quarta-feira, 2 de julho de 2014

UM POUCO DE HISTÓRIA: BAKUNIN, o criador do anarquismo.

Hoje é dia de lembrar os 200 anos de Bakunin, o criador do anarquismo


Alexander Thoele Swissinfo
Nascido na Rússia em 1814, Bakunin foi o revolucionário anarquista que participou de quase todas as revoltas populares na Europa do século XIX. Na Suíça, Bakunin organizou movimentos internacionais de trabalhadores em Genebra, pregou a anarquia entre os relojoeiros do Jura, publicou seus livros em Zurique e terminou morrendo em Berna.
O anarquista russo Michail Bakunin foi, junto com Karl Marx, uma dos mais influentes personagens do movimento internacional de trabalhadores no século XIX. Ele defendia o conceito de uma sociedade sem classes e sem governo. “Persona non grata” para os comunistas, Bakunin achava que o Estado socialista seria a continuação da opressão do operariado e camponeses com um outro nome.
De família aristocrática, Michail Alexandrovic Bakunin nasceu em 30 de maio de 1814 em Prjamuchino, na Rússia.Como era comum para as elites da época, Bakunin entrou para o exército em 1829, onde chegou a alcançar o oficialato. Por detestar a disciplina militar, em 1835 ele trocou a farda e as armas pelos livros e foi estudar em Moscou e São Petersburgo. Na época, seu leitura preferida eram os textos dos filósofos alemães Kant e Fichte. Em 1836, Bakunin começou sua carreira de escritor ao traduzir alguns textos de Fichte para o russo.
AGITAÇÃO POLÍTICA
Até 1839, Bakunin brilhava nos salões estudantis como um excelente debatedor dos textos do pensador alemão Hegel. Se sua família acreditava que ele faria carreira na universidade, a realidade é que o jovem estudante preferia passar seu tempo debatendo com os agitadores políticos Alexander Herzen e Nicholas Ogarev. “Eles abriram meus olhos para o mundo de pobreza e desigualdade na Rússia do Tzar”.
Bakunin abandonou a Rússia em 1840. Com 26 anos, ele partiu para Berlim, onde iniciou então sua longa carreira de estrangeiro errante. Na capital alemã, o jovem russo teve contato, sobretudo, com os hegelianos de esquerda. Suas primeiras impressões aparecem do texto “Reação na Alemanha”, publicado em 1842 sob pseudônimo. Essa publicação marcava, pela primeira vez, a oposição dos intelectuais russos contra o sistema de governo absolutista do Tzar. Nesse momento ele fechava as portas de um possível futuro na Rússia.
Em Dresden, onde ele contribuiu para a famosa revista esquerdista de filosofia e política hegeliana “Deutsche Jahrbücher” de Arnold Ruges. Em 1843, Bakunin teve sua primeira estadia na Suíça, onde ele encontrou radicais poloneses, russos e alemães e estudou as teorias do comunismo.
EM PARIS, COM MARX
Em 1844, Bakunin se mudou para Paris, onde durante três anos fez sua formação na chamada “escola revolucionária”, ou seja, através dos intensivos contatos com pessoas como Pierre-Joseph Proudhon, Alexander Herzen e Karl Marx. Na Rússia, o governo do Tzar decidiu condená-lo à revelia: Bakunin teve suas propriedades confiscadas e, caso pisasse solo russo, seria banido para a Sibéria. No final de 1847, Bakunin foi expulso da França por ter publicado declarações pouco elogiosas ao Tzar.
Apesar da estar na ilegalidade, Bakunin ainda participou no início de 1848 – o ano do Manifesto Comunista – das revoltas populares em Paris, onde ele defende a estabilização e expansão da revolução mundial, assim como pela criação de uma associação internacional das forças democráticas. Bakunin exigia a dissolução das diferenças de classes sociais através de um sistema de coletivização da propriedade, da criação de um salário de base e da extinção do absolutismo.
BANIDO PARA A SIBÉRIA
Depois ter conflitos pessoais com os líderes da revolução popular na França, o revolucionário russo viajou em abril de 1848 para a Alemanha, onde fez contato com democratas radicais em várias cidades. Depois de uma curta estadia em Praga, Bakunin encontrou os líderes das revoltas em Leipzig e Dresden. Nesse período inicio seu contato com o compositor Richard Wagner.
Com a derrota dos revoltosos, Bakunin acabou indo para prisão em 1849. Um ano depois, ele foi condenado à morte, pena depois comutada para a prisão perpétua. Depois de passar alguns anos nas cadeias germânicas, foi deportado para a Rússia, onde o Tzar ainda não havia se esquecido do passado agitado do seu súdito. Em 1957 ele foi banido para os longínquos campos de trabalho forçado na Sibéria.
Quase quatro anos depois, já em 1861, Bakunin conseguiu fugir da prisão. A viagem para a liberdade foi uma odissEia que o levou atravessar o Japão, Estados Unidos, até chegar em Londres.
Na capital inglesa ele retomou suas energias para organizar a libertação dos países eslavos, uma das suas bandeiras na época. Nesse sentido, ele montou um exército de combatentes voluntários, que se dispunham a ir para a Polônia ajudar no movimento popular de independência. A viagem foi mal planejada e terminou fracassando no meio do caminho. Bakunin acabou na Suécia e, na pobre Polônia, as tropas do Tzar russo massacram os revoltosos.
NASCE O ANARQUISTA
Depois Bakunin foi à Itália tentar a sua sorte de revolucionário. Nessa fase ele dividiu seu tempo entre duas cidades: Florença (1864) e Nápoles (1865-1867). Esse período marcou uma grande reviravolta na vida dele. Pela primeira vez se declarava abertamente “um anarquista”. Bakunin começava a colocar suas idéias no papel, fundava clubes secretos – as “Irmandades Internacionais” e se envolveu até com revolucionários russos como o estudante Netschajew, com quem teria escrito em conjunto os panfletos “Palavras à juventude – princípios da revolução” e “Catecismo do Revolucionário”, obras de frieza maquiavélica, onde todos os meios se justificam para se realizar a revolução.
Em 1868, Bakunin trocou mais uma vez de país. Novo destino: Suíça. Em Genebra, ele participou do congresso de fundação da Liga Internacional pela Paz e Liberdade. O objetivo da Liga era possibilitar a democratas e radicais de toda a Europa a trabalharem uma plataforma política comum. No segundo congresso, Bakunin teve todas suas propostas recusadas, o que o levou a abandonar a Liga, juntamente com mais 17 membros do seu grupo.
PRIMEIRA INTERNACIONAL
Um revolucionário não pára. Bakunin e seus amigos entraram logo depois na Associação Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada quatro anos antes e é mais conhecida como “a Primeira Internacional”. Seu membro mais destacado era, nada mais nada menos, do que Karl Marx. Para aproveitar seu tempo na Suíça, Bakunin viajava também pelos vales do Jura, onde dava palestras nas associações anarquistas de relojoeiros.
Entre 1870 e 1871, logo após a guerra franco-alemã e a invasão por tropas prussianas, eclodiram diversas revoltas populares na França. Em Paris os revoltosos criaram a famosa “Comuna”. Talvez acreditando que sua hora tivesse chegado, Bakunin viajou para Lyon, onde ele intentava participar do levante popular. A repressão policial foi forte e acabou conseguindo massacrar o movimento. Por fim, o revolucionário russo foi obrigado a retornar a Locarno.
Os estudiosos afirmam que, durante o período passado na Suíça, Bakunin escreveu grande parte das suas obras.
BAKUNIN VERSUS MARX
Do seu escritório no conselho geral da Internacional em Londres, Karl Marx observava os movimentos do inquieto russo. Nas suas cartas, o teórico alemão descrevia Bakunin como um “intrigante” ou “esse maldito moscovita”. Na queda de braço entre socialistas libertários e comunistas autoritários, dentro do movimento internacional dos trabalhadores, Marx terminou vencendo e conseguiu expulsar o grupo ligado a Bakunin e outros que criticavam o conceito da “ditadura do proletariado”. Esse momento, ocorrido em 1872, é a cisão histórica entre comunistas, sociais-democratas e anarquistas.
Apesar de estar cansado e empobrecido, Bakunin ainda circulava nos salões frequentados pela colônia russa. Com alguns desses intelectuais e estudantes, o anarquista-mor chegou a fundar em 1873 uma editora, onde grande parte dos seus livros foi publicada, como o “O Status de um Estado e a Anarquia” (Staatlichkeit und Anarchie).
Como último suspiro no seu espírito revolucionário, Bakunin ainda participou em 1874, com amigos italianos, de uma tentativa de revolta em Bologna. Depois ele voltou a Lugano, na Suíça, onde termina seus dois últimos anos de vida. O tempo passado em prisões, na militância política e no exílio cobravam seu preço. Doente, Bakunin foi levado por um amigo médico para ser tratado em Berna. Na capital suíça, o revolucionário russo faleceu em primeiro de julho de 1876, sendo enterrado no cemitério de “Bremgarten”.
(artigo enviado por Sergio Caldieri)


MEDO E ÓDIO NO HOTEL BABILÔNIA

Pepe Escobar
Asia Times Online

Pois agora um vasto Sunitastão linha-duríssima estende-se direto dos subúrbios de Aleppo a Tikrit, e de Mosul à fronteira Jordânia/Iraque – o mesmo que se desmanchou em 2003, quando “Choque e Pavor” virou “Missão (não)Cumprida”.
Num fantasmagórico eco das pegadas do exército de Dick Cheney reverberando pelas areias da província de Anbar, o Estado Islâmico do Iraque e al-Sham (ISIS) e a coalizão de vontades lá-deles (jihadistas, islamistas, ba’athistas e xeiques tribais) posa agora de “libertadores” dos sunitas iraquianos, para livrá-los das garras de um governo da maioria xiita (do “mal”) em Bagdá.
Além disso, o ISIS também controla as guerras de Relações Públicas. Em “Elijah J. Magnier entrevista Abu Baqr-al-Janabi, comandante do ISIS”, um jihadista detalha como qualquer tipo de possível envolvimento “cinético” de Washington será interpretado como aliança nada-santa entre o Império e o primeiro-ministro Nouri al-Maliki, contra os azarões.
DAR UM BASTA
De um ponto de vista sunita, basta de lei contra terrorismo no Iraque; basta de des-Ba’athificação (com ascensão do neo-Ba’athista Jaysh Rijal al-Tariqa al-Naqshbandia, JRTN, liderado pelo ex-chefete saddamista Izzat Ibrahim al-Douri); basta de o Ministério do Interior em Bagdá perseguir políticos sunitas; basta de violência contra manifestantes e protestos.
Ao mesmo tempo, é o retorno dos Sahwa (Filhos do Iraque) – que combateram furiosamente contra a al-Qaeda no Iraque em 2007. Sahwa é a mãe do ISIS e o retorno de sortimento variado de milícias xiitas. Muqtada al-Sadr não apenas repeliu a nova onda de “conselheiros militares” dos EUA – foi assim que tudo começou no Vietnã – mas também alertou que seus próprios Homens-de-Preto-Perigosíssimos farão “a terra tremer” na luta contra o ISIS. Os meados dos anos 2000 são a nova normalidade: vai ser aquele inferno de milícias, tudo outra vez.
Mesopotâmia, estamos com um problema. Os neo-Ba’athistas nada querem além de um Irã secular governado por sunitas, estilo Saddam (em vez de Ahmad Chalabi, ex-queridinho dos neoconservadores). O ISIS quer um califato que se estenda por todo o Levante, sob a lei da Xaria. Algo terá de ceder.
O que vai ceder é a própria nação iraquiana – a consequência balcanizada, reduzida (como era objetivo) da invasão e ocupação de 2003, finalmente reciclada como Central Jihad.
É HORA DO REVIDE 
A “estratégia” do governo Obama (lembram-se da estratégia de “Não façam nenhuma merda estúpida”, dos EUA para a Ucrânia?) é impor mutação-de-regime a al-Maliki; afinal, ele cometeu a deselegância de recusar-se a permitir que os EUA continuassem a ocupar o Iraque mesmo depois de esgotado o prazo em 2012; e, para piorar, seu governo é próximo de Teerã.
Assim sendo, aí está a resposta à já lendária pergunta sobre como a rede de satélites dos EUA conseguiram não ver aquela longa coluna de Homens-de-Preto do ISIS em seus flamantes  Toyota “Land Cruisers” branquinhos novinhos em folha, atravessando o deserto Síria-Iraque. Podem chamar de fracasso-mãe-de-todos-os-fracassos-de-Inteligência (lembram-se de Saddam, que falava da batalha Mãe-de-Todas-as-Batalhas?)
Temos aqui a ‘vingança’ do Império do Caos contra Bagdá, Teerã e – por que não? – Moscou (afinal, o presidente Vladimir Putin da Rússia já ofereceu total apoio a al-Maliki, na luta contra os jihadistas). O Iraque mistura-se devidamente com a Ucrânia. E quanto ao revide-redux, está (quase) tudo explicado no Telegraph de 22/6.
OS BONS E OS MAUS
Quanto ao super-repisado mito do Departamento de Estado dos EUA – outra vez?! – dos “bons terroristas” e “maus terroristas”, a Frente al-Nusra na Síria jurou fidelidade ao ISIS. Implica dizer que o ISIS agora controla virtualmente os dois lados da fronteira, em Albu Kamal na Síria e Al-Qaim no Iraque. Como bônus, o ISIS e xeiques tribais sunitas, seus aliados, também cercaram o Camp Anaconda que os EUA controlam no Iraque e estão preparados para jogo de morteiro de longo-longo prazo. Os ‘analistas’ da Av. Beltway nunca aprendem?!
Aquela pequena ficção conhecida como Jordânia – onde reina o Reizinho de PlayStation, codinome Abdullah – estará prontinha para ser invadida, logo que os salafistas linha-duríssima de Zarqa (cidade natal de Zarqawi) alinhem-se totalmente com o ISIS. Acrescentem esse bom pedaço de propriedade ao Califato Levantino ainda em embrião, e o negócio todo já engrossará consideravelmente – refinarias de petróleo e coisa-e-tal incluídas.
“NENHUMA MERDA ESTÚPIDA”
“Não façam nenhuma merda estúpida”, aplicada à Síria e ao Iraque, significa que o governo Obama já não tem limite que o contenha ou modere, na política de “Assad tem de sair” (e, por falar dele, é governo Ba’athista; implica dizer que Washington é aliada do ISIS na Síria, ao mesmo tempo em que é inimiga do ISIS no Iraque). O ‘pecado’ de Assad é que ele é, ao mesmo tempo, aliado de Teerã (como al-Maliki) e, principalmente (de um ponto de vista dos EUA), do Hezbollah. É onde entra a mais recente “merda estúpida” do governo Obama: estão armando rebeldes “devidamente avaliados”, na Síria.
Pairando sobre esse cenário em que nada faz sentido que preste, toda a Av. Beltway, Casa Branca incluída, vende a ilusão de que estaria deliberando cuidadosa e atentamente para identificar se os Homens-de-Preto realmente perigosos são os do ISIS – e o que fazer sobre eles.
Simultaneamente, com algum tipo de cooperação Washington-Teerã contra o ISIS já se tornando autoevidente, surge aí um grande problema para a turma do perene “Bombardeie-o-Irã” na Av. Beltway, tanto quanto para os linha-dura em Teerã; afinal, o ISIS ergueu massiva barreira geoestratégica entre o Irã e a Síria, ao ameaçar a conexão Teerã-Hezbollah.
Em Israel, os Likudniks farão de tudo para impedir qualquer cooperação. Mas nunca seriam mais que um detalhe. Bagdá pode obter toda a ajuda de que precisa, de forças especiais iranianas e de milícias como a de Muqtada.
ISIS não tem capacidade humana ou expertise para sitiar Bagdá; só o povo de Sadr City bastaria para fazê-lo em pedaços. Para nem falar de atacar Najaf e Karbala, cidades santas dos xiitas, já protegidas por brigadas populares pesadamente armadas.

terça-feira, 1 de julho de 2014

POLÍTICA - Joaquim Barbosa e o leitor blackbloc mental.



Janio de Freitas: Joaquim Barbosa e o leitor black bloc mental



Com e sem Joaquim Barbosa
Presidente do STF tornou-se, via TV, o que a linguagem modernosa chama de fenômeno midiático
por Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo
Está prevista para hoje a última participação do ministro Joaquim Barbosa como presidente e como integrante do Supremo Tribunal Federal, mas da agenda não decorre a certeza de sua presença. É desejável que vá. Considerado o nível de apreço que o ministro tem aparentado pelo Supremo, em referências à corte atual e na renúncia antecipada em relação até ao que já seria grande antecipação, pode bem revelar-se um privilégio vê-lo togado ainda uma vez e, como despedida, em sua plena autenticidade.
O sentido e a dimensão das contribuições de Joaquim Barbosa, para a magistratura e para o Supremo, devem ser medidos e pesados por juristas e magistrados. Seu último e relevante desempenho suscitou, porém, fora do tribunal, admirações exacerbadas e os diferentes opostos disso, além, entre aquelas e estes, de não pouco estarrecimento.
As múltiplas imagens públicas de Joaquim Barbosa, por mais que se devam ao próprio, são obra direta da função de projetá-las que o Supremo deu à TV, ao abrir à indiscrição das câmeras e microfones o que até então era tratado com o temeroso recato da imprensa ante a alta magistratura. Joaquim Barbosa tornou-se, via TV, o que a linguagem modernosa chama de fenômeno midiático. E, em tal condição, protagonista político.
Alguns reflexos desse protagonismo são sociologicamente bastante reveladores. Ministros do Supremo, por exemplo, em especial Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Teori Zavascki, conhecem o efeito, manifestado por parte da opinião pública e da imprensa, de ter posições divergentes das expostas por Joaquim Barbosa. No Supremo mesmo, aliás, a exaltação de Joaquim Barbosa se difundiu, a ponto de ouvir-se o próprio decano do tribunal, Celso de Mello, em voto descontroladamente irado sobre um recurso, chamar de “ladrões” os recorrentes entre os quais nenhum foi acusado ou condenado como ladrão.
Para ficar em exemplo com base ainda mais segura, tenho a correspondência recebida de leitores. Em minhas três décadas na Folha, jamais me faltaram críticas de leitores. Guardei todas, valiosas como elementos de análise histórica. E nelas se comprova um salto extraordinário: criticar ou mesmo registrar qualquer das muitas violações, por Joaquim Barbosa, do equilíbrio e da compostura que são deveres de todo magistrado, e sem as quais o magistrado deixa de sê-lo, provocou a mudança de linguagem das críticas que antes seriam ásperas.
O crescendo da exaltação de Joaquim Barbosa foi acompanhado do crescendo de insultos, da violência a ponto de haver até ameaça. E, com o novo hábito, não mais a respeito só de pontuações do julgamento, mas já sobre qualquer assunto. As deformações caluniosas do que foi expresso no texto, antes próprias dos judeus de extrema direita (agora mesmo fui atacado por lamentar o fim do mandato do presidente Shimon Peres, um raro estadista israelense), hoje são corriqueiras. O salto nítido na linguagem exprimiu como que uma liberação de iras e fúrias por Joaquim Barbosa, por sua exaltação condenatória.
Não muda nada que a liberação ocorresse à revelia do ministro, talvez desconhecimento. É a revelação de um estrato social que constitui uma espécie de black bloc mental, político e tão ansioso por violência quanto aquele que sai de casa para destruir placas de trânsito, incendiar lixeiras, obstruir partes das cidades e tentar atingir policiais. É a revelação daquela massa que parece compreender, insatisfeita embora, os males da prepotência social e do autoritarismo político, mas está pronta para o contrário. Espera só o pretexto.

ECONOMIA - O "pico" de Dilma é menor do que o índice na maioria da era FHC.

O “pico” de Dilma é menor do que o índice na maioria dos anos do governo FHC
de Antônio David, via e-mail
Inflação – vejam que piada o infográfico da Folha, denunciando o “pico” no governo Dilma.
Comparem os índices no governo FHC e nos governos Lula/Dilma. O “pico” de Dilma é menor do que o índice na maioria dos anos do governo FHC. Essa imprensa é ridícula.


Antônio David é pós-graduando da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

PETROBRAS - Pré-sal bate novo recorde.

Pré-sal bate novo recorde

Do site da Petrobras:

A produção de petróleo nos campos que operamos na chamada província do pré-sal nas bacias de Santos e de Campos superou a marca dos 500 mil barris por dia (bpd) - atingindo 520 mil bpd no dia 24 de junho - o que configura novo recorde de produção diária. Desse volume, 78% (406 mil bpd) correspondem a nossa parcela e o restante, à contribuição das nossas empresas parceiras nas diversas áreas de produção da camada pré-sal.
A produção de 520 mil barris por dia foi alcançada apenas oito anos após a primeira descoberta de petróleo na camada pré-sal ocorrida em 2006. Para chegar a esse marco histórico, contamos com a contribuição de somente 25 poços produtores. A magnitude do resultado obtido pode ser melhor percebida através da comparação com o próprio histórico de nossa produção:

- Fomos fundados em 1953 e foram necessários 31 anos para alcançarmos a marca de 500 mil barris diários, o que ocorreu no final do ano de 1984, com a contribuição de 4.108 poços produtores.

- No pós-sal da Bacia de Campos, onde a primeira descoberta ocorreu em 1974, foram necessários 21 anos para produzirmos 500 mil barris diários de petróleo. Este nível de produção, alcançado em 1995, contou com a contribuição de 411 poços produtores.

O excelente desempenho do pré-sal brasileiro é, também, realçado pela comparação com outras importantes províncias produtoras no mundo. Na porção americana do Golfo do México, por exemplo, foram necessários 20 anos, a partir da primeira descoberta, para se produzir 500 mil barris diários. No Mar do Norte, o patamar foi atingido em dez anos.

Pré-sal já responde por 22% da produção da Petrobras no Brasil
A produção média do pré-sal respondeu por 22% do total da produção que operamos no mês de maio no Brasil. De 2010 a 2014, a média de produção diária dos reservatórios do pré-sal cresceu dez vezes, avançando de 41 mil barris (média em 2010) para 520 mil barris por dia. Dos 25 poços em operação nessa província, dez estão localizados na Bacia de Santos, que responde por 53% da produção do pré-sal (274 mil barris por dia). Os demais 15 poços estão localizados na Bacia de Campos e respondem pelos 47% restantes (246 mil barris por dia).

A produção acumulada na província do pré-sal já ultrapassou 360 milhões de barris de óleo equivalente. Hoje operam nessa província nove plataformas, quatro delas produzindo exclusivamente da camada pré-sal. São elas: o FPSO Cidade de Angra dos Reis (que produz desde outubro de 2010 no campo de Lula, na Bacia de Santos), o FPSO Cidade de Anchieta (que opera desde setembro de 2012 no campo de Baleia Azul, na Bacia de Campos), além do FPSO Cidade de São Paulo (que começou a operar em janeiro de 2013 no campo de Sapinhoá, na Bacia de Santos) e do FPSO Cidade de Paraty (que produz desde junho de 2013 na área de Lula Nordeste, também na Bacia de Santos).

Outras quatro plataformas já estavam instaladas há alguns anos na Bacia de Campos para a produção de petróleo do pós-sal. Por apresentarem capacidade disponível, essas plataformas viabilizaram a rápida interligação de alguns poços perfurados em horizontes mais profundos, ou seja, na camada pré-sal. São elas: P-48, no campo de Barracuda-Caratinga; P-53 e FPSO Cidade de Niterói, ambas no campo de Marlim Leste, e FPSO Capixaba, no campo de Baleia Franca. Além dessas unidades, outra plataforma que contribuiu para o recorde é a P-58, que entrou em produção em março deste ano, no pré-sal do complexo denominado Parque das Baleias, na porção capixaba da Bacia de Campos.

Adicionalmente, um sistema itinerante começou a operar no dia 21 de junho em Iara, através do FPSO Dynamic Producer, executando um teste de longa duração com o objetivo de investigar os reservatórios do pré-sal nesta área.

Produtividade do pré-sal supera a média mundial
Os poços já instalados no pré-sal têm apresentado produtividade muito acima da média mundial. A produtividade média por poço em operação comercial no Polo Pré-sal da Bacia de Santos tem sido da ordem de 25 mil barris de petróleo por dia, maior que a registrada no Mar do Norte (15 mil barris de petróleo por poço/dia) e no Golfo do México (10 mil barris de petróleo por poço/dia).

Alguns poços do pré-sal da Bacia de Santos apresentam produtividade acima de 30 mil barris diários, como o LL-11, no projeto piloto de Lula Nordeste, com vazão média de 31 mil barris por dia, bem como o SPS-77 e o SPH-04, no piloto de Sapinhoá, com produção média de 34 mil barris diários cada um.

Outro bom exemplo disso é o FPSO Cidade de Angra dos Reis, que opera no campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos, onde apenas quatro poços produzem o suficiente para praticamente ocupar a capacidade operacional total da plataforma, de 100 mil barris por dia (bpd). Essa plataforma foi originalmente projetada para produzir com seis poços, cada um com uma contribuição média de 16 mil barris por dia. Mas, com a alta produtividade dos poços, que vêm apresentando cerca de 24 mil bpd, em média, muito acima da previsão inicial, foram interligados apenas quatro poços à plataforma, o que representou uma enorme economia de investimentos.

Saiba mais sobre o Pré-Sal
O pré-sal é uma sequência de rochas sedimentares formadas há mais de 100 milhões de anos no espaço geográfico criado pela separação do antigo continente Gondwana. Mais especificamente, pela separação dos atuais continentes Americano e Africano, que começou há cerca de 150 milhões de anos. Entre os dois continentes formaram-se, inicialmente, grandes depressões, que deram origem a grandes lagos. Ali foram depositadas, ao longo de milhões de anos, as rochas geradoras de petróleo do pré-sal. Como todos os rios dos continentes que se separavam corriam para as regiões mais baixas, grandes volumes de matéria orgânica foram ali se depositando.

À medida em que os continentes se distanciavam, os materiais orgânicos então acumulados nesse novo espaço foram sendo cobertos pelas águas do Oceano Atlântico, que então se formava. Dava-se início, ali, à formação de uma camada de sal que atualmente chega a até 2 mil metros de espessura. Essa camada de sal depositou-se sobre a matéria orgânica acumulada, retendo-a por milhões de anos, até que processos termoquímicos a transformasse em hidrocarbonetos (petróleo e gás natural).

No atual contexto exploratório brasileiro, a possibilidade de ocorrência do conjunto de rochas com potencial para gerar e acumular petróleo na camada pré-sal encontra-se na chamada província pré-sal, uma área com aproximadamente 800 km de extensão por 200 km de largura, no litoral entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo. As reservas dessa província ficam a 300 km da região Sudeste, que concentra 55% do Produto Interno Bruto (soma de toda a produção de bens e serviços do país). A área total da província do pré-sal (149 mil km2) corresponde a quase três vezes e meia o estado do Rio de Janeiro.

A FORÇA DA INTERNET NAS ELEIÇÕES.


A força da internet nas eleições

Por Altamiro Borges

Três pesquisas recentes confirmam que a internet, com seus sites, blogs e redes sociais, deverá jogar um papel decisivo nas eleições deste ano. O Instituto Reuters de Estudo do Jornalismo, ligado à Universidade de Oxford (Inglaterra), publicou no início de junho o seu terceiro relatório anual sobre notícias digitais (“Digital News Report-2014”). Feito a partir de entrevistas com 18 mil pessoas em dez países (EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Finlândia, Espanha, Dinamarca, Itália, Japão e Brasil), ele revela que o nosso país ocupa o primeiro lugar no ranking mundial no uso dos meios digitais. Segundo a pesquisa, 87% dos brasileiros conectados à internet têm interesse por notícias de cunho jornalístico.
Outro estudo, divulgado em maio, aponta que os blogs brasileiros já ocupam o segundo lugar no ranking mundial de alcance, só perdendo para o Japão. A pesquisa da ComScore traz estatísticas atualizadas sobre a rede no Brasil, com dados comparativos para a América Latina e o mundo. Os números comprovam que o país é um dos mais entusiasmados com a internet. Entre outros dados, a pesquisa mostra que os brasileiros seguem liderando o engajamento online, com usuários que navegam 29,7 horas por mês, sete horas a mais do que a média mundial; que a audiência cresce em média 11% ao ano; e que uma parte da publicidade, mesmo que ainda pequena, passa a se deslocar para os meios digitais.

Por último, vale citar a “Pesquisa Brasileira de Mídia”, publicada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em fevereiro último. Ela indicou que a tevê segue sendo o meio preferido dos brasileiros, com 76,4% dos votos, mas a internet (13,1%) já superou o rádio (7,9%), jornais (1,5%) e revistas (0,3). Segundo a Secom, o estudo aponta as tendências para o futuro. “Entre os mais jovens, na faixa de 16 a 25 anos, a preferência pela TV cai a 70% e citação da internet sobe a 25%, ficando o rádio com 4% e os demais com menções próximas de 0%. Como em outros países, devemos continuar assistindo também no Brasil ao crescimento da adesão aos meios digitais de comunicação nos próximos anos”.

Estes três estudos explicam porque os partidos políticos brasileiros finalmente despertaram para a força crescente da internet. Todos têm feito investimentos pesados nas novas ferramentas, contratando empresas especializadas, formando seus ativistas digitais e disputando ideias nesta guerrilha online. Este universo dá espaço para os piores instintos, com muitas baixarias e agressões, mas também permite a produção de ótimo conteúdo jornalístico. Através da internet, esta brecha tecnológica, mais vozes podem se manifestar na sociedade, uma conquista da autêntica liberdade de expressão. Mesmo a mídia tradicional já percebeu que não dá para barrar este avanço e passa a investir mais nestas ferramentas.

Já nas eleições de 2010, a jovem blogosfera brasileira cumpriu papel de relevo, ajudando a desmascarar farsas como a da “bolinha de papel” ou da onda preconceituosa contra o direito ao aborto. Não é para menos que passou a ser alvo de setores autoritários, pouco afeitos à liberdade de expressão, que tentaram estigmatizar esta forma de comunicação. Os “blogs sujos”, como foram rotulados pejorativamente, não se intimidaram e conquistaram, com o tempo, maior legitimidade e força. Já em 2013, as redes sociais mostraram sua capacidade de mobilização nos massivos protestos da “jornada de junho”. Nas eleições deste ano, o poder da internet será ainda maior e decisivo!

GEOPOLÍTICA - O jogo geopolítico da Rússia e da China.

O jogo geopolítico da Rússia e da China

Não é a ressurreição da Guerra Fria. Rússia e China só procuram acordos com Alemanha e Estados Unidos.


Immanuel Wallerstein
Russian Presidential Press and Information Office
Governos, políticos e mídia no mundo “ocidental” parecem incapazes de compreender os jogos geopolíticos na forma como são praticados por quaisquer outros. As suas análises do anunciado novo acordo da Rússia e da China são um surpreendente exemplo disto.

Em 16 de maio, Rússia e China anunciaram ter assinado um “tratado de amizade” que duraria “para sempre” mas não é uma aliança militar. Simultaneamente, anunciaram um acordo sobre o gás, pelo qual os dois países irão construir um gasoduto para exportar gás russo para a China. A China vai emprestar à Rússia o dinheiro com o qual esta construirá a sua parte do gasoduto. A Gazprom (maior produtora russa de gás e de petróleo) fez algumas concessões de preço à China, questão que reteve durante algum tempo a assinatura do acordo.

Se formos ler os meios de comunicação do dia 15 de maio, estão cheios de artigos explicando por que um acordo com este era improvável. Quando, mesmo assim, ele foi assinado no dia seguinte, os governos ocidentais, os políticos e a mídia dividiram-se entre os que o viram como uma vitória geopolítica do presidente russo Vladimir Putin (e a deploraram) e os que argumentaram de que não irá fazer muita diferença em termos geopolíticos.

É bastante claro, quando se olha para as discussões e as votações do Conselho de Segurança da ONU dos últimos anos, que a Rússia e a China partilham uma aversão às diversas propostas priorizadas pelos Estados Unidos (e frequentemente com colaborações de vários países europeus) para autorizar o envolvimento direto (abrindo em última instância o caminho ao envolvimento militar) na guerra civil na Ucrânia e nos múltiplos conflitos no Oriente Médio.

As sanções unilaterais que os Estados Unidos já impuseram à Rússia devido ao seu alegado comportamento na Ucrânia e a ameaça de impor ainda mais sanções apressaram o desejo da Rússia de encontrar novas saídas para o seu gás e petróleo. E isto, por seu turno, leva a muita conversa sobre uma ressurreição da Guerra Fria entre Rússia e Estados Unidos. Mas será este na verdade o ponto principal do novo acordo Rússia-China?

Parece-me que ambos os países estão realmente interessados numa reestruturação das alianças entre Estados. O que a Rússia realmente procura é um acordo com a Alemanha. E o que a China realmente quer é um acordo com os Estados Unidos. E o truque é anunciar esta aliança “para sempre” entre eles.

A Alemanha está claramente dividida internamente quanto à perspetiva de incluir a Rússia na esfera europeia. A vantagem para a Alemanha de um acordo deste tipo seria consolidar a base de clientes russos para a sua produção, garantir as suas necessidades energéticas e incorporar a força militar russa no seu planeamento global de longo prazo. Como isto inevitavelmente significaria a criação de uma Europa pós-Otan, há oposição à ideia não só dentro da Alemanha mas, evidentemente, também na Polônia e nos Estados bálticos. Do ponto de vista da Rússia, o objetivo do tratado de amizade Rússia-China é fortalecer a posição dos que na Alemanha querem trabalhar com a Rússia.

A China, por outro lado, está fundamentalmente interessada em amansar os Estados Unidos e reduzir o seu papel na Ásia oriental. Mas, dito isto, quer reforçar, não enfraquecer, as suas ligações com Washington. A China procura investir nos Estados Unidos aos preços de saldo que considera estarem a ser oferecidos. Quer que os Estados Unidos aceitem a sua emergência como potência regional dominante na Ásia oriental e do sudoeste. E quer que os Estados Unidos usem a sua influência para impedir o Japão e a Coreia do Sul de se tornarem potências nucleares.

É claro que o que a China quer não está em consonância com a linguagem ideológica que prevalece nos Estados Unidos. Porém, parece haver dentro dos Estados Unidos um apoio discreto a esta evolução de alianças, especialmente no interior das principais estruturas empresariais. Tal como a Rússia quer usar o tratado de amizade para encorajar certos grupos na Alemanha a moverem-se na direção que considera mais útil, também a China deseja fazer o mesmo com os Estados Unidos.

Será que estes jogos geopolíticos vão funcionar? Possivelmente, mas isso de forma alguma é certo. Ainda assim, nas perspetivas tanto da Rússia quanto da China, têm tudo a ganhar e muito pouco a perder usando este ardil. A questão real é como o debate interno na Alemanha e nos Estados Unidos vai evoluir no futuro próximo. Quanto ao argumento de que o mundo está a voltar à Guerra Fria entre os Estados Unidos e a Rússia, pensem nele como o ardil dos que compreendem o jogo da Rússia e da China e tentam contrariá-lo.
__________

Tradução, revisada pelo autor, de Luis Leiria, para o Esquerda.net.

MEIO AMBIENTE - Pesquisa sobre milho transgênico.

Segurança Alimentar
01.07.2014
[ Mundo ]
Pesquisa sobre milho transgênico é republicada e retoma debates




Adital
A pressão da indústria da biotecnologia e dos órgãos reguladores foi forte e conseguiu vitória temporária ao tirar de circulação a pesquisa inédita que demonstrou efeitos crônicos em ratos causados pelo consumo do milho transgênico NK 603 com e sem o herbicida Roundup (glifosato), ambos da Monsanto.
A vitória foi temporária porque a Environmental Sciences Europe acaba de republicar a pesquisa e colocá-la de volta no debate científico, mantendo os resultados e conclusões originais e oferecendo acesso aos dados brutos do estudo, algo jamais feito pelas empresas do setor, que alegam segredo industrial mesmo sobre dados que dizem respeito a efeitos sobre a saúde e meio ambiente. Os pesquisadores franceses avaliaram a mesma linhagem de ratos usados pela Monsanto em seus estudos e identificaram graves danos ao fígado e rins, além de distúrbios hormonais e elevada ocorrência de tumores.
A publicação original dos resultados encontrados por Gilles-Eric Séralini e sua equipe saiu em setembro de 2012 e foi publicada pela Food and Chemical Toxicology, que depois da repercussão causada pelo estudo inédito recompôs seu conselho editorial para abrigar um ex-funcionário da Monsanto e logo depois anunciou a retirada do artigo.
A Food and Chemical Toxicology sai chamuscada do episódio, assim como as agências governamentais que desacreditaram a pesquisa. Entre elas está a CTNBio, ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, que atacou o estudo e seus autores e descartou a reavaliação de sua decisão, que considerou seguro o NK603 e autorizou seu uso comercial no Brasil.
A AS-PTA saúda a volta do artigo ao debate público sobre a segurança desses produtos e sobre a influência das corporações sobre a ciência e os processos regulatórios. Baseando-se na lei de biossegurança demandaremos que a CTNBio reconsidere sua decisão à luz dos achados dos pesquisadores da Universidade francesa de Caen.

AS-PTA

Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa. Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

ARGENTINA - dos Fundos Abutres à superação da esquerda limitada.

30.06.2014
[ENTREVISTA] Argentina em recessão: dos Fundos Abutres à superação da esquerda limitada


Andrés Figueroa Cornejo



Adital

"Quando a hipocrisia começa a ser de muito má qualidade,
é hora de começar a dizer a verdade.”
Bertolt Brecht
No bar "El Libertador de Corrientes y Dorrego” está o escritório de um dos mais procurados, consultados e autorizados economistas de esquerda da Argentina, Eduardo Lucita. De seu escritório me disse enquanto apertamos as mãos e seu café vazio acusa minha não pontualidade em meio a uma luz agradável que reflete na mesinha sem toalha.
É inevitável lhe perguntar o que são os Fundos Buitre (FB).
Os Fundos Buitre são investidores e fundos especulativos em grande escala que compram bônus a muito baixo preço e logo entabulam demandas contra Estados soberanos para cobrar 100% deles. No caso concreto da Argentina, se trata do Grupo MN Elliot, que fez essa mesma operação há anos contra o Peru, triunfou e cobrou por muito bom preço bônus que tinha comprado a um preço de graça.
A Argentina emitiu os bônus em 2001. Uma parte deles conta com cessão de soberania jurídica no distrito de Nova York, que é o que está em discussão hoje. Na prática, os FB compraram bônus argentinos emitidos ao preço de um dólar em 0,4 centavos de dólar e, atualmente, reclamam o pagamento de um dólar. Houve uma decisão em primeira instância desfavorável para a Argentina contra a qual o governo apelou. Depois uma decisão em segunda instância, que também foi perdida, e depois se apelou à Corte Suprema de Justiça dos EUA, que convalidou as decisões anteriores do juiz federal de Nova York, Thomas Griesa.
À Argentina estão reclamando agora o montante de 1,5 bilhão de dólares, quando a dívida original há 10 ou 12 anos era de 400 milhões de dólares.
O Estado argentino realizou uma grande reestruturação da dívida com os FB, que chegou a 92-93% do total. 7% dos bônus não ingressou nessa reestruturação. Aí está o fundo Elliot, que corresponde a cerca de um ponto de 7%. Si se paga esse 1%, o resto de 7% pode reclamar seu pagamento também. Nem toda essa percentagem tem sua sede legislativa em Nova York, por tanto há um debate sobre o eventual montante da dívida a cancelar. Poderá estar entre 8 bilhões a 15 bilhões de dólares, enquanto as reservas do Estado alcançam ao redor de 29 bilhões.
As condições da quebra
Aparentemente, resulta contraditório que o governo, tendo cumprido com a negociação da dívida do Clube de Paris, o oneroso pagamento à Repsol e o tipo de negócio realizado com a Chevron, ou seja, tendo cumprido com os requisitos do imperialismo, hoje seja castigado através dos FB.
Há mais de um ano que o giro aberto rumo aos mercados da administração K tem por objetivo a aquisição de mais crédito como demonstra o caso Repsol; o contrato secreto com a Chevron em condições que não nenhuma outra empresa tem; o arranjo com o Clube de Paris de uma dívida de 9,7 bilhões, quando a dívida consolidada um ano antes era de pouco mais de 6 bilhões (por que apareceram 3,7 bilhões a mais? Ninguém sabe, é outro segredo). Isto é, o governo realizou uma série de concessões para voltar aos mercados internacionais, o que significou a tomada de mais dívida. Hoje, o julgamento dos FB coloca o governo em perigo de descumprir suas metas de tomar financiamento para reativar a economia e terminar 2015 com um crescimento de dois a três pontos.
Na semana passada, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC) reconheceu que a Argentina se encontra em recessão.
Sim. Há dois trimestres consecutivos com queda do Produto Interno Bruto (PIB). A recessão é especialmente forte na indústria automotiva, que recebe o golpe da depressão da atividade econômica do Brasil. Mas não se trata apenas da indústria automotiva (pilar, referência e paradigma de toda a indústria argentina). Está caindo a metal-mecânica e o plástico. Ou seja, a recessão está se agravando. Pelo contrário, os bancos nunca estiveram melhor.
Por que se fala tão fortemente de um possível default do país?
Se o Estado argentino cancela a dívida nos 7% mencionados, 92-93% já reestruturados, devido a uma quitação em favor do país em sua negociação, goza de uma cláusula que permite cobrar 100% da dívida, apelando a um não tratamento discriminatório. Hoje, é 27 de junho. Existe um risco parecido com uma tormenta perfeita. À noite, o governo rolou um montante destinado aos bonificados reestruturados, do qual uma percentagem pode ser desembolsada aos FB pelo juiz Griesa. Isso habilitaria os mesmos bonificados reestruturados a reclamar seu pagamento total. E se a Argentina renega a decisão entra em default (cesse de pagamentos por insolvência). Por isso o governo hoje mesmo está tentando negociar o cancelamento, um movimento cujo resultado desconheço, claro. (Enquanto se edita esta entrevista, na sexta-feira, 27 de junho de 2014, segundo a imprensa, o juiz Griesa havia anulado o pagamento no tempo e forma do governo aos bonificados reestruturados, realizado só à noite.)
O que acontece se o default se concretiza?
Quebraria toda possibilidade imediata de conseguir créditos externos para financiar a crise. Isso aprofundaria a derrubada das empresas, aumentaria a desocupação e as formas de flexibilização trabalhista. No entanto, a taxa de ganhos do capital no mundo e na Argentina é uma das mais altas da história, apesar da desvalorização do salário e do aumento dea pobreza.
As causas principais da crise argentina
Há economistas de distintas escolas que se referem a uma sorte de ciclos críticos na Argentina…
Desde a metade do século passado que as crises recorrentes do país explodem pela falta de divisas e pela inflação provocada pelas lutas intercapitalistas. A Argentina tem uma economia muito concentrada. Há 500 empresas que explicam 50% do PIB e das 500 há 50 que, por sua vez, explicam a metade do PIB. E a imensa maioria dessas empresas (salvo exceções como a YPF) pertencem a capitais privados transnacionais. Aí está o miolo da crise.
Ou seja, a causa é a forma nacional que contém o capitalismo argentino…
De fato. o crescimento econômico dos últimos anos, descontando a queda de 2014, jamais rompeu com os limites estruturais do capitalismo. É a dependência própria do desenvolvimento capitalista na Argentina e nos Estados periféricos. Por exemplo, o processo de substituição de importações logo após a segunda guerra mundial foi um fenômeno acordado em grande parte da América Latina.
Argentina e a hegemonia do capital financeiro mundial
Observando a expressão nativa da crise mundial, como impacta a condução do momento financeiro do controle de comandos da reprodução capitalista?
Com a queda da taxa de ganhos no fim dos anos 60 do século passado, o aparecimento dos petrodólares, etc., se constituiu um excesso de capital financeiro, que não encontrava onde investir na economia real. Essa crise se subsumiu na década seguinte.
Alguns defendem que a atual crise provém dos anos 30 do século XX…
A meu ver tem mais a ver com a crise dos 70 e com a fórmula de sua saída, que implicou o redesenho produtivo capitaneado pela hegemonia do capital financeiro. Então, o capital financeiro relançou a crise nos anos 70 até 2007-2008. Nesse marco surgiram os sistemas financeiros derivados. Inclusive se diz que o capital financeiro que está dando voltas no mundo é 10 vezes superior ao PIB do planeta. Frente a semelhante massa de capital-dinheiro girando, o complexo financeiro mundial teve que adequar seu dispositivo jurídico a essa realidade do capitalismo e sua financeirização global.
E sob que formas?
A Comunidade Europeia, no início dos anos 70 e em 1976 nos EUA, juridicamente, estabeleceu como "recomendação” que cada vez que um país contratasse dívida ou emitisse bônus, ante qualquer litígio deveria incorporar um terceiro país. Isso se chama hoje cessão de soberania jurídica. Certamente que os países que cedem soberania jurídica são os dependentes, não os Estados imperialistas. Isso terminou de se consolidar com o Plano Brady para a América Latina, que consiste na titularização dos bônus, em que desaparecem os organismos internacionais e os bancos como os grandes emprestadores, e surgem pessoas de direito privado, milhares de indivíduos compradores de bônus. A partir daí, a cessão da soberania jurídica, de "recomendação” passou a ser uma imposição de fato.
A Queda
O governo encabeçado por Cristina Fernández no termina de reiterar as cifras de crescimento macroeconômico, comparando-as inclusive com as chinesas. O que está acontecendo?
Nos últimos anos, a Argentina cresceu, mas sem modificar as bases estruturais do tipo de capitalismo existente há muitas décadas. A indústria foi incapaz de obter as divisas para seu desenvolvimento, retornou o déficit fiscal primário (aquele que gera a economia sem contemplar o pagamento da dívida) e se incrementou a dívida interna. E, politicamente, se manifestou a incapacidade do Estado de arbitrar entre os distintos interesses capitalistas, ou seja, na disputa pela monopolização da apropriação privada do excedente econômico, disputa produtora de inflação.
Como você caracteriza a contingência política argentina?
Toda a direita tradicional está de acordo em pagar a dívida para retomar mais dívida. Isso é o que buscam as grandes instituições de crédito mundial. Agora, a atual administração paga, com o agravante de que o faz com as reservas fiscais. Salvo a minoria de esquerda, todo o espectro do sistema de partidos políticos é também "pagador em série”. Também é preciso assinalar que o presente governo jamais quis romper com o capitalismo nem com o imperialismo. A presidenta tem sido clara quando diz que sua administração é pró-capitalista. Basta dar conta, entre tantos exemplos possíveis, de seu acordo e promoção do extrativismo. O que se tentou foi canalizar e gerir institucionalmente a luta de classes, e guardar distancia das formas mais radicais do menemismo.
De todos os modos, o que ocorre no país tem provocado uma discussão interna no sistema financeiro internacional porque uma coisa são os Estados imperialistas e a indústria financeira, e outra coisa são os interesses dos credores, dos FB e dos bancos, que querem cobrar sem importar as consequências. Pelo demais, o juiz Thomas Griesa é um homem ligado ao Partido Republicano norte-americano, no qual o Tea Party (http://www.rebelion.org/noticia.php?id=154928) tem um peso extraordinário.
E o movimento popular que se adverte muito fragmentado?
O processo histórico do capitalismo concentra, centraliza e hegemoniza por cima, e divide e heterogeneiza por baixo. A heterogeneidade do movimento dos trabalhadores e do povo é muito grande, tal qual a tendência mundial. Ademais, tanto o governo como alguns setores populares têm concordado com a cooptação.
Pessoalmente, hoje, sou incapaz de ver una esquerda que seja vanguarda de algo. O que observo são territórios de povos em luta, que, e, qualquer de seus movimentos se torna, querendo ou não, anticapitalista.
Mas não acaba de se resolver porque não existe um eixo concentrador. Não tem surgido - apesar da multiplicidade de lutas sociais e de todas os agrupamentos políticos, sociais e culturais aparecidos desde a crise de 2001 (http://www.rebelion.org/noticia.php?id=141791) - um movimento que não escape da pura reivindicação econômica. Aqui não se grita "Trabalhadores ao poder”.

Uma zona da esquerda tradicional obteve um punhado de vagas legislativas nas últimas eleições…
Efetivamente, a Frente de Esquerda dos Trabalhadores (FIT, bloco trotskista) obteve muito bons resultados eleitorais, sobretudo e surpreendentemente no interior do país (Salta, Jujuy, Mendoza, Santa Cruz, etc.).”
Honradamente, o apreço em seu mérito, mas é uma faixa completamente insuficiente quando nos referimos ao importante: as formas de implicar-se no movimento real do povo e o fetiche parlamentarista, ou seja, na matéria estratégica e de sentido da vocação poder. Como você imagina a unidade política necessária e independente dos oprimidos/as?
Estamos frente a uma nova realidade que produz discussões que não existiam. Sobre a unidade eu advirto dois planos: um político eleitoral e outro das lutas concretas. Ante a conjuntura dos FB deveria existir uma Frente Ampla Antiimperialista, por exemplo. Agora bem, quanto ao âmbito político eleitoral, a FIT é una realidade e ao mesmo tempo uma limitação. É preciso ampliar essa frente, ainda que dentro da própria FIT há quem se oponha. Urge romper o sectarismo da FIT, tanto como o sectarismo dos não sectários. Em resumo: a multiplicidade de resistências populares como a próprio FIT terão que se autossuperar na formação de um novo continente político abrangente.

Andrés Figueroa Cornejo

Jornalista

ECONOMIA - A dívida da Argentina.

Publicado no dw.
image
1) Em 2001, a Argentina decretou moratória. A dívida do país, de cerca de 100 bilhões de dólares, era impagável. A decisão abalou a confiança dos investidores internacionais e afastou as empresas estrangeiras, dificultando a obtenção de empréstimos internacionais. Em 2005 e 2010, o país conseguiu renegociar 93% da dívida. As novas condições envolviam a perda de cerca de 70% do valor de face dos títulos e o parcelamento da dívida em 30 anos. Porém investidores contrários à renegociação entraram com ações em tribunais internacionais.
2) Credores como a Aurelius Capital Management e a NML Capital, do multimilionário Paul Singer, designados pelo governo argentino como “fundos abutres”, entraram na Justiça dos EUA para exigir o pagamento integral da dívida.
Em 2012, o juiz federal de Nova York, Thomas Griesa, deliberou que a Argentina cumprisse suas obrigações com os fundos, antes mesmo de efetuar o pagamento das parcelas renegociadas em 2005 e 2010. A Argentina recorreu e, em agosto de 2013, o Tribunal de Apelações de Nova York ratificou a sentença da primeira instância, condenando a ré a pagar aos fundos de risco a dívida referente à moratória de 2001. A Argentina recorreu, então, à Suprema Corte dos Estados Unidos.
3) Em decisão final, a Suprema Corte dos EUA rejeitou na segunda-feira (16/06) um recurso do país contra o pagamento de 1,3 bilhão de dólares em títulos públicos dos “fundos abutres”. A intervenção da Justiça americana nas contas da Argentina se deve ao fato de os EUA terem sido escolhidos como jurisdição para os bônus lançados após a renegociação da dívida, e, também, por o pagamento ser realizado por bancos americanos.
4) A decisão da Suprema Corte americana abre um precedente perigoso para a Argentina. Se ela acatar o veredicto e realizar o pagamento aos “fundos abutres”, outros fundos que não aceitaram a renegociação poderiam imediatamente cobrar mais de 15 bilhões de dólares do país. Esse valor corresponde a mais da metade das reservas internacionais argentinas, atualmente de 28 bilhões de dólares. A situação da já debilitada economia argentina ficaria ainda mais complicada, caso outros credores que aceitaram a renegociação também apelem à Justiça, exigindo o valor de face dos títulos, mais os juros.
5) O ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, anunciou na terça-feira (17/06) que o país vai propor uma troca de dívida reestruturada– que exclui os “fundos abutres” – para cumprir seus compromissos de pagamento no país, e não nos Estados Unidos.
Com a manobra, a Argentina coloca os títulos da dívida sob jurisdição nacional, e evita o congelamento ou a apreensão de seus ativos – como os pagamentos destinados aos credores que aceitaram a renegociação da dívida após a moratória de 2001. O ministro Kicillof não descartou enviar advogados para pedir esclarecimentos ao juiz Thomas Griesa.
6) A manobra, porém, não parece ser tão simples de ser colocada em prática. O governo argentino necessita da adesão de 85% dos credores – a chamada “maioria qualificada” – para alterar o local de pagamento dos títulos da dívida pública. É pouco provável que a maioria dos fundos de investimentos americanos colabore, pois sua participação na estratégia argentina poderia ser considerada uma afronta à Justiça dos EUA.
7) “É natural que o governo argentino busque não apenas o redesenho jurídico de sua relação com os credores, de modo a inseri-la no arcabouço legal de seu país, como também redenominar as dívidas para que sejam saudadas na moeda argentina, e não no dólar norte-americano. Ambas as possibilidades, no entanto, são pouco factíveis e, portanto, fazem parte sobretudo da estratégia de apresentação do problema à opinião pública”, opina Marcos Troyjo, diretor do BricLab da Universidade de Columbia (EUA) e professor do Ibmec/RJ.
8 ) Em audiência na sexta-feira (27/06), Thomas Griesa instou o Bank of New York Mellon (BONY) – que atua como intermediário da operação – a devolver ao governo argentino os 539 milhões de dólares depositados no dia anterior para os investidores que aceitaram a reestruturação da dívida, e manteve a decisão que obriga o país a pagar imediatamente 1,3 bilhão de dólares aos “fundos abutres”.
De acordo com o jornal argentino Clarín, o país tenta negociar com os fundos especulativos. Mesmo que os credores que aceitaram a reorganização da dívida não recebam a parcela em 30/06, a Argentina tem carência até 30 de julho para efetivar o pagamento e, assim, não decretar moratória.

MÍDIA - Facebook e a manipulação de mentes.

Facebook e a manipulação de mentes

Por Robert Booth, no site Outras Palavras:

Ele já sabe se você está solteiro ou em um relacionamento; a primeira escola onde estudou; se ama ou odeia Justin Bieber. Mas agora o Facebook, a maior rede social do mundo, está enfrentando uma tempestade de protestos ao se revelar que descobriu como fazer usuários se sentirem mais tristes ou felizes, com apenas alguns toques no teclado.
O Facebook acaba de publicar detalhes de um amplo experimento, no qual manipulou informações postadas nas páginas de 689 mil usuários, e descobriu que poderia fazê-los sentir-se mais positivos ou negativos, por meio de um processo de “contágio emocional”.

Em um estudo [leia o relatório] com acadêmicos da Universidade de Cornell e daUniversidade da Califórnia, o Facebook filtrou o feed de notícias de usuários - a corrente de comentários, vídeos, imagens e links postados por outras pessoas em sua rede social. Um teste reduziu a exposição de usuários ao “conteúdo emocional positivo” de seus amigos. Em consequência, os usuários submetidos a este conteúdo manipulado também postavam menos posts positivos. Outro teste reduziu a exposição a “conteúdo emocional negativo”: os usuários reagiram de maneira oposta à do primeiro grupo.
O estudo concluiu: “Emoções expressas por amigos, via redes sociais, influenciam nossos próprios humores, constituindo, segundo sabemos, a primeira evidência experimental de contágio emocional em escala maciça, via redes sociais.”

Advogados, ativistas que debatem o futuro da internet e políticos afirmaram, neste final de semana, que o experimento de massa sobre manipulação emocional era “escandaloso”, “assustador” e “incômodo”.

Na noite de domingo, um membro experiente do Parlamento Britânico pediu uma investigação parlamentar sobre como o Facebook e outras redes sociais manipularam respostas emocionais e psicológicas de seus usuários, ao editar informações oferecidas a eles.

Jim Sheridan, um membro do comitê de mídia da Câmara dos Comuns britânica, disse que o experimento era intrusivo. “Trata-se de algo extraordinariamente poderoso, e se ainda não há uma legislação para isso, deveria haver, para proteger as pessoas”, disse. “Estão manipulando informações da vida pessoal de seres humanos, e me preocupa a capacidade do Facebook e de outros para manipular os pensamentos relacionados a política ou outras áreas. Se as pessoas estão sendo controladas dessa maneira, segundo o que pensam, é necessário que haja uma proteção, e elas precisam ao menos ter consciência disso.”

Uma porta-voz do Facebook disse que a pesquisa, publicada este mês na revista de Procedimentos da Academia Nacional de Ciências dos EUA, foi realizada para “melhorar nossos serviços e tornar o conteúdo que os usuários veem no Facebook o mais relevante e envolvente possível”.

Ela acrescentou: “Uma grande razão da pesquisa é entender como as pessoas respondem a tipos diferentes de conteúdo, seja em um tom positivo ou negativo, notícias de amigos, ou informações sobre as páginas que seguem.”

Mas alguns outros comentaristas expressaram receio de que o processo poderia ser usado para propósitos políticos em disputas eleitorais ou para encorajar internautas a se manterem focados no site, alimentando-os com pensamentos felizes, e permitindo bombar as receitas de publicidade do próprio Facebook.

Em uma série de posts no Twitter, Clay Johnson, o co-fundador da Blue State Digital, a empresa que construiu e gerenciou a campanha online de Barack Obama à presidência em 2008, disse: “O experimento do Facebook de ‘transmissão de raiva’ é aterrorizante.”

Ele pergunta: “A CIA poderia iniciar uma revolução no Sudão pressionando o Facebook a promover descontentamento? Isso seria legal? Mark Zuckerberg poderia virar o resultado de uma eleição ao promover posts do Upworthy [um site que agrega conteúdo viral] duas semanas antes de os cidadãos irem às urnas? Isso seria legal?”

Alega-se também que o Facebook possa ter quebrado normas éticas e legais, ao não informar seus usuários que estavam sendo manipulados no experimento, realizado em 2012.

A rede afirmou que alterar o feed de notícias foi “consistente com a política de uso de dados do Facebook, com a qual usuários devem concordar antes de criar uma conta no Facebook, constituindo consentimento informado para esta pesquisa”.

Mas Susan Fiske, acadêmica de Princeton que editou o estudo, disse estar preocupada. “As pessoas devem ser avisadas quando vão participar de estudos e concordar com isso, além de terem a opção de discordar sem serem penalizadas.”

James Grimmelmann, professor de Direito da Maryland University, disse que o Facebook não obteve “consentimento informado”, segundo os padrões definidos pela política federal dos EUA para a proteção da subjetividade das pessoas. A lei demanda explicação sobre os propósitos da pesquisa e a duração estimada de participação do indivíduo, uma descrição de quaisquer riscos razoavelmente previsíveis e uma confirmação de que o envolvimento é voluntário. “Este estudo é um escândalo porque trouxe as práticas problemáticas do Facebook a um reino - a academia - onde ainda temos como padrão tratar pessoas com dignidade e servir ao bem comum”, disse em seu blog.

Não é novidade para as empresas de internet usar algorítimos que selecionam o conteúdo que mostram aos seus usuários. Jacob Silverman, autor do livro Terms of Service: Social Media, Surveillance, and the Price of Constant Connection (em tradução livre, “Termos de serviço: mídias sociais, vigilância e o preço da conexão constante”), disse à revista Wired, no domingo, que a internet já é “uma coleção ampla de estudos de pesquisa de mercado; nós somos os objetos”.

“O que é perturbador sobre como o Facebook agiu sobre isso, entretanto, é que eles essencialmente manipularam os sentimentos de centenas de milhares de usuários sem pedir permissão”, disse. “As coisas com as quais o Facebook mais se importa são as seguintes: envolvimento e publicidade. Se o Facebook, digamos, decide que filtrar nossos posts negativos ajuda-o a manter as pessoas felizes e clicando, há pouco motivo para pensar que eles não irão fazê-lo. Enquanto a plataforma se mantiver na condição de um filtrador tão decisivo - e conservar seus algorítimos completamente opacos - nós devemos ficar cautelosos com o poder e confiança que delegamos a ele.”

Robert Blackie, diretor digital da agência de marketing Ogilvy One, disse que a maneira que as empresas de internet filtram informações que mostram a seus usuários é fundamental para seus modelos de negócio, o que as faz relutantes para abri-los.

“Para garantir aceitação continuada de público, estas empresas terão que rediscutir tal questão de maneira mais aberta no futuro”, ele disse. “Será preciso introduzir ou críticos independentes, capazes de analisar o que elas fazem, ou regulação governamental. Se o Facebook e similares não compreenderem isso, as pessoas ficarão relutantes ao utilizar seus serviços, o que é potencialmente um grande problema de negócios.”

* Publicado no jornal The Guardian. Tradução de Gabriela Leite.

COPA DO MUNDO - Eles "sugaram pouquinho".

Globo e Ronaldo “sugaram pouquinho”

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Eis que Ronaldo Fenômeno agora diz que “nunca criticou” a organização e parece ter vergonha de ter tido vergonha.
Isso após ficar uma semana aparecendo nos jornais alternando críticas à Copa do Mundo com declarações de amor a Aécio Neves.

E a Globo?

A Globo fez a mesma coisa. Ontem, surpreendeu o país ao dar uma página inteira para uma matéria intitulada “Bem na foto”, em que acusa a imprensa estrangeira de “pessimismo”. Fez a mesma coisa ontem no Jornal Nacional.
A imprensa estrangeira?

Todo mundo sabe que a imprensa internacional, infelizmente, bebe na imprensa local. Os jornalistas americanos, alemães, ingleses, lêem a nossa mídia, porque não sabem, como a gente sabe, de sua parcialidade quase histérica contra tudo de bom que possa acontecer no Brasil de Lula/Dilma. Para ela, o Brasil parou no “Plano Real”.

Então me lembrei do conselho de Aécio Neves para os partidos da base aliada de Dilma.

“Suguem mais um pouquinho e venham para nosso lado”, disse ele.

É o modus operandis deste ser híbrido com várias cabeças: uma cabeça é o PSDB, outra a mídia, a outra fala com sotaque gringo.

Eles “sugaram um pouquinho” os protestos contra a Copa para tentar obter lucro político.

Não ajudaram em nada. Não investiram um centavo, só ganharam, e mesmo assim só promoviam o caos, a desorganização e o fracasso.

Quantos bilhões o Brasil não perdeu em turistas – e provavelmente os com maior poder aquisitivo – que deixaram de vir ao Brasil com medo do terrorismo insuflado por nossa mídia?

Fizeram sensacionalismo com tudo, ao invés de informar o povo brasileiro com reportagens objetivas sobre como seriam os estádios, e entrevistas com as autoridades responsáveis, para sabermos o que estava sendo feito.

É ridículo chamar o que está acontecendo de “milagre”.

Milagres não existem.

Se a Copa está dando certo é porque o Brasil se preparou para isso. E se há surpresa é porque a mídia não informou corretamente a sociedade sobre esses preparativos.

Eles sugaram um pouquinho depois “vieram para nosso lado”, para o lado do Brasil, para o lado da Copa.

E agora fazem festa, dizem que a Copa está maravilhosa, que é a melhor do mundo.

Na verdade, eles estão “sugando um pouquinho” de novo, como sugeriu Aécio Neves, para ir para outro lado assim que terminar o evento.

Só que eles “sugaram” tanto que há o risco de se engasgarem.

SAÚDE - Mais médicos supera meta.

Mais Médicos supera meta; PSDB adoece!

Por Altamiro Borges
No programa “Café com a Presidenta”, nesta segunda-feira (30), Dilma Rousseff anunciou que o programa “Mais Médicos” superou as metas de cobertura e já beneficia 50 milhões de pessoas em todo o Brasil. Para ela, esta é uma das mais importantes conquistas dos brasileiros nos últimos anos. O plano inicial previa atingir 46 milhões de pessoas. Animada com os resultados, a presidenta informou que todos os pedidos dos prefeitos foram atendidos e que o programa já está presente em 3.819 municípios. São 14.462 médicos (brasileiros e estrangeiros) atuando em postos de saúde no país. “O Mais Médicos é uma das nossas ações que aumenta a capacidade de atendimento do SUS [Sistema Único de Saúde]”, festejou.

A presidenta lembrou que “muitas cidades não tinham sequer um médico. A pessoa que precisasse de atendimento tinha que se deslocar para outra cidade, às vezes, a dezenas e dezenas de quilômetros de distância – de carro, de ônibus e até mesmo de barco, algumas iam a pé”. Graças ao programa de atendimento básico houve redução de 21% do número de encaminhamentos a hospitais, segundo pesquisa feita pelo Ministério da Saúde. “Quando a gente trata o problema de saúde lá na base, lá no posto de saúde do bairro, a gente trata as doenças no início. Assim, você consegue controlá-las e até curá-las. E isso desafoga os hospitais e os serviços de urgência”.
Dilma Rousseff ainda destacou que a oferta de vagas em cursos de medicina está aumentando. O programa prevê a criação de 11,5 mil vagas em cursos de graduação até 2017. Para residência médica – quando um profissional se especializa em determinada área da medicina - serão criadas mais 12,4 mil vagas até 2018. "Uma coisa importante é que a maior parte dessas vagas está também sendo criada em cidades do interior. Essa é uma estratégia fundamental para fixar os médicos na própria região onde são formados. Isso faz parte do nosso esforço de descentralizar a graduação e a especialização de médicos, que antes só se formavam nos grandes centros urbanos, em especial nas regiões Sul e Sudeste.”

O anúncio da superação da meta deve adoecer vários demotucanos – como Álvaro Dias e Ronaldo Caiado. Eles fizeram de tudo para bombardear o programa, inclusive incentivando protestos agressivos contra a chegada de médicos estrangeiros. Chegaram a explorar o anticomunismo mais tacanho para atacar profissionais cubanos reconhecidos internacionalmente por sua competência no tratamento básico de saúde. Alegaram que não havia necessidade de mais médicos no país, apesar de um levantamento do Tribunal de Contas da União, divulgado em abril, ter constatado que a falta de médicos é o principal problema enfrentando por 81% dos hospitais do Brasil. A histeria oposicionista, porém, foi derrotada.

Recente pesquisa do Datafolha confirma que 70% dos entrevistados – beneficiados pelo programa – consideram o atendimento ótimo ou bom e duas em cada três pessoas aprovam a decisão de trazer médicos formados fora do Brasil para melhorar o atendimento médico na rede pública. Na região Nordeste, a iniciativa do governo é aprovada por 72% dos beneficiados. O programa “Mais Médicos” será uma das principais vitrines da campanha pela reeleição da presidenta Dilma Rousseff. O que a mídia tucana escondeu até hoje poderá ser exposto nos programas de rádio e tevê da candidata. Muitos tucanos ficarão doentes de raiva e inveja! Talvez procurem algum médico cubano!