O jantar de LULA e Alckmin
20/12/2021
O ex-governador de São Paulo será mesmo o vice da chapa do ex-presidente em 2022?
LULA e Geraldo Alckmin se encontraram na noite deste domingo (19/12) em jantar público, no restaurante Figueira, no bairro dos Jardins, em São Paulo, promovido pelo coletivo de advogados Prerrogativas, grupo que se organizou em reação à Lava-Jato, em 2016, que foi representado, além de outros, pelos advogados Augusto Arruda Botelho, Pierpaolo Bottini e Antonio Claudio Mariz de Oliveira.
O evento reuniu as cúpulas do PT e do PSB, e parlamentares do PCdoB, além do presidente do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força, que também ofereceu filiação a Alckmin.
Estavam presentes os dirigentes que articulam a terceira via, como o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o deputado federal Rodrigo Maia (sem partido-RJ), que são os operadores políticos dos presidenciáveis Simone Tebet (MDB), Rodrigo Pacheco (PSD) e João Doria (PSDB).
Lá também estavam os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Omar Aziz (PSD-AM), respectivamente relator e presidente da CPI da Covid no Senado, que durante seis meses do ano de 2021 apontou crimes do governo Bolsonaro na administração da pandemia no Brasil.
Chamou a atenção ainda a presença do ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas.
De acordo com o jornal Valor Econômico, LULA confirmou que quer mesmo Alckmin como vice-presidente em sua chapa, mas preferencialmente pelo PSD, que por ora sustenta a pré-candidatura do presidente do Senado e havia convidado o ex-governador para tentar retornar ao cargo em São Paulo.
Veja abaixo e leia mais a seguir:





As negociações com o PSB, que estão mais avançadas, esbarram no fato da sigla não aceitar apoiar em São Paulo o ex-prefeito Fernando Haddad, do PT.
A ideia de LULA, ao articular a filiação de Alckmin no PSD, é negociar em posição de força para convencer o PSB a abrir mão da candidatura do ex-governador Márcio França ao governo paulista.
LULA e Alckmin negociam a aproximação há meses. Um dos fundadores do grupo Prerrogativas, o advogado Marco Aurélio Carvalho participou das primeiras conversas com o PSB sobre a construção da chapa.
O ex-governador Márcio França, que lidera o PSB em São Paulo, reuniu-se com Marco Aurélio Carvalho e com João Paulo Rodrigues, dirigente do MST, para apresentar a proposta dessa dobradinha, antes mesmo de ter conversado com Alckmin.
Tanto o advogado do Prerrogativas como o dirigente do MST são próximos do ex-presidente LULA.
Cerca de um mês depois, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) entrou no circuito e passou a negociar com França a possibilidade de viabilizar a chapa.
No cenário defendido por França, Alckmin se filiaria ao PSB para ser vice do ex-presidente petista.
O passo seguinte foi dado por LULA e Alckmin, que conversaram pessoalmente em julho sobre um eventual acordo.
Houve ao menos mais um encontro presencial entre o ex-presidente e o ex-governador.
França já tinha sido aventado para compor a chapa petista como vice, mas enfrentou resistências no PT e no PSB.
Ao apresentar o nome de Alckmin, França ganhou a simpatia de Haddad e de LULA.
Haddad já tinha procurado Alckmin para negociar um eventual acordo no segundo turno da eleição presidencial e em São Paulo.
Na época das primeiras conversas, o ex-governador, ainda filiado ao PSDB, era cotado para disputar o governo paulista em 2022.
Pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Haddad articulou com Alckmin um pacto de não agressão e o apoio no segundo turno, caso um dos dois ficasse de fora da disputa no Estado.
O ex-prefeito de São Paulo buscou também o apoio do ex-governador para LULA no segundo turno da eleição presidencial.
Alckmin negociava com o PSB e com o PSD sua filiação para disputar o governo em São Paulo desde que o vice-governador Rodrigo Garcia trocou o DEM pelo PSDB, em maio.
Com a entrada de Garcia no partido, a candidatura de Alckmin pelo PSDB ficou inviabilizada. Diante da evolução das conversas com LULA, o ex-governador deixou em segundo plano a disputa estadual.
Antes de negociar a composição da chapa presidencial com Alckmin, LULA buscou lideranças históricas do PSDB, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati (CE), e outros dirigentes fora do campo da esquerda, como o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para manter o diálogo aberto, com vistas sobretudo a uma união no segundo turno. FHC, inclusive, disse que poderá votar em Lula no segundo turno, se o PSDB for derrotado no primeiro.
LULA e Haddad, em conjunto com outras lideranças do PT, têm antecipado a construção de uma ampla aliança já para o primeiro turno.
Os aliados do ex-presidente querem evitar a desarticulação que houve em 2018, quando o PT enfrentou dificuldades para obter apoio para Haddad no segundo turno da disputa presidencial.
Na semana passada, o PT formalizou o início das conversas com PSB, PCdoB, Psol e PV para compor uma federação, formando uma espécie de frente ampla de esquerda para fortalecer a candidatura de LULA.
Mesmo se a proposta da federação não for concretizada com esses partidos, o comando do PT quer garantir no início do próximo ano o apoio das legendas de esquerda e centro-esquerda ao ex-presidente.
A direção do PT diz que é preciso aparar as arestas com aliados e não repetir os erros cometidos em 2018.
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