A Vaca Magra é o real símbolo do Brasil sob Bolsonaro, não o Touro de Ouro
A Vaca Magra, sofrida, amarela e com costelas à mostra, é o verdadeiro símbolo do Brasil sob a gestão Jair Bolsonaro.
Uma escultura de uma mimosa emagrecida foi colocada em frente à B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, nesta quinta (9), exatamente onde estava o Touro de Ouro - réplica brega do bovino de bronze que habita Bowling Green, em Nova York, próximo à bolsa de Wall Street.
Nada contra importar boas ideias, mas o símbolo de um mercado pujante não é o que melhor representa o atual momento do país. Hoje, o nosso retrato é o da fome e da carestia. Por isso, a vaca magra, concebida pela artista plástica Márcia Pinheiro, não é o que gostaríamos de ser, mas aquilo que deixamos que nos transformassem.
A Vaca Magra representa as imagens de brasileiros remexendo um caminhão de lixo em Fortaleza e disputando pelancas e ossos no Rio, mas também a queda de 11% na renda média do trabalhador de um ano para cá, a inflação devorando a comida da classe trabalhadora, a seca que explode o preço da energia porque o governo ignorou as mudanças climáticas. Representa a prisão de uma mãe de cinco filhos, sem teto e desempregada, por furtar dois pacotes de miojo, dois refrigerantes e um suco em pó.
A vaca está magra apesar de rodeada em lindas pastagens, mas que não lhe pertencem, apenas a meia dúzia de bovinos. E é função do governo garantir, à bala se necessário for, que ela não reivindique.
A fome cresceu por conta da política adotada pelo presidente Jair Bolsonaro na pandemia - apesar de seus seguidores mais fiéis culparem as medidas que salvaram vidas da covid-19 pelo caos. Caso ele não tivesse sabotado as medidas de isolamento social, nem combatido o uso de máscaras, muito menos promovido remédios inúteis, a pandemia teria sido mais curta e a economia voltado ao normal antes, com menos mortos e menos fome.
Para piorar, no momento em que a crise apertou, Bolsonaro suspendeu o auxílio emergencial que estava sendo pago a pobres sem emprego no começo deste ano durante 96 dias. E só o retomou após grande pressão social, com valores insuficientes para comprar 25% da cesta básica de alimentos em grandes cidades do país.
Como já disse aqui, nessas horas, lembro-me da citação atribuída ao já falecido Hélder Câmara: "Se falo dos famintos, todos me chamam de cristão, mas se falo das causas da fome, me chamam de comunista".
Daqui a pouco, seguidores do presidente vão chamar a Vaca Magra de comunista, quando, no fundo, ela não queria ser magra, apenas vaca.


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