Líder em todas as pesquisas desde que recuperou os direitos políticos, o ex-presidente Lula confirma o seu favoritismo na eleição de 2022 quando avança sobre o eleitorado mais pobre. De acordo com a pesquisa Datafolha, a candidatura do petista fez o seu partido voltar a ter o melhor desempenho eleitoral entre a população com menor renda no Brasil. Ao todo, o ex-presidente garante 56% das intenções de voto nesse segmento. O volume é levemente maior do que em 2006, quando alcançou, na véspera do primeiro turno, 55% de apoio de quem ganha até 2 salários mínimos. Para efeitos de comparação, quando Fernando Haddad (PT) concorreu ao cargo em 2018, o PT tinha apenas 29% do eleitorado mais pobre a seu favor. Por outro lado, o presidente Jair Bolsonaro amarga apenas 16% das intenções de voto entre os mais vulneráveis. Essa fatia da população, que concentra metade dos eleitores brasileiros, rejeita o atual presidente por atribuir a ele a maior parcela de culpa pela crise econômica brasileira. "Em um cenário de crise econômica prolongada, como a que vivemos, a lembrança da prosperidade dos anos do governo Lula, principalmente para os segmentos da população que mais sofrem com a inflação e o desemprego, explica seus altos índices de intenção de votos atuais", afirma o cientista político Bruno Carazza em conversa com CartaCapital. O levantamento da CNT/MDA expõe ainda mais o calvário bolsonarista e da terceira via. Carazza detalha em cinco pontos: 1) 63,7% dos entrevistados avaliam que seu poder de compra diminuiu no governo Bolsonaro; 2) Entre os vilões da inflação nos últimos meses, os maiores impactos foram alimentação, combustível, energia elétrica e moradia; 3) Devido à inflação, 76,2% afirmam que tiveram que reduzir as compras de alimentos nos últimos meses. No caso da carne (maior evidência de bem-estar alimentar), 36,5% dos pesquisados afirmam que reduziram muito seu consumo e outros 35,4% diminuíram as compras em geral. 4) 58,9% dos entrevistados consideram que a época em que seu poder de compra foi maior aconteceu no governo Lula; 5) Essa situação se complica ainda mais para Bolsonaro e os candidatos de terceira via quando vemos que 57,3% dos entrevistados dizem que já tomaram a decisão sobre o voto no ano que vem; A pesquisa completa pode ser vista aqui. Além do Datafolha e da CNT/MDA, outras pesquisas divulgadas foram a Ipec, que põe Lula próximo à vitória no primeiro turno, e a Modalmais. O favoritismo, no entanto, não significa eleição ganha. "À medida em que a campanha esquentar, Lula será cada vez mais questionado em duas frentes: I) os escândalos de corrupção em seu governo, como mensalão e o petrolão e II) a herança de recessão provocada por políticas econômicas concebidas em seu governo e aprofundadas por Dilma", alerta o cientista político que aponta os benefícios de uma possível aliança do petista com o ex-governador Geraldo Alckmin. "Serviria não apenas como um movimento ao centro e uma sinalização para o eleitorado mais conservador, mas seria também um ativo importante para a construção de pontes para a formação de uma sólida base no Congresso, caso Lula seja eleito", avalia. |
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