Da Revista Fórum
Mas dessa vez Fernandinho, como era conhecido na universidade, jogou pesado. Ele publicou um texto a 1h58 da madrugada de hoje no seu blogue e talvez pelo adiantado da hora cometeu uma série de devaneios matemáticos. Acontece que os devaneios deturpam todos os dados e são prejudiciais apenas a um lado, o dos veículos que Fernando Rodrigues quer impedir que existam e tenham o legítimo direito de disputar verbas no mercado publicitário.
A tranquilidade abunda do lado de cá para tratar deste tema. Em primeiro lugar, porque pela reportagem de Rodrigues a Revista Fórum é o site com maior audiência de todos os citados e foi o que recebeu o menor volume de publicidade entre todos. E exatamente por isso, nenhuma linha do texto é dedicada à Fórum. Que também não entra nas contas de Rodrigues. Isso não quer dizer que não seremos solidários com os outros veículos parceiros de blogosfera. Porque eles não receberam nada a mais do que merecem. Muito pelo contrário.
Vamos às armadilhas Rodriguianas
1) A primeira coisa que se precisa explicar ao Fernando é que ele não pode pegar o volume de recursos do ano recebido por uma publicação e dividir pelos visitantes únicos de um único mês. E escolher pra isso exatamente o mês de menor audiência na internet, dezembro. Trata-se de uma clara manipulação estatística. Fernando pega, por exemplo, os R$ 618,2 mil recebidos da Caixa e do BB pelo Conversa afiada e divide por 236 mil visitantes únicos de dezembro/2103, o o que resultaria num custo por visitante de R$ 2,60. Hã? Como assim? Dividir o volume de recursos do ano todo pelos visitantes únicos de um único mês, de onde ele tirou isso? Para o leitor que não é do ramo entender seria o mesmo que dividir todo o recurso do ano arrecadado nos jogos do Morumbi pela quantidade de pessoas que foram ao estádio em dezembro.
2) Ao mesmo tempo Rodrigues pega todo o recurso recebido durante o ano inteiro pelo Terra, que teria sido de R$ 5,5 milhões, e divide…tchan, tchan, tchan pela audiência audiência de 24,9 milhões de visitantes únicos de, segundo o texto, 2013. E não de apenas um mês. E aí chega a um custo por visitante único bem menor.
3) Em relação à Fórum, Rodrigues preferiu não fazer contas. Claro que nos deixou de lado porque já estava tarde e não com base numa certa seletividade jornalística. Mas seguindo o padrão das contas dele, Fórum que teve 470 mil visitantes únicos, segundo os dados ele, em dezembro de 2013 e recebeu ao longo do ano a impressionante cifra de R$ 58,2 mil das estatais citadas, teria um custo mesmo assim menor que o do Terra, que seria de R$ 0,21. O da Fórum seria de R$ 0,12. Mas aí a conta não foi feita. O leitor do Rodrigues não tem o direito de saber disso. Reportagem não pode ser correta, tem que ser sacana.
4) Acontece que todas essas contas valem muito pouco, porque não há lógica alguma em nada disso. O mercado não usa visitante único como base em nenhuma plataforma. Visitante único é o mesmo que leitor, ouvinte, telespectador. Ou seja, se eu for ler a Folha todo dia quando um anunciante for contratar a publicidade ele só me contará uma vez durante o mês? Se eu vejo a Globo todos os dias minha audiência é contada só uma vez durante o mês? Evidente que não. Por isso o mercado usa como referência o critério de page views na hora de comprar publicidade na internet. Isso vale para o UOL, pro Globo e pra Fórum.
5) Os veículos que Fernando Rodrigues diz ter audiência limitada, por exemplo, tem mais audiência que IstoÉ na internet. Basta ele ir lá no Alexa e comparar. Nem é necessário pedir estatísticas para empresa privada. No caso da Fórum, eu topo abrir o Analytics na frente dele (o Analytics é do Google, que não é bolivariano) pra mostrar que limitado é o jornalismo que deturpa números para forjar uma tese que não se sustenta sem fraude matemática.
Enfim, a lista poderia ser grande. Há outras muitas incoerências na matéria da Folha, assinada pelo blogueiro do UOL. E se o Fernando Rodrigues desejar, estou à disposição para debater com ele essas contas. Porque seriedade com os dados e suas correlações é o mínimo que se espera de quem diz respeitar a profissão.
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