sexta-feira, 1 de agosto de 2014

POLÍTICA - Mentiras eleitorais.

Correio da Cidadania
 
 
Adital
 
 
Por Paulo Metri

1. Os governos do PT foram os mais corruptos do Brasil

Algumas denúncias, lembradas porque povoaram as manchetes dos jornais, sem se garantir que eram corrupções, são os casos da Panair, Lutfalla, Delfim, mandioca, Jorgina de Freitas, anões do orçamento, SIVAM, Mesbla, Encol, de diversos bancos, como o Banestado, o Econômico, o Nacional, o Noroeste, o Santos, o Marka e o Fonte Cindam. Têm-se também os escândalos do BNH, Capemi, Transamazônica, IRB, fundos de pensão, Correios, Luiz Estevão, Celso Daniel, Toninho do PT, SUDAM, SUDENE, bingos, propinoduto, sanguessugas, gang dos fiscais de São Paulo, vampiros da saúde, os "mensalões” do PT, do PSDB mineiro e do DEM de Brasília e os recentes escândalos de Abreu Lima e da Siemens e Alstom. Esta lista não tem a pretensão de ser exaustiva.
Raymundo Faoro disse que "a corrupção é um vício herdado do mundo ibérico, resultado de uma relação patrimonialista entre Estado e Sociedade”. Isto não significa que a sociedade deve aceitar a corrupção como uma fatalidade histórica. Pelo contrário, cada vez mais, devem ser aprimorados os mecanismos de inspeção das aplicações públicas e penalizados os comprovados culpados de desvios, inclusive para inibir novas ocorrências. Esta lista e a citação de Faoro são trazidas para lembrar que a corrupção no nosso país, infelizmente, existe há anos e atravessou diversos governos.
No meu julgamento, as corrupções campeãs ocorreram no governo FHC e corresponderam às privatizações, inclusive com a aparência de serem transações justas. Para conseguir a proeza, precisou-se do rolo compressor da mídia do capital, a subordinação de um Congresso espúrio para a elaboração de leis prejudiciais à sociedade, o uso de força desmedida e leis draconianas para contenção dos movimentos sociais e, para culminar, tudo isto com o beneplácito de uma justiça injusta. Só a Vale, que valia no mínimo US$ 100 bilhões, foi passada para mãos privadas pela bagatela de menos de US$ 4 bilhões. As empresas de telefonia, que, segundo o ministro Sergio Motta, no início do processo de privatização, valiam em torno de US$ 40 bilhões, foram privatizadas por menos de US$ 20 bilhões. Ainda, neste governo, foram privatizadas todas as empresas rentáveis de distribuição de energia elétrica e algumas de geração, além de outras.
Assim, olhando a ordem de grandeza dos valores relacionados com supostos desvios dos governos FHC e petistas, pode-se constatar que, no período tucano, segundo as denúncias, se desviava do patrimônio público dezenas de bilhões de dólares. Por outro lado, na melhor estimativa, o tão badalado e nunca provado "mensalão” não chegou a desviar uma centena de milhões de dólares, ou seja, se tudo isto for verdade, os petistas trabalhavam no varejo, enquanto os tucanos atuavam no atacado.

2. O pibinho do governo Dilma

É verdade que o PIB deste governo não é dos mais altos. Mas a mídia do capital insiste em ressaltar o insucesso do PIB que, comparativamente com o de outros países, não é tão ruim assim. Entretanto, muito pior que isto é o fato que um grande aumento do PIB pode não acarretar aumento algum do bem-estar social, que deve ser o objetivo principal de qualquer governo. Então, as manchetes deveriam estar mais preocupadas com a melhoria do bem-estar social da população e, não, com o aumento do PIB.
Um país pode ter um alto PIB, graças à atuação de empresas estrangeiras, que remetem seus lucros para o exterior, e de uma oligarquia empresarial, que não está sendo obrigada a distribuir sua renda. Assim, o povo não irá usufruir do alto crescimento do PIB, por estar ocorrendo em paralelo um acréscimo da concentração de renda.
Contudo, a nossa mídia corrupta frisa diuturnamente sobre o desempenho do PIB e nada sobre a inserção social inusitada dos governos do PT. O candidato Campos, que serve como auxiliar da candidatura do Aécio, pois aumenta o número de discursos contra o governo Dilma, sem ter chance de sucesso próprio, alegou sem nenhuma base que o país estará pior ao final do segundo mandato da presidente. Tal afirmação está em total desacordo com a inserção social conseguida por ela no primeiro mandato. É curioso que este candidato esteve como aliado em cerca de 90% do governo Dilma e, agora, descobriu que ela não serve. Entre ele e o Aécio, viva o último, pois pelo menos é coerente. Foi oposição ao governo Dilma o tempo todo.

3. O governo é culpado da derrota no futebol

A presidente não escolhe a comissão técnica, não convoca os jogadores, não define a tática de cada jogo. Assim, como ela pode ser a culpada da seleção brasileira ter atuado mal? Esta acusação só pode ser para enganar as pessoas mais inocentes da nossa sociedade, o que é uma maldade, ou para atuar sobre os supersticiosos.

4. As vaias e os xingamentos recebidos pela presidente Dilma no Itaquerão mostram a revolta do povo contra ela

A suposição que os mal-educados do Itaquerão são uma amostra representativa da sociedade brasileira é interessante para as mentes corrompidas e corruptoras dos editores da mídia do capital, servindo para iludir os incautos, bombardeando-os com notícias falsas ou falsamente interpretadas. O intento desta mídia é que os menos esclarecidos politicamente irão decidir em quem votar a partir do que uma suposta maioria estaria preferindo, inclusive a partir das falsas teses disseminadas: um governo corrupto, que não faz o país crescer, dá azar no futebol etc. Obviamente, a suposta maioria não é, pelo menos de início, verdadeira, se tratando de uma "maioria inventada”, que se deseja transformar em maioria real. Ou seja, a mídia do capital conta em fazer uma espécie de "arrastão das intenções” e, desta forma, conseguir que o povo vote contra si próprio.

5. O viaduto que tombou em BH é culpa do governo federal e nada é comentado sobre o viaduto de Cubatão

Uma parte de um viaduto tombou em Minas Gerais, em 3 de julho, com grande estardalhaço na mídia do capital. Apesar de atribuírem, no primeiro momento, que se tratava de obra do governo federal, sua execução era, na verdade, de competência da prefeitura de Belo Horizonte. Em compensação, a notícia de uma viga do viaduto do anel viário de Cubatão, que desabou em 10 de julho, saiu escondida em páginas internas dos jornais do capital. A diferença de tratamento é porque esta obra é de responsabilidade do governo do estado de São Paulo.

Conclusão

A candidata Dilma tem também seus erros, mas em comparação aos dois extremos neoliberais, ela se torna a única opção para um eventual segundo turno. O que está ocorrendo nesta eleição, como em outras do passado, é uma enorme luta de classes. Tenho medo que os incluídos na sociedade durante os mandatos petistas não saibam bem porque tiveram suas vidas melhoradas. Os políticos sem ética, representantes do capital, para conquistarem votos, enganam eleitores, enxovalham reputações e fazem acordos prejudiciais à sociedade. Infelizmente, os políticos que querem expandir a inclusão social não têm a mesma facilidade de acesso ao povo, devido à dominação da mídia tradicional pelo capital. Enfim, a batalha midiática, que está sendo travada, é injusta para com o povo e o capital a está ganhando.
[Paulo Metri é conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania. Blog do autor: http://www.paulometri.blogspot.com.br/]

Correio da Cidadania

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MASSACRE DOS PALESTINOS - Documentário sobre as raízes do conflito.


O conflito entre Israel e Palestina volta a ser assunto internacional devido à ofensiva israelense ocorrida este mês contra civis palestinos. O resultado disso é um massacre de pessoas inocentes, o que tem causado perplexidade e revolta em escala mundial. Diante desse cenário, o documentário "Por trás do ódio: as raízes do conflito” [Detrás del ódio: las raíces del conflicto] se mostra atual e pertinente, pois relembra as origens dessa guerra e aborda as tentativas frustradas de um acordo de paz, entre os ex-líderes israelense, Ariel Sharon, e palestino, Yasser Arafat, à época da produção do documentário.
O conflito, que já ceifou milhares de vidas em ambos os lados, possui origens religiosas, porém as dimensões dessa guerra, agora, vão mais além, existem muitos mais interesses internacionais políticos envolvidos.
O documentário inicia com uma introdução sobre as origens da peregrinação na considerada Terra Santa e fala sobre os motivos das disputas e guerras por esse território, considerado sagrado para as religiões judaicas, muçulmana e cristã. A criação do Estado de Israel, a peregrinação dos judeus, o holocausto e os atentados sofridos por Israel por parte de cinco nações árabes são apresentados e debatidos por lideres políticos por meio de depoimentos.
O filme possui imagens antigas de atentados terroristas na Palestina e em Israel, traz declarações de civis e lideres políticos e aponta os possíveis motivos entre o ódio entre palestinos e judeus.
"Por trás do ódio: as raízes do conflito” é uma produção de 2003, porém torna-se atual, tendo em vista que conflito voltou a chamar atenção mundial em virtude, principalmente, do massacre de civis palestinos promovido pelo exército israelense.
Para assistir o documentário acesse:
http://vk.com/video_ext.php?oid=184032264&id=163325896&hash=a10eec690ed9b2ce&hd=1
Ficha técnica
Título: As raízes de conflito
Ano: 2003
Duração: 46 minutos
Áudio: Espanhol
Fonte: Adital

MÍDIA - A Folha finge que é imparcial.



A Folha de São Paulo finge que é imparcial

Ilustração no Facebook do PT


Parte final do artigo de autoria de Ricardo Amaral "Aécio Mente!"

Por que a Folha publicou a matéria do Aecioporto?
1)
Porque a imprensa brasileira vive sua maior crise de credibilidade desde o êxito da Copa. Atolou-se na pauta da oposição e precisa mostrar alguma independência ao público lesado. O custo-benefício da operação favorece o jornal, que não vai trocar de candidato.

2)
Porque a FSP sempre agiu assim: eventualmente bate em um aliado, mas não abre mão de cobrir o PT deforma sistematicamente crítica. Essa é a diferença de tratamento, disfarçada por matérias pontuais para sustentar suposta “isenção”.

3)
Porque precisa dizer ao seu candidato (a quem considera o futuro presidente) que a FSP não é oEstado de Minas: “Tu és nosso, mas não somos tua”. É um chega pra lá preventivo em dona Andréa Neves. Só quem pode mandar na Folha é o Serra, que por sinal também deve ter sido surpreendido, pois a pauta veio de Minas.

4)
Porque pretendeu fazer uma operação cirúrgica sobre um tema explosivo. Deu manchete no impresso, mas escondeu o caso na home do UOL, que é a verdadeira metralhadora da casa. Manteve o assunto em pauta, mas não foi a Montezuma. O editorial ambivalente de domingo é apenas isso: um editorial ambivalente.

O PT pode esperar por pancadaria brava daqui em diante, mas ficou no direito de reivindicar isonomia: o espaço que a FSP e o Jornal Nacional deram para Aécio Neves se defender é maior do que tudo que já se deu aos petistas acusados de qualquer coisa nos últimos tempos.

Massacre dos palestinos - "Israel utiliza métodos dos nazistas para criar vítimas"


29.07.2014
[ Mundo ]

Sul 21
Adital
Por Débora Fogliatto


Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Um dos mais conhecidos teólogos do Brasil, Leonardo Boff é um nome, atualmente, aclamado em todo o mundo, mas que já foi muito marginalizado dentro da própria Igreja em que acredita. Nos anos 1980, o então frade foi condenado pela Igreja Católica pelas ideias da Teologia da Libertação, movimento que interpreta os ensinamentos de Jesus Cristo como manifesto contra as injustiças sociais e econômicas.
Aos 75 anos, Boff é um intelectual, escritor e professor premiado e respeitado no país, cuja opinião é ouvida por personalidades, como o Papa Francisco e os presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff. Nesta entrevista ao Sul21, concedida durante sua vinda a Porto Alegre (Estado do Rio Grande do Sul), Boff fala do momento atual da Igreja Católica, critica os religiosos que usam o Evangelho para justificarem ideias retrógradas ou tirarem dinheiro dos fiéis, tece comentários sobre a situação no Oriente Médio, aborto, violência e sobre a crise ecológica e econômica mundial.
As duas estão profundamente interligadas: como explica Boff, o capitalismo está fundado na exploração dos povos e da natureza. "Esse sistema não é bom para a humanidade, não é bom para a ecologia e pode levar eventualmente a uma crise ecológica social, com consequências inimagináveis, em que milhões de pessoas poderão morrer por falta de acesso à água e alimentação”, afirma ele, que é um grande estudioso das questões ligadas ao meio ambiente.
Sul21 – Nos anos 1980, por causa dos ideais defendidos pela Teologia da Libertação, o senhor foi condenado a um ano de silêncio obsequioso e sofreu várias sanções, que acabaram sendo amenizadas diante da pressão social sobre a Igreja Católica, mas que o fizeram abandonar o hábito. O senhor acredita que, atualmente, a Igreja agiria da mesma forma?
Leonardo Boff – Não. O atual Papa diz coisas muito mais graves do que eu disse no meu livro "Igreja: carisma e poder”, que foi objeto de condenação. Se ele tivesse escrito isso, teria sido condenado. Eu disse coisas muito mais suaves, mas que afetavam a Igreja. Dizia que a Igreja não respeitava os direitos humanos, que é machista, tem um conceito de poder absolutista e absolutamente superado, sem limites.
Os tempos mudaram e, graças a Deus, temos um Papa que pela primeira vez, depois de 500 anos, responde à reforma, responde a Lutero. Lutero lançou o que chamamos de Princípio Protestante, que é o princípio de liberdade. E esse Papa vive isso. E vive o Cristianismo não como um feixe de verdade a que você adere, mas como o encontro vivo com Jesus. Ele distingue entre a tradição de Jesus, aquele conjunto de ideais, tradições, e a religião cristã, que é igual a qualquer outra religião. Ele diz: "eu sou do movimento de Jesus”, e não da religião católica. Tais afirmações são escandalosas para cristãos tradicionais, mas são absolutamente corretas no sentido da Teologia, daquilo que nós sempre dizíamos e éramos perseguidos por isso.
E eu fico feliz que a Igreja não é mais uma instância que nos envergonhe, mas sim uma instância que pode ajudar a humanidade a fazer uma travessia difícil para outro tipo de sociedade, que respeite os direitos da natureza, da Terra, preocupada com o futuro da vida. Eu mesmo tive contato com o Papa e o tema central dele é vida. Vida humana, da terra, da natureza. E nós temos que salvá-la, porque temos todos os instrumentos para destruí-la.
"Pregar na África que é pecado usar a camisinha, em lugares onde metade da população sofre de Aids, é cometer um crime contra a humanidade. Foi o que o papa Bento XVI disse várias vezes.”

Sul21 – O senhor acredita que a Igreja Católica, sob a orientação do Papa Francisco, vai, efetivamente, renunciar a alguns temas tratados como tabu, como a união homossexual?
Leonardo Boff – Ainda não sabemos bem a opinião dele. Ele diz: "quem sou eu para julgar?”, no fundo diz para respeitar as pessoas. Ele vai deixar haver uma grande discussão na Igreja sobre a questão do divórcio e dos homossexuais, sobretudo a moral sexual cristã, que é extremamente rigorosa e restrita, em alguns casos, é criminosa. Por exemplo, pregar na África que é pecado usar a camisinha, em lugares onde metade da população sofre de Aids, é cometer um crime contra a humanidade. Foi o que o papa Bento XVI disse várias vezes. Eu acho que o Francisco é mais que um Papa, é um projeto de mundo, projeto de Igreja, ele se dá conta de que a humanidade é uma, está sob risco e temos que nos unir nas diferenças para superarmos a crise.
Acho que a grandeza desse Papa não será ele definir as coisas, mas deixar que se discutam. E eu acho que ele vai respeitar as pessoas, porque a maioria não é homossexual, ou homoafetivo, por opção. As pessoas se descobrem homoafetivas. E ele vai dizer: "ande dentro de Deus, não se sinta excluído”. Vai dizer que (os homossexuais) são tão filhos de Deus quanto os outros. E daí respeitar. Talvez ele diga "não chame matrimônio, que é um conceito canônico”. Mas uma união responsável, que merece a benção de Deus, e que tenha uma proteção jurídica, que tenha seu lugar na Igreja, que possam frequentar os sacramentos. Esse, seguramente, vai ser o caminho dele.
Sul21 – E, com essas posições do Papa Francisco, o senhor acha que Igreja Católica talvez consiga recuperar fiéis diante do avanço das igrejas evangélicas?
Leonardo Boff – Esse Papa não é proselitista e diz, claramente, que o Evangelho deve atrair pela sua beleza, seu conteúdo humanitário. Ele não está interessado em aumentar o número de cristãos, em fazê-los voltar. Está interessado em que as pessoas, com a situação confessional que têm, se coloquem à disposição do serviço da humanidade, das coisas boas que a humanidade precisa.
É aquilo que nós chamamos de "ecumenismo de missão”. Estamos divididos, é um fato histórico, mas não é uma divisão dolorosa. Porque cada um tem seus antros, profetas e mestres. Mas como nós juntos nos reconhecemos nas diferenças e juntos vamos apoiar os sem terra, os sem teto, os marginalizados, as prostitutas. Esse serviço nós podemos fazer juntos.

"Ninguém é a favor do aborto em si, as mulheres que fazem aborto não pediram por isso. Mas, muitas vezes, passam por situações tão delicadas que precisam tomar essa decisão”.
Sul21 – Muitas pessoas usam a religião para justificarem opiniões conservadoras, machistas e homofóbicas. Qual a sua opinião sobre essas posições?

Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Leonardo Boff – Há o exemplo concreto do aborto nas últimas eleições. Isso mobilizou as igrejas, foram até o Papa, fizeram pressão sobre os fiéis. Eu acho que é uma falsa utilização da religião. A religião não foi feita para isso. E todos devem reconhecer, e são obrigados a reconhecer, pela Constituição, que há um Estado que é laico. Então, essas pessoas pecam contra o princípio fundamental da democracia, não são democratas. Eles podem ter a opinião deles, mas não podem impô-la. É muito fácil a posição deles, é salvar a criancinha. E depois que salvou ela está na rua, abandonada, passando fome e morrendo. E nem têm compaixão pelas mais de 100 mil mulheres que morrem por ano por causa de abortos malfeitos. São pessoas que pecam contra a democracia e contra a humanidade, o senso humanitário. Ninguém é a favor do aborto em si, as mulheres que fazem aborto não pediram por isso. Mas, muitas vezes, passam por situações tão delicadas que precisam tomar essa decisão.
O que eu aconselho e o que muitos países fizeram, inclusive Espanha e Itália, que são cristianíssimas e permitiram o aborto, pediram que houvesse um grupo de acompanhamento, que converse com a mulher e explique o que significa. E deixar a decisão a ela, se ela decidir vamos respeitar a decisão. Mas ela faz com consciência. Isso eu acho que seria democrático e seria responsável diante da fé, você não renuncia à sua fé, mas respeita a consciência, que é a instância última a que responde diante de Deus.
"Então eles têm um país que foi vítima do nazismo e utiliza os métodos do nazismo para criar vítimas. Essa é a grande contradição.”

Sul21 – Algumas igrejas aqui cobram dízimo dos fiéis; muitas vezes, dizem que para agradecer a Deus as pessoas têm que pagar as igrejas. Qual a sua opinião e como a teologia da libertação vê essa prática?
Leonardo Boff – São igrejas do chamado "Evangelho da prosperidade”, dizem que você dá e Deus te devolve. Eu acho que é um abuso, porque religião não foi feita para fazer dinheiro. Foi feita para atender às dimensões espirituais do ser humano e dar um horizonte de esperança. Agora, quando a igreja transforma a religião num poder econômico, como a Igreja Universal do Reino de Deus, que, em Belo Horizonte [Estado de Minas Gerais], tem um shopping ao lado, chamado de "o outro templo”, que é o templo do consumo, e, depois do culto, as pessoas são instruídas a comprarem. Para mim, é a perversão da religião. Inclusive, acho que é contra a Constituição utilizar a religião para fins não naturais a ela. Eu combato isso, sou absolutamente contra. Porque isso é enganar o povo, é desnaturar e tirar o caráter espiritual da religião. A religião tem que trabalhar o capital espiritual, e não o material.
Sul21 – E em relação a essa crise violenta entre Israel e a Faixa de Gaza, em que o Estado de Israel já matou centenas de pessoas, como o senhor acha que o resto do mundo deveria agir em relação a isso? O Papa poderia ser uma pessoa a mediar o conflito?
Leonardo Boff – Esse Papa é absolutamente contemporâneo e necessário. Acho que é o único líder mundial que tem audiência e, eventualmente, poderia mediar essa guerra de massacre criminosa que Israel está movendo contra Gaza.
E eu acho que grande parte da culpa é do Obama [Barack Obama, presidente dos Estados Unidos], que é um criminoso. Porque nenhum ataque com drones (avião não tripulado) pode ser feito sem licença pessoal dele. Estão, usando todo tipo de armas de destruição, fecharam Gaza totalmente, ficou um campo de concentração, e vão destruindo. Então, eles têm um país que foi vítima do nazismo e utiliza os métodos do nazismo para criar vítimas. Essa é a grande contradição.
E os Estados Unidos apoiam, o Obama e todos os presidentes são vítimas do grande lobby judeu, que tem dois braços: o braço dos grandes bancos e o braço da mídia. Eles têm um poder enorme em cima dos presidentes, que não querem se indispor e seguem o que dizem esses judeus radicais, extremistas e que se uniram à direita religiosa cristã. Isso está aliado a um presidente como Obama, que não tem senso humanitário mínimo, compaixão para dizer "acabem a matança”.

"Mas tudo o que dá sentido humano não entra no PIB: o amor, a solidariedade, a poesia, a arte, a mística, os sábios. Isso é aquilo que nos faz humanos e felizes.”

Sul21 – Qual a sua avaliação da atual disputa para a Presidência da República?
Leonardo Boff – Notamos que é uma disputa de interesses de poder. Não se discute o projeto Brasil, se discute poder. O que eu acho lamentável porque não basta ter poder, o poder é um meio. Eu vejo que há duas visões de futuro. Uma é mais progressista, que é levada pelo atual governo. E eu torço que ele ganhe. Mas ganhar para avançar, não reproduzir agenda. Ele atingiu uma agenda, que é o primeiro passo, de incluir milhões de pessoas, que têm agora direito de consumir o mínimo de comida, ter geladeira, casa, luz. Isso é direito de todo cidadão. Essa etapa eu acho que o governo cumpriu e bem. Mas, agora, vem uma nova etapa, porque o ser humano não tem só fome de pão. Tem fome de escola, beleza, lazer, participação na vida social, dos espaços públicos.
E há os que querem impor aquilo que está sendo imposto e não está dando certo na Grécia, em Portugal, na Itália, na Irlanda, que é o neoliberalismo mais radical. Que, no fundo, é uma austeridade, é o arrocho salarial, aumentar o superávit primário, que é aquele bolo com que se paga os rentistas. Há a visão de futuro que quer enquadrar o Brasil nesse tipo de globalização, que é boa para o capital, porque nunca os capitalistas enriqueceram tanto. Tanto que, nos Estados Unidos, 1% tem o equivalente a 99% da população, enquanto, no Brasil, 5 mil famílias controlam o equivalente a 43% do PIB. São famílias da casa-grande, que vivem do capital especulativo.
Acho que nós temos que vencer esse projeto, porque não é bom para o povo. Mesmo com todos os defeitos e violações de ética que houve, erros que o PT [Partido dos Trabalhadores] cometeu, ainda assim, o projeto deles é o mais adequado para levar adiante um avanço. Agora se for ganhar para avançar, porque, se for para reproduzir, dá no mesmo do que outro ganhar.
Sul21 – O senhor mencionou a crise econômica pela qual passam a Grécia, Espanha e países europeus que seguem o neoliberalismo. Há maneiras de reverter a crise?
Leonardo Boff – A Europa está tão enfraquecida e envergonhada que nem mais aprecia a vida. Aquilo que mais escuto em cada palestra, quando vou à Europa, é pessoas me pedindo "por favor, me dê esperança”. Quando um povo perde esperança, perde o sentido de viver. Isso acontece porque alcançaram tudo que queriam, dominaram o mundo, exploraram a natureza como quiseram, ganharam um bem-estar que nunca houve na História e, agora, se dão conta que são infelizes. Porque o ser humano tem outras fomes. Fome de amar e ser amado, de entender o outro, conviver, respeitar a natureza.
E tudo isso foi colocado à margem. Só conta o PIB. Mas tudo que dá sentido humano não entra no PIB: o amor, a solidariedade, a poesia, a arte, a mística, os sábios. Isso é aquilo que nos faz humanos e felizes. E essa perspectiva em que só contam os bens materiais poderá levar a humanidade a uma imensa tragédia. Dentro do sistema capitalista, não há salvação. Por duas razões. Primeiro porque nós encostamos aos limites da Terra. É um planeta pequeno, com a maioria dos recursos não renováveis. O sistema tem dificuldade de se autorreproduzir, porque não tem mais o que explorar. E, segundo, porque os pobres, que antes da crise que eram 860 milhões, pularam, segundo a FAO, para 1 bilhão e 200 milhões.
Então, esse sistema não é bom para a humanidade, não é bom para a ecologia e pode levar, eventualmente, a uma crise ecológica social, com consequências inimagináveis, em que milhões de pessoas poderão morrer por falta de acesso à água e alimentação. Esse sistema, para minha perversidade total, transformou tudo em mercadoria. De uma sociedade com mercado para uma sociedade de mercado, transformando alimentação em mercadoria. O pobre não tem dinheiro para pagar, então, ele passa fome e morre.
"Essa nova relação com a natureza e o mundo é o que precisamos desenvolver para ter uma relação que não seja destrutiva e possa fazer com que a humanidade sobreviva.”

Sul21 – O senhor se preocupa também com o avanço da extrema direita na Europa?
Leonardo Boff – É a reação normal quando há uma crise maior que alguns postulem soluções radicais. No caso da Europa, é a xenofobia. Mas são todos países que têm problema de crescimento negativo de população. A Alemanha tem que exportar 300 mil pessoas por ano para manter o crescimento mínimo de população, e, na França, a situação é parecida. Então, estão em uma dificuldade enorme, porque precisam deles, mas querem expulsá-los. Mas há o risco de que haja um processo que gerou a Segunda Guerra Mundial, que era fruto da crise de 1929, que nunca se resolvia, até que a direita criou o nazifascismo. Mas, hoje, o mundo é diferente, é globalizado. Não dá para resolver a questão de um país sem estar vinculado aos outros.
Sul21 – Os governos da América Latina oferecem uma alternativa a esse modelo europeu que está em crise?
Leonardo Boff – Muitos veem, como o (sociólogo português) Boaventura de Sousa Santos, que, na América Latina, há um conjunto de valores vividos pelas culturas originárias que podem ajudar a humanidade a sair da crise. Especialmente, com a característica central do bem-viver, que significa ter outra relação com a natureza, entender a Terra como mãe, que nos dá tudo que precisamos ou podemos completar com o trabalho. E inventaram a democracia comunitária, que não existe no mundo, é uma invenção latino-americana, em que os grupos se reúnem e decidem o que é melhor para eles, e o país é feito por redes de grupos de democracias comunitárias. Essa nova relação com a natureza e o mundo é o que precisamos desenvolver para ter uma relação que não seja destrutiva e possa fazer com que a humanidade sobreviva.
Há uma revisitação das culturas originárias, porque elas têm ainda respeito com a natureza, não conhecem a acumulação. São valores já vividos pelas culturas andinas, sempre desprezadas e hoje estudadas por grandes cientistas e sociólogos que percebem que aqui há princípios que podem nos salvar. Em vez de falar de sustentabilidade, respeitar os ritmos da natureza. Em vez de falar
de PIB e crescimento, garantir a base físico-química que sustenta a vida. Porque sem isso a vida vai definhando. E em vez de crescimento, redistribuição. É tanta riqueza acumulada que, se houvesse 0,1% de taxa sobre os capitais que estão rolando nas bolsas, estão na especulação, daria um fundo de tal ordem que daria para a humanidade matar a fome e garantir habitação. Porque o capital produtivo é de US$ 60 trilhões, enquanto o especulativo é US$ 600 trilhões. Então, é uma economia completamente irracional e inimiga da vida e da natureza. E não tem futuro, caminha para a morte. Ou nos levará todos para a morte, ou eles mesmos se afundarão.
"Nós não "temos violência” no Brasil, nós estamos sentados em cima de estruturas de violência. É um estado de violência permanente.”

Sul21 – E onde entra o papel do Brasil no âmbito ecológico? Os governos têm conseguido lidar com as questões ambientais?
Leonardo Boff – O Brasil é a parte do planeta mais bem dotada ecologicamente. Tem as maiores florestas úmidas, maior quantidade de água, maior percentagem de terrenos agriculturáveis no planeta. Mas não têm consciência de sua riqueza. E as políticas públicas não têm nenhuma estratégia de como tratar a Amazônia, tratar os vários ecossistemas. Sempre é em função da produção. Então, estão avançando sobre a floresta Amazônica e deflorestando para ter soja e gado.
E o Ministério do Meio Ambiente é um dos mais fracos, assim como o dos Direitos Humanos. Isso significa que não conta a vida, conta a economia. Eu acho lamentável isso. E essa crítica tem que ser feita pelos cidadãos. Dizer que apoiamos um projeto de governo, mas nisso discordamos. Porque é uma ignorância, uma irresponsabilidade, uma estupidez governamental. Muita coisa do futuro da humanidade passa por nós, especialmente água potável, que, possivelmente, será a crise mais grave, até mais do que aquecimento global. E o Brasil tem capacidade de ser a mesa posta para o mundo inteiro e fornecer água potável para o mundo inteiro. Acho que não temos consciência da nossa responsabilidade. Os governantes são vítimas ainda de uma visão economicista, obedecem às regras da macroeconomia. A nossa relação com a natureza não é de cooperação, é de exploração.
Sul21 – Como o Brasil pode lidar com o grave problema de violência urbana?
Leonardo Boff – O problema que deve ser pensado de que já agora 63% da humanidade vivem nas cidades, no Brasil, 85%. Não dá mais para pensar apenas na reforma agrária, tem que pensar como vão viver as pessoas. Nós vivemos no Brasil a vergonha de que todas as cidades têm um núcleo moderno, cercado por uma ilha de pobreza e miséria, que são as favelas. Esse é um problema não resolvido e, para mim, central na campanha: como trabalhar os 85% que vivem nas cidades, já perderam a tradição rural, de plantarem e viverem da natureza, e não assimilaram a cultura urbana. Então, são perdidos. Daí o aumento da criminalidade. E muitos dizem que a sociedade tem um pacto social que rege o comportamento dos cidadãos. Ou seja, "vocês nos excluíram, então, não somos obrigados a aceitar as leis de vocês, vamos criar as nossas”. As milícias do Rio criaram funções de Estado paralelas, criam sua organização e distribuição e o governo é impotente. E as UPPs não são a solução, porque criam ilhas e as drogas ficam às margens. O problema não é de polícia, é do tipo de sociedade que nós criamos, montada em cima do colonialismo, escravidão e etnocídio dos indígenas. Nós não "temos violência” no Brasil, nós estamos sentados em cima de estruturas de violência. É um estado de violência permanente.
Sul21 – E como o país pode fazer para fugir disso?
Leonardo Boff – Aquilo que já começou, parar de fazer políticas ricas para os ricos e pobres para os pobres, para fazer políticas de integração, inclusão, começando pela educação. Porque onde há educação a pessoa se habilita a se autodefender, buscar novas formas de sobrevivência. Um país que não investe em educação e saúde conta com pessoas ignorantes e doentes. E com essas pessoas não têm como dar um salto de qualidade. Para mim, esse é o grande desafio e isso deveria ser discutido nas campanhas, e não partidos. Desafiar todo mundo: "como vamos sair disso?”, porque tende a piorar cada vez mais. Essa seria uma política ética, digna, onde o bem comum estaria no centro e somaria forças, alianças de pessoas que se propõem a mudar as estruturas que sustentam um Estado injusto, que tem a segunda maior desigualdade do mundo. Desigualdade significa injustiça, que é um pecado social estrutural mortal. E isso não é discutido.

MEIO AMBIENTE - Não ao amianto.

Proíba a produção, comercialização e uso de produtos que contenham amianto no estado de Santa Catarina.

Proíba a produção, comercialização e uso de produtos que contenham amianto no estado de Santa Catarina.

    1. Ananelia Alves
    2. Abaixo-assinado por
      Florianópolis, Brazil
Você sabia que mais de 60 países já proibiram o uso do amianto? Isso porque já foi comprovado que esse mineral tem efeito cancerígeno em seres humanos - tanto para os trabalhadores das minas e das indústrias quanto para os consumidores que utilizam produtos que contêm amianto, como telhas e caixas d'água, entre outros. Há hoje disponível no mercado muitos outros materiais que podem substituir o amianto, sem risco para a saúde humana.
De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), a exposição ao amianto está relacionada à ocorrência de diversas doenças, como as fatais asbestose (conhecida como pulmão de pedra) e mesotelioma (chamado de câncer do amianto), além do câncer de pulmão, câncer de laringe, câncer do aparelho digestivo e câncer de ovário.
No Brasil, seis estados baniram o amianto: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Está na hora de Santa Catarina também fazer parte dessa lista!
Assine para exigir que nossos líderes na Câmara de Deputados transformem Santa Catarina em um estado livre dessa contaminação fatal!
Para:
Sra. Ângela Albino, Deputada líder de bancada
Sr. Aldo Schneider, Deputado líder de bancada
Sr. Ciro Roza, Deputado líder de bancada
Sr. Sargento Amauri, Deputado líder de bancada
Sr. Dado Cherem, Deputado líder de bancada
Sr. Narciso Parisotto, Deputado - líder de bancada
Sr.Joares Ponticelli, Deputado - Presidente da Assembleia Legislativa
Sra. Ana Paula Lima, Dep.líder de bancada e Presidente da Comissão de Turismo e Meio Ambiente
Sr. Volnei Morastoni (Deputado Presidente da Comissão de Saúde), Deputado Presidente da Comissão de Saúde
Proíba a produção, a comercialização e o uso de produtos que contenham amianto no estado de Santa Catarina.
Atenciosamente,
[Seu nome]

ECONOMIA - A ajuda do Brasil à Argentina.

“É mais barato o Brasil ajudar a Argentina agora do que sofrer depois”

Principal parceiro comercial da Argentina, o Brasil deveria assumir um protagonismo maior diante da crise do país vizinho, que ganhou contornos dramáticos durante a negociação com os fundos abutres, afirmam os especialistas ouvidos pelo EL PAÍS. Apesar de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter classificado, nesta quinta-feira, o impacto do calote argentino no curto prazo como “nulo”, os exportadores brasileiros continuam apreensivos com uma previsível queda na demanda pelos seus produtos, em meio a um cenário de forte desvalorização cambial e queda da atividade entre os hermanos.
A reportagem é de C. Jiménez, F. Rosas e P. Marcondes e publicada por El País, 31-07-2014.
A diplomacia brasileira e o Ministério da Fazenda deveriam sair a campo para encontrar uma alternativa, segundo Roberto Gianetti da Fonseca, presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Assim como os Estados Unidos ajudaram o México em 1995, e a Alemanha estendeu a mão para outros países da União Europeia na crise de 2009, cabe ao Brasil um papel de protagonista e mediador nesta situação atual”, avalia. “É mais barato ajudar a Argentina agora do que sofrer com a eventual crise que ela virá a sofrer depois deste momento”, completa.
Para Fonseca, é preciso mais do que discursos apoiando o Governo de Cristina Fernández de Kirchner nesta queda de braço com os credores internacionais. “Não sei a fórmula, mas o Brasil tem de encontrar uma forma criativa de resolver o problema, para ajudar a terminar o impasse em Nova York”, diz. “Agora é necessário ter essa confiança de líder regional para não deixar a Argentina entrar em default”, explica.
José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), segue a mesma linha. Segundo ele, o país poderia oferecer, a princípio, uma linha de crédito entre governos, porque no âmbito empresarial as limitações de liquidez seriam maiores. O objetivo inicial seria estancar os efeitos nocivos que o calote teria nas relações comerciais bilaterais. Os hermanos são atualmente os terceiros maiores parceiros comerciais brasileiros.
De janeiro a junho deste ano, as exportações brasileiras para a Argentina recuaram 20% ante o mesmo período de 2013 –a participação do país vizinho no total das vendas brasileiras ao exterior chegou a 6,7%, ante os 8,1% registrados nos primeiros seis meses do ano passado. A fim de pagar os seus credores e suprir as suas necessidades de financiamento, o Governo argentino se viu contra as cordas nos últimos anos, tendo de restringir as compras de produtos de outros países e gerar superávit –quando o valor arrecadado nas vendas ao exterior superam as importações.
Para piorar ainda mais as perspectivas, nesta quinta-feira uma segunda agência de classificação de risco rebaixou a nota argentina. A Fitch se juntou à Standard & Poor's e colocou os hermanos em situação de ‘default restrito’, refletindo o vencimento do prazo para que Buenos Aires chegasse a um acordo com os credores que se recusaram a negociar a dívida com descontos.
“Não podemos deixar de levar em consideração o papel que a Argentina tem nas relações comerciais com o Brasil, na condição de segunda força do Mercosul, e assim evitaríamos ainda a abertura de mais uma porta ao concorrente”, acrescentou Castro, em referência direta à crescente presença chinesa na América Latina.
Ainda de acordo com o presidente da AEB, não seria nada impossível um cenário em que Pequim ajudasse a financiar a Argentina, roubando espaço do Brasil nessa relação. “O país asiático quer entrar cada vez mais na região e poderia condicionar isso à compra de seus produtos”, avalia. “Isso dificultaria ainda mais o nosso comércio”, acrescenta. Esse papel, consequentemente, seria desempenhado pelo Brasil.
Já segundo o argentino Roberto Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), diferente do que ocorre com a maior parte das nações, as transações comerciais entra a Argentina e o Brasil são feitas por um mecanismo de compensação das moedas locais e não em dólar. Portanto, neste momento em que a Argentina enfrenta problemas em divisas norte-americanas – que devem prejudicar as importações de outras nações – as empresas brasileiras podem suprir o mercado do país vizinho. “É uma janela de oportunidades para as empresas brasileiras”, avalia Troster.
Até a véspera do anúncio do calote, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) confiava no sucesso da negociação entre os argentinos e os fundos abutres terminassem como êxito. “A Argentina é um mercado essencial para o Brasil, representa mais de 20% do que nós (o setor industrial) exportamos”, declarava José Augusto Coelho Fernandes, diretor de Política de Planejamento e Estratégias da entidade.
As empresas, no entanto, já se preparavam para as consequências do calote, de acordo com Fernandes. Entre os riscos, além da queda das vendas ao país vizinho, calculam eventuais problemas de recebimento de produtos já exportados. “As empresas estão sempre avaliando os cenários de riscos, como este. Isto faz parte do jogo”, comenta o dirigente da CNI.

POLÍTICA - A bolinha de papel do Aécio.

Confissão de Aécio: desgaste e covardia

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Finalmente, hoje, em artigo na Folha de S.Paulo, Aécio Neves admite que o Aeroporto de Cláudio, junto a sua fazenda, serviu para sua comodidade pessoal, em atividades rigorosamente privadas.
E que a obra (que entre contratos e desapropriação custou, em dinheiro de hoje, mais de R$ 20 milhões) que consumiu farto dinheiro público, por não homologada e sem controle público já há quatro anos, só teve mesmo a serventia de dar-lhe este privilégio.

Mais importante que a semi-confissão do candidato tucano é o que o levou a ela, 11 dias depois de revelado o escândalo pela própria Folha.
Depois de várias gaguejadas e diversos “de novo este assunto?” irritados, Aécio tomou essa iniciativa, sem sombra de dúvida, porque as pesquisas internas do tucanato revelaram o estrago que isso fez em sua campanha.

Não foi um ato de honestidade, de quem quer e pode sustentar as atitudes que tomou.

Fosse assim, não teria se evadido de dizer, antes, o que diz agora.

O fez por três fatores, todos sem qualquer dignidade.

O primeiro é que sabe que existem provas deste uso. Não se descarte, até, que tenha sofrido ameaças de que elas seriam reveladas.

O segundo é que só tomou esta atitude depois que as pesquisas eleitorais internas do PSDB mostraram que o estrago não apenas era grande como está se agravando à medida em que o conhecimento da situação se amplia.

O terceiro, mais grave e por isso capaz de continuar ceifando o seu prestígio e o respeito pessoal que possa ter, é o que se provou um homem moralmente covarde.

Precisou ser exposto diariamente às suas contradições e omissões – ou, pior ainda, ser ameaçado por alguém que tinha provas do uso do aeroporto – para confessar que fez, por diversas vezes, uso particular da pista que a ninguém mais servia.

Depois disso, quem acredita na já implausível afirmação de que a obra milionária se justificava pelo “grande pólo industrial” que é aquele município de menos de 30 mil habitantes? Ou que o negócio entre o Estado e o tio, que tinha os bens bloqueados, não foi bom pela família, até porque parte do depósito já foi levantado pela tia, num processo tumultuado de separação e com, inclusive, uma ação de interdição por um dos filhos?

Aécio abaixou o bico.

Diante da mentira que pregou, durante 11 dias, a todo o país e à imprensa, desqualificou-se moralmente para dizer qualquer coisa.

A confissão tardia e cínica não lhe perdoa, exatamente porque é tardia e cínica.

Ficou do tamanho que é: um herdeiro de oligarquias, que controla e uso o poder que o sobrenome foi lhe trazendo e que trata o exercício do poder com a mesma irresponsabilidade que lhe valeu a fama de playboy mimado.

Resta saber o que não fazer com ele: se é melhor deixar que o fracasso recaia sobre sua inconsistência moral ou se tentarão uma muito improvável nova via para disputar as eleições.

O aeroporto de Cláudio foi sua bolinha de papel.

E essa, sim, capaz de provocar um estrago imenso.

GEOPOLÍTICA - O cerco a Rússia.

Para entender bloqueios e sanções dos EUA e Europa contra a Rússia




A ampliação das sanções públicas aplicadas pelos Estados Unidos e União Europeia (UE) contra a Rússia, anunciadas neste meio de semana pelo presidente Barack Obama, têm caráter e objetivo duplos. Visam pressionar o presidente russo, Vladimir Putin, a aceitar o status-quo imposto à Ucrânia pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e pelos países europeus e, com um segundo objetivo mais dissimulado, impedir o desenvolvimento independente da Rússia, que ela se consolide e se estabilize não apenas como uma potência nuclear e militar, mas também econômica e tecnológica.
Este é o real e duplo objetivo da ampliação das sanções anteriores, que já vinham sendo aplicadas contra Moscou. Articuladas, aliás, com a participação pública e direta dos governos e das embaixadas da Alemanha e da Polônia – as mais ativas nessa empreitada – e do próprio secretário de Estado americano, John Kerry, na insurreição em Kiev que derrubou em maio pp. o governo pró-Rússia, constitucional e legitimamente eleito na Ucrânia.
Querem, também, impedir a consolidação e estabilização do governo Putim e de sua visão do papel que ele e seu país têm na Europa e na Ásia, nos Balcãs e no Oriente Médio. Assim, o objetivo, ainda que dissimulado, é evitar que a Rússia se consolide e se estabilize não apenas como uma potência nuclear e militar, mas econômica e tecnológica.
Objetivo é estrangular financeiramente a Rússia
Daí mais essa tentativa de estrangular financeiramente a Rússia,  através sanções a seus bancos e do bloqueio de seu acesso a tecnologias. Dessa forma esperam atingir e inviabilizar ou enfraquecer sua indústria de petróleo (inclusive a nascente, de gás de folhelhos e de xisto), de armas e de alta tecnologia.
Nem sempre a UE segue a política externa norte-americana, mas no caso e situação de agora, os dois têm interesses comuns. Até pelas relações de dependência da primeira do gás russo, e dos interesses comerciais de ambos com Moscou.
Por isso querem impedir, em definitivo, que a Rússia exerça liderança e alcance de novo o status da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).  Da mesma forma se explicam as pressões de Washington sobre os países europeus (como a Bulgária, para impedir a construção de um gasoduto alternativo ao que atravessa a Ucrânia), e as desencadeadas contra outros países para diminuírem o comércio e as relações com a Rússia – como comprova a questão iraniana.
Moscou pode e deve evitar que prevaleça a hegemonia americana
Mas, a Rússia pode e deve jogar um papel que evite a hegemonia norte-americana e sua supremacia colocadas a serviço de seus interesses econômicos e diplomáticos. Um papel que evite as guerras localizadas e as intervenções sem aval e aprovação da ONU em diferentes países e nações, como fazem os EUA e como assistimos na última década, todas fracassadas – Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, todos hoje em estado  de guerra civil e desagregação.
Com matizes e formas diferentes, o que assistimos na Ucrânia ou na Líbia, no Iraque ou na  Síria – como no passado vimos no Chile e mesmo no Brasil – são intervenções políticas e militares dos EUA para, sob argumentos humanitários e o pretexto de defender a democracia e a civilização ocidental,  impor o império do capital.
É por tudo isso que os EUA, aliados e o governo que montaram e sustentam em Kiev se recusam a discutir e a aceitar a única saída para o impasse na Ucrânia: a criação de uma federação com regiões autônomas, como chegou a propor a chanceler alemã Ângela Merkel no início da crise.
É por isso que, depois de realizarem nova eleição presidencial neste meio de ano, os partidos de direita e extrema-direita que assumiram o poder na Ucrânia romperam a coalizão e o governo convocou eleições de novo para o Parlamento. Mas, sem os comunistas e seus partidos, representantes das regiões de maioria russa que, assim, correm o risco de serem excluídas das listas para as eleições.

ISRAEL - Como funciona sua propaganda.

Patrick Cockburn: Uma aula sobre como funciona a propaganda de Israel



Perda de Território pelos Palestinos para Israel
Esquecer a História, o direito de retorno, onde ficam as fronteiras e o cerco a Gaza
O relatório secreto que ajuda os israelenses a encobrir atrocidades.

Como Israel fala sobre crimes de guerra.

PATRICK COCKBURN, no Counterpunch.org

Os porta-vozes de Israel têm um modelo para explicar como eles mataram mais de 1.000 palestinos na Faixa de Gaza, a grande maioria civis, enquanto apenas três civis foram mortos em Israel por foguetes e morteiros lançados pelo Hamas. Mas na televisão, no rádio e nos jornais, os porta-vozes do governo de Israel, como Mark Regev, se mostram mais engenhosos e menos agressivos do que seus antecessores, que eram visivelmente indiferentes à quantidade de palestinos mortos.
Existe um motivo para essa melhoria nas habilidades do trabalho de relações públicas dos porta-vozes israelenses. Observando o que eles dizem, o script que estão usando é um estudo profissional, bem pesquisado e confidencial sobre como influenciar a mídia e a opinião pública nos Estados Unidos e na Europa.
Ele foi escrito pelo especialista em pesquisas e estrategista político republicano Dr. Frank Luntz, um estudo encomendado há cinco anos pelo grupo chamado The Israel Project, que tem escritórios nos Estados Unidos e em Israel, para ser usado pelos que “estão na linha de frente da guerra por Israel na mídia”.
Todas as 112 páginas do manual foram marcadas com a frase “não é para ser distribuído ou publicado” e é fácil entender o motivo.
O relatório Luntz, oficialmente intitulado “The Israel project’s 2009 Global Language Dictionary” (Dicionário de Linguagem Global 2009 do Israel Project) foi vazado quase imediatamente para a Newsweek Online, mas sua verdadeira importância foi pouco avaliada.
Ele deveria ser leitura obrigatório de todo mundo, especialmente jornalistas, interessados em qualquer aspecto da política israelense em relação ao “o que fazer e o que não fazer” dos porta-vozes israelenses.
O texto é altamente esclarecedor a respeito do abismo que existe entre o que autoridades e políticos israelenses realmente acreditam e o que eles dizem, formatado em detalhes minuciosos por pesquisas de opinião para determinar o que os norte-americanos querem ouvir.
Certamente nenhum jornalista que entreviste um porta-voz israelense deve levar a entrevista adiante sem antes ler a prévia das muitas frases e temas empregados pelo Sr. Regev e seus colegas.
O livrinho está cheio de conselhos substanciais a respeito de como os porta-vozes devem adaptar suas respostas para diferentes públicos.
Por exemplo, o estudo diz que “os norte-americanos concordam que Israel ‘tem direito a uma fronteira que possa defender’. Mas não ajuda em nada definir exatamente onde deve ser essa fronteira. Evite falar sobre fronteiras em termos de antes ou depois de 1967, porque isso só serve para lembrar os norte-americanos da história militar de Israel”.
Particularmente com a esquerda, isso prejudica. Por exemplo, “o apoio ao direito de Israel de defender suas fronteiras cai de 89% para 60% quando você fala em termos de 1967”.
Que tal o direito de retorno dos refugiados palestinos que foram expulsos ou fugiram em 1948 e nos anos seguintes e que não podem voltar para suas casas?
Aqui o Dr. Luntz tem um recado sutil para os porta-vozes. Ele diz que “o direito de retorno é um assunto difícil para os israelenses tratarem com eficácia porque muito da linguagem israelense soa como o ‘separado mas igual’, vocabulário dos segregacionistas dos anos 50 e dos defensores do apatrtheid nos anos 80. [Nota do Viomundo: Trata-se do fato de que os palestinos são de segunda classe em Israel] O fato é que os norte-americanos não gostam, não acreditam e não aceitam o conceito de ‘separado mas igual’”.
Então, como os porta-vozes devem lidar com o que o guia admite ser uma questão difícil? Eles devem chamá-la de uma “reivindicação”, porque os norte-americanos não gostam de pessoas que reivindicam.
“Então diga ‘os palestinos não estão satisfeitos com seu próprio estado. Agora eles reivindicam território dentro de Israel’”.
Outras sugestões de respostas israelenses eficazes incluem dizer que o direito de retorno deve ser parte de um acordo final “em algum momento no futuro”.
O Dr. Luntz observa que os norte-americanos em geral temem imigrações massivas para os Estados Unidos. Então, mencionar “imigração em massa palestina” dentro de Israel não vai cair bem com eles. Se nada mais funcionar, diga que o retorno dos palestinos “atrapalharia o esforço de atingir a paz”.
O relatório Luntz foi escrito após a Operação Chumbo Fundido, de dezembro de 2008 a janeiro de 2009, quando 1.387 palestinos e nove israelenses foram mortos.
Ele tem um capítulo inteiro sobre “isolar o Hamas apoiado pelo Irã como obstáculo à paz”. Infelizmente, quando veio a Operação Margem Protetora, que começou no dia 6 de julho, os propagandistas israelenses tiveram um problema porque o Hamas se desentendeu com o Irã por conta da guerra na Síria e não teve mais contato com Teerã. Relações amigáveis foram retomadas apenas nos últimos dias – graças à invasão israelense.
Muitos dos conselhos do Dr. Luntz dizem respeito ao tom e à apresentação dos argumentos de Israel. Ele diz que é absolutamente crucial demonstrar empatia com os palestinos: “Convencíveis não querem saber o quanto você sabe mas o quanto você se preocupa. Mostre empatia com relação aos DOIS lados!”.
Isso pode explicar o fato de que um bom número de porta-vozes israelenses quase lastima os problemas dos palestinos, enquanto são martelados por bombas israelenses.
Em uma frase em negrito, sublinhada e em caixa alta, o Dr. Luntz diz que os porta-vozes ou líderes políticos israelenses não devem nunca justificar “o massacre deliberado de mulheres e crianças inocentes” e devem questionar agressivamente os que acusam Israel destes crimes.
Os porta-vozes israelenses se esforçaram para seguir essa recomendação quando 16 palestinos foram mortos em um abrigo da ONU na faixa de Gaza na quinta-feira.
Existe uma lista de palavras e frases a serem usadas e a lista das que devem ser evitadas. A campeã de todas: “A melhor maneira, a única maneira, de atingir uma paz duradoura é com o respeito mútuo”.
Acima de tudo, o desejo israelense de paz com os palestinos deve ser enfatizado todo o tempo. Isso é o que a grande maioria dos norte-americanos quer que aconteça. Mas qualquer pressão sobre Israel para que faça a paz pode ser reduzido dizendo “um passo de cada vez, um dia de cada vez”, o que será aceito como “uma abordagem de bom senso na equação terra-por-paz”.
O Dr. Luntz cita como exemplo de “entrevista israelense eficaz” uma que diz: “Eu particularmente quero me dirigir às mães palestinas que perderam seus filhos. Nenhum pai deve enterrar seu filho”.
O estudo admite que o governo israelense realmente não quer a solução dos dois estados, mas diz que isso deve ser mascarado já que 78% dos norte-americanos a querem. As esperanças de melhoria econômica para os palestinos devem ser enfatizadas.
O primeiro ministro Benjamin Netanyahu foi citado com aprovação por ter dito que “é hora de alguém perguntar ao Hamas: o que exatamente VOCÊ está fazendo para levar prosperidade ao seu povo?”.
Essa hipocrisia é inacreditável, depois de sete anos de cerco econômico de Israel que reduziram Gaza à pobreza e à miséria.
Em todas as ocasiões, a apresentação dos acontecimentos por parte dos porta-vozes israelenses é desenhada para dar aos norte-americanos e europeus a impressão de que Israel quer a paz com os palestinos e está preparada para fazer concessões para chegar lá, quando todas as evidências mostram o contrário. Apesar de não ter tido essa intenção, poucos estudos mais reveladores já foram escritos sobre a Israel moderna em tempos de guerra e de paz.
PATRICK COCKBURN é autor de “The Jihadis Return: ISIS and the New Sunni Uprising”.
Tradução de Heloisa Villela

POLÍTICA - Dilma e o banco Santander.


Santayana: Sem sorrisos, Dilma ficaria menos constrangida agora


Dilma e presidente do Santander
Dilma e o Santander
por Mauro Santayana, em seu blog
(Hoje em Dia) – Diz a sabedoria popular que frango que acompanha pato acaba morrendo afogado. Sempre estranhamos, ao longo dos últimos governos, a excessiva atenção reservada, pela classe política brasileira, para o que existe de pior no empresariado ibérico, em especial o oriundo da Espanha a partir dos anos 90.
Criou-se em nosso país, com a entrada de Madrid no Euro, a ilusão de que a Espanha, que passou a maior parte do século XX mergulhada em uma ditadura medieval e agrária, tivesse sido – pela simples troca da peseta por uma moeda mais valorizada – subitamente alçada ao desenvolvimento.
Nos séculos XIX e XX, em processo que vinha se consolidando desde a derrocada de sua Invencível Armada, Madrid viveu à sombra da Inglaterra e dos EUA, que se apossaram do que restou de seu império, na Guerra Hispano-Americana de 1898.
De Cervantes a Picasso, a Espanha deu grande contribuição ao mundo. Mas nunca foi o paradigma de empreendedorismo e de pujança com que aportou por aqui à época do PROER e das grandes privatizações.
Desde 2008, pelo menos, sabe-se que a “fortaleza” ibérica estava baseada em bilhões de euros em ajuda dos fundos da Comunidade Europeia e em centenas de bilhões de euros em dívidas, que deixaram em seu rastro um desemprego de quase 30%, e milhares de famílias despejadas e de aposentados prejudicados pelos bancos.
Quando se fala no IDH espanhol, é preciso lembrar que, por trás dele, está uma das maiores dívidas per capita do mundo. E que, se não fosse o hábito de exportar seus problemas e seus desempregados para países como o nosso, a cada duas gerações, os espanhóis não teriam o padrão de vida que tiveram até alguns anos atrás.
Na época em que, na América Latina, havia maioria de governos neoliberais, os “empresários” espanhóis eram recebidos, por aqui, como nababos.
E, o que é pior, continuaram a ter direito aos mesmos rapapés, depois da crise, quando suas ”grandes” empresas, altamente endividadas, começaram a depender, como de água para um peixe no deserto, dos altíssimos lucros auferidos em território brasileiro.
Sempre nos surpreendeu – e sobre isso escrevemos antes – o número de vezes em que o Senhor Emilio Botín – investigado, no passado, em seu país e execrado por boa parte da população espanhola – foi recebido em Palácio pela Presidente Dilma.
Nunca é conveniente que um presidente da República receba pessoalmente homens de negócio, e muito menos se forem estrangeiros. Para isso existem os ministros, como o da Indústria e Comércio ou o da Fazenda, por exemplo.
Se tivesse evitado os sorrisos e as fotografias que propiciou ao dono do Santander, por tantas vezes, com certeza a Presidente Dilma estaria se sentindo, agora, menos constrangida – depois da carta desse banco a “investidores”, desancando a orientação e as expectativas econômicas de seu governo.

CHINA - Escolas chinesas estabelecem metas para futebol.



Após a seleção chinesa não ter se qualificado para as três últimas Copas do Mundo da FIFA, o país decidiu melhorar seus padrões de futebol nas escolas e universidades


Com o mundo globalizado e o futebol seguindo esse rumo, a seleção de futebol da China vai disputar a Copa América de 2015, que será realizada no Chile.

O Ministério da Educação está analisando estabelecer torneios nas escolas primárias e secundárias e nas faculdades. As políticas de seleção serão facilitadas para ajudar as escolas e universidades recrutarem jogadores talentosos, informou a pasta na quarta-feira.

A autoridade planeja aumentar o número de escolas e universidades com infraestrutura para treinar futebol de 5.000 para 20.000 dentro de três anos.

O presidente Xi Jinping, também torcedor de futebol, incentivou repetidamente os jogadores chineses a irem em frente.

A China só se qualificou para a Copa do Mundo em 2002. Durante os torneios, centenas de milhões de chineses torceram para seleções alemã , brasileira e inglesa.

O ministério disse que esboçará um plano de desenvolvimento de médio e longo prazo para popularizar o esporte.

Os planos também serão adaptados para promover volei e basquete, segundo a pasta.

Além disso, as escolas terão que aumentar o número das aulas de educação física, segundo o ministro da educação, Yuan Guiren.

Todos os alunos têm que passar no teste de avaliação física na graduação e estudos superiores, acrescentou.

Fonte: Xinhua

MASSACRE DOS PALESTINOS - Jovens de Gaza recontam experiências de sobrevivência e massacre.



Jovens de Gaza recontam experiências de sobrevivência e massacre


Nour El Borno tem 21 anos e estuda Literatura Inglesa na Universidade Islâmica de Gaza. Como Youssef Aljamal, ela respondeu ao pedido por algumas palavras sobre a ofensiva de Israel e à repetição da experiência que relataram, junto com outros 15 autores, no livro “Gaza Escreve de Volta”. Seus contos abordaram a ocupação da Palestina, a sobrevivência e a morte, com foco para personagens da última grande ofensiva, em 2008-2009, que matou 1.400 pessoas.
Por Moara Crivelente, da Redação do Vermelho


Reuters
Os hospitais da Faixa de Gaza estão abarrotados, recebendo milhares de feridos e mortos todos os dias, vítimas dos bombardeios israelenses, dos quais tampouco escapam. Os hospitais da Faixa de Gaza estão abarrotados, recebendo milhares de feridos e mortos todos os dias, vítimas dos bombardeios israelenses, dos quais tampouco escapam.
“Eu vivi duas guerras a Gaza, se é que se pode chamá-las de guerras”, diz Youssef resumidamente, em contato por e-mail, desde a Jordânia. “Estou seguindo a situação minuto a minuto. Israel está atingindo mesquitas, hospitais, escolas, casas, crianças; famílias inteiras estão sendo dizimadas. Israel está cometendo genocídio e o mundo assiste,” desabafa o blogueiro, de 24 anos. Ele também se formou na Universidade Islâmica de Gaza e se dedica a promover a narrativa palestina no Ocidente, através de traduções e artigos próprios.

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“No mundo de hoje, as palavras têm de ser mais fortes que as máquinas de guerra e mais afiadas que espadas. Escrever é contar a história, e as histórias tornam os momentos eternos e permanentes. Escrever é repossuir a minha história,” afirma o autor do conto “Omar X”, sobre um refugiado que vivia em Gaza e aderiu à resistência armada contra as forças israelenses.

No conto, enquanto via seu amigo Sa’ad morrer e sentia os disparos que atingiam o seu próprio corpo, Omar lembrava a voz do pai, sussurrando enquanto o segurava nos braços ainda criança: “Para a Palestina, eu te ofereço. Quero te ver como um belo homem. Evite os soldados israelenses no seu caminho. Confronte-os, se eles te machucarem. Vida longa ao meu pequeno filho.”

O livro “Gaza Escreve de Volta” (“Gaza Writes Back”, escrito em inglês, mas ainda sem tradução para o português) foi editado por Refaat Alareer, professor da Universidade Islâmica de Gaza e que deu aos alunos e conhecidos a tarefa de tomar posse da sua história. A maior parte dos contos resultantes foi uma narrativa rápida, mas profunda, sobre a perda e a sobrevivência. “A Palestina foi primeiro ocupada metaforicamente, em palavras e poemas. Por isso, precisamos escrever de volta. Contar as nossas próprias estórias é resistência – resistência contra o esquecimento e à ocupação”, escreve o professor.

Dois contos do próprio Alareer falam também da ocupação na Cisjordânia, que tem no longo muro de segregação uma das maiores representações. Em um dos textos, fala da luta de um agricultor para arar a sua terra além-muro; em outro, de um senhor que leva o filho, esquivando-se da vigilância militar israelense, ao lar de onde foi expulso, três anos antes, e rebela-se com a surpresa de que a casa continuava vazia. A humilhação e o despejo pareciam ter sido os únicos objetivos da sua perda.

“Tenho escrito poesia em inglês desde que estava na sexta série,” conta Nour, ao responder sobre a sua própria história. “Meu pai era um civil que foi morto há 19 anos por Israel; isso é basicamente o que me identifica.” A jovem ressalva: “desculpe por ser tão breve, mas são 04h30 da manhã e não há eletricidade.”

Nour escreveu sobre um soldado israelense constantemente despertado por pesadelos com a morte que infligiu. Toques de afeição conseguiram atravessar a dolorosa experiência da autora: a maior parte do seu texto é dedicada ao carinho da esposa de Ezra, Talia, que tenta acalmar o soldado. Seu pesar não o deixava esquecer o confuso episódio em que matou uma menina palestina, durante uma incursão noturna, tão habitual.

“Gostaria de poder encontrar as palavras certas para descrever o que está acontecendo”, disse Nour por e-mail. “Meu povo está sendo morto todos os dias. Nossas vidas foram suspensas desde o começo do ataque e nós só esperamos, para ver se seremos os próximos ou se sobreviveremos a mais uma guerra. Estamos tentando ser pacientes e fortes.”

Nos últimos cinco anos, a Faixa de Gaza foi alvo de três “operações militares” oficiais, assim como de ataques aéreos esparsos e inesperados. Nas três ofensivas (“Chumbo Fundido”, de dezembro de 2008 a janeiro de 2009; “Pilar de Defesa”, em novembro de 2012; e a atual, “Margem Protetora”), cerca de três mil palestinos foram mortos pelas forças israelenses, amplamente denunciadas por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, com a devastação da infraestrutura civil e a destruição de milhares de lares, centros de saúde, escolas, hospitais, mesquitas, igrejas, poços de água e centrais elétricas.

“Meu irmão tem só oito anos de idade e já sobreviveu a três guerras contra Gaza. O que Israel espera dele? Já basta. O mundo precisa isolar Israel como um Estado de apartheid,” apela Youssef.