
Ualid Rabah: Acordo torna Brasil cúmplice da máquina de guerra de Israel que assassina o povo palestino; PT, Psol e Rede votaram contra; vídeo
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Da Redação
Por 300 votos a favor e 60 contra, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira [09/12] o projeto 228/2021.O projeto prevê acordo de cooperação bélica entre Brasil e Israel.
Três partidos votaram NÃO: PT, Psol, Rede.
O PCdoB estava em obstrução, para impedir a votação.
Votaram SIM: Podemos, Novo, Republicanos, Novo, Solidariedade, PDT, PSL, PSD, PSDB, Pros, PTEB, PL, MDB, DEM, Avante e PP.
Quatro deputados desses partidos votaram NÃO: Túlio Gadelha (PDT-PE), Alexandre Frota (PSDB-SP), Gastão Vieira (Pros-MA) e Ricardo Izar (PP-SP).
Logo após a aprovação do projeto, Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), postou um vídeo duro (veja acima), onde faz vários alertas, entre os quais estes:
— Os que defenderam esse acordo são os mesmos que trouxeram ao Brasil a deputada alemã Beatrix von Storch, acusada de ser a continuadora do nazismo na alemanha e que casualmente defende Israel e seus crimes na Palestina.
— Este acordo fará do Brasil um cúmplice da máquina de guerra israelense, que assassina o povo palestino e sustenta o seu sistema de apartheid.
— Pelo acordo o Brasil comprará, com dinheiro do contribuinte brasileiro, armas e munições de Israel testadas antes contra o povo palestino, nos fazendo financiadores dos crimes israelenses na Palestina.
— Palestina é o único lugar do mundo em que o povo é campo de teste de uma indústria bélica exportadora, a de Israel. E é com esse dinheiro que Israel financia os seus crimes.
— As mãos do povo brasileiro não podem ser manchadas com o sangue do povo palestino, libanês, sírio e dos demais povos agredidos por Israel.
A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) encaminhou o voto contrário da bancada do PT:
“O PT não colocará a sua digital nessa transferência de tecnologia que foi construída em grande medida para oprimir e extinguir o povo palestino. Nós não queremos incorporar e ter parceria com esta tecnologia que mata. Nós não queremos colocar a nossa digital nesta proposição. Nós não queremos este acordo, que é um acordo de morte. Nós estamos aqui para dizer que o povo palestino merece respeito pela sua luta, pela sua coragem”.

Deputada Erika Kokay (PT-DF). Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
PT vota contra acordo entre Brasil e Israel na área de defesa e denuncia que o acordo descumpre resolução da ONU
Na avaliação da deputada, “se quer fazer um acordo de defesa com um País que desrespeita as resoluções da ONU; que invade um território que não lhe pertence; que assassina o povo palestino; que faz com que o povo palestino tenha centenas de crianças aprisionadas e que faz também com que o povo palestino seja repudiado no seu próprio chão”. Portanto, reforçou, “não há como apoiar esse acordo na área de defesa com o Estado de Israel, que descumpre resoluções da ONU”.
Erika Kokay explicou que várias vezes a Organização das Nações Unidas, nas suas resoluções, afirmou que o Direito Internacional Humanitário deve ser aplicado aos territórios ocupados.
“Israel tem sido contumaz em deter armas direcionadas inclusive a crianças. O que aconteceu em Sabra e Chatila? Foi um massacre, um massacre, que se fez de forma sorrateira, de forma covarde, no silêncio e na calada da noite, para não alertar os palestinos e as palestinas, que, ainda que lhe roubem a terra, têm sentimento de nação”, lamentou.
A deputada destacou ainda que, inúmeras vezes, Israel tentou acabar com o povo palestino, calar o povo palestino. “E o povo palestino, no mundo inteiro, inclusive aqui no Brasil, tem feito o grito de protesto contra essa política da morte”.
Ela ainda rebateu os argumentos de alguns parlamentares que de que isso é coisa de Deus.
“É coisa de Deus tirar o direito à água de um povo?! É coisa de Deus desrespeitar os limites acordados internacionalmente que pregam a própria paz?! É coisa de Deus assassinar crianças?! É coisa de Deus prender crianças?! São centenas de crianças palestinas que estão presas”, desabafou.
“Portanto, aqui, se vai querer que o Brasil faça um acordo com o genocídio e com a morte; que o Brasil esteja, em um projeto decreto legislativo, fazendo tratados de defesa com Israel contra o povo palestino?”, indagou a deputada, pedindo que os parlamentares, que sabem o que acontece com o povo palestino, “possa se posicionar em defesa — e eu repito — da Constituição Brasileira, que fala que as relações internacionais têm que ser pautadas nos direitos humanos, na igualdade entre os Estados e na defesa da paz”.
História
A deputada Erika Kokay ainda citou a aprovação, pela ONU, do Plano de Partilha da Palestina, em 1947, que dividia as terras: 55% para os judeus e 45% para os muçulmanos.
“Hoje, nós temos 92% do território ocupado por Israel, 92%, causando o confinamento de 3 milhões de palestinos e palestinas, que permanecem no local e se transformam em refugiados dentro da sua própria terra. Dentro da sua própria terra!”, lamentou.
Ela destacou ainda a Resolução nº 2.334 da ONU, de 2016, que declarou que as colônias israelenses eram uma violação flagrante do direito internacional e não tinham validade legal.
Lembrou que em 2017, a Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia Ocidental publicou um relatório chamado Práticas de Israel para o povo palestino e a questão do Apartheid.
“O documento mostrou que todos os palestinos, independentemente de onde vivem, sofrem impactos da política de apartheid do Estado de Israel”.
A deputada frisou também que a atual anexação da Cisjordânia por Israel, que foi iniciada em 2020, reitera o desrespeito ao direito internacional.
O Tribunal Penal Internacional decidiu, em março deste ano, iniciar investigação formal sobre possíveis crimes cometidos no conflito na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
“Estes são os dados. É a tentativa de aplacar, de oprimir, de extinguir e de exterminar um povo que está em curso em Israel, e esta Casa vai validar essa relação? Vai validar, num acordo de defesa, a posição daquele que tem as armas apontadas para o povo palestino, para as crianças, para as mulheres, daquele que desrespeita todos os tratados internacionais? Ou a Casa desconhece o sofrimento do povo palestino? Desconhece o sofrimento e a coragem também do povo palestino de resistir?”, desabafou.
O acordo
Assinado pelos dois países em 2019, em Jerusalém, o acordo prevê o intercâmbio de tecnologias, treinamento, pesquisa e desenvolvimento, apoio logístico e mobilização.
Prevê ainda visitas mútuas de delegações, intercâmbios de pessoal e a facilitação do comércio bilateral de serviços e material de defesa.
O projeto segue para apreciação do Senado.
Vânia Rodrigues
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