quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Brasil de Fato: Por que o salário mínimo no Brasil cresce tão pouco?

 

 
Brasil de Fato
 
Por que o salário mínimo no Brasil cresce tão pouco?
 
Quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
 
 
Pelo terceiro ano seguido, o governo Bolsonaro reajustou o salário mínimo apenas pela inflação (que é o que obriga a Constituição), levando o valor para R$ 1.212. Isso significa que o poder de compra dos trabalhadores não muda. Ou seja, com os reais a mais que vão entrar todo mês com o novo valor, é possível comprar os mesmos itens que com o valor do ano anterior, já que eles subiram de preço.
Só que o cálculo desse novo valor do mínimo foi feito a partir de estimativas traçadas em dezembro, que foram menores do que a inflação oficial divulgada em janeiro. Ou seja, em tempos de pandemia e aumento da pobreza, além de não aumentar, o salário na prática diminuiu, porque ficou 0,14 ponto percentual abaixo da inflação.
Isso considerando que no ano passado já tinha acontecido a mesma coisa: o reajuste tinha sido só o obrigatório pela Constituição, mas a inflação ficou mais alta que o previsto. E a diferença que ficou pendente deveria ser reposta agora, no novo valor do salário mínimo de 2022.
Ou seja, nada de aumento real ano após ano. Pelo contrário: desde que assumiu, Bolsonaro vem seguindo à risca o abandono da política de valorização real do salário mínimo, que hoje tem o poder de comprar apenas 1,73 cesta básica.
Antes dele, os reajustes definidos durante o governo de Michel Temer (2017 a 2019) somaram 0,79% acima da inflação.
Trata-se de uma decisão política. Embora tenham cumprido a Constituição, os governos recentes decidiram que não aumentariam o salário além do que eram obrigados por lei. Antes, somando os governos Dilma e Lula (entre abril de 2003 e janeiro de 2016), o índice teve um aumento real de 59,21%.
A repórter Gabriela Moncau conversou com a economista Juliane Furno sobre os motivos dessa diferença entre os governos. "Se levava em consideração que, para além de não terem perda pelo processo inflacionário, os trabalhadores - como são quem produz a riqueza social - deveriam se beneficiar do ganho econômico", disse.
Neste link você pode entender melhor como era feito o cálculo antes e o que mudou de 2016 pra cá.
Calorão no sul
Vem aí uma onda de calor que deve levar as temperaturas para acima dos 40°C no Rio Grande do Sul nos próximos dias. Quem é de lá sabe que calorão não é algo nada incomum nessa época do ano, mas meteorologistas preveem que recordes de temperatura podem ser quebrados em 2022, com uma projeção de que o calor pode chegar a uma sensação de quase 50°C.
Embora pareça algo localizado, o problema não é só dos gaúchos. Os últimos sete anos foram os mais quentes já registrados globalmente, segundo o serviço de monitoramento do clima da União Europeia. De acordo com análises preliminares, a temperatura global em 2021 ficou 1,2°C acima dos níveis pré-industriais.
De acordo com o relatório, diversos países ao redor do mundo foram atingidos por desastres climáticos relacionados ao aquecimento global nos últimos anos.
A reportagem do Brasil de Fato RS conversou Francisco Eliseu Aquino, professor de Climatologia e Oceanografia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), e com a meteorologista Estael Sias e ambos relacionaram o evento às mudanças climáticas provocadas pela ação humana que levam o mundo a extremos. E é assim que temos ondas de calor, chuvas extremas e períodos de estiagem cada vez mais frequentes.
Entenda o que vem por aí lendo a matéria na íntegra aqui.
 

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