Vocês lembram como o Mensalão se tornou um caso público?
Foi depois de uma entrevista do então deputado federal Roberto Jefferson à jornalista Renata Lo Prete. Publicada na Folha de S. Paulo, a conversa mostrava um Jefferson contrariado porque, segundo ele, os deputados de seu partido estavam sem receber a mesada que o PT pagava a todos os que votassem junto com o governo. Deputados da base aliada recebiam R$ 30 mil por mês para votarem segundo as orientações do PT. Seriam os “mensaleiros”. Dois anos depois, toda a cúpula do governo caiu em um julgamento no STF. Muitos foram para a cadeia. Hoje o Intercept publica uma entrevista que me lembrou muito aquela dada por Jefferson em 2005. O repórter Guilherme Mazieiro teve duas conversas gravadas com o deputado federal Waldir Soares de Oliveira, bolsonarista de primeira hora e antigo líder do PSL na Câmara. Assim como Jefferson, o Delegado Waldir (seu nome de urna) também está chateado porque não recebeu a sua parte no combinado. Qual parte? Justamente aquela da compra de votos nas pautas da Câmara. As cifras atuais fazem o Mensalão corar de vergonha. O escândalo do governo Bolsonaro é muito, muito maior. O mercado de convicções vem sendo chamado de “orçamento secreto”, ou “Bolsolão”, para os íntimos. Das várias votações sob suspeita de terem sido manipuladas com a força do dinheiro, ao menos duas o Delegado Waldir confirma: Intercept – Quanto foi negociado na eleição do Lira e na Previdência? Waldir – R$ 10 milhões [em emendas do orçamento secreto por deputado]. E na [reforma da] Previdência, R$ 20 milhões por parlamentar. Intercept – R$ 10 milhões na eleição do Lira? Waldir – Isso. E R$ 20 milhões na reforma da Previdência. Intercept – Tinha distinção de valor entre líderes e deputados?
Waldir – Na reforma da Previdência tinha, na do Lira foi tratado pela cúpula [do partido]. Eu não estava na cúpula naquele momento. É chocante. Com as evidências já escancaradas por jornalistas e, agora com essa declaração, há elementos para levar o caso adiante, com desfecho semelhante ao do Mensalão. Leia a entrevista completa agora, e ouça um trecho da conversa gravada. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário