemente, confinada ao âmbito polido da diplomacia internacional, dentro do recinto do Conselho de Segurança da ONU, agora uma situação incerta e perigosa está a desdobrar-se no Mediterrâneo Oriental. Forças aliadas incluindo operativos de inteligência e forças especiais reforçaram a sua presença sobre o terreno na Síria a seguir ao impasse da ONU. Enquanto isso, coincidindo com o beco sem saída no Conselho de Segurança da ONU, Moscovo despachou para o Mediterrâneo uma frota de dez navios de guerra russos e navios de escolta comandados pelo destróier anti-submarino Almirante Chabanenko. A frota russa está actualmente estacionada ao largo da costa Sul da Síria. Em Agosto do ano passado, o vice-primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Rogozin, advertiu que "a NATO está a planear uma campanha militar contra a Síria para ajudar a derrubar o regime do presidente Bashar al-Assad com um objectivo de longo alcance de preparar uma cabeça de ponte para um ataque ao Irão..." Em relação à actual deslocação naval, o chefe da Armada da Rússia, vice-almirante Viktor Chirkov, confirmou, entretanto, que se bem que a frota [russa] esteja a transportar fuzileiros navais, os navios de guerra "não seriam envolvidos em Tarefas na Síria". "Os navios executarão manobras militares planeadas", disse o ministro russo da Defesa. A aliança EUA-NATO retaliou à iniciativa naval da Rússia, com uma deslocação naval muito maior, uma formidável armada ocidental consistente de navios de guerra britânicos, franceses e americanos, previstos para serem ali instalados neste Verão no Mediterrâneo Oriental, levando a uma potencial "confrontação estilo Guerra Fria" entre a Rússia e forças navais ocidentais. Enquanto isso, planeadores militares dos EUA-NATO anunciaram que várias "opções militares" e "cenários de intervenção" estão a ser contemplados na sequência do veto russo-chinês no Conselho de Segurança da ONU. O planeado posicionamento naval é coordenado com operações aliadas no terreno em apoio ao "Exército Sírio Livre" (ESL) patrocinado pelos EUA-NATO. Quanto a isto, os EUA-NATO aceleraram o recrutamento de combatentes estrangeiros treinados na Turquia, Iraque, Arábia Saudita e Qatar. (Navios de guerra russos entram no Mediterrâneo, rumo à Síria, timesofmalta.com, 24/Julho/2012) A França e a Grã-Bretanha participarão este Verão em jogos de guerra com o nome de código Exercise Cougar 12 [2012]. Os jogos serão efectuados no Mediterrâneo Oriental como parte de um "Response Force Task Group" franco-britânico envolvendo o HMS Bulwark britânico e o grupo de batalha do porta-aviões Charles De Gaulle da França. O centro deste exercício naval serão operações anfíbias envolvendo a colocação em terra firme de tropas no "território inimigo" (simulada). Cortina de fumo: A proposta evacuação de cidadãos ocidentais "Utilizando uma humanitária frota naval de armas de destruição em massa" Pouco mencionado pelos media de referência, os navios de guerra envolvidos no exercício naval Cougar 12 também participarão na planeada evacuação de "cidadãos britânicos do Médio Oriente, caso o conflito em curso na Síria extravase fronteiras para os vizinhos do Líbano e da Jordânia". Os britânicos provavelmente enviariam o HMS Illustrious, um porta-helicópteros, juntamente com o HMS Bulwark, um navio anfíbio, bem como um destróier avançado para providenciar defesa à força-tarefa. Estarão a bordo várias centenas de comandos da Royal Marine, bem como um complemento de helicópteros de ataque AH-64 (os mesmos utilizados na Líbia no ano passado). Espera-se que se lhe junte uma frota de navios franceses, incluindo o porta-aviões Charles De Gaulle, transportando um complemento de caças Rafale. Espera-se que aquelas forças permaneçam ao longo e possam escoltar navios civis especialmente fretados destinados a recolher cidadãos estrangeiros a fugirem da Síria e países em torno. (ibtimes.com, 24/Julho/2012). Fontes no Ministério da Defesa britânico, se bem que confirmando o "mandato humanitário" da Royal Navy no planeado programa de evacuação, negaram categoricamente "qualquer intenção quanto a um papel de combate para forças britânicos [contra a Síria]". O plano de evacuação utilizando o mais avançado material militar, incluindo o HMS Bulwark e o porta-aviões Charles de Gaulle, é uma cortina de fumo óbvia. A agenda militar não tão escondida é ameaça militar e intimidação contra uma nação soberana localizada no berço histórico da civilização, a Mesopotâmia": "Só o Charles De Gaulle é porta-aviões nuclear com todo um esquadrão de jactos mais avançados do que qualquer coisa que os sírios tenham – é especulação de incitamento [dizer] que aquelas forças pudessem ficar envolvidas numa operação da NATO contra forças sírias leais a Bashar al-Assad... O HMS Illustrious, que está actualmente ancorado no Tamisa, no centro de Londres, provavelmente será enviado para a região no fim das Olimpíadas". (Ibid) Este deslocamento impressionante de poder naval franco-britânico poderia também incluir o porta-aviões USS John C.Stennis, o qual está para ser enviado de volta ao Médio Oriente: [Em 16/Julho/2012], o Pentágono também confirmou que iria reposicionar o USS John C. Stennis, um porta-aviões nuclear capaz de transportar 90 aviões, para o Médio Oriente... O Stennis estaria a chegar na região com um cruzador avançado de lançamento de mísseis, ... Já é esperado que o porta-aviões USS Eisenhower esteja no Médio Oriente naquele momento (dois porta-aviões actualmente na região estão para ser aliviados e enviados de volta para os EUA). Em meio a situações imprevisíveis tanto na Síria como no Irão, que teriam deixado forças estado-unidenses tensas e excessivamente sobrecarregadas se fosse necessária uma firme resposta militar em qualquer circunstância. (Ibid, ênfase acrescentada) O grupo de ataque USS Stennis está para ser enviado de volta ao Médio Oriente "numa data não especificada no fim do Verão" para ser posicionado na área de responsabilidade do Comando Central: "O Departamento da Defesa disse que o deslocamento anterior viera de um pedido feito pelo general do Marine Corps James N. Mattis, o comandante do Comando Central (a autoridade militar dos EUA que cobre o Médio Oriente), parcialmente devido à preocupação de que haveria um curto período em que apenas um porta-voz estaria localizado na região". (Strike group headed to Central Command early - Stripes Central - Stripes, July 16, 2012) O Gen. Marine James Mattis, comandante do U.S. Central Command, "pediu para avançar o posicionamento do grupo de combate com base num "conjunto de factores" e o secretário da Defesa Leon Panetta aprovou-o"... (ibid) Um porta-voz do Pentágono declarou que a mudança de posicionamento do grupo de ataque USS Stennis fazia parte de "um vasto conjunto de interesses de segurança dos EUA na região". "Estamos sempre atentos aos desafios colocados pelo Irão. Deixe-me ser muito claro: Esta não é uma decisão baseada unicamente nos desafios colocados pelo Irão, ..."Não é acerca de qualquer país particular ou uma ameaça particular", dando a entender que a Síria também fazia parte do posicionamento planeado. (Ibid, ênfase acrescentada) "Cenários de intervenção" Este maciço posicionamento de poder naval é um acto de coerção tendo em vista aterrorizar o povo sírio. A ameaça de intervenção militar tem em vista desestabilizar a Síria como estado nação bem como confrontar e enfraquecer o papel da Rússia na intermediação da crise síria. O jogo diplomático da ONU está num impasse. O Conselho de Segurança da ONU está morto. A transição é em direcção à "Diplomacia guerreira" do século XXI. Se bem que uma operação militar aliada total dirigida contra a Síria não esteja "oficialmente" contemplada, planeadores militares estão actualmente envolvidos na preparação de vários "cenários de intervenção". Líderes políticos ocidentais podem não ter apetite por intervenção mais profunda. Mas como a história tem mostrado, nós nem sempre escolhemos que guerras combater – por vezes as guerras escolhem-nos. Planeadores militares tem a responsabilidade de preparar para opções de intervenção na Síria para os seus mestres políticos caso este conflito seja escolhido. A preparação estará a ser efectuada em várias capitais ocidentais e sobre o terreno na Síria e na Turquia. Até o ponto do colapso de Assad, é mais provável que vejamos uma continuação ou intensificação das opções abaixo do radar de apoio financeiro, armamento e aconselhamento dos rebeldes, operações clandestinas e talvez guerra cibernética a partir do Ocidente. Após algum colapso, entretanto, as opções militares serão vistas a uma luz diferente. ( Daily Mail, 24/Julho/2012, ênfase acrescentada) Observações conclusivas O mundo está numa encruzilhada perigosa. A configuração deste planeado posicionamento naval no Mediterrâneo Oriental com navios de guerra dos EUA-NATO contíguo àqueles da Rússia é sem precedentes na história recente. A história conta-nos que guerras são muitas vezes desencadeadas inesperadamente devido a "erros políticos" e erro humano. Os segundos são os mais prováveis dentro no âmbito de um sistema político desagregados e corrupto nos EUA e na Europa Ocidental. O planeamento militar EUA-NATO é supervisionado por uma hierarquia militar centralizada. Operações de Comando e Controle são em teoria "coordenadas" mas na prática muitas vezes elas são marcadas pelo erro humano. Operativos de inteligência muitas vezes funcionam independentemente e fora do âmbito da responsabilidade política. Planeadores militares são agudamente conscientes dos perigos de escalada. A Síria tem capacidades de defesa aérea significativas bem como forças terrestres. A Síria tem estado a instalar seu sistema de defesa aérea com a recepção dos mísseis russos Pantsir S1 . Qualquer forma de intervenção militar directa dos EUA-NATO contra a Síria desestabilizaria toda a região, levando potencialmente à escalada numa vasta área geográfica, que se estende desde o Mediterrâneo Oriental até a fronteira do Afeganistão-Paquistão com o Tadjiquistão e China. O planeamento militar envolve cenários intricados e jogos de guerra por ambos os lados incluindo opções militares relativas a sistema de armas avançados. Um cenário Terceira Guerra Mundial tem sido contemplado pelos planeadores militares EUA-NATO-Israel desde o princípio de 2000. A escalada é uma parte integral da agenda militar. Preparativos de guerra para atacar a Síria e o Irão têm estado num "estado avançado de prontidão" durante vários anos. Estamos a tratar com complexas tomadas de decisão políticas e estratégicas que envolvem a acção recíproca de poderosos grupos de interesses económicos, as acções de operativos de inteligência. O papel da propaganda de guerra é fundamental não só para moldar a opinião pública, levando-a a aceitar a agenda de guerra, como também para estabelecer um consenso dentro dos escalões superiores do processo de tomada de decisão. Uma forma selectiva de propaganda de guerra destinada a "Top Officials" (TOPOFF) em agências do governo, inteligência, militares, aplicadores da lei, etc destina-se a criar um consenso firme em favor da Guerra e do Estado Policial. Para o projecto guerra ir em frente é essencial que tanto os planeadores políticos como os militares estejam legitimamente comprometidos em conduzir a guerra "em nome da justiça e da democracia". Para que isto se verifique, eles devem acreditar firmemente na sua própria propaganda, nomeadamente em que a guerra é "um instrumento de paz e democracia". Eles não têm preocupação para com os impactos devastadores de sistemas de armas avançados, rotineiramente classificados como "danos colaterais", muito menos o significado e significância de guerra antecipativa (pre-emptive), utilizando armas nucleares. As guerras são invariavelmente decididas por líderes civis e grupos de interesse e não pelos militares. A guerra serve interesses económicos dominantes os quais operam a partir dos bastidores, por trás de portas fechadas em salas de reunião corporativas, nos think tanks de Washington, etc. As realidades são invertidas. Guerra é paz. A Mentira torna-se a Verdade. A propaganda de guerra, nomeadamente as mentiras dos media, constituem o mais poderoso instrumento guerreiro. Sem a desinformação dos media, a agenda guerreira conduzida pelos EUA-NATO entraria em colapso como um castelo de cartas. A legitimidade dos criminosos de guerra em altos postos seria rompida. Portanto é essencial desarmar não só os media de referência como também um segmento dos media alternativos auto proclamados como "progressistas", os quais têm proporcionado legitimidade para a obrigação da "Responsabilidade de proteger" ("Responsibility to protect, R2P) da NATO, em grande medida tendo em vista desmantelar o movimento anti-guerra. A estrada para Teerão passa por Damasco. Uma guerra ao Irão patrocinada pelos EUA-NATO envolveria, como primeiro passo, a desestabilização da Síria como uma nação-estado. O planeamento militar relativo à Síria é uma parte integral da agenda de guerra ao Irão. Uma guerra contra a Síria poderia evoluir na direcção de uma campanha militar EUA-NATO contra o Irão, na qual a Turquia e Israel estariam envolvidas directamente. É crucial difundir esta notícia e romper os canais de desinformação dos media. Um entendimento crítico e não enviesado do que está a acontecer na Síria é de importância crucial na reversão da maré de escalada militar rumo a uma guerra regional mais vasta. Nosso objectivo em última análise é desmantelar o arsenal militar EUA-NATO-israelense e restaurar a Paz Mundial. É essencial que o povo no Reino Unido, na França e nos Estados Unidos impeça o próximo posicionamento naval de ADM no Mediterrâneo Oriental. Ajude a difundir. Reenvie este artigo. 26/Julho/2012 Do mesmo autor: SYRIA: NATO's Next "Humanitarian" War? "A opção salvadorenha para a Síria" Uma "guerra humanitária" à Síria? Escalada militar. Rumo a uma guerra mais vasta no Médio Oriente-Ásia Central? O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=32079 Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

GEOPOLÍTICA - Uma guerra para liquidar a Síria.

Robert Fisk alerta: no xadrez do Oriente Médio, talvez haja potências interessadas em levar alguns países árabes ao colapso Entrevista a Tony Jones, do Znet, publicada no Outras Palavras | Tradução: Hugo Albuquerque Tudo cheira mal, na cobertura dos jornais brasileiros sobre o conflito interno sírio. Denunciam-se, de um lado, crimes reais: as tiranias do governo e os massacres cometidos pelo exército. Fala-se no avanço ora de “rebeldes”, ora de “oposicionistas”. Sabe-se, por fatos e imagens, que estão militarizados. Aparecem sempre armados de metralhadoras. Promovem atentados e assassinatos seletivos. O fato de relevo é que a oposição armada a Bashar al Assad, é tão dividida que não pode ser considerada uma única única facção (http://www.flickr.com/photos/syriafreedom/) Mas quem são? É como se não importasse, bastando sabermos que enfrentam um regime próximo ao do Irã e, portanto, contrário aos Estados Unidos. Combatem, portanto, um “mal”, sugere a mídia; logo, são “bons”… E estão mergulhados, segundo o mesmo raciocínio, no universo estranho e atrasado de uma religião declarada inimiga. Portanto, serão sempre bons, ainda que matem e pratiquem outros atos condenáveis… Correspondente do Oriente Médio há três décadas (do “Independent” de Londres e do alternativo “ZNet”, de Boston, entre outras publicações), o jornalista veterano Robert Fisk acostumou-se a desconfiar deste raciocínio binário. Ele cobriu, no início dos anos 1990, a guerra civil argelina. As duas partes conflagradas — governo tecnocrático e oposição fundamentalista islâmica — cometiam atrocidades equivalentes. Porém, algumas eram omitidas e, portanto, perdoadas: as de um governo que havia anulado eleições democráticas, mas… defendia os interesses das potências e empresas ocidentais. Na Síria, Fisk evita fazer previsões. Destaca fatos incômodos. Lembra que, embora interessados no fim da ditadura chefiada por Bashar Al Assad, os EUA evitam apoiar explicitamente a oposição. Sabem que é um aglomerado caótico, integrado inclusive, tudo indica, pela Al-Qaeda. Fisk acredita que o regime despótico cairá. Mas teme: não surgirá em seu lugar um governo libertário, ao contrário do que gostariam muitos dos que torcem pelo fim da ditadura. Nas atuais condições, o país está arriscado a mergulhar numa sequência de conflitos entre etnias e seitas, podendo entrar em colapso como nação. Haverá, no Oriente Médio, poderes interessados em que este tipo de desfecho se torne comum? É uma dúvida legítima, que vale expressar e que pode guiar a leitura dos próximos acontecimentos. Talvez a entrevista que Robert Fisk concedeu a Znet, no início de julho, ajude a precisá-la. O diálogo vem a seguir (A.M.) Depois do massacre em Houla, você afirmou que estamos diante de um ponto de inflexão no horror da Síria. Qual é a sua conclusão sobre o que aconteceu? Robert Fisk: Eu acho a palavra “ponto de inflexão” de forma um pouco cínica, porque jornalistas e acadêmicos gostam de usá-la. Eu não estou certo — devido à quantidade e ao alcance dos tentáculos que o Partido Baath, do presidente Bashar Al Assad, têm em solo sírio — que vejamos seu regime cair tão rápido quanto Obama, Hillary Clinton e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, desejariam. Penso que esse processo ainda vai continuar por um bom tempo. Há uma grande quantidade de apoiadores do regime do Partido Baath, não apenas entre os membros da comunidade xiita alauíta, os cristãos ou os druzos, mas também, e particularmente, entre a burguesia síria e as classes médias. Creio que será uma guerra terrível e muito sangrenta. Subitamente Hillary Clinton disse que o confronto é terrível e Obama falou em algo horrendo. Isso sugere que não estamos caminhando para o fim da guerra, infelizmente. Você escreveu que há precedentes históricos sombrios, no Oriente Médio, de regimes repressivos que tentam manter-se às custas da morte de centenas de milhares de pessoas. É isso que pode acontecer na Síria? Robert Fist: Sim. Como você sabe, cobri a guerra da Argélia de 1991 a 1998, quando foram realizadas eleições livres por lá. Os fundamentalistas islâmicos iriam, claramente, vencer o segundo turno das eleições. Elas foram, então, interrompidas pelo “governo”, com o apoio do Ocidente. E começou uma guerra civil terrível, com vilarejos destruídos, crianças e mulheres tendo suas gargantas cortadas, homens fuzilados, tropas do “governo” sitiando cidades, numa intensidade muito maior do que está acontecendo na Síria hoje. E tudo isso com o Ocidente plenamente satisfeito com o fato de o “governo” ter impedido os islamistas de tomar o poder. Hoje, nem mesmo pensamos mais sobre aquilo. É um precedente muito terrível e creio que Bashar al Assad vai levá-lo em consideração, porque seu pai, Hafez, destruiu mais de 20 mil vidas, quando liquidou Hama em 1982. E depois daquela batalha, quando os argelinos ainda tentavam descobrir como vencer sua própria guerra contra seus fundamentalistas, enviaram uma delegação militar a Damasco, com intuito de descobrir como os sírios o fizeram. Aplicaram as lições que aprenderam contra seus próprios inimigos, na Argélia. Enfim, há toda uma série de causas-consequências e precedentes por conta dos quais creio que a guerra na Síria não vai terminar agora; que al Assad não vai cair tão logo. No precedente argelino, ambos os lados, militares e fundamentalistas, massacraram um número monstruoso de civis, de maneiras terríveis. Você teme que o mesmo tipo de coisa ocorra na Síria, onde nós sabemos muito pouco sobre as milícias e forças rebeldes que estão emergindo? Robert Fisk: Bem, é o que já está acontecendo na Síria. Estive num subúrbio de Argel chamado Bentalha, onde houve um ataque de fundamentalistas contra moradores que eram, eles mesmos, muçulmanos. Centenas de pessoas foram mortas, inclusive bebês que tiveram suas gargantas cortadas. Vi os corpos desses bebês e de seus pais. E do telhado de suas casas, eu conseguia enxergar tremulando a bandeira argelina, em barracas do exército próximas. É o tipo da situação que estamos assistindo na Síria, em lugares como Houla, Hama e suponho, com pesar, também em Aleppo. O que sabemos sobre o “Exército Livre da Síria”, cujo comandante, o coronel Riad al Assad, está tentando retomar os ataques? Robert Fisk: Eu não levaria a sério qualquer coisa que ele diz. porque todas as vezes fui à fronteira e tentei ver seu exército, ouvi três ou quatro versões diferentes a respeito. O fato de relevo é que a oposição síria, a oposição armada a Bashar al Assad, é tão dividida que não pode ser considerada uma única única facção. O precisamos compreender — e aqui está uma das razões pelas quais Obama e Hillary, além de todos os outros fanfarrões e mentirosos, estão dizendo o que dizem — é que não sabemos quem é essa oposição. E como não sabemos, o único que podemos — e por “nós”, leia-se o Ocidente — é expressar ultraje contra Bashar al Assad e seu regime. Não podemos dar apoio a essa oposição, porque ela pode incluir até mesmo membros da Al Qaeda em suas fileiras e ter envolvimento no massacre de Houla. Não sabemos ainda. Não estou dizendo, com isso, que Assad seja um mocinho. Ele não é. Mas os Estados sunitas do Golfo Pérsico têm armado os rebeldes anti-governo e presumivelmente vão continuar a fazê-lo. Robert Fisk: Claro que sim! O que seria necessário para eles realmente derrubarem o regime? Robert Fisk: Seria preciso que, nas forças blindadas sírias — ou seja, as divisões de tanques e as unidades anti-aéreas — houvesse um número suficiente de oficiais dispostos a enfrentar o regime. Mas isso ainda não aconteceu, nem creio que veremos em um futuro próximo. A hierarquia militar síria tem permanecido leal à Presidência. E enquanto isso perdurar em uma cidade estratégica como Damasco, e em outra mais ou menos estratégica como Aleppo, Assad não cairá, por mais que Obama, Hillary Clinton ou David Cameron queiram o contrário. Há alguma possibilidade de aplicação, na Síria, de uma doutrina como a da “responsabilidade de proteger”, usada na Líbia? Robert Fisk: Bem, estou certo que muitos líbios pediriam: “Por favor, Deus, não use isso contra nós ou contra eles”. Como você deve saber, a “responsabilidade para proteção” é um clichê midiático que matou um número assustador de pessoas inocentes. Acho que o número de pessoas assassinadas na Síria, particularmente pelo regime, já é suficiente. A ajuda da OTAN pode ser dispensada. O que precisaríamos ver é uma nova Síria emergindo daquilo tudo que compõem seu povo — isto é, sunitas, xiitas, alauítas hoje no comando, cristãos, druzos e assim por diante. Mas, infelizmente, é mais fácil dizê-lo na TV australiana do que fazê-lo. Você vê alguma possibilidade de isso acontecer? Porque muitas das pessoas-chave da Primavera Árabe sentem-se traídas. Suas revoluções pacíficas foram traídas pelo armamento das forças de oposição, e quando você os vê sendo mortos pelo regime, dá vontade de lhes encher de armas. Robert Fisk: Bem, eu vivo no Líbano e em Beirute, de onde falo agora, este argumento é muito repetido. Meu entendimento — e fui à Síria dezenas e dezenas de vezes — é que lá há armas demais. As famílias, tribos e organizações têm um monte de armas. Se eles realmente precisassem ter o que você e eu chamamos de guerra civil, ela teria começado — e haverá quem nos diga que ela já começou. Mas a única coisa que eu poderia dizer, pois muitos sírios vivem no Líbano, é que os poderes ocidentais decidiram lá atrás, há quase cem anos, que sírios e líbaneses eram povos diferentes. São o mesmo povo. Meus amigos daqui, a quem aconteceu de nascerem sírios, poderiam ser libaneses. Eles têm um país e querem ser leais a ele, mas não desejam viver sob uma ditadura. No final das contas, acho que haverá uma revolução na Síria. A questão é: será do tipo que você, eu e todos nós, pessoas legais do Ocidente, gostariam que fosse? Uma revolução de caráter, ideias e pensamentos libertários? Ou será uma revolução corrompida e, suponho, terrivelmente pintada com as cores do sectarismo e das diferenças religiosas? Não posso deixar de notar tristeza em sua voz. Há sinais preocupantes de que a guerra na Sìria poderia se espalhar pela fronteira com o Líbano, onde você armou sua tenda. Eu quero dizer, você está realmente preocupado com isso, não? Robert Fisk: Sim, estou preocupado com isso. Durante a guerra civil no Líbano, entre 1975 e 1995, na qual morreram entre 150 mil e 200 mil pessoas, no mínimo, muitos libaneses enviaram suas crianças para a Europa, Canadá, Austrália, América, para serem educados. Eles voltaram e não quiseram viver sob um Estado marcado pelo sectarismo. E uma das razões pelas quais a “guerra civil” não se espalhou da Síria para o Líbano é porque os jovens do Líbano não querem viver numa sociedade sectária e dizem isso a seus pais. Sejamos justos, eles estão certos. Eu creio que esta é uma sociedade mais bem-formada e diplomática — digo isso no sentido mais interessante e não-ocidental da palavra. Ela ensina que você não nem deve dirigir seu país de acordo com as maiorias, seja a maior religião, a maioria xiita, muçulmana, alauíta, druza, o que quer seja. Creio que essa é a razão pela qual o Líbano ainda não se tornou parte da guerra síria. Mas a guerra síria, como todo conflito entre seitas é algo que pode ser projetado além-fronteiras. Temo que o governo de Damasco, infeliz e vergonhosamente, poderá fazer uso disso.

EUA - "American way of life".

Por que os Estados Unidos fracassaram. Paulo Nogueira (blog Diário do Centro do Mundo) Morris Berman, 67 anos, é um acadêmico americano que vale a pena conhecer. Acabo de ler “Por Que os Estados Unidos Fracassaram”, dele. A primeira coisa que me ocorre é: tomara que alguma editora brasileira se interesse por este pequeno – 196 páginas – grande livro. A questão do título é respondida amplamente. Você fecha o livro com uma compreensão clara sobre o que levou os americanos a um declínio tão dramático. O argumento inicial de Berman diz tudo. Uma sociedade em que os fundamentos são a busca de status e a aquisição de objetos não pode funcionar. Berman cita um episódio que viu na televisão. Uma mulher desabou com o rosto no chão em um hospital em Nova York. Ela ficou tal como caiu por uma hora inteira, sob indiferença geral, até que finalmente alguém se movimentou. A mulher já estava morta. “O psicoterapeuta Douglas LaBier, de Washington, tem um nome para esse tipo de comportamento, que ele afirma ser comuníssimo nos Estados Unidos: síndrome da falta de solidariedade”, diz Berman. “Basicamente, é um termo elegante para designar quem não dá a mínima para ninguém senão para si próprio. LaBier sustenta que solidariedade é uma emoção natural, mas logo cedo perdida pelos americanos porque nossa sociedade dá foco nas coisas materiais e evita reflexão interior.” Berman afirma que você sente no ar um “autismo hostil” nas relações entre as pessoas nos Estados Unidos. “Isso se manifesta numa espécie de ausência de alma, algo de que a capital Washington é um exemplo perfeito. Se você quer ter um amigo na cidade, como Harry Truman disse, então compre um cachorro.” O americano médio, diz ele, acredita no “mito” da mobilidade social. Berman nota que as estatísticas mostram que a imensa maioria das pessoas nos Estados Unidos morrem na classe em que nasceram. Ainda assim, elas acham que um dia vão ser Bill Gates. Têm essa “alucinação”, em vez de achar um absurdo que alguém possa ter mais de 60 bilhões de dólares, como Bill Gates. “Estamos assistindo ao suicídio de uma nação”, diz Berman. “Um país cujo propósito é encorajar seus cidadãos a acumular mercadorias no maior volume possível, ou exportar ‘democracia’ à base de bombas, é um navio prestes a afundar. Nossa política externa gerou o 11 de Setembro, obra de pessoas que detestavam o que os Estados Unidos estavam fazendo com os países delas. A nossa política (econômica) interna criou a crise mundial de 2008.” A soberba americana é sublinhada por Berman em várias situações. Ele cita, por exemplo, uma declaração de George W Bush de 1988: “Nunca peço desculpas por algo que os Estados Unidos tenham feito. Não me importam os fatos.” Essa fala foi feita pouco depois que um navio de guerra americano derrubou por alegado engano um avião iraniano com 290 pessoas a bordo, 66 delas crianças. Não houve sobreviventes. Berman evoca também a Guerra do Vietnã. “Como entender que, depois de termos matado 3 milhões de camponeses vietnamitas e torturado dezenas de milhares, o povo americano ficasse mais incomodado com os protestos antiguerra do que com aquilo que nosso exército estava fazendo? É uma ironia que, depois de tudo, os reais selvagens sejamos – nós.” Você pode perguntar: como alguém que tem uma visão tão crítica – e tão justificada – de seu país pode viver nele? A resposta é que Berman desistiu dos Estados Unidos. Ele vive hoje no México, que segundo ele é visceralmente diferente do paraíso do narcotráfico pintado pela mídia americana — pela qual ele não tem a menor admiração. “Mudei para o México porque acreditava que ainda encontraria lá elementos de uma cultura tradicional, e acertei”, diz ele. “Só lamento não ter feito isso há vinte anos. Há uma decência humana no México que não existe nos Estados Unidos. (Transcrito do site Pátria Latina * Tradução: Vila Vudu)

ELEIÇÕES - Cenário é desanimador em São Paulo.

A apenas 70 dias da eleição, cenário é desanimador. Apareceram esta semana as primeiras bandeiras de candidatos nos cruzamentos, alguns carros já circulam com adesivos, mas não encontro ninguém animado a discutir os rumos da campanha eleitoral em São Paulo. A apenas 70 dias da abertura das urnas, o eleitorado ignora solenemente os candidatos, e não é para menos. Quais são, afinal, os temas em debate que possam animar a disputa na maior cidade do país? A campanha deste ano é tão pobre de ideias que, no mesmo final de semana, três dos principais candidatos (Chalita, Haddad e Serra) tiveram a mesma: sairam pelas ruas para passear de bicicleta, devididamente fantasiados de ciclistas, com capacete e tudo. E daí? Vale tudo por uma fotinha no jornal: vestir quimono, desequilibrar-se num skate, visitar igrejas e feiras, andar de ônibus e trem, carregar criancinhas no colo _ tudo o que os candidatos não costumam fazer em outras épocas. Parece que todos sofrem da síndrome de Cesar Maia, aquele folclórico ex-prefeito do Rio de Janeiro, agora candidato a vereador, que entrava até em açougue para comprar sorvete e fazia qualquer coisa para aparecer. Já acompanhei dezenas de campanhas na vida, antes e depois do período militar, quando não havia eleições diretas para as prefeituras das capitais, e nunca vi um cenário tão desanimador, cada vez mais gente dizendo que não vai votar em ninguèm. Ou que tanto faz, ganhe quem ganhar, não vai mudar nada mesmo. Como sou um sem-carro, ando muito a pé e de táxi pela cidade, o que me faz puxar conversa com todo tipo de gente. Desta vez, nem a velha rixa entre tucanos e petistas é capaz de despertar o interesse dos eleitores, uns e outros sem vontade de defender seus candidatos, que não empolgam ninguém. De um lado, Serra já foi candidato tantas vezes que não chega a ser uma novidade. Com o seu tradicional uniforme de campanha, camisa azul clara de mangas arregaçadas e calça beje, já não inspira confiança nem nos tucanos, com seu hábito de não concluir os mandatos. De outro, o petista Fernando Haddad, lançado como "o novo homem para um novo tempo", ainda é desconhecido por metade da população. E a outra metade, incluindo os petistas, não descobriu ainda a que veio, quais são as suas bandeiras, o que pretende fazer se for eleito. Foi neste vazio de propostas e falta de carisma dos candidatos dos dois maiores partidos da cidade que correu por fora e cresceu o nome de Celso Russomanno, do PRB, com sua campanha de uma nota só, prometendo levar a defesa do consumidor para dentro do serviço público. Desde o começo de julho, os partidos estão autorizados pela Justiça Eleitoral a fazer propaganda, levar as suas campanhas para as ruas, mas não parecem muito interessados nisso. Todos só estão esperando o dia 21 de agosto quando começa oficialmente o horário gratuito no rádio e na televisão, o período de 45 dias de propaganda em que cada um fala o que quer. Serra e Haddad levam vantagem neste quesito, com quase oito minutos diários para cada um, enquanto a coligação PRB-PTB de Russomano tem apenas dois minutos e alguns segundos. É preciso tomar cuidado: dependendo do que você tem ou não tem para falar, o tempo pode ajudar ou atrapalhar. Será que até lá os marqueteiros que comandam as campanhas conseguirão criar alguma proposta realmente nova e viável _ qualquer uma _ para melhorar a vida na cidade, que não seja só mais um factóide para um poder falar mal do outro? Blog do Ricardo Kotscho.

GEOPOLÍTICA - I have a dream.

Estratégia do Grande Ocidente" ameaça supremacia dos EUA. Enviado por luisnassifPor Marco Antonio L. A arte da guerra – “I have a dream”: a queda dos EUA Por Manlio Dinucci, No Redecastorphoto. Finalmente – depois de terem sido vítimas durante mais de dois séculos de guerras, invasões e golpes de estado por parte dos Estados Unidos – os povos da Ásia, África e América Latina decidiram que era tempo de acabar com isso. A ideia genial foi a de adotar os mesmos métodos de Washington, mas para uma causa justa. Assim, constituiu-se um Grupo de Ação para os Estados que, graças a reuniões de peritos, elaborou o plano, denominado “estratégia do Grande Ocidente”. A intervenção foi assim explicada: nos EUA está no poder desde há mais de dois séculos o mesmo presidente que, ao personificar-se num político republicano ou democrata, representa os mesmos interesses da elite dominante. A Comunidade Internacional deve, portanto, agir para por fim a este regime ditatorial. Preparando-se para depor o presidente Obama, uma comissão de dissidentes escreveu uma nova Constituição dos Estados Unidos da América, que garante uma democracia real no interior e uma política externa respeitosa dos direitos dos outros povos. Ao mesmo tempo (com a ajuda de peritos consultores cubanos, iraquianos e líbios) o Grupo de Ação impôs um embargo de ferro aos Estados Unidos, congelando todos os capitais estadunidenses e encerrando todas as atividades das suas multinacionais no estrangeiro, inclusive os fast food McDonald e os distribuidores da Coca-Cola. Na sequência do bloqueio das especulações financeiras e da exploração da mão-de-obra e das matérias-primas da Ásia, África e América Latina, Wall Street ruiu e a economia estadunidense afundou na crise. O México foi obrigado a erguer uma barreira metálica ao longo da fronteira, vigiada por veículos e helicópteros armados, para impedir que clandestinos estadunidenses entrassem no seu território em busca de trabalho. A estas medidas juntaram-se outras, militares, para atacar no interior conforme a estratégia da “guerra não convencional”. Na América Latina foram constituídos campos militares, nos quais são treinados e armados rebeldes estadunidenses: trata-se sobretudo de nativos americanos, descendentes das populações exterminadas pelos colonizadores e afro-americanos descendentes dos escravos cuja exploração (mesmo após a abolição da escravatura) permitiu às elites dominantes construir fortunas colossais. Sob a bandeira do “Exército Americano Livre”, os rebeldes retornam aos Estados Unidos. Ao mesmo tempo são infiltradas forças especiais africanas, latino-americanas e asiáticas, cujos comandos (escolhidos entre aqueles que dominam a língua) podem ser confundidos com rebeldes estadunidenses. Eles estão dotados de armamento e de sistemas de comunicação refinados, que lhes permitem efetuar ataques e sabotagens temíveis. Dispõem, além disso, de grandes quantidades de dólares para corromper funcionários e militares. Como o núcleo duro da Presidência, formado pelos chefes do Pentágono e do complexo militar-industrial, continua resistindo, o grupo de ação redigiu uma “kill list” dos elementos mais perigosos, que são eliminados por agentes secretos ou por drones e killers. A batalha já faz estrondo nas ruas de Washington e diz-se que o presidente Obama está prestes a fugir. Londres e Paris estão cada vez mais preocupadas: sabem que são os próximos objetivos da estratégia do Grande Ocidente. O artigo original, em italiano, está em: “L'ARTE DELLA GUERRA - I have a dream: il crollo USA” e a versão em francês em: “L’art de la guerre - I have a dream : l’écroulement des USA”. Esta tradução foi extraída de Resistir e ligeiramente modificada pela redecastorphoto. Postado por Castor Filho

GEOPOLÍTICA - Bases russas.

Os americanos têm mais de 1000 bases militares em todos os continentes. Só na Colômbia têm três. Por isso,Cuba tem todo o direito de tentar junto aos países amigos, a instalação de bases militares. Acabei de terminar um curso de uma semana de geopolítica, onde ficou claro a posição extremamente desfavorável dos EUA em termo de recursos energéticos. Daí suas intervenções militares no Iraque, Afeganistão e Líbia. Agora estão de olho no Irã, país com enormes reservas de gás e petróleo. carlos dória Rússia quer criar bases navais em Cuba. Enviado por luisnassif. Por Marco Antonio L. Rússia anuncia intenção de criar bases navais em Cuba, nas Ilhas Seychelles e no Vietnã No Outo Lado da Notícia Rússia quer criar bases navais em Cuba, Seychelles e Vietname. Do Jornal de Notícias A Rússia está a estudar a possibilidade de ter bases para os seus navios de guerra em Cuba, nas Seychelles e no Vietname, revelou, esta sexta-feira, o comandante supremo da Marinha russa. "Continuamos a trabalhar para garantir bases para as forças da Marinha de Guerra da Rússia no estrangeiro", disse o vice-almirante Victor Tchirkov em entrevista à agência Ria-Novosti. "No quadro desse trabalho a nível internacional, estamos a estudar a questão da criação de pontos de apoio técnico-material nos territórios de Cuba, Ilhas Seychelles e Vietname", acrescentou. Atualmente, a Rússia possui bases navais no porto sírio de Tartus e no porto ucraniano de Sevastopol. Segundo os militares russos, a questão da criação de bases navais no estrangeiro colocou-se depois de 2008, quando vasos de guerra russos começaram a participar na missão contra a pirataria no Golfo de Aden. Nessa altura, estudou-se a possibilidade da criação de uma base em Djibuti.

GEOPOLÍTICA - Brasil condena assentamentos de Israel.

Brasil condena assentamentos de Israel na Cisjordânia. Enviado por luisnassif Por Marco Antonio L. Brasil condena assentamentos de Israel na Cisjordânia No Democracia & Política “A representante do Brasil na ‘Organização das Nações Unidas’ (ONU), embaixadora Maria Luiza Viotti, disse na quarta-feira (25) que não se observam avanços nas negociações em busca de um acordo de paz entre Israel e a Palestina. A diplomata disse lamentar que, até o momento, as articulações tenham sido “infrutíferas” e condenou os assentamentos israelenses em regiões da Cisjordânia. Para a diplomata, os assentamentos são ilegais e contrariam o direito internacional. Maria Luiza Viotti fez a crítica durante debate aberto sobre o Oriente Médio, promovido pelo “Conselho de Segurança da ONU” [CS]. “Ainda não vimos desenvolvimentos significativos no processo de paz entre Israel e a Palestina, há muito paralisado. Lamentamos que tentativas recentes de retomar as negociações tenham sido infrutíferas”, disse. Segundo ela, a principal pendência em relação ao acordo de paz recai sobre os “assentamentos” [invasões, expulsões de palestinos e ocupações à força] israelenses na Cisjordânia. “Os assentamentos são ilegais perante o direito internacional, contrários à paz, prejudiciais às preocupações de segurança de Israel e uma ameaça à solução de dois Estados”, ressaltou. Maria Luiza Viotti lembrou que tentar buscar a legalidade no processo de assentamento na Cisjordânia é contrariar o princípio do direito de os palestinos terem seu território próprio. “São perturbadoras as tentativas de se afirmar a legalidade dos assentamentos e dos postos fronteiriços. Isso apoia-se em raciocínio que vai de encontro à solução de dois Estados e aos direitos inalienáveis do povo palestino.” Mais uma vez, a embaixadora defendeu o direito de os palestinos terem Estado independente e autônomo com base nas fronteiras de 1967 e a admissão da Palestina como membro da ONU. “O conselho deve exercer suas responsabilidades e renovar os esforços para lidar com a questão Israel-Palestina, que é, inegavelmente, um dos principais desafios na agenda internacional de paz e segurança”, disse. EGITO A diplomata elogiou os esforços das autoridades e da população do Egito na tentativa de consolidar a democracia no país, por meio de eleições livres e democráticas. Segundo ela, esse é o caminho ideal. “Elogiamos o povo egípcio pela realização de eleições livres e justas, que consolidaram ainda mais o caminho pacífico do Egito rumo à democracia”. LÍBIA De acordo com ela, o Brasil também observa de forma positiva as eleições legislativas na Líbia. “[O governo brasileiro] Parabeniza o povo e o governo da Líbia por esse importante passo no seu processo de transição democrática”. TUNÍSIA A embaixadora ainda comentou sobre a situação política da Tunísia. “Do mesmo modo, reconhecemos os progressos positivos na Tunísia, onde um vibrante debate público sobre o futuro do país está sendo realizado em um ambiente democrático.” FONTE: da "Agência Brasil". Transcrito no portal “Vermelho” (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=189444&id_secao=9) [Imagem (mapa) do Google e sua legenda adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

CAPITALISMO SELVAGEM - O que há seria um lockout.

Greve de caminhoneiros teria, por trás, apoio patronal. Enviado por luisnassifPor Henrique Manifestação de caminhoneiros é locaute, dizem confederações de trabalhadores Fernando César Oliveira, Na Agência Brasil Curitiba – Dirigentes de duas confederações nacionais de trabalhadores da área de transporte afirmam hoje à Agência Brasil que as manifestações de caminhoneiros em rodovias brasileiras, iniciadas na última quarta-feira (25), têm a participação direta de empresários, o que indicaria a ocorrência de locaute (greve patronal). "Essa greve não é dos trabalhadores. É dos empresários, é locaute", afirma o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes (CNTT), filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Paulo João Estausia. "Donos de empresas e sindicatos patronais de todo o país estão mobilizados apoiando esta paralisação." O Artigo 17 da Lei Federal 7.783, em vigor desde 1989, proíbe a paralisação de atividades por iniciativa do empregador. "Já identificamos, em algumas regiões, empresas que estão forçando seus motoristas a parar os caminhões nas rodovias", diz Epitácio Antônio dos Santos, dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Terrestre (CNTTT). "Os motoristas que são funcionários devem denunciar eventuais pressões aos seus sindicatos e não dar um tiro no próprio pé entrando na onda dos empregadores." Santos diz que a entidade pretende denunciar essas empresas ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Justiça. "Elas estão iludindo os trabalhadores, querem manter o status de antes, com os motoristas rodando de 15 a 20 horas por dia, morrendo e se drogando para se manter ao volante. Locaute é crime." Site patronal - Em uma postagem publicada no dia 20 de julho, o site do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Rio Grande do Sul, por exemplo, demonstra apoio à "greve geral" dos caminhoneiros. "A entidade que representa as empresas de transporte e logística entende que o movimento é justo", diz mensagem do sindicato patronal. Para o presidente da CNTT, os empresários do setor estão usando os trabalhadores para manter seus custos reduzidos e não abrir novos postos de trabalho. "As empresas estão impondo essa paralisação, dizendo que os funcionários estão descontentes, o que é mentira. Elas [as empresas] é que não querem contratar mais motoristas para trabalhar em dupla, não querem cumprir a lei", disse Estausia. "A falta de estrutura nas rodovias não é razão para os trabalhadores atacarem uma lei que trouxe benefícios históricos à categoria.” Reivindicações dos protestos - Entre as reivindicações do Movimento União Brasil Caminhoneiro, que lidera os protestos, está o adiamento por um ano da vigência da Lei Federal 12.619. O movimento alega que as exigências impostas pela lei são "inviáveis por falta de infraestrutura nas estradas". Sancionada em abril deste ano, a lei tornou obrigatório, desde o final de junho, o controle de jornada de todos os motoristas que trabalham no transporte rodoviário de cargas e passageiros. Conforme a nova legislação, os motoristas devem fazer uma jornada de trabalho de oito horas diárias, com no máximo duas horas extras, além de uma pausa de trinta minutos a cada quatro horas trabalhadas. A lei alterou artigos da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e do Código de Trânsito Brasileiro. Os profissionais que não cumprirem as regras poderão ser multados pela Polícia Rodoviária Federal. Edição: Fábio Massalli

MENSALÃO DO PSDB - Valério firma em cartório R$ 4,5 milhões para Azeredo.

Podem esperar sentados aqueles que esperam que essa notícia seja pulicada na Veja, O Globo e cia. Essa imprensa só está interessada em atingir a Dilma e o PT. carlos dória Enviado por luisnassifPor Marco Antonio L. Carta Capital traz "declaração para fins de prova judicial" do publicitário Marcos Valério; ele afirma ter doado R$ 4,5 milhões para ex-governador Eduardo Azeredo, em 1998; dinheiro saiu do "Bemge, credireal, banco rural, comig, copasa, loteria mineira, andrade gutierrez e ARG", contou 247 – O tiro mais forte da metralhadora giratória da reportagem 'Juiz? Não, réu' recai sobre o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo. Documento assinado e reconhecido em cartório pelo publicitário Marcos Valério contém uma declaração que ele próprio repassou R$ 4,5 milhões para o "Dr. Eduardo Brandão de Azeredo, com autorização dos coordenadores financeiros da campanha Sr. Claudio Roberto Mourão da Silveira e Dr. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto". No parágrafo seguinte, Valério atesta de onde obteve o dinheiro para fazer a doação em regime de caixa dois. "A importância recebida pelo Dr. Eduardo de Brandão de Azeredo tiveram (sic) suas origens do (sic) BEMGE, CREDIREAL, BANCO RURAL, COMIG, COPASA, LOTEIRA MINEIRA, e por intermédio das construtoras ANDRADE GUTIERREZ e ARG". A revelação tem força para complicar ainda mais a situação de Azeredo no Supremo Tribunal Federal, onde ele responde a processo como acusado de ser "um dos principais mentores e principal beneficiário do esquema implantado". Ele foi denunciado por peculato e lavagem de dinheiro. O processo está sob a guarda do relator Joaquim Barbosa. 247 procurou, em Brasília, o ex-governador de atual deputado federal Eduardo Azeredo, para conhecer seus comentários a respeito da reportagem de Carta Capital. A informação foi a de que ele não irá se manifestar a respeito.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

BANCOS - Isso é um escárnio!

Como pode um banco ter um lucro imoral desses (quase 7 bilhões de reais) e mesmo assim, demitir milhares de trabalhadores. Por isso é que no meu ponto de vista, todos os bancos deveriam ser estatais.Para mim, banqueiro é sinônimo de ladrão. O banco mais canalha de todos! Pragmatismo Político É inadmissível que um banco com esse resultado gigantesco, que não enfrenta nenhum problema, demita tantos trabalhadores, como também estão fazendo o Bradesco e o HSBC No acumulado do primeiro semestre deste ano, o lucro líquido do banco Itaú totalizou R$ 6,730 bilhões. Na maior caradura, porém, a poderosa instituição financeira alardeia na mídia rentista que está em dificuldades – que teve queda de 5,6% nos seus lucros na comparação com o mesmo período de 2011. Esta é a desculpa esfarrapada para dispensar milhares de trabalhadores. Entre junho de 2011 e junho último, o Itaú demitiu 9.014 bancários – 8,8% do seu quadro funcional. Só no segundo trimestre deste ano foram 3.777 vítimas. Com o amparo de alguns “especialistas” da imprensa – na verdade, porta-vozes do oligarquia financeira -, o banco alega que a queda “abrupta” da taxa de juros – seja da Selic, patrocinada pelo Banco Central, ou das instituição públicas, bancada pelo governo – prejudicou os seus negócios. O Itaú também joga a culpa nos clientes, difundindo que houve aumento da inadimplência decorrente do “crédito fácil”. As duas desculpas também são esfarrapadas. Bravatas de banqueiros e dos seus “calunistas” da mídia. Diante da queda da taxa de juros, que não teve nada de “abrupta” e continua das mais altas do mundo, os bancos elevaram suas taxas de serviços e passaram a ser mais seletivos. Já no que se refere à inadimplência, ela permaneceu praticamente estável – atingindo 5,2%, alta de 0,1 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior e de 0,7 ponto em relação a igual período de 2011. Nada justifica o Itaú aniquilar tantos empregos e penalizar tantas famílias de trabalhadores – a não ser a gula por lucros estratosféricos. “É inadmissível que um banco com esse resultado gigantesco, que não enfrenta nenhum problema, demita tantos trabalhadores, como também estão fazendo o Bradesco e o HSBC. É uma política socialmente irresponsável, que joga contra o desenvolvimento e os interesses do país”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Sistema Financeiro (Contraf-CUT).

PETROBRAS - Realizações e novos desafios.

Centro de Pesquisa da Petrobras, no Rio de Janeiro “Desde a sua fundação, em 1953, a Petrobras mantém estratégia tecnológica constantemente renovada e adaptada ao contexto histórico nacional e às metas de negócios da empresa. Até meados dos anos 1970, a Companhia buscou conhecer os processos de refino e adaptá-los à realidade do país. Mas, a partir de 1974, a empresa iniciou uma série de descobertas de reservas gigantes em alto-mar, na Bacia de Campos, o que alterou o cenário da indústria de petróleo e gás. Os novos desafios trouxeram a necessidade de desenvolver tecnologias inéditas no mundo para viabilizar a produção em águas cada vez mais profundas, ampliando, dessa forma, a atuação da área de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa. A descoberta dos campos do pré-sal, a partir de 2006, elevou a indústria nacional de petróleo e gás a novo patamar, com destaque internacional. O cenário se tornou favorável para a consolidação no país de ampla rede de pesquisa e desenvolvimento nesse setor, impulsionada pelos crescentes investimentos da Petrobras em P&D. Somente no ano passado, foi investido R$ 1,5 bilhão em atividades de pesquisa, 47% a mais do que o valor destinado em 2010. O “Relatório Tecnologia Petrobras”, produzido pelo “Centro de Pesquisas & Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello” (CENPES) e divulgado neste mês, mostra essa evolução de aportes, os principais resultados de P&D e de Engenharia Básica obtidos ao longo de 2011 e as orientações estratégicas da empresa em tecnologia. A partir de desdobramento do planejamento estratégico e do Plano de Negócios vigente, os projetos são desenvolvidos. Os investimentos em tecnologia são orientados por três eixos direcionadores. EXPANSÃO DOS LIMITES Compreende as linhas de pesquisa e projetos voltados para a expansão dos negócios convencionais da Petrobras, como exploração e produção de petróleo e gás natural, refino e produção de combustíveis e derivados, além de transporte e logística. AGREGAÇÃO DOS VALORES E DIVERSIFICAÇÃO DE PRODUTOS Inclui os projetos voltados para ampliar a diversidade de fontes de energia e diversificar a carteira de produtos oferecidos pela Petrobras. Aprimorar a qualidade e desempenho de combustíveis, lubrificantes e produtos especiais; incrementar as tecnologias para petroquímica e gasquímica; melhorias constantes de biocombustíveis; além de desenvolvimento de outras fontes de energia renováveis estão no rol desse eixo. SUSTETABILIDADE DA INDÚSTRIA DE ENERGIA Engloba projetos de pesquisa e desenvolvimento relacionados à sustentabilidade de produtos e processos da Petrobras. Nesse pilar, o objetivo é neutralizar impactos negativos ou transformá-los em benefícios ambientais e econômicos, como a conversão de resíduos e emissões em insumos que gerem valor para a indústria. Gestão de água, efluentes e emissões e eficiência energética estão contempladas. Entre as iniciativas, destacam-se os 24 laboratórios inaugurados ou ampliados em universidades e institutos de pesquisa brasileiros, em 2011, que contaram com recursos da ordem de R$ 77 milhões nas etapas de construção e aquisição de equipamentos. As ações integram o ‘Programa Redes Temáticas’.” FONTE: blog “Fatos e Dados”, da Petrobras (http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2012/07/24/tecnologia-realizacoes-e-novos-desafios-da-petrobras/). [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

quinta-feira, 26 de julho de 2012

BANCOS - Quando os banqueiros são "banksters".

 
 
O melhor exemplo da onda de indignação na Europa é o uso da palavra “bankster”, combinação de “banker” (banqueiro, em inglês) e gângster, inclusive utilizada pelos meios de comunicação de países não anglo-saxões

Por Julio Godoy, da IPS/Envolverde

Meios de comunicação, dirigentes políticos e cidadãos europeus se voltam contra os banqueiros, acusando-os, no melhor dos casos, de serem cúmplices de inumeráveis operações ilegais, e, no pior, de diretamente serem criminosos. O melhor exemplo desta onda de indignação é o uso da palavra “bankster”, combinação de “banker” (banqueiro, em inglês) e gângster, inclusive utilizada pelos meios de comunicação de países não anglo-saxões. O termo, cunhado durante a crise econômica mundial conhecida como a Grande Depressão, dos anos 1920 e 1930, ressurgiu na mídia britânica em 2009, e apareceu agora na primeira página do jornal francês Libération.
Em um breve documento sobre política bancária divulgado no dia 21, o presidente do opositor Partido Social Democrata (SPD) da Alemanha, Sigmar Gabriel, acusou os banqueiros de “chantagearem governos e Estados com a ameaça de uma bancarrota com efeito dominó”, de “cumplicidade com atividades criminosas”, como evasão de impostos e lavagem de dinheiro, e de “prejudicarem seus próprios clientes”. Mesmo os analistas que atribuem intenções populistas às críticas de Gabriel concordaram que os diretores das grandes corporações financeiras privadas causaram grandes prejuízos ao seu negócio e aos seus clientes. A lista de queixas é longa.
Nos Estados Unidos, o banco HSBC é acusado de lavar dinheiro de narcotraficantes latino-americanos e de organizações islâmicas supostamente envolvidas em atividades terroristas. Em um comunicado divulgado no dia 17, o HSBC assume sua responsabilidade: “Houve ocasiões em que o banco não pôde cumprir com os padrões que esperam os reguladores e os clientes. Reconhecemos estes erros, respondemos por nossas ações e nos comprometemos a solucionar o que não funcionou bem”.
O chamado escândalo Libor (acrônimo em inglês de taxa interbancária oferecida de Londres) deixou clara a conivência de numerosas instituições internacionais, entre elas Barclays, Citigroup, JPMorgan Chase, UBS, Deutsch Bank, HSBC, para falsificar informação sobre as taxas de juros interbancárias para que os bancos centrais fizessem o mesmo com as suas. A taxa Libor é uma referência para o mercado monetário, fixada pela Associação de Banqueiros Britânicos. O escândalo fez com que reguladores britânicos e norte-americanos impusessem ao Barclays uma multa sem precedentes de US$ 450 milhões, e levou à aposentadoria forçada de seu diretor, Bob Diamond.
Além disso, as instituições financeiras se viram envolvidas em uma grande confabulação de evasão fiscal. A independente Rede de Justiça Fiscal, que investiga a evasão de impostos internacional e o papel dos bancos nos paraísos fiscais, estima que cerca de US$ 11,5 trilhões de ativos estão guardados em cofres de segurança, o que faz com que os Estados deixem de arrecadar aproximadamente US$ 250 bilhões por ano.
Por sua vez, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) destaca que “a evasão e a fraude fiscal colocam em risco a arrecadação dos Estados”, e recorda que o Senado dos Estados Unidos estima uma perda de US$ 100 bilhões por ano com evasão fiscal cometida por pessoas e empresas nesse país. “Em muitas nações, as quantias chegam a milhares de milhões de euros”, afirma a OCDE. “Isto significa menos recursos para infraestrutura e serviços, como educação e saúde, e prejudica os padrões de vida em economias desenvolvidas e em desenvolvimento”, ressalta.
Os ativos estão em paraísos fiscais, como os territórios britânicos Ilha de Man, Guernsey e Gibraltar, e nas Ilhas Cayman e similares, embora também em instituições financeiras que operam em cidades como Londres e Nova York, e, ainda, em países como Suíça, Cingapura e Mônaco. Os crimes financeiros ocorrem quando os países do Norte industrializado atravessam uma grave crise de dívida soberana que deixou muito deles na bancarrota.
O problema teve origem, ou, pelo menos, se agravou, com a crise financeira de 2007, precisamente porque os bancos ficaram à beira da falência e tiveram de ser resgatados pelos Estados para evitar a queda do sistema financeiro. No entanto, a ajuda só fez aumentar e mover uma crise financeira cíclica, e agora bancos espanhóis, gregos e cipriotas pedem ajuda dos governos nacionais, que sacrificam seus cidadãos reduzindo o gasto com serviços públicos básicos como educação, saúde e infraestrutura.
Tudo isso se faz para que os mercados financeiros internacionais continuem operando quase sem regulação, enquanto os “banksters” se atribuem salários principescos e bônus elevados. No dia 18, o jornal Libération revelou que, em 2011, apenas quatro grandes bancos franceses pagaram aos seus diretores 1,1 bilhão de euros (mais de US$ 1,3 bilhão) em bônus. A situação levou alguns políticos a reclamarem novas regulações e novos controles para os mercados financeiros.
O ministro da Economia da França, Pierre Moscovici, lançou uma reforma do setor com o objetivo de separar os bancos comerciais das instituições financeiras e limitar os salários dos diretores. Gabriel, do PSD, pediu um teto de salário e de bônus e a responsabilidade pessoal de presidentes, diretores-gerais e gerentes de bancos quando as perdas são causadas por transações especulativas de alto risco.
Medidas semelhantes foram propostas pela Comissão Independente para os Bancos (ICB), criada em 2010 para reformar o setor e promover a competição e a estabilidade financeira. Contudo, as ideias não foram totalmente consideradas pelo novo plano do governo para reestruturar o mercado financeiro, anunciado no começo deste mês, que, de todo modo, não será implantado antes de 2019.
De fato, a maioria das medidas discutidas na Alemanha, França e Grã-Bretanha está incluída no acordo da Basileia III, último pacto normativo internacional para reforçar e regular a estabilidade e a solvência do setor financeiro. A nova normativa do Comitê de Supervisão Bancária da Basileia, ainda em discussão, será aplicada passo a passo a partir de 2013 com vistas à sua total implantação em 2019.
Economistas independentes afirmam que a demora em fixar novos controles a um setor obviamente corrupto prova a falta de vontade política dos governos para chegar à raiz do problema. Segundo o economista francês Paul Jorion, “após cinco anos da pior crise financeira da história, todas as tentativas de regular os bancos e os fundos são letra morta”. Por outro lado, “a União Europeia e os governos continuam desregulando e deixando seus próprios cidadãos na miséria total”.

MÍDIA - A informação e sua importância.

A informação e sua importância para cada um de nós


rotativa A informação e sua importância para cada um de nós
Vou pedir licença aos leitores, aproveitando a trégua da política e as atenções voltadas ao início das Olimpíadas, para fazer uma reflexão sobre o nosso ofício de jornalista e a importância da informação neste globalizado mundo cibernético, em suas diferentes plataformas, para cada um de nós.
O que me levou a escrever este texto foi um breve diálogo que tive com a minha neta mais velha, na semana passada, e o debate entre os diretores dos quatro principais diários do país sobre o futuro do jornalismo impresso, resumido em duas páginas de "O Globo" em sua edição desta quarta-feira.
Como costumo fazer sempre que saio do meu trabalho de comentarista político do Jornal da Record News, o programa diário comandado por Heródoto Barbeiro, liguei para a minha mulher, mas quem atendeu no celular dela foi Laura, minha neta de 9 anos, que estava assistindo ao telejornal no nosso sítio onde a família passa férias.
"Vovô, o que você fala é muito importante para o país", sapecou a menina, sem dar maiores explicações.
"Quem te falou isso, Laurinha?", procurei saber, surpreso com o que ouvi.
"Ninguem me falou, eu acho... Mas quero te dizer que você também é muito importante pra mim, estou com saudade..."
Nem me lembro qual era o tema do comentário. Só sei que, em meus quase 50 anos de profissão, foi o maior elogio que recebi na vida, como jornalista e como avô.
Lembrei-me da conversa com Laurinha quando li na hora do almoço a copiosa matéria sobre "O papel do jornal", tema do debate entre o diretor de conteúdo do "Estadão", Ricardo Gandour, o editor executivo da "Folha", Sérgio Dávila, a diretora de redação do "Valor", Vera Brandimarte, e o diretor de redação de "O Globo", Ascânio Seleme.
Com exceção de Vera Brandimarte, conheço bem e já tive longas conversas com estes outros três chefes de redação sobre os rumos do jornalismo após o advento da internet, a maior revolução nas comunicações humanas nos últimos 500 anos, desde a invenção da imprensa por aquele alemão metido a besta, o Johannes Gutemberg.
"Diretores de redação de quatro diários dizem que futuro do impresso é apostar em análise e aprofundamento das notícias", diz o olho da matéria de Carla Rocha e Selma Schmidt. Até aí, estamos todos de acordo.
As repórteres resumem assim o que foi discutido no auditório de "O Globo":
"O desafio do jornalismo impresso é se adaptar aos novos tempos e descobrir como fazer a notícia chegar ao leitor não como uma coisa velha, mas como algo novo, instigante, com conteúdo, projeções e análises".
Para quem, como eu, leu na véspera as notícias publicadas nos três grandes portais de informação do país, que pertencem aos mesmos donos dos três maiores jornais (Folha, Globo e Estado), responsáveis por mais de 90% de toda matéria-prima informativa produzida no país, não havia nenhuma novidade nos impressos nesta quarta-feira.
O problema é como fazer isso para diferenciar um veículo do outro e cada um deles das outras mídias para torná-lo um "produto de primeira necessidade", como queria, muitos anos atrás, Octavio Frias de Oliveira, o dono que recriou a "Folha de S. Paulo", hoje o maior jornal do país.
Entre o discurso e a realidade, a distância ainda é imensa. Quem mais se aproximou do caminho ainda a ser desbravado foi Ascânio Seleme, o diretor de "O Globo", ao defender que é preciso apostar cada vez mais em qualidade e em reportagens com conteúdo e análises. "O leitor espera mais desdobramento, análise, mais debate e mais profundidade".
Foi a única vez que apareceu a palavra "reportagem" em todo o resumo do debate, um sinal de que o caminho mais óbvio para alcançar os objetivos desejados por quem luta pela sobrevivência do jornal impresso, ou seja, contar bem contada uma história original, capaz de surpreender o leitor e que a concorrência não tem, ainda é o mais esquecido nesta história.
Qualquer que seja a plataforma, o nosso desafio diário é garimpar novas histórias e informações relevantes, e descobrir a importância de cada uma delas para o nosso público. O futuro do jornal de papel eu não sei qual será _ vai depender do que cada um de nós for capaz de fazer para preencher as páginas em branco e despertar o interesse de sua excelência, o leitor, como ensinava o velho Frias.
Se depender da Laurinha, que desde pequena habituou-se a ler e comentar comigo as notícias do jornal de papel, nosso futuro está garantido.
Blog do Ricardo Kotscho.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

OLIMPÍADAS - As olimpíadas militarizadas de Londres.

 
A história de duas cartas de dois britânicos mostra um pouco dos apelos e dos valores por trás da organização do maior evento esportivo de 2012

Por John Pilger, publicado por Resistir

Esta é a história de duas cartas e de dois britânicos. A primeira carta foi escrita por Sebastian Coe, o antigo atleta que preside o Comitê Organizador das Olimpíadas de Londres. Ele agora é chamado de Lord Coe. No New Statesman de 21 de junho informei de um apelo urgente a Coe, feito pela União das Mulheres do Vietnã, para que ele e os seus colegas do COI reconsiderassem sua decisão de aceitar o patrocínio da Dow Chemical, uma das companhias que fabricou dioxina, um veneno utilizado contra a população do Vietnã. Com o nome em código de Agente Laranja, esta arma de destruição maciça foi despejada sobre o Vietnã, de acordo um relatório de 1970 do Senado dos EUA, na chamada Operação Inferno (Operation Hades). A carta a Coe estima que hoje 4,8 milhões de vítimas do Agente Laranja são crianças, todas elas com deformações chocantes.

Na sua resposta, Coe descreve o Agente Laranja como “uma questão altamente emocional” cujo desenvolvimento e utilização “foi praticado pelo governo dos EUA [o qual] corretamente conduziu o processo de tratar as muitas questões que resultaram”. Ele refere-se a um “diálogo construtivo” entre os governos estado-unidense e vietnamita “para resolver questões”. Eles estão “melhor colocados para gerir a reconciliação destes dois países”. Ao ler isto, recordei-me das cartas evasivas que são uma especialidade do Foreign Office em Londres para negar a evidência dos crimes de Estado e do poder corporativo, tais como a exportação lucrativa de armas terríveis. O antigo funcionário da Seção Iraque (Iraq Desk Officer), Mark Higson, chamou a estes sofismas “uma cultura da mentira”.

Enviei a carta de Coe a algumas autoridades sobre o Agente Laranja. As reações foram inequívocas. “Não houve de todo qualquer iniciativa do governo dos EUA para tratar os efeitos sobre a saúde e a economia nas pessoas do Vietnã afetadas pela dioxina”, escreveu o respeitado procurador dos EUA Constantine Kokkoris, que dirigiu um processo contra a Dow Chemical. Ele observou que “indústrias como a Dow estavam conscientes da presença e nocividade da dioxina no seu produto mas deixaram de informar o governo num esforço para evitar a regulamentação”. Segundo a Liga dos legados da guerra, nenhum dos problemas na saúde, no ambiente e na economia provocados pela mais prolongada guerra química do mundo foi tratado pelos EUA. Agências não governamentais ajudaram “apenas um pequeno número daqueles que necessitavam”. Uma “limpeza” num “ponto quente de dioxina” na cidade de Da Nang, ao qual Coe se refere, é uma impostura – nada do dinheiro concedido pelo Congresso dos EUA foi diretamente para os vietnamitas ou chegou àqueles mais gravemente incapacitados pelo câncer associado ao Agente Laranja.

Por esta razão, a menção de Coe à “reconciliação” é blasfema, como se houvesse uma equivalência entre uma super-potência invasora e suas vítimas. A sua carta exemplifica o arame farpado das Olimpíadas de Londres, suas relações públicas, seu estado totalitário movido pelo dinheiro dentro de um local no qual se entra, apropriadamente, através do mega centro comercial de Westfield. Como ousam vocês queixarem-se dos mísseis sobre as coberturas dos vossos apartamentos, ralhou um magistrado a 86 residentes no East End de Londres. Como ousa qualquer de vocês protestar contra as “pistas para carros Zil”, reminiscentes da Moscou da era soviética, para apparatchiks olímpicos e os rapazes da Dow e da Coke? Com os media encarregados de estimular as Olimpíadas, tal como fizeram para o “Pavor e choque” no Iraque em 2003, agora entra o homem que desempenhou um papel de estrela para possibilitar ambos os espetáculos.

Em 11 de julho, numa chamada noite olímpica, “uma reunião da tribo trabalhista”, declarou o líder do Labour Party, Ed Miliband, celebrou sua “estrela convidada” Tony Blair e a sua “prenda” de 2005 dos Jogos Olímpicos e “proporcionou a oportunidade perfeita para o retorno de Blair à linha de frente política”, informou o Guardian. O organizador desta maquinação foi Alistair Campbell, chefe do banho de sangue com que Blair premiou o povo iraquiano. E tal como as vítimas da Dow Chemical não têm interesse para a elite olímpica, também a criminalidade monstruosa da estrela convidada do Labour não era assunto mencionável.

A origem da segurança caótica das Olimpíadas tão pouco é mencionável. Como estudos consagrados na Grã-Bretanha admitem há muito, foram as invasões do Afeganistão e do Iraque e a restante “guerra ao terror” que serviram para recrutar novos jihadistas e promover outras formas de resistência que levaram diretamente às bombas em Londres de 7 de julho. Elas foram bombas de Blair. Na sua atual reabilitação, graças ao seu “legado” olímpico, há o extra adicional de que a enorme riqueza pós Downing Street de Blair está concentrada em instituições de beneficência.

A segunda carta que recebi foi-me enviada por Josh Richards, que vive em Bristol. Em março de 2003, Josh e quatro outros começaram a desativar um bombardeiro americano B-52 na base da RAF de Fairford, Gloucesterchire, para que não pudesse bombardear o Iraque. Assim o fizeram. Foi uma ação não violenta fiel aos princípios de Nuremberg de que uma guerra de agressão era o “crime de guerra supremo”. Josh foi preso e acusado de planeamento para a colocação de explosivos. “Isto foi baseado na ideia ridícula de que alguma manteiga de amendoim que eu tinha comigo era realmente um componente de bomba. A acusação foi abandonada mais tarde depois de o Ministério da Defesa efetuar testes amplos ao meu crocante Tesco de manteiga de amendoim”.

Após dois julgamentos e dois júris que não puderam chegar a decisão unânime, Josh foi finalmente absolvido. Foi um caso memorável no qual ele falou em tribunal aberto acerca do embargo genocida imposto ao Iraque pelos governos britânico e estadunidense antes da sua invasão e das falsas justificações da “guerra ao terror”. A sua absolvição significou que ele havia atuado em nome da lei e que a sua intenção foram salvar vidas.

A carta escrita por Josh incluía uma cópia do meu livro, Os novos dominadores do mundo (The New Rulers of the World), o qual, ele destaca, proporcionou os fatos de que necessitava para a sua defesa. Com páginas marcadas e sublinhadas meticulosamente, o livro havia acompanhado Josh numa jornada de três anos através de salas de tribunais e celas de prisão. De todas as cartas que recebi, a de Josh exemplifica uma decência, modéstia e determinação de propósito moral que representa uma outra Grã-Bretanha e antídoto a venenosos patrocinadores olímpicos e a instigadores de guerra reabilitados. Durante estes tempos extraordinários, tal exemplo deve dar outro ânimo e inspiração para recuperar esta democracia em retrocesso.
O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=31985

POLÍTICA - A tentativa de Serra de intimidar seus críticos.

A tentativa de Serra de intimidar seus críticos


Que José Serra é a mais perfeita vocação de ditador que a política brasileira moderna conheceu, ninguém duvida. Ninguém escapa dos seus arreganhos totalitários.
Meu blog foi reconhecido pela Burson-Marsteller como um dos quatro blogs jornalísticos mais influentes do Twitter – o único independente. Tenho história no jornalismo econômico, premiações e reconhecimento público.
A CEF anuncia no meu blog, assim como em outros blogs, inclusive críticos sistemáticos do governo.
Seu ataque à publicidade de estatais visa exclusivamente intimidar diretores de comunicação dos anunciantes.
Sobre meu blog, o dados estão disponíveis aqui mesmo.
Dos últimos 300 posts, 8 apenas foram sobre o mensalão, todos decorrência da decisão recente do TCU (Tribunal de Contas da União) de considerar regulares as contas do BB no período Pizolatto,
Cinco deles, reprodução de matérias de jornais. Duas deles, de leitores analisando o papel dos ministros do TCU.
Outros dois, minimizando o relatório do TCU: um, a nota do próprio TCU, outra, matéria do Globo informando que o Procurador Geral da República não se deixaria influenciar pela decisão do TCU.
Em relação às eleições, 11 posts, dentre os últimos 300:
Desses, 6 de jornalões e portais; um de site de esquerda; dois do blog, sobre a tropa de choque de Serra e sobre a foto ridícula dele no skate.
Dentre os 11, um do Globo com Serra acusando os blogs.
O que Serra pretende é calar qualquer voz crítica em relação a ele, como usualmente faz com jornalistas da própria velha mídia.

ELEIÇÕES - Pesquisa do Datafolha.

Datafolha revela os quadros básicos das eleições municipais


Pedro do Coutto

As pesquisas do Datafolha Globo publicadas na edição de sábado 21 da Folha de São Paulo, comentadas por Ricardo Mendonça e Ítalo Nogueira, definiram os quadros básicos das eleições para prefeituras de diversas capitais, especialmente São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. As principais e que podem apresentar reflexos nacionais em relação à sucessão presidencial de 2014.
Daí por exemplo, o empenho de Dilma Rousseff quanto a Belo Horizonte, em favor de Patrus Ananias contra Márcio Lacerda, candidato de Aécio Neves. Mais uma prova de que vai disputar a reeleição, enfrentando o senador mineiro, cujo nome já foi lançado no PSDB pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Mas o problema das eleições municipais não termina aí. Em São Paulo, José Serra, embora lidere, não está tão firme como parecia no início da campanha. Alcançou 30 pontos em março, subiu para 31 em junho, desceu para 30. Está batendo no mesmo lugar. Parece ser esse seu primeiro teto no primeiro turno. Fernando Haddad chegou a 8% em junho, mas apesar do apoio entusiasmado de Lula, recuou para 7. O efeito Maluf funcionou negativamente. Em junho Celso Russomano estava com 21. Atingiu 26. Foi o único a ganhar terreno. Uma ameaça tanto para José Serra quanto para Luis Inácio Lula da Silva. Está difícil Haddad decolar.
Em Belo Horizonte polarizou-se a disputa. Márcio Lacerda com 44, Patrus Ananias com 27. Não há mais ninguém no páreo. Vanessa Portugal tem apenas 4 pontos. No Rio, Eduardo Paes, hoje, está absoluto com 54 % das intenções de voto. Em segundo, distante, Marcelo Freixo com 10. Rodrigo Maia tem 6, Otávio Leite 4. Pode não haver segundo turno. Mas, se houver, será com Marcelo Freixo. O único que pode progredir. Basta compulsar os índices de rejeição.
É claro que todo este panorama que estamos desenhando pode se alterar com o horário eleitoral na televisão e no rádio que começa na semana final de agosto. Em São Paulo, Lula vai aparecer firme na tela no esforço para alavancar Haddad, candidato que inventou, ultrapassando a candidatura natural da senadora Marta Suplicy. Mas se existe essa possibilidade, temos que considerar também que a TV não pode produzir milagres.
Na cidade do Rio de Janeiro, há um aspecto diferente. Em São Paulo e Belo Horizonte, os principais candidatos são conhecidos de todos os eleitores, praticamente. Entre os cariocas, 99% conhecem Eduardo Paes; 79% Rodrigo Maia; 67% Otávio Leite, mas apenas 50% sabem quem é Marcelo Freixo.
Um dos integrantes de sua campanha, o economista Filipe Campello, me disse que o deputado do PSOL está firme no meio universitário e nas áreas de classe média. Mas, numa visita que realizou à Feira de São Cristóvão, poucos sabiam quem era. Neste ponto, penso eu, houve uma falha na preparação e na organização. Organizada está a campanha de Eduardo Paes, incluindo o apoio de Dilma Rousseff. No Rio, terá que ser avaliada a influência ou não, nas urnas de outubro, da disposição anunciada por Sérgio Cabral de renunciar ao governo do estado, no final de 2013.
O panorama é este. Pode mudar, mas alterações nas principais colocações não são prováveis. Surpreende o quadro de Curitiba. O atual prefeito Luciano Ducci, com apenas 23 pontos, é batido pelo deputado Ratinho Junior com 27. Espanta também a fraqueza do PT em Porto Alegre: Adão Vilaverde somente com 3 %. José Fortunati, do PDT, lidera com 38. Manuela D’Avila em segundo com 30, pelo PC do B. O que está acontecendo? O governador Tarso Genro é do PT. Nunca o Partido dos Trabalhadores teve um desempenho tão fraco na capital gaúcha

terça-feira, 24 de julho de 2012

BANCOS - Grande FHC.

FHC e as fraudes do Santander e HSBC



Por Mauro Santayana, em seu blog:

Entre outros legados de Fernando Henrique Cardoso, se encontra a desnacionalização de alguns bancos, estatais e privados. Os casos mais emblemáticos são o do Banco do Estado de São Paulo, o Banespa, e o do Bamerindus, então controlado pelo Sr. José Eduardo de Andrade Vieira. O banco estatal paulista foi vendido ao espanhol Santander por 7 bilhões de dólares. A importância era muito inferior aos seus ativos reais.


A venda do Bamerindus, na calada da noite, ao HSBC, ainda parece mais grave. O seu controlador fora ministro do governo Itamar Franco e um dos principais financiadores da campanha de Fernando Henrique à Presidência, de cujo governo também participou. Segundo se informou, na época, o HSBC pagou um dólar pelos ativos bons do Bamerindus, e o Banco Central assumiu os ativos duvidosos, ou seja, suas dívidas e seus créditos junto ao mercado.

O Santander se transformou hoje no instrumento de transferência de recursos brasileiros para a matriz espanhola. Associado, ali, aos interesses do governo, hoje acossado pela mais grave crise econômica e social do país das últimas décadas, o Santander sobrevive com a forte participação da sucursal brasileira, responsável por um quarto dos lucros obtidos em suas operações mundiais.

O HSBC foi denunciado, por um comitê do Senado norte-americano, de associação criminosa com os narcotraficantes do México e com fontes financiadoras dos militantes muçulmanos no Oriente Médio. De acordo com a denúncia, que os controladores do banco atribuem à negligência de seus executivos, o HSBC realiza a lavagem de dinheiro dos cartéis mexicanos da droga, e serve de apoio a um banco da Arábia Saudita ligado à Al Qaeda. É possível que esse mesmo envolvimento seja descoberto na Colômbia, com os traficantes de cocaína, e no Afeganistão, o maior produtor mundial da papoula, de onde se extrai o ópio que, refinado, produz a heroína.

O HSBC ( Hong-Kong and Shangai Banking Corporation) apesar do nome, é uma instituição britânica, fundada em 1865, em Londres, que continua a ser sede. De todos os negócios feitos pelo governo Fernando Henrique com bancos estrangeiros, este permanece o mais misterioso. Segundo se sabe, ele foi concluído pelo então Ministro Pedro Malan em viagem sigilosa a Londres, e fechado ali durante a noite. Só então, depois de concluída, a negociação foi divulgada no Brasil.

O novo escândalo se soma aos demais, e a cada dia cresce a pressão da opinião pública mundial a fim de que os governos façam uma devassa nos grandes bancos internacionais e imponham regras rigorosas para o seu funcionamento. Um apelo neste sentido está sendo divulgado pela internethttp://www.avaaz.org/po/bankers_behind_bars_f/?tfGaodb), e se espera que, nas próximas horas, ele atinja um milhão de assinaturas.

ECONOMIA - Da servidão moderna ao Deus dinheiro.

Eliani Gracez (Zero Hora)

Segundo o documentário “Da servidão moderna”, de Jean-François Brient, que está na internet com um apelo marxista, a escravidão não terminou, apenas mudou sua ideologia. A escravidão moderna é voluntária. O novo escravo escolhe o amo que ele quer servir, e com isso se julga livre.
Estranha modernidade, diz o documentário, uma classe que não quer enxergar a sua servidão, não conhece a rebelião. Não luta mais pela sobrevivência ou por um lugar ao sol, luta por um objeto que lhes dê status social. A aglomeração em que vive e mora o escravo moderno é reflexo da servidão. Semelhante a jaulas e prisões.
O escravo moderno paga por sua jaula, e nela acumula mercadoria, sonhando em ser feliz. A ideologia de massa despoja cada ser de si mesmo. Não é mais a demanda que determina a oferta, mas sim a oferta que determina a demanda. E assim o escravo compra o que lhe é imposto – o modelo novo de celular, o carro com alta tecnologia. O velho computador não serve mais, o escravo moderno precisa de um computador de última geração, mesmo que seja só para acessar o Facebook.
O escravo moderno não está no comando da situação, a situação comanda o escravo. A cada instante surgem novas necessidades para o escravo moderno, e é mais fácil aceitar a demanda imposta pelo mercantilismo do que lutar contra ela. E o que dizer da alimentação do escravo moderno? É quando ele se alimenta que demonstra melhor o estado de sua decadência. Sem tempo para se alimentar melhor, o escravo moderno se obriga a engolir rápido o que a indústria agropecuária produz. Consome o que a indústria da falsa abundância lhe permite consumir.
A falsa ilusão da abundância de escolha pelos alimentos disfarça a degradação dos conservantes e corantes, dos pesticidas e hormônios. Irmãos menores, parafraseando São Francisco, são mortos cruelmente para servir de alimento. Mas o escravo moderno não se importa com isso. A regra do consumo é o prazer imediato. Como resultado deste prazer, o escravo está se tornando obeso.
A produção de energia, de alimento e de lixo está acabando com o planeta. As mudanças em termos de cuidados para com a natureza planetária são superficiais. E tudo continua como era antes. Para o escravo moderno não se rebelar contra o sistema consumista, houve uma inversão de valor.
No passado, o trabalho era para quem não tivesse nobreza. Hoje, o trabalho enobrece o homem. Com esse pensamento o escravo alienou-se mais ainda. Com tanto trabalho, passam a vida a produzir aquilo que somente alguns terão direito de usufruir. Triste servidão! Obedecer, produzir e consumir, eis a regra. O escravo moderno obedece aos pais, obedece aos professores, obedece ao patrão. “De tanto obedecer, adquire reflexos de submissão”.
Da obediência surge o medo de aventurar-se, medo de arriscar-se. O escravo moderno não sabe viver sem o poder que o criou, por isso ele continua a obedecer. O poder que governa o mundo tem o consentimento do escravo moderno, ele está disposto a pagar o preço por todo esse consumismo.
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O DEUS DINHEIRO

O escravo moderno também precisa de um Deus, por isso entrega sua alma ao deus do dinheiro. Em nome desse novo deus, o escravo moderno estuda, trabalha, luta e serve fielmente. Em nenhum outro tempo alguém serviu tanto a um Deus como nos dias de hoje. O escravo moderno entende que o novo deus o libertará. Como se o dinheiro andasse de mãos dadas com a liberdade.
O novo deus ninguém ousa recriminar. E assim a forma de poder forma escravos para o novo deus desde a infância. Crianças aprendem pela televisão que é possível usar daquilo que é mais baixo para vender qualquer coisa. Vender é tudo o que importa ao sistema consumista. O consumismo está acabando com o planeta.