domingo, 5 de fevereiro de 2017

Altamiro Borges: Marisa Letícia: uma história de luta

Altamiro Borges: Marisa Letícia: uma história de luta

Altamiro Borges: Marisa Letícia e a crise da medicina

Altamiro Borges: Marisa Letícia e a crise da medicina: Do jornal Brasil de Fato : A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares lançou nota neste sábado (4), na qual se posiciona sobre o vazam...

O destino de Eike Batista nos faz pensar - CorreiodoBrasil

O destino de Eike Batista nos faz pensar - CorreiodoBrasil: Não podemos  julgar as pessoas, pois o julgamento cabe somente a Deus. Mas podemos julgar comportamentos porque são realidades objetivas e  podem ser encontradas em outras pessoas e em outras culturas
Por Leonardo Boff – do Rio de Janeiro:
Parece-nos evidente que o comportamento de Eike Batista se revestia de não pouca arrogância a ponto de pretender tornar-se a pessoa mais rica do mundo. Chegou a estar entre os dez mais opulentos do planeta. Para isso abriu inúmeras frentes de enriquecimento, colocando nelas a sigla de seu nome com um X significando a multiplicação: EBX. Mas o comportamento arrogante fez falir grande parte de suas empresas e o arruinou como empresário. Por fim acabou preso sob acusação de corrupção, fraudes e lavagem de dinheiro.

Parece-nos evidente que o comportamento de Eike Batista se revestia de não pouca arrogância a ponto de pretender tornar-se a pessoa mais rica do mundo

Para esclarecer este tipo de comportamento e as consequências sombrias que pode trazer vem-me à memoria uma fábula da cultura alemã (Eike possuía também nacionalidade alemã), transmitida por Philipp Otto Runge, um simples pintor do século XIX.
Trata-se do que aconteceu com um pobre casal de pescadores que perdeu o sentido da medida e dos limites. Vou traduzi-la do alemão gótico.
“Um certo casal vivia numa choupana miserável junto a um lago. Todo dia a mulher ia pescar para poder comer com seu marido. Certa feita, puxou em seu anzol um peixe muito estranho que não soube identificar. O peixe foi logo  dizendo: “Não me mate, pois não sou um peixe qualquer; sou um príncipe encantado, condenado a viver neste lago; deixa-me viver”. E ela deixou-o viver.
Ao chegar em casa, contou o fato ao marido. Este, muito esperto, logo lhe sugeriu: “Se ele for de fato um príncipe encantado, pode nos ajudar e muito. Corra para lá e tente  pedir a ele que transforme  nossa choupana num castelo”. A mulher, relutando, foi. Com voz forte chamou o peixe. Este veio e lhe disse: “Que queres de mim”? Ela lhe respondeu: “Você deve ser poderoso, poderia transformar minha choupana num castelo”. “Pois, sera atendido o teu desejo” respondeu.
Ao chegar em casa, deparou-se com um imponente castelo, com torres e jardins e o marido vestido de príncipe. Passados poucos dias, disse o marido à mulher, apontando para os campos verdes e para as montanhas ao longe “Tudo isso pode ser o nosso reino; vá ao príncipe encantado e peça-lhe que nos dê um reino”.
A mulher se aborreceu com o desejo exagerado do marido, mas acabou indo. Chamou o peixe encantado e este veio.“Que queres agora de mim”, perguntou ele. Ao que a pescadora respondeu: “Gostaria de ter um reino com todas as terras e montanhas a perder de vista”. “Pois, seja feito o teu desejo” respondeu o peixe.
Ao regressar, encontrou um castelo ainda maior. E lá dentro seu marido vestido de rei com coroa na cabeça e cercado de príncipes e princesas. Ambos desfrutaram, por uns bons tempos, de todos os bens que os reis costumam desfrutar. Então o marido sonhou mais alto e disse: “Você, minha mulher, poderia pedir ao príncipe encantado que me faça Papa com todo o seu esplendor”.
Papa
A mulher ficou irritada. “Isso é absolutamente impossível. Papa existe somente um no mundo”. Mas ele fez tantas pressões que finalmente a mulher foi pedir ao príncipe: “Quero que faça meu marido Papa”. “Pois, seja feito o teu desejo”, respondeu ele.
Ao regressar viu o marido vestido de Papa cercado de cardeais com suas vestes vermelhas, bispos com suas cruzes de ouro e multidões ajoelhadas diante deles. Ambos ficaram deslumbrados. Mas passados uns dias, ele disse: “Só me falta uma coisa e quero que o príncipe ma conceda, quero fazer nascer o sol e a lua, quero ser Deus”.
 “Isso o príncipe encantando, seguramente não poderá fazer”, disse a mulher pescadora. Mas sob altíssima pressão e aturdida foi ao lago. Chamou o peixe. E este lhe perguntou: “Que queres, por fim, mais de mim”? Ela, trêmula, falou: “Quero que meu marido vire Deus”.
O peixe, estremeceu mas lhe disse: “Retorne e terás uma surpresa”. Ao regressar, encontrou seu marido sentado diante da choupana, pobre e todo desfigurado”. E parece que estão lá até os dias de hoje.
Mutatis mutandi não é algo parecido com o caso de Eike Batista?
Os gregos chamavam este comportamento de hybris, quer dizer, excessiva pretensão e arrogância. E diziam que os deuses inexoravelmente  castigavam tal atitude. Mais humilde foi de São Francisco que dizia: “Desejo pouco e o pouco que desejo é pouco”.
 
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sábado, 4 de fevereiro de 2017

POLÍTICA - Lula promete luta"

No velório, velho Lula volta às origens e promete luta


Já quase no final de sua fala de 20 minutos diante do caixão de Marisa, Lula não conseguiu mais segurar o choro ao prometer para a mulher com quem viveu 43 anos, da luta sindical dos metalúrgicos do ABC à Presidência da República:
"Querida companheira Marisa, descanse em paz, porque o seu `Lulinha Paz e Amor´vai continuar brigando muito por você".
Depois de passar horas em pé recebendo os pêsames de uma a uma das milhares de pessoas que foram ao salão do terceiro andar do Sindicato dos Metalúrgicos, o berço político dele e do PT, com as filas dando volta no quarteirão, Lula voltou a falar com a emoção dos tempos em que surgiu na cena política brasileira, desafiando a ditadura militar, nas greves dos anos 1970.
"Marisa morreu triste pela canalhice que fizeram com ela e a imbecilidade e a maldade que fizeram com ela... Tenho 71 anos. Acho que ainda vou viver muito porque quero provar que os facínoras que levantaram leviandades contra a Marisa tenham um dia a humildade de pedir desculpas a essa mulher".
Lula aguentou firme os dez dias que passou no hospital ao lado da mulher, onde ela ficou entre a vida e a morte depois de sofrer um AVC, mas ao reencontrar velhos companheiros e militantes na manhã deste sábado por diversas vezes ele se emocionou a ponto de não conseguir falar nada, apenas dar um forte abraço.
Relembrando passagens da vida em comum com Marisa, desde que eles se conheceram ali naquele sindicato, das viagens que fizeram juntos pelo Brasil e por boa parte do mundo, Lula buscava no passado forças para encarar o futuro sem ela.
"Marisa ficava na praça da Matriz com outras companheiras vendendo bandeiras e camisetas para a gente construir o partido que a direita agora quer destruir", lembrou ao falar do começo do PT, misturando boas recordações com um desafio aos que o acusam na Operação Lava Jato, onde responde a cinco processos.
"Se alguém tem medo de ser preso, quero dizer que esse homem, que está aqui enterrando sua mulher, não tem. Tenho consciência tranquila. Não sou eu que tenho que provar que sou inocente. Eles que precisam provar que as mentiras que eles estão contando são verdade".
Se depender do ânimo da multidão de políticos, lideres sindicais e de movimentos sociais, militantes anônimos e antigos colegas de diretoria do sindicato que foram ao velório de Marisa, ele não vai seguir o conselho de d. Angélico Bernardino, que o abraçou ao final do desabafo, pegou o microfone e o aconselhou a descansar um pouco. Duvido.
Pelo que conheço dele, segunda-feira o velho Lula estará de volta, mais uma vez viajando pelo país, ainda mais desafiado a lutar pelo seu legado político e pela memória da mulher.
Vida que segue.

POLÍTICA - E agora, Dr. Janot?

Ação contra foro privilegiado de Moreira é ‘toga justa’ a Janot e ao STF.

NOMEDELE
Em abril de 2006, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, mandou ao STF manifestação para que se impedisse a posse de Lula na Casa Civil de Dilma Rousseff. Dizia que,  sua escolha tinha ” a intenção, sem prejuízo de outras potencialmente legítimas, de afetar a competência do juízo de primeiro grau e tumultuar o andamento das investigações criminais no caso Lava Jato”.  Naquele momento, nem mesmo réu o ex-presidente era: não havia sido aceita, ainda, qualquer acusação contra ele.
Gilmar Mendes não pestanejou e tascou uma decisão do Mandado de Segurança 34.070, impetrado pelo PPS proibindo a posse pois, para ele,  a nomeação para o Ministério “produziu resultado concreto de todo incompatível com a ordem constitucional em vigor: conferir ao investigado foro no Supremo Tribunal Federal.”
Ontem, o ex-juiz e advogado da Rede, Márlon Reis, impetrou mandado de segurança quase idêntico ao do PPS contra Lula, atendido por Janot e Gilmar, com uma pequena diferença.
É que – como se lê na íntegra, publicada pelo Poder360 –  ele é todo fundamentado nas decisões do próprio Gilmar Mendes, que esposou as teses do Procurador Geral.
O presente caso é de identidade intrínseca: i) o Sr. Moreira Franco, assim como Lula, foi destinado às pressas para um Ministério, agravado pelo fato de que, neste caso, foi criado sem razões de interesse público que o justifiquem; ii) Referida manipulação acontece com o único intuito de conferir-lhe foro por prerrogativa de função após os desdobramentos da operação Lava Jato.
A única diferença entre ambos é a forma de tratamento e divulgação da grande imprensa em relação a ambos os fatos. Portanto, tratamento diferenciado para ambos os casos implicaria na maior afronta desta Suprema Corte ao princípio constitucional da isonomia em sede de sua atuação processual. 
Márlon foi ao ponto. embora eu, pessoalmente, discorde de privar qualquer cidadão de direitos políticos senão por condenação criminal, como prevê a Lei da Ficha Limpa, da qual o ex-juiz é um dos autores.
A questão é essencialmente essa: se pau que dá em Chico também bate em Francisco, como fazia questão de dizer o Dr. Janot, tempos atrás.
Da última vez que disse que “exige a República que pau que dá em Chico têm de dar em Francisco“, no plenário do STF, contra Renan Calheiros, como se sabe, o “Francisco”, em lugar de uma paulada, ganhou um supremo carinho.

Altamiro Borges: O nazismo midiático que assola o país

Altamiro Borges: O nazismo midiático que assola o país: Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho : Essa onda nazista que assola o Brasil, por culpa de uma campanha midiática interminável e irresp...

Mais médicos, menos monstros - Portal Vermelho

Mais médicos, menos monstros - Portal Vermelho: Ao demitir o neurocirurgião Richam Faissal Ellakis, que apontou em rede social o procedimento que deveria ser feito pelos médicos para a ex-primeira dama Marisa Letícia “abraçar o capeta”, a Unimed deu o primeiro passo, mas não o único que se espera em situações como essa, sem similar no país. Não me lembro de outro caso em que uma pessoa doente tenha sido tão vilipendiada e a Medicina tão desonrada.

MÉDICOS - "Que mal D. Marisa causou a estes desumanos".


Médicos repudiam atitudes de colegas: Que mal Dona Marisa causou a estes desumanos? Conselhos precisam sair da posição contemplativa e zelar pela ética médica

04 de fevereiro de 2017 às 12h23
Marisa velório -002
Foto: Christian Braga, para os Jornalistas Livres
NOTA DO MOVIMENTO MÉDICOS UNIDOS
Pela ética, contra a banalidade do ódio
Inicialmente prestamos nossa homenagem a Dona Marisa Letícia, falecida hoje no Hospital Sírio e Libanês em São Paulo, expressando nossa solidariedade a toda a sua família e inúmeros amigos e antigos companheiros.
Dona Marisa foi uma ilustre cidadã brasileira, operária, sindicalista, militante política, mãe de família e dona de casa, primeira-dama do Brasil durante 8 anos.
Como médicos, também nos solidarizamos com sua família e lamentamos sua partida precoce, aos 66 anos, vitimada por um acid ente vascular cerebral, provavelmente atribuível, pelo menos em parte, ao enorme processo de estresse pessoal a que a paciente vinha sendo submetida nos últimos dois anos.
Assistimos com estarrecimento à manifestação e comportamento de diversos colegas de profissão durante o triste episódio da internação e morte de Dona Marisa.
A médica que divulgou imagens da tomografia cerebral da paciente; o médico que se manifestou em redes sociais dissertando sobre o método que garantiria o fracasso da terapêutica e aceleraria a morte; redes sociais de médicos fazendo troça com a imagem do defeito físico do marido da paciente, o ex-presidente Lula, comprazendo-se com o momento de dor do familiar.
Os exemplos são, infelizmente, inúmeros, constituindo um triste monumento iconográfico ao ódio, à intolerância e à absoluta incapacidade ética e humanista para tais profissionais exercerem a medicina.
A medicina não é uma profissão melhor que nenhuma outra. Todo trabalho humano é digno, e capaz de produzir o sentimento de orgulho e pertencimento ao esforço comum dos seres humanos em melhorar a vida e buscar a felicidade. Por isso, é preciso respeitar, proteger, dignificar o trabalho, nas inúmeras esferas da atividade humana.
Não sendo melhor que nenhuma outra, a medicina tem, entretanto, especificidades que lhe são essenciais. O médico escolhe esta profissão em nome da defesa da vida, não da morte. Da reabilitação, não da desqualificação e do estigma. Da dignidade do paciente, qualquer que seja ele, não do desrespeito e ofensas. Justamente por lidar com o cuidado a pessoas fragilizadas pela situação de doença, não se concebe um médico que não tenha uma visão humanista e solidária, empática, com o sofrimento.
Isto não tem relação com a posição política do médico. Como qualquer cidadão, ele terá suas escolhas ideológicas, sua visão de mundo, suas perspectivas de projeto de vida, sua filiação a segmentos partidários. De direita, de centro ou de esquerda. De apoio a projetos autoritários de condução da política. De desacordo radical com o modo de conceber a política dos partidos de esquerda. É um direito de todos terem e manifestarem suas posições políticas.
Mas não se deve reconhecer o direito, em nenhum cidadão ou cidadã, de nenhuma profissão, de expressarem suas posições políticas através do ódio, preconceito e intolerância. Isto se torna mais grave quando o cidadão que é médico lança mão de argumentos de sua profissão para expressar este ódio.
Vivemos no Brasil um caldo de cultura de ódio e intolerância, acentuados vertiginosamente a partir de 2014, e vinculados a um debate político que não se dá no plano da política, mas sob a forma de guerra, confronto, desqualificação das diferenças do outro.
Esta cultura do ódio e intolerância é nutrida e sustentada pela inaceitável coalização de parte de instituições do Estado (Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal) com os grupos dominantes da mídia, sob liderança do conglomerado Globo de rádio, TV e jornais.
Ações espetaculares de exposição vexaminosa de pessoas sob investigação, e o fornecimento de material sigiloso para ampla divulgação em telejornais são ferramentas de disseminação da intolerância e alienação.
A narrativa, repetida obsedantemente, de desqualificação da política e do pensamento de organizações de esquerda e dos movimentos sociais, produz as condições materiais e objetiv as sem as quais os efeitos da psicologia de massas do ódio e da intolerância não teriam emergido da forma tão assustadora como vem ocorrendo no Brasil.
Mas os determinantes políticos e institucionais da disseminação da cultura do ódio e intolerância não absolvem os indivíduos da responsabilidade por seus atos. Os médicos que disseminam e propagam esta cultura são responsáveis pelo que fazem. Infringem a ética das relações humanas, e a ética da profissão médica.
Cabe aos Conselhos Regionais e Nacional de Medicina saírem de sua posição contemplativa, e assumirem a responsabilidade de zelar pela ética da profissão médica.
Porém, mais do que uma tarefa de conselhos profissionais, cabe a todos nós, médicos e cidadãs e cidadãos brasileiros, iniciarmos um amplo movimento de reconstrução das bases solidárias e humanistas da sociedade. Antes que seja tarde demais.
Rio de Janeiro, 03 de fevereiro de 2017
MOVIMENTO MÉDICOS UNIDOS
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Ilustração: Girafa
NOTA DO MOVIMENTO “MÉDICOS PELA DEMOCRACIA” EM DEFESA DA ÉTICA E HUMANISMO NA MEDICINA
(Em repúdio a atitudes intolerantes e agressivas de colegas médicos relativas ao padecimento, agonia e morte de Dona Marisa Letícia Lula da Silva)
Nós, Médicos pela Democracia, defendemos que a Medicina seja exercida com ética, humanismo e compaixão ativa no cuidado com o ser humano.
Para isto é preciso observar quatro princípios da Bioética: a autonomia, respeitando as escolhas do paciente, sempre que possível, ou da família, quando de sua incapacidade de decidir; beneficência, que se refere à obrigação ética de maximizar o benefício do ato médico e minimizar o prejuízo; não-maleficência, que proíbe infringir dano deliberado, evitando agravos à saúde do paciente; justiça, que é a obrigação ética de tratar cada indivíduo conforme o que é correto e adequado e dar a cada um o que lhe é devido.
Temos que observar um quinto princípio fundamental, previsto no Código de Ética Médica-2009: “o médico guardará sigilo a respeito das informações que tenha conhecimento no desempenho de suas funções, com exceção dos casos previstos em Lei”.
Defendemos, portanto, que o exercício da Medicina seja uma celebração à vida, às relações humanas solidárias, numa prática amorosa da compaixão ativa, na busca da superação do sofrimento físico e psíquico das pessoas que suportam agravos à sua saúde.
Por defendermos estes princípios é que, nós Médicos pela Democracia repudiamos veementemente a postura de intolerância, desprezo pela vida e injúria moral por parte de alguns colegas médicos, feitas publicamente em Redes Sociais, ao debochar da cidadã brasileira Marisa Letícia Lula da Silva, esposa do ex-presidente Lula, quando do seu adoecimento grave, agonia e morte.
Estes colegas, lamentavelmente, expuseram ideias fascistas, zombaram de uma pessoa em grave sofrimento, sendo que um deles propôs omissão de socorro e conduta lesiva que causaria a morte.
Que mal Dona Marisa causou a estes raivosos, desumanos e intolerantes médicos?
Nossa indignação e repúdio às atitudes destes colegas nos faz pedir formalmente ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo para iniciar imediatamente processo ético contra estes colegas, por infração ao Código de Ética Médica, assegurando o direito de ampla defesa:
1 – G.A.M. – Reumatologista do H. Sírio Libanês – por divulgar dados sigilosos
2 – P.P.S.F – por repercutir informações de G.A.M. e divulgar Tomografia comentada que seria de Dona Marisa
3 – R.F.H. – Neurocirurgião que propôs “romper o procedimento. Daí já abre a pupila. E o capeta abraça ela”.
Omitimos os seus nomes por exigência do Código de Ética Médica, que recomenda discrição para que a denúncia seja cabalmente aceita e examinada, mas os três são facilmente identificáveis pelas noticias dos jornais de São Paulo.
Em defesa da Ética, do Humanismo e da Compaixão ativa no exercício da Arte da Medicina
Em defesa de uma sociedade justa, fraterna e de paz!
#SomosTodosPelaVida
#MenosÓdioMaisAmor
03 de Janeiro de 2017
Movimento “Médicos pela Democracia”
Leia também:
Bandeira de Mello: Ataques a Marisa partiram de “escória” da classe média alta 

Discurso de Lula - Velório de Marisa Letícia - Completo - 04/02/2017.

POLÍTICA - A contagem regressiva.

O mundo dá mais um passo na direção do apocalipse


Todos os anos, cientistas se reúnem para avaliar quanto tempo falta para o fim do mundo. Segundo eles, estamos somente dois minutos e meio do apocalipse.




Javier Salas, para o El País pixabay
O Relógio do Fim do Mundo está a dois minutos e meio da catástrofe, segundo um painel de especialistas que conta com quinze ganhadores de prêmios Nobel.

Todos os anos, esse grupo de cientistas se reúne para avaliar quanto tempo falta para o fim do mundo. O resultado é dado através da metáfora de um relógio de avança até o nosso momento final, nossa meia-noite: o índice são os minutos que falta para que esse instante finalmente aconteça. E, segundo eles, estamos bem perto, a tão somente dois minutos e meio do apocalipse.

Os responsáveis pelo grupo adiantaram o ponteiro trinta 30 segundos mais próximo da hora fatídica. Nunca havíamos estado tão perto da destruição da humanidade desde 1953, quando os Estados Unidos e a União Soviética produziram suas primeiras bombas termonucleares, com uma capacidade destrutora desconhecida até o momento.

Naquele então, a humanidade esteve a dois minutos do seu fim. A bomba termonuclear da nossa época não é um produto da Guerra Fria, mas sim um fenômeno muito mais difícil de reverter: o aquecimento global, um problema que se torna ainda mais grave a chegada do verborrágico Donald Trump ao poder. “As palavras importam, não tanto como os fatos mas também importam muito”, assegurou a porta-voz do painel de especialistas, antes de anunciar a nova situação. As palavras que preocupam se referem às sugestões de Trump de que Japão deveria ter armamento atômico próprio para enfrontar a ameaça de Coreia do Norte.






Entre 1984 e 1986, o mundo ficou parado por dois anos a três minutos da tal hora fatídica. Foi a segunda pior crise da história deste relógio. Na época, as duas superpotências reforçaram suas diferenças, o que gerou uma nova escalada de rearmamento a nível global, com muitos países incrementando seus arsenais atômicos, temendo a proximidade de um novo conflito. Curiosamente, naquele longínquo ano de 1987, Donald Trump foi um dos que promoveu o desarmamento dos Estados Unidos e da União Soviética. Hoje, ele é um dos grandes problemas do planeta. Em dezembro, como presidente eleito, Trump assegurou que seu país deveria fortalecer sua capacidade nuclear, até que o mundo recupere o sentido a respeito dessas armas.

“Putin e Trump podem escolher se vão se comportar como homens e chefes de Estado, ou se preferem agir como crianças petulantes”, declarou oficialmente o painel, em comunicado que enumera os problemas ressurgiram entre as duas grandes potências nucleares, com uma escalada dialética, que se reproduz em disputas em terreno, como na Ucrânia e na Síria. “Esta situação mundial ameaçadora foi o cenário que fomentou o crescimento, em 2016, de um nacionalismo estridente, que inclusive levou a que uma campanha presidencial nos Estados Unidos tivesse um vencedor, Donald Trump, que fez comentários inquietantes sobre o uso e a proliferação de armas nucleares, além de expressar sua incredulidade a respeito de um consenso científico como são os perigos das mudanças climáticas para o mundo”.

O Relógio do Fim do Mundo (ou Doomsday Clock, como se denomina originalmente em inglês) foi criado em 1947 pelo grupo denominado Boletim de Científicos Atômicos, um grupo de especialistas que pretendiam conscientizar sobre o risco do armamento nuclear. Em sua primeira edição, se situou a 7 minutos da meia-noite. Em 1995, estávamos a 14 minutos. Em 2007, as mudanças climáticas entraram pela primeira vez em sua lista de preocupações para o futuro da humanidade. Neste último relatório, o aquecimento foi outro fator decisivo para o painel: o ano passado foi o mais quente do planeta, segundo os registros históricos, recorde que foi quebrado pelo terceiro ano consecutivo. O grupo de cientistas entende que a situação política dos Estados Unidos mudou, e que a nova administração será “abertamente hostil” a tomar medidas contra o caos climático.

Ademais, outra das preocupações expressadas pelo Boletim diz respeito às ameaças tecnológicas emergentes, os ciberataques e outros problemas surgidos durante a campanha eleitoral estadunidense. Os cientistas ressaltam especialmente a falta de respeito dos líderes mundiais pelas evidências, os novos descobrimentos e o conhecimento científico.

Vale recordar que há 70 anos atrás não era preciso um relógio como este. A humanidade havia recentemente enfrentado as razões pelas quais para esperava por sua autodestruição.

Tradução: Victor Farinelli

PETROBRAS - O Serpente.

Parente, o serpente

O ranço ideológico guia Pedro Parente, presidente da Petrobras: ele quer desmontar tudo que possa ser instrumento de autonomia brasileira.


Artur Araújo Agência Brasil
Pedro Parente, presidente da Petrobrás, publicou panfleto em um periódico.
É boa uma de suas afirmações: “(...) a Petrobras defende uma política de conteúdo local que ajude a indústria a ser competitiva globalmente e está disposta a contribuir para isso. A política precisa incentivar a inovação, as parcerias, a produção com qualidade, custos e prazos adequados. (...) Esta é a verdadeira escolha: entre o ranço ideológico, que a poucos beneficia, e a dignidade e o bem-estar que um novo emprego pode proporcionar a milhões de brasileiros e a suas famílias.”.
Só que ao longo do texto – ironicamente intitulado “Ranço ideológico e vida real” – o objetivo real de Parente vai se revelando em sinuosos movimentos. Ele nos conta, por exemplo, que “a exigência de um conteúdo local muito acima da capacidade da indústria impôs prejuízo significativo ao governo e ao setor. Quem diz isso não é a Petrobras, mas o Tribunal de Contas da União, que em auditoria recente concluiu que ‘existe um alto custo da política, em função da baixa competitividade da indústria nacional’.”. Em bom português, isso é cascata.
Nem é necessário lembrar do efeito desastroso do real artificialmente valorizado (para “ancorar a inflação”), cenário que já liquida boa parte da competitividade de quem gera empregos, paga impostos e reinveste no Brasil. Juros internos absurdamente superiores aos internacionais é fator negativo mais do que conhecido. Parente sabe muito bem disso, só tem amnésia interessada.




E mesmo com essa desvantagem competitiva de largada, há, sim, capacidade tecnológica e preços competitivos de fornecedores nacionais de construção pesada; de máquinas & equipamentos; de construção, manutenção, reparos e suporte navais, além de uma enorme gama de bens e serviços correlatos. Só não fala disso quem - por ranço ideológico, acobertamento da vida real e interesses econômicos ocultos – finge que não vê e não quer que ninguém mais veja.
As empresas que estão instaladas de fato no Brasil (pouco importa se seu controle acionário é de brasileiros ou não) não só permitem a geração e absorção local de tecnologia, como reduzem a pressão em nosso balanço de pagamentos (menos royalties a se enviar para o exterior) e são essenciais para a sustentação de uma extensa cadeia de “subfornecedores” locais de insumos, componentes e projetos. Mais uma informação vital ausente do texto de Parente.
O auge do cinismo é atingido quando o presidente da Petrobrás saca duas “histórias de interesse humano”. Escolhe a dedo duas empresas instaladas no Brasil há décadas e que, portanto, são fornecedoras nacionais. Faz de conta que é a elas que se refere a crítica à nova política da Petrobrás, política que privilegia empresas transnacionais que DESENVOLVEM TECNOLOGIA, PROJETAM, FABRICAM, PAGAM IMPOSTOS, GERAM EMPREGOS E INVESTEM FORA DO BRASIL, em detrimento das que aqui operam, com maioria de capital brasileiro ou não.
As histórias de vida dos dois trabalhadores - da Schlumberger e da WEG –, que ele relata em clima emocional, é realmente meritória e entusiasma. E é essa a vida real que Parente quer encerrar. A reorientação que ele quer dar às compras da Petrobrás impedirá que muitas outras empresas instaladas no Brasil se viabilizem. E que muitos outros Adires e Ademires contribuam com suas famílias e com nosso país.
O ranço ideológico guia Parente: quer desmontar tudo que possa ser instrumento de autonomia brasileira. A vida real que ele nos propõe é o atraso: sermos meros entregadores de óleo bruto e deixar que todos os efeitos positivos da cadeia produtiva do setor de petróleo & gás vazem para as sedes dos conglomerados transnacionais que tanto o atraem.
Esse é o bote da serpente.
Artur Araújo é consultor em gestão pública e privada

Metalúrgicos do ABC: Obrigado, Marisa!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

"Assassino", "Golpista" - MT e Careca chegam ao Sírio

2016 vs. 1964 - Blindagem do angorá faz do Golpe uma farsa!

AVC da D. Marisa está na conta do Moro

MÉDICOS - A que ponto chegamos.


Luís Costa Pinto, no Poder360: a Medicina converteu-se a uma seita satânica?


mafia
Luís Costa Pinto, um dos mais considerados jornalistas de Brasília, autor da bombástica entrevista de Pedro Collor é um homem de texto gentil, equilibrado e humano. Por isso mesmo, hoje, no Poder360, ele mostra que jornalista, se quer ser digno, não pode ter contemplação com a grosseria, o fanatismo e a desumanidade, como foi  a monstruosa “corrente de imundícies” de médicos debochando e praguejando pela morte de Marisa Letícia Lula da Silva.
Em seu indignado artigo As bestas de jaleco, Costa Pinto  diz  que os médicos têm de reagir “de forma dura e organizada”  aos que fazem com que a Medicina  pareça ter ” se convertido aqui no Brasil a uma seita satânica seguida como profissão de fé por seres grotescos –sem alma, sem cérebro, sem compreensão do mundo, sem dó ou compaixão.”
Eles  descreve as mensagens e atos – a esta altura já do conhecimento de todos –   da reumatologista Gabriela Munhoz,d o cardiologista Ademar Poltronieri Filho, do urologista Michael Hennich e do neurologista Richam Faissal Ellakkis” nas redes sociais  -aos quais chama  de “seres abjetos” e as compara a outras, tão criminosas quanto, que povoam o noticiário.
Os valores dessa verdadeira quadrilha de médicos que rasgaram seus juramentos aos princípios de Hipócrates e espicaçaram qualquer solidariedade humana podem –e devem– ser comparados aos patéticos protestos contra o desembarque de doutores e doutoras cubanos no âmbito do programa Mais Médicos levado a cabo no primeiro governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Podem e devem, ainda, ser analisados em paralelo com a atitude criminosa de ortopedistas do Distrito Federal que prescreviam cirurgias de colocação de próteses ósseas desnecessárias e introduziam no corpo dos pacientes peças de segunda mão –matando muitos de infecção, restringindo o movimento de outros e assaltando-os abertamente ao superfaturar os procedimentos clínicos e cirúrgicos.
Somam-se os exemplos e os paralelos. Multiplica-se a solidariedade da infâmia, com a corporação protegendo aos seus e deixando a sociedade à mercê da sorte. Abatido pela onda de ódio conservador e primitivo contra os médicos cubanos, o Mais Médicos se liquefez e devolveu à incerteza e à intermitência o atendimento a milhares de brasileiros, sobretudo nas cidades do interior, porque o exercício da Medicina é encarado por essa corja de “doutoras” e “doutores” como Munhoz, Elliakkis et caterva como uma ação entre amigos da mesma classe, do mesmo credo, do mesmo grupo e com o mesmo objetivo.(…)
A ação dos vermes de jaleco que abusaram da agonia de Marisa Letícia não pode ficar impune no meio médico. Caso fique, toda a corporação corre o risco de começar a ser tratada com o desprezo que bandidos assim merecem. E sentirão a dor da discriminação que se dedica a quem vende a alma a seitas de fanáticos. Médicos como os que se integraram a essa corrente da infâmia nascida no Sírio-Libanês são passíveis do desprezo e merecedores de todos os castigos divinos.
Leia, por favor, o artigo de Luís Costa Pinto no Poder 360. É o chicote brandindo contra quem viola o templo do corpo humano. É das coisas que fazem a gente ter orgulho da profissão e dos valores que abraçou.

POLÍTICA - A ética da lava-jato.

Marisa Letícia e a ética da Lava-Jato

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Qual a intenção de Sérgio Moro e dos Procuradores da Lava Jato em denunciar dona Marisa? Do ponto de vista jurídico, nenhuma. Jamais comprovaram que o tríplex era de Lula. Mesmo se fosse, não havia nada que pudesse ser impingido a dona Marisa. Ela não participava de discussões políticas, menos ainda de negócios. Limitava-se a cuidar dos filhos e netos e dar amparo emocional ao marido.

A intenção foi puramente política, de bater, bater, bater em Lula, até que arriasse emocionalmente.

Não existe ética na guerra. E não existe a figura do inimigo no direito. A Lava Jato se tornou uma operação de guerra, caçando o inimigo e o direito se tornou instrumento de vingança.

Não viam a figura da mãe e da avó, mas apenas a mulher do inimigo a ser abatido.

Divulgaram como prova de crime os pedalinhos que dona Marisa comprou para os netos. Invadiram sua casa, entraram em seu quarto, reviraram até o colchão da cama. Levaram seu marido detido, expuseram incontáveis vezes os filhos no tribunal da mídia.

Esse exercício continuado de crueldade, mais do que estilo jurídico, é marca de caráter.

É possível encontrá-lo em diversos personagens e diversas situações, cada qual subordinando-se aos ritos da classe e às prerrogativas da profissão.

No Judiciário, gera alguns juízes vingadores. No Ministério Público, alguns projetos de torquemadas. Cada qual busca a jugular do inimigo valendo-se das armas que lhe foram conferidas institucionalmente. Não lhes exija momentos de civilidade, respingos de respeito, gotículas de humanidade.

No PCC, há chefes sanguinários que não se contentam com assassinatos de imagem e mortes civis: eliminam fisicamente os adversários. Na Polícia Militar os soldados que, com um revólver na mão, se consideram donos do mundo e das vidas. No crime, o poder das chefias depende apenas da meritocracia: não há concursos, nem carreiras pré-definidas, com planos de cargos e salários. E eles correm risco, pois não contam com a blindagem do Estado. São cruéis e são valentes.

Em comum, todos os vingadores, os da lei e os fora-da-lei, têm a crueldade de caráter, o gozo infindável de chutar o adversário de todas as formas, de tratá-lo como inimigo, os fora-da-lei matando pessoas, os da lei expondo-as ao direito penal do inimigo, desumanizando-as, transformando donas-de-casa em cúmplices, presentes de avó para netos em provas de crime, violando seu quarto, sua penteadeira, suas lembranças.

Hoje, na Lava Jato, o juiz Moro e cada procurador colocarão uma marca a mais no coldre virtual de onde empunham suas armas legais. Que pelo menos tranquem a porta antes de iniciar a comemoração.

POLÍTICA - No Brasil, muitos não reconhecem como ser humano quem é diferente deles.

Ódio no Brasil. A guerra ainda não começou

Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

Políticos, religiosos e parte da mídia inflamam a população, desumanizando o adversário e transformando o jogo democrático em uma luta do bem contra o mal. Quando um grupo de pessoas passa a desejar e a festejar a morte daqueles que foram desumanizados, os políticos, os religiosos e essa parte da mídia dizem que não têm nada a ver com isso.

Líderes de certos movimentos travam guerras na internet, dizendo que a esquerda é a razão de toda a corrupção e dor que há no mundo. Quando um punhado de ignorantes resolve espancar quem ousa vestir roupas vermelhas ou quando médicos passam a divulgar e ridicularizar, nas redes sociais, prontuários médicos sigilosos de pacientes de esquerda, os líderes desses movimentos dizem que não têm nada a ver com isso.

Articulistas afirmam que a direita merece ser exterminada pelo que prega. Quando um grupo de malucos passa a pedir o assassinato de juízes e políticos conservadores, esses articulistas dizem que não têm nada a ver com isso.

Certos humoristas elegem apenas iletrados, negros, prostitutas, gays, nordestinos, travestis, população de rua como alvos de suas piadas, ignorando brancos, ricos, grandes empresários. Quando a população reproduz essas piadas no dia a dia, humilhando colegas no trabalho e na escola, esses humoristas dizem que não têm nada a ver com isso.

Campanhas publicitárias transformam mulheres em objetos sexuais, instrumentos de limpeza ou vasilhames de cerveja. Quando homens tratam mulheres como coisas descartáveis, os publicitários e profissionais de mídia dizem que não têm nada a ver com isso.

Grupos sociais e parlamentares defendem que há uma doutrinação comunista nas escolas, militando contra a pluralidade de pensamento e chegando, no limite, a propor que alguns livros sejam vetados, jogados no lixo ou queimados. Quando jovens ignoram a História e cometem os mesmos crimes contra minorias de 80 anos atrás, esses grupos sociais e parlamentares dizem que não têm nada a ver com isso.

Lideranças de taxistas inflamam a categoria contra motoristas de Uber. Quando um grupo espanca um motorista, essas lideranças dizem que não têm nada a ver com isso.

Figuras públicas da TV inflamam a população contra o que chamam de degradação da civilização e das famílias de bem. Quando um grupo resolve amarrar alguém em um poste e linchar até a morte ou quando prefeituras mandam arrancar página de livros didáticos que versam sobre o direito de não ser humilhada por ser mulher, essas figuras públicas dizem que não têm nada a ver com isso.

Parlamentares dizem que as torturas e os assassinatos cometidos pela última ditadura civil-militar brasileira foram necessários para que o país não se tornasse uma grande Cuba. Daí quando a tortura segue sendo utilizada como método de investigação policial e o Estado usa métodos que nem a ditadura cubana usaria, esses políticos dizem que não têm nada a ver com isso.

Certas famílias inflamam seus filhos contra jovens negros e pobres da periferia e pessoas em situação de rua, dizendo que são uma ameaça à vida nas grandes cidades e não valem nada. Quando um grupo resolve despejar preconceito ou dar pauladas e por fogo nessas pessoas, as famílias dizem que não têm nada a ver com isso.

Pastores e padres de certas igrejas inflamam seus fieis contra aquilo que consideram um desrespeito às leis de seu deus. Quando um grupo espanca um gay, uma lésbica ou uma travesti, esses pastores e padres dizem que não têm nada a ver com isso.

Alguns jornalistas, progressistas e conservadores, inflamam seus leitores, ouvintes, telespectadores, repassando conteúdo violento, sem checar e de forma acrítica. Quando um grupo passa a assediar, de forma injusta, pessoas ou instituições com base nesse conteúdo, os jornalistas dizem que não têm nada a ver com isso.

Políticos inflamam seus eleitores contra jornalistas, progressistas e conservadores, por eles estarem divulgando fatos reais e não as opiniões que convém a esses políticos. Quando jornalistas passam a apanhar nas ruas porque cismam em não concordar que emoções superam provas, esses políticos dizem que não têm nada a ver com isso.

No Brasil, ninguém reconhece que fomenta ódio contra outros seres humanos.

Porque, no Brasil, muitos não reconhecem como ser humano quem é diferente deles.

Gritar isso para a nossa bolha nas redes sociais não resolve. Ou você respira fundo e conversa com quem pensa de outra forma, promovendo a empatia onde ela não existe e concedendo – nessa conversa – o mesmo tratamento que confere aos seus amigos, ou continuaremos vendo exércitos se armarem de cada lado para uma guerra em que apenas as baratas sobreviverão.

E não se enganem, ela ainda nem começou.

POLÍTICA - O cara gosta de um holofote.

Mais um dia de popstar para Sergio Moro

Por Pedro Breier, no blog Cafezinho:

Podemos dizer, sem medo de errar, que Sérgio Moro é o juiz mais midiático da história do Brasil. Joaquim Barbosa teve seus momentos, mas Moro, O Justiceiro, o supera de longe.

Só hoje há três notícias envolvendo o herói coxinha em destaque nos portais da velha imprensa.

A primeira: Moro mandou soltar Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT, que estava preso desde junho do ano passado.

Obviamente era mais uma prisão cautelar, ou seja, sem que o cidadão sequer tenha sido julgado. Oficialmente a prisão foi determinada para que Ferreira não atrapalhasse as investigações.

O fato de ter gerado mais manchetes bombásticas contra o PT em meio ao processo do impeachment decerto é só uma coincidência.

Na verdade a prisão de Paulo Ferreira foi revogada por Moro em 16/12/2016. Sob uma singela condição: o pagamento de uma fiança de R$ 1 milhão.

Posteriormente a fiança teve seu valor reduzido para R$ 200 mil, mas Ferreira só conseguiu juntar R$ 165 mil até agora, além de um automóvel Citroën C4. Moro autorizou a soltura do ex-tesoureiro do PT sob a condição de que deposite o restante da fiança em 45 dias.

Ou seja, Moro manda prender Paulo Ferreira para que este não atrapalhe as investigações; quando a coleta de provas é encerrada o juiz manda soltá-lo, já que não há mais riscos à investigação, mas impõe o pagamento de uma fiança estratosférica como condição para a libertação.

Ainda não há julgamento e, por óbvio, não há condenação, mas se Ferreira não pagar, continuará preso. O justiceiro é na verdade um sádico.

Outra notícia é a da condenação de João Santana a mais de 8 anos de prisão. Foram condenados também sua esposa, Mônica Moura, outro ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e mais 3 pessoas.

Leiam este trecho da sentença em que Moro está decidindo sobre o tamanho das penas dos condenados:

Consequências também devem ser valoradas negativamente, pois a corrupção também gerou impacto no processo político democrático, contaminando­-o com recursos criminosos, o que reputo especialmente reprovável. Talvez seja essa, mais do que o enriquecimento ilícito dos agentes públicos, o elemento mais reprovável do esquema criminoso da Petrobrás, a contaminação da esfera política pela influência do crime, com prejuízos ao processo político democrático. A corrupção com pagamento de propina de milhões de dólares e tendo por consequência a afetação do processo político democrático merece reprovação especial.

O juiz responsável pela Lava Jato, uma operação ilegal, truculenta e midiática que foi o combustível para o sucesso do golpe – que é, por sua vez, a interferência mais grave possível em uma democracia – reprovando os prejuízos causados pelos acusados ao “processo político democrático” é surrealismo demais. Cinismo pouco é bobagem.

A última notícia do dia sobre o popstar Moro é um “momento Gilmar Mendes”, digamos assim.

Sérgio Moro, em tese um juiz de primeiro grau que deve, por dever de ofício , manter a discrição e a sobriedade, resolveu soltar uma nota elogiando o ministro Edson Fachin, que foi sorteado como novo relator da Lava Jato no STF.

O rei de Curitiba está nitidamente embriagado pelos holofotes.

Então ficamos assim: Moro não está nem aí para direitos fundamentais; dança conforme a música da Globo e demais integrantes da mídia familiar; e agora se mete a comentarista, seguindo os passos de Gilmar Mendes.

PETROBRAS - Privatizá-la faz mal ao Brasil!

Privatizar a Petrobrás faz mal ao Brasil!

Do site da Federação Única dos Petroleiros (FUP):

A privatização que o governo golpista vem impondo ao Sistema Petrobras reflete diretamente na queda do PIB e no desemprego que atinge mais de 20 milhões de brasileiros. O que está em risco não é só um patrimônio construído há mais de 60 anos, mas toda a cadeia produtiva de um setor estratégico para a soberania e o desenvolvimento do país. Este crime, além de comprometer o futuro da petrolífera, cujas reservas já retrocederam 15 anos, está desmontando a engenharia nacional e a indústria naval, como nos anos 90.

É preciso que os trabalhadores e a sociedade reajam para que a Petrobras volte a ter papel central na política industrial brasileira, atuando de forma integrada com suas subsidiárias em prol dos interesses nacionais. Em reunião esta semana, o Conselho Deliberativo da FUP aprovou uma agenda de lutas para barrar a privatização da empresa. Na próxima quarta-feira (08), as assessorias jurídicas do movimento sindical petroleiro realizam um encontro técnico para construir e implementar estratégias jurídicas de enfrentamento ao Golpe de Estado e ao desmonte da companhia.

A FUP também está convocando os trabalhadores e os movimentos sociais para que participem em 14 de fevereiro do Dia Nacional de Luta Contra a Privatização do Sistema Petrobras. Além de mobilizações nas unidades da empresa, será realizado um ato político no Espírito Santo, em memória das vítimas da explosão no navio-plataforma Cidade de São Mateus, da BW Offshore, que matou 09 trabalhadores e feriu outros 26. O acidente, ocorrido no dia 11 de fevereiro de 2015, evidenciou como as empresas privadas atuam na indústria petrolífera, precarizando as condições de trabalho e negligenciando a segurança.

Nos anos 90, quando os governos neoliberais sucatearam a Petrobras, aplicando na empresa o mesmo modelo de gestão do setor privado, centenas de petroleiros perderam a vida em acidentes, alguns deles com impactos ambientais gigantescos. Assim como hoje, efetivos e investimentos foram reduzidos, serviços, equipamentos, navios e plataformas, contratados no exterior.

Na época, Pedro Parente era ministro e braço direito de FHC no Conselho de Administração da Petrobras, cujo nome ele tentou mudar para Petrobrax, visando facilitar a privatização da empresa. Só não chegou às vias de fato porque os petroleiros e a sociedade reagiram. A mesma luta se impõe novamente agora à categoria.

Retomando a metodologia e os compromissos do passado, Parente já reduziu drasticamente os investimentos da Petrobras; colocou à venda ativos estratégicos, inclusive campos do pré-sal e subsidiárias lucrativas, ofertadas a preços de banana; voltou a encomendar navios e sondas no exterior e descartou empresas nacionais dos processos licitatórios, como fez recentemente no Comperj, convidando multinacionais envolvidas com corrupção. Seu próximo passo é abrir o controle societário das refinarias, como já vem sendo ventilado na imprensa.

Mesmo com o desmonte que vem impondo ao Sistema Petrobras, Pedro Parente ainda tem a desfaçatez de afirmar que privatização não está na sua agenda. Como os demais golpistas, ele sabe que a sociedade não admitirá a entrega de uma empresa com tanta simbologia e importância na história do país.

Apesar de toda a campanha da mídia para desconstruir a identidade estatal da Petrobras, atacando e desmoralizando seus trabalhadores, a empresa continua sendo um orgulho nacional, cujo patrimônio precisa ser defendido por todos nós. Cabe, mais uma vez, aos petroleiros assumir o protagonismo dessa luta e entrarem de coração e alma nas mobilizações que a FUP e seus sindicatos estão convocando. Não estamos defendendo só nossos empregos e direitos, mas sim um país soberano para as próximas gerações de brasileiros.

POLÍTICA - Posse do Angorá deverá ter desdobramentos.


Posse de Moreira Franco desgasta Temer e embaraça juízes


   
O anúncio, nesta quinta (2), e a posse, nesta sexta (3), de Moreira Franco como novo secretário-geral da Presidência, em poucas horas, já causa desgaste para o governo e certa situação constrangedora para o Judiciário. O cargo, que tem status de ministro, permite a ele foro privilegiado e deixa numa embrulhada ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No final da manhã, um desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF 4) e ex-presidente do tribunal, que não quis se manifestar publicamente, disse à RBA que considera praticamente “impossível” o STF garantir a coerência se mantiver o ministro no cargo.

Esse magistrado defendeu a tese da necessidade de o Judiciário demonstrar “segurança das decisões jurídicas”, que resguardam a credibilidade das cortes, o que tem sido cada vez mais cobrado. Motivo pelo qual ele não considera “saudável, para qualquer Corte”, dar uma decisão que não seja no sentido de retirar Franco do cargo. E é da opinião que, por este motivo, “dificilmente, um ministro do STF teria condições de não acatar pedido feito por partidos da oposição para avaliar a situação do hoje secretário-geral da Presidência”.

A situação de Moreira Franco tem semelhança com a que foi observada em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2016. No ano passado, Lula foi empossado ministro da Casa Civil, mas teve de deixar o cargo menos de 24 horas depois, por causa de liminar acolhida pelo STF que teve como relator o ministro Gilmar Mendes. As acusações feitas pelos que pediram por sua saída do cargo foram de que, envolvido em denúncias da Operação Lava Jato, o ex-presidente estava sendo alvo de uma manobra política do governo para passar a ter foro privilegiado.

Moreira Franco, que foi citado nas delações dos executivos da Odebrecht, homologadas no início da semana, até ontem, caso viesse a ser alvo de pedido de indiciamento por Janot, teria de ser julgado pela Justiça Federal em Curitiba, que coordena os processos da Lava Jato. Agora, se for transformado em réu em algum processo, será julgado na esfera da suprema corte.

Denúncias sobre ‘Angorá’

O ministro é apelidado de “Angorá”, nas confissões dos delatores. E as denúncias feitas até agora contra ele, vazadas pela imprensa, são de que teria recebido R$ 4 milhões em propinas da Odebrecht. O caso ainda está sendo investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que recebeu o material das delações no final da segunda-feira (30).

Rodrigo Janot, o procurador-geral da República, já afirmou em dezembro passado que tem interesse em dar celeridade aos pedidos de indiciamento dos citados nas delações da Odebrecht e quebrar o sigilo das informações. Já se sabe, também, que a homologação da delação, feita pela ministra Cármen Lúcia, presidenta do STF, provocou reuniões de última hora entre integrantes do primeiro escalão do governo e criou um clima de ansiedade e preocupação no Palácio do Planalto nos últimos dias.

No início desta manhã, duas frentes oposicionistas se manifestaram no sentido de ajuizar ação no STF e representação na PGR. A primeira iniciativa partiu dos deputados do PT Paulo Pimenta (RS), Wadih Damous (RJ) e Chico D'Angelo (RJ), que pretendem entregar até o final do dia um pedido ao STF de cancelamento da nomeação de Moreira Franco.

Na peça jurídica, eles argumentam a suspeita de que o governo Temer teria se apressado de fazer a mudança de cargo para Moreira Franco, justo no período em que se aguarda o andamento das delações dos 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht, porque sabem que há uma tendência de quebra do sigilo e de se dar celeridade ao processo.

Wadih Damous, que já presidiu a seccional carioca da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), foi mais além em suas declarações. Afirmou que considera a posse do secretário-geral da Presidência como uma medida que além de “ilegal e imoral, também fere o princípio da impessoalidade”.

Os deputados disseram que vão pedir para que, apesar da regra de que a relatoria de ações ajuizadas no STF seja feita por sorteio eletrônico, neste caso específico, o processo seja distribuído diretamente para Gilmar Mendes. O motivo é simples: foi Mendes quem julgou caso semelhante há menos de um ano (o relacionado ao ex-presidente Lula).

Eles consideram que “ficará difícil para Gilmar Mendes apresentar argumentos diferentes dos que apresentou para impedir a posse de Lula, como fez em março de 2016”.

Representação na PGR

A outra frente de atuação saiu do Senado, por parte de Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O parlamentar também vai se manifestar até segunda-feira (6), mas por meio da entrega de uma representação junto à Procuradoria Geral da União (PGR) contra a nomeação e o status de ministro conferido a Moreira Franco.

Os parlamentares lembram, em todos os documentos a serem ajuizados, que na sua decisão sobre Lula, Gilmar Mendes afirmou que a posse do ex-presidente, na época, representava uma tentativa de obstrução da Justiça em relação às ações da Lava Jato. “E agora, o que esta posse de hoje significa?”, questionaram.

Por parte do governo, coube ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, fazer a defesa de Moreira Franco. Padilha, também citado em denúncias da Lava Jato, afirmou que o caso dele difere do de Lula pelo fato de o primeiro fazer parte do governo Temer desde o início. E disse que o cargo de secretário-geral da República tem o objetivo de fazer com que ele (Franco) possa se apresentar como ministro de Estado durante visitas oficiais para tratar do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos, do governo federal).

A posse foi prestigiada pela presidenta do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz. E vista, por isso, embora de modo reservado, como uma forma de reforçar o apoio de integrantes do Judiciário aos que tentam blindar o Planalto e evitar possíveis tentativas de retirada de Moreira Franco do cargo. Mas esse “apoio” velado não convenceu o mundo jurídico.

Nos gabinetes do STJ e do STF, a avaliação feita por ministros e juízes auxiliares é de que, com esta iniciativa, o governo Temer colocou o tribunal em situação difícil. “Foi uma decisão errada, mal avaliada politicamente, que vai ter de exigir uma resposta rápida e correta por quem tiver de pegar a relatoria deste caso”, afirmou um analista judiciário, lotado no gabinete de um dos mais antigos integrantes da Corte.


Fonte: Rede Brasil Atual

Cosciência Sul: os efeitos das contradições das gigantes transnacionais

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Altamiro Borges: A delação e a dança dos mineirinhos

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PETROBRAS - "Dr. Parente mente".


O Dr. Parente mente. Conteúdo nacional não discrimina estrangeiras

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É impressionante a cara de pau do liquidante da Petrobras designado por Michel Temer, por indicação do PSDB, para desmontar a grande empresa brasileira.
Hoje, na Folha, Pedro Parente tenta enganar os trouxas confundindo a política de conteúdo nacional no petróleo como uma discriminação contra empresas de capital estrangeiro.
Ideologias, quando levadas ao extremo, tornam as pessoas impermeáveis a argumentos e fatos. Discutir a origem do capital investido no Brasil é um exemplo. Superada pela Constituição, que não faz distinção entre capital nacional e estrangeiro, essa discussão tem pouca utilidade na vida real.
A maioria dos brasileiros vai trabalhar diariamente em veículos de marcas globais fabricados no Brasil; falamos ao celular em aparelhos com peças importadas do mundo inteiro; a maior parte das ações da bolsa brasileira é de investidores estrangeiros.
Ora, Dr. Parente, o senhor sabe que não existe diferença, para o cumprimento das cotas de conteúdo nacional, se a empresa é de capital brasileiro, chinês, coreano, norte-americano ou até do Timbuctu. A exigência é, apenas, que se produza aqui ao menos uma parte do que a exploração de petróleo demanda da indústria e isso vale não apenas para a Petrobras como para qualquer empresa petroleira de outro país que pretenda ter uma concessão aqui. Embora, claro, você não veja as obras mais pesadas serem encomendadas por elas aqui, mas isso já é outra história.
Podem até, como no caso de automóveis e celulares que o senhor menciona, trazer partes prontas do exterior para montagem, desde que o valor agregado aqui atinja os patamares dos contratos que elas aceitaram para ter direito de explorar petróleo.
Depois, Parente passa para a arenga de que nos falta capacidade técnica para fazer aqui, em lugar de comprar lá fora:
No setor de óleo e gás, o intervencionismo estatal se materializou na “Política de Conteúdo Local” (PCL). A exigência de um conteúdo local muito acima da capacidade da indústria impôs prejuízo significativo ao governo e ao setor. Quem diz isso não é a Petrobras, mas o Tribunal de Contas da União, que em auditoria recente concluiu que “existe um alto custo da política, em função da baixa competitividade da indústria nacional”.
Na Petrobras, além dos custos mais elevados apontados pelo TCU, houve atrasos de mais de três anos na entrega de 12 plataformas.
O que falta é capacidade gerencial, porque alguém é capaz de dizer que num país onde o setor de obras pesadas tem competências mais que reconhecida, suficiente até para realizar projetos no exterior, não tem capacidade de fazer obras? Que o nosso cipo de engenheiros e técnicos é incapaz, mesmo tendo feito algumas das maiores obras do mundo? Ou será que é o “peão” que custa mais aqui do que a mão de obra semi- escravizada de alguns lugares do mundo?
Será que uma indústria naval que já foi a segunda maior do mundo, que foi capaz de produzir, nos anos 80, os dois então maiores navios do mundo, o Docefjord e o Tijuca, não tem condições de produzir petroleiros e sondas? Claro que tem e, embora possam custar um pouco mais e pedir prazo um pouco maiores, geram emprego, renda, encomendas a cadeias de fornecedores para brasileiros.
No fim, numa apelação sem limites, cita dois trabalhadores, Adir Freitas e Ademir Klitze, empregados em  multinacionais instaladas no Brasil como exemplo do que estaríamos perdendo com o conteúdo nacional. Isso é, sem meias palavras, Dr. Parente, mentira. Sem o conteúdo nacional, Adir e Ademir perderiam seus empregos, porque é mais barato e rápido importar aquilo que eles produzem aqui.
Porque as empresas em que eles trabalham produzem aquilo que o senhor despreza: conteúdo nacional, chame-se Schlumberger e Zé da Silva, desde que esteja instalada aqui, produza aqui e empregue brasileiros feito Adir e Ademir.
Aliás, até brasileiros tão pouco preocupados com país, feito Pedro Parente, que chama de “ranço ideológico” defender o Brasil.

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