“Bolsonaro está sem freio” e ainda temos “um ano pela frente” para ele “destruir o Brasil”, diz Chico Alves
18/12/2021
Jair Bolsonaro durante cerimônia de troca da guarda no Planalto nesta quinta (16) – Adriano Machado/Reuters | O jornalista chico Alves, em imagem reprodução do Twitter | Sobreposição de imgens
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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
“Sob o olhar bovino de um de seus maiores puxa-sacos”, o presidente “ultrapassou todos os seus limites” porque tem Lira na Câmara, diz o jornalista ao comentar a live de quinta-feira (16/12), quando, ao lado do deputado federal Major Vitor Hugo, ameaçou funcionários da Anvisa
Para Chico Alves, do UOL, “Bolsonaro não suporta subordinados autônomos e pautados pela ciência“. Por este motivo, “era de se esperar que os ataques do presidente aumentassem“, mas agora, “o ocupante do Palácio do Planalto ultrapassou todos os limites na live de quinta-feira passada (16)“.
Em defesa da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), representada por Antonio Barra Torres, o colunista lembra que o órgão regulador “estava sob uma saraivada de fake news disparada pelo presidente“, que “inventou, inclusive, que a agência pretendia fechar o espaço aéreo brasileiro por causa da nova variante da covid-19, a Omicrom“.
Além disso, em seu programa semanal, Bolsonaro retomou a “pregação contra a vacina (dessa vez espalhando mentiras sobre a imunização de crianças!)” e “exigiu que fossem tornados públicos os nomes dos funcionários da Anvisa que aprovaram a vacinação dos pequenos com idades entre 5 e 11 anos“.
Segundo a transcrição do jornalista, Bolsonaro afirmou, em primeira pessoa do plural, que “queremos divulgar o nome dessas pessoas para que todo mundo tome conhecimento de quem são essas pessoas e forme o seu juízo“. Chico Alves lembra que a sentença foi dita na presença e sob o “olhar bovino de um de seus maiores puxa-sacos, o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO)“.
“Bolsonaro fez explícita incitação às gangues negacionistas (digitais ou não) para atacar funcionários públicos unicamente por fazerem seu trabalho“, interpretou o colunista do UOL, acrescentando que a “ameaça do presidente (…) tem um nome: covardia“.
“Bolsonaro está sem freio” e, “como sabe que a base na Câmara e seu preposto Arthur Lira (PP-AL) não permitirão movimentos no sentido do impeachment, se sente livre para cometer todos os desatinos que bem entender, até mesmo negar às crianças brasileiras a vacina que as pode livrar do risco do coronavírus – sob a cumplicidade de figuras tão lamentáveis quanto o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ou a omissão do procurador-geral da República, Augusto Aras“.
Chico Alves acrescenta que “esse desgoverno“, que em sua opinião é “resultado da engenharia macabra dos militares mais atrasados, sob os auspícios do grupo do general Villas Boas“, está em seu “ponto mais baixo” e lamenta que “a sociedade civil” esteja mantendo “a revolta em volume brando diante de um presidente tão indigno“.
O jornalista lembra que ainda “temos pelo menos mais um ano de Bolsonaro pela frente para destruir o Brasil” e que nesse tempo o presidente seguirá, como sempre, “as vozes que povoam sua cabeça confusa e as determinações dos parceiros obscurantistas“.
Segundo Alves, “é uma temeridade deixar país tão grandioso na mão de alguém descerebrado, esperando sempre que o STF apareça para nos salvar, como se em torno do Supremo não houvesse 210 milhões de pessoas, a grande maioria favorável à vacinação“.
“Se não gritarmos para defender a saúde das nossas crianças e a autonomia dos servidores que querem protegê-las, por qual motivo haveremos de botar a boca no trombone?“, pontua.
Anvisa repudia ameaças
Depois do episódio, representantes da Anvisa disseram, ontem, que repudiam qualquer ameaça , além de lembrar à população que a mesma medida, de liberar vacinas para crianças, já foi adotada por diversos países desenvolvidos. Em nota, o órgão afirmou:
“A Anvisa está sempre pronta a atender demandas por informações, mas repudia e repele com veemência qualquer ameaça, explicita ou velada, que venha constranger, intimidar ou comprometer o livre exercício das atividades regulatórias e o sustento de nossas vidas e famílias: o nosso trabalho, que é proteger a saúde do cidadão“.
A agência, em referência direta a Bolsonaro, disse que o ambiente de trabalho do órgão regulador é “isento de pressões internas e avesso a pressões externas“.
Uma publicação do jornal Folha de S. Paulo lembra que em outubro os cinco diretores da Anvisa foram ameaçados de morte, por e-mail, caso ocorresse a aprovação da vacina para crianças.
Apesar disso, Antonio Barra Torres disse que a Polícia Federal ainda não respondeu ao pedido sobre garantir proteção dos dirigentes e técnicos mais expostos da agência. além de também não ter se manifestado quando procurada pela reportagem. A nota da Anvisa segue citando tais ameaças:
“Em outubro do corrente ano, após sofrer ameaças de morte e de toda a sorte de atos criminosos, por parte de agentes antivacina, no escopo da vacinação para crianças, esta agência nacional se encontra no foco e no alvo do ativismo político violento“.
Depois, Barra Torres disse, em reunião da diretoria da Anvisa, que a lista de quem participou da aprovação da vacina para crianças teria 1.600 nomes. “Meu nome vai estar lá“, declarou.
O presidente do órgão voltou a repudiar as agressões feitas à agência. Declarou que as ameaças colocam “preocupações desnecessárias” sobre servidores que já trabalham em processos complexos e desgastantes.
“Não é tempo de violência, não é tempo de sentimentos menores”, disse Barra Torres na reunião.
Apesar da liberação pela Anvisa, a vacinação de crianças contra a Covid não vai começar imediatamente.
O Ministério da Saúde afirma que ainda terá de fazer mais debates para decidir sobre a imunização desse grupo.
Redes sociais
O pré-candidato ao governo de São Paulo, Guilherme Boulos, disse no Twitter que “em outubro, diretores da Anvisa foram ameaçados de morte caso aprovassem vacina contra a Covid para crianças“.
Após a “aprovação” que “saiu ontem“, conforme Boulos escreveu, ele pergunta: “O que Bolsonaro fez?” E responde. “Disse que vai divulgar os nomes dos técnicos que fizeram a aprovação“.
“É um miliciano, não um presidente“, acusou.
Veja abaixo:
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